ESTELIONATO Art. 171



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Transcrição:

ESTELIONATO Art. 171 I EMENTA DA AULA 1 Figura principal (caput): 1R a 5R + multa 2 Figuras equiparadas ( 2º) 3 Causa de diminuição de pena ( 1º) 4 Causa de amento de pena ( 3º) 2. OBJETOS DO DEITO 3. TIPO OBJETIVO QUESTÃO: Diferença entre estelionato e furto mediante fraude 4. TIPO SUBJETIVO 5. SUJEITO ATIVO 6. SUJEITO PASSIVO QUESTÃO: A torpeza bilateral afasta o crime? 7. CONSUMAÇÃO 8. FORMAS EQUIPARADAS a) vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia coisa alheia como própria; b) vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável, gravada de ônus ou litigiosa, ou imóvel que prometeu vender a terceiro, mediante pagamento em prestações, silenciando sobre qualquer dessas circunstâncias; c) defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia, quando tem a posse do objeto empenhado; d) defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém;

e) destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou agrava as conseqüências da lesão ou doença, com o intuito de haver indenização ou valor de seguro; f) emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o pagamento. QUESTÕES: A ausência de dolo O pagamento do cheque antes do recebimento da denúncia O cheque pós datado Cheque falsificado ou cheque de conta encerrada Cheque para pagamento da dívida de jogo e prostituição. 9. DIMINIÇÃO DE PENA OBSERVAÇÃO : No crime de furto e de apropriação indébita se exige que a coisa subtraída ou apropriada seja de pequeno valor. 10. AUMENTO DE PENA Súmulas 24 do STJ: Aplica-se ao crime de estelionato, em que figure como vítima entidade autárquica da Previdência Social, a qualificadora do 3º do art. 171 do Código Penal. II LEGISLAÇÃO CORRELATA 1) Código Penal Estelionato CAPÍTULO VI DO ESTELIONATO E OUTRAS FRAUDES Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. 1º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz pode aplicar a pena conforme o disposto no art. 155, 2º. 2º - Nas mesmas penas incorre quem:

Disposição de coisa alheia como própria I - vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia coisa alheia como própria; Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria II - vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável, gravada de ônus ou litigiosa, ou imóvel que prometeu vender a terceiro, mediante pagamento em prestações, silenciando sobre qualquer dessas circunstâncias; Defraudação de penhor III - defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia, quando tem a posse do objeto empenhado; Fraude na entrega de coisa IV - defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém; Fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro V - destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou agrava as conseqüências da lesão ou doença, com o intuito de haver indenização ou valor de seguro; Fraude no pagamento por meio de cheque VI - emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o pagamento. 3º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de economia popular, assistência social ou beneficência. 2) Código Penal Militar Estelionato CAPÍTULO IV DO ESTELIONATO E OUTRAS FRAUDES

Art. 251. Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em êrro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento: Pena - reclusão, de dois a sete anos. 1º Nas mesmas penas incorre quem: Disposição de coisa alheia como própria I - vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia, coisa alheia como própria; Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria II - vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável, gravada de ônus ou litigiosa, ou imóvel que prometeu vender a terceiro, mediante pagamento em prestações, silenciando sôbre qualquer dessas circunstâncias; Defraudação de penhor III - defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia, quando tem a posse do objeto empenhado; Fraude na entrega de coisa IV - defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que entrega a adquirente; Fraude no pagamento de cheque V - defrauda de qualquer modo o pagamento de cheque que emitiu a favor de alguém. 2º Os crimes previstos nos ns. I a V do parágrafo anterior são considerados militares sòmente nos casos do art. 9º, nº II, letras a e e. Agravação de pena 3º A pena é agravada, se o crime é cometido em detrimento da administração militar. III JURISPRUDÊNCIA PROCEDIMENTO ADMINISTRATIIVO STF Concurso de crimes contra a Previdência Social. Inserção de dados falsos em sistema de informações, estelionato qualificado e formação de quadrilha. Arts. 313-A, 171, 3º, e 288 do CP. Necessidade de prévia definição de procedimento administrativo. Inexistência. Crimes comuns cujos tipos independem dessa

providência. HC denegado na parte conhecida. A perfeição dos tipos de crimes comuns contra a Previdência Social independe da definição de prévio procedimento administrativo. (STF - HC 84487 Órgão Julgador: Segunda Turma - Relator Min. CEZAR PELUSO Data dp Julgamento: 02/06/2009). (grifamos) PERÍCIA STF Não houve condenação pelo crime de falsificação de documento particular (Código penal, artigo 298), ante a inexistência do exame de corpo de delito. Outras provas foram consideradas para amparar a condenação pelo crime de estelionato, tornando prescindível a realização de perícia. Habeas Corpus parcialmente conhecido e, nesta parte, indeferido. (STF - HC 82122 Órgão Julgador: Primeira Turma - Relatora Min. ELLEN GRACIE Data do Julgamento:30/05/2003). (grifamos) TEST-DRIVE STJ Segundo entendimento desta Corte, para fins de pagamento de seguro, ocorre furto mediante fraude, e não estelionato, o agente que, a pretexto de testar veículo posto à venda, o subtrai (STJ - RECURSO ESPECIAL: REsp 672987 MT 2004/0083646-3 - Órgão Julgador: T4 - QUARTA TURMA - Relator: Ministro JORGE SCARTEZZINI Data do Julgamento: 25/09/2006). (grifamos) REVISÃO CRIMINAL. ESTELIONATO. CONFISSÃO EXTRAJUDICIAL. PEDIDO INDEFERIDO.Consoante emerge dos autos principais, o peticionário,... entabulou conversa com Wagner Cândido Sabioni mostrando interesse em adquirir a sua motocicleta Honda. Após acordarem o preço e forma de pagamento, o peticionário saiu com o veículo para experimentá-lo e não mais retornou. para reprovação e prevenção do crime. Logo, nenhum reparo merece a r. decisão revidenda. (TJSP - RVCR 1058590330000000 SP - Órgão Julgador: 7º Grupo de Direito Criminal - Relator Lopes da Silva Data do Julgamento: 11/12/2008). PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO STJ SÚMULA 17 DO STJ. Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido. PENAL. RECURSO ESPECIAL. RECEPTAÇÃO. ESTELIONATO. COMPRA DE VEÍCULOS FURTADOS OU ROUBADOS. ADULTERAÇÃO PARA POSTERIOR VENDA. CONTINUIDADE DELITIVA. LAPSO TEMPORAL. MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA Nº 7/STJ. PENA DE MULTA. CRITÉRIO DE FIXAÇÃO. I - Se o agente, após receptar o veículo, proceder a adulterações em suas características (alterações no número do chassi, do motor, placas etc.) a fim de possibilitar sua posterior venda, cometerá o

