DANÇA FOLCLÓRICA NO CONTEXTO ESCOLAR

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1 DANÇA FOLCLÓRICA NO CONTEXTO ESCOLAR JUSTIFICATIVA Num país onde a diversidade cultural tem na dança uma de suas expressões mais significativas, constituindo um amplo leque de possibilidades de aprendizagem, não se concebe a não inclusão da dança folclórica como fator de fundamental importância nas escolas brasileiras. Desta forma a dança na escola pode contribuir para a melhoria da aprendizagem do educando, visto que trabalha a percepção do próprio corpo, elemento indispensável à aquisição das habilidades: leitura e escrita, ela possibilita ao educando a ampliação da sua capacidade de interação social fazendo-o conhecer e respeitar a diversidade. Para Ferreira (2005), o desafio e uma provocação, uma chamada para pensarmos a dança enquanto agente formador, transformador e de resgate cultural, visto que as danças, principalmente folclóricas, estão desaparecendo do Contexto Escolar. Assim esse resgate da cultura se evidencia através da necessidade da busca por uma cidadania, esta por sua representada pela cultura de um povo, da sua cultura corporal e suas representações sociais. A intenção da presente proposta é a de que o educando transcendam a visão da dança pela dança, que o mesmo sinta-se como parte integrante deste contexto, reconhecendo na dança folclórica um caminho para tornar-se um agente transformador de sua cultura agregando valores culturais apreendidos ao longo do seu cotidiano escolar e de seu dia-a-dia. PÚBLICO ALVO Alunos do ensino fundamental, com idade entre 13 e 14 anos (7ª e 8ª série) e alunos do ensino médio com idade entre 15 e 16 anos ( 1º, 2ºe 3º anos), totalizando o número de 52 vagas para alunos que participam do grupo como bailarinos. OBJETIVO GERAL Contribuir para o resgate da cultura brasileira como forma de despertar a identidade social do aluno no projeto de construção da cidadania, além de promover uma maior interação social e fazê-lo participar do processo ensino aprendizagem, ou seja, a

2 difusão de saberes oriundos da cultura popular brasileira através da prática da dança folclórica no âmbito escolar. OBJETIVO ESPECÍFICO Oferecer a dança folclórica na escola como suporte da comunicação e da expressão corporal; Desenvolver contínuas experiências, fazendo uso de pesquisas históricas ( origens, características, coreografias, fidelidade a história que se conta, música, etc), evoluindo para temas de dança formalizada; Analisar a importância da utilização do folclore e da cultura popular na educação como forma de valorização da identidade cultural brasileira; Oferecer os valores educativos das danças e festas folclóricas como propostas pedagógicas para auxiliar professores no processo ensino-aprendizagem; Possibilitar à comunidade escolar o questionamento sobre cultura popular e identidade, através do reconhecimento de nossa diversidade. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA As aulas são convites ao saber, seja ele social cultural ou popular. Nelas podemos encontrar todas as pistas para conhecermos de melhor forma nossos alunos, e através delas fazemos nossas investigações com relação aos saberes que podemos aplicar e desenvolver junto a eles, de forma geral ela nos dá liberdade e autonomia para a construção de novos conhecimentos, sejam eles de qualquer âmbito. Para BARRETO (2005) as aulas fazem nascer os primeiros relacionamentos do sujeito com ele próprio, com outras pessoas e com grupos, com objetos e com tudo o que se encontra ao seu redor. Sem perder de vista todas as experiências que ele próprio traz do seu dia-a-dia, todas as práticas corporais que ele desenvolveu junto ao seu cotidiano. Pois é durante as aulas que tudo se inicia, se propaga, é possível perceber e ampliar as possibilidades expressivas do educando que dança e que quer aprender a dançar, é nela que se apresentam as oportunidades de se aprender a manipular a atenção, a intenção, a decisão e a progressão dos movimentos, como BARRETO (2005) explica, para a partir daí criarmos maiores e melhores possibilidades de expressão do educando.

