Contabilidade Financeira e Orçamentária Mercados Gestão de Riscos Planejamento Orçamentário Mercado Financeiro Mercado financeiro Em uma economia, de um lado existem os que possuem poupança financeira e, de outro, os que dela necessitam. A intermediação entre os dois lados ocorre no mercado financeiro. Para fins didáticos, o mercado financeiro pode ser subdividido em quatro mercados: a) Mercado monetário b) Mercado de crédito c) Mercado de capitais d) Mercado de câmbio Na prática, ocorre sobreposição entre os quatro mercados. Investidor n 1
Mercado monetário Neste mercado, são negociadas, basicamente, operações de curto e curtíssimo prazos. A política monetária do Governo é executada por meio desse mercado, com a compra e venda de títulos emitidos pelo Banco Central: BBC Bônus do Banco Central NBC Notas do Banco Central Mercado de crédito É o mercado principal onde os tomadores de recursos se relacionam com os intermediários financeiros, para suprir as necessidades de capital de giro e as necessidades de financiamento de bens e serviços. Exemplos de operações de crédito: empréstimos para capital de giro descontos de títulos conta garantida adiantamento sobre contrato de câmbio (ACC) repasse de recursos externos (Resolução nº 2.770) financiamento de importação Mercado de capitais A finalidade do mercado de capitais é a de financiar as atividades produtivas e o capital de giro das empresas, por meio de recursos de médio e longo prazos. Principais instrumentos de financiamento existentes no mercado de capitais brasileiro: a. ações; b. debêntures; c. notas promissórias (commercial papers). Mercado de câmbio No mercado de câmbio, são negociadas moedas internacionais conversíveis, pelas instituições credenciadas pelo Banco Central. Algumas das moedas estrangeiras mais negociadas no mercado de câmbio brasileiro: dólar dos Estados Unidos; iene do Japão; euro da União Européia; libra esterlina da Grã-Bretanha; franco da Suíça; 2
Riscos e incertezas GESTÃO DE RISCOS "O risco existe em todas as atividades. Tudo que é decidido hoje, visando um resultado no futuro, está sujeito a algum grau de risco. Somente o que já aconteceu está livre de risco, pois é um 'fato consumado' ". (HOJI) A parcela inesperada da taxa de retorno, aquela que decorre de surpresas, é o risco autêntico de qualquer investimento. Afinal de contas, se já tivéssemos conseguido o que esperávamos, não poderia haver qualquer risco ou incerteza. (ROSS, WETERFIELD e JAFFE) Gestão de riscos Os riscos podem ser classificados em: Risco sistemático: empresas em geral. qualquer risco que afeta as Risco não sistemático ou risco específico: risco que afeta especificamente uma empresa ou um pequeno grupo de empresas. A gestão de riscos é um processo por meio do qual são tomadas decisões de aceitar um perigo em potencial conhecido ou de minimizá-lo, com a utilização de instrumentos apropriados. Para definição do foco de estudo, os riscos podem ser divididos, segundo sua natureza, em: a) operacional b) financeiro. 3
RISCOS DE NATUREZA OPERACIONAL Os riscos de natureza operacional são basicamente inerentes às atividades de operações, e podem ser causados por catástrofes, fraudes, falha humana, produtos e serviços, legislação etc., ou até por problemas de imagem. Exemplos: perda material responsabilidade civil lucros cessantes crédito RISCOS DE NATUREZA FINANCEIRA Os riscos de natureza financeira (englobando, neste caso, os riscos de natureza econômica) podem exercer impacto sobre os ativos e passivos financeiros, bem como sobre os preços futuros, em nível considerável e inesperado, e podem causar grandes prejuízos financeiros. Exemplos: aumento considerável do preço da matéria-prima; redução forçada do preço de venda; aumento ou redução considerável da taxa de câmbio; aumento ou redução considerável da taxa de juros; não ocorrência do aumento ou da redução da taxa de juros em nível esperado. INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E CONTROLE FINANCEIRO Controle e Informações Gerenciais Controle e informações gerenciais Planejamento de resultados orçamentos 4
