VII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO ESPECIAL Londrina de 08 a 10 novembro de 2011 - ISSN 2175-960X Pg.



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Transcrição:

AÇÕES DO PROGRAMA DE APRIMORAMENTO PROFISSIONAL DE TERAPIA OCUPACIONAL DA FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS UNESP- CAMPUS DE MARÍLIA 1. INTRODUÇÃO Maraísa Fonseca MACHADO¹ Faculdade de Filosofia e Ciência UNESP Marília Rita de Cássia Tibério ARAÚJO² Faculdade de Filosofia e Ciência UNESP Marília Apoio: FUNDAP Nas últimas décadas têm-se observado a multiplicação de cursos de nível superior na área da saúde, em geral em faculdades privadas, voltadas a um mercado de trabalho em expansão. No entanto, nem sempre a amplificação quantitativa de cursos e profissionais formados correspondeu a uma qualificação aceitável ou a uma formação que respondesse às necessidades do sistema de saúde ou a aspectos éticos da profissão (IZUMINO, et al., 1996). Segundo Campos (2006) um dos grandes problemas dos cursos de graduação em saúde é que a maioria deles forma profissionais para trabalhar num modelo de saúde que não é público nem hierarquizado, mas em hospitais, laboratórios de apoio e consultórios particulares. Um dos maiores problemas do Sistema Único de Saúde (SUS) nos dias de hoje está relacionado não apenas à escassez e à má distribuição de recursos, mas à dificuldade de retenção de profissionais nos serviços públicos de saúde (SANCHA, 2008). Visando ao aprimoramento de profissionais para o exercício de suas práticas, o governo do Estado de São Paulo instituiu, em 1979, pelo Decreto Estadual nº. 13.919, o Programa de Aprimoramento Profissional (PAP) que é definido como uma modalidade de ensino de pós-graduação lato sensu, baseado no princípio do treinamento em serviço (IZUMINO, et al., 1996). Segundo informações da Fundação do Desenvolvimento Administrativo (FUNDAP, 2007), entidade responsável pela administração do Programa desde a sua criação, o PAP foi concebido como um instrumento para estimular a formação pós-graduada dos recursos humanos responsáveis pela assistência às necessidades de saúde da população, por meio de atendimento direto realizado no estado de São Paulo. Destina-se a complementar a formação de recém formados da área da saúde, exceto médicos, mediante treinamento em serviço em instituições de saúde de elevado padrão científico e técnico. Pode ter duração de um a dois anos com carga horária semanal de 40 horas de atividades com a seguinte distribuição: trabalho teórico em aulas, seminários e revisões bibliográficas e treinamento em serviço. O PAP têm se mostrado como um eficiente modelo de gestão de programas de formação de recursos humanos, procurando constantemente o aperfeiçoamento de suas ações. Não pretende substituir o papel de formador das universidades e faculdades, mas, sim, aperfeiçoar a prática profissional em aspectos não contemplados nos cursos de graduação, adequando essa formação universitária à prestação de serviços de saúde voltados à necessidade da população e 1. Aprimoranda de Terapia Ocupacional Faculdade de Filosofia e Ciência Campus Marília email: maraisafm@msn.com 2. Professora Assistente Doutora Pós graduação em Educação Faculdade de Filosofia e Ciência Campus Marília. Email: ritac@marili.unesp.br 3049

