Maxi Indicadores de Desempenho da Indústria de Produtos Plásticos do Estado de Santa Catarina Relatório do 3º Trimestre 2011 Análise Conjuntural

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1 Maxi Indicadores de Desempenho da Indústria de Produtos Plásticos do Estado de Santa Catarina Relatório do 3º Trimestre 2011 Análise Conjuntural O ano de 2011 está sendo marcado pela alternância entre crescimento, desaceleração, reação e, talvez tardiamente, retomada. Será difícil termos outro ano com tanta mudança de cenário como em No primeiro trimestre havia crescimento robusto, que, no entanto, gerava inflação. Os agentes econômicos tomaram medidas restritivas para frear a economia. No segundo trimestre já se podia notar sinais de desaceleração da atividade, mas ainda com persistente inflação. E no terceiro, surpreendentemente, o Banco Central inverteu sua posição e passou a estimular o crescimento, usando parcimoniosamente seu amplo arsenal de ferramentas monetárias. O governo federal, em uma ação coordenada, também tomou ações no mesmo sentido, essas do ponto de vista fiscal, mas já no quarto trimestre, quando a desaceleração já era sentida em praticamente todos os setores da economia. As ações mais recentes - como o corte de impostos em segmentos selecionados e no mercado de capitais, combinada com injeção de liquidez no sistema financeiro, através da redução do compulsório nos bancos - devem fazer a economia retomar sua trajetória de crescimento. Porém, não há ainda qualquer sinal de que o país possa voltar a crescer uma velocidade nem mesmo próxima do ritmo de A conclusão que se chega é que os agentes econômicos estão mais atentos e mais coordenados em suas ações macroeconômicas. Há uma percepção no mercado de que não é apenas o controle da inflação que rege as ações do BC, mas ultimamente tem havido também uma preocupação maior com o ritmo da economia que no passado. De qualquer maneira, ainda que de forma inercial, a economia brasileira tende a um crescimento próximo a 3% no ano de Mesmo que não seja um resultado espetacular, ainda é relativamente elevado se formos analisar o histórico do Brasil e o cenário internacional em que estamos inseridos. Obviamente há setores crescendo mais que outros e a indústria é o setor que tem apresentado o pior desempenho, na comparação com serviços e agropecuária. Existe até a possibilidade de uma taxa negativa na comparação com 2010, a persistirem os números pouco animadores das pesquisas do IBGE, como mostra o gráfico acima.

2 O fato é que a indústria normalmente sente mais os efeitos da turbulência internacional do que o setor de serviços, esse último mais dependente do desempenho do consumo doméstico, que em geral é menos suscetível às flutuações do mercado. A indústria normalmente tem maior amplitude nas variações de preços, estoques e nível de atividade do que o varejo. Os processos de desestocagem e reestocagem na indústria normalmente levam a reduções e retomadas de nível de demanda por bens intermediários, respectivamente, mesmo que no varejo a situação seja de estabilidade. É uma característica do setor e deverá ser assim no futuro. Mercado Brasileiro de Resinas Termoplásticas Se o primeiro trimestre do ano foi de forte atividade no mercado de resinas, com demanda aquecida e preços em alta, o segundo e o terceiro foram claramente períodos mais fracos em termos de demanda de resinas, acompanhando o desempenho da economia em geral e da indústria em particular. Os dois primeiros gráficos dessa página mostram que o fluxo de comércio teve expansão significativa em 2011 em comparação com 2010, até outubro. Praticamente todas as resinas tiveram volumes maiores de importações e exportações nesse período. Fonte: QuiMax Report Porém, o fato das exportações terem avançado em ritmo mais acentuado que as importações, sem ter havido expansão da produção local, é um indicador de que o consumo aparente teve retração em 2011 frente igual período de É evidente, no entanto, que as flutuações nas posições de estoques exercem importante papel sobre as medições de consumo de resinas. E os estoques costumam variar ao sabor das tendências de preços. Como o ano de 2011 está terminando com tendência de queda nos

