EDUCAÇÃO E MERCADO DE TRABALHO: UMA ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE A PERSPECTIVA DAS APAES E DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

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1 EDUCAÇÃO E MERCADO DE TRABALHO: UMA ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE A PERSPECTIVA DAS APAES E DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA LUCAS CASALE DO NASCIMENTO¹, IZABELA CRISTINA MOREIRA DA SILVA², ANA AUGUSTA ALMEIDA DE SOUZA³, MAURO PEREIRA DA SILVA JÚNIOR 4, ALINE PEREIRA SALES 5 RESUMO: O presente artigo objetivou analisar e contrapor a perspectiva de pessoas com deficiência (PcDs) e entidades formadoras (APAEs) sobre a efetividade das políticas educacionais e de formação profissional empregadas na construção da inclusão de pessoas com deficiência (PcDs) no mercado de trabalho. Para tanto, foram aplicados questionários com as entidades formadoras e realizadas entrevistas com as pessoas com deficiência inseridas formalmente no mercado de trabalho através da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs) localizadas no sul de Minas Gerais. Os resultados demonstraram que as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência vão muito além da efetividade das políticas de formação profissional implantadas e das políticas de inclusão existentes no mercado de trabalho. Percebeu-se que para se atingir tais objetivos de maneira eficiente, é necessária a execução de ações conjuntas entre Governo, entidades formadoras, famílias e empresas, com vistas ao desenvolvimento real da formação e inclusão das pessoas com deficiência (PcDs). Palavras-chave: educação, trabalho e pessoa com deficiência. INTRODUÇÃO A discussão sobre inclusão social do deficiente na sociedade vem ganhando força no Brasil, principalmente após 1988 com a nova constituição, considerada por muitos como a constituição cidadã. No entanto, foi a partir do surgimento de leis específicas, como a lei de cotas, que determina uma porcentagem mínima de vagas reservadas para os deficientes em grandes empresas, que a sociedade e as organizações começaram a dar mais atenção aos deficientes e aos seus problemas. Mas é preciso reconhecer que isso tem sido feito de forma modesta e orientada principalmente, pela imposição legal (SOUZA, VERONEZE, SANTOS, SANTOS e SALES, 2012). A conquista de trabalho significa para o deficiente a possibilidade de romper estigmas sociais e inserção econômica (SOARES, 2006). Mas, para que essa conquista se torne real é necessário garantir estímulo adequado ao desenvolvimento do deficiente, principalmente, quando se trata da deficiência intelectual e múltipla que, de acordo com o Relatório Mundial sobre a deficiência (2011) são as deficiências mais desprovidas de assistência em diversos cenários. Surge então em 1954, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), a fim de proporcionar os serviços necessários e inexistentes no Brasil para deficientes intelectuais e/ou múltiplos como o acesso a educação especializada, acompanhamento médio e social suprindo a lacuna estatal. Atualmente, a APAE possui cinquenta e três anos de atuação e conta com mais de duas mil unidades por todo o país, sendo o maior movimento filantrópico na área de deficiência do Brasil e do mundo (APAE, sd). É, partindo desse contexto que este artigo tem por objetivo principal avaliar a preparação (geral de ensino especial e regular) da PcD para o mercado de trabalho analisando e contrapondo a perspectiva de pessoas com deficiência (PcDs) e entidades formadoras (Apaes) sobre a efetividade das políticas educacionais e de formação profissional empregadas na construção da inclusão de pessoas com deficiência (PcDs) para o mercado de trabalho. 1 Graduando, UFLA/DAE, 2 Graduanda, UFLA/DAE, 3 Graduanda, UFLA/DAE, 4 Graduando, UFLA/DAE, 5 Mestranda, UFLA/DAE,

