Módulo II Linhas de Transmissão. Carta de Smith

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Transcrição:

Módulo II Linhas de Transmissão

Ferramenta gráfica para resolver problemas envolvendo linhas de transmissão e casamento de impedância. Foi desenvolvida em 1939 por Phillip Smith, engenheiro do Bell Telephone Labs. Permite visualizar os fenômenos de linhas de transmissão sem a necessidade de cálculos numéricos detalhados.

No uso da vamos assumir que a LT é sem perdas. A pode ser entendida como dois gráficos em um: O primeiro traça a impedância normalizada em qualquer ponto ao longo de uma LT. O segundo traça o coeficiente de reflexão para qualquer ponto ao longo da linha. Dado que o coeficiente de reflexão pode ser expresso na forma polar, como Γ = Γ e jθ, então a magnitude Γ é plotada como o raio a partir do centro da, e o ângulo ( 180 180 ) é medido no sentido anti-horário a partir do lado direito do diâmetro horizontal. Cada possível coeficiente de reflexão de Γ 1 pode ser plotado como um único ponto em uma. 3

A real utilidade da carta de Smith está no fato de que ela pode ser utilizada para converter coeficientes de reflexão em impedâncias (ou admitâncias) normalizadas e vice versa, utilizando os círculos de impedância (ou admitância) impressos na carta. Para a utilização da, as impedâncias (ou admitâncias) são normalizadas em relação à impedância (ou admitância) característica da linha de transmissão. 4

Conforme vimos anteriormente, se uma LT sem perdas está terminada por uma impedância de carga Z L, o coeficiente de reflexão na carga pode ser expresso por Γ L = Z L Z 0 Z L + Z 0, onde Z 0 é a impedância característica da LT. Normalizando Z L pela impedância caraterística da LT, temos z L = Z L Z 0, de onde Γ L = z L 1 z L + 1 = Γ L e jθ 5

Expressando z L em função de Γ L em Γ L = z L 1 z L + 1 = Γ L e jθ, temos z L = 1 + Γ L e jθ 1 Γ L e jθ Dado que z L = r L + jx L eγ L = R Γ L + Im Γ L = Γ r + jγ i, podemos escrever a equação acima como r L + jx L = (1 + Γ r) + jγ i (1 Γ r ) jγ i 6

A parte real e a parte imaginária em r L + jx L = (1 + Γ r) + jγ i (1 Γ r ) jγ i podem ser separadas multiplicando o numerador e o denominador pelo complexo conjugado do denominador ( 1 Γ r + jγ i ). Assim, obtemos r L = 1 Γ r Γ i (1 Γ r ) +Γ i x L = Γ i (1 Γ r ) +Γ i Rearranjando as equações acima, encontramos r L Γ r 1 + r L + Γ 1 i = 1 + r L Γ r 1 + Γ i 1 x L = 1 x L que representam duas famílias de círculos no plano Γ r, Γ i. 7

Lembrando que a equação geral para um círculo de raio a, centrado em x = m e y = n, é (x m) +(y n) = a. 8

Podemos, então, analisar as equações obtidas para r L e x L conforme r L Γ r 1 + r L + Γ i = 1 1 + r L Círculos de Resistência plano Γ r, Γ i. Γ r 1 + Γ i 1 x L = 1 x L Círculos de Reatância plano Γ r, Γ i. Γ i Γ r 9

Círculos de resistência normalizada r L são traçados por Γ r r L 1 + r L + Γ i = 1 1 + r L Para resistência normalizada r L = 1: Γ r 1 + Γ i = 1 círculo de raio ½ centrado em Γ r = 1 e Γ i = 0. Para resistência normalizada r L = 0: Γ r + Γ i = 1 círculo de raio 1 centrado em Γ r = 0 e Γ i = 0. Equação geral para um círculo de raio a, centrado em x = m e y = n: (x m) +(y n) = a 10

Círculos de reatância normalizada x L são traçados por Γ r 1 + Γ i 1 x L = 1 x L Para reatância normalizada x L = 1: Γ r 1 + Γ i 1 = 1 círculo de raio 1 centrado em Γ r = 1 e Γ i = 1. Indutivo Para reatância normalizada x L = 1: Γ r 1 + Γ i + 1 = 1 círculo de raio 1 centrado em Γ r = 1 e Γ i = 1. Equação geral para um círculo de raio a, centrado em x = m e y = n: (x m) +(y n) = a Capacitivo 11

r L Γ r 1 + r L + Γ i = 1 1 + r L Γ r 1 + Γ i 1 x L = 1 x L Indutivo Capacitivo Observe que: Todos os círculos de resistência tem centros no eixo horizontal Γ i = 0 e passam pelo ponto Γ r = 1 no lado direito da carta; Todos os círculos de reatância têm centros na linha vertical Γ r = 1 (fora da carta) e passam pelo ponto Γ r = 1; Os círculos de resistência e reatância são ortogonais. 1

