PROJETO MUTAÇÕES: Cada um na sua, mas todos ligados em rede O mundo e o planeta Urbanização e cidades Globalização: o mundo em toda parte

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1 PROJETO MUTAÇÕES: O início do século XXI impressiona não apenas pelo volume das mudanças que se efetivaram em todos os campos da ação humana, mas também na velocidade com que elas têm se processado. Em muito pouco tempo, olhamos para o já velho, e distante, século XX com uma sensação de que os objetos, os saberes e as relações nele produzidos já não servem para compreender nossa experiência humana no século XXI. O tema Mutações, escolhido como mote para os projetos do Colégio Oficina em 2014, pretende investigar e debater alguns aspectos desse novo mundo, na busca de criar algumas referências (valores, saberes) que nos permitam uma leitura criteriosa da realidade tal qual ela se apresenta em movimento constante e, ao mesmo tempo, que sirvam para oportunizar a utilização dos recursos velhos e novos disponíveis no sentido de produzirmos um mundo ambientalmente sustentável, democrático e com maior justiça social. Para tanto, selecionamos temas que serão discutidos em cada uma das séries: 1- O 6º ano ficou com o tema Cada um na sua, mas todos ligados em rede que deverá discutir o impacto das novas tecnologias digitais na sociabilidade, discutir os usos que fazemos desses recursos e as possibilidades de aproximação entre o virtual e o real. 2- Para o 7º ano, o tema O mundo e o planeta colocará em debate o desafio ambiental e social na perspectiva do embate entre uma força homogeneizadora do processo de globalização e a diversidade dos lugares, com valores, crenças e ações particulares. 3- Urbanização e cidades é o tema do 8º ano que tem por finalidade debater as relações sociais que se desenvolvem nesses espaços, os processos que geram desigualdade social e a segregação espaciais, e a luta política pela democracia social e espacial e o direito à cidade. 4- Globalização: o mundo em toda parte, tema do 9º ano, pretende discutir as articulações entre o processo de globalização do espaço mundial e os lugares, tentando mostrar que, para além da simples reprodução dos processos globais, há,nos lugares, uma força um agenciamento que define a forma pela qual cada lugar se insere no processo de globalização que parece irreversível. No Ensino Médio os temas são: 1- Sociabilidades, relações e identidades em trânsito, para o 1º ano, cujo objetivo é colocar em questão a crise dos referenciais identitários tradicionais e as novas formas de identificação e relações que se desenvolvem a partir delas. As tribos urbanas, os conflitos de gerações e as novas formas de se relacionar com um mundo que, pela globalização, se torna cada vez mais híbrido e complexo. 2- Para o 2º ano o tema Política: o desafio da democracia no mundo do mercado globalizado quer colocar em questão a crise das formas tradicionais de representação política e as possibilidades e estratégias que têm se constituído a partir do novo conjunto de objetos e relações do mundo contemporâneo. As tendências de privatização do público e a publicização do privado no mundo contemporâneo, a (re) ocupação recente das ruas e as demandas daqueles que as ocuparam, e o papel das novas tecnologias na organização social e na ação política são questões que nos parecem fundamentais para o debate. 3- Para o 3º ano, o tema Da sociedade do trabalho à sociedade do consumo e do lazer quer colocar em questão o deslocamento da centralidade da vida que, no século XX, parecia vinculada ao trabalho e ao esforço para a construção de um mundo novo de longa duração, para uma sociedade centrada no consumo e o lazer, cuja referência espaço-tempo parece ser, cada vez mais, o aqui agora. Debater algumas implicações dessa mudança e as perspectivas que se colocam para o futuro a partir delas é o objetivo desse trabalho.

2 ENSINO FUNDAMENTAL 6º ANO CADA UM NA SUA, MAS TODOS LIGADOS EM REDE Revolução microeletrônica, as redes sociais e a(s) sociabilidade(s): quem somos nós e como navegamos nesse mundo digital? Como ele compõe, com o real, as novas emergências? Quais os limites e as possibilidades que se abrem a partir da revolução tecnológica. Como se articulam os mundos real e virtual A REVOLUÇÃO MICROELETRÔNICA E AS NOVAS FORMAS DE SOCIABILIDADE - João, havia Mundo antes da INTERNET. - E como era? - Não me lembro... B REALIDADE OBJETIVA E REALIDADE VIRTUAL: LIMITES E INTERAÇÕES A Revolução Microeletrônica da segunda metade do século XX: O BIT (1958); 1963 Laser e o desenvolvimento da fibra ótica, os primeiros PCs, os sistemas operacionais, a INTERNET, o WWW, os Tablets e Smatfones: e todos ficaram, de repente, articulados em rede. Os usos da INTENET como sociabilidade FACEBOOK: mundo privado ou mundo público? O que pode, o que deve e o que se deve ter cuidado nas postagens do FB. Togetheralone: as vantagens e os problemas das sociabilidades em rede Realidade Virtual: o que é isso? O Virtual não se opõe, mas compõe o Real. Como se articulam o Real e o Virtual? Quais as fronteiras do Virtual? O mundo virtual no lugar Posso acessar o mundo em rede, mas é possível fazê-lo de lugar nenhum? DESAFIO: Como pensar e articular o lugar no mundo articulando o virtual?