2 METODOLOGIA Para atingir o objetivo da pesquisa optou-se pela triangulação entre os métodos qualitativo e quantitativo de pesquisa. Sendo assim, este estudo foi realizado em nove cidades do sul de Minas Gerais: Lavras, Pouso Alegre, Ijaci, Três Corações, Coqueiral, Alfenas, Boa Esperança, Campos Gerais e Campo Belo. A justificativa para escolha dessas cidades é devido à proximidade geográfica e ao fato destas possuírem uma filial da APAE. Após a seleção das cidades, os pesquisadores realizaram contato por telefone com representantes das APAEs, explicaram o objetivo do estudo e perguntavam se eles aceitavam fazer parte. Desta pesquisa A partir da aceitação dos representantes, era um questionário semiestruturado enviado para o informado. O questionário era composto por 15 perguntas fechadas e 4 perguntas abertas sobre a perspectiva dos educadores da instituição especializada (APAE) sobre a educação oferecida, tanto na APAE como no ensino regular, e sobre a inserção das PcDs no mercado de trabalho. No final do questionário era pedido o contato de algum ex-aluno da APAE que está formalmente inserido no mercado de trabalho para ser entrevistado posteriormente. As entrevistas com as PcDs foram conduzidas a partir de um roteiro que continha 14 questões abertas. Todas as entrevistas foram gravadas com a permissão dos respondentes e, posteriormente transcritas. Na Tabela 1 é apresentada a caracterização dos respondentes das APAEs pesquisadas e na Tabela 2 é apresentada a caracterização dos alunos entrevistados. Tabela 1 Perfil dos respondentes da APAE APAE Idade Escolaridade Tempo de trabalho na APAE Cargo ocupado APAE 1 APAE 2 APAE 3 APAE 4 APAE 5 APAE 6 APAE 7 Pós-graduado Mais de 21 anos Diretor Pós-graduada Entre 16 e 20 anos Diretora de Ações Educacionais Pós-graduado Entre 11 e 15 anos Professor Pós-graduada Entre 1 e 5 anos Diretora Pedagógica Pós-graduado Entre 11 e 15 anos Diretor Pós-graduada Mais de 21 anos Diretora Pós-graduado Mais de 21 anos Professor APAE 8 De 21 à 30 anos Superior completo De 1 à 5 anos Assistente social APAE 9 Fonte: dados da pesquisa. 2º Grau Completo Mais de 21 anos Assistente social Tabela 2. Caracterização dos alunos dasapaes pesquisadas.

3 Entrevistados Sexo Escolaridade Função Tempo na Faixa Horário empresa de renda E1 Feminino Não Auxiliar de 10 anos Meio Meio possui combi salário período E2 Feminino 2º Grau Auxiliar de 4 meses 800,00 6 horas completo produção e qualidade E3 Masculino 1º Grau Serviços 4 anos Um Salário 8 horas completo gerais E4 Masculino Não Ajudante 20 meses Um Salário 8 horas possui geral E5 Masculino Não possui Auxiliar 1 ano Um Salário 8 horas geral E6 Masculino Não possui Auxiliar 1 ano Um Salário 8 horas geral E7 Feminino 4ª série Auxiliar de 1 ano Um Salário 6 horas cozinha E8 Masculino 2º Grau Estagiário 1 ano Meio Meio completo salário período E9 Masculino 2º Grau Ajudante 2 anos e Um Salário 8 horas completo geral 10 meses E10 Masculino 5ª série Serviços gerais 3 meses Um Salário Meio período E11 Masculino 5ª série Embalador 8 meses Um Salário 10 horas 3 meses Um Salário E12 Masculino 2ª série Serviços Meio gerais período Fonte: dados da pesquisa. Não foi possível entrevistar alunos das APAEs 5 e 9 pelo fato de que estas não conseguiram inserir deficientes no mercado de trabalho. O tratamento dos dados obtidos com as entrevistas e com as respostas dadas nas questões abertas do questionário foram submetidos ao método análise de conteúdo. As questões quantitativas do questionário foram tabuladas com o uso do software Excell, versão RESULTADOS E DISCUSSÃO Neste tópico são apresentados os resultados obtidos após a coleta de dados, iniciando pela análise e discussão dos dados obtidos com a aplicação dos questionários semiestruturados nas APAEs. Logo após, é feita a análise e discussão dos resultados obtidos com as entrevistas realizadas com as PcDs. O papel da educação regular sobre a inserção da PCD no mercado de trabalho: a perspectiva das APAEs Quando questionados sobre quais seriam as dificuldades encontradas pelos deficientes após a sua inserção no mercado de trabalho, 78% dos representantes afirmaram ser a inadequação do local de trabalho a principal dificuldade; 55% mencionaram subaproveitamento da capacidade do deficiente; e 11% destacaram a remuneração inferior a dos demais no mesmo cargo e o preconceito dos colegas de trabalho. Contudo, faz-se interessante observar que, apesar das instituições pesquisadas terem profundo conhecimento sobre as limitações e capacidades das PcDs, quando perguntados quais cargos

