Paridades De poder de compra e de juros 1 Paridade do Poder de Compra a paridade do poder de compra (purchasing power parity ou PPP) reflete o custo de uma cesta de bens em dois países nas suas respectivas moedas portanto, para o Brasil, a taxa de câmbio PPP é o custo em reais de uma cesta de bens dividido pelo custo em dólares da mesma cesta de bens 2 (c) Ricardo Leal, 2007 1
Tipos de PPP A taxa de câmbio que acabou de ser apresentada chama-se de PPP absoluta A razão entre taxas de inflação, que medem a variação dos preços de cestas de bens diferentes, chama-se de PPP relativa Uma brincadeira que deu certo foi o padrão Big Mac do The Economist 3 O Padrão Big Mac (Fonte: The Economist, 19-Abr-2001) Em abril de 2001, um Big Mac custava R$ 3,60 e nos EUA U$ 2,54, a taxa de câmbio PPP absoluta era de R$ 1,42 e a taxa de câmbio no mercado era de R$ 2,19 em 17/4/01 o real estava subavaliado em (R$1,42/R$2,19) - 1 = -35% A previsão seria de que a taxa de câmbio de mercado convergiria para a taxa PPP no longo prazo. Foi assim? 4 (c) Ricardo Leal, 2007 2
O que aconteceu? e o PPP do Big Mac é verdadeiro, ou o câmbio vai cair ou o preço do Big Mac vai subir (inflação) no Brasil e/ou cair nos EUA. De fato, no Brasil, foi o que aconteceu. O preço do Big Mac que colocaria o real ao par com o valor de R$ 2,19 do dólar seria R$ 5,56. O Big Mac em julho de 2007 está em R$ 6,90, mas seu preço também aumentou nos EUA para U$ 3,41, levando a um PPP de R$ 2,02 por UD, bem mais próximo do previsto. 5 Gustavo Franco tinha razão? (Evolução do Big Mac, The Economist, diversos números) Abril ou Maio de: Câmbio PPP Câmbio Mercado ub ou uperavaliado 1997 1,23 1,06 +16% 1998 1,21 1,14 +6% 1999 1,21 1,73-30% 2000 1,18 1,79-34% 2001 1,42 2,19-35% 2002 1,45 2,34-38% 2003 1,68 3,07-45% 2004 1,85 3,15-41% 2005 1,93 2,47-22% 2006 2,06 2,30-10% 2007 2,02 1,91 6% 6 (c) Ricardo Leal, 2007 3
Desenvolvendo as Paridades Um pouco de álgebra 7 Lei do Preço Único (Big Mac) A taxa de câmbio de paridade seria dada pela equação abaixo, onde P d,0 é o preço de um bem no mercado doméstico hoje na nossa moeda e P e,0 é o preço do bem no exterior hoje, na moeda do outro país. = 0 P P d,0 e,0 8 (c) Ricardo Leal, 2007 4
No futuro A taxa de câmbio de paridade seria dada pela equação abaixo, onde P d,1 é o preço de um bem no mercado doméstico no futuro na nossa moeda e P e,1 é o preço do bem no exterior no futuro, na moeda do outro país. = 1 P P d,1 e,1 9 Variação Cambial A taxa de variação do câmbio a vista entre os tempos 0 e 1 é: 1 0 = P d,1 Pe,1 Pd,0 P e,0 = P d,1 Pd,0 Pe,1 P e,0 = id ) i ) e 10 (c) Ricardo Leal, 2007 5
Expressão da PPP Relativa A expressão anterior supõe que as taxas reais de juros sejam iguais. e não forem, cabe um ajuste para o diferencial de taxas de juros Juros reais elevados no Brasil podem levar a uma sobre avaliação da moeda, como aconteceu depois do Plano Real até a flutuação 12 (c) Ricardo Leal, 2007 6
Paridade de Taxa de Juros Esta é outra idéia para prever o câmbio. O juro nominal em uma moeda, digamos a doméstica (N d ), deve ser igual ao juro em uma moeda estrangeira (N e ) composto com a variação cambial da moeda estrangeira ( t / 0 ) para que um investidor seja indiferente ao investimento em um ou no outro mercado. Ignora-se aqui outros tipos de risco. 13 (c) Ricardo Leal, 2007 7
De forma simplificada em usar juro composto, o conceito pode ser simplificado assim (onde X é a variação cambial): Nd Ne + X 15 Arbitragem com risco (descoberta) t > 0 1 N R$ ) ( + N ) U$ Na situação acima, sua estimativa é que a moeda estrangeira valorizará mais do que o indicado pela paridade, então a arbitragem seria tomar um empréstimo em reais, trocar para dólares e investir à taxa em dólares. No final do período, se tudo der certo, trocar os dólares por reais, pagar o empréstimo e realizar o ganho. 16 (c) Ricardo Leal, 2007 8
Arbitragem com risco (descoberta) t < 0 1 N R$ ) ( + N ) U$ Na situação acima, sua estimativa é que a moeda estrangeira valorizará menos (ou se desvalorizará) do que o indicado pela paridade, então a arbitragem seria tomar um empréstimo em dólares, trocar para reais e investir à taxa em reais. No final do período, se tudo der certo, trocar os reais por dólares, pagar o empréstimo e realizar o ganho em dólares. 17 Valor do Câmbio a Termo O preço de um contrato futuro, ou a termo, de câmbio é função das taxas de juros nas duas moedas e da taxa de câmbio à vista, na forma da paridade de juros. Enquanto a taxa de câmbio à vista é difícil de prever, o preço de um contrato futuro é condicionado pela possibilidade de arbitragem sem risco porque o preço do câmbio futuro é conhecido hoje. 18 (c) Ricardo Leal, 2007 9
De forma simplificada em usar juro composto, o conceito pode ser simplificado assim (onde P é o prêmio ou desconto a termo = t / 0-1): Nd Ne + P 20 (c) Ricardo Leal, 2007 10
Arbitragem Coberta de Juros F 0, t 0 > N R$ ) N ) U $ Na situação acima, o câmbio a termo indica que a moeda estrangeira valorizará mais do que o indicado pela paridade, então a arbitragem seria tomar um empréstimo em reais, trocar para dólares, investir à taxa em dólares e vender os dólares a termo. No final do período, se tudo der certo, entregar os dólares por reais à taxa a termo, pagar o empréstimo e realizar o ganho. 21 Arbitragem Coberta de Juros F 0, t 0 < N R$ ) N ) U $ Na situação acima, o câmbio a termos indica que a moeda estrangeira valorizará menos (ou se desvalorizará) do que o indicado pela paridade, então a arbitragem seria tomar um empréstimo em dólares, trocar para reais, investir à taxa em reais e comprar dólares a termo. No final do período, se tudo der certo, trocar os reais por dólares à taxa a termo, pagar o empréstimo e realizar o ganho em dólares. 22 (c) Ricardo Leal, 2007 11
Câmbio a Termo e à Vista O câmbio a termo ajuda a prever o câmbio à vista no curto prazo (entre 30 e 90 dias digamos) É interessante usar o preço hoje de um contrato a termo como previsão do câmbio à vista Assim, o preço hoje de um contrato futuro de 90 dias é um indicador razoável e justificável do câmbio à vista em 90 dias 23 Final Ricardo P. C. Leal, 2007 24 (c) Ricardo Leal, 2007 12