Projeto Metropolização e Megaeventos: os impactos da Copa do Mundo 2014 e das Olimpíadas 2016 Relatório Parcial Brasília Abril de 2012

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1 UnB Universidade de Brasília Projeto Metropolização e Megaeventos: os impactos da Copa do Mundo 2014 e das Olimpíadas 2016 Relatório Parcial Brasília Abril de 2012 Coordenador: Prof. Rômulo José da Costa Ribeiro Sumário 1. Desenvolvimento Econômico Setores econômicos Empresas envolvidas Empregos Parcerias entre o setor público e o setor privado Setor Informal Setor turístico Equipamentos e Serviços Urbanos e Sociais Acessos ao esporte e ao lazer Acessos à saúde e educação Acesso à segurança Acesso aos Jogos da Copa do Mundo e das Olimpíadas Moradia e Dinâmica Urbana e Ambiental Moradia Meio Ambiente Equipamentos e serviços urbanos Política de urbanização e regularização fundiária de favelas e assentamentos precários Dinâmica imobiliária Acesso à mobilidade As licenças para a ampliação Sul do TPS, Sistema de Pátios (instalação) foram liberadas. Foi solicitada uma licença prévia em 30/04/2009 e estão aguardando a conclusão do estudo ambiental. O órgão expedidor foi o IBRAM Configuração socioespacial Governança Urbana e Metropolitana

2 4.1 - Arenas decisórias Legislação Urbana

3 1. Desenvolvimento Econômico Impactos econômicos sobre as metrópoles sob o ponto de vista da integração social e da justiça social. Busca-se identificar os setores e os agentes que estão sendo beneficiados pelas intervenções, bem como os setores e agentes que sofrem efeitos negativos decorrentes das mesmas Orçamento da Copa e das Olimpíadas Identificar os custos previstos nos projetos da Copa e das Olimpíadas, observando (i) aqueles decorrentes das exigências de investimentos dos organismos internacionais, e sua composição (setor público e setor privado), bem como os custos efetivamente realizados no decorrer da intervenção; (ii) aqueles previstos para os demais projetos complementares, identificando o tipo de investimento e a sua composição (setor público, setor privado) bem como os custos efetivamente realizados no decorrer da intervenção. Introdução A Copa do Mundo de 2014 vai gerar 539 oportunidades de negócios no Distrito Federal. Com isso, a expectativa é que sejam criadas micro e pequenas empresas, e gerados empregos diretos. Os números fazem parte do Mapa de Oportunidades para as Micro e Pequenas Empresas. O levantamento foi feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O mapa aponta como principais setores a serem beneficiados os de construção civil, de tecnologia da informação, de madeira, de móveis, têxtil, de vestuário, de turismo, da produção associada ao turismo, do comércio varejista, do agronegócio e de serviços. De acordo com o Sebrae, só o setor ligado ao turismo deverá apresentar 88 oportunidades de negócios. O de tecnologia da informação deve ter 86 oportunidades. Segundo cálculos feitos GDF, um estrangeiro gasta em média 500 dólares por dia em viagem à capital federal. Como serão 15 mil jornalistas para cobrir o evento durante aproximadamente 60 dias, considerando também um mês antes do evento, o governo do Distrito Federal acredita que cerca de 1 bilhão de dólares serão injetados na economia do Distrito Federal. Orçamentos Como fomento para que este quadro possa ser efetivado torna-se necessário a elaboração de uma série de investimentos em infraestrutura aeroportuária, nos setores 3

4 viários e de transporte, nos serviços de atendimento ao público, em especial estrangeiros, nos serviços de hotelaria e um grande investimento na arena para os jogos e solenidades do evento da Copa do Mundo de Futebol. Para tanto uma série de obras deverão ser executadas, sendo que as principais obras previstas para a capital do país são: - Reforma do Estádio Mané Garrincha; - Ampliação do aeroporto; - Mobilidade Urbana; - Setor Hoteleiro. - A Reforma do Estádio Mané Garrincha; Segundo o Governo do Distrito Federal, o projeto de reforma do Estádio Mané Garrincha prevê uma cobertura em estrutura metálica, reforma das arquibancadas, eliminação da pista de atletismo, rebaixamento do gramado em quatro metros e estacionamentos no subsolo. Com a obra, a previsão é de que a capacidade da arena seja expandida de 45 mil para 71 mil espectadores. O estádio, localizado na área central de Brasília, fica a 15,7 quilômetros do Aeroporto Internacional Presidente Juscelino Kubitschek. Investimentos - A Ampliação do aeroporto; Segundo o Ministério do Esporte, o Aeroporto Internacional de Brasília (Presidente Juscelino Kubitschek) passará por reformas para atender à Copa de

5 Consta nesse projeto a construção do Módulo Operacional Provisório MOP, que vai atender a demanda de passageiros com salas de embarque e desembarque temporárias enquanto são realizadas obras de reforma e ampliação do terminal de passageiros do aeroporto. Este projeto foi adicionado via Termo Aditivo à Matriz de Responsabilidades em 19 de julho de 2010, celebrado entre o Ministério do Esporte e o Governo do Distrito Federal. -Mobilidade Urbana; Entre os projetos da Copa de 2014, são os de mobilidade urbana que chamam menos atenção. Talvez por isso sejam também os mais emperrados. Das 50 obras listadas como prioritárias para melhorar o deslocamento da população e de torcedores nas cidades-sede, que chegam a R$ 11,8 bilhões, apenas duas começaram. Levantamento do governo federal calcula que 58% dos projetos de monotrilhos, Veículos Leves Sobre Trilhos (VLT), Bus Rapid Transit (BRT) e vias expressas tiveram atraso no cronograma. Isso levou a presidente Dilma Rousseff a dizer que, se as obras não começarem até dezembro, serão rebaixadas do PAC da Copa para o PAC normal, perdendo condições mais favoráveis de financiamento. -Setor Hoteleiro; O setor hoteleiro do Distrito Federal estará preparado para receber com qualidade os turistas que vierem a Brasília para o Mundial de Essa é a avaliação 5