3 Pode-se dizer que a dança entre as atividades físicas, segundo NANNI (1995), é das que mais acentuadamente concorre para o aperfeiçoamento integral do ser humano e vale, pois, ressaltar aspectos importantes no que se refere ao desenvolvimento de cada individuo: melhora das funções circulatórias, respiratórias, digestivas, aperfeiçoa o sistema muscular e nervoso, proporciona o crescimento normal e saúde; permite a manifestação de fenômenos da dinâmica em grupo, sobretudo na dança em conjunto, por ser um trabalho em equipe;possibilita a apreensão e a vivência de diversos aspectos das culturas das diversas regiões do Brasil; evoca e estimula a auto-estima; etc. A dança é uma oportunidade para entendermos os jovens, um desafio para transpormos esse abismo entre as gerações, uma chance de melhorarmos nosso relacionamento com eles e corrigirmos essas expressões e descontentamentos tão alardeados em relação as suas atitudes. Ela precisa preocupar-se com a formação ética, a adaptação social, a organização do trabalho, o tratamento da informação e com o desenvolvimento psicomotor do educando, competências essas que são primordiais no cotidiano humano. Segundo FERREIRA (2005) quer dizer que o professor, precisa mais do que ensinar a dançar, precisa conhecer muito bem a sua forma de repassar o conteúdo no saber fazer, saber ser e saber conviver, e acima de tudo preocupar-se com a qualidade desses saberes (liberdade e autonomia, distribuição social do saber, o trabalho coletivo, as transformações e mudanças, a construção do conhecimento, a interação e a cooperação, a prática, etc), ele precisa estar sempre na busca de alternativas significantes que possam promover experiências diversificadas, pois, este serão sempre os instrumentos que farão da dança um conteúdo realmente educacional. Esses valores devem ser sempre considerados, pois a dança é uma forma criativa de fazermos, mantermos e diversificarmos nosso contato com o educando, pois a forma como conduzimos essas atividades contam ao próprio a forma como conduziremos nosso relacionamento com eles, desenvolvermos a prática da dança escolar como meio de repassarmos responsabilidades, criarmos lideranças positivas, incutirmos a visão de que todos podem de alguma forma contribuir no processo educacional é o maior valor que a dança enquanto conteúdo escolar pode oferecer ao educando, pois ele precisa acreditar que

4 através da cultura, do conhecimento e do envolvimento em todas as atividades escolares, o seu crescimento pessoal será valorizado, estimado e potencializado. Através da elaboração de novos conhecimentos e diferentes estratégias pedagógicas e educacionais, através de trocas, construção e reconstrução de outros conhecimentos, da socialização, da motivação, reconhecimento da identidade cultural de cada um, possibilitando por fim o exercício da cidadania. Valorizar a dança folclórica como meio de expressão natural e espontânea do corpo, integrando o ritmo e a música, é uma linguagem pela qual se comunicam idéias não expressas verbalmente. Ela é um baile cerimonial ou recreativo, com passos simples e repetitivos executados por membros de uma comunidade com laços culturais comuns, resultantes de um longo convívio (transmitidos de geração em geração), e troca de experiências. Não requerem a presença de público, funciona como fator de integração celebrando eventos de relevo ou como simples manifestações de vitalidade e regozijo. Por participarem integralmente da vida comunitária, as danças folclóricas estão geralmente associadas a ocasiões: plantio, colheita, pastoreio, pesca, tecelagem, nascimento, matrimônio, guerra, funeral. Carências e necessidades podem motivar as danças. Elas podem ser religiosas ou profanas, embora quase todas as danças ritualísticas possuam elementos sociais. Danças que antigamente eram realizadas por motivos cerimoniais, hoje são dançadas como fins recreativos, de caráter profano.muitas danças estão intimamente relacionadas com formas musicais, particularmente com o ritmo e com o tempo do compasso. Ainda que nem todas as danças folclóricas exijam acompanhamento musical, a música é quase sempre de extrema relevância. CRONOGRAMA DIAS ATIVIDADE DA GRUPO HORÁRIO REALIZADA CONTEÚDO/OBJETIVO SEMANA Aulas práticas de formação

5 coreográfica, ritmo, 16h00min exercício para Desenvolvimento de danças Segunda às contagem de tempo folclóricas abrangendo o quarta e Grupo 17h30min musical, espaçocorporal maior número possível de quintafeira. Juvenil e espaço estados do Brasil; temporal, apresentação teórica da região do país a ser trabalhada coreograficamente; Aulas práticas de formação Terça, e Grupo Infantil 14h00min às quinta 15h30min feira. horas ou 10h00min às 11h30min coreográfica, ritmo, Desenvolvimento de danças exercício para folclóricas abrangendo o contagem de tempo maior número possível de musical, espaçocorporal estados do Brasil; e espaço temporal, apresentação teórica da região do país a ser trabalhada coreograficamente; OBS: O GRUPO INFANTIL tem flexibilidade de horário em função de termos alunos que estudam nos dois períodos, usamos horários e dias alternados para que todos possam participar das aulas/ensaios; METODOLOGIA Proporcionar momentos de ensaios da dança, como coreografia elaborada e sistematizada, oferecendo a possibilidade de discussão e conhecimento da mesma, valorizando os primeiros movimentos, dinâmicas, gestos, formas, ritmos, sons, enfim a composição de todos esses elementos que constroem uma coreografia.

