HEMOCENTRO RP PROCEDIMENTO OPERACIONAL

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1 P. 1/7 1. OBJETIVO Realizar a investigação imunohematológica em gestantes com risco de Doença Hemolítica Perinatal (DHPN) e Testes Pré-transfusionais para transfusão em pacientes com até 4 meses de vida, Exsanguineotransfusão e Transfusão Intra-útero. 2. APLICAÇÃO Pacientes com suspeita ou diagnóstico de Doença Hemolítica Perinatal e pacientes com até 4 meses de vida que necessitem de transfusão no Hemocentro e suas unidades. 3. RESPONSABILIDADE Técnicos de Laboratório, Assistente de Laboratório e Aprimorandos. *2 4. CONDIÇÕES GERAIS 4.1 Amostras da mãe: Colher 1 tubo com anticoagulante próprio (EDTA) e 1 tubo sem anticoagulante. Amostra do RN: Colher amostra em tubo com anticoagulante próprio EDTA. 4.2 As amostras devem estar isentas de hemólise mecânica. 4.3 As amostras deverão ser centrifugadas de acordo com a validação das centrífugas. 4.4 Sendo para preparo pré-transfusional, a amostra do receptor só poderá ser usada quando colhida até 48 horas antes da transfusão. 4.5 No caso de receptor, a amostra com anticoagulante é estocada refrigerada e o soro é estocado congelado por aproximadamente trinta dias, para análises posteriores a transfusão, nos casos de reação pós-transfusional tardia. 4.6 Identificações da amostra: Deve conter a etiqueta de código de barras corretamente aderida ao tubo, devidamente tampada (tampa roxa) e tubo íntegro ou ser corretamente identificada de maneira legível contendo: nome completo, registro, data de nascimento, localização e nome do responsável pela coleta. 5. CONDIÇÕES ESPECÍFICAS *1 Contra indicações ao uso do SAG manitol ( relacionadas a esse procedimento): *4 Transfusão intra-uterina; Exsanguíneo transfusão; RN *4 *4 Quando houver necessidade de encaminhar a bolsa ao fracionamento para ser lavada, esta deverá estar identificada que se trata de bolsa para exsanguíneo transfusão ou transfusão intra útero. *1 Para RN com peso menor que 1200g deverá ser transfundido produtos desleucocitados. *2

2 P. 2/7 Para transfusão em RN e criança com até 4 meses de vida, exsanguineotransfusão e transfusão intra-útero, não utilizar CH PAI positivo, exceto em casos de DHPN por anticorpo materno raro quando for necessária a doação da mãe para seu próprio RN. *2 *4 6. PROCEDIMENTO 6.1 Testes pré-transfusionais em RN e criança com até 4 meses de vida: Realizar na amostra pré-transfusional inicial do RN e criança com até 4 meses de vida: Fenotipagem ABO direta (TEIH 1.1.1) Fenotipagem RhD (TEIH 1.3.1) Obs1: A fenotipagem ABO e RhD do RN e criança com até 4 meses de vida numa mesma internação deverá ser realizada em 2 amostras diferentes. Deverá ser repetida no caso de outra internação ou se a informação a respeito de nova internação não estiver disponível. Obs2: Na rotina do RN ao nascimento (rotina de maternidade), a tipagem deverá seguir a rotina de doador (com Anti-D blend + Anti-D IgG + pesquisa de fraco ) pois a detecção de D fraco será decisiva na indicação pela equipe médica do uso de Rhogan (Imunoglobulina Anti-D) para evitar a sensibilização da mãe RhD negativa. Nas futuras tipagens pré-transfusionais (RN como receptor), deve ser seguida a rotina de pacientes, não havendo a necessidade da fase de AGH. *3 *4 Realizar a PAI (TEIH 1.5 ou 4.3). Dar preferência para a técnica em gel se a quantidade de amostra disponível for pequena. Esta pesquisa pode ser realizada utilizando o soro do neonato ou da mãe. Se a PAI for positiva realizar a identificação de anticorpos irregulares (TEIH 3.2 ou TEIH 4.5) Seleção dos hemocomponentes para transfusão em RN e/ou crianças com até 4 meses de vida: Se as hemácias selecionadas para transfusão não são do grupo O, deve ser investigada a presença de anti-a ou anti-b no soro ou plasma do neonato (prova reversa) com métodos que incluam a fase de antiglobulina. Este teste não precisa ser realizado se for realizada a fenotipagem ABO da mãe e esta for a mesma do RN e/ou crianças com até 4 meses de vida. Quando a mãe e o RN apresentarem o mesmo tipo ABO, tentar sempre que possível transfundir CH ABO idêntico, especialmente na exsanguíneo transfusão. *4 Se não houver anti-a ou anti-b detectável até a fase de antiglobulina não é necessário efetuar subsequentes provas de compatibilidade em criança com até 4 meses de vida numa mesma internação. Se houver a detecção de anti-a ou anti-b deverá ser transfundido concentrado de hemácias do grupo O até que o anticorpo deixe de ser detectável. Estas unidades não necessitam ser compatibilizadas. Se um neonato do grupo A, B ou AB recebeu hemocomponentes contendo anti-a e ou anti-b, e as hemácias selecionadas para transfusão não são do grupo O, deverá ser investigada no soro ou plasma do neonato a presença de anti-a e/ou anti-b e a regra descrita no item anterior deverá ser obedecida. Se a PAI for negativa não é necessário realizar prova cruzada em criança com até 4 meses de vida se as hemácias selecionadas para transfusão forem do grupo O. * 2