6 do secretário nacional de Políticas de Turismo do Ministério do Turismo, Carlos Silva. O número de leitos cresce de acordo com a demanda mercadológica. Nessa lógica, acredito que Brasília estará preparada tanto em estrutura como em mão de obra qualificada para a Copa do Mundo. Além disso, há um investimento de R$ 1 bilhão do BNDES e um crédito de R$ 800 milhões previstos para o setor,afirma. Contudo, estes investimentos do setor privado tão somente podem ser estimados e presumidos, sem que na realidade possam ser avaliados de forma consistente, uma vez que mesmo sem o advento da Copa do Mundo de Futebol o setor imobiliário no Distrito Federal já se encontrava aquecido e com um parque construtivo considerado como um dos maiores da América latina. Considerações A soma de dinheiro investida no mundial virá em grande parte do setor público. O governo ainda não consegue trabalhar muito bem com o estabelecimento de parcerias público-privada, sobretudo, na organização de megaeventos. Numa análise mais detalhada dos recursos despendidos para o mundial é possível perceber uma clara falta de planejamento e gestão dos recursos. Para a grande maioria das obras, é disponibilizado um grande valor, entretanto, antes mesmo de ser iniciado o projeto é solicitado mais recursos porque erroneamente não foi incluso no projeto todos os itens necessários para a conclusão do mesmo. A grande questão levantada para todos os empreendimentos construídos é: O que será feito com eles após a copa 2014? mesmo que no caso específico de Brasília este questionamento seja restrito ao estádio Mané Garrincha, pois os demais investimentos de relevância já se fazem necessários à estrutura metropolitana da Capital. O governo deve trabalhar políticas de incentivo ao turismo para suprir os gastos resultantes do montante aplicado no mundial de Caso contrário, não só o Distrito Federal, mas todas as cidades sede do mundial serão esquecidas e todo o dinheiro investido não será de fato convertido em benefícios para a população. Devemos ainda levar em conta a seguinte consideração, a aprovação pelo Congresso Nacional da MP 527/11, que torna obscuros os dados relativos aos gastos com as licitações para todas as obras relativas ao mega-evento Copa Mundial de Futebol 2014 já surte efeitos e muitos dos valores a serem aplicados nestes empreendimentos têm seus números tomados como sigilosos, ferindo os princípios da transparência e da publicidade. 6

7 1.2. Receita pública Identificar as variações (crescimento ou decrescimento) no nível de arrecadação da receita pública Introdução A Copa do Mundo de Futebol, prevista para ocorrer no Brasil em 2014 é um dos maiores eventos internacionais. O Brasil escolhido como país sede do mundial, está remodelando suas cidades com vistas a atender as exigências internacionais. De acordo com Domingues et. al. (2010) a Copa do Mundo de 2014 (Copa2014) representa outro grande evento esportivo programado para o Brasil. Na sua preparação, uma série de obras de infraestrutura, reformas e construção de estádios estão sendo programadas. Em meados de 2009, as 12 cidades-sede da Copa, que abrigarão jogos da competição, foram escolhidas: Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Manaus (AM), Natal (RN), Recife (PE) e Salvador (BA). Além das 12 cidades escolhidas, participaram da disputa Rio Branco (AC), Belém (PA), Maceió (AL), Goiânia (GO), Florianópolis (SC) e Campo Grande (MS). Em Brasília algumas modificações estão feitas, e nesse trabalho serão analisadas sob o ponto de vista do impacto sobre a economia local, mais especificamente no valor das obras e na arrecadação de impostos. A copa do mundo de 2014 revela a necessidade de grandes investimentos para que os eventos previstos ocorram. Nesse contexto, são previstos na Capital Federal a construção de diversas obras, que estão em andamento ou em fase de implementação como a reforma do Mané Garrincha e a construção do Veículo Leve Sobre Trilhos. Estes investimentos econômicos nas cidades-sede, mais especificadamente na Capital Federal melhoram sua infraestrutura e qualidade de vida das pessoas. Indiretamente e diretamente há a geração de empregos, fomento do comércio e hotelaria. E o acréscimo do PIB de cerca de 1,2%. Um outro aspecto de grande importância é a isenção de impostos para a FIFA, de acordo com a Lei que dispõe sobre as diretrizes da isenção para a organizadora do Evento (FIFA) do pagamento de diversos impostos a nível nacional. Para o país o lucro mais importante não fica restrito a área financeira e sim na visibilidade para o cenário internacional. Os organizadores geralmente alegam que eventos como a Copa do Mundo geram estímulos para os negócios domésticos (e.g. restaurantes, hotéis e outros negócios) e, portanto, benefícios econômicos maiores que os custos (Nolle Zimbalist, 1997). Sendo assim, é muito difícil estimar os gastos e 7

8 arrecadações pelo país sede de um Megaevento como a Copa de 2014, visto que nem sempre a parte governamental disponibiliza para a população os dados gerados para não causar eventuais críticas ao governo ou a realização do megaevento no país. O presente trabalho tem por objetivo analisar os dados de arrecadação dos impostos e investimentos em obras relativas ao megaevento que ocorrerá no Brasil, Copa Serão utilizadas duas perguntas centrais norteadoras do trabalho: para que setores da economia local irão os investimentos financeiros e qual a importância da Copa-2014 para o Distrito Federal. Desenvolvimento Descrição das Obras Públicas para a Copa de 2014 em Brasília Investimentos e Cronogramas Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) O veículo leve sobre trilhos nasce com a perspectiva de desafogar o trânsito atual do Distrito Federal e também com a proposto ecológica da redução das emissões de gases poluentes do Efeito Estufa. Segundo o Ministério das cidades esta é uma obra para Brasília-DF, e esta prevista para a melhoria da mobilidade urbana durante a copa de O primeiro trecho a ser construído é chamado de Linha 1/Trecho 1, este primeiro trecho abrangerá o Aeroporto Juscelino Kubitschek à Estação Sul no Setor policial Sul, com uma extensão de cerca de 6 KM. Este é definido como um trem urbano de passageiros, com menor velocidade e capacidade, porém emite menos poluição do ar e sonora. VLT (obra que ligará o aeroporto até o setor policial sul, 263 milhões do FGTS, a reforma do estádio mané Garrincha, com o custo de 671 milhões, 210 milhões para a remodelação dos canteiros centrais da Estrada parque indústrias gráficas e a estrada do setor policial militar em uma via exclusiva de ônibus. 289 milhões a serem usados para a reforma da avenida samdu, comercial e central em Taguatinga. 8