A também pode ser utilizada para determinar a impedância da linha de transmissão, resolvendo a equação Z in = Z 0 Z L + jz 0 tan βl Z 0 + jz L tan βl A equação acima também pode ser expressa em termos do coeficiente de reflexão conforme Z in = Z 0 1 + Γ L e jβl 1 Γ L e jβl onde Γ L é o coeficiente de reflexão na carga e l é o tamanho da linha de transmissão (note que aqui l é positivo). 13

Note que as equações 1 + Γ L e jβl Z in = Z 0 e 1 Γ L e jβl z L = 1 + Γ L e jθ 1 Γ L e jθ diferem unicamente pelos ângulos de fase dos termos Γ L. Assim, se plotamos o coeficiente Γ L e jθ na carga, a impedância de entrada normalizada (z in ) vista a partir de um comprimento de linha de tamanho l terminado por uma impedância de carga normalizada (z L ) pode ser encontrada girando o ponto de βl no sentido horário (i.é, subtraindo βl de θ) ao redor do centro da carga. O raio permanece com a mesma magnitude, dado que a magnitude de Γ L não muda com a posição ao longo da LT (que é assumida sem perdas). 14

Para facilitar essas rotações, a tem escalas em torno de sua periferia, calibradas em comprimentos de onda, em direção ao gerador e se afastando de gerador (i.é, indo em direção à carga). Estas escalas são relativas, portanto, apenas a diferença nos comprimentos de onda entre dois pontos da é significativa. As escalas cobrem uma gama de 0 a 0.5 λ, o que reflete o fato de que a inclui automaticamente a periodicidade que se apresenta na linha de transmissão. Assim, uma linha de comprimento λ/ (ou qualquer múltiplo) requer uma rotação de βl = π em torno do centro da Carta, trazendo o ponto de volta para sua posição original, mostrando que a impedância de entrada de uma carga vista através de uma linha de comprimento λ/ é inalterada.

Reatância Indutiva ou Susceptância Capacitiva Resistência = 0 curto circuito Resistência = circuito aberto Condutância = 0 circuito aberto Condutância = curto circuito Susceptância Indutiva ou Reatância Capacitiva 16

Utilizando a Uma LT sem perdas, com Z 0 = 100Ω é terminada em uma carga Z L = 40 + j70ω. A dimensão da LT é 0.3 λ. Utilizando a, determine: (a) o coeficiente de reflexão na carga; (b) o coeficiente de reflexão na entrada da LT; (c) a impedância de entrada da LT; (d) a relação de onda estacionária na LT; (e) a perda de retorno. 17

Utilizando a r L = 0.4 A impedância de carga normalizada por Z 0 resulta em z L = 0.4 + j0.7ω, que pode ser plotada na Carta de Smith conforme figura ao lado.

r L = 0.4 Utilizando um compasso e a escala de coeficientes de reflexão de tensão e corrente impressa abaixo da, podese ler a magnitude do coeficiente de reflexão na carga como Γ L = 0.59. Γ L

A mesma medida obtida com o compasso que foi usada para determinar a magnitude do coeficiente de reflexão na carga pode ser aplicada à escala de Relação de Onda Estacionária para obter ROE = 3.87 e à escala de Perda de Retorno, para determinar RL = 4.6dB. RL ROE Γ L = 0.59

r L = 0.4 O próximo passo é desenhar um círculo com raio igual a Γ L. Γ L

Desenhando uma linha radial que passe através do ponto de impedância de carga z L até a escala externa do gráfico podese ler o ângulo do coeficiente de reflexão na carga (Γ L ), como 104. 104

Estendendo esta linha radial até a escala de comprimento de onda em direção ao gerador (WTG, na Carta), obtém-se o valor de 0,106λ.

Deslocando a linha radial 0.3λ (a dimensão da LT é 0.3 λ) em direção ao gerador, encontraremos 0.406 λ na escala WTG.

A partir desta posição (0.406λ na escala WTG), traçamos uma linha radial que interceptará o círculo de raio Γ L. O ponto definido pela interceptação identificará a impedância de entrada normalizada (z in ), como z in = (0.365 j0.611). A impedância de entrada da LT será, portanto, Z in = Z 0 z in = = (36.5 j61.1).

A magnitude do coeficiente de reflexão na entrada é a mesma ( Γ in = Γ L = 0.59), e a fase é lida a partir da linha radial na escala de fase, como -11 o.