formando profissionais com uma visão crítica e abrangente do sistema de saúde, bem como profissionais especializados numa área de atuação (IZUMINO, et al., 1996). Segundo a FUNDAP (2007), o PAP promove o aperfeiçoamento do desempenho profissional por meio da oportunidade de acesso a novos conhecimentos teóricos e da ênfase nas práticas específicas e com o intuído de estimular o desenvolvimento de uma visão crítica e abrangente do Sistema Único de Saúde (SUS), orientando a ação dos egressos para a melhoria das condições de saúde da população usuária do SUS. Sancha (2008) realizou um trabalho com 153 egressos do Programa de Aprimoramento das áreas de enfermagem, fisioterapia e psicologia, concluintes dos anos de 1997 e 2002. A seleção desses cursos entre os demais (terapia ocupacional, serviço social, psicologia, fonoaudiologia, nutrição, etc.) ocorreu considerando que estes representaram as maiores porcentagens de egressos de todo Programa no ano de 1997. Os resultados revelaram que, em 2008, 91,5% (140) dos egressos estavam empregados, sendo que 49,67% (76) integravam a equipe de profissionais de instituições de natureza pública. Em relação ao PAP, 92,15% (141) dos aprimorandos participantes desse estudo considerou a formação recebida como importante e muito importante para a realização das atividades profissionais, sendo que 96,73% (148) disseram recomendar o PAP para um colega de profissão. A Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho oferece, desde 2006, três Programas de Aprimoramento para recém-graduandos, sendo um na área de terapia ocupacional, um na de fisioterapia e outro na de fonoaudiologia. Os programas têm duração de um ano e carga horária de 1760 horas (40 horas semanais). Dentro do trabalho teórico o conteúdo abrange: a relação entre a educação especial e o processo inclusivo do aluno deficiente, os conteúdos de políticas de saúde (SUS), neurologia clínica e psiquiátrica, aspectos ergonômicos e comunicação alternativa ou suplementar (UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA). Considerando que o gerenciamento desse programa inclui avaliação dos serviços prestados sob parâmetros de formação do aprimorando e de resultados das intervenções realizadas, este estudo dirigiu sua atenção para a avaliação do programa de terapia ocupacional cujas ações concentram-se na área de Educação Especial, mas também abrangem procedimentos específicos na área de Saúde Pública perante afecções crônicas. 2 Objetivo Analisar as ações do Programa de Aprimoramento Profissional (PAP) de Terapia Ocupacional da Faculdade de Filosofia e Ciências UNESP Campus de Marília. 3 Método O delineamento metodológico para a análise das intervenções englobou: a- levantamento geral da população atendida pelo PAP de Terapia Ocupacional da Faculdade de Filosofia e Ciências - UNESP campus de Marília (Quadro 1), no 1º semestre de 2011; b- prescrição de recursos adaptados (Quadro 2). Quadro 1 - Características dos participantes: 3050

Descrição Números de pacientes atendidos. Setor de Terapia Ocupacional 16 pacientes atendidos no ano de 2011, com idade entre 5 e 58 anos Características dos pacientes. Condições de encaminhamento Ações paralisia cerebral coreoatetóide; síndrome de Down; artrite reumatóide; esclerodermia; paralisia cerebral do tipo diplégico espástico; paralisia cerebral espástica; acidente vascular encefálico; síndrome de Russel-Silver; paralisia cerebral quadriplégica espástica; dependência nas atividades de vida diária; alterações de funções motoras; dificuldades perceptosensoriais; dificuldades de aprendizagem. avaliação do desempenho ocupacional; aplicação de testes; prescrição e confecção de recursos/tecnologia assistiva; orientação a familiares e cuidadores. Quadro 2 - Recursos confeccionados Recursos funções do corpo e estruturas corporais requeridas Objetivos Quebra - cabeça noção espacial habilidades cognitivas Avental de histórias habilidade de comunicação; sequência lógica Jogo da memória noção de igualdade/ diferença; força muscular; orientação espacial; noção de regras e limites, preensão (alcance e manipulação) habilidades sociais e de comunicação; habilidades motoras Habilidades motoras; habilidades cognitivas; habilidades sociais e de comunicação Teclado adaptado coordenação motora fina habilidades motoras; habilidades visomotoras 4 Resultados As intervenções de terapia ocupacional na área de saúde pública e na de educação especial são diversificadas e destinadas a grupos populacionais também específicos como o de pessoas com deficiência, o de pessoas com afecções crônicas e o de pessoas em situação de vulnerabilidade social, estas em situação de risco de disfunções ocupacionais devido a uma variedade de problemas que combinam causas biológicas e sociais. 3051