3 P. 3/7 Se a PAI demonstrar a presença de anticorpos clinicamente significativos, a transfusão deverá ser feita com unidades que não contenham os antígenos correspondentes. Estas unidades deverão ser compatibilizadas com o soro do RN ou da mãe. Sempre que possível utilizar alíquotas da mesma bolsa para transfusão do RN respeitando o limite de 10 dias após a coleta da bolsa. *1 6.2 Exsanguineotransfusão Para o preparo de exsanguineotransfusão seguir os mesmos testes para pacientes com até 4 meses de vida (item 5.1) acrescido do Teste Direto da Antiglobulina e Teste de Compatibilidade (utilizando soro ou eluato do RN), se a amostra da mãe não estiver disponível. Caso a amostra da mãe esteja disponível realizar: Fenotipagem ABO/RhD, PAI, Identificação de Anticorpos se pertinente e Teste de Compatibilidade com o soro da mãe. Seleção do hemocomponente: Preferencialmente CH com até 5 dias de coleta irradiado e leucorreduzido. Caso não haja disponibilidade de sangue recente, pode ser utilizado sangue colhido há mais de 5 dias lavado, mediante autorização do médico assistente e do médico do serviço de hemoterapia (utilizar o registro Autorização médica para transfusão em situações especiais ). Utilizar CH ABO compatível com o RN e com a mãe (Tabela 1) e Rh compatível com o anticorpo do sistema Rh envolvido. No caso do anticorpo envolvido ser de outro sistema de grupo sanguíneo utilizar CH que não possua o antígeno envolvido. Quando a mãe e o RN apresentarem o mesmo tipo ABO, selecionar sempre que possível CH ABO idêntico. *4 Ressuspender o CH em Plasma Fresco ABO compatível com o RN ou AB RhD negativo obtendo um hematócrito de 45% a 55%. Para isto utilizar a fórmula HT 1 *V 1 =HT 2 *V 2, sendo: *1 o HT 1 : HT do CH original *1 o V 1 : volume de CH a ser utilizado *1 o HT 2 : HT pretendido (45 a 55%) *1 o V 2 : volume a ser preparado (volume final) *1 Ex: para se preparar 70 ml de sangue total reconstituído (V2) *1 HT 1 : HT obtido da bolsa = 70% *1 HT 2 : HT pretendido de 50% *1 V 1 = HT 2 *V2 = 50*70 = 50 ml é o volume de CH a ser utilizado no preparo da bolsa. *1 HT 1 70 Caso não seja possível obter o HT do CH original, utilizar a tabela 2 para reconstituição do CH em PFC. (Tabela 2). *1 Em caso de reconstituição de CH lavado, o cálculo deverá ser efetuado somente mediante utilização da fórmula HT1*V1=HT2*V2 com o valor de HT do CH lavado, não podendo ser utilizada a tabela 2. *1 A unidade ressuspensa terá validade de 24 horas após o descongelamento do plasma. Em geral 2 volemias de troca são realizadas: 170ml a 200ml/kg dependendo da idade gestacional, a termo ou prematuro respectivamente. Para a rotulagem do produto reconstituído aderir uma etiqueta suplementar contendo os