6 A dança por sua forma lúdica e não-competitiva deve ser um agente formador e transformador, possibilitando uma real oportunidade de humanização, diversificação e democratização. Deve contribuir para a saúde, enriquecer a sociabilidade e pode refletir os diversos aspectos culturais dos povos. Deve ser abordada como expressão corporal, reconhecendo possibilidades culturais e sociais em seus mais variados aspectos. Será desenvolvida, portanto obedecendo a parâmetros expressivos e criativos que o educando possa oferecer, em contrapartida nos momentos práticos dessa manifestação. O objetivo é claramente difundir os conhecimentos da dança folclórica, obedecendo a suas raízes regionais, e evidentemente aproveitar esses momentos de encontros práticos para possibilitar o desenvolvimento de lideranças, organização, cooperação, o aumento da autoestima de todos e por em prática o verdadeiro sentido do pertencimento e do compartilhamento, dos conceitos difundidos pela dança folclórica. A elaboração e organização da coreografia, selecionando formas, combinando movimentos, articulando as dinâmicas, construindo as ações e os relacionamentos, incorporando sons e ritmos, proporcionando o auto-conhecimento; estimulando vivências da cultura corporal na escola; incentivando a expressividade dos indivíduos. Valorizar os conteúdos da sensibilização da dança como: Conteúdos do cotidiano: o despertar do educando para as ações, os movimentos e as danças que realiza em seu cotidiano; Fruição estética: o desfrutar e o lançar-se ao prazer, tomar contato com obras de arte, não apenas da dança; Apreciação estética: estimar, prezar, admirar, julgar e avaliar os trabalhos de dança via apresentações, vídeos e espetáculos. Não deixar de estimular os conhecimentos relacionados aos conteúdos próprios da dança, como: Técnicas de expressão da dança: improvisação, composição coreográfica, consciência, percepção e expressão corporal, exercícios técnicos de dança e repertório (folclóricas, populares de roda e outras); Conteúdos coreológicos:

7 Corpo, fatores de movimento, espaço, dinâmicas, ações, relacionamentos, som e ritmo; Por fim, a valorização de liderança e coordenação do grupo ao educando que prossiga na participação das atividades, para o passo seguinte de desenvolvimento do projeto como: Conhecimento coreográfico absoluto; Capacidade de organização; Estimulo a liderança; Oportunidade de coordenar grupos mais novos no processo de monitoria acompanhada; A formação da cidadania; A continuidade da iniciação do dançarino. E de forma a finalizar as possibilidades metodológicas, proporcionar ao educando o auto-conhecimento e conhecimento do outro, bem como a expressão e a comunicação, através de diálogos verbais e corporais; estimular as vivências da cultura corporal, incentivando a expressividade; proporcionar relacionamentos estéticos com outras pessoas e com o mundo, promovidos pelo fazer artístico; sensibilizar as pessoas, contribuindo para que elas tenham uma educação estética, estimulando relações mais equilibradas e harmoniosas ante o mundo, desenvolvendo a apreciação e a fruição da dança como um todo. RECURSOS Rádio, CD, TV, DVD e fitas de vídeo. OBS: Após o desenvolvimento coreográfico e de conhecimento geral as atividades são realizadas com som acústico ( voz, violão e viola), desenvolvido pelos próprios alunos do colégio; REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARRETO, Débora. Dança: sentidos e possibilidades na escola. 2ªed. Campinas, SP: Autores Associados, 2005.

8 MARQUES, Isabel A. Dançando na escola. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 2005.NANNI, Dionísia. Dança Educação Princípios, Métodos e Técnicas. Rio de Janeiro Editora Sprint, FERREIRA, Vanja. Dança escolar: um novo ritmo para a educação física. Rio de Janeiro: Sprint, SEED. Diretrizes Curriculares Estaduais. Curitiba, ANAIS, 2º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária. Projeto de Dança e Ritmo Sarandeiros: interface de saberes. UFMG, Belo Horizonte, PINTO, Inami Custódio. Fandango do Paraná. UFPR, Curitiba, BREGOLATO, Roseli Aparecida. Cultura Corporal da Dança. Coleção Educação Física Escolar: no princípio de totalidade e na concepção histórico, crítica-social, V.1. Editora Ícone, São Paulo, ARTAXO, Inês. MONTEIRO, Gizele de Assis. Ritmo e movimento. Guarulhos, SP: Phorte Editora, 2000.

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