3 7º ANO O MUNDO HUMANO E O PLANETA: Sete bilhões de habitantes, cada vez mais concentrados em grandes cidades, o crescimento econômico, como meta e como regra. UM ÚNICO MUNDO, UM PLANETA LIMITADO, mas bastante diverso. Analisar as perspectivas de sustentabilidade das ações humanas no período da globalização. O desafio da diversidade social e ambiental em um mundo de unicidade técnica e econômica. O consumo, os recursos naturais e a energia: como está e como pode ser;desenhando caminhos: o papel do conhecimento e da política na construção de caminhos sustentáveis e socialmente justos. A UNICIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA E A DIVERSIDADE: COMO CONCILIAR? B O CONHECIMENTO E A POLÍTICA NA PRODUÇÃO DE CAMINHOS A globalização e suas forças de uniformização das técnicas, dos costumes e do ambiente. A economia globalizada e a natureza em mosaico diverso. As DIFERENÇAS são necessárias? A força dos lugares: como respeitar e ao mesmo tempo globalizar? A inversão possível: pensar localmente, agir globalmente. Consumo, logo existo: isso é sustentável? O consumo, os recursos naturais e a energia: como conciliar? Ciência, Senso comum, Religião, Filosofia, Política: os saberes e a política Como construir um mundo socialmente justo e ambientalmente sustentável em tempos de globalização? A Democracia como Responsabilidade.

4 8º ANO URBANIZAÇÃO E CIDADES Urbanização das sociedades; o desafio habitacional; mobilidade urbana; desigualdades sociais e segregação espacial; espaços públicos x espaços privados; gentrificação; violência urbana; o desafio da convivência; O direito à cidade: apropriação e usos do espaço urbano em Salvador. A URBANIZAÇÃO DAS SOCIEDADES NO BRASIL E NO MUNDO: DESIGUALDADES SOCIAIS, SEGREGAÇÕES ESPACIAIS E O DESAFIO DAS GRANDES CIDADES. B PROBLEMAS URBANOS E LUTAS SOCIAIS: O URBANISMO CONTEMPORÂNEO E O DIREITO À CIDADE Diferença X Igualdade X Desigualdade: o valor da igualdade e o imperativo das diferenças. Como combater as desigualdades? A cidade como lugar da política e suas manifestações espaciais: espaços luminosos e espaços sombrios. As cidades e os muros: o medo do Outro e o imperativo da convivência, como incrementar esse (des)encontro? As lutas sociais e as cidades? A cidade como obra coletiva apropriada por poucos. O direito à cidade. Os direitos, os deveres e as responsabilidades dos cidadãos para com a cidade. A Política como criação do novo: as demandas coletivas e o urbanismo da cidade, como aproximar em meio ao movimento do mundo?

5 9º ANO GLOBALIZAÇÃO: O MUNDO EM TODA PARTE Mundo globalizado: o universal, o singular e o particular; A aproximação virtual dos lugares; As redes e seus territórios; o poder do centro e os efeitos nos lugares; diferenças e desigualdades entre os lugares; o desafio jurídico em um mundo que se globaliza; dinâmica global e conflitos particulares; A MUNDO EM REDE: TERRITÓRIOS ARTICULADOS MUNDIALMENTE E A RELAÇÃO COM OS LUGARES. Se tudo se move o tempo todo, aonde é aqui? A rede como articulação de pontos que são eles mesmos feixes da rede. Os lugares invadidos pelo mundo nos confundem? Como produzir as identidades em territórios híbridos? O EU e O OUTRO: quais as possibilidades e os limites da produção de NÓS? (nos dois sentidos) B UM MUNDO TORNADO MUNDIAL E O DESAFIO DA ORGANIZAÇÃO JURÍDICA NOS LUGARES As relações internacionais e o LUGAR Isso vale SÓ AQUI, SÓ LÁ, AQUI E LÁ ou em lugar nenhum: O desafio do ordenamento jurídico: a diversidade das formações sociais, os direitos universais (?) e as leis. MULTINACIONAIS, INTERNACIONAIS, TRANSNACIONAIS: como queremos ser e como podemos ser? C AS NOVAS FORMAS DE PRODUÇÃO DAS DESIGUALDADES Organização das economias em rede: o bazar globalizado. O consumo como norma global e a precarização do trabalho em todos os lugares. Espaços luminosos e espaços opacos nos diferentes territórios. As estratégias de produção da vida dos homens lentos.

