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3 VERSÃO COMPLETA Diário Económico Online 03/09/2009

4 O ciclo político não altera a estratégia da Martifer Económico Page 1 of Acesso Blogs Fotos Mail Messenger Spot Videos Pesquisar na web 09:26 Quinta, 03 de Setembro 09 Definir como homepage RSS RESET pesquisar Home» Empresas Login Home Mercados Economia Empresas Finanças Política Pub&Media Conferências Password ok Registo Recuperar password Entrevista Notícias Empresas Resultados PSI20 O ciclo político não altera a estratégia da Martifer Ana Maria Gonçalves e Bruno Proença 03/09/09 06:00 Depois de três anos a crescer na casa dos 80%, em 2008 a Martifer não irá além dos 10%. A nova palavra de ordem passa pela consolidação do negócio. A braços com um plano de investimentos na ordem dos milhões de euros, a Martifer exclui a necessidade de avançar com um aumento de capital. Na forja está a redução da participação no negócio dos biocombustíveis. Em entrevista ao Diário Económico, o vice-presidente da Martifer, Jorge Martins, admite alienar activos na área das renováveis. A que se devem as imparidades registadas nos resultados do último semestre por incorporação de Jorge Martins vice-presidente da Martifer provisões e perdas de 38 milhões de euros? Houve uma reavaliação dos activos energéticos. O actual contexto económico é claramente diferente Comunidade daquele que existia há quatro ou cinco anos atrás quando entrámos no negócio das renováveis. A começar pelas condições de financiamento, agora Partilhe: mais difíceis, bem como por alguns ambientes regulatórios que são diferentes de país para país. Quando começamos os activos eram alavancados quase a 100%, hoje não se vai além dos 70%. O potencial de valorização dos activos, mesmo na fase de construção, é diferente daquele que eram. Achámos prudente contabilizar esses factos negativos. Escolhemos os activos e os países que tinham esses riscos associados. Não se trata de nenhuma perda, mas sim de reflectir um potencial de valorização inferior desses activos A actividade económica está a condicionar o actual ritmo de crescimento da Martifer? Não era sustentável continuar a crescer a 80% ao ano, como nos últimos três anos. Diria mesmo que, numa situação de conjuntura económica favorável, seria difícil manter esse ritmo. Era natural que agora houvesse uma desaceleração. É óbvio que o crescimento se sente mais nos sectores ligados às renováveis. Em contrapartida, o metalomecânico, mais associado à construção e infra-estruturas, reflecte a actual recessão dos mercados. Por isso, no último semestre não houve crescimento dessa área de negócios que pensamos compensar no segundo semestre porque há uma reposição da carteira de encomendas. O crescimento consolidado foi de apenas 2%, por conjugação desses dois factores. Para onde será canalizada a verba obtida com a venda da participação na Repower? Para o financiamento dos investimentos que estão em curso. No imediato, reduzimos dívida, mas cria-se um patamar adicional para continuarmos a expandir com o reforço dos capitais próprios. Aquela ideia de que a Martifer poderia ser uma empresa excessivamente endividada pode ser lida de muitas formas. Uma dela é que temos 400 milhões de euros de equity', comparados com 400 milhões de euros de dívida. É um reparo injusto? Há muitas formas de a interpretar. Aquela que os analistas gostam mais de ler é o rácio de dívida sobre o EBITDA e o múltiplo que é aplicado. É óbvio que numa empresa que está em crescimento e tem activos que não geram EBITDA. Esse rácio sai desequilibrado. Se olharmos para a estrutura de balanço, face à autonomia financeira que temos, não somos claramente uma empresa endividada. Temos potencial de crescimento. Essa é uma das razões para a penalização das acções? Terá sido durante o segundo trimestre porque após a apresentação dos resultados, quer do ano de 2008, quer dos primeiros três meses do ano. Havia um pouco essa leitura. Para quando um maior equilíbrio entre os activos de energia renováveis que estão em carteira e os que se encontram em produção? O plano de investimentos traçado para as renováveis está longe de estar concluído, bem como a capacidade da Martifer para investir nesses activos. Os próximos dois a três anos vão ter um forte investimento nessa componente, mas há a possibilidade a rodar activos. Não temos que acumular todos os activos que vamos colocar em funcionamento. Basta pensar na Ventinveste e nos 400 megawatts (MW) que serão construídos até Podemos mantê-los com outros activos que vamos construir noutros países ou podemos alienar alguns que vão ser construídos para os substituir. Essa estratégia está traçada. Não precisamos de fazer qualquer aumento de capital para concretizar todo este plano de investimento. A estratégia do grupo passa também pelas construções metálicas, pelo potencial de crescimento que continua a existir. Estamos a concluir a expansão da capacidade na Europa Central e em Angola, o que nos vai permitir continuar a crescer. Queremos a partir deste triângulo, que inclui Portugal, para poder fornecer outras geografias, como estamos a fazer na

