por séries de potências



Documentos relacionados
Notas sobre a Fórmula de Taylor e o estudo de extremos

1 A Integral por Partes

Análise de Arredondamento em Ponto Flutuante

Resolução de sistemas lineares

N1Q1 Solução. a) Há várias formas de se cobrir o tabuleiro usando somente peças do tipo A; a figura mostra duas delas.

Introdução ao estudo de equações diferenciais

Diferenciais Ordinárias (EDO)

Karine Nayara F. Valle. Métodos Numéricos de Euler e Runge-Kutta

Exercícios Teóricos Resolvidos

SOCIEDADE BRASILEIRA DE MATEMÁTICA MESTRADO PROFISSIONAL EM REDE NACIONAL PROFMAT

MD Sequências e Indução Matemática 1

1 Propagação de Onda Livre ao Longo de um Guia de Ondas Estreito.

A Torre de Hanói e o Princípio da Indução Matemática

Sistemas Lineares. Módulo 3 Unidade 10. Para início de conversa... Matemática e suas Tecnologias Matemática

Um jogo de preencher casas

Somatórias e produtórias

Exercícios 1. Determinar x de modo que a matriz

O Princípio da Complementaridade e o papel do observador na Mecânica Quântica

0, OU COMO COLOCAR UM BLOCO QUADRADO EM UM BURACO REDONDO Pablo Emanuel

INSTITUTO TECNOLÓGICO

Problemas de Valor Inicial para Equações Diferenciais Ordinárias

INSTRUMENTAÇÃO E CONTROLE DE PROCESSOS TRANSFORMADAS DE LAPLACE

Notas de Cálculo Numérico

Uma e.d.o. de segunda ordem é da forma

Equações Diferenciais Ordinárias

Definição. A expressão M(x,y) dx + N(x,y)dy é chamada de diferencial exata se existe uma função f(x,y) tal que f x (x,y)=m(x,y) e f y (x,y)=n(x,y).

Equações Diferenciais Ordinárias

Métodos de Física Teórica II Prof. Henrique Boschi IF - UFRJ. 1º. semestre de 2010 Aula 2 Ref. Butkov, cap. 8, seção 8.2

29/Abril/2015 Aula 17

36 a Olimpíada Brasileira de Matemática Nível Universitário Primeira Fase

Universidade Federal de São Carlos Departamento de Matemática Curso de Cálculo Numérico - Turma E Resolução da Primeira Prova - 16/04/2008

Resolução dos Exercícios sobre Derivadas

Eventos independentes

Potenciação no Conjunto dos Números Inteiros - Z

1) Eficiência e Equilíbrio Walrasiano: Uma Empresa

Exercícios Adicionais

RESOLUÇÃO DAS QUESTÕES DE RACIOCÍNIO LÓGICO-MATEMÁTICO

A otimização é o processo de

CSE-020 Revisão de Métodos Matemáticos para Engenharia

Métodos Quantitativos Prof. Ms. Osmar Pastore e Prof. Ms. Francisco Merlo. Funções Exponenciais e Logarítmicas Progressões Matemáticas

Um estudo sobre funções contínuas que não são diferenciáveis em nenhum ponto

Álgebra. SeM MiSTéRio

Aula 9 Plano tangente, diferencial e gradiente

Fração como porcentagem. Sexto Ano do Ensino Fundamental. Autor: Prof. Francisco Bruno Holanda Revisor: Prof. Antonio Caminha M.

Exercícios resolvidos P2

φ(x,y,y',y'',y''',..., d n y/dx n ) = 0 (1) Esta equação é de n-ésima ordem e tem somente uma variável independente, x.

CURSO DE CÁLCULO INTEGRAIS

O princípio multiplicativo

Aula 4 Estatística Conceitos básicos

AV1 - MA (b) Se o comprador preferir efetuar o pagamento à vista, qual deverá ser o valor desse pagamento único? 1 1, , , 980

Propriedades das Funções Deriváveis. Prof. Doherty Andrade

Capítulo 5: Aplicações da Derivada

FUNÇÃO DE 1º GRAU. = mx + n, sendo m e n números reais. Questão 01 Dadas as funções f de IR em IR, identifique com um X, aquelas que são do 1º grau.

