Desemprego, salário menor e inflação devem reduzir rendimento médio real

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1 Boletim 820/2015 Ano VII 26/08/2015 Desemprego, salário menor e inflação devem reduzir rendimento médio real Paralelamente, com a redução de produção e folha das firmas, deve crescer o número de pessoas trabalhando por conta própria e diminuir a quantidade de trabalhadores com carteira assinada São Paulo - O rendimento médio real do trabalhador deve cair nos próximos meses, puxado pelo aumento do desemprego, a redução dos salários e a escalada da inflação. Paralelamente, deve crescer o número de pessoas que deixarão de trabalhar com carteira assinada. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que a remuneração média do País ficou relativamente estável no segundo trimestre - caiu 0,5% na comparação com os três meses imediatamente anteriores e subiu 1,46% em relação ao mesmo período de O estudo mostra, contudo, que a taxa de desocupação - que considera as pessoas que estão desempregadas, mas procuram emprego - passou de 7,9% para 8,3%, do primeiro para o segundo trimestre. Na mesma etapa do ano passado, a taxa era de 6,8%. Mauro Rochlin, professor de economia do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), afirmou que, com a redução da atividade produtiva, a taxa de desocupação deve crescer em ritmo mais do que proporcional ao aumento de demissões. "Se um pai fica desempregado e a família está sem dinheiro para pagar as contas, a esposa e o filho, que antes não estavam procurando emprego, por exemplo, passarão a procurar", explicou. "Assim, o IBGE não irá contabilizar apenas uma pessoa, mas três pessoas na taxa de desocupação". Um indicador divulgado pela Catho e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), por sua vez, aponta que o salário médio de admissão caiu 2% em junho, na comparação com o mesmo mês de Ou seja, quem está conseguindo emprego, está ganhando um salário menor.

2 Segundo as entidades, esse foi o segundo pior resultado dos últimos 11 anos, perdendo apenas para fevereiro. "O rendimento real cai até como forma de ajuste da economia. A mão-de-obra vai ficando mais barata até chegar a um patamar que as empresas se interessarem em voltar a contratar, que é o que está acontecendo", disse Rochlin, lembrando que, com o aumento da "oferta" de mão de obra, os salários contraem. Além da redução dos salários nominais, no entanto, a inflação também está subindo, o que pressiona ainda mais o rendimento real - o IPCA ficou em 8,89% no acumulado de 12 meses até junho. Na avaliação de Simão Silber, economista do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), o rendimento real deve cair no próximos meses, porém essa queda pode não ser tão acentuada por conta das negociações salariais. "Quem foi demitido e foi readmitido, definitivamente está com salário menor. Mas, quem está no mercado, está conseguindo reajuste próximo ao IPCA ou ao INPC". Carteira Assinada A PNAD mostra que o número de trabalhadores com carteira assinada vem diminuindo desde o terceiro trimestre de No segundo trimestre deste ano, a queda foi de 0,4%, para 35,9 milhões de pessoas. Por outro lado, o número de pessoas que atuam por conta própria vem em trajetória de crescimento contínuo desde o segundo trimestre do ano passado - nos três meses até junho, a alta foi de 1,3% para 22 milhões de pessoas. De acordo com os especialistas, os dois movimentos podem ser relacionados. "Quando o mercado de trabalho se estreita, o mercado autônomo acaba por acomodar parte dos que teriam carteira assinada", observou Rochlin. "Com a crise, muita gente não consegue se recolocar como empregado e vira prestador de serviços, ou começa a ser virar com algum tipo de atividade", avaliou Silber. Por conta do conturbado ambiente econômico e político vivido pelo Brasil, os economistas apontaram um horizonte de pelo menos um ano para que o País retome o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e, consequentemente, tenha seu mercado de trabalho reaquecido. Pedro Garcia (Fonte: DCI dia ).

3 Governo quer restringir aposentadorias Para reduzir gastos, ideia é elevar a carência para acesso à aposentadoria por invalidez e aprimorar as revisões do auxílio-doença JOÃO VILLAVERDE - O ESTADO DE S. PAULO BRASÍLIA - Em mais um esforço para reduzir os gastos públicos e ajustar as contas, o governo Dilma Rousseff vai apresentar às centrais sindicais uma ampla proposta de revisão das regras de aposentadorias por invalidez e do auxílio-doença pagos pela Previdência Social. Ambos consomem mais de R$ 50 bilhões por ano e o governo quer reduzir fortemente essas despesas por meio de restrições ao acesso e a qualificação dos segurados para retornarem ao mercado de trabalho. As propostas do governo, que chegou a preparar um anteprojeto de lei, serão discutidas com as lideranças sindicais a partir da semana que vem. Segundo apurou o Estado, as propostas envolvem a elevação da carência, de 12 meses para 24 meses, exigido de contribuição mínima antes que a pessoa possa receber benefício por invalidez. O governo também prepara uma forma de aprimorar as revisões, que ocorrem a cada dois anos, das aposentadorias, que deve ser combinada com uma reforma para evitar casos crescentes de segurados que ficam mais de dois anos recebendo o auxílio-doença. Um dos objetivos do governo é qualificar os trabalhadores para que voltem às empresas, mesmo em funções distintas daquelas que desempenhavam antes do acidente ou doença que justificaram o benefício. Os planos também envolvem mudanças nas regras de cálculo para estimativa do valor do benefício. Essas e outras propostas, como o estabelecimento de uma idade mínima para a concessão de aposentadorias pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), serão apresentadas pelo governo às centrais sindicais a partir do próximo dia 2, quando será

4 instalado o Fórum de Debates sobre Políticas de Emprego, Trabalho, Renda e Previdência Social. O fórum foi criado em decreto pela presidente em abril. Dilma ressaltou em entrevista a necessidade de reformas na Previdência e nesta terça-feira o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, confirmou que propostas serão apresentadas pelo Ministério da Fazenda na semana que vem. Segundo uma fonte qualificada do governo, todas as medidas em estudo na Esplanada dos Ministérios, seja pela área econômica ou pela área social e previdenciária, serão submetidas às lideranças sindicais. A ideia é eliminar o risco de crise política, como a que se criou no primeiro semestre e que, na visão do governo, contaminou o Congresso, que analisava duas medidas provisórias que aplicavam restrições a benefícios trabalhistas e previdenciários. As MPs entram em vigor imediatamente e foram editadas por Dilma no penúltimo dia do primeiro mandato, sem aviso prévio a lideranças sindicais, que imediatamente entraram em rota de colisão com o Palácio do Planalto. A turbulência foi tão grande que uma das medidas do governo, que apertava o auxíliodoença, foi completamente desfigurada. Ao final, não houve alteração. Por isso, o governo pretende voltar à carga. Hoje, há cerca de 4 milhões de aposentados por invalidez no País, que consomem mais de R$ 40 bilhões por ano. O benefício é concedido àqueles que contribuíram por pelo menos 12 meses ao INSS e que, por acidente ou doença, recebem o auxílio-doença. Só depois que um médico do INSS relata que não há como o segurado voltar a desempenhar sua função é que há a concessão da aposentadoria por invalidez. (Fonte: Estado SP dia ).

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