ROTEIRO DE RECUPERAÇÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA

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ROTEIRO DE RECUPERAÇÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA Nome: Nº 8º Data / / Professor: Nota: A INTRODUÇÃO Neste bimestre, sua média foi inferior a 6,0, indicação de que você não assimilou os conteúdos mínimos necessários. Agora, você terá a oportunidade de recuperar esses conteúdos por meio de um roteiro de estudo. Leia atentamente este roteiro, pois ele resgata conteúdos essenciais para a finalização do ano. Serão retomados conteúdos do terceiro e do quarto bimestres. B) OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Espera-se que o aluno seja capaz de: 3º bimestre 1. Produção de texto e leitura 1.1. Reconhecer as características do gênero crônica: a)fatos cotidianos como ponto de partida; b) proximidade com o leitor; c) reflexão a partir do fato observado; d) na crônica argumentativa: manifestação de um ponto de vista; apresentação e organização dos argumentos. 1.2. Relacionar os assuntos tratados nas crônicas ao tema adolescência. 2. Gramática 2.1. Reconhecer e diferenciar sintática e semanticamente apostos e vocativos. 2.2. Compreender a função do vocativo no texto, particularmente no texto teatral. 2.3. Rever a sintaxe da oração: reconhecer os termos essenciais, responsáveis pela estrutura básica da oração. 4ª bimestre 1. Produção de texto e leitura 1.1. Identificar características do texto teatral: a estruturação dos diálogos e o papel do discurso direto; a função das rubricas; a organização e o desenvolvimento da ação. 1.2. Relacionar esses conhecimentos à leitura do O auto da compadecida, de Ariano Suassuna. Perceber os elementos próprios da narrativa popular presentes na obra, relacionando esses aspectos ao termo auto anunciado no título. 1.3. Ler e produzir o comentário. 2. Gramática 2.1. Identificar e empregar as diferentes vozes verbais: ativa, passiva, reflexiva. 2.2. Identificar termos sintáticos da oração.

2.3. Diferenciar frase; período; e oração. C) - CONTEÚDOS ESSENCIAIS 3º bimestre 1. Conteúdos relativos a texto: a) características do gênero crônica; b) características da crônica argumentativa; c) interpretação textual. 2. Conteúdos relativos a gramática, levando em conta o uso de recursos gramaticais e seus efeitos de sentido no texto. a) sujeito e predicado; b) predicação verbal; c) adjuntos (adnominal e adverbial); d) complemento nominal; 3. Conteúdos relativos à leitura do bimestre: Ana Terra, de Érico Veríssimo: a) evolução da ação na história; contexto regional; personagens; b) compreensão da simbologia que associa a natureza aos sentimentos das personagens; c) interpretação de passagens do livro, relacionando-as ao conjunto da obra; 4º bimestre 1. Análise e interpretação de texto: a) O texto teatral: forma e organização do texto. b) Papel dos diálogos e das rubricas. c) Interpretação do texto. 2. Gramática: a) Sujeito: classificação e usos. b) Predicação verbal: uso de verbos e complementos. d) vozes verbais (uso, transformações e efeitos de sentido dessas construções). e) Orações coordenadas. 3. Leitura do bimestre: Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna: temas principais, personagens, interpretação. D ORIENTAÇÕES DE ESTUDOS