ARQUITETURA E ORGANIZAÇÃO DE COMPUTADORES SISTEMAS DE NUMERAÇÃO: REPRESENTAÇÃO EM PONTO FLUTUANTE. Prof. Dr. Daniel Caetano

a 1 x a n x n = b,

Lista 1 para a P2. Operações com subespaços

Estudaremos métodos numéricos para resolução de sistemas lineares com n equações e n incógnitas. Estes podem ser:

MÓDULO 4 DISTRIBUIÇÃO DE FREQÜÊNCIAS

Apresentação de Dados em Tabelas e Gráficos

5 Transformadas de Laplace

x0 = 1 x n = 3x n 1 x k x k 1 Quantas são as sequências com n letras, cada uma igual a a, b ou c, de modo que não há duas letras a seguidas?

Curvas em coordenadas polares

Dois eventos são disjuntos ou mutuamente exclusivos quando não tem elementos em comum. Isto é, A B = Φ

PROBABILIDADE Prof. Adriano Mendonça Souza, Dr.

Sistema de equações lineares

SUB12 Campeonato de Resolução de Problemas de Matemática Edição 2009/2010

Aula 3 CONSTRUÇÃO DE GRÁFICOS EM PAPEL DILOG. Menilton Menezes. META Expandir o estudo da utilização de gráficos em escala logarítmica.

Material Teórico - Módulo de Divisibilidade. MDC e MMC - Parte 1. Sexto Ano. Prof. Angelo Papa Neto

Unidade 3 Função Logarítmica. Definição de logaritmos de um número Propriedades operatórias Mudança de base Logaritmos decimais Função Logarítmica

Retas e Planos. Equação Paramétrica da Reta no Espaço

FEUSP- SEMINÁRIOS DE ENSINO DE MATEMÁTICA-1º semestre/2008 CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL NA ESCOLA BÁSICA: POSSÍVEL E NECESSÁRIO

Campos Vetoriais e Integrais de Linha

7 AULA. Curvas Polares LIVRO. META Estudar as curvas planas em coordenadas polares (Curvas Polares).

Operações com números racionais decimais

O ESPAÇO NULO DE A: RESOLVENDO AX = 0 3.2

Numa turma de 26 alunos, o número de raparigas excede em 4 o número de rapazes. Quantos rapazes há nesta turma?

Texto 07 - Sistemas de Partículas. A figura ao lado mostra uma bola lançada por um malabarista, descrevendo uma trajetória parabólica.

IFSP - EAD - GEOMETRIA TRIÂNGULO RETÂNGULO CONCEITUAÇÃO :

Sérgio Carvalho Matemática Financeira

1. A corrida de vetores numa folha de papel.

Departamento de Matemática - UEL Ulysses Sodré. Arquivo: minimaxi.tex - Londrina-PR, 29 de Junho de 2010.

Faculdade Sagrada Família

Como erguer um piano sem fazer força

Investigando números consecutivos no 3º ano do Ensino Fundamental

Lógica Computacional

Cálculo Numérico Faculdade de Engenharia, Arquiteturas e Urbanismo FEAU

PARTE 2 FUNÇÕES VETORIAIS DE UMA VARIÁVEL REAL

RESOLUÇÃO DE EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS DE ORDEM 2 HOMOGÊNEAS, COM COEFICIENTES CONSTANTES

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS INSTITUTO DE MATEMÁTICA, ESTATÍSTICA E COMPUTAÇÃO CIENTÍFICA Matemática Licenciatura. (Números Complexos)

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais Bacharelado em Sistemas de Informação Trabalho de Diplomação

Dicas para a 6 a Lista de Álgebra 1 (Conteúdo: Homomorfismos de Grupos e Teorema do Isomorfismo para grupos) Professor: Igor Lima.