6 ENSINO MÉDIO 1º ANO SOCIABILIDADES, RELAÇÕES E IDENTIDADES EM TRÂNSITO: Quem somos nós? Referenciais identitários no mundo globalizado; Hibridismo cultural, identificações e o desafio da convivência; As tribos urbanas e seus territórios; A questão sexual: da tolerância à convivência; Já não se fazem mais famílias como antigamente; Gerações X, Y, Z: o desafio dos acordos. A REFERENCIAIS IDENTITÁRIOS NO MUNDO GLOBALIZADO: O DESAFIO DA CONVIVÊNCIA B C DE QUEM É O PEDAÇO? AS TRIBOS URBANAS E SEUS TERRITÓRIOS, MAS A CIDADE É UMA SÓ. E AÍ... CONFLITO DE GERAÇÕES: GERAÇÕES X, Y e Z: COMO SÃO; O QUE QUEREM E COMO PRETENDEM CONVIVER? Globalização: homogeneização dos costumes ou hibridismo cultural? Sociedades complexas, a multiplicação dos referenciais identitários e a construção das identificações múltiplas e situadas: globalizar-se ou resistir? Identidade e Alteridade: a construção de si e do outro e o desafio da convivência. A fragmentação das identidades e os processos de produção das tribos. Tribos urbanas na cidade: identificações práticas e a construção de territórios. Tribalismo, múltiplos territórios em uma cidade só. De quem é o pedaço? O imperativo da política na construção da convivência. Conflito de gerações no início do século XXI: mutações. As gerações X, Y e Z: como se caracteriza cada uma delas? A crítica ao modelo único: o direito à diferença como complemento do estatuto da igualdade. A importância da negociação e a produção de consensos relacionais transitórios entre as gerações.

7 2º ANO POLÍTICA: O DESAFIO DA DEMOCRACIA NO MUNDO DO MERCADO GLOBALIZADO. A crise da representação política e as novas demandas sociais; Privatização do público, publicização do privado e o desafio de vivermos juntos; as novas formas de organização política; o papel das redes sociais na organização política; a revolução tecnológica, as mídias e o poder; o Precariado e suas demandas; A reapropriação das ruas: uma tendência mundial? O que querem aqueles que ocupam as ruas? A AS NOVAS FORMAS DE ORGANIZAÇÃO POLÍTICA: A REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA, AS MÍDIAS E O PODER. Quais são as demandas e como se organizam os atores sociais no mundo contemporâneo? O virtual como uma esfera pública e as novas possibilidades de organização política. Fragmentação das demandas sociais, distanciamentos e aproximações: o indivíduo e as redes; novas formas de sociabilidade e organização política. B A CRISE SOCIAL, PRIVATIZAÇÃO DO PÚBLICO, PUBLICIZAÇÃO DO PRIVADO E A POLÍTICA (POIESIS) COMO POSSIBILIDADE. O papel das mídias no poder e/ou o poder midiático das organizações sociais. A importância da visibilidade: Liberdade, Disciplina ou Controle? A privatização das demandas sociais e a ressignificação da esfera pública. Qual a percepção de mundo partilhado? A intimidade tornada pública e sua importância na construção dos referenciais de vida comum. A política como Espetáculo e como Poiesis: é possível a criação de algo novo? C A REAPROPRIAÇÃO DAS RUAS: UMA TENDÊNCIA MUNDIAL? O QUE QUEREM AQUELES QUE OCUPAM AS RUAS? Como a rua: antes um lugar de encontro e de ação política, expressão de liberdade, se tornou um espaço ameaçador, do medo, que deve ser evitado. A crise da política institucionalizada e o convite a novas formas de organização das demandas sociais. Os movimentos de reapropriação das ruas: indignados na Espanha, Ocupe Wall Street, Passeatas de Junho no Brasil. Os rolezinhos, os espaços exclusivistas e a democracia.

8 3º ANO DA SOCIEDADE DO TRABALHO À SOCIEDADE DO CONSUMO E DO LAZER. Uma das características marcantes do Século XX, sobretudo na segunda metade, foi a emergência de um mundo centrado no consumo, no lazer e no entretenimento, que tomou rapidamente o lugar antes ocupado pela sobrevivência, pelo esforço e pelo trabalho. Essas mudanças se devem a um conjunto bastante complexo de fatores como a urbanização intensa das sociedades, as lutas sociais por melhorias nas relações de trabalho maiores salários, mais tempo livre, etc. o a aumento exponencial das atividades intelectuais e o consequente desenvolvimento técnico-científico e por aí vai. Nesse mundo do consumo e do entretenimento é cada vez mais difícil construir um senso de responsabilidade, afinal estamos em um mundo fluido, de rápida obsolescência e no qual os vínculos parecem se dissolver a cada novo objeto, invento, ação. No entanto, muitos teóricos e ativistas políticos vêm se perguntando se é possível mantermos um mundo centrado no consumo rápido, no lazer e no entretenimento, sem que façamos dissolver os laços que nos unem uns aos outros e ao mundo como um todo. Discutir os efeitos dessa nova forma de centralidade e suas possibilidades é o objetivo da série.

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