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Transcrição:

ACR Nº 6930 - PE (2004.83.00.007499-2) APELANTE : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL APELADO : CLAUDETE DO NASCIMENTO BANDEIRA APELADO : ANDRÉ DO NASCIMENTO BANDEIRA APELADO : HERALDO MANOEL DA SILVA JÚNIOR APELADO : ISRAEL VICENTE DA SILVA FILHO ADV/PROC : GILSON DE FREITAS RIBEIRO ORIGEM : JUÍZO FEDERAL DA 13ª VARA-PE RELATOR: DES. FEDERAL IVAN LIRA DE CARVALHO (CONVOCADO) EMENTA PENAL. TRÁFICO INTERNACIONAL DE MULHERES. QUADRILHA OU BANDO. AUTORIA DOS CORRÉUS. COMPROVAÇÃO. CONCURSO MATERIAL DE CRIMES. ART. 69 DO CÓDIGO PENAL. CONDENAÇÃO DOS APELADOS. DOSIMETRIA DA PENA. PROVIMENTO. 1. A sentença de primeiro grau reconheceu a materialidade do delito previsto no art. 231, 3º, atribuindo a autoria a somente um dos réus. 2. A instrução processual coligiu elementos probatórios que demonstram a coautoria de todos os denunciados na prática do delito de tráfico internacional de pessoas, impondo-se a condenação dos réus nas sanções cominadas ao referido crime. 3. O tipo penal de formação de quadrilha resta igualmente configurado, consistente no vínculo associativo e perene para fins criminosos entre todos os acusados. 4. O cálculo final da pena deve ser promovido de acordo com o método trifásico, adotado pelo Código Penal Brasileiro em seu art. 68. 5. Apelação provida. ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos em que figuram como partes as acima identificadas, DECIDE a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, dar provimento à apelação, nos termos do Relatório, do Voto do Relator e das Notas Taquigráficas constantes dos autos, que passam a integrar o presente julgado. Recife, 26 de janeiro de 2012 (data de julgamento). IVAN LIRA DE CARVALHO Relator Convocado 2

ACR Nº 6930 - PE RELATÓRIO DESEMBARGADOR FEDERAL CONVOCADO IVAN LIRA DE CARVALHO (Relator): Trata-se de apelação criminal interposta pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL contra sentença que julgou parcialmente procedente a ação penal ajuizada em desfavor de CLAUDETE DO NASCIMENTO BANDEIRA, ANDRÉ DO NASCIMENTO BANDEIRA, HERALDO MANOEL DA SILVA JÚNIOR e ISRAEL VICENTE DA SILVA FILHO. Pelos delitos previstos nos artigos 231, 3º (redação originária) e 288, combinados com o art. 69, todos do Código Penal, foi proferida sentença que absolveu os réus ANDRÉ DO NASCIMENTO BANDEIRA, HERALDO MANOEL DA SILVA JÚNIOR e ISRAEL VICENTE DA SILVA FILHO da prática dos crimes tipificados na denúncia, com fundamento no art. 386, V, do Código de Processo Penal, absolvendo a ré CLAUDETE DO NASCIMENTO BANDEIRA da imputação do crime previsto no art. 288 do Código Penal, e condenando-a pela prática do delito tipificado no art. 231, 3º, do Código Penal à pena de 4 (quatro) anos de reclusão e 100 (cem) dias-multa, fixado o valor do dia-multa em 1/10 (um décimo) do salário mínimo e convertendo a pena privativa de liberdade em duas penas restritivas de direitos, consistentes em prestação de serviços a entidade pública, à razão de 1(uma) hora por dia de condenação, e prestação pecuniária correspondente a 10 (dez) salários mínimos, a serem pagos a entidade pública. Em seu apelo, sustenta o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, em resumo, que a instrução probatória, compreendida por documentos, laudos, depoimentos testemunhais e interrogatórios, demonstrou a coautoria dos apelados ANDRÉ DO NASCIMENTO BANDEIRA, HERALDO MANOEL DA SILVA JÚNIOR e ISRAEL VICENTE DA SILVA FILHO na prática do delito de tráfico internacional de pessoas, previsto no art. 231, 3º, do Código Penal, em sua redação originária. Sustenta, ainda, que, uma vez comprovada a participação de todos os acusados nas condutas denunciadas, faz-se necessária a condenação dos réus nas penas previstas para a prática do crime de formação de quadrilha ou bando, previsto no art. 288 do Código Penal. Pugnou, ao fim, pela reforma da sentença para que sejam julgados procedentes os pedidos constantes da denúncia, com a 3