delito de estelionato (Precedente do STF). II - A pena de multa deve ser fixada em duas fases. Na primeira, fixa-se o número de dias-multa, considerando-se as circunstâncias judiciais (art. 59, do CP). Na segunda, determina-se o valor de cada dia-multa, levando-se em conta a situação econômica do réu (Precedente do STJ). In casu, ainda que de forma tácita, tal critério foi observado. III - Não se conhece de recurso especial que, para o seu objetivo, exige o reexame da quaestio facti (Súmula nº 7 - STJ). Recurso parcialmente provido. (STJ, REsp 671195 / RS, DJ 23.05.2005) ESTELIONATO - USO DE DOCUMENTO FALSO - Recurso do MP - Sentença que absolveu réu da prática do delito de uso de documento falso e condenou-o por estelionato na forma tentada - recurso objetiva condenação pelo uso de documento falso e absolvição pelo estelionato - delito de estelionato, tentado, que restou devidamente caracterizado - aplicação do princípio da consunção - absorção do uso de documento falso pelo crime fim - Recurso não provido. (TJSP - ACR 1115704300000000 SP - Órgão Julgador: 9ª Câmara de Direito Criminal - Relator: Leonel Costa Data do Julgamento: 24/09/2008). Estelionato - Crime antecedido de furto e de falsificação do cheque utilizado como meio fraudulento - Absorção - Ficam absorvidos pelo estelionato os crimes de furto e de falsificação do cheque empregado como meio fraudulento - Recurso improvido. (TJSP - ACR 928917320000000 SP - Órgão Julgador: 14ª Câmara de Direito Criminal B - Relator: Alexandre Coelho Data do Julgamento: 04/09/2008). SUBTRAÇÃO DE FOLHA DE CHEQUE EM BRANCO. NAO CONFIGURAÇÃO DO CRIME DE FURTO. ESTELIONATO. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELA PRESCRIÇÃO. Subtração de folha de cheque em branco, preenchimento e falsificação da assinatura da correntista. Utilização para compra de mercadoria. Descoberta da fraude. Devolução da coisa obtida ilicitamente. Estelionato caracterizado. Documento sem conteúdo patrimonial. Não configuração do crime de furto. Redução da reprimenda. Punibilidade extinta. Demonstrado através da prova que a acusada apoderou-se de uma folha do talão de cheques de sua empregadora, e após preenchê-la no valor de R$ 90,00, falsificar a assinatura dela, utilizou o cheque para comprar alimentos, recebendo o troco em espécie, tem-se por configurado o crime de estelionato, descabendo a punição no crime de furto, uma vez que a folha de cheque em branco não pode ser objeto de tal delito, porque se trata de documento despido de relevância patrimonial. Provado que a acusada, primária, restituiu, antes do recebimento da denúncia, a coisa obtida com o estelionato, tem-se por incidentes o arrependimento posterior e o privilégio. A sanção de 1 ano de reclusão e 10 DM sofre a redução de 1/3 pelo arrependimento posterior e 1/3 pelo privilégio, estabilizando a reprimenda em 4 meses de reclusão e 3 DM, alcançada pela prescrição, porque decorridos mais de 2 anos entra a data do fato e a data do recebimeno da denúncia e também dessa data até a publicação da sentença em cartório. Improvimento do recurso ministerial e parcial provimento ao defensivo para reduzir a reprimenda e declarar extinta a punibilidade pela prescrição. (TJRJ - AC 2007.050.03825 - TERCEIRA CAMARA CRIMINAL, Rel. VALMIR DE OLIVEIRA SILVA j. 11/12/2007) PRINCIPIO DA INSIGNIFICÂNCIA PENAL E PROCESSUAL PENAL. ESTELIONATO TENTADO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. ESTELIONATO PRIVILEGIADO. IMPOSSIBILIDADES. O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA É APLICADO EM CASOS EM QUE A PEQUENÍSSIMA RELEVÂNCIA DA LESÃO CAUSADA AO BEM JURÍDICO ENSEJA

A PERMANÊNCIA DO FATO FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO DIREITO PENAL, EXCLUINDO A TIPICIDADE DA CONDUTA. FALTAM REQUISITOS PARA O RECONHECIMENTO DO PRIVILÉGIO. (TJDF - APR 20060110562324 DF - Órgão Julgador: 2ª Turma Criminal - Relator JOÃO TIMÓTEO Data do Julgamento: 10/10/2008). SUJEITO ATIVO: Para que haja o estelionato impróprio, há necessidade que o agente subtraia dinheiro ou qualquer outro bem, valendo-se da condição de funcionário público. (TJDF ACR Nº 19.312/98 - Órgão Julgador: Segunda Turma Criminal - Relator Des. Vaz de Mello Ano do Julgamento: 1999). SUJEITO PASSIVO: STF EMENTA: "Habeas corpus". Estelionato. Crime militar. - É pacífico que, em se tratando de estelionato, quando a pessoa enganada é diversa da prejudicada, ambas são sujeitos passivos desse crime, ainda que uma seja ente público. - Reza o artigo 9º, III, "a", do Código Penal Militar - que é norma especial - que se consideram crimes militares, em tempo de paz, "os crimes praticados por militar da reserva, ou reformado, ou por civil, contra as instituições militares, considerando-se como tais não só os compreendidos no inciso I, como os do inciso II, nos seguintes casos: a) contra o patrimônio sob a administração militar, ou contra a ordem administrativa militar". Note-se que esse dispositivo alude a "patrimônio sob a administração militar" e não a patrimônio de que as entidades militares sejam titulares da propriedade pela singela razão de que elas não têm patrimônio próprio que é do Estado que o coloca sob a administração das entidades militares para que estas possam exercer as suas atribuições. Por isso, o furto de material sob a administração militar federal é crime militar, apesar de esse material não ser de propriedade do ente militar de que foi subtraído, mas, sim, da União. - Portanto, no caso, sendo prejudicada a Administração Militar pelo desapossamento de parte da área em causa, configura-se crime militar praticado por civil contra a instituição militar, por ter sido, em tese, cometido contra patrimônio sob a administração militar. "Habeas corpus" indeferido. (STF, HC 79792 / PA PARÁ, DJ 03-03-2000 PP-00062 ) Se a conduta fraudulenta do acusado não se dirige a vítima definida que, em razão dela, tenha sofrido desfalque patrimonial, impossível a condenação por estelionato: o sujeito passivo definido é elemento indispensável à admissão da figura prevista no art. 171 do CP. (TACRIMSP RT 640/313). CONSUMAÇÃO: STF (...) Salientou-se, ademais, o fato de que o crime de estelionato, consuma-se ainda que a vantagem ilícita tenha sido obtida por terceiro. (STF HC 83252/GO Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA - Relator Min.