9 Investimentos Etapa Investimento (R$ Previsão da Matriz Responsabilidade milhões) de Respons. (R$ pelos Recursos milhões) Contratado Executado Fonte da Última Informação Atualização 1. Projeto Básico 3,00 0,00 0,00 Governo Estadual 31/5/2011 Min. Esporte 2. Desapropriações 0,00 0,00 0,00 Não se aplica 31/5/2011 Min. Esporte 3. Obras (Acesso ao 98,00 Aeroporto) 0,00 0,00 Governo Federal (Financiamento CAIXA) 31/5/2011 Min. Esporte; CEF; Min. Cidades 4. Obras (VLT) 263,00 0,00 0,00 Governo Federal (Financiamento CAIXA) 31/5/2011 Min. Esporte; CEF; Miin. Cidades Valor total: 364,00 0,00 0,00 Cronograma Etapa Início do Projeto Conclusão do Projeto R e s p o n s a b i l i d a d e p e l a E x e c u ç ã o 9

10 Previsto Realizado Previsto Realizado Jul/08 Jul/08 Out/10 Out/10 Governo Estadual 2. Desapropriações Não se aplica Não se aplica Não se aplica Não se aplica Não se aplica 3. Obras (Acesso ao Nov/10 Aeroporto) - Nov/11 - Governo Estadual 4. Obras (VLT) - Mar/12 - Governo Estadual 1. Projeto Básico Jul/10 Fonte: Portal da Transparência Reforma do Estádio Mané Garrincha O estádio Mané Garrincha, é um dos escolhidos para sediar o evento de 2014, para atender a demanda internacional, este passará por uma reforma a qual elevará sua capacidade de suportar mais pessoas de 45 mil para 71 mil espectadores. Em sua modificação é planejado, segundo do Distrito Federal uma cobertura metálica, a reforma das arquibancadas, a eliminação da pista de atletismo, rebaixamento do gramado em quatro metros, incluindo estacionamentos no subsolo. A distância do estádio do aeroporto é de cerca de 15, 7 Km e o custo da reforma irá valer cerca de 671 milhões. Investimentos F o n t e d a Etapa Previsão da Matriz de Investimento (R$ milhões) Responsabilidade Responsabilidade pelos Recursos (R$ milhões) 1. Projeto Básico 5,30 / Executivo 2. Obras (financiamento) 400,00 Última Atualização I n f o r m a ç ã o Contratado Executado 5,29 5,30 Governo Estadual 31/5/2011 Min. Esporte 0,00 0,00 Governo Federal (Financiamento 31/5/2011 Min. Esporte 10

11 BNDES) 3. Obras 340,00 671,23 68,69 Valor total: 745,30 676,52 73,99 Governo Estadual 31/5/2011 Cronograma Início do Projeto Conclusão do Projeto Etapa R e s p o n s a b i l i d a d e p e l a E x e c u ç ã o Previsto Realizado Previsto Realizado 1. Projeto Básico / Executivo Concluído Jul/07 Concluído Ago/09 Governo Estadual 2. Obras (financiamento) Mar/10 - Dez/12 - Governo Estadual 3. Obras Mar/10 Jul/10 Dez/12 - Governo Estadual Fonte: Portal da Transparência Aeroporto Juscelino Kubitschek: Construção do Módulo Operacional MOP O aeroporto JK em sua atual estrutura não comporta a quantidade de passageiros esperados para a Copa, por isto ocorrerá melhorias em suas atual infraestrutura. Uma delas é o Módulo operacional. 11 Min. Esporte

12 Segundo o Ministério do Esporte, esta nova estrutura tem como objetivo atender a demanda de passageiros com salas de embarque e desembarque temporárias enquanto ainda não ampliar os terminais permanentes de embarque e desembarque. 12

13 Investimentos Previsão da Investimento (R$ milhões) Matriz de Responsabilida Contratado Executado de (R$ Etapa Fonte da Informação Responsabilidade Última pelos Recursos Atualização milhões) 1. Projeto Básico 0,00 0,00 0,00 Governo Federal 13/6/2011 Infraero 2. Obras 4,00 2,98 0,00 Governo Federal 13/6/2011 Infraero Valor total: 4,00 2,98 0,00 Cronograma Responsabilidade pela Execução Início do Projeto Conclusão do Projeto Previsto Realizado Previsto Realizado 1. Projeto Básico dez/11 - fev/12 - Governo Federal 2. Obras ago/12 - jun/13 - Governo Federal Etapa Fonte: Infraero Aeroporto JK: Reforma e Ampliação Sul do Terminal de Passageiros (1ª Fase) Para melhor atender atender seu público gringo, o aeroporto internacional da Brasília, também passará por melhorias na sua saída sul, isto inclui a reforma e expansão deste terminal. A ampliação do sistema do pátio de aviões e do sistema aviário, com a implantação de novas estruturas para complementar o aeroporto. 13

14 Investimentos F o n t e d a Previsão da Matriz de Investimento (R$ milhões) Responsabilidade Responsabilidade (R$ pelos Recursos milhões) Etapa Contratado Executado Última Atualização I n f o r m a ç ã o 1. Projeto Básico e Executivo 9,70 9,31 2,33 Governo Federal 13/6/2011 Infraero 2. Obras 734,70 4,96 0,00 Governo Federal 13/6/2011 Infraero 14,27 2,33 Valor total: 744,40 Cronograma Etapa Início do Projeto Conclusão do Projeto R e s p o n s a b i l i d a d e p e l 14