condenação de todos os apelados nas penas dos artigos 231, 3º, e 288, combinados com o art. 69 do Código Penal. Contrarrazões dos apelados às fls. 215/218, pugnando pelo não provimento da apelação. Parecer do Ministério Público Federal, oficiando como custos legis, nesta instância, ratificando o teor das razões da apelação. É o relatório. Ao revisor. 4

ACR Nº 6930 - PE VOTO DESEMBARGADOR FEDERAL IVAN LIRA DE CARVALHO (RELATOR CONVOCADO): Pretende o apelante a reforma da sentença que julgou parcialmente procedente a ação penal ajuizada pelo Ministério Público Federal em face de CLAUDETE DO NASCIMENTO BANDEIRA, ANDRÉ DO NASCIMENTO BANDEIRA, HERALDO MANOEL DA SILVA JÚNIOR e ISRAEL VICENTE DA SILVA FILHO, para condenálos às penas insertas nos artigos 231, 3º (redação originária), e 288, combinados com o art.69 do Código Penal. A sentença prolatada pela instância de primeiro grau acolheu o pedido ministerial de condenação da ré CLAUDETE DO NASCIMENTO BANDEIRA nas penas cominadas ao crime de tráfico internacional de mulheres (art. 231, 3º, do Código Penal, na redação original), absolvendo os demais acusados da mencionada imputação. Por consectário, absolveu todos os apelados da acusação do crime de formação de quadrilha ou bando, descrito no art. 288 do Código Penal. Conforme relatado na inicial acusatória, os denunciados, (...) com vontade livre e consciente, associaram-se em quadrilha, com o fim de promover a saída de mulheres do Brasil para exercer prostituição no exterior (...). Prossegue a denúncia narrando que (...) Em 04 de fevereiro de 2004, a Superintendência Regional de Polícia Federal no Estado de Pernambuco recebeu a notícia, através do termo de declarações de Débora Bezerra da Silva (fls. 05/06), de que a denunciada Claudete do Nascimento Bandeira, proprietária da agência de turismo ASTRAL TOUR, juntamente com seus filhos, os denunciados André do Nascimento Bandeira e Heraldo Manoel Silva de Lima Júnior, teriam promovido a viagem de Núbia dos Santos Ferreira da Silva para Madrid/Espanha, onde ela trabalharia em um cassino como prostituta (...), sendo informado pela mencionada declarante que o acusado André do Nascimento Bandeira teria convidado-a para (...) viajar e morar em Madri assim como Núbia Silva (...), e que, (...) com o objetivo de tirar seu passaporte para poder sair do país, (...) foi à Polícia Federal acompanhada do denunciado Heraldo Manoel de Lima Júnior, filho e irmão, respectivamente, de Claudete do Nascimento Bandeira e André do Nascimento Bandeira 5

(...). Ainda segundo o Parquet, (...) Aos 02 dias do mês de março de 2004, compareceu ao setor de passaporte da Superintendência o denunciado Israel Vicente da Silva Filho, preposto da ASTRAL TOUR, acompanhando Izabel Fernanda da Silva, que obteve passaporte para poder viajar a Madrid/Espanha, onde trabalharia como babá e possivelmente como prostituta, sendo que tal viagem foi promovida e facilitada por Claudete do Nascimento Bandeira (...) (fls. 05/06) Compulsando as provas produzidas no curso da instrução processual, contudo, é possível constatar que a autoria do delito tipificado no art. 231, 3,º do Código Penal, encontra-se igualmente comprovada em relação aos apelados ANDRÉ DO NASCIMENTO BANDEIRA, HERALDO MANOEL DA SILVA JÚNIOR e ISRAEL VICENTE DA SILVA FILHO. O tipo em debate encontra-se assim descrito no Código Penal, na redação vigente quando da prática das condutas denunciadas: Art. 231 Promover ou facilitar a entrada, no território nacional, de mulher que nele venha exercer a prostituição, ou a saída de mulher que vá exercê-la no estrangeiro. Pena reclusão, de três a oito anos. (...). 