Gilmar Mendes Data do Julgamento: 28/10/2003). STJ O crime de estelionato se consuma com a obtenção da vantagem ilícita, nos termos do art. 171 do Código Penal. (STJ - AgRg no REsp 1055960/RS Órgão Julgador: QUINTA TURMA Relatora Min. LAURITA VAZ Data do Julgamento: 26/05/2009). Estelionato simples. Ausência de prova de todos seus elementos, pois, para consumação, não basta apenas o prejuízo alheio, mas também que o acusado tenha agido com emprego de artifício, ardil ou outro meio fraudulento, para induzir ou manter a vítima em erro. Apelação provida Absolvição. (TJSP - ACR 1045212300000000 SP - Relator Benedito Roberto Garcia Pozzer Órgão Julgador: 5ª Câmara de Direito Criminal B - Data do Julgamento: 22/08/2008). CRIME INSTANTÂNEO DE EFEITOS PERMANENTES STF Aplicando o precedente firmado no julgamento do HC 86467/RS (DJU de 22.6.2007) no sentido de que o crime consubstanciado na concessão de aposentadoria a partir de dados falsos é instantâneo, não o transmudando em permanente o fato de terceiro haver sido beneficiado com a fraude de forma projetada no tempo, a Turma deferiu habeas corpus para declarar extinta a punibilidade do paciente. No caso, o paciente fora condenado por infringência do art. 171, 3º, do CP, em virtude de haver adulterado anotações da carteira de trabalho de co-réu, de modo a permitir que esse recebesse aposentadoria. Tendo em conta que a pena aplicada seria inferior a 4 anos e que já transcorrido o prazo prescricional superior a 8 anos (CP, art. 109, IV), concluiu-se que o reconhecimento da prescrição retroativa se imporia.(stf- HC 94148/SC Órgão Julgador: PRIMEIRA TURMA - Relator Min. Carlos Britto Data do Julgamento: 03/06/2008). A Turma, por maioria, deferiu habeas corpus para pronunciar a prescrição da pretensão punitiva do Estado relativamente ao paciente, condenado por estelionato em razão de, na qualidade de advogado, haver induzido em erro sua cliente, obtendo para si crédito a ser por ela recebido de município, através de precatório, decorrente de ação indenizatória anteriormente ajuizada. Entendeu-se que a circunstância de a satisfação do crédito se dar por meio de precatório não alteraria a conduta praticada pelo paciente, a qual consubstanciaria crime instantâneo, verificada a vantagem ilícita em prejuízo de terceiro, muito embora, sob o ângulo pecuniário, essa fosse alcançada posteriormente. Entretanto, não obstante haver-se enfatizado que o desdobramento do ato, no tocante à percepção das parcelas, seria simples conseqüência do crime instantâneo, concluiu-se pela aludida prescrição, tendo em conta que o delito fora perpetrado em 1997. Vencido o Min. Menezes Direito que indeferia o writ ao fundamento de tratar-se, no caso, de crime permanente, cuja prescrição se prolongaria no tempo. ( STF - HC 88872/MS Órgão Julgador: PRIMEIRA TURMA - Relator Min. Marco Aurélio Data do Julgamento: 04.03.2008). A prática de estelionato para obtenção de benefício previdenciário é crime instantâneo de repercussão permanente, cujo termo inicial do prazo prescricional ocorre no dia em que o delito se consuma. Com base nesse entendimento, a Turma deferiu habeas corpus para declarar, com fundamento no art. 111, I, do CP, a prescrição da pretensão punitiva do Estado em relação a servidor do INSS que, valendo-se dessa condição profissional, supostamente concedera, de modo fraudulento, aposentadoria a terceiros.( STF - HC 84998/RS

Órgão Julgador: PRIMEIRA TURMA - Relator Min. Marco Aurélio Data do Julgamento 02/08/2005). Estelionato previdenciário Crime instantâneo de resultados permanentes Contagem do prazo prescricional segundo o art. 111, I, do CP O crime consubstanciado na confecção de certidão falsa é instantâneo, não o transmudando em permanente o fato de terceiro havê-la utilizado de forma projetada no tempo. A hipótese, quanto aos atos da falsidade, configura crime instantâneo de repercussão permanente, deixando de atrair a regra da contagem do prazo prescricional a partir da cessação dos efeitos artigo 111, inciso III, do Código Penal. (STF HC 75053/SP Min. MARCO AURÉLIO j. 17/03/1998 DJ 30-04-1998 PP-00008) STJ ESTELIONATO. INSS. AUXÍLIO-DOENÇA. PRESCRIÇÃO. O estelionato contra a Previdência Social (art. 171, 3º, do CP) deve ser considerado crime instantâneo de efeitos permanentes e, se assim é, consuma-se com o recebimento da primeira prestação do benefício indevido, termo a quo que deve ser observado para a contagem do lapso prescricional da pretensão punitiva. Precedentes citados do STJ: HC 90.451-RJ, DJ 19/12/2008 e REsp 964.335-RJ, DJ 10/12/2007; do STF: HC 82.965-RN, DJ 28/3/2008 e HC 84.998-RS, DJ 16/9/2005. HC 121.336-SP, Rel. Min. Celso Limongi (Desembargador convocado do TJ-SP), julgado em 10/3/2009. Estelionato previdenciário Crime permanente Contagem do prazo prescricional segundo o art. 111, III, do CP Tratando-se de estelionato de rendas mensais, que dura no tempo, há permanência na consumação (delito eventualmente permanente), devendo o termo inicial da prescrição contar-se da cessação da permanência (art. 111, III, do CP). (STJ REsp 195222/SP Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA j. 02/09/1999 DJ 11.10.1999 p. 83). TENTATIVA ESTELIONATO TENTADO - PROVAS INSUFICIENTES PARA A CONDENAÇÃO PRETENDIDA NA DENÚNCIA, MORMENTE PELA DÚVIDA SOBRE A POSSIBILIDADE DE CONSUMAÇÃO DO FATO NAS CONDIÇÕES E FORMA DE AGIR DO AGENTE NESTE CASO CONCRETO - SENTENÇA MANTIDA - IMPROCEDENTE O RECURSO DO MINISTÉRIO PÚBLICO.(...) Realmente fez a escolha de roupas e entregou dois cheques como pagamento. Mas bastou uma simples consulta pela vendedora para obter a informação de que se tratava de objetos roubados. O réu nada levou, e ainda foi levado para a Delegacia. (...) Com efeito, vejo razão nos argumentos colocados na decisão do caso, tratando-se de hipótese concreta em que a prova evidencia a impossibilidade de consumação do pretendido golpe naquelas condições. Juiz de Direito, analisando a questão no contexto, observada a livre convicção motivada, deve decidir buscando o alcance das verdadeiras finalidades das Leis. Nesse diapasão: "PERANTE O NOVO DIREITO BRASILEIRO, O JUIZ CRIMINAL É CHAMADO A EXERCER O SEU NOBRE OFÍCIO COM A SUA PRÓPRIA CONSCIÊNCIA, COM SEU PRÓPRIO RACIOCÍNIO, COM SUA LIVRE CRÍTICA. JÁ NÃO SERÁ UM INTÉRPRETE ESCOLÁSTICO DA LEI, UM APLICADOR DE JUSTIÇA TARIFADA, UM ÓRGÃO AUTOMÁTICO DE FÓRMULAS SACRAMENTAIS, MAS UMA CONSCIÊNCIA LIVRE A REGULAR DESTINOS HUMANOS" (TACRIM-SP - Rel. VALENTIN SILVA - RT 501/307). (TJSP - ACR 1176678360000000 SP - Relator João Augusto Garcia Data do Julgamento: 25/09/2008). ESTELIONATO TENTADO - UTILIZAÇÃO DE CHEQUE FURTADO - PROVA ROBUSTA - RECURSO IMPROVIDO. (...) reconhecido pelas testemunhas ouvidas a fls., que o apontaram como sendo a pessoa que