3 preços médios de matérias-primas, há uma grande possibilidade de que os estoques estejam sendo utilizados como fonte principal de suprimento ao nível dos transformadores neste quarto trimestre. Corroborando a tese estão as informações de mercado sobre o desempenho das vendas de resinas (baixos para o período). Sendo assim, o ano de 2012 deverá começar com as empresas de transformação com baixos estoques. Se formos considerar um cenário internacional em que os preços parecem iniciar um processo de recuperação, é bem provável que o consumo de resinas nos primeiros meses de 2012 apresentem recuperação. A Indústria de Plástico de Santa Catarina 1) Desempenho 3 o Trimestre de 2011 As comparações quantitativas frente ao mesmo período de 2010 e com o trimestre anterior mostram números divergentes. Ficam mais evidentes as aparentes contradições entre o crescimento das vendas em relação à queda no consumo das resinas. Desempenho da Indústria de Plástico de Santa Catarina no 3º trimestre de 2011 Indicadores de Desempenho Valor da Produção (mil R$) Consumo de Resinas (tons) T T T T3 2011/ T T3 2011/ T ,7% 5,6% ,9% 0,6% Número de Empregos ,5% -0,2% Nível Operacional (%) 90,3% 85,8% 89,2% - - *Em valores correntes Essa contradição é apenas aparente, e se dá muito em função do que relatamos na análise da conjuntura e da indústria. Ou seja, é explicada em boa medida pelo evidente processo de desestocagem ocorrido na indústria ao longo do segundo e terceiro trimestres do ano, ainda que as vendas na indústria de bens finais e na ponta do varejo persistam relativamente saudáveis. Da análise, podemos concluir, com certo grau de precisão, que a indústria operou no terceiro trimestre em um nível operacional elevado, acima do que foi verificado no mesmo período em 2010, mas ainda abaixo do máximo da série histórica, que foi registrado no quarto trimestre do ano passado. As vendas foram significativamente maiores que no ano passado e o nível de empregos ficou praticamente estável. Apenas as compras de resinas recuaram na relação com o mesmo trimestre do ano anterior, ainda que tenham sido praticamente mantidos os volumes de compras do segundo trimestre. 2) Desempenho Acumulado no Ano No período referente aos nove primeiros meses do ano, fica bastante evidente a diferença entre o crescimento das vendas em relação aos demais indicadores. Temos que observar que o

4 valor da produção e de vendas é uma função dos volumes vendidos e de seus preços. Como os preços médios das resinas nos nove primeiros meses de 2011 foram 8,8% maiores que no mesmo período de 2010, é bastante plausível assumirmos que parte desse aumento foi repassada aos preços dos produtos transformados. Portanto, o crescimento de 22% deve ser analisado sob a ótica da inflação setorial. Desempenho da Indústria de Plástico de Santa Catarina nos primeiros 9 meses de 2011 Indicadores de Desempenho Valor da Produção (mil R$) Consumo de Resinas (tons) 9M M M 2011/ 9M ,0% ,2% Número de Empregos ,5% Nível Operacional (%) 89,2% 82,0% - Os dados positivos no emprego e no nível operacional adicionam elementos para a tese da desestocagem e indicam que, quando houver maiores evidências da retomada da atividade econômica e de maior previsibilidade nos preços, as compras de resinas devem voltar a crescer a ponto de reduzir a distância para o volume de vendas dos produtos transformados. 3) Evolução dos Indicadores de Desempenho No gráfico a seguir, pode ser verificada a evolução dos indicadores de desempenho do setor plástico de Santa Catarina, ao longo do período de análise, desde o ano de O gráfico deve ser analisado levando em consideração os fatores sazonais, de mercado e situações pontuais. Evolução dos Índices de Desempenho da Indústria de Plástico de Santa Catarina

5 Quanto às perspectivas para o restante de 2011, cremos na continuidade do processo de desaceleração da economia brasileira em geral e do setor plástico como um todo, a despeito dos estímulos econômicos que estão sendo anunciados. A economia passa por um período de incertezas e os agentes econômicos, escaldados por crises anteriores, atuam de acordo com suas experiências passadas, o que pode nos custar alguns meses de estagnação econômica. Assim, se não houver novas surpresas, esperamos que a retomada econômica ocorra a partir do início de 2012, com a indústria voltando a performar acima dos demais setores da economia.

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