15 a E x e c u ç ã o Previsto Realizado Previsto Realizado 1. Projeto Básico e Executivo fev/09 fev/09 ago/10 - Governo Federal 2. Obras jan/11 - abr/13 - Governo Federal Fonte: Infraero Linha Amarela A construção da linha amarela tem como objetivo ligar o Plano Piloto e Santa Maria. Esta obra é orçada em cerca de R$587 milhões de reais. As maiores bandeiras deste empreendimento é diminuir o tempo de viagem entre estas três cidades e propor conforto para a população beneficiada. Reforma da Avenida Sandu, Comercial e Central Cerca de 289 milhões serão investidos para reformar estas avenidas de Taguatinga. Túnel abaixo do centro de Taguatinga Orçada em 179 milhões para construção deste túnel a qual ligará a EPTG à Avenida Elmo Serejo. Melhorias do metrô A construção de duas estações da Ceilândia, duas em Samambaia e uma na Asa Norte, próximo ao HRAN. Em linhas gerais custará cerca de 700 milhões. 15

16 Mapa das Obras a serem realizadas para a Copa-2014 no Distrito Federal Fonte: Correio Braziliense 16

17 Relação Impacto-Investimento nas cidades-sede É observado no gráfico para o caso do Distrito Federal relacionado com os outros estados, que os impactos das cidades-sede são basicamente homogêneos em relação a elevação do PIB, aumento da arrecadação de impostos e queda nas exportações. Há um número relativamente baixo em relação aos demais estados, quanto ao custo de investimentos. Para Domingues et. al. (2010) a queda das exportações e elevação das importações (que no modelo incluem os fluxos regionais e externos) reflete a elevação da atividade econômica nos Estados-sede, que em decorrência dos investimentos da Copa-2014 (fase de implementação especialmente), passam a demandar mais bens e serviços. Essa maior demanda reflete-se em elevação dos preços relativos dos estados e, consequentemente, em queda relativa das exportações. A arrecadação de impostos também será positiva em determinas regiões, dependendo da atividade econômica desenvolvida. Resultados Pode ser observado que a maior parte das obras ainda está em período de realização ou então em período de atraso, custando na maior parte das vezes a mais do que o valor inicialmente estipulado. Os investimentos para a Copa-2014 só foram observados no setor da construção civil (estádio, metrô e ampliação do aeroporto, etc.) e também no setor direto ligado ao turismo (ampliação do Setor Hoteleiro Norte). Não houve investimentos no setor de saúde, alimentação ou alimentício (bares e 17

18 restaurantes), que deixaram o turista numa situação complicada devido ao acesso aos poucos locais de atendimento médico e de lazer em Brasília, durante o período de realização dos jogos. Também é notória a situação de atraso das obras em todas cidades-sede brasileiras. A falta de planejamento está levando o governo a gastar mais do que o previsto para a conclusão destas obras. Nota-se a falta de esclarecimento para a população da parte orçamentária responsável pela condução das obras da Copa2014, as agências distritais/estaduais estão dificultando o acesso da população aos dados referentes aos gastos das atividades para o mundial. È necessário ressaltar a isenção de imposto sobre serviço (ISS) para FIFA, a isenção foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e está em trâmite para o Senado avaliar a proposta. Os empresários também receberão incentivos, como por exemplo, reduzir ou se isentar de impostos, só terão esse direito as empresas que forem prestadoras de serviços ou parceiras comerciais da FIFA. A Lei n , de 20/12/2010, foi criada para atender a realização, no Brasil, da Copa das Confederações - FIFA/2013 e a Copa do Mundo FIFA/2014 concedendo diversos benefícios tributários federais, estaduais e municipais aos empresários. A Copa-2014 trará benefícios para o Distrito Federal, como o aumento do PIB local e o aumento do turismo na região. Esses fatores levam ao desenvolvimento do comércio local e aumentam a economia local, consequentemente. A Copa-2014 servirá para desenvolver a imagem internacional do Brasil, como país de grande importância no cenário mundial atual, o que poderá trazer grandes investimentos para o país. Considerações Existem setores como a saúde e o lazer que merecem maior atenção por parte dos investimentos governamentais para o megaevento. Como dito anteriormente, Brasília não possui infraestrutura hospitalar e alimentícia para atender a demanda do público esperado para a Copa Deveriam também haver informações disponíveis a população de toda a parte orçamentária do megaevento realizado no Brasil Setores econômicos Identificar o desempenho dos diferentes setores da economia na composição do PIB, verificando aqueles que cresceram sua participação e os que decresceram 18

19 (atenção especial para os setores da construção civil, do turismo, e do entretenimento, como arte, cultura, etc.). Introdução Nos próximos anos doze cidades brasileiras serão transformadas pela presença de dois megaeventos: a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de Essas conquistas se devem ao recente sucesso econômico que a economia brasileira experimentou e à inventividade brasileira na área do marketing. As expectativas são de mobilização de mais de 600 novas e milionárias oportunidades de negócios para micro e pequenas empresas nos diferentes setores da economia. Além de o evento criar uma grande oportunidade de celebrar a paixão pelo futebol. O presente trabalho objetivou identificar o desempenho dos diferentes setores da economia na composição do PIB, verificando aqueles que cresceram sua participação e os que decresceram, atentando especialmente, para os setores da construção civil e do turismo. Desenvolvimento O texto descreve o cenário dos efeitos de Megaeventos, Copa do Mundo de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro de 2016, na composição do Produto Interno Bruto (PIB) através dos investimentos gerados a fim da realização do evento. O cenário nacional de 2010 foi marcado por um crescimento econômico, com elevação de 7,5%, no PIB, o maior dos últimos 25 anos. Infere-se que o Brasil passou desta fase de instabilidade mundial, pós-crise financeira de 2009, sem aprofundar em recessão. Em 2011, porém, a instabilidade conjuntural internacional, somada à desaceleração da economia brasileira, dificulta qualquer previsão acerca do nível de atividade para os próximos meses. Assim o consumo teve o ritmo reduzido devido à queda da renda real, decorrente da aceleração inflacionária, do reajuste do salário mínimo sem ganho real, de medidas de restrição ao crédito tomadas pelo governo e do aumento da taxa básica de juros. Por entanto os investimentos mantiveram-se o ritmo de crescimento, impulsionados pelos aportes relacionados à Copa do Mundo e pelos Jogos Olímpicos. Somem-se a esses dois importantes eventos a continuidade dos investimentos projetados no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e à confirmação, pelo Ministério da Fazenda, da terceira etapa do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que irá disponibilizar recursos do BNDES no valor de R$ 75 bilhões na 19

