Network and Economic Life Powell and Smith Doerr, 1994 Antonio Gilberto Marchesini Doutorado DEP
INTRODUÇÃO Antropólogos e sociólogos desde bem antes já buscavam compreender como os indivíduos são ligados uns aos outros e como estas relações funcionam como lubrificante para fazer acontecer coisas e como cola que proporciona ordem e sentido para a vida social. Apesar destes estudos apresentarem contraste gritante com as abordagens reinantes até então nas ciências sociais e as redes oferecerem um nível intermediário de análise, uma terceira via, mesmo ninguém tendo certeza se as redes são metáforas, métodos ou uma teoria, os sociólogos e antropólogos não deram a devida atenção ao fato de como as redes moldavam a vida econômica. Nas últimas décadas houve uma explosão no interesse sobre o papel das redes na economia, tanto na prática como no campo da teoria. No mundo dos negócios, as práticas comerciais tem mudado profundamente nos últimos anos, Networking entre empresas agora está na moda em todo o mundo (Bennett Harrison, 1994).
INTRODUÇÃO Na academia, uma mudança muito mais silenciosa vem ocorrendo como estudiosos desenvolvendo métodos sofisticados para estudar a estrutura das redes sociais. Mark Granovetter (1985) acrescentou substância muito necessária a esses desenvolvimentos metologicos argumentando que as redes de relações sociais penetram irregularmente e em graus diferentes através da economia. O conceito de redes está em voga, mas a sua popularidade é acompanhada por uma imprecisão geral sobre o que a idéia implica O desafio para a pesquisa sobre redes é o de explicar a sua, emergência, ativação e durabilidade.
DUAS ABORDAGENS PARA O ESTUDO DE REDES NA ECONOMIA 1ª) Redes como uma FERRAMENTA ANALÍTICA Ao longo do tempo o nível de análise foi alterado, em conjunto, o conceito de redes evoluiu de uma metáfora para descrever padrões de laços informais dentro das organizações, para um retrato de como os ambientes das organizações são construídas, a uma ferramenta formal de pesquisa para analisar poder e autonomia. A interação entre estruturas formais e informais, a cadeia de autoridade representada no organograma versus o ponto fraco das panelinhas de amizades e normas tácitas no local de trabalho um tema recorrente em estudos de organizações. Alguns analistas vêem a informalidade como um obstáculo à produtividade, enquanto outros a vêem como um meio para subverter regras de gerenciamento. Mas redes informais podem também transpor as fronteiras departamentais e superar sufocantes rotinas organizacionais, aumentando assim o desempenho organizacional
DUAS ABORDAGENS PARA O ESTUDO DE REDES NA ECONOMIA 1ª) Redes como uma FERRAMENTA ANALÍTICA Ao longo deste trabalho são compartilhadas percepções de que as relações informais são o centro da vida política nas organizações, que as relações formais são, essencialmente, os padrões recorrentes de ligação entre as pessoas e as organizações são construídas em uma mistura de autoridade, amizade e lealdade.
DUAS ABORDAGENS PARA O ESTUDO DE REDES NA ECONOMIA 2ª) Redes como uma FORMA DE GOVERNANÇA Nesta abordagem, redes são vistas como uma forma de governança, como cola social que une os indivíduos em conjunto em um sistema coerente. Estruturas de Redes de Governança caracterizam as teias de interdependência encontradas em distritos industriais e tipificam praticas tais como, contratação relacional, manufatura colaborativa, alianças inter firmas. Muito do ímpeto desta abordagem pode ser traçada por PIORE E SABEL (19840 que argumentavam que uma nova lógica de produção especialização flexível, que emergiu como um desafio à produção em massa (baseada em integração vertical, maquinaria dedicada, rígida, regras de trabalhado hierárquico e uma detalhada divisão do trabalho), que teria atingido o seu ponte de crise, uma vez que o mercado para bens padronizado está saturado, enquanto produtos mais especializados e de alta qualidade atraem consumidores. Para atender a demanda deste mercado em mudança, as empresas adotam novos modos de organização que espalham produção por entre uma diversificada relação interfimas de fornecedores, subcontratados e usuários (ex. da itália) e em conjunto com essas novas práticas surge a transformação na organização corporativa
Redes de Relacionamento Uma rede é composta por uma gama de entrelaçamentos entre atores, organizações ou indivíduos, que podem ser de diversos tipos ou intensidades. Redes existem quando indivíduos estão comprometidos, de maneira formal ou informal, em relações recíprocas, mutuamente apoiadas, num ambiente de confiança e com propósitos compartilhados, não envolvendo posturas comumente praticadas no mercado, paternalismo familiar ou hierarquias. Tipos de Redes: 1. Redes de Acesso e Oportunidades 2. Redes de Poder e Influência 3. Redes de Produção
Redes de Acesso e Oportunidade O acesso à informação é canalizado através de redes e essas redes têm consequências importante para a busca de empregos, a mobilização de recursos e a difusão de idéias e políticas. Nas redes de acesso e oportunidades, a estrutura das relações sociais modela o fluxo de informações e permite a identificação e o aproveitamento de oportunidades. GRANOVETTER (1973) demosntra o funcionamento deste tipo de rede, na qual a informação trafega por conexões entre indivíduos que pouco interagem diretamente (laços fracos), conseguindo, mesmo assim, superar as fronteiras dos relacionamentos próximos e alcançar núcleos de indivíduos. Daí a importância dos laços fracos no processo de difusão
Tabela 1 - Redes de Acesso e Oportunidade
Redes de Poder e Influência Nas redes de poder e influência parte-se da premissa da existência de uma estrutura de relacionamento construída a partir de posições de poder. Posição de poder é a capacidade de produzir os efeitos pretendidos sobre as atitudes e comportamentos dos outros atores, emerge de sua proeminência nas redes, onde informação valorizada e escassos recursos são transferidos de um ator para outro Centralidade da rede e poder Posição na rede e estrutura organizacional e estratégia Posição da rede e atividades não economicas
Redes de Produção As redes de produção abrangem relações colaborativas entre empresas, que têm a confiança como princípio central. Como exemplos de redes de produção podem ser citados os distritos industriais, compostos por unidades descentralizadas que criam laços entre sí, compartilham valores e cooperam num ambiente produtivo; as redes de pesquisa e desenvolvimento, nas quais as organizações se unem com propósitos comuns de desenvolvimento de tecnologias e intercambios diversos, tendo normalmente a inovação como pano de fundo. Grupos de negócio, nos quais existe uma identidade e objetivos comuns entre as empresas participantes, que definem pol;iticas de relacionamento entre firmas autonomas, tornando-as mais competitivas do que outras não aliadas.