A AIDS NA TERCEIRA IDADE: O CONHECIMENTO DOS IDOSOS DE UMA CASA DE APOIO NO INTERIOR DE MATO GROSSO

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1 A AIDS NA TERCEIRA IDADE: O CONHECIMENTO DOS IDOSOS DE UMA CASA DE APOIO NO INTERIOR DE MATO GROSSO SATO, Camila Massae 1 Palavras-chave: Idoso, AIDS, conhecimento Introdução A população idosa brasileira cresce três vezes mais que a população adulta, segundo dados do IBGE. Estimativas projetam o Brasil, para 2025, como o sexto país do mundo em população idosa, com cerca de 15% com idade igual ou superior a 60 anos, atingindo uma população, aproximadamente, de 32 milhões de idosos (CHAIMOWICZ, 1998). Uma vez que as pessoas estão vivendo mais e com melhor qualidade de vida, aumenta a preocupação com o risco de doenças veiculadas por via sexual na idade avançada (SOARES, 2002). Apesar da AIDS ter sido descrita inicialmente em pacientes adultos jovens, hoje em dia sua incidência vem aumentando, de maneira alarmante, na população idosa. Segundo Simão (2007), os casos de infecção por HIV em idosos estão relacionados, em sua maioria, à contaminação sexual, sendo maior a frequência em heterossexuais. Como a sexualidade é um tema difícil de ser abordado nesse grupo etário, muitos idosos acabam não recebendo orientação necessária sobre a importância do uso do preservativo. Várias literaturas enfatizam o conhecimento sobre HIV/AIDS em indivíduos jovens e profissionais da saúde; porém, há uma falta de informações relacionadas à AIDS em idosos. A partir desta carência, torna-se necessário o desenvolvimento de estudos nesta área, pois o conhecimento é importante tanto para a diminuição do Resumo revisado por: Raquel Nunes Holanda. Promovendo a Melhor Idade Código: 085/ Universidade do Estado de Mato Grosso.

2 preconceito com portadores do HIV quanto para medidas de prevenção. Sendo assim, elaborou-se como objetivo de investigação verificar o conhecimento dos idosos residentes da Fundação Casa Maria e José acerca do HIV/AIDS, sua transmissão e as formas de prevenção. Metodologia Este estudo é do tipo descritivo, transversal e de natureza quantitativa, com aplicação de um questionário contendo perguntas sobre sexo, idade, estado civil, grau de escolaridade, vida sexualmente ativa, conhecimento da AIDS e às formas de transmissão e prevenção, aplicado a oito idosos moradores da Fundação Casa de Maria e José, em Cáceres Mato Grosso. Resultados e Discussão A pesquisa contou com oito idosos participantes com idade igual ou superior a 50 anos. Desse total, 5 (62,5%) são do sexo feminino, o que mostra grande prevalência sobre o sexo masculino que conta com 3 representantes (37,5%). Segundo a pesquisa de CALDAS e GESSOLO em 2006, o aumento dos homens acima de 50 anos com a síndrome foi de 98% nos últimos 10 anos, entre as mulheres houve uma expansão de 567% entre 1991 e Araújo et al em seu estudo sobre a característica da AIDS na terceira idade em 2007 relata que as modificações naturais ocorridas devido ao envelhecimento entre as mulheres, como o estreitamento do canal vaginal e a fragilidade das paredes vaginais, são problemas que aumentam o risco de contaminação pelo vírus HIV durante o ato sexual. A faixa etária dos entrevistados teve a seguinte distribuição: 50% estavam entre 50 e 59 anos, 25% entre 60 e 69 anos e 25% tinham mais que 70 anos de idade. E, no que diz respeito ao estado civil, 25% dos idosos são solteiros, 12,5%, casados, 25%, viúvos, 25%, união consensual e 12,5%, divorciados. Em relação à escolaridade, 75% dos idosos são analfabetos, 12,5% tem de um a três anos de estudo, 12,5%, de quatro a sete anos de estudo. Destaca-se o percentual de idosos analfabetos, demonstrando baixo nível de escolaridade na população estudada. A escolaridade é considerada importante indicador de