4 P. 4/7 seguintes dados: ABO/RhD do CH e do PFC, volume do CH e do PFC, hematócrito e volume total do produto final. Obs.: Adicionar 10% do volume solicitado para a realização do priming do equipo de transfusão. *1 6.3 Transfusão Intra-útero Realizar os testes pré-transfusionais utilizando amostra da mãe conforme descrito no POIH024 Selecionar para transfusão CH O RhD negativo, e negativo para o antígeno correspondente a eventual anticorpo materno, Kell negativo. *4 As unidades de CH devem ser irradiadas (o mais próximo possível do uso), leucorreduzidas e com até 5 dias de coleta ou lavadas. A unidade de CH ao final deverá possuir hematócrito entre 75% e 85%. Realizar o hematócrito e caso esteja fora do limite acertá-lo. Caso necessário proceder conforme item 6.0. * Investigação de DHPN Sempre que o serviço receber amostra para realização de investigação de DHPN realizar os seguintes exames na amostra do RN: Tipagem ABO (prova direta e prova reversa até fase de AGH) para esclarecer DHPN causada por anticorpos do sistema ABO. Tipagem RhD: Ficar atento caso o RN apresente TAD+ PAI e Identificação de Anticorpos, nos casos positivos. Estudar o eluato quando o TAD for positivo, especialmente quando não houver amostra de soro suficiente para realização do PAI ou PAI negativa. *4 *4 O eluato deve ser investigado na suspeita de DHPN quando o TAD é positivo, no entanto, em casos específicos, poderá ser realizado o eluato em amostras TAD negativo na tentativa de concentrar o anticorpo e comprovar sua presença. *4 Casos de DHPN não explicados por incompatibilidade ABO em mãe/rn com PAI negativa, pensar em anticorpo contra antígeno de baixa frequência herdado do pai. *4 Obs.: Caso a amostra da mãe esteja disponível realizar os seguintes testes: Tipagem ABO e RhD PAI e Identificação de Anticorpos, nos casos positivos Tabela 1 - Compatibilidade ABO para mãe e RN na reconstituição para exsanguineotransfusão RN A B AB O Mãe CH Plasma CH Plasma CH Plasma CH Plasma A A,O A, AB O B, AB A, O AB O O,A,B,AB B O A, AB B,O B, AB B, O AB O O,A,B,AB AB A,O A, AB B,O B, AB AB,A,B,O AB O O,A,B,AB 0 O A, AB O B, AB O AB O O,A,B,AB

5 P. 5/7 Tabela 2 - Reconstituição de CH em PFC com HT em torno de 50% *1 PEDIDO DE SANGUE TOTAL (ML) VOLUME CH (ML) VOLUME DE PFC (ML) 5 3,5 1,

6 P. 6/7 7. LABORATÓRIO DE PROCESSAMENTO E LCQ *1 7.1 Ao receber a solicitação de CH para transfusão intra-útero o funcionário do Laboratório de Fracionamento fará a lavagem manual do CH selecionado se: a data de coleta for maior que 5 dias, e/ou a bolsa foi coletada com SAG-Manitol e/ou existe solicitação médica de lavagem 7.2 Encaminhar a bolsa de CH lavada ou não ao LCQ. 7.3 O LCQ coletará amostra da bolsa disponibilizada pelo Processamento e fará a quantificação do HT Estando o resultado do HT entre 75 e 85 %, liberar para uso com etiqueta de especificação Caso o resultado esteja menor que 75 % efetuar o cálculo do volume de plasma a ser removido da bolsa por centrifugação, para correção do HT: HT 1 x V 1 = HT 2 x V 2 onde : o HT 1 : HT do CH o HT 2: HT pretendido (75 a 85%) o V 1: volume do CH o V 2 : volume de CH final V 1 V 2 = volume de salina/plasma a ser retirado. 7.4 A seguir, o LCQ devolverá a bolsa para o Processamento informando o volume de plasma/salina a ser removido. 7.5 O Processamento fará a centrifugação do CH lavado ou não utilizando para isso uma rotação pesada (4.650 x G, 4 C por 5 min) em qualquer centrífuga e fará a remoção do sobrenadante em conexão estéril, sem desprezar o mesmo até que os testes finais de HT sejam concluídos. *4 7.6 O LCQ receberá a bolsa novamente, coletará nova amostra e fará nova quantificação de HT. Estando o resultado do Ht entre 75 e 85 % liberar para uso com etiqueta de especificação. Caso o resultado e HT esteja acima de 85% retornar, por conexão estéril, parte do sobrenadante que não foi desprezado. 8. DOCUMENTOS COMPLEMENTARES POIH 24.1 Identificação e Recebimento de Amostras e de Solicitações de Transfusão. *3 POIH 24.2 Testes Pré-transfusionais. *3 POIH 24.3 Rotulagem, conferência e liberação de hemocomponentes. *3 Planilhas de Programas de centrifugação. *1 MECQ 004 Hematócrito. *1 MECQ 001 Obtenção do volume. *1 POF 012 Lavagem de Concentrado de hemácias. *1

7 P. 7/7 9. REGISTROS DA QUALIDADE Livro de Painel. Livro de Exames Imunohematológicos. Livro de Registro Pré-Transfusional. Caderno de trabalho do LCQ. *1 Aprovação Gerente do Laboratório de Imuno-Hematologia Data / / Diretor Responsável Data / / Implementação Gestão da Qualidade Data / /

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