entrou no estabelecimento comercial e tentou adquirir bens, estando bastante nervoso na ocasião, quando então se observou, mediante consulta, que constavam restrições em relação à cártula, que o apelante dizia que era dele próprio. A testemunha ouvida a fls. 54 conhecia o emitente e sabia que não era o réu, acionando então a polícia. A folha de cheque foi encontrada pelos policiais quando da abordagem, e apreendida, estando encartada a fls. 16. A materialidade é confirmada pelo Boletim de Ocorrência juntado a fls., donde se vê que a folha havia sido objeto de furto. A condenação era mesmo de rigor e a pena não comporta, outrossim, modificação, vez que já fixada no patamar mínimo. (TJSP - ACR 1048523300000000 SP - Órgão Julgador: 4ª Câmara de Direito Criminal - Relator: Daniel Issler Data do Julgamento: 09/05/2008). CRIME IMPOSSÍVEL Retirada do PIS Crime impossível Descaracterização do crime de estelionato, na forma tentada, dada a impossibilidade de retirada do PIS, que já houvera sido anteriormente retirado pelo próprio acusado. Aplicação do art. 17 do Código Penal. TRF 5 a Reg. Ap. 930535479-3 3 a T. Rel. Des. Fed. Nereu Ramos j. 05.12.2001 v.u. DJU 29.06.2001 p. 889). Estelionato Inocorrência Meio inidôneo para enganar a vítima O meio empregado para a concretização do estelionato deverá ser suficiente para enganar a vítima, não podendo ser considerado hábil aquele que depende do exame prévio, como o saque de dinheiro de conta bancária, por meio de cheque. É inidôneo o preenchimento de guia de retirada e respectiva assinatura de forma aleatória, sem haver preocupação de imitação, mormente pelo fato de ser o correntista desconhecido do agente. TRF 1 a R. Ac. 01267172 2 a T. Rel. Juiz Fed. Indoval Marques de Brito j. 05.06.2001 v.u. DJU 16.07.2001 p. 565). ESTELIONATO PRIVILEGIADO Crime de estelionato - Privilégio - Configura- se o privilégio quando, primário o réu, reparou os prejuízos, de pequenos valores. Crime de estelionato privilegiado. TJSP - ACR 1095163360000000 SP - Órgão Julgador: 11ª Câmara de Direito Criminal C - Relator Luiz Francisco Del Giudice Data do Julgamento: 25/07/2008. CRIME FORMAL E CRIME CONTINUADO STF Se uma única ação típica de estelionato, atinge o agente três patrimônios diferentes e, dias após, pratica o mesmo delito em forma tentada e condições semelhantes contra outras vítimas, tem-se, cumulativamente, os acréscimos do art. 70 (concurso formal) e 71 do CP (crime continuado). Inexistência de bis in idem. Precedentes citados: RE 87674-SP (RTJ 91/935); RE 97330-SP (RTJ 105/407); RE 91114-SP (RTJ 92/1380); e RE 107730-SP (RTJ 118/789). (STF - HC 73.821-RJ Órgão Julgador: PRIMEIRA TURMA - Relator Min. Sydney Sanches Data do Julgamento: 25/06/1996.

DIFERENÇAS - ESTELIONATO E FURTO: STJ 08/05/2009-11h04 DECISÃO Compra fraudulenta pela internet deve ser apurada no local de obtenção da vantagem As compras realizadas por meio da internet com a utilização de cartões e dados de terceiros equiparam-se a estelionato, e não a furto mediante fraude. Por isso, devem ser processados pela justiça no local onde se obtém a vantagem ilícita. Para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), nessa situação a empresa é induzida a entregar, voluntariamente, as mercadorias objeto do crime. Nos caso dos saques, ocorre furto por meio de fraude, já que a retirada dos valores ocorre sem autorização do titular da conta. Na hipótese, a competência é definida pelo local onde se consuma a prática ilegal. O ministro Og Fernandes citou decisão anterior do STJ para explicar a diferença entre as práticas: o furto mediante fraude não pode ser confundido com o estelionato. No furto, a fraude é utilizada para burlar a vigilância da vítima, para lhe tirar a atenção. No estelionato, a fraude objetiva obter consentimento da vítima, iludi-la para que entregue voluntariamente o bem. No entanto, no caso específico, mesmo tendo reconhecido a compra fraudulenta, a competência não foi alterada. De acordo com o relator, as investigações até o momento não identificaram o local exato das infrações, principalmente pela existência de várias vítimas, o que leva à aplicação, por analogia, do parágrafo 3º do artigo 70 do Código de Processo Penal, que define a competência por prevenção. Embora esteja presente tanto no crime de estelionato, quanto no de furto qualificado, a fraude atua de maneira diversa em cada qual. No primeiro caso, é utilizada para induzir a vítima ao erro, de modo que ela própria entrega seu patrimônio ao agente. A seu turno, no furto, a fraude visa burlar a vigilância da vítima, que, em razão dela, não percebe que a coisa lhe está sendo subtraída. Na hipótese de transações bancárias fraudulentas, onde o agente se valeu de meios eletrônicos para efetivá-las, o cliente titular da conta lesada não é induzido a entregar os valores ao criminoso, por qualquer artifício fraudulento. Na verdade, o dinheiro sai de sua conta sem qualquer ato de vontade ou consentimento. A fraude, de fato, é utilizada para burlar a vigilância do Banco, motivo pelo qual a melhor tipificação dessa conduta é a de furto mediante fraude. (STJ - CC 86862 GO 2007/0137098-6 - Órgão Julgador:TERCEIRA SEÇÃO - Relator Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO Data do Julgamento: 07/08/2007). Materialidade e autoria bem comprovadas - Furto de energia elétrica comprovado por perícia, que atestou adulteração no medidor de consumo - Réu que admitiu parcialmente os fatos - Condenação mantida. DESCLASSIFICAÇÃO - O delito de estelionato pressupõe a fraude para que a vítima entregue a coisa - Não sendo possível iludir a máquina (no caso o medidor), tem-se a figura do furto. (TJSP - ACR 1202903370000000 SP - Órgão Julgador: 6ª Câmara de Direito Criminal - Relator: Ericson Maranho Data do Julgamento: 02/10/2008). (...)No que tange à emendatio libelii, deve-se considerar, efetivamente, que as condutas dos réus se amoldam perfeitamente ao tipo penal previsto no art. 155, 4º, inciso II, c.c. art. 14, inciso II, ambos do Código Penal, ou seja, houve prática de furto qualificado pela fraude na modalidade tentada. Como bem registra a doutrina, "a fraude também foi contemplada como meio executivo e qualificador do crime. Define-se como o emprego de meios ardilosos ou insidiosos para burlar a vigilância do lesado. Distingue-se o furto mediante fraude do estelionato, uma vez que, neste, por causa da fraude, a vítima entrega a coisa (indução),

enquanto naquele a fraude garante o acesso à coisa subtraída, após o sujeito passivo ter sua atenção desviada pelo agente. (TRF2 - ACR 4590 RJ - Órgão Julgador: PRIMEIRA TURMA ESPECIALIZADA - Relator: Desembargador Federal GUILHERME CALMON Data do Julgamento: 30/05/2007). NO ESTELIONATO, MEDIANTE FRAUDE O AGENTE OBTÉM A COISA, QUE LHE É VOLUNTARIAMENTE ENTREGUE PELA VÍTIMA, POR TER SIDO INDUZIDA EM ERRO; NO FURTO, A FRAUDE É EMPREGADA PARA ILUDIR SUA ATENÇÃO OU VIGILÂNCIA A FIM DE FACILITAR A SUBTRAÇÃO. (TJDF ACR 19990710098294 DF - Órgão Julgador: 2ª Turma Criminal - Relator: GETULIO PINHEIRO Data do Julgamento: 08/09/2005). DOLO STF Abertura de sociedade Inadimplemento de compromissos empresariais Estelionato Atipicidade da conduta A Turma deferiu habeas corpus para trancar ação penal instaurada contra denunciados pela suposta prática do delito de estelionato, em concurso de pessoas (CP, art. 171, caput, c/c art. 29), em decorrência do não adimplemento de compromissos firmados por sua empresa, quando da abertura de outra sociedade, para a qual teriam transferido parte do patrimônio daquela. Considerou-se que, na espécie, a denúncia consistiria em mera presunção no tocante ao cometimento de estelionato, atribuindo aos pacientes, por suposição, a atuação com dolo específico para obter vantagem ilícita, invertendo, assim, o ônus da prova, em seu desfavor, de modo que a eles caberia provar a ausência de tal dolo. Salientou-se, ainda, que a abertura de empresa, por si só, não configuraria crime e que inexistiria, nos autos, notícia de que a sociedade credora tivesse recorrido às vias judiciais para cobrar seus créditos, a qual poderia socorrer-se, caso infrutífera esta iniciativa, do dispositivo do art. 50 do CC, que prevê a desconsideração da personalidade jurídica. Concluiu-se não se estar diante de conduta atípica dos pacientes, cuja análise não seria viável em habeas corpus, mas de inépcia da peça acusatória. HC 88344/PE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, 12.12.2006 (Informativo 452 do STF). Estelionato Omissão dolosa Rejeição da denúncia RESE Erro de tipo vencível Inexistência Modalidade culposa do art. 171 Absolvição 1 Tratando-se de rejeição de denúncia, cabível recurso em sentido estrito. (Súmula 60 do TRF 4 a Região). 2 induzir ou manter em erro é elemento constitutivo do tipo do delito de estelionato. Se a omissão de informação se deu por ignorância quanto à necessidade desta informação, e não para induzir em erro o INSS, ocorre erro de tipo vencível, responde o agente pela modalidade culposa. Porém não existindo modalidade culposa para o delito de estelionato, deve ser mantida a decisão que rejeitou a denúncia, com base nos arts. 18, parágrafo único do CP, e 386, V, do CPP. (TRF Ap. 1999.04.01.012410-6/RS 4 a R. 1 a T. Rel. Juiz Guilherme Beltrami j. 25.04.2000 v.u. DJU 17.05.2000 p. 53). DIFERENÇAS - ESTELIONATO E APROPRIAÇAO INDÉBITA