5 O ciclo político não altera a estratégia da Martifer Económico Page 2 of Irlanda. Estamos expostos a 20 países e queremos crescer nesses 20 mercados. Não há o objectivo imediato de aumentar este leque. A reetruturação da Marifer passa pela alienação do negócio dos biocombustíveis. O que é que correu mal? Não se pode dizer que o negócio dos biocombustíveis correu mal. Ele tem várias componentes que vão desde a agricultura até à distribuição de combustíveis. O negócio está longe daquilo que são os objectivos de expansão das várias fases da cadeia de valor. As sinergias com as outras áreas de negócio da Martifer estão a esgotar-se. O investimento em refinarias de biodiesel está concluído. Trata-se de um negócio que precisa de se expandir na parte do trading' e da agricultura. E aqui não existem sinergias com a Martifer. As necessidades de capitais de que necessita (o plano de investimentos previa 327 milhões de euros) para crescer obrigam a que se procurem parcerias ou se façam aumentos de capital. O plano de investimento da Martifer até 2013 é de milhões de euros. Excluindo a parte relativa aos biocombustíveis, cerca de metade já está investido. O cenário de um spin off' nesta área de negócio está afastada? O mercado não tem condições para que se faça um spin off'. O negócio precisa de investimento ou de um parceiro que lhe dê dimensão. Que tipo de parceiro? Que tenha experiência no sector, preferencialmente. Obviamente que se for um parceiro financeiro também permite ao negócio continuar a crescer. Estamos há dois meses a trabalhar activamente nesta solução. Esperamos concluir este processo no prazo de um ano. Está prevista a concentração das áreas de geração e equipamentos de energia numa só empresa? São dois negócios, que fazendo parte da cadeia de valor das renováveis, são distintos. Temos espaço na área dos equipamentos alianças com determinados parceiros. Já o fizemos com a Repower e a Suzlon. O mesmo acontecendo na área da produção de energia, onde internacionalmente temos procurado parceiros locais. Há sinergias entre as duas, mas faz sentido continuarem a ser geridas de forma autónoma. Este modelo é para manter. Têm uma parceria com a EDP para a barragem de Ribeiradio em Portugal. No Brasil, essa aliança já avançou? Não está nenhuma parceria fechada, embora haja essa possibilidade. Os contactos com a EDP são regulares para potenciais parcerias. Por isso, é que continuamos a dizer que a nossa participação na EDP é estratégica. Temos actualmente cerca de 0,5% do capital da EDP. O realinhamento estratégico da Martifer torna-a mais vendável? Em termos de mercado de capitais, a empresa tem sido atraente para os investidores. Quer no momento em que se estreou na bolsa, quer seja hoje devido ao seu potencial de crescimento. Falta-lhe mais dimensão para reforçar a sua atractividade. Temos um plano de crescimento para ir ao encontro das ambições dos investidores. Além do negócio dos biocombustíveis, não estamos a tentar vender nenhuma das nossas áreas de negócio. A prioridade é sermos minoritários nos biocombustíveis. Depois, a partir daí, tudo é possível. Qual é a área de negócios em que esperam melhores resultados no próximo ano? Prevêem um arrefecimento na área da energia com o abrandamento das renováveis? Estamos a potenciar o negócio das infra-estruturas metálicas, produção de energia e equipamentos para o segmento eólico e solar. Não é por termos vendido a participação na Repower que a nossa estratégia se alterou. A fábrica de painéis solares entrou em funcionamento em finais de Queremos continuar a crescer neste segmento, apesar de os preços terem caído 30% a 40%. Estamos a crescer a taxas muito interessantes, mas a quebra de preços não permite reflecti-lo no volume de negócios. O mesmo acontece nas infra-estruturas metálicas. O preço do aço caiu fortemente, embora hoje já só seja de 20%. Há um crescimento real da actividade. A verdade é que não estamos a ter menos postos de trabalho do que no ano passado. No futuro, por força das bases de internacionalização, vamos continuar a crescer nas duas frentes: infraestruturas metálicas e alumínio, assim como na geração de electricidade e produção de equipamentos solares e eólicos. Há uma forte sinergia entre todas. Quando necessito de uma base industrial para entrar num mercado para assegurar a atribuição de licenças de energia, como aconteceu no concurso eólico português, esse casamento é perfeito. Há países também onde é mais fácil trabalhar com operadores locais, como é caso dos EUA com a fábrica de torres eólicas. Temos uma longa curva de aprendizagem naquele que é o maior mercado de energia renovável. Estamos muito atentos às oportunidades de negócio que aqui possam surgir. Aqui estamos a desenvolver o casamento entre os projectos eólicos e a capacidade para