DEFENSORIA PÚBLICA E PROCURADORIAS NOTURNO Direito Civil Professor Murilo Sechieri Data: 02/10/2012 Aula 07 RESUMO. SUMÁRIO (continuação)

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1 Direito Civil Professor Murilo Sechieri Data: 02/10/2012 Aula 07 RESUMO SUMÁRIO (continuação) I. DIREITO DE FAMÍLIA 5. FILIAÇÃO 5.2. Tipos de reconhecimento 5.3. Ação investigatória de paternidade Legitimidade ativa Legitimidade passiva Exame de DNA Pedidos implícitos na investigatória Coisa julgada 6. REGIME DE BENS 6.1. Princípios 6.2. Regimes em espécie 7. ALIMENTOS 7.1. Conceito I. DIREITO DE FAMÍLIA 5. Filiação 5.2. Tipos de reconhecimento (continuação) É ato formal ou solene Só pode ser praticado através de: a) Termo de nascimento b) Escritura pública ou escrito particular, a ser arquivado em cartório c) Testamento d) Manifestação direta perante o juiz, ainda que não seja esse o objeto do processo OBS. Admite-se que o reconhecimento seja anterior ao nascimento (nascituro) e também se admite que o reconhecimento seja posterior à morte do filho, desde que o filho tenha deixado descendentes (pois nesse caso o pai não terá direito hereditário). A doutrina critica, dizendo que o reconhecimento deveria ser permitido desde que não gerasse direito a nenhum tipo de pecúnia (como pensão, por exemplo). Forçado

2 Decorre da procedência do pedido na ação investigatória Ação investigatória de paternidade Legitimidade ativa A legitimidade para a propositura da ação investigatória de paternidade é do filho, ainda que incapaz (representado pela mãe). OBS 1. Também pode ser ajuizada pelo MP, como legitimado extraordinário 1. OBS 2. Quando o filho morrer menor ou incapaz, o direito de propor ação será transmitido aos seus herdeiros. OBS 3. Admite-se que seja proposta pelo neto, diretamente em face do avô, ação investigatória da relação avoenga. O neto não pode pedir o reconhecimento do pai em relação ao avô se o pai, capaz, não fez isso em vida, pois o direito é do pai. OBS 4. Paternidade não é só dever, mas também direito. É por isso que se admite a propositura da investigatória por aquele que acredita ser o pai, biológico ou socioafetivo. Nesse caso, se a criança já estiver registrada em nome de outro pai, em qualquer caso, será obrigatória sua inclusão no pólo passivo (junto com o filho, representado pela mãe) Legitimidade passiva A legitimidade passiva é do suposto ou indigitado pai. A ação investigatória de paternidade é imprescritível. Assim, é possível ajuizar investigatória post mortem, na qual os réus serão os herdeiros (e não o espólio) do suposto pai. Se não há herdeiros, mas há bens, o réu será o Município. Se não houver bens, nem herdeiros, haverá citação por edital para os eventuais herdeiros. Cuidado! A ação investigatória é imprescritível, mas a petição de herança prescreve em 10 anos, a contar (duas correntes): Do reconhecimento da paternidade, uma vez que antes dele não haveria direito à herança; Da morte, que é o fato gerador do direito hereditário. Lembrar que não corre prescrição contra os absolutamente incapazes. OBS. Admite-se o litisconsórcio passivo alternativo quando o autor não tiver certeza de qual dos réus é o pai Exame de DNA 1 Em São Paulo, o MP remete os autos à Defensoria. 2 de 6