No tipo do estelionato, o dolo antecede a posse da coisa, enquanto na apropriação indébita o dolo é, em regra, posterior, de modo que, a conduta do réu em vender a mercadoria que estava em depósito é subseqüente ao ato da posse da coisa alheia móvel, a qual já detinha licitamente por força do contrato de depósito, caracterizando-se como apropriação indébita e não como capitulado na denúncia (disposição de coisa alheia como própria - art. 171, 2º, I, CP, subtipo do estelionato). (TRF4 - ACR 24482 RS 2001.04.01.024482-0 - Órgão Julgador: OITAVA TURMA - Relator: MANOEL LAURO VOLKMER DE CASTILHO Data do Julgamento: 08/04/2002). DISPOSIÇÃO DE COISA ALHEIA COMO PRÓPRIA STJ Para que se tipifique o estelionato, na modalidade disposição de coisa alheia como própria (art. 171, 2o., I do CPB), exige-se a demonstração da obtenção, para si ou para outrem, da vantagem ilícita, do prejuízo alheio, do artifício, do ardil ou do meio fraudulento empregado com a venda, a permuta, a dação em pagamento, a locação ou a entrega, em garantia, da coisa de que não se tem a propriedade. (STJ - REsp 1094325 SP 2008/0222128-4 - Órgão Julgador: T5 - QUINTA TURMA - Relator Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO Data do Julgamento: 14/04/2009). PENAL. PROCESSUAL PENAL. LOTEAMENTO IRREGULAR DE SOLO URBANO. DISPOSIÇÃO DE COISA ALHEIA COMO PRÓPRIA. COMPETÊNCIA. JUSTIÇA FEDERAL. DANO DIRETO A BEM E INTERESSE DA UNIÃO. ART. 109, IV DA CARTA MAIOR. PROCESSAMENTO E JULGAMENTO PELA JUSTIÇA FEDERAL. RECURSO CRIMINAL PROVIDO.1. Em se tratando de crime de loteamento irregular de solo urbano em terreno de propriedade da União, a competência para julgamento e processamento do feito é da Justiça Federal, a teor do art. 109, IV, da Constituição da República. Precedentes. 2. Embora a regra seja a competência da justiça estadual para o processamento e julgamento de crimes de disposição de coisa alheia como própria, no caso, constatou-se dano direto a bem e interesse da União Federal (vítima mediata), o que conduz à modificação desse critério, por prevalecer a regra do art. 109, IV da Carta Maior. Precedente do Col. Superior Tribunal de Justiça, do eg. Superior Tribunal de Justiça e desta Corte Regional Federal. (TRF1 - RECURSO EM SENTIDO ESTRITO: RSE 2356 RR 2005.42.00.002356-2 - Órgão Julgador: QUARTA TURMA - Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL I'TALO FIORAVANTI SABO MENDES Data do Julgamento: 02/02/2009). PENAL. HABEAS CORPUS. ESTELIONATO. ALIENAÇÃO DE COISA ALHEIA COMO PRÓPRIA. CESSÃO DE POSSE DE TERRAS PÚBLICAS. Não tem aptidão técnica para prosperar a denúncia que, aludindo à venda, pelo acusado, como próprias, de terras públicas da União, na realidade se reporta a uma "escritura particular de cessão de direitos de posse", figura negocial puramente obrigacional, sem nenhuma valência para transmitir domínio. Não constitui estelionato a cessão de direitos de posse de terras tidas como sendo da

União, pois a posse é uma realidade jurídica e econômica diversa do domínio, podendo ser objeto de negócios obrigacionais, não havendo na cessão, por outro lado, artifício, ardil ou outro meio fraudulento para obter vantagem ilícita, dado que o cedente - paciente, no caso - disse expressamente o que cedia, sabendo o cessionário o que estava adquirindo: apenas a posse. Ordem de habeas corpus que se concede. (TRF1 - HC 14344 AM 2006.01.00.014344-3 - Órgão Julgador: TERCEIRA TURMA - Relator DESEMBARGADOR FEDERAL OLINDO MENEZES Data do Julgamento: 06/06/2006). PENAL E PROCESSUAL PENAL. ESTELIONATO. DISPOSIÇÃO DE COISA ALHEIA COMO PRÓPRIA (ART. 171, PARÁGRAFO 2º, I, DO CP). CONTRATOS DE PENHOR COM A CEF. JÓIAS ROUBADAS DADAS EM GARANTIA. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. NÃO APLICAÇÃO. CRIME COMETIDO CONTRA INSTITUTO DE ECONOMIA POPULAR. INCIDÊNCIA DO AUMENTO DE PENA DO PARÁGRAFO 3º DO ART. 171, DO CP. O princípio da insignificância há de ser utilizado de maneira excepcional, para não se tornar um incentivo às práticas delituosas; de resto, não é mera bagatela prejuízo estipulado em R$ 3.200,00 (três mil e duzentos reais); Tratando-se de modalidade de estelionato praticado contra a CEF (verdadeiro instituto de economia popular), aplica-se a causa de aumento da pena estampada no parágrafo 3º, do Art. 171, do CP. (TRF5 - ACR 4623 PE 2005.83.00.006162-0 - Órgão Julgador: Terceira Turma - Relator Desembargador Federal Paulo Roberto de Oliveira Lima Data do Julgamento: 12/06/2008. RECURSO EM SENTIDO ESTRITO - REJEIÇÃO DE QUEIXA-CRIME - ESTELIONATO NA MODALIDADE ALIENAÇÃO OU ONERAÇÃO FRAUDULENTA DE COISA PRÓPRIA - ILEGITIMIDADE - AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA - INÉRCIA DO ÓRGÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO NÃO CONFIGURADA - RECURSO IMPROVIDO. (TJMS RESE 11453 MS 2007.011453-7 - Órgão Julgador: 1ª Turma Criminal - Relator Des. Gilberto da Silva Castro Data do Julgamento: 19/06/2007). ALIENAÇÃO OU ONERAÇÃO FRAUDULENTA DE COISA PRÓPRIA Estelionato. Alienação fraudulenta de coisa própria - Art 171, 2o, II, do Código Penal - Crime configurado - Venda para a vítima de terreno que já estava compromissado à venda com terceiro, silenciando-se sobre tal circunstância - Provas seguras demonstrando a participação da apelante no crime, que resultou configurado em todos os seus elementos constitutivos, pois, valendo- se de expediente fraudulento, os agentes enganaram a vítima e receberam a vantagem ilícita. (TJSP - ACR 1191639390000000 SP - Órgão Julgador: 9ª Câmara de Direito Criminal D - Relator: Djalma Rubens Lofrano Filho Data do Julgamento: 29/09/2008). DEFRAUDAÇÃO DE PENHOR STJ O crime de defraudação de penhor se configura com a obtenção de vantagem indevida, oriunda da alienação, de qualquer modo, de bem dado em penhor, seja ele fungível ou infungível. Caso o bem alienado seja fungível, é possível a reparação do dano, através da reposição do produto empenhado, bem como quitação