3º Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa. A materialidade do delito restou reconhecida na sentença impugnada, ao se concluir que (...) há prova efetiva de que a denunciada CLAUDETE praticou a conduta descrita no art. 231, 3º - acima reproduzido na medida em que, com vontade livre e consciente, valendo-se da agência Astral Tour, efetuou a promoção de saída de mulheres do território brasileiro para exercerem prostituição no exterior, com o fito de assim auferir lucro (fl. 180). O curso da instrução probatória revelou, ainda, diversas contradições na versão apresentada pela referida ré, que se mostrou dissonante das provas coligidas ao feito. Nesse sentido, destacou-se que a apelada declarou, em seu interrogatório, que teria telefonado para um residente em Portugal, que estaria à procura de serviços de uma babá brasileira, sendo apurado, contudo, que, na agência Astral Tour, não fora realizada qualquer chamada telefônica internacional (fls. 14 e 15 do apenso I, fls. 141/142 do inquérito e fl. 183). 6

Ainda segundo o laudo acostado às fls. 176/188 do inquérito policial (Laudo nº 219/2006 SETEC/SR/DPF/PE), constatou-se que no material de informática da agência de turismo de propriedade da ré encontravam-se vários currículos femininos, mensagem de correio eletrônico relativa a reservas de passagens em nome de mulheres e mensagem de correio eletrônico referente a negociação financeira. Identificou-se que, a exemplo das testemunhas arroladas pelo Ministério Público Federal Débora Bezerra da Silva e Izabel Fernanda da Silva, que sofreram assédio para se prostituir no exterior, as candidatas listadas eram pessoas com baixo grau de instrução e sem experiência no ramo de turismo, somando-se a isso o fato de que a agência Astral Tour era de pequeno porte, com empregados cujo vínculo era eminentemente familiar, do que se conclui que a finalidade de tais registros não era o de contratação de empregados ou de cadastro de clientes (fl. 183 sentença). Importa destacar, por fim, que o Juízo a quo pronunciou-se no sentido de que (...) Denota-se com clareza nos autos que CLAUDETE era a verdadeira organizadora da empreitada e encarregada de arregimentar todo o procedimento para a viagem das nacionais ao exterior (fl. 183 sentença). Extrai-se do trecho supra transcrito, pois, que, para a realização das condutas delituosas narradas pelo Ministério Público Federal, fazia-se necessário o concurso de outros agentes, como se depreende da natureza do próprio tipo penal e das circunstâncias apuradas no caso em tela. Com efeito, sobreleva ressaltar, inicialmente, que a empresa de propriedade da ré CLAUDETE DO NASCIMENTO BANDEIRA tinha um quadro de funcionários reduzido, composto principalmente por pessoas com vínculo familiar, como se observa do seu depoimento prestado na fase inquisitorial, ocasião na qual declarou que em sua agência trabalhava com um funcionário e com seus dois filhos ANDRÉ DO NASCIMENTO BANDEIRA e HERALDO MANOEL SILVA DE LIMA, estes também denunciados (fl. 23 do inquérito). Assim, considerado o grau de proximidade do vínculo familiar entre os acusados CLAUDETE DO NASCIMENTO BANDEIRA, ANDRÉ DO NASCIMENTO BANDEIRA, HERALDO MANOEL DA SILVA JÚNIOR, aliado ao fato de que eles estavam à frente da condução dos negócios encampados pela agência de turismo Astral Tour, afigura-se inverossímil que os dois últimos, filhos da acusada e também réus, desconhecessem as reais negociações travadas no empreendimento do qual faziam parte, praticamente na condição de proprietários. 7