3 Se for alegada paternidade biológica, a recusa do pai à realização do exame, desde que somada a outros elementos de prova, gera presunção de paternidade Pedidos implícitos na investigatória Cancelamento do registro em relação ao pai registral Acréscimo do sobrenome do pai (o juiz determina de ofício) Alimentos, se o filho for menor Se os alimentos forem fixados na sentença, deverão retroagir à data da citação. Súmula 277 do STJ - Julgada procedente a investigação de paternidade, os alimentos são devidos a partir da citação Coisa julgada Se o pedido foi improcedente e não foi realizado o exame de DNA, não haverá coisa julgada, e a ação poderá ser proposta novamente (no sopesamento entre segurança jurídica e dignidade da pessoa humana, prevalece a dignidade) é a relativização da coisa julgada. Cuidado! Por ora, não há previsão de relativização da coisa julgada quando a ação foi julgada procedente (a favor do filho). 6. REGIME DE BENS 6.1. Princípios a) Variedade de regimes b) Liberdade de escolha ou autonomia privada Em regra, o casal pode escolher qualquer dos regimes da lei, e até criar um regime híbrido ou misto. Contudo, há limitações: Normas cogentes ou de ordem pública (ex: art. 426 do CC) Art Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva. Hipóteses em que é obrigatória a separação de bens (art do CC) 3 de 6

4 Art É obrigatório o regime da separação de bens no casamento: I - das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração do casamento; II da pessoa maior de 70 (setenta) anos; (Redação dada pela Lei nº , de 2010) III - de todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial. Cuidado! No regime da separação legal ou obrigatória, comunicam-se os bens adquiridos onerosamente durante o casamento, em razão da presunção de colaboração. Súmula 377 do STF - No regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento. Ou seja, esse regime é muito próximo da comunhão parcial. c) Princípio da mutabilidade motivada Durante o casamento, o casal pode pedir para alterar o regime. Requisitos: Pedido formulado por ambos Apuração pelo juiz da procedência dos motivos Ressalva dos interesses de terceiros OBS 1. É irrelevante o fato de se tratar de casamento anterior ao atual Código Civil. OBS 2. Também se admite a mudança nas hipóteses de separação obrigatória, se presentes os requisitos, em especial se houver desaparecido o motivo pelo qual o regime foi imposto Regimes em espécie a) Comunhão parcial Pode haver três massas de bens: Bens dele Bens dela Bens comuns (art do CC) Art Excluem-se da comunhão: I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar; 4 de 6

5 II - os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares; III - as obrigações anteriores ao casamento; IV - as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do casal; V - os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão; VI - os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge; VII - as pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas semelhantes. Art Entram na comunhão: I - os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges; II - os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior; III - os bens adquiridos por doação, herança ou legado, em favor de ambos os cônjuges; IV - as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge; V - os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, percebidos na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão. Art São incomunicáveis os bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao casamento. b) Comunhão universal Há uma massa única de bens. Art O regime de comunhão universal importa a comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas passivas, com as exceções do artigo seguinte. Mesmo na comunhão universal, é possível que haja bens incomunicáveis. Art São excluídos da comunhão: I - os bens doados ou herdados com a cláusula de incomunicabilidade e os sub-rogados em seu lugar; II - os bens gravados de fideicomisso e o direito do herdeiro fideicomissário, antes de realizada a condição suspensiva; III - as dívidas anteriores ao casamento, salvo se provierem de despesas com seus aprestos, ou reverterem em proveito comum; IV - as doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com a cláusula de incomunicabilidade; 5 de 6

6 V - Os bens referidos nos incisos V a VII do art c) Participação final nos aquestos É o regime que se caracteriza pela existência de dois momentos distintos: (i) Durante o casamento: são duas massas de bens particulares, compostas pelos anteriores e posteriores ao casamento, adquiridos por qualquer título; o cônjuge proprietário é livre para administrar seus bens, e pode até alienar os imóveis sem autorização do outro, desde que haja cláusula expressa. (ii) Dissolução do casamento: apura-se o montante dos aquestos de cada um, e aquele que houver enriquecido mais a esse título deve ao outro metade da diferença. d) Separação de bens Temos duas massas de bens: Bens dele Bens dela Só será total ou absoluta quando escolhida pelo casal por pacto (separação convencional). 7. ALIMENTOS 7.1. Conceito São as prestações destinadas à satisfação das necessidades vitais de quem não pode provê-las por si. 6 de 6

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