20 finalidade que as empresas invistam em novas máquinas e equipamentos. Não há dúvidas de que grande parte dos investimentos deverá se localizar no setor de construção civil, fortalecendo infraestrutura. Na indústria, os investimentos serão mais robustos na área de mineração, petróleo (pré-sal) e agronegócio. A expansão do setor de construção também sinaliza o aquecimento da indústria brasileira de construção pesada, com investimentos programados para a realização das obras de infraestrutura de transportes e logística dos eventos. Com grandes investimentos previstos para infraestrutura na área de energia, em estádios e arenas esportivas e aeroportos, em mobilidade urbana, readequação viária e saneamento, o governo e os empresários do setor sinalizam os desafios a serem enfrentados por este segmento: o enfrentamento da precária capacidade de gestão dos investimentos, a gestão empresarial deficiente nos canteiros de obras, a falta de qualificação profissional dos trabalhadores e a regulamentação ambiental. A realização da Copa do Mundo trará importantes melhorias para a população, sobretudo nas cidades-sede dos jogos, não somente nos estádios de futebol, mas também nos aeroportos, portos, rede hoteleira e transportes públicos, que serão preparados para operar com maior eficiência e rapidez. Pelo menos essa é a expectativa gerada em torno deste grande evento internacional e dos investimentos previstos para propiciar a realização dele. Para o Brasil receber a Copa do Mundo, será necessária a realização de obras e empreendimentos nas cidades que sediarão os jogos, com o objetivo de melhorar aspectos relacionados, entre outros, à mobilidade urbana e às instalações de estádios e arenas esportivas. As ações serão desenvolvidas por meio de parceria entre os governos federal, estaduais e municipais e envolverão também clubes de futebol. Já estão previstos mais de R$ 17 bilhões em investimentos, dos quais R$ 11,4 bilhões serão destinados para mobilidade urbana e R$ 5,7 bilhões para os estádios. Os valores e projetos apresentados na Tabela 19 foram retirados do site Portal da Transparência, baseados na Matriz de Responsabilidades, e são atualizados periodicamente mediante inclusão de novas ações. Exemplos de alguns investimentos: Ceilândia ganha uma Central de Monitoramento e atinge patamar das melhores unidades de policiamento do mundo: A instalação das câmeras obedeceu a um levantamento realizado pela Seção de Planejamento do 8º Batalhão. De acordo com o Administrador da Ceilândia Agora tenho certeza que teremos uma diminuição no índice de criminalidade. Eu espero oferecer um maior conforto aos moradores da Ceilândia e registrar nessas câmeras só alegria, principalmente durante a Copa. As câmeras de segurança têm como função primordial a inibição do crime, dando ao 20

21 possível infrator a certeza de que sua conduta está sendo observada pela polícia. A função secundária das câmeras é auxiliar na repressão, uma vez que possibilitam o acompanhamento em tempo real das áreas sob vigilância. Setrab inaugura agência do trabalhador da estrutural: Tem com objetivo de amenizar o problema de desemprego em Brasília, a Setrab, juntamente com o Governo do DF, preparou um projeto de qualificação de mão de obra. A iniciativa, chamada de Qualificopa, será voltada para preparar os brasilienses para trabalhar durante eventos como a Copa do Mundo, em Precisamos pensar Brasília de maneira estratégica para receber esses eventos. Se conseguirmos superar os gargalos da capacitação profissional, o aumento do emprego será um grande legado que a Copa do Mundo vai deixar para a cidade, justificou Glauco Rojas. Copa de 2014, Secretaria de Trabalho abre debate sobre qualificação profissional: Um encontro para debater as estratégias de qualificação profissional no DF visando a Copa de Para isso, cada convidado fez uma breve apresentação do seu setor, falou sobre as necessidades de mão-de-obra qualificada e apresentou sugestões para os programas de qualificação do governo. Micro e pequenas empresas do DF terão oportunidades com a Copa: A Copa de 2014 tem o potencial de gerar mais de 600 oportunidades de negócios para as micro e pequenas empresas do Distrito Federal. O número parte de um estudo do Sebrae encomendado à Fundação Getúlio Vargas (FGV) com o objetivo de mapear as possibilidades de negócios trazidas pelo Mundial de futebol. Até o final de agosto, o evento deve percorrer as 12 cidades-sede da Copa para apresentar os resultados regionais da pesquisa da FGV. Os seminários integram o Programa Sebrae 2014, que pretende discutir as oportunidades de negócios geradas pela Copa. Os megaeventos abrem também oportunidades para o crescimento no turismo, com a entrada das delegações e o foco da mídia, sobretudo um aumento no êxodo internacional para o Brasil. O turismo como parte integrante na realização dos eventos, tem como responsabilidade de receber e cuidar dos visitantes, espectadores e membros da organização em âmbito nacional e internacional. Os investimentos e serviços visam à promoção de uma imagem positiva do país, tendo em vista da efetividade do planejamento estratégico e organização da gestão pública com a intenção de maximizar os resultados. A proposta do Ministério do Turismo tem como objetivo de integração entre as cidades sedes dos jogos, com foco nas propostas geradas para o desenvolvimento turístico, que envolve áreas como infraestrutura, integração regional, marketing, qualificação, serviços e sustentabilidade geral do turismo. 21

