Encontro Regional de Ipatinga - MG. 24/25.abril Títulos Judiciais

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1 Encontro Regional de Ipatinga - MG 24/25.abril.2009 Títulos Judiciais Francisco José Rezende dos Santos

2 "A origem do título t tulo judicial não o isenta do exame de qualificação registrária ria,, cabendo ao registrador apontar hipóteses de incompetência absoluta da autoridade judiciária aferir a congruência do que se ordena, apurar o preenchimento de formalidades documentais que a lei reputa essenciais e analisar a existência de obstáculos registrários rios". (Apelação Cível C n /2 0/2 CSM/SP)

3 Quais títulos t tulos judiciais seriam registráveis: O O sistema registral imobiliário brasileiro é de certa forma flexível, a despeito de entendimentos em contrário. rio. O art. 167, em seus incisos I e II, arrola exemplificativamente, e não taxativamente, atos de registro e de averbação, sem contudo esgotar as hipóteses, muito menos proibir atos que não estejam ali previstos. A despeito de não constar norma expressa dessa flexibilidade para a os atos de registro, a interpretação sistemática tica e o art. 246 da Lei dos Registros Públicos P nos permitem fazer esta leitura. Se o direito material dispõe sobre direitos e/ou interesses que necessitam de publicidade registral no registro de imóveis para que se constituam ou produzam efeitos erga omnes, é necessário que o sistema dê guarida, independentemente de norma expressa. LUIZ EGON RICHTER - RDI do IRIB nº 56 jan/jun/2004

4 O formal de partilha decorrente de inventários e arrolamentos O formal de partilha é o título t tulo do herdeiro, que ao fim do inventário, e depois de registrado com referência aos bens imóveis, dád ao herdeiro a condição de disponibilidade do bem. O Código de Processo Civil impõe a individualização de cada quinhão. Essa individualização é que servirá de base para o registro. O Formal de partilha atribui a cada herdeiro, a sua quota parte nos bens comuns na herança, extinguindo a chamada comunio pro diviso.

5 C.P.C. Art A partilha constará: I - de um auto de orçamento, que mencionará: a) os nomes do autor da herança, a, do inventariante, do cônjuge supérstite, dos herdeiros, dos legatários e dos credores admitidos; b) o ativo, o passivo e o líquido l partível, com as necessárias especificações; c) o valor de cada quinhão; II - de uma folha de pagamento para cada parte,, declarando a quota a pagar-lhe, a razão do pagamento, a relação dos bens que Ihe compõem o quinhão, as características que os individualizam e os ônus que os gravam. Parágrafo único - O auto e cada uma das folhas serão assinados pelo juiz e pelo escrivão.

6 C.P.C. Art Pago o imposto de transmissão a título t tulo de morte, e junta aos autos certidão ou informação negativa de dívida para com a Fazenda Pública, P o juiz julgará por sentença a partilha. C.P.C. Art Passada em julgado a sentença a mencionada no artigo antecedente, receberá o herdeiro os bens que Ihe tocarem e um formal de partilha, do qual constarão as seguintes peças: I - termo de inventariante e título t tulo de herdeiros; II - avaliação dos bens que constituíram o quinhão do herdeiro; III - pagamento do quinhão hereditário; rio; IV - quitação dos impostos; V - sentença.

7 Problemas com registro de formal de partilha. - Benfeitorias não averbadas - C.N.D. do INSS - Art. 47. É exigida Certidão Negativa de Débito-CND,, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: (Redação dada pela Lei nº n 9.032, de ) II - do proprietário, rio, pessoa física f ou jurídica, de obra de construção civil, quando de sua averbação no registro de imóveis, salvo no caso do inciso VIII do art. 30 (VIII( - nenhuma contribuição à Seguridade Social é devida se a construção residencial unifamiliar, destinada ao uso próprio, prio, de tipo econômico, for executada sem mão-de de-obra assalariada, observadas as exigências do regulamento) ( lei de )

8 Problemas com registro de formal de partilha. -Viúva concorre com herdeiros. Art CC. Em concorrência com os descendentes (art , inciso I) caberá ao cônjuge quinhão igual ao dos que sucederem por cabeça, não podendo a sua quota ser inferior à quarta parte da herança, se for ascendente dos herdeiros com que concorrer. - Usufruto a viúva e propriedade aos herdeiros - Cessão de Direitos Hereditários

9 Agravo de Instrumento n /1-00, da Comarca de S. Paulo 10ª Câmara de Dir. Privado do TJSP - 25 de maio de ARROLAMENTO DE BENS - CESSÃO DE QUINHÃO HEREDITÁRIO E DO DIREITO DE MEAÇÃO - INSTITUIÇÃO DE USUFRUTO - HIPÓTESE DE DESNECESSIDADE DE ESCRITURA PÚBLICA (TJSP) Arrolamento de bens - Juízo "a quo" que inadmitiu a formalização da cessão de quinhão hereditário e do direito de meação, com instituição de usufruto, por termo judicial, apontada a necessidade de ser lavrada escritura pública para tanto - Decisório que não merece subsistir - Hipótese em que é prescindível a escritura pública, podendo a cessão em tela ser formalizada por termo nos autos do inventário ou arrolamento, tal como dispõe o art do CC vigente - De outra banda, a manifestação de vontade translativa do direito à meação, a título gratuito e em proveito dos herdeiros do finado, pode igualmente ser documentada por termo judicial, aplicando-se, por extensão, a regra do art do novo Código Civil, que trata da forma de procedimento para a renúncia da herança - Agravo provido.