da dívida em tempo, de modo a não causar prejuízo ao credor.(stj - RHC 23199 SP 2008/0050506-5 - Órgão Julgador: T6 - SEXTA TURMA - Relatora Ministra JANE SILVA (DESEMBARGADORA CONVOCADA DO TJ/MG) Data do Julgamento: 02/06/2008). No momento em que o devedor, a despeito de ter oferecido bens imóveis como garantia, frauda o objeto da avença, alienando o produto sem consentimento do credor, há uma quebra de confiança que repercute na própria política de concessão de crédito para financiamento agrícola, dificultando consideravelmente a obtenção do benefício por parte de outros agricultores, o que não torna, portanto, atípica a conduta. O delito de defraudação de penhor é crime formal, ou seja, prescinde de resultado material para sua consumação. Precedentes. Para a configuração do crime, é necessário que haja o dolo de fraudar a garantia pignoratícia mediante alienação não consentida. O elemento subjetivo do injusto está comprovado na injustificada defraudação da garantia, sem que houvesse necessidades urgentes de se utilizar do bem empenhado para evitar danos financeiros irreparáveis. (TRF1 - APELAÇÃO CRIMINAL: ACR 1173 TO 1999.43.00.001173-1 - Órgão Julgador: TERCEIRA TURMA - Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL OLINDO MENEZES Data do Julgamento: 15/01/2008). PENAL. PROCESSO PENAL. ESTELIONATO. DEFRAUDAÇÃO DE PENHOR. AUTORIA DELITIVA. ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO. NÃO CONFIGURAÇÃO. SENTENÇA ABSOLUTÓRIA MANTIDA. Apesar da existência de prova da materialidade, não ficou demonstrado que o apelado foi o autor da defraudação de penhor, inexistindo, assim, prova da autoria. O tipo do delito em questão é o dolo, ou seja, a vontade de praticar a alienação com a consciência de que se trata de objeto empenhado, circunstância esta não demonstrada nos autos. Meros indícios não bastam para um decreto condenatório, aplicando-se, in casu, o princípio do in dubio pro reo. (TRF1 - ACR 2511 MA 2000.37.00.002511-3 - Órgão Julgador: QUARTA TURMA - Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL HILTON QUEIROZ Data do Julgamento: 05/06/2007). O delito inscrito no artigo 171, 2º, III, do CP consuma-se quando a garantia pignoratícia é esbulhada, não exigindo vantagem patrimonial do agente. O dolo consiste tão-somente na alienação do bem que o agente sabe ser objeto da garantia. O conflito aparente de normas entre os crimes de defraudação de penhor e de apropriação indébita resolve-se pelo princípio da especialidade. Sendo o primeiro mais específico, prevalece no caso concreto. Comprovado que o penhor defraudado constituía garantia de operações do crédito subsidiado pelo governo federal, incide a causa de aumento prevista no art. 171, 3º, do CP, visto que há ofensa a interesse da União, atuando o Banco do Brasil, nesses casos, como mero agente executor da política agrícola nacional. Precedentes. (TRF4 -ACR 1780 RS 2000.71.10.001780-4 - Órgão Julgador: OITAVA TURMA - Relator ÉLCIO PINHEIRO DE CASTRO Data do Julgamento: 30/11/2005). FRAUDE NA ENTREGA DA COISA Envasamento de uísque mais barato em garrafa de uísque mais caro. Depósito com a finalidade de venda. Não obstante a controvérsia da adequação típica, o pleito de desclassificação do delito para o artigo 171, 2-, inciso IV, não é acolhido porque o tipo penal prevê que o objeto material do crime deva ser entregue a alguém ("defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém"), o que não é o caso. (TJSP Ap 993071283479 - Órgão julgador: 5ª Câmara de Direito Criminal D - Relator José Luiz de Jesus

Vieira - Data do julgamento: 28/11/2008). Não comete crime de estelionato na modalidade de fraude na entrega da coisa quem aliena o bem muito antes da constrição do bem em face de penhora, pois não existia, no momento da alienação, a obrigação de entregar a coisa. (TRF1 - ACR 7762 PA 2001.39.00.007762-1 - Órgão Julgador: TERCEIRA TURMA - Relator DESEMBARGADOR FEDERAL OLINDO MENEZES Data do Julgamento: 22/05/2007). FRAUDE PARA RECEBIMENTO DE INDENIZAÇÃO STJ Não há que se falar em crime impossível, pois os integrantes da polícia e da seguradora, tomando conhecimento da provável ocorrência de colisão dos veículos automotores, a qual seria provocada por parte dos membros da quadrilha, postaram-se de forma a observar como se daria o evento, ou seja, esperaram o deslinde da trama planejada pelos próprios delinqüentes, sem nenhuma provocação. Evidenciada hipótese de flagrante esperado, que não resulta em crime impossível. Precedente do STF. (STJ - HC 36311 RJ 2004/0087768-6 - Órgão Julgador: QUINTA TURMA - Relator: Ministro GILSON DIPP Data do Julgamento: 15/12/2004). Consta da denúncia que (...) R.D foi flagrado conduzindo o veículo Fiat-Fiorino Trekking, sendo o seu intento o de vendê-lo na Bolívia para posterior recebimento do seguro automotivo, por parte do proprietário, o co-réu R.B ora apelante e apelado, razão pela qual foram denunciados por crime de estelionato, previsto no art. 171, 2º, "V", do Código Penal. Quando da apreensão do veículo e a confissão de R.D, ainda não havia sido feita a comunicação à polícia (B.O. de f. 39) e nem a comunicação de sinistro à Seguradora (f. 32,35). Dessa forma, o crime ficou só na tentativa, pois foi descoberto antes das comunicações de praxe e, só ficou na tentativa por, não se sabe o porquê, mesmo tendo ciência do veículo ter sido apreendido, emitiu a autorização de f. 22, para que o próprio R.D retirasse o veículo da DEFURV, onde se encontrava apreendido. Digo isso porque, tendo assinado a autorização no dia 03/11/1997, só comunicou a autoridade policial e o seguro dias depois. Se não tivesse feito estas comunicações, nem sequer teria se dado o crime, nem mesmo de forma tentada, visto que não passaria de cogitações. (TJMS - ACR 22159 MS 2007.022159-5 - Órgão Julgador: 1ª Turma Criminal - Relator(a): Des. Gilberto da Silva Castro Data do Julgamento: 23/10/2007). FRAUDE POR MEIO DE CHEQUE STF Súmula 246 do STF. COMPROVADO NÃO TER HAVIDO FRAUDE, NÃO SE CONFIGURA O CRIME DE EMISSÃO DE CHEQUE SEM FUNDOS. Súmula 554 do STF. O PAGAMENTO DE CHEQUE EMITIDO SEM PROVISÃO DE FUNDOS, APÓS O RECEBIMENTO DA DENÚNCIA, NÃO OBSTA AO PROSSEGUIMENTO DA AÇÃO PENAL. STJ CHEQUE PRÉ-DATADO. ESTELIONATO. O paciente entregou cheques a seu irmão e ele utilizou-os na