os fornecer. Um futuro abrandamento na subsidiação das energias renováveis não poderá arrefecer a febre que se tem vivido no sector? Isso difere de mercado para mercado. Por isso, temos que estar expostos a mercados diferentes. Portugal está no Top 10 dos que mais investiram no sector, e se analisarmos a nível per capita estamos no topo. Só a Dinamarca é que nos ultrapassa. Mas sabemos que o mercado nacional começa a estar saturado. Até 2014 não haverá mais megawatts para além daqueles que estão atribuídos. Daí a necessidade de saltar para outros mercados, como o Brasil e os EUA. Quais são os mercados mais relevantes da Martifer? Portugal, Espanha, Polónia, Roménia são os que têm maior protagonismo no volume de negócios. Todos os restantes começam a contribuir agora, como é o caso de Angola e da Austrália. E qual é o peso da actividade internacional da Martifer? Pela primeira vez, Portugal representa menos de 50% do volume de negócios este ano. Já não somos uma empresa portuguesa com uma presença pontual no mercado internacional. Os EUA já terão expressão em 2010 com o investimento industrial que está a ser feito. Temos várias presenças internacionais apenas com delegações comerciais, sem investimento, como a Republica Checa e a Eslováquia. Enquanto empresário, como é que vê o actual momento político? Preocupa-o o a possibilidade de haver um governo minoritário, tendo em conta que as renováveis foram uma aposta deste governo e dependem muito do tipo de apoios que lhe vierem a ser concedidos? Costuma-se associar o nome Martifer a uma empresa jovem. Temos 20 anos e já passamos por muitos ciclos económico e políticos. O momento que mais nos preocupou foi quando o Durão Barroso nos abandonou e foi para a União Europeia, criando um momento de grande instabilidade. Hoje, estamos preocupados cada vez que há uma eleição nos EUA ou noutros países em que temos exposição. Em Portugal, estamos vacinados até porque vamos a eleições todos os dias, com o mercado de capitais a atribuir-nos valor e a votar em nós. Não vemos isso como um grande problema. Qualquer Governo que vier gostaria de ter uma Martifer a continuar a crescer e a criar postos de trabalho. Vamos continuar a nossa estratégia, independentemente do novo ciclo político É obvio que gostaríamos de sentir em Portugal aquilo que se verifica noutros país como é o caso de

6 O ciclo político não altera a estratégia da Martifer Económico Page 3 of difícil. Normalmente quando há rotação, muda tudo e cria maior incerteza. Temos de saber viver com isso. Projectos em marcha: Publicidade Fábrica angolana já produz ferro A fábrica em Luanda está em fase final de construção, mas já começou a produzir ferro. A primeira fase custou 10 milhões de dólares (6,98 milhões de euros). Mas a intenção é expandir a capacidade de produção consoante a resposta do mercado. A fábrica terá no final do ano uma capacidade de toneladas por ano. Parceria para leilão eólico no Brasil A Martifer inscreveu-se no leilão eólico do Brasil. A empresa vai em parceria com a brasileira Energia Global. Uma parceria que começou há um ano quando a Martifer comprou 55% do projecto Rosa dos Ventos. "Decidimos avançar com 374 megawatts que estavam prontos para arrancar a construção", referiu Jorge Martins. Projecto australiano supera MW A investida no mercado australiano, através da aliança com a Macquarie, deverá em breve dar frutos. Prevê a construção de mais de megawatts em parques eólicos, cuja primeira fase arrancará em A Austrália fez aprovar legislação que implica a incorporação de 20% de renováveis. Minas de Aljustrel sem sinergias A entrada no negócio mineiro, envolvendo as minas de Aljustrel, foi feito através da holding familiar dos irmãos Martins, I' M SGPS, accionistas de referência da Martifer. Ainda a aguardar parecer na AICEP, o plano de investimento de 30 milhões de euros, não prevê qualquer sinergia com o grupo Martifer. Última Hora 09:11 Michael Jackson vai hoje a enterrar 09:00 General Motors quer suporte de mil milhões para manter a Opel 08:40 Fisco penhora bens a 300 mil contribuintes 08:22 Revista de Imprensa 08:07 Galp dá energia ao PSI 20 Comentários carlos teixeira, 03/09/09 09:16 boa entrevista! 07:55 Saiba quanto custa o regresso às aulas dos seus filhos 07:48 Petróleo sobe pela primeira vez esta semana Envie o seu comentário Nome (*) Comunidade + Vistos + Comentados Fórum Cidade/Localidade Comentário (*) Saiba quanto custa o regresso às aulas dos seus filhos 07:55 Economia irlandesa em estado de alerta 00:05 Governo nega pagamento de indemnizações a exdonos do BPN 00:06 Europa deverá ter crescimento mais forte do que o esperado 00:05 ENVIAR Os comentários enviados serão publicados após aprovação. O DE reserva-se o direito de não publicar comentários considerados como ofensivos ou sem ligação alguma ao artigo em questão O ciclo político não altera a estratégia da Martifer 06:00 Edição Impressa

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