Máquinas e Equipamentos de Qualidade 83
A indústria brasileira de máquinas e equipamentos caracteriza-se pelo constante investimento no desenvolvimento tecnológico. A capacidade competitiva e o faturamento global do setor nos últimos anos foram fatores altamente positivos para o desenvolvimento econômico do país. Em 2004 as exportações bateram recorde histórico. No entanto, em 2005 o consumo de máquinas começou a diminuir. O texto aponta fatores e razões que têm gerado os principais gargalos que restringem o crescimento da indústria de máquinas e equipamentos no país. A indústria brasileira de máquinas e equipamentos ocupa a décima posição no ranking mundial e o quarto lugar nas exportações brasileiras. Atualmente, é composta por 4,5 mil empresas, em sua maioria de pequeno e médio portes (90%), instaladas no Estado de São Paulo (69%), seguido pelo Rio Grande do Sul (11%), Rio de Janeiro (6%), Santa Catarina (5%), Paraná (4%), Minas Gerais (3%) e nos demais Estados da nação (2%). Além disso, 80% é de capital nacional e 20% estrangeiro. O setor caracteriza-se pelo investimento constante na produção e desenvolvimento tecnológico. Outro aspecto importante para sua definição é o alto nível de emprego, superior a 210 mil pessoas, e a estabilidade do quadro funcional, uma vez que é composto por mão-deobra altamente especializada. 85
Apesar das turbulências da economia brasileira, o setor tem conseguido obter um crescimento constante em seu faturamento. Em 2004, teve o melhor desempenho dos últimos nove anos, quando houve a implantação do Plano Real, além de recorde de exportações, alcançando o equilíbrio na balança comercial. Desempenho positivo O setor atingiu um faturamento de R$ 45,613 bilhões em 2004, com crescimento de 30% sobre 2003. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Newton de Mello, esse desempenho é muito positivo para o desenvolvimento econômico do País, pois representa o aumento da capacidade e da competitividade da indústria brasileira de um modo geral, uma vez que o setor é multiplicador de riquezas. Em 2004, o faturamento global do setor foi puxado tanto pelas exportações, que somaram US$ 6,841 bilhões, com um crescimento de 38,5% sobre 2003, quanto pelo mercado interno. O crescimento de 20,6% do consumo aparente resultado da produção, mais as importações, menos as exportações reflete um aquecimento do mercado interno. Segundo os indicadores econômicos da Abimaq, do total do faturamento do setor, 56,2% corresponde ao mercado interno e 43,8% ao mercado externo. Nenhum país, entre os cerca de 20 produtores mundiais de máquinas, pode pretender ter uma oferta de todos os tipos de equipamentos. O Brasil se desenvolveu no sentido correto, concentrando-se naqueles tipos de bens de capital em que tem qualidade e competitividade. Além da produção nacional de máquinas e equipamentos atingir fatia importante do mercado local, exporta quase 44% de sua produção. 86
Porto de Santos - Exportação de máquinas pesadas Equilíbrio da balança comercial Também em 2004, após dois anos de forte crescimento das vendas externas, o setor de máquinas e equipamentos atingiu o equilíbrio de sua balança comercial, com leve vantagem das exportações sobre as importações. As exportações bateram recorde histórico. Chegaram a um total de US$ 6,841 bilhões, o que representa um crescimento de 38,5% sobre 2003. Já as importações atingiram US$ 6,836, com aumento de 18% sobre o total importado em 2003. Ao analisar os dados, o presidente da Abimaq, Newton de Mello, enfatizou o esforço do fabricante brasileiro que, após a desvalorização cambial de 1999, foi à busca do mercado externo e da competitividade necessária, contribuindo para a conquista de relevância do setor, que é o segundo maior exportador industrial brasileiro. 87
Solda industrial Outro fator que contribuiu para a elevação das exportações foi a cotação do dólar em 2003 até meados de 2004, auferindo competitividade às máquinas produzidas pela indústria local em mercados onde o preço é importante. Além disso, houve a reativação da indústria nos Estados Unidos e Europa, e grande penetração em países da América Latina, como México e Argentina, onde a recuperação da indústria ajudou bastante. É importante destacar também a questão do aprimoramento tecnológico, que conferiu um nível de qualidade bastante elevado aos bens de capital mecânicos, possibilitando o expressivo crescimento das exportações por dois anos consecutivos. Os principais destinos das exportações demonstram o grau de competitividade e desenvolvimento tecnológico alcançado pelas máquinas e equipamentos produzidos pela indústria local. Os Estados Unidos lideram, seguido pela Argentina, Alemanha, México e Reino Unido. 88