22 Resultados De fato, esse tipo de megaevento, por mobilizar muitos setores da economia e gerar empregos, tem sua importância para a sociedade, mas preparar uma sociedade para sediar esse tipo de evento não é nada fácil. Exige a mobilização de uma incontável soma de recursos públicos, incentivando a desburocratização e a necessidade de apressar os procedimentos de acompanhamento dos gastos com o argumento da pressão dos prazos a serem cumpridos. Desse modo, os mecanismos de controle social sobre o acompanhamento desses gastos ficam muito limitados. De um modo geral, esses eventos rendem votos para alguns, aquecem a economia por alguns tempos, traz lucros para empreiteiras, o negócio de esportes e para empresas do setor turístico, mas pode deixar equipamentos abandonados ou subutilizados, desencadeia especulação imobiliária, exclusão e remoção de muitos que não possuem condições para enfrentarem a alta de preços nos locais que ocupavam anteriormente ou que, muito embora a conta seja paga por todos, atrapalham com sua presença, a realização de obras previstas. A importância do turismo para as cidades não deve ser menosprezada, mas se a pensarmos em função do turista estaríamos cometendo um erro, pois este é um alvo móvel. Considerações É necessário que a sociedade entenda a importância de ir além das encenações mostradas em belas peças publicitárias e procurar se informar, acompanhar os projetos previstos, discuti-los, avaliar o seu real impacto sobre a cidade e sobre a vida de seus habitantes e sua capacidade transformadora para nosso quotidiano. É preciso que toda essa mobilização de recursos seja feita de modo transparente Empresas envolvidas Identificar o perfil das empresas contratadas (por tamanho das empresas grandes, médias e pequenas) e a eventual recorrência nas contratações das mesmas. Introdução O Brasil, como país em desenvolvimento (PED), sediando os dois eventos internacionais mais importantes no âmbito esportivo, Copa do Mundo de Futebol de 22

23 2014 e Olimpíadas de 2016, busca mostrar que apesar de suas dificuldades internas, é suficientemente capaz de assumir obrigações grandiosas como tais eventos demandam. Porém, há um contraponto nessa questão. Como já dito, o Brasil é um PED, o que significa dizer que áreas básicas, como saúde, educação e segurança, estão com déficits orçamentário, funcional e de planejamento. Alguns autores, discorrendo sobre os impactos que esses megaeventos provocarão nas cidades brasileiras, defendem que não é aceitável o investimento de bilhões de reais em obras de infraestrutura localizadas apenas em 12 cidades, tendo em vista que todos os cidadãos, em todos os municípios, pagam seus impostos de forma igual e, diga-se de passagem, exorbitante. O que queremos dizer com isso, é que por mais renda, empregos, visibilidade internacional, entre outros, que esses eventos causem, não resolverão as problemáticas existentes no Brasil: a saúde continuará precária, a educação também. O capital, segundo Damo (2011), estará mais uma vez centralizado nas mãos da FIFA, no caso da Copa de 2014, e da COI, no caso das Olimpíadas de Sem contar que a grande maioria dos empregos gerados desaparecerá após esses megaeventos. Devemos estar atentos, também, aos trâmites de contratação das empresas para a realização das diversas obras exigidas pela FIFA e pela COI para a adequação aos jogos e demais competições. Muitas empresas, com auxílio de integrantes do poder público, tentam conseguir benefícios em relação a outras empresas para vencer licitações ou outros tipos de seleção para projetarem e executarem as obras previstas. Devemos estar atentos ainda ao superfaturamento através dessas obras. Para desvendar algumas dessas tramitações, elencamos algumas empresas contratadas para a realização das obras em Brasília, Distrito Federal. Empresas Contratadas No final do mês de junho foi votado e aprovado o Regime Diferenciado de Contratações, que, de acordo com a alegação do aceleramento das obras da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, prevê a criação da contratação integrada, em que a obra é contratada por inteiro e deve ser entregue à administração pública pronta para uso; o projeto básico de orçamento será feito através da entrega, por parte do governo, de apenas um anteprojeto de engenharia às empresas licitantes; a administração fará um orçamento interno, mantido em sigilo até o final da licitação; inversão das fases da licitação: primeiro, as empresas oferecem os lances, só quem vencer a licitação é que vai ter que apresentar a documentação da habilitação; entre outras mudanças. Essas mudanças se bem praticadas, poderão ser uma forma de 23