10 Problemas com registro de formal de partilha. -Inventário com partilha e divisão -Registro em caso de promessa de compra e venda - Inventário que teve por objeto só a metade dos bens.

11 Formal de partilha. Inventário que teve por objeto só a metade dos bens. Regime da comunhão universal de bens. Exigência de partilha do todo. Registro inviável. Registro de Imóveis - Dúvida - Pedido para a formação de Incidente de Uniformização de Jurisprudência - Descabimento no caso de julgamento de dúvida pelo Conselho Superior da Magistratura - Formal de Partilha extraído de inventário que teve por objeto apenas a metade ideal dos bens do casal, que tinha contraído o matrimônio no regime da comunhão universal de bens - Registro inviável - Universalidade de bens que só tem fim com a partilha do todo - Recurso não provido. (Apelação Cível Nº /2, Araraquara)

12 Imóvel adquirido pelo(a) viúvo(a) solteiro(a). Casamento pelo regime da comunhão parcial ou separação de bens. Venda do imóvel no estado civil de viúvo. C.C. - Do Regime de Comunhão Parcial Art Excluem-se da comunhão: I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar.

13 - Casos de pacto antenupcial Art É obrigatório o regime da separação de bens no casamento: I - das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração do casamento; II - da pessoa maior de sessenta anos; III - de todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial. - Imóvel doado a casal Morte de um acréscimo à parte do outro Código Civil - Art Salvo declaração em contrário, a doação em comum a mais de uma pessoa entende-se distribuída entre elas por igual. Parágrafo único. Se os donatários, em tal caso, forem marido e mulher, subsistirá na totalidade a doação para o cônjuge sobrevivo.

14 Formal de Partilha em caso de separação ou divórcio -Averbação de estado civil e registro da partilha -Registro - a sentença de separação judicial, de divórcio, ou que anula o casamento, quando decidir sobre partilha de bens imóveis, ou direitos reais registráveis (art. 167, 1, n. 25, da Lei de Registros Públicos) Averbação - a sentença de separação judicial, ou de nulidade ou anulação de casamento, que não decidir sobre a partilha dos bens dos cônjuges, ou que apenas afirmar permanecerem estes, em sua totalidade, em comunhão (art. 167, II, n. 14, da Lei de Registros Públicos), atentos, neste caso, para a mudança do caráter jurídico da comunhão, com a dissolução da conjugal e surgimento da condominial "pro indiviso".

15 APELAÇÃO CÍVEL Nº /3 São Paulo - Capital- apelante ANA MARIA COSTA e apelado o 8º OFICIAL DE REGISTRO DE IMÓVEIS São Paulo, 16 de agosto de REGISTRO DE IMÓVEIS - Dúvida. Escritura pública de venda e compra de parte ideal de imóvel, pactuada por ex-cônjuges após a separação judicial. Possibilidade, após a averbação da separação judicial. Desnecessidade de ingresso prévio na matrícula da partilha dos bens comuns.

16 DOAÇÃO DE IMÓVEIS AOS FILHOS MENORES DURANTE A SEPARAÇÃO T.J.M.G. Número do processo: /001(1) 25/01/2007 EMENTA: AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE - DOAÇÃO - SEPARAÇÃO JUDICIAL - ACORDO - PROMESSA DE DOAÇÃO - SENTENÇA HOMOLOGATÓRIA TRANSITO EM JULGADO - IMUTABILIDADE. "A partilha consensual, estipulando a obrigação voluntariamente assumida por um ou por ambos os cônjuges, viabiliza a homologação do acordo de separação, nos termos do art.1.574, parágrafo único, do CC, não se permitindo, assim, invalidar ou declarar sumariamente ineficaz a obrigação livremente assumida ao ensejo da dissolução da sociedade conjugal acordada, ratificada e homologada judicialmente. A sentença homologatória da separação consensual desfruta da mesma autoridade e eficácia daquela proferida na separação litigiosa; faz coisa julgada quanto à desconstituição do vínculo societário, à cessação dos deveres de fidelidade e de coabitação, e à partilha dos bens. A coisa julgada implica imutabilidade da sentença judicial transitada em julgado, com impedimento de se rediscutir matéria já apreciada pelo Judiciário, visando esse instituto a propiciar segurança e estabilidade nas relações jurídicas.