aquisição de mercadorias junto à vítima, um comerciante. Sucede que os cheques foram sustados pelo paciente e, após, foram resgatados por seu irmão em troca de outros emitidos por sua filha, sobrinha do paciente, cheques igualmente sustados, o que frustrou o pagamento em prejuízo, mais uma vez, da vítima. Ordem de habeas corpus foi impetrada no Tribunal de Justiça em favor da sobrinha, ao final concedida por tratar-se de cheques pré-datados entregues à vítima para saldar débito preexistente, o que afasta o estelionato. Nesta sede, a Turma, igualmente, entendeu conceder a ordem ao paciente e, por extensão, a seu irmão, visto que os cheques em questão foram emitidos em garantia de dívida (preexistente o débito), anotando que o paciente sequer era devedor, quanto mais que a própria vítima, em depoimento dado em juízo, afirmou tratar-se de cheques pré-datados (Súm. n. 246-STF). Precedente citado: RHC 20.600-GO, DJ 25/2/2008. HC 96.132-SP, Rel. Min. Nilson Naves, julgado em 7/8/2008. Cheque com a data posterior à do negócio. Garantia de dívida. Descaracterização do estelionato. A emissão do cheque com data posterior ao negócio representa garantia de dívida assumida, perdendo a sua função de ordem de pagamento à vista, pelo que a inexistência de provisão de fundos na conta do emitente não serve para caracterizar o delito do art. 171, 2 o, VI, do CP. (STJ RHC Rel. Dias Trindade RT 659/322). O crime de estelionato consuma-se no momento que o agente obtém vantagem ilícita em prejuízo alheio. Verifica-se que não houve a intenção do acusado em fraudar em nenhum momento, tendo em vista que o acusado reconheceu e quitou as dívidas. Quando o pagamento for realizado antes do pagamento da denúncia desconfigura-se a tipificação penal do crime de estelionato no pagamento por meio de cheque. Não há o tipo penal configurado, logo, considera-se como atípica a conduta. (TJMA - ACR 195172008 MA - Órgão Julgador: SÃO LUÍS - Relator MÁRIO LIMA REIS Data do Julgamento: 13/03/2009)....) os cheques foram emitidos para pagamento futuro, vale dizer, foram dados como garantia de dívida, descaracterizando, assim, referido título de crédito e, por isso, sua não quitação não tipifica o crime de estelionato. Nelson Hungria, com reconhecida precisão, explica que "o tomador, ao receber o cheque, está ciente da ausência de provisão deve entender-se que o aceitou apenas como um título de dívida, e, assim, ou foi o próprio emitente que lhe deu tal ciência, e não haverá dolo específico do crime, ou, ainda que silente o sacador, deixará de haver o crime, porque o que a lei tutela, na espécie, é o cheque como instrumento de pagamento, e não como título probatório de dívida" ( Comentários Código Penal, 1a ed, vol VII, pág 242). (TJSP - Apelação Criminal com Revisão: ACR 926154350000000 SP - Órgão Julgador: 1ª Câmara de Direito Criminal B - Relator: André de Almeida Data do Julgamento: 05/12/2008). Estelionato - Cheque pré-datado - Caracterização do tipo fundamental do artigo 171, caput, do CP - Se a imputação não se baseia em emissão de cheque sem suficiente provisão de fundos, afigura-se irrelevante o fato de ele ser pré-datado - Condenação mantida - Recurso improvido. (TJSP - Apelação Criminal: ACR 928917320000000 SP - Órgão Julgador: 14ª Câmara de Direito Criminal B - Relator: Alexandre Coelho Data do Julgamento: 04/09/2008). Estelionato - Cheque pertencente a terceira pessoa, colocado em circulação, mediante falsificação da assinatura do titular da conta bancária Caracterização. A falsificação da assinatura, e a colocação em circulação de cheque pertencente a terceiro, configura o estelionato em sua forma fundamental. (TJSP - APR 11650433300 SP - Órgão Julgador: 14ª Câmara de Direito Criminal - Relator Wilson Barreira Data do Julgamento: 10/04/2008).

UTILIZAÇÃO DE CÁRTULA DE CHEQUE FRAUDADA PARA PAGAR AQUISIÇÃO DE MERCADORIA TORNA CLARA A CARACTERIZAÇÃO DA OBTENÇÃO DE VANTAGEM ILÍCITA EM PREJUÍZO ALHEIO, MEDIANTE INDUZIMENTO DE OUTREM A ERRO. NÃO SE CONFIGURA O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA DIANTE DA UTILIZAÇÃO DE ARTIFÍCIO PARA O COMETIMENTO DO CRIME, REFORÇANDO AINDA MAIS O ELEVADO GRAU DE REPROVAÇÃO SOCIAL. O PEQUENO VALOR DO OBJETO NÃO É SUFICIENTE PARA CONFIGURAÇÃO DESSE PRINCÍPIO, MÁXIME SE O CONDENADO É REINCIDENTE. (TJDF - ACR 20040510008824 DF - Órgão Julgador: 2ª Turma Criminal - Relator VAZ DE MELLO Data do Julgamento: 15/12/2005). Cheque Desnaturação como ordem de pagamento à vista Emissão para garantia de dívida novação afastamento do ilícito previsto no artigo 171, 2 o, inciso VI, do Código Penal Situação em que a fraude é excluí-da. Os cheques foram dados em garantia de dívida, não para pagamento à vista, mas sim para pagamento futuro. Condição que os tornam passíveis de execução civil, mas não configurantes de ilícito penal. Depreende-se dos autos tratar-se de novação da dívida, fenômeno jurídico excludente da tipicidade do crime de fraude. (TJSP 1 a Câmara Criminal Denúncia 261.9303/0-00 Nhandeara SP Rel. Fortes Barbosa j. 19.04.99 v.u.). O evento do art. 16 da Nova Parte Geral do Código Penal não é incompatível com a aplicação das Súmulas n os 246 e 554 do Supremo Tribunal Federal, que devem ser entendidas complementamente aos casos em que se verifiquem os seus supostos. Não há justa causa para ação penal se pago o cheque emitido sem suficiente provisão de fundos, antes da propositura da ação penal, se a proposta acusatória não demonstra que houve fraude no pagamento por meio de cheque, não configurando o crime do art. 171, 2 o, VI, do CP (TACRIMSP RJDTACRIM 1/96). Cheque sem fundos emitido em garantia de dívida. Inexistência de crime. Se o cheque é dado em garantia de dívida, embora sem a necessária provisão de fundos, não configura o crime de estelionato, previsto na art. 171, 2 o, VI, do CP, nos termos da Súmula 246, porque excluída estaria a possibilidade de fraude (TAPR Rev. Rel. Oswaldo Espíndola RT 553/420). Estelionato. Inocorrência. Cheque pós-datado como pagamento de compra feita pelo acusado. Ausência de fundos do mesmo. Prova da fraude, contudo, inexistente. Não provada a conduta criminosa pela ausência de fraude, não se configura o delito de estelionato, consistente na emissão de cheque pós-datado em pagamento de dívida e que se constatou, posteriormente, não possuir fundos. (TAPR AC Rel. Munhoz Gonçalves RT 510/435). O cheque pós-datado, dado para pagamento futuro, por ter sido descaracterizado como verdadeiro cheque, não tipifica o delito do art. 171, 2 o, VI, do CP. (TACRIMSP AC Rel. Clineu Ferreira JUTACRIM 93/128). MAJORANTES: STJ ESTELIONATO. INSS. REVISÃO. BENEFÍCIO. Os pacientes, agindo como advogados de pessoa analfabeta, ajuizaram ação de revisão de benefício previdenciário lastreados em anotações em carteira de trabalho e comprovantes da qualidade de segurado de seu marido. A ação foi, ao final, julgada procedente em parte; porém, iniciada a execução, o INSS, após sete