Nesse momento, é necessário que você siga com muita responsabilidade as orientações a seguir para que seu desempenho melhore e, assim, você retome os conteúdos que não assimilou e recupere a sua nota. Para isso: Verifique suas anotações de aula no caderno e nas fichas; Faça uma síntese do conteúdo; Reorganize todas as suas fichas; Refaça todos os exercícios; Verifique a qualidade das suas respostas; Destaque aqueles exercícios que geraram dúvidas; Consulte a monitoria; Compartilhe as suas anotações com colegas e faça ajustes, se necessário; Registre dúvidas no caderno e procure esclarecê-las na monitoria. E- ATIVIDADES O trecho a seguir serve de base às questões de 1 a 3. A nuvem - Fico admirado como é que você, morando nesta cidade, consegue escrever uma semana inteira sem reclamar, sem protestar, sem espinafrar! E meu amigo falou da água, telefone, Light em geral, carne, batata, transporte, custo de vida, buracos na rua, etc. etc. etc. Meu amigo está, como dizem as pessoas exageradas, grávido de razões. Mas que posso fazer? Até que tenho reclamado muito isto e aquilo. Mas se eu for ficar rezingando todo dia, estou roubado: quem é que vai aguentar me ler? Acho que o leitor gosta de ver suas queixas no jornal, mas em termos. Além disso, a verdade não está apenas nos buracos das ruas e outras mazelas. Não é verdade que as amendoeiras neste inverno deram um show luxuoso de folhas vermelhas voando no ar? E ficaria demasiado feio eu confessar que há uma jovem gostando de mim? Ah, bem sei que esses encantamentos de moça por um senhor maduro duram pouco. São caprichos de certa fase. Mas que importa? Esse carinho me faz bem; eu o recebo terna e gravemente; sem melancolia, porque sem ilusão. Ele se irá como veio, leve nuvem solta na brisa, que se tinge um instante de púrpura sobre as cinzas de meu crepúsculo. E olhem só que tipo de frase estou escrevendo! Tome tenência, velho Braga. Deixe a nuvem, olhe para o chão - e seus tradicionais buracos. Trecho extraído do livro de Rubem Braga, "Ai de ti, Copacabana", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960. Glossário: Light - Em meados do século XX, nome da Companhia fornecedora de energia elétrica no Rio de Janeiro, onde residia o autor. Renzigar reclamar, resmungar. Mazelas - aborrecimento, adversidade, aflição, afronta. Tomar tenência significa ter cautela, conter-se.

1. É correto afirmar que, a partir da crítica que o amigo lhe dirige, o narrador cronista: a) sente-se obrigado a escrever sobre assuntos de utilidade pública, para orientar os leitores na vida diária; b) reflete sobre a oposição entre literatura e vida real; c) comenta diversos aspectos da realidade, sua representação na crônica e o possível interesse dos leitores; d) defende a seguinte posição: a literatura não deve ocupar-se com problemas sociais; e) sente que deve mudar seus temas, pois sua escrita não está acompanhando os novos tempos. 2. Em "E olhem só que tipo de frase estou escrevendo! Tome tenência, velho Braga", o narrador: a) chama a atenção dos leitores para a beleza do estilo que empregou no final do parágrafo anterior; b) revela ter consciência de que cometeu excessos com a linguagem metafórica; c) exalta o estilo por ele conquistado e convida o leitor a fazer o mesmo; d) percebe que, por estar velho, seu estilo também envelheceu; e) dá-se conta de que essa linguagem não será entendida pelo leitor comum. 3. Com relação ao gênero do texto, é correto afirmar que a crônica: a) parte do assunto cotidiano e acaba por criar reflexões mais amplas; b) tem como função informar o leitor sobre os problemas cotidianos; c) apresenta uma linguagem complexa demais que acaba afastando o leitor; d) tem um modelo fixo, com um diálogo inicial seguido de argumentação objetiva; e) consiste na apresentação de situações pouco realistas, em linguagem metafórica. Leia o fragmento do "Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna, O trecho faz parte da cena do julgamento, na qual as personagens, após a morte, aguardam uma decisão quanto a seu futuro. O Encourado, que as recebe, manda o Demônio levá-las para o inferno. As personagens, aos gritos, resistem. Repentinamente, João Grilo, falando bem alto, diz que tem direito a um julgamento. As outras personagens o apoiam. Nesse momento, pancadas de sino começam a soar. O Encourado fica agitado.

