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1 MERCADO DE CARBONO

2 M ERCADO DE C A R O mercado de carbono representa uma alternativa para os países que têm a obrigação de reduzir suas emissões de gases causadores do efeito estufa e uma oportunidade de captação de investimentos para os países em desenvolvimento Ultimamente muito se tem comentado sobre os efeitos do aquecimento global e medidas que podem ser adotadas visando alterar este quadro. Especial ênfase tem sido dada à possibilidade de países como o Brasil criarem oportunidades de investimentos no processo de implementação dessas medidas, através da emissão e comercialização do chamado Certificado de Emissões Reduzidas ( CER ) ou Crédito de Carbono. O mercado de carbono está inserido no contexto dos mecanismos de flexibilização previstos no Protocolo de Kyoto, tendo em vista a preocupação mundial quanto ao aumento das concentrações de gases que provocam o efeito estufa e o conseqüente aquecimento global. O mercado de carbono representa uma alternativa para os países que têm a obrigação de reduzir suas emissões de gases causadores do efeito estufa e, ao mesmo tempo, representa uma oportunidade de captação de investimentos para os países em desenvolvimento. Tais oportunidades começam a ser analisadas pelos mercados doméstico e internacional e deverão originar várias questões sobre os aspectos legais das operações. Histórico O mercado de créditos de carbono originou-se com a assinatura do Protocolo de Kyoto, que estabeleceu metas de redução de gases pelos países desenvolvidos que se comprometeram em reduzir as emissões, em média, para 5% abaixo dos níveis registrados em Essa redução deverá ser realizada entre 2008 e 2012, fase esta definida como o primeiro período de compromisso do Protocolo de Kyoto. Com o intuito de resguardar as economias desses países, o protocolo estabeleceu ainda que, caso seja impossível atingir as metas estabelecidas por meio da redução das emissões dos gases, tais países poderão adquirir créditos de outras nações que tenham desenvolvido projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, único instrumento de flexibilização que permite a participação de países em desenvolvimento, ou nações sem compromisso de redução, como o Brasil. Através do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, os países industrializados ou desenvolvidos investem em projetos que visam minimizar a emissão de gases de efeito estufa em países em desenvolvimento, recebendo, em troca, CERs que podem ser usados para cumprimento de suas metas de redução. Trata-se de uma oportunidade para ambos os lados: os países em desenvolvimento poderão atrair investimentos externos e tecnologia de ponta e os países desenvolvidos poderão atingir suas metas de redução através da estruturação

3 BONO de projetos a custos mais baixos nos países em desenvolvimento, além de contribuírem para o seu desenvolvimento sustentado. Oportunidades Decorrentes da Entrada em Vigor do Protocolo de Kyoto Com a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto em 16 de fevereiro de 2005, ganha força o interesse de empresas e países que precisam se adequar às regras do Protocolo por meio de compra de CERs. Assim sendo, haverá o crescimento da demanda no mercado internacional por esses créditos, o que implicará no incremento dos investimentos em projetos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. Nesse cenário, o Brasil deve se colocar como franco vendedor de créditos de carbono e também como alvo de investimentos em projetos que comprovadamente contribuam para a redução de emissões de gases de efeito estufa na atmosfera terrestre. Atualmente, no Brasil, existem vários projetos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo em diferentes fases de desenvolvimento, sendo que alguns desses projetos já foram aprovados pela Comissão Interministerial de Mudanças Climáticas, criada pelo Governo Federal para coordenar e articular as ações do governo nessa área, e encaminhados para registro perante o Conselho Executivo do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. De acordo com estimativas do Banco Mundial, o Brasil poderá representar, no futuro, 10% do mercado global do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. Segundo estudo realizado pelo Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, os principais setores que deverão se beneficiar de projetos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo serão: energia (energias renováveis, biocombustíveis e eficiência energética); O Brasil deve se colocar como franco vendedor de créditos de carbono e como alvo de investimentos em projetos que contribuam para a redução de emissões de gases de efeito estufa resíduos sólidos (biogás de aterro sanitário); agronegócios (pecuária e solos agrícolas); e florestal (florestamento, reflorestamento e recuperação de áreas degradadas). A Importância da Assessoria Legal Estruturação de Projetos Apesar das incertezas quanto à regulamentação local que deverá ser editada com relação ao Protocolo de Kyoto, já existem diversos projetos sendo desenvolvidos em função das regras do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo atualmente existentes. A expectativa é de que, no futuro, tais projetos venham a gerar os almejados créditos de carbono. Projetos desenvolvidos dentro dos mecanismos de flexibilização do Protocolo de Kyoto representam uma oportunidade de assegurar reduções de emissão de gases de efeito estufa a custos mais baixos.