Quanto ao réu ISRAEL VICENTE DA SILVA FILHO, sua associação com os demais réus na promoção do tráfico internacional de mulheres também se mostrou inconteste. Tal conclusão se encontra calcada nos elementos produzidos no inquérito, confirmando-se na fase processual, como se constata dos excertos adiante destacados. A testemunha Débora Bezerra da Silva, ao ser inquirida em Juízo, confirmou integralmente o depoimento prestado perante a autoridade policial (fl. 87), ocasião na qual declarou: (...) QUE, sua ex-cunhada NUBIA viajou no dia 16/01/2004, com destino a cidade de Madrid/Espanha para trabalhar em um cassino; QUE, no mesmo dia conheceu ANDRÉ, filho de CLAUDETE BANDEIRA que haviam providenciado a viagem de NÚBIA e o trabalho na cidade de Madrid; QUE, ANDRÉ convidou a declarante para viajar e trabalhar em Madrid, assim como NÚBIA; QUE, no dia 03/02/04, requereu junto à CEF seu C.P.F. e veio à Polícia Federal tirar o seu passaporte; QUE, veio acompanhada de JÚNIOR, irmão de ANDRÉ, e como não havia recebido o seu C. P. F., utilizou o C.P.F. de sua irmã COARACI MARIA BEZERRA DA SILVA, orientada por JÚNIOR e sua mãe CLAUDETE que lhe disseram que não haveria qualquer problema para a declarante; QUE, no dia 31/01/04, entrou em contato com D. MIRIAN, mãe de NÚBIA, e esta a informou que NÚBIA não estava satisfeita e orientou a declarante para que desistisse da viagem mas não informasse a CLAUDETE que o motivo eram as informações de NÚBIA, pois tem medo que a mesma sofra alguma represália; QUE, D. MIRIAN disse a declarante que NÚBIA estava envolvida com prostituição e que estava muito arrependida de ter viajado (...).(fls. 05/06 do inquérito). Izabel Fernanda da Silva, também arrolada pelo Ministério Público Federal, afirmou em seu depoimento conhecer tanto Núbia quanto Débora Bezerra da Silva, asseverando ter conhecimento de que esta última também iria viajar para a Espanha, e que, na época dos fatos, devido a dificuldades financeiras, teria aceitado uma viagem para prostituição no exterior (fl. 88). Ratificou, ainda, as declarações prestadas na fase do inquérito, quando assim relatou o contato travado com os réus, ora apelados: (...) QUE salvo engano no período de carnaval deste ano, um rapaz que a depoente conhece como DA LUA, procurou-a em sua residência a fim de lhe 8

fazer uma proposta de trabalho no exterior; QUE a depoente afirma que aceitou a proposta de DA LUA, segundo o qual a depoente seria babá em Madri/Espanha, ganhando para tal o valor de 500 Euros mensais; QUE DA LUA levou a depoente até a agência de turismo denominada ASTRAL TOUR (...); QUE chegando lá a depoente conversou com a gerente da agência de turismo chamada CLAUDETE BANDEIRA; QUE a referida gerente propôs a depoente que a mesma fosse trabalhar em Madri/Espanha como babá, e que pagaria todas as despesas de viagem para a depoente, sendo que a depoente quando estivesse recebendo o seu salário em Madri deveria pagar a CLAUDETE todas as despesas da viagem; QUE para convencer a depoente CLAUDETE fez uma ligação telefônica para uma mulher chamada MICHELE, que segundo CLAUDETE estaria em