Segundo Munguba (2007), a atuação do terapeuta ocupacional na área da educação especial inclui informação e sensibilização da família, da escola e da comunidade para viabilizar a inclusão escolar, bem como ações voltadas para o desenvolvimento infantil, para a importância do fazer humano e da autonomia, para a aprendizagem, acessibilidade, ergonomia e também para as oportunidades de integração social. Na área da saúde pública a atuação do terapeuta ocupacional é também abrangente e semelhante à atuação na área educacional, uma vez que saúde pública, segundo Filho (1987) é um setor da sociedade, à semelhança do que são a educação, a habitação, etc., entendendo saúde como resultante de condições sócio-econômicas e ambientais. Nesse sentido, as ações da terapia ocupacional nessas áreas têm como elemento comum o foco de intervenção em contextos e ambientes físicos de participação social. Dentre as prescrições de terapia ocupacional, encontram-se os recursos de tecnologia assistiva de alta e baixa complexidade e custo. Quando se fala nas diversidades de necessidades, se faz necessária a presença de serviços e recursos da tecnologia assistiva. Para Moreira e Fabri (2007), tecnologia assistiva é essencial para as pessoas deficientes, pois ela favorece as habilidades funcionais, promovendo independência e inclusão social, dentro das capacidades e limitações de cada pessoa. Os recursos oferecidos na deficiência física podem ser fundamentais não só para as questões da aprendizagem escolar, mas também para o desenvolvimento global e participação social. Em função das diversas alterações decorrentes da deficiência física, os recursos de tecnologia assistiva devem possuir características especificas e serem atraentes para possibilitarem um uso funcional (ARAUJO; MANNZINI, 2001; MACHADO, et.al., 2010; ROCHA, 2010). Características dos recursos aplicados no PAP de Terapia Ocupacional Quebra Cabeça: O quebra cabeça foi confeccionado para quqatro pacientes que apresentavam paralisia cerebral, tendo em vista a dificuldade que apresentavam para o manuseio do recurso na sua forma convencional. Eles foram feitos de acordo com o personagem indicado pelo paciente e engrossados com EVA na cor de sua preferência. Este jogo possibilitou a oportunidade de aprendizagem de noções que são pré-requisitos da aprendizagem escolar e a melhora do desempenho na atividade, mediante o posicionamento adequado do paciente e do recurso. As estratégias no uso do recurso englobaram o posicionamento do paciente e do recurso, a fim de conseguir melhor estabilidade no posicionamento, visualização do objeto, delimitação do campo de ação nos limites da capacidade funcional do paciente, motivação e interesse para a realização da tarefa (ROCHA, 2010; MACHADO, et.al, 2010) Exemplificando as circunstâncias de prescrição do recurso tem-se o seguinte caso : o quebra cabeça foi confeccionado para um paciente do gênero masculino, com 10 anos, que apresentava paralisia cerebral (coreoatetóide). Este recurso foi sugerido porque o paciente manifestou interesse em montar um quebra-cabeça, mas as peças do jogo convencional eram muito pequenas, o que dificultava a sua realização. Através deste jogo foi possível explorar diferentes conceitos como, noção espacial e corporal, posicionamento de tronco e cabeça, diminuição dos reflexos tônico labiríntico (RTL) e tônico cervical assimétrico.(rtca). 3052