anos de lide, informou ao juízo que inexistia a concessão do benefício cuja revisão se buscava, o que culminou com a denúncia dos acusados pela suposta prática de estelionato contra o INSS. Os pacientes, por sua vez, alegam a inépcia da denúncia dada a atipicidade da conduta a eles atribuída. Quanto a isso, anotese, primeiramente, que, tal como aduziu o MP em seu parecer, o direito subjetivo de buscar o Poder Judiciário, um dos mais relevantes pilares do Estado democrático de direito, é inalienável. Daí que almejar a prestação da tutela jurisdicional, em si mesma, ainda que mediante pedido absurdo ou manifestamente improcedente, não pode ser equiparado a tentar induzir a erro o réu ou o próprio juízo, quanto mais se acostados documentos que comprovariam o suposto direito. Mostra-se evidente que induzir alguém a erro com o objetivo de obter vantagem pessoal é conduta típica, mas trazer a juízo pretensões infundadas não o é. Consta, também, da própria exordial acusatória que aquela autarquia, já ao tempo da contestação, tinha condições de informar o juízo da inexistência do benefício e, se ela, a detentora dos competentes registros, desconhecia esse fato, só se dando conta disso anos depois de ajuizada a ação, não é de se exigir, tal como a denúncia, que os pacientes tivessem conhecimento prévio dele, diante mesmo dos parcos documentos utilizados na ação. Outrossim, consta dos autos que o INSS chegou a atestar a existência do respectivo processo de pensão em seu banco de dados, mas, só após um ano, deu-se conta de seu indeferimento por motivo de perda da qualidade do segurado. Por isso tudo, atribui-se a prática de crime aos pacientes por ajuizar ação de revisão de benefício previdenciário, quando deveriam ter promovido ação de concessão, o que não pode prevalecer. Com esses fundamentos, a Turma concedeu a ordem para trancar a ação penal. HC 28.694-SP, Rel. Min. Paulo Gallotti, julgado em 18/6/2009. A conduta de servidor do INSS de habilitar e conceder indevidamente aposentadoria por tempo de serviço a terceira pessoa, agindo de forma fraudulenta, amolda-se ao tipo previsto no 3º do art. 171 do Código Penal - estelionato cometido contra a autarquia previdenciária. Não se trata, no caso, de subtração de bens ou valores, em proveito alheio, valendo-se da facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário público, mas da obtenção, para outrem, de vantagem indevida, mediante meio fraudulento. A conduta, portanto, não se subsume ao tipo de peculato-furto, mas ao estelionato na modalidade majorada, porque praticada contra entidade previdenciária. (STJ - HC 112842 PA 2008/0172899-6 - Órgão Julgador: QUINTA TURMA - Relator: Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA Data do Julgamento: 24/11/2008). PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. ESTELIONATO MAJORADO. ART. 171, PARÁGRAFO 3º, DO CÓDIGO PENAL. INSERÇÃO DE INFORMAÇÕES INVERÍDICAS EM DOCUMENTOS DESTINADOS À RECEITA FEDERAL (DIRF). RECEBIMENTO DE INDEVIDAS RESTITUIÇÕES DE IMPOSTO DE RENDA. DOLO CARACTERIZADO. (TRF5 ACR 5424 CE 2005.81.00.014498-2 - Órgão Julgador: Primeira Turma - Relator: Desembargador Federal Ubaldo Ataíde Cavalcante Data do Julgamento: 20/02/2008. Comprovadas a autoria e a materialidade do delito, consubstanciadas no aliciamento de trabalhadores rurais temporários para a obtenção fraudulenta do seguro-desemprego, mediante paga, forçoso reconhecer a correção do decreto condenatório. Mostra-se escorreita a sentença que, sopesando as nuances dos autos, aplica a qualificadora do art. 171, CP e a majorante do crime continuado. (TRF5 - ACR 5342 AL 2005.80.00.005486-3 - Órgão Julgador: Segunda Turma - Relator Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria Data do Julgamento: 03/03/2008).

Para a caracterização do delito de peculato, na modalidade prevista no caput do art. 312 do CP, é imprescindível que o agente, em razão do cargo público por ele titularizado, tenha a posse lícita do bem apropriado. Afigurando-se a posse viciada em sua origem, ou seja, tendo o servidor a adquirido mediante fraude ou outro ardil, o crime perpetrado poderá ser o de peculato-furto (CP, art. 312, 1º)ou então o de estelionato (art. 171 do CP). 2. Distingue-se o estelionato da modalidade imprópria do peculato (peculatofurto) em razão do intuito com que praticada a fraude. Enquanto no crime de estelionato a fraude tem o objetivo de enganar o ofendido para que este consinta em entregar a coisa ao agente (incidindo em erro a vítima), no delito de peculato-furto, quando praticado mediante fraude, esta, assim como no crime de furto mediante fraude (art. 155, 4º, II, do CP), é utilizada para iludir a atenção ou vigilância da vítima, de modo a facilitar a subtração. (TRF4 - RVCR 30629 RS 2003.04.01.030629-9 - Órgão Julgador: QUARTA SEÇÃO Data do Julgamento: 31/03/2005) IV QUESTÕES 1) MAGISTRATURA SC 2009 44. Assinale a alternativa INCORRETA: a) O crime de fraude no comércio, consistente em enganar, no exercício de atividade comercial, o adquirente ou consumidor, admite a forma privilegiada. b) A inscrição no registro civil, de nascimento inexistente, prevista no art. 241 do Código Penal, admite o reconhecimento da forma privilegiada ou o perdão judicial se o crime foi praticado por motivo de reconhecida nobreza. c) Abusar, em proveito próprio ou alheio, de necessidade, paixão ou inexperiência de menor, ou da alienação ou debilidade mental de outrem, induzindo qualquer deles à prática de ato suscetível de produzir efeito jurídico, em prejuízo próprio ou de terceiro, é a descrição do crime de abuso de incapazes, previsto no art. 173 do Código Penal. d) Depende de representação a ação penal para o crime de tomar refeição em restaurante sem dispor de recursos para efetuar o pagamento. e) No crime de falsificação de documento público, previsto no art. 297 do Código Penal, a pena é aumentada de sexta parte se o agente é funcionário público e comete o crime prevalecendo-se do cargo. GABARITO B 2) DELEGADO SC 2008 05) Analise as alternativas e assinale a correta. A) No crime de estelionato dois podem ser os sujeitos passivos: a pessoa induzida ou mantida em erro e terceira pessoa que sofre a lesão patrimonial. B) Quem mata o dono da coisa, sem poder consumar a subtração patrimonial que almejava,responde, segundo orientação predominante da jurisprudência, por homicídio simples consumado, em concurso com tentativa de roubo. C) Sendo o agente primário e de pequeno valor a coisa roubada, poderá o juiz substituir a pena de reclusão aplicável por detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou sujeitar o condenado somente à pena pecuniária.