Multa Qualificada. Paulo Caliendo. Paulo Caliendo

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1 + Multa Qualificada Paulo Caliendo Multa Qualificada Paulo Caliendo

2 + Importância da Definição: mudança de contexto Modelo Anterior Sentido Arrecadatório Modelo Atual Sentido repressor e punitivo Última ratio punição Lei n /65 Lei n /90 Lei de Lavagem de Dinheiro Lei nº , de 9 de julho de 2012.

3 Base normativa da Multa Qualificada Art. 44, Lei nº 9.430/96 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.

4 Multa Qualificada - 1 a. hipótese - Sonegação Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.

5 Multa Qualificada - 2 a. hipótese - Fraude Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.

6 Multa Qualificada - 3 a. hipótese - Conluio Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.

7 + Função Social da Pena nos Delitos Tributários! Ausência de norma tributária específica! Doutrinas em Direito Penal CP Art O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime: Objetivo arrecadatório?

8 + Função social legitimadora! Não basta apenas punir, deve-se buscar:! Tutela dos bens jurídicos fundamentais! Pacificação social! Combate à impunidade

9 + Tutela do bem jurídico protegido na sanção tributária Art. 1 Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas:! haja resultado efetiva supressão ou redução do tributo! Crime material de resultado! Legislação anterior: Diversa Art 1º Constitui crime de sonegação fiscal: I - prestar declaração falsa ou omitir, total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes das pessoas jurídicas de direito público interno, com a intenção de eximir-se, total ou parcialmente, do pagamento de tributos, taxas e quaisquer adicionais devidos por lei;

10 + Conclusão parcial 01:! Para aplicar a multa qualificada não basta a intenção de se o eximir ao pagamento de tributos.! Necessário o resultado: redução ou supressão de tributo devido.

11 + Bem jurídico protegido: tributo devido suprimido ou reduzido! Qual o bem protegido pela norma tributária sancionadora?! Isonomia, livre concorrência, função social do tributo?! Impossibilidade de uma conceituação generalizante do bem jurídico.! Fundamento histórico: princípio da subsidiariedade (última ratio)

12 + Fundamento histórico: princípio da subsidiariedade (última ratio)! Cesare Beccaria - Dos delitos e das penas as penas que vão além da necessidade de manter o depósito da salvação pública são injustas por sua natureza.! Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789 artigo 8º a lei apenas deve estabelecer penas estrita e evidentemente necessárias.

13 + Extensão do bem jurídico protegido: princípio da fragmentariedade! Nem todas as ações que lesionam bens jurídicos são proibidas pelo Direito Pena! O Direito Penal limita-se a castigar as ações mais graves! Caráter fragmentário - somente de uma parte dos bens jurídicos são protegidos pela ordem jurídica.! Cezar Roberto Bitencourt

14 + Conclusão parcial 02: a interpretação do bem jurídico não pode ser extensiva ou por analogia. Deve ser restritiva nos absolutos limites legais. A multa qualificada somente pode ser fundamentada em violação a dispositivo expresso de lei.! Restrição ao uso de conceitos não previstos em lei para se determinar o bem jurídico protegido:! Elisão fiscal! Elusão fiscal! Propósito negocial! Treaty shopping! Abuso de direito! Abuso de formas

15 + Grau de reprovabilidade da conduta do agente: princípio da insignificância! Ementa: PENAL E PROCESSO PENAL. AUSÊNCIA DE SELO DO IPI EM MERCADORIA EXPOSTA À VENDA. CRIME FISCAL. INSIGNIFICÂNCIA. ATIPICIDADE DA CONDUTA. 1. A conduta tipificada no artigo 293, 1º, inciso III, b, do Código Penal tem como finalidade o combate à sonegação de impostos, por meio de selo oficial em mercadorias expostas à venda ou em depósito e a omissão desse selo importa ilícito tributário. 2. O princípio da insignificância torna atípico o fato no âmbito penal, ainda que haja lesão ao bem juridicamente tutelado pela norma penal. Como bem preceitua a jurisprudência do STF: "Para a incidência do princípio da insignificância, devem ser relevados o valor do objeto do crime e os aspectos objetivos do fato, tais como a mínima ofensividade da conduta do agente, a ausência de periculosidade social da ação, o r e d u z i d o g r a u d e r e p r o v a b i l i d a d e d o comportamento e a inexpressividade da lesão jurídica causada." (STF - HC Relatora: Min. Cármen Lúcia - Publicado em: 07/12/2011).

16 +! Ementa: P E NA L. A P E L A Ç Ã O. A P RO P R I A Ç Ã O I N D É B I TA PREVIDENCIÁRIA. ART. 168-A DO CP. ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA MANTIDA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. ART. 397, III, DO CPP. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INFERIOR AO LIMITE DE R$ ,00 INSTITUÍDO PELA PORTARIA Nº 75/2012 DO MINISTÉRIO DA FAZENDA PARA O NÃO! 3. Admite-se a utilização como parâmetro para aferição do princípio da insignificância o valor de R $ ,00 (vinte mil reais), determinado na Portaria nº 75/2012 do Ministério da Fazenda como piso para o ajuizamento de execução fiscal, uma vez que careceria de sentido a imposição de sanção penal por fatos que sequer despertam o interesse do Estado para fins de cobrança. 4. Apelação ministerial desprovida. Absolvição sumária mantida.

17 + Grau de reprovabilidade da conduta do agente: critérios de aferição CP A r t O j u i z, at e n d e n d o à c u l p a b i l i d a d e, a o s antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime:

18 + Conclusão parcial 03: a multa qualificada deve levar em conta não somente o tributo suprimido ou reduzido, mas igualmente:! ofensividade da conduta do agente! a ausência de periculosidade social da ação! grau de reprovabilidade do comportamento! expressividade da lesão jurídica causada! Antecedentes e comportamento

19 + Dignidade pessoal tributária no direito tributário sancionador! Proteção da boa-fé do contribuinte! Proibição de excesso e princípio da proporcionalidade (adequação, necessidade e proporcionalidade em sentido estrito)! Interpretação benigna

20 + Interpretação benigna e multa qualificada Art A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável ou à sua graduação.

21 MUITO OBRIGADO! PAULO CALIENDO

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