Escalas. Antes de representar objetos, modelos, peças, A U L A. Nossa aula. O que é escala

ADMINISTRAÇÃO GERAL MOTIVAÇÃO

MEDIDA E ANÁLISE DE DESEMPENHO AULA 14 Arquitetura de Computadores Gil Eduardo de Andrade

Cap. 7 - Fontes de Campo Magnético

MATEMÁTICA TIPO A GABARITO: VFFVF. Solução: é a parábola com foco no ponto (0, 3) e reta diretriz y = -3.

36ª Olimpíada Brasileira de Matemática GABARITO Segunda Fase

4 Mudança de Coordenadas

Transcrição:

Seção 23: Resolução de equações diferenciais por séries de potências Até este ponto, quando resolvemos equações diferenciais ordinárias, nosso objetivo foi sempre encontrar as soluções expressas por meio de funções elementares. Mais precisamente, tentamos sempre escrever a soluções na forma de um número finito de somas, produtos, quocientes e compostas de uma certa coleção limitada de funções (as funções elementares), incluindo polinômios, raízes, senos, cossenos, exponenciais, logaritmos, etc. Para resolver equações diferenciais parciais, não foi suficiente considerar somas finitas, foi necessário usar somas infinitas de produtos de funções trigonométricas ou exponenciais para expressar as soluções. Veremos agora que, para prosseguir no estudo das equações diferenciais ordinárias, vai ser insuficiente trabalhar apenas com funções elementares, como mencionado acima. Vamos precisar de formas alternativas para expressar as soluções das EDO s. As funções elementares constituem um universo pequeno demais para expressar com elas as soluções de todas as EDO s importantes nas aplicações. Para atacar essa questão, vamos desenvolver o método das séries de potências para resolver equações diferenciais ordinárias. O método das séries de potências para equações diferencias ordinárias, consiste em procurar as soluções de uma EDO expressas como soma de uma série de potências. Na presente seção damos dois exemplos, com o objetivo de explicar como funciona o método. Na próxima seção faremos uma breve revisão sobre séries de potências e enunciaremos o teorema que dá fundamentação teórica do método de resolução das EDO por séries de potências. Exemplo 1: Consideremos a equação diferencial y + x y + y =. (1) Esta equação parece muito simples, no entanto os métodos de resolução vistos até agora não se aplicam a ela. Vamos, então, procurar uma solução expressa em forma de soma de uma série de potências y = a n x n. (2) Para entender como se deriva, talvez num primeiro momento seja melhor escrever por extenso Derivando, temos ou seja, y = a + a 1 x + a 2 x 2 + a 3 x 3 + = a 4 x 4 +. y = a 1 + 2a 2 x + 3a 3 x 2 + 4a 4 x 3 +, y = na n x n 1. (3) Note que o primeiro termo desapareceu na derivação, pois era constante. A série de y começa a partir de n = 1. Derivando mais uma vez, temos y = n(n 1)a n x n 2. (4)

Substituindo (3) e (4) na equação (1), obtemos n (n 1) a n x n 2 + n a n x n + a n x n =. (5) Chamando k = n 2 no primeiro somatório de (5), temos n (n 1) a n x n 2 = (k + 2) (k + 1) a k+2 x k. k= A seguir, em lugar da letra k, podemos usar qualquer outra, inclusive novamente n. Podemos também fazer o segundo somatório começar de n =, pois fazer isto corresponde acrescentar uma parcela a mais no somatório, mas esta parcela é nula. Encontramos, então, (n + 2) (n + 1) a n+2 x n + n a n x n + a n x n =. Mudando a ordem dos termos e agrupando termos semelhantes, podemos escrever em forma de um único somatório ] [(n + 2) (n + 1) a n+2 + (n + 1) a n x n =. (6) A igualdade (6) nos diz que todos os coeficientes se anulam (este ponto será melhor explicado na próxima seção) ] (n + 1) [(n + 2) a n+2 + a n =, ou seja, (n + 2) a n+2 + a n =, para n =, 1, 2, 3,... (7) Chamamos a igualdade (7) de fórmula de recorrência. Ela não nos diz nada sobre a e a 1, mas a partir daí todos os a n ficam determinados. Assim, a e a 1 podem ser escolhidos arbitrariamente, mas usando a fórmula de recorrência repetidas vezes, vamos obtendo a 2 = a 2, a 3 = a 1 2, a 4 = a 2 4 = a 2 4,... Encontramos assim a solução da equação diferencial (1) expressa na forma y = a n x n dependendo de duas constantes arbitrárias, a e a 1, o que não é de se estranhar, já que se trata de uma EDO de 2 a ordem. Escolhendo a = 1 e a 1 =, encontramos e a 2 = 1 2, a 4 = 1 2 4, a 6 = = a 1 = a 3 = a 5 = 1 2 4 6, a 2 n = Obtemos, assim, uma solução da equação diferencial, 2 4 6... (2 n) = ( 1)n n! 2 n. e y 1 = n! 2 n x2 n. (8) 2

