Painel: LIMITES DA AUTONOMIA E DO CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

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1 Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão Secretaria de Gestão Encontro do 1º Ciclo de Debates Direito e Gestão Pública Núcleo Regional de São Paulo São Paulo-SP Painel: LIMITES DA AUTONOMIA E DO CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Controle, Democracia e Participação Popular: novas perspectivas do controle para o aperfeiçoamento da gestão pública brasileira Gustavo Justino de Oliveira Pós-Doutor em Direito Administrativo Universidade de Coimbra Professor de Direito Administrativo USP (Largo São Francisco) Advogado e Consultor em Direito Público e Terceiro Setor

2 PROVOCAÇÃO E REFLEXÕES

3 Provocação: Hoje, podemos definir a Administração Pública Brasileira como um conjunto de bens, serviços e pessoas, cercado de órgãos de controle por todos os lados Reflexão 1: Em que medida a massificação e (suposta) intensificação da atuação dos atuais órgãos de controles interno e externo da Administração Pública favorece o aperfeiçoamento da gestão pública brasileira? Reflexão 2: Em que medida a massificação e (suposta) intensificação da atuação dos atuais órgãos de controles interno e externo da Administração Pública favorece a efetivação dos direitos fundamentais, individuais e coletivos, dos cidadãos?

4 PERSPECTIVAS PARA A SOLUÇÃO DAS REFLEXÕES

5 PERSPECTIVA 1 CONTRATUALIZAÇÃO DA AÇÃO PÚBLICA, CONTROLE DE GESTÃO E RESPONSABILIZAÇÃO PELOS RESULTADOS

6 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NO FINAL SEC. XX NOVA GESTÃO PÚBLICA (NEW PUBLIC MANAGEMENT) E GERENCIALISMO Eficiência Foco no profissionalismo e autonomia do gerente público ( margem razoável para atuar ) Flexibilização do regime jurídico Avaliação de desempenho e controle de resultados - Responsabilização pelos resultados

7 Contrato de gestão (acordo de desempenho, acordo de resultados, contrato de resultados) Experiência do Estado de Minas Gerais, desde 2002/ LEI ESTADUAL N , de 01/07/2008 e DECRETO N , de 14/08/08 Controle de gestão baseia-se em objetivos, resultados, produtividade da ação pública implica acompanhamento simultâneo da atuação, com medidas corretivas a cada passo, impedindo a dispersão ou o mau uso dos recursos humanos e materiais alocados (MEDAUAR, 2009.)

8 BRASIL EMENDA CONSTITUCIONAL N. 19/98, 8 DO ART. 37 base constitucional do contrato de gestão A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: I o prazo de duração do contrato; II os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes; III a remuneração do pessoal. [sem grifo no original]

9 O CONTRATO DE GESTÃO NO GOVERNO FEDERAL Minuta de Projeto de lei, regulamenta o 8º do art. 37 e o 7º do art. 39 da Constituição, disciplinando os contratos de desempenho institucional no âmbito da administração pública federal direita e indireta Consulta pública, até Reunião de juristas na SEGES-MPO Brasília, O texto voltou à análise interna do Governo avaliação das flexibilidades decorrentes da autonomia ampliada dos órgãos e entidades Há intenção de apresentar o Projeto de Lei ao Congresso, ainda em 2009

10 Anteprojeto de Lei Orgânica da Administração Pública Federal e Entes de Colaboração Autoria: Comissão de Juristas constituída pela Portaria nº 426, de 6 de dezembro de 2007, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão Minuta entregue no MPO em

11 CAPÍTULO IV DO CONTRATO DE AUTONOMIA Art. 27. A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indireta pode ser ampliada mediante a celebração de contrato de autonomia, observadas as exigências desta Lei e o disposto no 8º do art. 37 da Constituição. 1o Contrato de autonomia é o acordo celebrado entre a entidade ou órgão supervisor e a entidade ou órgão supervisionado, por seus administradores, para o estabelecimento de metas de desempenho do supervisionado, com os respectivos prazos de execução e indicadores de qualidade, tendo como contrapartida a concessão de flexibilidades ou autonomias especiais.