17 Da carta de arrematação A carta de arrematação, nos termos do art. 703 do CPC, conterá: I - a descrição do imóvel, com remissão à sua matrícula e registros; II - a cópia do auto de arrematação; e III - a prova de quitação do imposto de transmissão.

18 A Carta de Sentença em arrematação - hasta pública e da adjudicação compulsória TJMG Número do processo: /001(1) - 17/06/2008 EMENTA: REGISTRO - PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE - OBRIGATORIEDADE DE OBSERVÂNCIA PELO OFICIAL. CARTA DE ARREMATAÇÃO O Oficial imobiliário deve obrigatoriamente observar o encadeamento necessário com a continuação dos sucessivos registros, o que é confiado à sua vigilância, pena de responsabilidade, devendo, assim, observar o "título anterior" e respectivos antecedentes. Deve, efetivamente, assim, exigir a apresentação de documentos que assegurem a continuidade do registro, nos termos do artigo 237 da Lei nº 6.015/73.

19 Carta de adjudicação C.P.C. Da Adjudicação - (Incluído pela Lei nº , de 2006). Art. 685-A. É lícito ao exeqüente, oferecendo preço não inferior ao da avaliação, requerer lhe sejam adjudicados os bens penhorados. 1o Se o valor do crédito for inferior ao dos bens, o adjudicante depositará de imediato a diferença, ficando esta à disposição do executado; se superior, a execução prosseguirá pelo saldo remanescente. 2o Idêntico direito pode ser exercido pelo credor com garantia real, pelos credores concorrentes que hajam penhorado o mesmo bem, pelo cônjuge, pelos descendentes ou ascendentes do executado.... 5o Decididas eventuais questões, o juiz mandará lavrar o auto de adjudicação.

20 Carta de adjudicação C.P.C. Da Adjudicação - (Incluído pela Lei nº , de 2006). Art. 685-B. A adjudicação considera-se perfeita e acabada com a lavratura e assinatura do auto pelo juiz, pelo adjudicante, pelo escrivão e, se for presente, pelo executado, expedindo-se a respectiva carta, se bem imóvel, ou mandado de entrega ao adjudicante, se bem móvel. Parágrafo único. A carta de adjudicação conterá a descrição do imóvel, com remissão a sua matrícula e registros, a cópia do auto de adjudicação e a prova de quitação do imposto de transmissão.

21 Carta de Sentença declaratória de usucapião Registro de sentença de usucapião - qualificação completa das partes, individualização e valor do imóvel usucapido A origem do imóvel não é obrigatória. Deve integrar o mandado, a sentença com certidão de trânsito em julgado. Obs: 1 - Mandado de Usucapião de imóvel rural de estrangeiro não pode ser registrado Obs: 2 - Não é exigido ITBI para registro de sentença em casos de usucapião.

22 As ordens judiciais As ordens judiciais são diferentes dos títulos judiciais. O Título judicial se fundamenta, em geral em um direito material. Ordem judicial tem por conteúdo uma determinação dirigida ao registrador e é derivada da atividade jurisdicional. São emitidas em geral em situações de urgência e regra geral são provisórias. As ordens judiciais, geralmente, se instrumentalizam por meio de mandados. Devem ser cumpridas sem maiores formalidades, especialmente as de qualificação.

23 As sentenças proferidas por tribunais estrangeiros Partilha de bens decorrentes de herança ou separação- Sentença estrangeira homologação. Herança Determina o art. 89, II do Código de Processo Civil que compete à autoridade brasileira proceder a inventário e partilha de bens, situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja estrangeiro e tenha residido fora do território nacional. Divórcio - Havendo partilha de bens localizados no Brasil, mas efetuada a dissolução da sociedade conjugal por intermédio do divórcio, em outro país, é necessária a homologação da sentença estrangeira.

24 AVERBAÇÃO CAUTELAR OU PREMONITÓRIA Art. 615-A. O exeqüente poderá, no ato da distribuição, obter certidão comprobatória do ajuizamento da execução, com identificação das partes e valor da causa, para fins de averbação no registro de imóveis, registro de veículos ou registro de outros bens sujeitos à penhora ou arresto. 1o O exeqüente deverá comunicar ao juízo as averbações efetivadas, no prazo de 10 (dez) dias de sua concretização. 2o Formalizada penhora sobre bens suficientes para cobrir o valor da dívida, será determinado o cancelamento das averbações de que trata este artigo relativas àqueles que não tenham sido penhorados. 3o Presume-se em fraude à execução a alienação ou oneração de bens efetuada após a averbação (art. 593). 4o O exeqüente que promover averbação manifestamente indevida indenizará a parte contrária, nos termos do 2o do art. 18 desta Lei, processando-se o incidente em autos apartados.

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