A montagem do quebra-cabeça ocorreu sobre uma placa de imã. Avental de Histórias: Foi utilizado por diferentes pacientes com paralisia cerebral, mas, sobretudo, por crianças que não apresentavam a fala. Com este avental as crianças puderam criar e/ou contar as histórias convencionais. O recurso foi composto por figuras plastificadas e grudadas por velcro em uma almofadinha de feltro, e estas almofadinhas eram colocadas no avental com velcro.. As etapas de manuseio incluíram: retirar a figura do avental e colocar em uma placa com velcro, em uma seqüência lógica de acontecimentos da histórias. Além disso, também foi possível explorar componentes da motricidade como força muscular e dissociação de cintura escapular. Exemplificando as circunstâncias de prescrição do recurso tem-se o seguinte caso: O avental foi confeccionado para um paciente do gênero masculino, 9 anos de idade e com diagnóstico de paralisia cerebral (coreoatetóide). Em relação à situação escolar, ele cursava a 3ª serie do ensino regular, mas sua dificuldade na comunicação oral e a falta de adequação ambiental ainda restringiam sua participação nos momentos de relato de histórias, e a professora solicitou auxílio metodológico para a condução dessa atividade de forma que o aluno participasse desse momento com os demais colegas de classe. Diante do problema apresentado, foi prescrito o avental de histórias cuja estratégia de uso consistiu de figuras representativas dos eventos e personagens da história em estudo, na forma de almofadinhas fixadas com velcro em um avental e uma placa também com velcro. Com essas prescrições a criança conseguiu criar historias e/ou contar as histórias convencionais, conforme a professora havia solicitado. Durante as terapias, foi realizado um treino de habilidades para a retirada da figura do avental a ser transferida para a placa também com velcro. Além dos objetivos acadêmicos relacionados à sequência dos eventos da história e a outras noções, as prescrições também permitiram o exercício motor e a experiência proprioceptiva, tendo como elementos de treinamento a força muscular, a coordenação visuomotora, a realização da atividade na linha média, mediante comandos verbais para a diminuição do Reflexo Tônico Cervical Assimétrico (RTCA) e Reflexo Tônico Labiríntico (RTL). O uso de figuras para contar e recontar histórias, pode ser uma atividade facilitadora para crianças com paralisia cerebral. Além disso, esta atividade pode contribuir para o aumento do vocabulário e para o ensino de estrutura frasal. (PONSONI;DELIBERATO, 2009). Para que crianças e jovens com severos distúrbios motores e de fala manifestem suas reais potencialidades de aprendizado é preciso instrumentos e estratégias adequadas às suas necessidades (CAPOVILLA,2001). Jogo da Memória Foi utilizado por 5 crianças. As peças do jogo foram engrossadas com EVA utilizando-se também o velcro para a sua fixação na superfície de manuseio. A estratégia de aplicação favoreceu a exploração da noção espacial e de regras. O posicionamento da atividade variou dependendo das condições motoras da criança. 3053

Para exemplificar o uso temos o seguinte caso: O jogo da memória foi confeccionado para um paciente do gênero masculino, 5 anos de idade, com diagnóstico de paralisia cerebral (quadriplégico). A indicação deste recurso baseou-se no interesse do paciente, pois, durante as terapias, os jogos foram as suas atividades preferidas. O material utilizado consistiu de desenhos de seu conhecimento, engrossados em EVA e com velcro para fixação. Além de este jogo favorecer a experiência em aspectos acadêmicos abrangendo regras, conceitos, noções espaciais e memória, com este paciente pode-se oferecer oportunidade para a experiência e treinamento motor no que se refere ao uso da força muscular, pois as peças estavam fixadas em uma placa com velcro, bem como no que se refere à amplitude de movimento e à manutenção do equilíbrio em pé, pois a placa ficava a uma altura acima dos ombros da criança exigindo a extensão do membro superior usado para a retirada da peça. As privações de experiências com jogos e brincadeiras por crianças com paralisia cerebral estão relacionadas às inúmeras barreiras encontradas, dentre elas a difícil acessibilidade ao jogo, a dificuldade de manuseio, as dificuldades de manutenção de relações interpessoais e as condições ambientais impróprias. (TAKATORI,2003; FERLAND,2006) Jogo da Velha Foi utilizado por três crianças com paralisia cerebral. A estratégia de aplicação do recurso incluiu a exploração de regras do jogo e posicionamento do paciente. Para exemplificar, foi confeccionado o jogo da velha para uma paciente do gênero feminino, 12 anos de idade, e com diagnóstico de paralisia cerebral (tetraplegia espástica). Para a adaptação do jogo foram utilizados os seguintes materiais: velcro para fixação das peças, EVA para o engrossamento da preensão, lixa e algodão para dar texturas diferentes nas peças, e uma placa de madeira. Com este jogo, ela pode aprender alguns conceitos de tamanho, cor, textura e formato, regras, força (musculatura intrínseca da mão, por causa do velcro das peças) e atenção. Teclado Adaptado Foi confeccionado para dois pacientes, um com AVE e outro com paralisia cerebral do tipo diplégico. Foi utilizado para melhorar o campo visual, pois o teclado apresentava muita informação. Exemplificando a prescrição no caso do usuário com diagnóstico de paralisia cerebral (diplégico do gênero masculino e com 12 anos de idade: esta adaptação visou diminuir os estímulos visuais do teclado e foi utilizada na escola e no ambiente domiciliar. Foi confeccionada uma capa para o teclado feita de EVA com a finalidade de deixar expostas apenas as letras do teclado; foram ampliadas todas as letras do teclado, e feito uma régua vazada para selecionar uma linha e outra régua que deixava exposta apenas três letras. Foi observado grande avanço em relação ao uso do computador, a princípio o paciente usava a capa para o teclado e as duas réguas ( para selecionar a linha e outra que selecionava as três letras), depois passou a usar a capa para o teclado e a régua de seleção de linha, na seqüência usou apenas a capa para o teclado, e já está recebendo treinamento para retirar a capa feita de EVA o teclado e ficar apenas com as letras ampliadas. 3054

