Trabalhador por conta própria ganha força, mas informalidade aumenta

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1 Boletim 869/2015 Ano VII 09/11/2015 Trabalhador por conta própria ganha força, mas informalidade aumenta Mais de 22 milhões de brasileiros têm empreendimentos sem empregados remunerados. Quase um milhão de pessoas entraram no setor, que surge como uma alternativa ao emprego formal São Paulo - O número de brasileiros que tem seu próprio empreendimento e não conta com empregados aumentou quase um milhão durante o último ano. Já são mais de 22 milhões de conta própria no País. O segmento teve expansão de 4,4% em 12 meses, levando a quantidade de brasileiros que trabalham por conta a 22,1 milhões no trimestre encerrado em agosto. Em igual período de 2014, 21,2 milhões de pessoas se encontravam nessa situação. As informações são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Esse aumento está ligado ao processo migratório de pessoas que eram trabalhadores com carteira, deixaram o mercado formal e abriram seus empreendimentos. Há uma migração da formalidade para a informalidade", comentou Cimar Azeredo, coordenador no IBGE. A quantidade de trabalhadores com carteira assinada caiu 3% em um ano, o que significa o fechamento de 1,09 milhão de vagas formais em doze meses. No trimestre encerrado em agosto deste ano, 35,5 milhões de brasileiros estavam nessa situação. Para Antonio Carlos Alves dos Santos, professor de economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), "esse aumento [da informalidade] é negativo pois, como não há recolhimento de tributos, há impacto na arrecadação e, para a previdência, isso é uma grande tragédia". Ele ponderou, porém, que "nem todo o conta própria trabalha informalmente". Santos considera que "em uma análise otimista, pode-se pensar que existem algum novos empreendimentos que começam pequenos e informais e, depois, se transformam e crescem". Mas completou que "no geral, isso não costuma acontecer". Ele disse que "é complicado passar para a formalidade no Brasil" e que "não há incentivo para isso, 1

2 principalmente por causa da carga tributária e da burocracia envolvidas". Santos concluiu: "se você cria o hábito de viver na informalidade, é difícil mudar mais tarde". Cimar Azeredo falou também ao DCI sobre as áreas com presença mais destacada dos conta própria no País. "O maior número está no comercio, com 4,6 milhões. Depois, aparecem a área agrícola, com 4,5 milhões e a de construção, com 3,6 milhões. Proporcionalmente, há maior presença na área de construção, com os conta própria representando 50% do contingente". Ao mesmo tempo, segundo o IBGE, a renda média dos conta própria baixou para R$ no trimestre encerrado em agosto, queda de 1,8% em um ano. O rendimento é inferior ao dos trabalhadores com carteira assinada (R$ 1.794), servidores do setor público (R$ 2.817) e dos empregadores, os patrões (R$ 5.048). Procurar um trabalho e não encontra-lo já é parte da rotina de 8,8 milhões de brasileiros, um crescimento de 29,6% na comparação entre os trimestres encerrados em agosto deste ano e de A taxa de desemprego chegou a 8,7% no oitavo mês de 2015, ante 6,9% em igual período do ano passado. E esse aumento também está ligado à expansão dos conta própria. Desemprego "Você perde seu emprego com carteira e abre o seu próprio empreendimento, ficando sem plano de saúde e outros benefícios e com um salário menor. Isso faz com que seu filho ou sua mulher passe a buscar emprego também. Ou seja, essa perda de estabilidade faz com que mais pessoas entrem no mercado de trabalho, principalmente para compor a renda familiar", concluiu Azeredo. Promoção da Ricardo Eletro gera indenização a ex-gerente A Ricardo Eletro Divinópolis foi condenada a indenizar por danos morais um ex-gerente alvo de revolta de consumidores pela falta de produtos em promoção. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) rejeitou recurso da empresa. "Não há dúvidas de que o constrangimento experimentado pelo gerente, de ficar exposto a essas situações, é inadmissível", afirmava a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (BA) ao decidir que a empresa deveria ressarcir o profissional. O gerente relatou 2