"JOÃO GRILO - Ah! pancadinhas benditas! Oi, está tremendo? Que vergonha, tão corajoso antes, tão covarde agora! Que agitação é essa? ENCOURADO - Quem está agitado? É somente uma questão de inimizade. Tenho o direito de me sentir mal com aquilo que me desagrada. JOÃO GRILO - Eu, pelo contrário, estou me sentindo muito bem. Sinto-me como se minha alma quisesse cantar. BISPO, estranhamente emocionado. - Eu também. É estranho, nunca tinha experimentado um sentimento como esse. Mas é uma vontade esquisita, pois não sei bem se ela é de cantar ou de chorar. Esconde o rosto entre as mãos. As pancadas do sino continuam e toca uma música de aleluia. De repente, João ajoelha-se, como que levado por uma força irresistível e fica com os olhos fixos fora. Todos vão-se ajoelhando vagarosamente. O Encourado volta rapidamente as costas, para não ver o Cristo que vem entrando. É um preto retinto, com uma bondade simples e digna nos gestos e nos modos. A cena ganha uma intensa suavidade de Iluminura. Todos estão de joelhos, com o rosto entre as mãos. ENCOURADO, de costas, grande grito, com o braço ocultando os olhos - Quem é? É Manuel? MANUEL - Sim, é Manuel, o Leão de Judá, o Filho de Davi. Levantem-se todos, pois vão ser julgados. JOÃO GRILO - Apesar de ser um sertanejo pobre e amarelo, sinto perfeitamente que estou diante de uma grande figura. Não quero faltar com o respeito a uma pessoa tão importante, mas se não me engano aquele sujeito acaba de chamar o senhor de Manuel. MANUEL - Foi isso mesmo, João. Esse é um de meus nomes, mas você pode me chamar também de Jesus, de Senhor, de Deus... Ele gosta de me chamar Manuel ou Emanuel, porque pensa que assim pode se persuadir de que sou somente homem. Mas você, se quiser, pode me chamar de Jesus. JOÃO GRILO - Jesus? MANUEL - Sim. JOÃO GRILO - Mas, espere, o senhor é que é Jesus? MANUEL - Sou. JOÃO GRILO - Aquele Jesus a quem chamavam Cristo? JESUS - A quem chamavam, não, que era Cristo. Sou, por quê? JOÃO GRILO - Porque... não é lhe faltando com o respeito não, mas eu pensava que o senhor era muito menos queimado. BISPO - Cale-se, atrevido.

MANUEL - Cale-se você. Com que autoridade está repreendendo os outros? Você foi um bispo indigno de minha Igreja, mundano, autoritário, soberbo. Seu tempo já passou. Muita oportunidade teve de exercer sua autoridade, santificando-se através dela. Sua obrigação era ser humilde porque quanto mais alta é a função, mais generosidade e virtude requer. Que direito tem você de repreender João porque falou comigo com certa intimidade? João foi um pobre em vida e provou sua sinceridade exibindo seu pensamento. Você estava mais espantado do que ele e escondeu essa admiração por prudência mundana. O tempo da mentira já passou. JOÃO GRILO - Muito bem. Falou pouco mas falou bonito. A cor pode não ser das melhores, mas o senhor fala bem que faz gosto. MANUEL - Muito obrigado, João, mas agora é sua vez. Você é cheio de preconceitos de raça. Vim hoje assim de propósito, porque sabia que isso ia despertar comentários. Que vergonha! Eu Jesus, nasci branco e quis nascer judeu, como podia ter nascido preto. Para mim, tanto faz um branco como um preto. Você pensa que eu sou americano para ter preconceito de raça? PADRE - Eu, por mim, nunca soube o que era preconceito de raça. ENCOURADO, sempre de costas para Manuel - É mentira. Só batizava os meninos pretos depois dos brancos. PADRE - Mentira! Eu muitas vezes batizei os pretos na frente. ENCOURADO - Muitas vezes, não, poucas vezes, e mesmo essas poucas quando os pretos eram ricos. PADRE - Prova de que eu não me importava com cor, de que o que me interessava... MANUEL - Era a posição social e o dinheiro, não é, Padre João? Mas deixemos isso, sua vez há de chegar. Pela ordem, cabe a vez ao bispo. (Ao Encourado.) Deixe de preconceitos e fique de frente. ENCOURADO, sombrio - Aqui estou bem. MANUEL - Como queira. Faça seu relatório JOÃO GRILO - Foi gente que eu nunca suportei: promotor, sacristão, cachorro e soldado de polícia. Esse aí é uma mistura disso tudo. MANUEL - Silêncio, João, não perturbe. (Ao Encourado.) Faça a acusação do bispo. (Aqui, por sugestão de Clênio Wanderley, o Demônio traz um grande livro que o Encourado vai lendo.)" Questões: 1. O texto teatral e o texto narrativo apresentam certas semelhanças: tanto um quanto o outro narram fatos vividos por personagens em determinado tempo e lugar. a) Qual é o fato principal narrado nesse texto?

b) Em que cenário imaginário ocorrem os fatos? c) Qual seria, aproximadamente, o tempo de duração dessa cena? 2. Nesse texto, o narrador está ausente, ele se manifesta apenas nas poucas rubricas. Mesmo assim, conseguimos ter uma visão acerca das personagens. Conforme sua leitura do auto, responda às questões a seguir. a) Que ideia você faz de João Grilo e do bispo? b) De que forma as características de cada personagem nos são reveladas, se não há narrador?