4 os ex-alunos poderiam ocupar dentro da instituição, poucas foram as repostas que indicaram a preocupação em avaliar o perfil e as habilidades da PcD antes da sua inserção na vaga de trabalho. Sendo assim, os cargos ocupados pelas PcDs, dentro das próprias APAEs são de auxiliar de secretaria, recepcionista, auxiliar de cozinha, ajudante de ônibus, serviços gerais (limpeza) e office boy. Verifica-se, portanto que esta prática, comum na contratação por parte das empresas (Soares, 2006), também se mostra presente dentro das instituições que preparam estes indivíduos para o mercado de trabalho. Porém, o que se deve considerar é que a falta de informações sobre o candidato à vaga não pode ser atribuída como causa desta postura por parte das APAEs. Em relação a Lei de Cotas, os discursos dos representantes evidenciaram, duas barreiras: a dificuldade em se aplicar essa Lei em pequenos municípios e o descomprometimento das empresas com a inclusão das PcDs, corroborando os estudos de Pereira e Passerino (2012). Segundo os relatos, a situação dos pequenos municípios que possuem um setor empresarial pouco desenvolvido inviabiliza a inserção de alunos no mercado de trabalho pela APAE, pois não há obrigatoriedade de contratação de PcDs para empresas com número inferior a 100 funcionários, fazendo com que o preconceito social impeça a contratação dessas pessoas. Por isso, a maioria (67%) dos representantes das APAEs acredita ser necessário um conjunto de ações que possibilitem uma maior inserção do deficiente no mercado de trabalho, como: maior empenho governamental, maior profissionalização do deficiente e redução do preconceito na sociedade. Percebe-se, assim, que há a necessidade de se educar tanto a empresa como a sociedade para que a inclusão se torne uma paisagem comum (PEREIRA e PASSERINO, 2012). O papel da educação regular sobre a inserção da PCD no mercado de trabalho: a perspectiva das pessoas com deficiência Na maioria dos discursos foi possível notar o reconhecimento por parte do deficiente do papel efetivo da APAE para inserção dos seus alunos no mercado de trabalho, seja atuando como mediadora entre a empresa e os alunos, seja como contratante de seus próprios alunos ou por meio de parcerias com outros órgãos, como o SENAC. Por outro lado, a família obteve baixo reconhecimento por parte do deficiente em relação à sua atuação para inserção no mercado de trabalho. Em poucos casos houve relatos do apoio familiar para inserção da PcD no mercado de trabalho. Em uma situação oposta, foi relatado por um entrevistado o impedimento familiar de sua atuação como trabalhador formal, sendo esta postura justificada pelo medo da perda do benefício concedido pelo governo. Esta constatação confirma os resultados obtidos por Pereira e Passerino (2012) em seu estudo. Quando inseridos dentro das organizações, os deficientes relataram desempenhar atividades secundários e de baixa complexidade (trocar lâmpadas, organizar o ambiente, aguar as plantas, recolher o lixo, lavar e passar pano), o que corrobora as afirmações feitas por Soares (2006) e também pelos representantes das APES em relação à subavaliação das capacidades das PcDs. Estes resultados demonstram como a preparação da PCD não é condição suficiente para o seu desenvolvimento no mercado de trabalho, uma vez que suas capacidades tendem a ser desconsideradas no momento da determinação do seu cargo e das funções que lhe serão designadas. A falta de treinamento formal também se mostrou como uma barreira ao desenvolvimento dessas pessoas dentro das organizações ( Aprendi tudo sozinho, fui fazendo e aprendendo, E5), sendo que após enviado ao local de trabalho é lá que será indicado por algum funcionário o trabalho que deve ser feito. A esse respeito, Soares (2006) faz uma crítica quanto a despreocupação das APAEs em educar a empresa para a inclusão, uma vez que esta se atém apenas à inserção do deficiente no mercado de trabalho. Conforme apresentado anteriormente, embora conscientes do problema, nenhuma ação para a correção desta prática têm sido desenvolvida pelas APAEs. Em relação à perspectiva das PcDs sobre o papel da escola regular em sua formação, alguns dos entrevistados não sabiam dizer se estudaram ou não em outra escola. Outros não identificavam diferenças entre a escola regular e a APAE, mas atingiram baixa escolaridade formal em sua vida, o que pode representar um indício de evasão, devido às dificuldades de aprendizagem como mostra o Relatório Mundial sobre a deficiência (2011). Uma exceção entre os entrevistados foi o deficiente E9,