informações gerenciais informações gerencial => conjunto de subsistemas de informações que processam dados e informações para fornecer subsídios ao processo de gestão de uma empresa. Contas a Pagar Interface Tesouraria Contas a Pagar Processo de Contas a Pagar Tesouraria Dados => elementos potencialmente úteis em sua forma bruta, mas não têm valor imediato por si só, pois não transmitem idéia clara de determinado fato ou situação. Contabilidade Interface Contabilidade Informações => resultado de dado ou conjunto de dados adequadamente processados para que o usuário final as compreenda e possa tomar decisões baseadas nelas. Sistemas tradicionais Sistemas integrados Figura 15.1 Fluxo de dados entre os sistemas de controle. Funções de controladoria A principal função do controlller é dar suporte à gestão dos negócios da empresa, para que esta atinja seus objetivos, por meio de informações gerenciais geradas em tempo hábil para tomada de decisões, a um custo razoável. Sob a visão tradicional, o controller tem uma atitude passiva, pois consegue visualizar os diversos riscos da operação, mas a sua função é somente a de informá-los aos tomadores de decisões. Pela visão moderna, o controller tem uma atitude mais ativa, pois ele pode influenciar os resultados da empresa, envolvendo-se em atividades estratégicas, procurando visualizar o futuro e identificando novas oportunidades de negócios. Orçamento empresarial Orçamento empresarial é representado pelo orçamento geral que, por sua vez, é composto pelos orçamentos específicos. O orçamento geral retrata a estratégia da empresa e evidencia, por meio de um conjunto integrado por orçamentos específicos, subdivididos em quadros (sub-orçamentos), onde estão refletidas quantitativamente as ações e políticas da empresa, relativas a determinados períodos futuros. 5
S ESPECÍFICOS O orçamento geral de uma empresa industrial é formado basicamente pelos seguintes orçamentos específicos: a. orçamento de vendas; b. orçamento de produção; c. orçamento de matérias-primas; d. orçamento de mão-de-obra direta; e. orçamento de custos indiretos de fabricação; f. orçamento de custo de produção; g. orçamento de despesas gerais, administrativas e de vendas; h. orçamento de capital; i. orçamento de aplicações financeiras e financiamentos; j. orçamento de caixa; k. orçamento de resultado. Planejamento de Resultados Conceitos de planejamento Princípios de planejamento O planejamento consiste em estabelecer com antecedência as ações a serem executadas dentro de cenários e condições preestabelecidos, estimando os recursos a serem utilizados e atribuindo as responsabilidades, para atingir os objetivos fixados. Os princípios de planejamento podem ser classificados em: gerais; e específicos. 6
Princípios de planejamento Princípios gerais de planejamento: a. princípio da contribuição aos objetivos; b. princípio da precedência; c. princípio da maior penetração e abrangência; d. princípio da maior eficiência, eficácia e efetividade. Princípios específicos de planejamento: a. planejamento participativo; b. planejamento coordenado; c. planejamento integrado; d. planejamento permanente. Filosofias do planejamento A maioria dos processos de planejamento envolve uma mistura dos três tipos de filosofias a seguir descritas, embora possa haver predominância de um deles, segundo Oliveira. a. filosofia da satisfação; b. filosofia da otimização; c. filosofia da adaptação. Tipos de planejamento O planejamento pode ser classificado em três tipos: a) estratégico; b) tático; c) operacional. Tipos de planejamento PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO É um tipo de planejamento de longo prazo, de responsabilidade dos níveis mais altos da Administração, que procuram se antecipar a fatores exógenos e internos à empresa, geralmente relacionados com as linhas de produtos ou mercados. Outras caracterísitcas: envolve grande volume de recursos decisões de difícil reversibilidade nível de risco expressivo 7
PLANEJAMENTO OPERACIONAL PLANEJAMENTO TÁTICO Tem a finalidade de otimizar parte do que foi planejado estrategicamente. Tem um alcance temporal mais curto em relação ao planejamento estratégico. Tem a finalidade de maximizar os recursos da empresa aplicados em operações de um determinado período (curto e médio prazos). Outras características: decisões mais descentralizadas decisões mais repetitivas decisão mais fácil de ser revertida do que a estratégica POLÍTICAS Orçamentos Políticas são guias de raciocínios que dão a direção e o sentido necessários para o processo de tomada de decisões repetitivas e são planejadas para assegurar a congruência de objetivos. 8