Madri/Espanha e que ajudaria a depoente a arrumar emprego na Espanha; (...) QUE MICHELE falou a depoente pelo telefone que ela iria trabalhar como babá mas se quisesse trabalharia como prostituta; QUE MICHELE também afirmou que a depoente ficaria apenas 03 meses em Madri, mas se a depoente resolvesse se prostituir, MICHELE daria um jeito de aumentar o prazo de permanência da depoente em Madri ; (...) QUE no dia em que foi na agência encontrou o Sr. ISRAEL VICENTE DA SILVA FILHO que trabalhava para a Sra. CLAUDETE BANDEIRA; QUE ISRAEL disse a depoente que se a mesma se prostituísse em Madri iria faturar muito mais dinheiro do que se trabalhasse apenas como babá; QUE a partir daí CLAUDETE começou a providenciar a documentação para a viagem da depoente; (...) QUE recebeu o passaporte e entregou para ISRAEL para que a Sra. CLAUDETE comprasse a passagem da depoente; (...) QUE na segunda vez em que esteve na agência de turismo ASTRAL TOUR um rapaz moreno, que não sabe informar o nome, preencheu o formulário de requerimento de passaporte; QUE o referido rapaz moreno instruiu a depoente a dizer na Polícia que iria viajar para Lisboa/Portugal e não para Madri; (...) QUE acredita também que MICHELE provavelmente tem boate para prostituição, visto que MICHELE quando falou por telefone com a depoente fez questão de destacar que a prostituição daria muito mais dinheiro e que se a depoente quisesse ficar mais tempo em Madri como prostituta, MICHELE conseguiria a prorrogação da permanência da depoente (...) (fls. 07/08 do inquérito). Em seu interrogatório, o apelado ISRAEL VICENTE DA SILVA FILHO, embora tenha se empenhado em desacreditar as declarações por ele mesmo prestadas perante a autoridade policial, quando asseverou ter (...) conhecimento de que a Sra. CLAUDETE BANDEIRA agencia garotas brasileiras para trabalharem em Madri/Espanha (fl. 13 do inquérito), confirmou a versão apresentada pela testemunha Izabel Fernanda da Silva, no sentido de que, como enviado da agência de turismo, orientou os procedimentos para a viagem que seria feita para Madri/Espanha: (...) Que acompanhou Izabel quando foi tirar o passaporte; que acompanhou Izabel porque esta não conhecia a cidade; que Claudete foi quem determinou que o depoente acompanhasse Izabel (...).(fls. 57/58). 9

O réu HERALDO MANOEL SILVA DE LIMA JÚNIOR igualmente confirmou, ao ser inquirido em Juízo, seu envolvimento na facilitação do ingresso de nacionais no exterior, como relatado pela testemunha Débora Bezerra da Silva: (...) Que acompanhou Débora quando esta foi tirar o passaporte no DPF; (...) que acompanhou Débora porque essa afirmou não saber onde era; (...) que acompanhou Débora também em decorrência do pedido de sua mãe Claudete (...).(fls. 55/56). No que tange ao referido apelado, merece menção o fato de que o laudo de exame documentoscópico (grafotécnico) constante às fls. 117/120 do inquérito policial apurou ter partido de seu punho a grafia existente nos requerimentos para passaporte das testemunhas Débora Bezerra da Silva e Izabel Fernanda da Silva, robustecendo-se, assim, a convicção de sua autoria nos crimes denunciados. Assim, merecem ser acolhidas as razões apresentadas pelo Ministério Público Federal no sentido de ser reformada a sentença para que sejam condenados os réus ANDRÉ DO NASCIMENTO BANDEIRA, HERALDO MANOEL DA SILVA JÚNIOR e ISRAEL VICENTE DA SILVA FILHO nas penas previstas no artigos 231, 3º (redação originária), do Código Penal. Por fim, no tocante ao delito previsto no art. 288 do Código Penal, que tipifica a conduta de associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de cometer crimes, constata-se que os elementos configuradores do tipo se mostraram concretizados na conduta dos réus, ora apelados. Isso porque, como se conclui ao perscrutar os elementos probatórios acima reproduzidos, o envolvimento dos denunciados na prática da conduta criminosa de promover a saída de mulheres para o exercício da prostituição no exterior se mostrou configurado, assim como a existência de uma associação de caráter estável e permanente para tal fim. Diante disso, procede o apelo no que concerne ao pleito de condenação dos acusados CLAUDETE DO NASCIMENTO BANDEIRA, ANDRÉ DO NASCIMENTO BANDEIRA, HERALDO MANOEL DA SILVA JÚNIOR e ISRAEL VICENTE DA SILVA FILHO nas penas cominadas para a prática do crime tipificado no art. 288 do Código Penal. 10

Tecidas tais considerações, passo à dosimetria da pena, registrando que o cálculo final da pena deve ser promovido de acordo com o método trifásico, adotado pelo Código Penal Brasileiro, em seu art. 68. 1) CLAUDETE DO NASCIMENTO BANDEIRA Não houve recurso quando à condenação de CLAUDETE BANDEIRA às penas do art. 231, 3º, do CP, nem pela ré e nem pelo Ministério Público (que até poderia não estar satisfeito com o quantum da sanção). Logo, em relação a essa apelada, reconhecida a sua infringência ao art. 288 do Código Penal, cabível aqui a dosimetria da pena em relação a esse crime. Com efeito, ao dosar a pena de CLAUDETE BANDEIRA como transgressora do art. 231, 3º, do CP, focando as circunstâncias judiciais (art. 59 do Código Penal), o magistrado valorou desfavoravelmente a personalidade da apelada ( mostrou-se a ré como sendo pessoa articulada, ardilosa e de má-fé ), a circunstância de valer-se de agência de turismo para camuflar atividade ilícita e assim ludibriar as autoridades, e a ausência de provocação no comportamento da vítima. Ainda que este relator não concorde com o montante da pena aplicada à mencionada apelante (muito acima do mínimo legal, adequado para quem detém primariedade, mas que assim transitou em julgado), há que considerar tais observações como válidas para fins de aplicação da penalidade por mácula ao art. 288 do Código Penal. Destarte, consideradas as circunstâncias judiciais acima valoradas, e acrescentando a torpeza do agir da recorrente (gana de obter vantagem econômica com a viagem e a atividade degradante da vítima), o que dá margem ao reconhecimento da agravante do art. 61, II, a do CP, fixo a pena base em 1 (um) ano e dois meses de reclusão, tornando-a definitiva ante a ausência de outras circunstâncias agravantes, bem com de circunstâncias atenuantes e causas de aumento ou de diminuição da pena. Em face do concurso material com o crime de tráfico de mulheres (art. 231, 3º, do Código Penal, em sua redação original), cuja reprimenda foi firmada em 4 (quatro) anos de reclusão e 100 (cem) dias-multa, cada um destes no valor de 1/10 (um décimo) do salário mínimo vigente ao tempo do fato, torno definitiva a pena de 5 (cinco) anos e 2 (dois) meses de reclusão, a ser cumprida, inicialmente, em regime semiaberto, e 100 (cem) dias-multa, fixado o valor do dia-multa em 1/10 (um décimo) do salário mínimo vigente ao tempo do fato. 11