Observe que esta primeira solução poderia ser expressa em termos das funções elementares. De fato, usando a série da exponencial e t t n = n! e subtituindo t = x2 2 obtemos y 1 = e x2 2. (9) Escolhendo a = e a 1 = 1, obtemos e = a = a 2 = a 4 = a 1 = 1, a 3 = 1 3, a 5 = 1 3 5, a 2 n+1 = 3 5... (2 n + 1) = ( 1)n (2 n + 1)!!. O símbolo!! acima é chamado de fatorial duplo e indica o produto em que os fatores vão diminuindo de 2 em 2 unidades. Assim uma segunda solução linearmente independente da primeira é dada por y 2 = 1 3 5... (2 n + 1) x2 n+1 = x 2 n+1 (2 n + 1)!!. (1) Para verificar que de fato a expressão (1) para y 2 acima define uma solução da equação diferencial é necessário, antes de mais nada, verificar que a série converge, isto é, que a série de potências que define (1) tem raio de convergência maior do que. Não faremos isto agora. Observações: (i) Se y = a +a 1 x+a 2 x 2 +, então y() = a e y = a 1 +2 a 2 x+. Logo, y () = a 1. Portanto, nossa solução y 1 corresponde às condições iniciais y() = 1, y () =, enquanto que y 2 corresponde às condições inicias y() =, y () = 1. (ii) A solução encontrada y 1 = e x2 2 é uma função elementar. Usando o método de D Alembert, podemos encontrar uma segunda solução linearmente independente da forma y 2 = v y 1. Substituindo em (1), obtemos (y 1 v + 2 y 1 v ) + x y 1 v =, que nos dá ou ainda, Levando em conta que de deduzimos que e x2 2 v 2 x e x2 2 v + x e x2 2 v =, v x v =. y 1 () = 1, y 1() =, y 2 () =, y 2() = 1, y 2 = v y 1 e y 2 = v y 1 + v y 1, v() =, v () = 1. Vamos então resolver o problema de valor inicial { v x v = v() =, v () = 1 3

Pondo z = v, a equação diferencial se reduz à equação de primeira ordem que é separável dz z = x dx, dz dx = x z, x2 ln z = 2 + C, z = C 1e x 2 Da condição inicial v () = 1, segue que C 1 = 1, isto é, Logo, v(x) = Usando que v() =, obtemos, finalmente, ou seja, Temos então que y 2 (x) = v = e x2 2. v(x) = 2 dt + C2. y 2 (x) = e x2 2 x 2 n+1 (2 n + 1)!! 2 dt, 2 dt. = e x2 2 2. 2 dt. (11) Conclusão: Sabemos do cálculo que toda função contínua tem uma primitiva, mas nem sempre a primitiva de uma função elementar pode ser expressa em termos de funções elementares. O exemplo clássico desse fenômeno é que a integral dt não expressa em termos de funções elementares. Dessa observação e de (11) decorre que a segunda solução y 2 (x) não se expressa em termos de funções elementares. O Exemplo 1, acima, ilustra o fato que ao resolvermos uma equação diferencial linear de coeficientes variáveis, pode acontecer que uma ou até todas as soluções não possam ser expressas em termos das funções elementares. Por esta razão, estamos buscando uma forma alternativa para expressar as soluções, como soma de série de potências. Em outras palavras, as funções elementares não constituem um universo suficientemente grande para que com elas se possam expressar as soluções das EDO s com coeficientes variáveis. Exemplo 2: Consideremos o problema de valor inicial { x y + x 2 y 2 y = y(1) = 1, y (1) = 2 (12) Como as condições iniciais são dadas no ponto x = 1, procuramos a solução expressa em forma de série de potências de x 1, pois se y(x) = a n (x 1) n, (13) 4