4 Um projeto de redução de emissão deverá estar em conformidade com uma gama de critérios de elegibilidade, tanto no âmbito do Protocolo de Kyoto como no âmbito da futura regulamentação nacional, para que seja classificado como um projeto do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. Tais questões devem ser analisadas no início da estruturação do projeto e requerem assessoria legal especializada devido à complexidade das políticas internacional e nacional que lidam com as questões relativas à mudança do clima e, ainda, à regulamentação afeita à atividade lastro de cada projeto. Caso os critérios de elegibilidade não sejam atendidos, as reduções de emissão correrão o risco de não ser reconhecidas perante as regras do Protocolo de Kyoto e a futura regulamentação nacional e, portanto, terem seu valor reduzido ou não reconhecido no mercado. A estrutura legal do projeto seguramente contribui com uma maior segurança aos investidores desse mercado. A estruturação dos referidos projetos deverá envolver uma grande flexibilidade contratual, na medida em que várias questões de interesse das partes ainda não estão definidas em regulamentação específica. Além disso, a mitigação de riscos com relação à geração dos créditos de carbono resultará no potencial aumento do seu futuro valor de mercado. Além das particularidades do incipiente mercado de carbono, a capacidade de um projeto atrair financiamento adequado dependerá de mecanismos contratuais claros para alocação de riscos e responsabilidades entre as partes envolvidas, propiciando garantias apropriadas para os diversos tipos de credores do empreendimento e mantendo protegido seu fluxo de caixa. Assim, os credores que aportarem recursos a projetos geradores de créditos de carbono terão proteção similar àquela desfrutada nos projetos de infra-estrutura atualmente implementados no Brasil. A estruturação dos projetos deverá envolver uma grande flexibilidade contratual, na medida em que várias questões de interesse das partes ainda não estão definidas em regulamentação específica Negociação dos Créditos de Carbono Uma vez estruturado o projeto, já existe demanda crescente pelos créditos de carbono no mercado internacional, sendo que a negociação de um eventual contrato de compra e venda ( Emissions Reduction Purchase Agreement - ERPA ) poderá ser o próximo passo a ser adotado pelo titular dos créditos. O assessoramento legal especializado neste momento é crucial para garantir um equilíbrio de forças entre comprador e vendedor, na medida em que existem várias especificidades nesse tipo de contrato que devem ser analisadas com cuidado tanto pelo vendedor como pelo comprador. É indiscutível que o conhecimento profundo dos termos e condições do ERPA, aliado ao conhecimento da regulamentação do Protocolo de Kyoto e das questões comerciais afeitas ao mercado de carbono, viabiliza uma negociação mais eficiente com sua contraparte.

5 A Área de Mercado de Carbono Diante dessa realidade e do crescente interesse gerado pelas possibilidades de investimento no setor, decidimos concentrar em uma única área a coordenação de assuntos relacionados ao Mercado de Carbono. São Paulo Rio de Janeiro Brasília Com isso, nossos clientes passam a contar com uma equipe altamente especializada no assunto, reforçando nosso contínuo esforço de proporcionar uma assessoria jurídica cada vez mais abrangente. Porto Alegre Campinas Vladimir Miranda Abreu New York Adriana Mathias Baptista

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