5 pois não possuía deficiência intelectual e sim síndrome de down, dessa forma, foi relatado que sua compreensão sobre os conteúdos dados na escola regular não foi muito comprometida. Já as falas que indicavam diferenças entre a formação oferecida pela escola regular em comparação com a APAE, demonstram a preferência dos entrevistados pela formação nas instituições de educação especial. A professora não me ajudava, não ia na minha mesa. Não ia me ajudar a fazer prova, tal. Aí eu pensava, o professor não tá me ajudando, eu vou sair da escola, vou ficar na APAE (E3). Eu tenho muita dificuldade em entender o que o professor fala, pois muitas vezes eu tô tentando entender e os que tão atrás acabam me atrapalhando (E8). Nos discursos evidencia-se a falta de adequação do sistema de ensino regular às necessidades dos PcDs, assim também como indicaram Briant e Oliver (2012) e o Relatório Mundial sobre a deficiência (2011). Deve-se ressaltar ainda que essas dificuldades relatadas por essas PcDs também vão ao encontro à perspectiva dos representantes das APAES sobre as limitações desse sistema de ensino no que tange a inclusão de pessoas com deficiência. Além disso, evidenciam o quanto ainda é preciso avançar para que a inclusão das pessoas com deficiência, seja nos espaços escolares, seja no mercado de trabalho ou mesmo na sociedade, se concretize. CONCLUSÃO Os resultados deste estudo revelaram as limitações do sistema regular de ensino na preparação e desenvolvimento das PCDs para atuação no mercado de trabalho. A esse respeito, observou-se que os discursos dados pelos representantes das APAEs se convergiram com as experiências relatadas pelas pessoas com deficiência. Porém, não se defende aqui o afastamento do aluno com deficiência do sistema educacional regular, como forma solucionar essas limitações. O direito de frequentar a escola regular e ter acesso a um ambiente adequado para o seu desenvolvimento já foi conquistado, de acordo com as disposições legais da política inclusiva nacional e impedir esse acesso representaria um retrocesso político, ideológico e cultural. Defende-se, pelo contrário, em consonância com a perspectiva trazida por Menicucci (sd), a necessidade da ressignificação da educação especial, entendendo-se que o impedimento da inserção das PcDs no ambiente escolar regular acaba por perpetuar o preconceito e a falta de conhecimento das pessoas sem deficiência sobre as capacidades e potencialidades daquelas pessoas com algum tipo de deficiência. Por outro lado, deve-se ainda considerar as limitações das APAEs em relação ao aproveitamento das potencialidades desenvolvidas por indivíduos ao longo de sua formação, quando inseridos no mercado de trabalho. Conforme observado neste estudo, ainda que conscientes destas potencialidades, nem mesmo as APAEs se aproveitam destas, assumindo a mesma postura subavaliativa das demais organizações. Além disso, deve-se destacar a falta de acompanhamento das PCDs por parte das APAEs após a sua inserção no trabalho, o que acaba por deixar a pessoa com deficiência exposta às mais diversas barreiras à sua inclusão e desenvolvimento. Neste sentido, faz-se necessário a adoção de ações educativas ou sensibilizantes por parte das APAEs com o intuito de conscientizar empregadores, gestores e funcionários sobre como promover esta inclusão e desenvolvimento. Mas, também é preciso destacar a importância do trabalho desempenhado pela APAE nesses cinquenta e nove anos de atuação, que contribui sobremaneira para o amparo das famílias e para o desenvolvimento das pessoas com deficiência deste país. Há que se destacar ainda seu pioneirismo no reconhecimento dos direitos educacionais e de inclusão das PCDs, antes mesmo da Constituição de Por fim, é preciso ressaltar que o desenvolvimento e a inclusão de pessoas com deficiência ainda é um processo em desenvolvimento, e que precisa de ajustes para o seu fortalecimento e

6 consolidação. É neste sentido que estudos desta natureza fazem-se relevantes, como formas de trazer o assunto para discussão e, consequentemente, promover melhorias. Os resultados evidenciam o quanto o envolvimento entre escolas, sociedade, governo e empresas se faz necessário para que este ideal de igualdade se torne possível. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem o apoio financeiro recebido da Fundação de Apoio à Pesquisa de Minas Gerais sem o qual inviabilizaria a realização deste estudo. REFERÊNCIAS APAE. Disponível em: < Acesso em: 30 jun. de BRIANT, M. E. P.; OLIVER, F. C. Inclusão de crianças com deficiência na escola regular numa região do município de São Paulo: conhecendo estratégias e ações. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v. 18, n. 1, p , PEREIRA, A. C. C.; PASSERINO, L. Um estudo sobre o perfil dos empregados com deficiência em uma organização. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v.18, n.2, p , RELATÓRIO MUNDIAL SOBRE DEFICIÊNCIA. World Health Organization, The World Banck; tradução Lexicus Serviços Linguísticos. São Paulo SOUZA, A. A. A.; VERONEZE, R. B.; SANTOS, J. V. P.; SANTOS, T. L. B.; SALES, A. P. Inserção ou Inclusão? Uma análise das Políticas Públicas e Privadas para Promoção do Ingresso de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho. In: Encontro da Divisão de Administração Pública/APB da ANPAD - EnAPG, 5., 2012, Salvador - BA. Anais... Salvador: EnAPG, v.5, p.1-9.

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