3. No texto teatral, as falas das personagens assumem um papel de destaque na construção da história. Como é reproduzida a fala das personagens: pelo discurso direto ou indireto? 4. Identifique o número de orações nos períodos abaixo a) Silêncio, João, não perturbe. b) Esse é um de meus nomes, mas você pode me chamar também de Jesus. c) Eu nasci branco e nasci judeu. 5. Classifique as orações das alternativas a) e b). 6. O texto teatral é escrito para ser representado. Sendo assim, as falas refletem a posição social das personagens e representam determinada variedade lingüística. Nessa cena, predomina a linguagem culta formal, mas aparecem, também, alguns elementos de uma outra. Indique qual é essa outra variedade linguística presente na passagem: a) culto ou formal b) informal c) regional d) popular 7. Quando se lê um texto teatral, o leitor é o interlocutor do drama vivido pelas personagens. Quem é o interlocutor, quando o texto teatral é representado?

8. Tenho o direito de me sentir mal com aquilo... a) Como se classifica o sujeito da oração destacada? b) Que função sintática desempenha a expressão o direito? 9. Era a posição social e o dinheiro, não é, Padre João? a) Os termos destacados desempenham que função sintática? b) O conectivo e, no período acima, significa adição? Explique. 10.Porque... não é lhe faltando com o respeito não, mas eu pensava que o senhor era muito menos queimado. a) Qual a função sintática de o senhor? b) Que figura de linguagem foi empregada em o senhor era muito menos queimado.? Justifique. 11. Leia a tira e responda,

http://3.bp.blogspot.com/calvin.png a) Classifique sintaticamente os verbos abaixo conforme: "está" (2º quadrinho) "tem" (2º quadrinho) "parece" (3º quadrinho) "gosta" (4º quadrinho) b) Reescreva a oração Os estranhos me convidaram para jantar na voz passiva e sublinhe o agente da passiva. Produção de texto O filme inspirado na obra de Suassuna mescla partes de outras peças do mesmo autor, como O Santo e a Porca e Torturas de um Coração. Um exemplo das diferenças é

que, no filme, temos Rosinha, interpretada por Virgínia Cavendish, que faz par romântico com Chicó, o que não acontece na peça original (não sei de onde tiram que para uma história ser boa deve haver romance). Mas essas diferenças em nada alteram a essência da história. Pois seja no teatro, no papel, nas telinhas ou nas telonas, a história continua mágica! Sem falar das atuações impecáveis de Matheus Nachtergaele e de Selton Mello, que só abrilhantam ainda mais a obra. http://leitorcabuloso.com.br/2015/03/resenha-auto-da-compadecida-do-ariano-suassuna/ Proposta : Depois de ler o Auto da Compadecida e o fragmento acima, elabore um comentário sobre o tema: livro e filme, um não substitui outro.

D2 ATIVIDADE METACOGNITIVAS Agora que você fez todos os exercícios é importante corrigi-los e fazer o seguinte levantamento: Leio o texto com atenção Grifo palavras com sentido que desconheço Quais as principais dificuldades que você percebeu em seus estudos? Nunca Às vezes Muitas vezes Sempre Leio enunciado

Releio texto e enunciado sempre que tenho dúvidas Ao escrever, penso que tenho de ser claro com o meu leitor. Ainda apresento falha de correção da escrita ortografia e acentuação Dificuldades na avaliação percepção do aluno Interpretação de textos Interpretação de enunciados Produção de textos e respostas Conteúdo Organização Dificuldades na avaliação percepção do professor (tabela de uso exclusivo do professor) Interpretação de textos Interpretação de enunciados Produção de textos e respostas Conteúdo Organização Não houve dificuldade relevante