Os segmentos que mais contribuíram para o total das exportações, em 2004, foram o de máquinas rodoviárias (US$ 1,086 bilhões e crescimento de 93,25%), o de compressores (US$ 618 milhões 14,04%), máquinas agrícolas (US$ 536 milhões 63,74%), bombas (US$ 367 milhões 66,52%) e transmissão mecânica (US$ 232 milhôes 58,65%). Sinal de desaquecimento Em 2005, no entanto, o consumo de máquinas, no Brasil, já começa a mostrar um esfriamento e essa tendência, quando iniciada, é de difícil reversão. As razões são as altas taxas de juros e a baixíssima cotação do dólar, que geram queda de competitividade do bem de capital brasileiro. O primeiro segmento a apontar o movimento negativo foi o de máquinas e implementos agrícolas, que vem apresentando desaceleração no desempenho econômico desde o ano passado. Primeiramente por razões burocráticas, o segmento passou por uma dificuldade momentânea na liberação dos financiamentos do Moderfrota, linha de crédito do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), específica para máquinas agrícolas, que resultou em dois a três meses de paralisação das operações. Esse fator afetou fortemente o segmento justamente no período de maior demanda de máquinas agrícolas. Quando o problema burocrático foi resolvido, a safra já havia passado. Em seguida a esse fenômeno, houve uma forte queda das cotações das commodities agrícolas no exterior, que foi associada à desvalorização do dólar frente ao real. Todos esses fatos adversos contribuíram para o pessimismo dos empresários do segmento em face do cancelamento dos pedidos e 89
desativação de novas encomendas no segundo semestre do ano passado. Somado ao dólar desvalorizado frente ao real, houve o problema da seca em alguns Estados do sul do País, que afetou a soja, o algodão e, inclusive, a safrinha do milho. De um modo geral, os empresários do setor começam a fazer um prognóstico negativo do futuro. Embora os indicadores econômicos do setor ainda estejam positivos, na grande média, os números já começam a mostrar decréscimos em vários segmentos, que antes estavam restritos a máquinas e implementos agrícolas. Desaceleração do crescimento Nesse sentido, a Abimaq revisou a estimativa de crescimento do faturamento do setor para 2005. A previsão de crescimento de até 15%, no começo do ano, passou para zero em meados de 2005, com os empresários acreditando que vão empatar com o resultado de 2004. Com relação às exportações, a tendência também é de redução. Os resultados demoram a acusar decréscimo, porque refletem o faturamento de pedidos fechados meses e até anos atrás uma vez que há equipamentos de longuíssimo ciclo de produção. As empresas do setor estão perdendo espaços, duramente conquistados no mercado internacional em face da desvalorização do dólar frente à moeda brasileira. A Abimaq tem mostrado, ainda, que a instabilidade cambial, com oscilações agudas, torna praticamente impossível o planejamento das empresas importadoras e exportadoras de bens de capital. 90
Indústria - Mecânica Pesada - Piracicaba - SP 91
Principais gargalos Entre os principais gargalos que restringem o crescimento da indústria de máquinas e equipamentos no Brasil, destaca-se como um dos mais relevantes pleitos do setor a desoneração dos investimentos produtivos. Além de reduzir a zero a alíquota do IPI, outro pleito importante é a obtenção do crédito imediato do ICMS ao comprador de máquinas, que, até o momento, espera 48 meses para ser restituído. Não se trata de obter benefícios ou favores para o setor, mas de se equiparar aos cerca de 20 países produtores de bens de capital no mundo, que desoneram o investimento produtivo, possibilitando o crédito dos impostos para o comprador do bem de capital. O objetivo é estimular a compra da máquina, que embute uma carga tributária que varia de 25% a 30%, e produz bens, serviços e empregos. E contribuir para elevar o nível de investimento produtivo, fundamental para o crescimento sustentado do país. Com relação aos créditos do ICMS relativos às exportações, que só no Estado de São Paulo atingem o montante R$ 19,3 bilhões, o setor propõe sua transformação em títulos recebíveis federais. A proposta prevê que a União crie um fundo e transforme os créditos de ICMS não pagos em títulos, que poderiam ser negociados no mercado financeiro. A idéia é que o Estado, no lugar de pagar os créditos, ofereça um título para a empresa, que o descontaria junto ao governo federal. Um problema recorrente do setor, considerado crucial para essa indústria, é a elevação brutal do preço do aço. As conclusões de amplo estudo encomendado pela entidade demonstram que, em 2004, houve aumento de mais de 100% no preço do insumo, que tem uma participação de 17,46% nos custos de máquinas. 92
Engrenagens O setor é representado pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), cuja criação remonta a 1937, com a fundação do Sindicato dos Construtores de Máquinas e Acessórios Têxteis. Com 1,4 mil associados, a entidade defende os interesses do setor, realizando ações junto às instâncias políticas e econômicas, estimula o comércio e a cooperação internacionais e contribui para aprimorar o desempenho das empresas em aspectos que vão da tecnologia à capacitação dos recursos humanos, passando pela modernização gerencial. Newton de Mello Presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) www.abimaq.lorg.br 93