3 que a empresa fazia promoções sem ter estoque suficiente e não colocava segurança nas lojas. Em depoimento, ele contou que uma vez anunciaram panela de pressão a R$ 9,90, e na loja não tinha estoque do produto. "Os clientes ficavam aborrecidos, ameaçando quebrar tudo, e agrediam verbalmente vendedores e gerente, que eram chamados de ladrões e de outras palavras de baixo calão", disse o trabalhador. Outro empregado da loja também relatou que foi agredido fisicamente numa dessas situações. O tribunal confirmou a sentença do primeiro grau quanto à irresponsabilidade da Ricardo Eletro para com os empregados, expostos à justificada insatisfação dos clientes por causa do "anúncio reiterado e massificante de propostas de preços fora do comum". No agravo pelo qual tentou trazer a discussão ao TST, a empresa alegou que a situação não teve o poder de causar danos à honra ou à moral do gerente. "Diante do cargo de confiança ocupado, ele deveria ter condições de administrar essas situações", sustentou. O relator do agravo, ministro Vieira de Mello Filho, destacou que as cópias de decisões apresentadas para demonstrar divergência jurisprudencial eram inespecíficas e não traziam indicação da fonte oficial ou arquivo autorizado, como exige a Súmula 296 do TST. A Sétima Turma acompanhou de forma unânime o relator. O valor da indenização, que também incluía outras condutas desapropriadas, foi fixado em R$ 100 mil. /Agências Seguro prestamista avança com temor de desemprego Modalidade atrelada ao financiamento de imóveis ou à compra de bens duráveis garante pagamento de parcelas em caso de perda do emprego Compra parcelada: o seguro garante o pagamento nos casos previstos em contrato Compra parcelada: o seguro garante o pagamento nos casos previstos em contrato Foto: Estadão Conteúdo São Paulo - Quem pensa em comprar um produto ou financiar um imóvel, mas tem medo de não conseguir quitar todas as parcelas tem como opção o seguro prestamista. Essa modalidade garante a quitação em caso de morte, invalidez temporária ou permanente e desemprego. 3

4 Também chamado de proteção financeira, o seguro prestamista vem crescendo. O avanço é medido pelo volume de prêmios pagos, que aumentou 10,47% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi). Na visão das seguradoras, o cenário de incerteza na economia e o temor do desemprego contribuem para a expansão da modalidade. "Na crise, muita gente tem medo de perder o emprego e acaba contratando esse serviço para garantir a quitação", afirma o diretor comercial de varejo da BNP Paribas Cardif do Brasil, Antonio Pastore. Em setembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego subiu a 7,6%. É o maior patamar para o mês desde 2009, quando o índice chegou a 7,7%. Pastore diz que o seguro prestamista é muito procurado pelas classes C e D, que costumam realizar todas as suas compras em parcelas. "Essas pessoas se preocupam muito com o nome, já que muitas vezes é o único bem que elas têm. Os clientes com medo de assumir um financiamento são os mais propensos a contratar esse seguro", afirma. Como funciona Para acionar o seguro, é necessário provar a perda involuntária do emprego, a invalidez ou a morte do segurado. O tempo de cobertura depende do contrato, mas a modalidade costuma cobrir de quatro a seis meses no caso de desemprego. Quando se trata de invalidez permanente ou morte, o seguro pode chegar a quitar todas as prestações pendentes. A modalidade pode ser contratada por vários canais, como bancos, concessionárias de veículos, empresas de crédito e redes de varejo de eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Está disponível tanto em compras de valor mais baixo, como eletrodomésticos, até montantes mais altos e com prazo de pagamento mais longo, como no financiamento de veículos e de imóveis. Os grupos seguradores fazem parcerias com bancos e redes varejistas para o consumidor contratar o serviço no momento da compra. O BNP Paribas Cardif, por exemplo, tem uma parceria com o Magazine Luiza. 4

5 A diretora comercial do grupo segurador Banco do Brasil e Mapfre Seguros, Aneti Caetano, esclarece que eles usam parcerias para chegar ao cliente final. "Não fazemos a operação direta, mas 18 bancos vendem produtos da nossa seguradora", afirma. O valor do seguro varia de acordo com a idade do cliente, o valor do parcelamento e o número de parcelas. "É difícil precisar o valor; pode ser 0,5% ou 3%, porque os riscos são diferentes", diz o gerente de vida e previdência da Porto Seguro, Jaime Prazeres. Mais expansão em vista Embora não revelem os números deste ano, tanto a Porto Seguro como o grupo BB Mapfre avaliam que o mercado para o seguro prestamista tende a continuar crescendo. Na comparação entre 2014 ante o ano anterior, a Porto Seguro observou uma expansão de 10% na modalidade. O grupo Banco do Brasil e Mapfre registrou alta ainda maior, de 28,6% na mesma comparação. "Observando o crescimento [do mercado] de 10,47% no primeiro semestre, creio que deve se manter em dois dígitos até o fim do ano", diz Aneti. A Porto Seguro, que também oferece o prestamista por meio de parcerias, observa um aumento na demanda. "Tem aumentado a procura na modalidade de crédito, talvez pela preocupação das próprias empresas com a inadimplência", diz Prazeres. A percepção casa com os dados sobre crédito. Segundo o Banco Central, a inadimplência estava em 4,9% em setembro, índice considerado alto. 5

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