2) ANDRÉ DO NASCIMENTO BANDEIRA, HERALDO MANOEL DA SILVA JÚNIOR e ISRAEL VICENTE DA SILVA FILHO 2.a) Crime previsto no art. 231, 3º, do Código Penal (redação originária) No tocante às circunstâncias judiciais (art. 59 do Código Penal), verifico que elas são favoráveis aos réus, uma vez que eles não possuem indícios de personalidade voltada para o crime e que não há registro de antecedentes criminais, razão pela qual fixo a pena em 3 (três) anos de reclusão, em virtude da inexistência de circunstâncias agravantes ou atenuantes, causas de aumento ou de diminuição da pena. Considerando a análise das circunstâncias já traçadas, com base nos mesmos parâmetros, e observadas as disposições do art. 49, caput, e 1º do Código Penal, fixo a pena de multa em 10 (dez) dias-multa, fixado o valor do dia-multa em 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo vigente ao tempo do fato. 2.b) Crime do art. 288 do Código Penal Consideradas as circunstâncias judiciais já referidas, fixo a pena em 1 (um) ano de reclusão, em virtude da inexistência de circunstâncias agravantes ou atenuantes, causas de aumento ou de diminuição da pena. Em face do concurso material com o crime de tráfico de mulheres (art. 231, 3º, do Código Penal, em sua redação original), cuja reprimenda foi firmada em 3 (três) anos de reclusão e 10 (dez) dias-multa, este no valor de 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo vigente ao tempo do fato, torno definitiva a pena de 4 (quatro) anos de reclusão, a ser cumprida, inicialmente, em regime aberto, e 10 (dez) dias-multa, fixado o valor do diamulta em 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo vigente ao tempo do fato. Uma vez que a pena privativa de liberdade aplicada não excede 4 (quatro) anos, não sendo os réus reincidentes em crime doloso, e sendo favoráveis os requisitos subjetivos (art. 44 e incisos do Código Penal), substituo a pena privativa de liberdade por duas penas restritivas de direitos (art. 44, 2º, do Código Penal), consistindo a primeira em prestação de serviços à comunidade (art. 43, IV, do Código Penal), devendo ser cumprida à razão de 1 (uma) hora por dia de condenação (art. 46, 3º, do Código Penal), nos termos a serem definidos pelo Juízo da execução, e comprendendo a segunda pena substitutiva a de prestação pecuniária, que fixo no valor de 2 (dois) salários mínimos, a 12

serem revertidos em favor de entidade pública (art. 45, caput e 1º, do Código Penal), indicada quando da realização de audiência admonitória. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO À APELAÇÃO, para julgar procedentes os pedidos formulados na denúncia e condenar os réus pela prática dos delitos previstos nos arts. 231, 3º e 288 do Código Penal às seguintes penas: CLAUDETE DO NASCIMENTO BANDEIRA - 5 (cinco) anos e 2 (dois) meses de reclusão, a ser cumprida, inicialmente, em regime semiaberto, e 100 (cem) dias-multa, fixado o valor do dia-multa em 1/10 (um décimo) do salário mínimo vigente ao tempo do fato; ANDRÉ DO NASCIMENTO BANDEIRA, HERALDO MANOEL DA SILVA JÚNIOR e ISRAEL VICENTE DA SILVA FILHO - 4 (quatro) anos de reclusão, a ser cumprida, inicialmente, em regime aberto, e 10 (dez) dias-multa, fixado o valor do dia-multa em 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo vigente ao tempo do fato, substituída a pena privativa de liberdade por duas penas restritivas de direitos (art. 44, 2º, do Código Penal), consistindo a primeira em prestação de serviços à comunidade (art. 43, IV, do Código Penal), devendo ser cumprida à razão de 1 (uma) hora por dia de condenação (art. 46, 3º, do Código Penal), nos termos a serem definidos pelo Juízo da execução, e comprendendo a segunda pena substitutiva a de prestação pecuniária, que fixo no valor de 2 (dois) salários mínimos, a serem revertidos em favor de entidade pública (art. 45, caput e 1º do Código Penal), indicada quando da realização de audiência admonitória. É como voto. 13