orçamentos Planejamento e controle por meio do orçamento O sistema de orçamentos (ou sistema orçamentário) é um instrumento de planejamento e controle de resultados econômicos e financeiros. É um modelo de mensuração que avalia e demonstra, através de projeções, os desempenhos econômicos e financeiros da empresa, bem como das unidades que a compõem. Os orçamentos expressam, quantitativamente, as políticas de compras, produção, vendas, recursos humanos, gastos gerais, qualidade e tecnologia. Segundo Welsch, o planejamento e controle de resultados pode ser definido, em termos amplos, como um enfoque sistemático e formal à execução das responsabilidades de planejamento, coordenação e controle da administração. Especificamente, envolvem a preparação e utilização de (1) objetivos globais e de longo prazo da empresa; (2) um plano de resultados a longo prazo, desenvolvido em termos gerais; (3) um plano de resultados a curto prazo detalhado de acordo com diferentes níveis relevantes de responsabilidade (divisões, produtos, projetos etc.), e (4) um sistema de relatórios periódicos de desempenho, mais uma vez para os vários níveis de responsabilidade. S DE MARKETING Inter-relacionamentos dos orçamentos específicos 1 DE VENDAS S DO PROCESSO DE PRODUÇÃO 2 DE PRODUÇÃO 7 DE DESPESAS DE VENDAS 7 DE DESPESAS GERAIS E ADMINISTRA- TIVAS Horizonte de planejamento e freqüência da revisão do planejamento Geralmente, são adotados dois períodos de planejamento: o de curto prazo e o de longo prazo. 3 DE MATÉRIAS- PRIMAS 4 DE MÃO-DE- OBRA DIRETA 5 DE CUSTOS INDIRETOS DE FABRICAÇÃO 8 DE INVESTIMENTOS PLANEJAMENTO DE CURTO PRAZO 6 DE CUSTO DE PRODUÇÃO 9 DE APLICAÇÃO FINANCEIRA E EMPRÉSTIMOS Geralmente, é de um ano ou um semestre, e coincide com o exercício social da empresa. Figura 15.2 Fluxo de dados e informações do sistema orçamentário. PARA 5, 7 10 ANÁLISE DAS MOVIMEN- TAÇÕES FINANCEIRAS DEMONSTRA- ÇÃO DE RESULTADO DE 3, 6, 8, 9, 10 BALANÇO PATRIMONIAL DE CAIXA PLANEJAMENTO DE LONGO PRAZO O planejamento de longo prazo é feito por um prazo de dois até dez anos por algumas empresas, englobando vários exercícios sociais. 9
Responsabilidade e controle O sistema de contabilidade por áreas de responsabilidade possibilita o controle do resultado projetado. Os centros de responsabilidade são unidades que podem ser criados de acordo com a estrutura organizacional (diretoria, departamento, seção etc.) ou por projetos. Os três tipos de centros de responsabilidade são: a) centros de custos b) centros de resultados c) centros de investimentos Vantagens e limitações do sistema de orçamentos VANTAGENS: a. com a fixação de objetivos e políticas para a empresa e suas unidades, introduzse o hábito do exame prévio e minucioso de principais fatores antes da tomada de decisões importantes; b. com base em resultados econômicos e financeiros projetados, importantes decisões financeiras podem ser tomadas com maior grau de acerto; c. aumenta o grau de participação de todos os membros da administração na fixação de objetivos; d. os administradores quantificam e datam as atividades pelas quais são responsáveis, o que os obriga a tomar decisões mais consistentes; e. facilita a delegação de poderes; f. identifica os pontos de eficiência ou ineficiência do desempenho das unidades; g. tende a melhorar a utilização dos recursos, bem como ajustá-los às atividades prioritárias; h. os controles gerenciais tornam-se mais objetivos. LIMITAÇÕES: a. os orçamentos baseiam-se em estimativas, estando sujeitos a erros maiores ou menores, segundo a sofisticação do processo de estimação; b. o plano de resultados, por si só, não garante o resultado projetado; deve ser continuamente monitorado e adaptado às circunstâncias; c. o custo de implantação e manutenção do sistema não permite a sua utilização plena por todas as empresas; d. os atrasos na emissão de dados realizados prejudicam significativamente a implementação de ajustes em tempo hábil; e. as dificuldades de implementação de ajustes geram desconfianças em relação a resultados projetados; f. quando existe alta volatilidade das variáveis econômicas e financeiras, os resultados projetados sofrem fortes distorções. 10