24 acelerar as obras, porém, há muitas críticas em relação a elas. Uma delas é o sigilo das empresas licitantes e do orçamento das obras. A seguir, listamos algumas das empresas contratadas para a realização das obras em Brasília, Distrito Federal, identificando o porte, a nacionalidade, o tempo de existência, quais obras realizarão e as incidências de contratação dessas em outras obras da Copa Andrade Gutierrez S. A. Responsável pela construção e operação do Estádio Nacional Mané Garrincha, DF, num consórcio com a empresa Via Engenharia S.A., foi também contratada para as mesmas funções na Arena Amazônia/Estádio Vivaldo Lima, AM, e no Estádio Jornalista Mário Filho, RJ. Na página virtual da empresa estão descritas as características da mesma como um grupo destacado pela competência e criatividade, na realização de grandes empreendimentos no Brasil e no mundo. Fundado em Belo Horizonte, hoje, com 63 anos de história, é um dos maiores grupos privados da América Latina, Alstom Brasil Energia e Transporte Ltda Fundada em 1955, a empresa possui sede nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rondônia, com previsão para mais uma na Bahia. Seus produtos e serviços são voltados para geração e transmissão de energia e infraestruturas ferroviárias, assim como soluções de Energia Limpa, como turbinas eólicas, possuindo mais de 5000 funcionários. É fornecedora de equipamentos para as usinas hidrelétricas do Rio Madeira e possui projeto desde 2008 para melhoria no metrô de São Paulo. É considerada líder mundial nos serviços que oferece e possui sede em cerca de 100 países. Para a Copa de 2014, foi contratada para fornecimento da primeira linha de veículo leve sobre trilhos da América Latina a ser construída em Brasília, formando um consócio juntamente com as empresas Via Engenharia S.A., Mendes Junior Trading e Engenharia S.A., Alstom Brasil Energia e Transporte Ltda., Dalcon Engenharia Ltda., Altran TCBR Tecnologia e Consultoria Brasileira S.A. Altran TCBR Tecnologia e Consultoria Brasileira S.A Atuante no cenário nacional possui aproximadamente funcionários. Presta serviços nas áreas de transporte, infraestrutura, turismo e desenvolvimento urbano e regional, saneamento básico, meio ambiente, recursos hídricos, tecnologia da informação, telecomunicações e indústria automotiva. Vencedora da segunda etapa do processo de licitação para as obras do VLT de Brasília foi acusada de fraude: Para o Ministério Público (...) tornaram claro o ajuste fraudulento realizado entre as empresas ALTRAN/TCBR TECNOLOGIA E CONSULTORIA BRASILEIRA 24

25 S/A, DALCON ENGENHARIA LTDA e o METRÔ/DF, para favorecimento privilegiado, em detrimento da livre concorrência. ATP Engenharia Com sede em Recife e posição no mercado de consultoria há vinte anos, presta consultoria nos setores de petróleo e gás, infraestrutura, logística, urbanização, meio ambiente (recuperação e operação de aterros sanitários), engenharia e energia elétrica. Para a Copa de 2014, possui projeto de reforma e ampliação do Aeroporto Internacional de Brasília. A empresa privada participará depois da realização de reunião com a presidente Dilma Rousseff que permite a realização de obras e serviços nos aeroportos. As empresas privadas ficarão com 51% de participação nas sociedades e a Infraero com 49%. Castro Mello Arquitetos Fundada no ano de 1936 pelo arquiteto Ícaro de Castro Mello. O mesmo foi grande destaque do atletismo do país e introduziu a arquitetura esportiva no Brasil projetando clubes, piscinas, ginásios e estádios. Possui em seu currículo obras no Estádio de Taubaté, Usina Hidrelétrica de Paranapanema e estádio do Santos. Para a Copa de 2014 está envolvido nos projetos de reconstrução do Estádio Jornalista Mário Filho, RJ, e Estádio Nacional Mané Garrincha, DF. No último foram contratados como autores e está previsto aumentar a capacidade para 70 mil pessoas, construção de cobertura, espaço para lojas e rampas para deficientes. Construtora Beter A Construtora Beter durante mais de 50 anos de existência tem como prioridade, segundo nota no endereço eletrônico, a qualidade na execução de suas obras. A empresa sempre executou trabalhos orientando-se pelas normas técnicas brasileiras e internacionais. Como consequência desse padrão, recebeu a Certificação da Fundação Vanzolini de Implementação e Manutenção do Sistema de Qualidade no Sistema de Qualificação de Empresas de Serviços e Obras SIQ e também o certificado do Programa Setorial da Qualidade PSQ Setor Obras. Está envolvida com as obras no Aeroporto Nacional do Mané Garrincha, em Brasília/DF, porém, suas ações não estão bem definidas tanto no endereço eletrônico da empresa, quanto no site oficial da Copa de Dalcon Engenharia Ltda Fundada no ano de 1967, possui sede em Curitiba, PR. Presta serviços de engenharia consultiva, nas áreas de Transportes Metroviários, Rodoviários, Urbanos, Ferroviários e Aeroportuários, bem como Saneamento Básico e Meio Ambiente, prestando os serviços de Planejamento, Estudos, Projetos, Gerenciamento e 25

26 Supervisão de Obras. Em abril de 2011 a empresa e a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba fecharam contrato para elaboração do projeto de requalificação da Avenida Comendador Franco que liga o aeroporto à rodoferroviária. Foi vencedora juntamente com a Altran TCBR Tecnologia e Consultoria Brasileira S.A da licitação para construção do VLT em Brasília e também acusada de envolvimento em esquema de benefícios ilegais na construção do VLT de Brasília para a Copa de Etalp - Escritório Técnico Arthur Luiz Pitta Engenheiros Associados A Etalp, responsável pelo projeto estrutural do Estádio Nacional Mané Garrincha, DF, é uma empresa conceituada no quesito de desenvolvimento e elaboração de soluções integradas voltadas à implantação de complexos industriais, praças e conjuntos poliesportivos, institucionais, comerciais, residenciais e paisagísticos, com aplicação de soluções tecnológicas altamente desenvolvidas. Atuante desde 1950, a Etalp busca soluções técnicas inovadoras e arrojadas no intuito de minimizar os custos e os prazos de execução das obras civis. Fundação GMP International GmbH architects and engineers A Fundação GMP, juntamente com a Castro Mello Arquitetos, foi a responsável pela arquitetura do Estádio Nacional Mané Garrincha, DF, e também da Arena Amazônia/Estádio Vivaldo Lima, AM. Com sede em Hamburgo, Alemanha, foi criado pelo escritório de arquitetura de Marg and Partners (BPF) em A Missão da fundação GMP é apoiar a educação de estudantes e diplomados, bem como pesquisa no campo da arquitetura e paisagismo em casa e no exterior. Tal fundação tem uma função bastante social, dando oportunidade a jovens desenvolverem seu talento no ramo da arquitetura. Mendes Junior Trading e Engenharia S.A. Fundada no ano de 1953, atuou em obras de grande porte como Usina Hidrelétrica de Furnas, barragem de Piumhi em Minas Gerais, Ponte Rio-Niterói, Transamazônica, Usina Hidrelétrica de Santa Isabel na cidade de Cochabamba, na Bolívia, rodovias na África e outros. Atua nos ramos de construção rodoviária, ferroviária, metroviária, portuária, hidroelétrica, termoelétrica, petróleo e gás, dutos, saneamento urbano, canais de irrigação e manutenção industrial. Participante do consórcio (construção do VLT de Brasília) investigado pelo MP apresentou recurso junto ao TJDFT e espera o resultado. Reobote Serviços e Eventos e Turismo LTDA 26