então a = y(1) e a 1 = y (1), de modo que as condições iniciais do problema nos dizem que a = 1 e a 1 = 2. Derivando (13) e substituindo na EDO, temos [ ] (x 1) + 1 n (n 1) a n (x 1) n 2 + [ (x 1) + 1 ] 2 Reescrevemos como 2 n a n (x 1) n 1 a n (x 1) n =. n (n 1) a n (x 1) n 1 + n (n 1) a n (x 1) n 2 + n a n (x 1) n+1 + 2 n a n (x 1) n + n a n (x 1) n 1 2 Fazendo mudança de índices e agrupando termos semelhantes, obtemos a n (x 1) n =. (n + 1) n a n+1 (x 1) n + (n + 2) (n + 1) a n+2 (x 1) n + (n 1) a n 1 (x 1) n + 2 n a n (x 1) n + (n + 1) a n+1 (x 1) n 2 a n (x 1) n =. Notando que o 1 o e 4 o somatórios podem ser começados em n = e o 3 o somatório pode ser começado em n = 1 e agrupando os termos semelhantes, obtemos finalmente 2 a + a 1 + 2 a 2 + [ (n + 2) (n + 1) a n+2 + (n + 1) 2 a n+1 +2 (n 1) a n + (n 1) a n 1 ](x 1) n = Para que a igualdade acima se cumpra é necessário que todos os coeficientes da série se anulem. Obtemos, então, que 2a + a 1 + 2 a 2 = (14) e a fórmula de recorrência (n + 2) (n + 1) a n+2 + (n + 1) 2 a n+1 + 2 (n 1) a n + (n 1) a n 1 =, n = 1, 2, 3,... (15) Já tínhamos que Aplicando a igualdade (14), obtemos a = 1 e a 1 = 2. a 2 = 2. Utilizando esses valores e aplicando a fórmula de recorrência (15), vamos obtendo, sucessivamente, Segue a expressão em série de potências a 3 = 4 3, a 4 = 1 3, etc. y = 1 2 x + 2 x 2 4 3 x3 + 1 4 x4 + 5

para a solução do PVI (12). Observação: No Exemplo 1, foi possível obter uma fórmula geral para os coeficientes das soluções. Isto não aconteceu no Exemplo 2, onde é possível calcular tantos coeficientes quanto quisermos, mas não encontramos uma fórmula geral para eles. Cabe perguntar qual a causa desta diferença. A resposta é que no Exemplo 1, a fórmula de recorrência (n + 2)a n+2 + a n = é do tipo mais simples possível, envolve apenas dois termos. Assim, por exemplo, a 2n pode se expressar em função de a somente. Isto não acontece no Exemplo 2, pois a fórmula de recorrência (n + 2)(n + 1)a n+2 + (n + 1) 2 a n+1 + 2(n 1)a n + (n 1)a n 1 = é mais complicada, envolvendo 4 termos. Em geral, quando a fórmula de recorrência envolver apenas dois termos, vai ser possível obter uma fórmula geral para os coeficientes das soluções. Quando a fórmula de recorrência envolver três ou mais termos, vai ser possível calcular tantos coeficientes quanto quisermos, mas não vamos encontrar uma fórmula geral para eles. 6