12 FUNÇÕES DOS CONTRATOS DE GESTÃO, VOLTADAS AO APERFEIÇOAMENTO DA GESTÃO PÚBLICA E MELHORIA DO CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 1. Instrumento de coordenação administrativa, pois promove a interligação de diferentes órgãos e entidades da Administração pública (cooperação administrativa). 2. Instrumento de controle interno da Administração pública (contratualização da supervisão ministerial, nos termos previstos no Decreto-lei n 200/67). 3. Instrumento de referência para o exercício do controle externo da Administração pública - transparência administrativa; fiscalização e controle da eficiência

13 PERSPECTIVA 2 GOVERNANÇA PÚBLICA

14 Administração Pública no Séc. XXI Reforço das instituições políticas estatais e da capacidade de gestão pública Tentativas de encontrar soluções para os problemas e deficiências do modelo gerencialista - Administração Pós-Gerencial Política pública de modernização (perenidade da busca pela atualização da Administração Pública) Democratização da Administração Pública

15 GOVERNANÇA PÚBLICA Visa explicar o papel do Estado e da Administração Pública no atual cenário mundial Modelo alternativo a estruturas governamentais hierarquizadas, implicando que os governos sejam muito mais eficazes em um marco de economia globalizada, não somente atuando com capacidade máxima de gestão, mas também garantindo e respeitando as normas e valores próprios de uma sociedade democrática.

16 GOVERNANÇA PÚBLICA As origens da governança pública datam de meado da década de 90 do século 20, e traduzem um consenso de que a eficácia e a legitimidade da atuação pública se apóiam na qualidade da interação entre os distintos níveis de governo, e entre estes e as organizações empresariais e da sociedade civil. Evidente que a crescente solidificação da Governança Pública tende a provocar mudanças significativas na organização, na gestão e na atuação da Administração Pública brasileira.

17 PERSPECTIVA 3 PROCESSOS PARTICIPATIVOS DE DEBATE PÚBLICO E DE CONTROLE SOCIAL ACCOUNTABILITY

18 Princípio da democracia participativa Art. I-47º da Constituição da União Europeia 1. As instituições, recorrendo aos meios adequados, dão aos cidadãos e às associações representativas a possibilidade de expressarem e partilharem publicamente os seus pontos de vista sobre todos os domínios de ação da União. 2. As instituições estabelecem um diálogo aberto, transparente e regular com as associações representativas e com a sociedade civil. 3. A fim de assegurar a coerência e a transparência das ações da União, a Comissão procede a amplas consultas às partes interessadas. (...)

19 França Lei Barnier (95) e Lei n. 276/2002 (democracia de proximidade) COMISSION NATIONAL DE DÉBAT PUBLIC autoridade administrativa independente, encarregada de assegurar pelo respeito da participação da população no processo de elaboração dos projetos de infraestrutura de grande relevância, que apresentem fortes riscos socioeconômicos ou tenham impacto significativos sobre o meio ambiente ou a ordenação do território Concertação, diálogo, direito de informação, direito de participação, aperfeiçoamento da decisão pública

20 BRASIL Conselhos de Políticas Públicas Conferências Nacionais Audiências Públicas Consultas Públicas Orçamento Participativo Transparência da Lei de Responsabilidade Fiscal

21 Accountability prestação de contas do agente público, em uma relação mais direta com a população (horizontalização)

22 PERSPECTIVA 4 OMBUSDMAN OU PROVEDOR-GERAL DE JUSTIÇA A ENTRONIZAÇÃO DO STANDART DA BOA ADMINISTRAÇÃO

23 Art. I-49º da Constituição da União Europeia Provedor de Justiça Europeu O Provedor de Justiça Europeu, que é eleito pelo Parlamento Europeu, recebe queixas respeitantes a casos de má administração na atuação das instituições, órgãos ou organismos da União, nas condições estabelecidas pela Constituição. O Provedor de Justiça instrui essas queixas e apresenta relatórios sobre as mesmas. Exerce as suas funções com total independência

24 Código Europeu de Boa Conduta Administrativa, 2001 Foco no respeito e efetivação de direitos fundamentais do cidadão Aperfeiçoamento contínuo da gestão pública (boa administração), por órgão independente e externo à organização administrativa, focado na tutela dos direitos dos cidadãos frente à Administração

25 Ouvidorias-Gerais no Brasil adaptação da instituição do Ombudsman Crítica

26 SINALIZAÇÕES FINAIS

27 AS ADMINISTRAÇÕES PÚBLICAS SÃO UMA DAS COISAS MAIS IMPERFEITAS QUE EXISTEM, DEVIDO A SUA ESSENCIAL CONTRADIÇÃO. AO MESMO TEMPO SÃO EXTRAORDINARIAMENTE PODEROSAS E INERTES; OPRIMEM E SE DEIXAM ENGANAR INGENUAMENTE; POSSUEM RIQUEZAS IMENSAS E VIVEM EM CONTENÇÃO; FORAM CONCEBIDAS PARA FUNCIONAR SOB UMA ORDEM E VIVEM EM DESORDEM. ESTE É O DRAMA DO ESTADO CONTEMPORÂNEO (M. S. GIANNINI, Premissas sociológicas e históricas do direito administrativo, 1987).

28 Prof. Dr. Gustavo Justino de Oliveira CONSULTORIA EM DIREITO PÚBLICO E TERCEIRO SETOR Al. Lorena, 800/1405 Jardins - São Paulo - SP Brasil - CEP

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