3 caracterização socioeconômica, relacionando-se às possibilidades de acesso à renda, à utilização dos serviços de saúde e à adesão aos programas educacionais e sanitários no campo da promoção e proteção da saúde (TELAROLLI Jr R, et al, 1996), incluindo a orientação acerca da AIDS para o segmento mais envelhecido da população. Quando questionado sobre a vida sexualmente ativa, 62,5% têm vida sexualmente ativa e 37,5% não. Sendo que 80% dos que tem vida sexualmente ativa não usam preservativos e 20% usam. Ao questionar o porquê dos idosos não usarem preservativo, mesmo sabendo que é o meio mais efetivo para a prevenção da AIDS, a maioria das respostas foi em relação a saberem com quem se relacionam confiança no parceiro e que é incomodo. Lazzaroto et al refere em seu estudo em 2008, que pessoas com mais de 50 anos não foram orientadas para o uso de camisinha, visto que era percebido como um método para evitar a gravidez e não como preventivo, e que este método não fez parte de sua educação e cultura. Em relação ao conhecimento sobre a AIDS, dos 8 entrevistados, 87,5% referem saber o que é a doença e 12,5% desconhece o assunto. A AIDS é uma doença complexa, uma síndrome, que não se caracteriza por um só sintoma. Na realidade, o vírus HIV destrói os linfócitos - células responsáveis pela defesa do organismo, tornando a pessoa vulnerável a outras infecções e doenças oportunistas, chamadas assim por surgirem nos momentos em que o sistema imunológico do indivíduo está enfraquecido (BRASIL, 2008). A maioria dos entrevistados (87,5%) refere conhecer as formas de transmissão da AIDS. A transmissão do vírus HIV pode ocorrer através das seguintes vias: sexual, sanguínea, parenteral, ocupacional, vertical (BERTONCINI et al 2007). Menezes et al descreve em seu estudo em 2007 que a ausência de campanhas preventivas direcionadas aos idosos, faz com que eles fiquem menos informados sobre o HIV/AIDS que a população jovem e desinformados sobre a prevenção e contaminação. Em relação à prevenção da AIDS, 62,5% dos idosos afirmam saber o que fazer para se prevenir e 37,5% desconhecem como se proteger da doença. A principal forma de prevenção da infecção pelo HIV é a utilização do preservativo, tanto

4 masculino como o feminino, os quais são distribuídos gratuitamente através das unidades básicas de saúde de cada município (BRASIL, 2005). Conclusão A pesquisa realizada com os idosos da Fundação Casa Maria e José revela o quanto é importante e necessário o desenvolvimento de novas estratégias de políticas educacionais que abordem este tema especificamente para esta população, alertando para uma tomada de direcionamento quanto à propagação de informações preventivas frente às infecções de DST's e AIDS, pois a prevenção é o fator mais importante na promoção da saúde. Observa-se que grande parte dos entrevistados ainda tem vida sexual ativa e poucos fazem uso de medidas de prevenção, isso leva a repensar a necessidade de aprofundar a discussão sobre a vulnerabilidade da AIDS entre grupos de maior faixa etária. Sendo assim, políticas de prevenção para o idoso devem ser constantes, com programas de educação voltados à vivência saudável e plena da sexualidade, atitudes que podem ser adotadas garantindo dessa forma uma vida mais saudável e segura para as pessoas da terceira idade. Referências bibliográficas ARAÚJO, V. L. B. et al. Característica da AIDS na terceira idade em um hospital de referência do Estado do Ceará Brasil. Rev Bras. Epidemiol. 2007;10(4) BERTONCINI, B. Z. et al. Comportamento sexual em adultos maiores de 50 anos infectados pelo HIV. DST- J Brás Doenças Sex. Transm. 2007; 19(2): BRASIL, Ministério da Saúde. Programa Nacional de DST/AIDS; Disponível em: <http://www.aids.gov.br>. Acesso em: 1 maio BRASIL, Ministério da saúde. Indicadores de saúde. Brasília, MS, Disponível em: <http://www.aids.gov.br>. Acesso em: 1 maio 2012.

5 CALDAS, J. M. P; GESSOLO K. M. AIDS depois dos 50: um novo desafio para as políticas de saúde pública; Disponível em: <http://www.aidscongress.net/article.php?id_comunicacao=285>. Acesso em: 1 maio CHAIMOWICZ, F. Os idosos brasileiros no século XXI: demografia, saúde e sociedade. Belo Horizonte: Postgraduate; IBGE. Perfil dos idosos responsáveis pelos domicílios no Brasil Rio de Janeiro: IBGE; LAZZAROTTO, A. R. et al. O conhecimento de HIV/AIDS na terceira idade: estudo epidemiológico no Vale dos Sinos, Rio Grande do Sul. Brasil Instituto de Ciências da Saúde, Centro Universitário Feevle. Campus II Serviço de Medicina Interna, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, MENEZES, R. L. et al. Perfil epidemiológico de idosos portadores de HIV/AIDS atendidos no hospital de doenças tropicais (HDT), em Goiânia. Fragmentos de cultura, Goiânia, v. 17, n ¾, pag , marco/abril SIMÃO, M. Entrevista, Radis. Comunicação em Saúde. 2007;53:26-7. SOARES, A.M.; MATIOLI, M.N.P.S; VEIGA, A.P.R. AIDS no idoso. In: Freitas EV, et al., editores. Tratado de geriatria e gerontologia. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; p TELAROLLI Jr., R. et al. Perfil demográfico e condições sanitárias dos idosos em área urbana do Sudeste do Brasil. Rev Saúde Pública. 1996;30(5):

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