O uso do computador e os demais recursos de tecnologia assistiva são ferramentas que favorecem o desenvolvimento do aluno com paralisia cerebral, proporcionando um aumento no seu rendimento e uma maior participação na escola. (LOURENÇO,2008). 5 Considerações finais As intervenções realizadas combinaram condutas de remediação, isto é, destinadas para recuperar habilidades perdidas ou desenvolver habilidades ainda não aprendidas, de adaptação, isto é, de facilitação da funcionalidade e de prevenção de incapacidade, no que se refere às decorrentes de posicionamento inapropriado ( CARLETO,2010). Outro aspecto das prescrições foi o envolvimento do paciente na escolha e estruturação do recurso, valorizando a sua participação como sujeito ativo do processo de tratamento, e considerando também o contexto da disfunção ocupacional. Do ponto de vista da formação do aprimorando as ações permitem a experiência perante demandas específicas da prática profissional na interface saúde e educação combinando as ações realizadas em terapias clínicas e assessoria escolar. 6 Referências Bibliográficas ARAÚJO, R.C.T.; MANZINI, E.J. Recursos de ensino na escolarização do aluno deficiente físico. In: MANZINI E.J. (org.) Linguagem, cognição e Ensino do Aluno com Deficiência. Unesp, 2001, p.1-11. CAPOVILLA, F. C. Comunicação Alternativa: Modelos teóricos e tecnológicos, Filosofia Educacional e Prática clínica. In: CARRARA, K. (Org.). Educação, Universidade e Pesquisa. Marília: UNESP/Marília Publicações, São Paulo: Fapesp, 2001. p. 179-208. CAMPOS, G. W. S. Opinião: políticas de formação de pessoal para o SUS: reflexões fragmentadas. In: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Cadernos RH Saúde, v. 3, n. 1, p. 52-56. Disponível em:< http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/cadernos_rh.pdf>. Acessado em: 01 outubro 2009. CARLETO, D. G. S. Estrutura da prática da terapia ocupacional. In: Rev. Triang.: Ensino, Pesquisa e Extensão. Uberaba. V.3. n 2. 2010. FERLAND, F. O Modelo Lúdico: o Brincar, a Criança com Deficiência Física e a Terapia Ocupacional. São Paulo: Editora Roca, 2006. FILHO, F. M. P. O que é saúde publica? In: Cad. de Saúde Publica Vol. 3, n1, 1987. FUNDAP Fundação do Desenvolvimento Admistrativo. Programa de Aprimoramento Profissional Manual de Procedimentos Técnicos e Administrativos. São Paulo: Edições Fundap: 2007. 3055

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