27 A Reobote localiza-se em Goiânia, GO, e foi a empresa vencedora da licitação para a construção do hotel a 560 metros do Aeroporto JK, DF. O objetivo da construção de tal hotel, segundo a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária Infraero, é oferecer hospedagem para passageiros em trânsito por Brasília. Esta empresa não está relacionada em site algum de divulgação de obras da Copa 2014, nem listada na página de licitações da Infraero, obtivemos essas informações através do contato com integrantes da coordenação de licitação da Infraero. Schlaich, Bergermann & Partner A Schlaich, Bergermann & Partner está responsável pelo projeto de cobertura do Estádio Nacional Mané Garrincha, DF, pela estrutura e cobertura da Arena Amazônia/Estádio Vivaldo Lima, AM, e pelo projeto executivo da cobertura do Estádio Jornalista Mário Filho, RJ. É uma empresa alemã com filiais nas cidades Stuttgart e Berlin, e em outros países em New York, EUA, e em São Paulo, BR. A empresa não divulgou em sua página eletrônica informações sobre a instituição. Steer Davies & Gleave A empresa em questão foi contratada para realizar a análise do fluxo de multidões e a revisão dos acessos e circulação de pessoas no Estádio Nacional Mané Garrincha, DF. Há 30 anos investe em técnicas de planejamento de transporte e desenvolvendo as habilidades do fluxo pessoal interno especializado. Via Engenharia S.A. Responsável pela construção e operação do Estádio Nacional Mané Garrincha, DF, num consórcio com a empresa Andrade Gutierrez S. A. Atuante há 30 anos no setor de Construção Civil e Mídia Especializada, é a maior empresa de engenharia do Centro-Oeste e atualmente é considerada uma das mais importantes e eficientes construtoras em atividade no Brasil. Considerações Como já dito, está em tramitação no Senado Federal está um projeto de lei que aprova tanto a isenção fiscal às empresas ligadas à organização da Copa do Mundo de 2014 quanto o sigilo dos orçamentos das obras. Porém, mesmo que ainda não tenha sido aprovada, parece que não só os orçamentos estão em sigilo, mas qualquer informação sobre a Copa de Isso vai contra o princípio constitucional da publicidade, onde os administradores públicos exteriorizam a impessoalidade e moralidade dos seus atos praticados. Quanto mais intensa e extensa for a publicidade dada ao ato, maior a 27

28 garantia da sua legalidade final. O que não acontece no Brasil (Diário de Justiça do DF, pg. 323). Hoje a divulgação de informações concretas é escassa, por isso a dificuldade de encontrar dados e documentos sobre transporte, saúde, obras, e no caso, empresas contratadas para a realização do evento esportivo. Dados não oficiais apontam que para a realização da Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016 no Brasil serão investidos de 21,8 a 60 bilhões de reais, dos quais 5,5 bilhões serão destinados aos estádios. Como dito anteriormente, há aqueles contra o evento, com a justificativa que existirão exorbitantes gastos públicos que poderiam ser investidos em setores mais carentes, como saúde e educação. Outros, porém são a favor, apontando que o evento trará investimentos em infraestrutura e desenvolvimento interno. Sendo partidário ou não é importante que exista uma excelente gestão que favoreça a população, ou seja, que todas as obras sejam voltadas para uma boa realização do evento, mas que o objetivo final seja trazer desenvolvimento econômico, social e ambiental. Afinal, o evento se realiza em algumas semanas, mas os benefícios dos investimentos deverão durar por gerações brasileiras Empregos Identificar o desempenho do nível de desemprego e o perfil dos empregos criados (se possível por setor da economia) Desempregos e empregos gerados pelos impactos da Copa do mundo De acordo com o relatório sobre o índice de desemprego, o nível de emprego caiu 6,2% entre abril e maio. Pressionado pelas dispensas no setor da construção civil causado justamente, pela conclusão das obras da Copa, o indicador mostrou que a situação que já era ruim pode piorar. Oficialmente, o índice de desemprego no Brasil é de 6,7 em O percentual foi apurado pelo departamento de estatísticas do governo no primeiro trimestre deste ano e consolidou a tendência de alta verificada desde o último trimestre de Naquele período, antes da crise econômica mundial chegar ao país, o desemprego atingia 21,9% da população economicamente ativa. A presidente da república, entretanto, espera índices ainda mais altos para os próximos meses. Em comunicado à imprensa, ela afirmou que trabalhadores de baixo nível educacional estarão entre os mais afetados pelas demissões. 28

29 Para a consultora Gillian Saunders, da Grant Thornton, contratada pela Fifa, a influência da Copa no mercado de trabalho brasileiro ainda é positivo. Segundo a empresa, sem o evento, os índices de desemprego poderiam ser ainda maiores. Um relatório produzido pela empresa mostra que 174 mil postos de trabalho foram mantidos no Brasil devido ao Mundial. Ela destaca também o papel estratégico do evento para a formação da mão deobra brasileira. Trabalhadores foram treinados e educados para o Mundial, diz ela. Estarão mais preparados para conseguir um emprego depois da Copa. A segurança temporária Siphathisiwe espera mesmo que sua experiência profissional durante o Mundial conte depois do torneio. Isso porque, para ela, o fim da Copa será o início da procura por um novo emprego. Vou ter que procurar um novo trabalho, prevê ela. Qualquer emprego serve. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estima que o custo de construção e remodelação dos estádios custará mais de R$ 1,9 bilhão. Além das construções e reformas de estádios, haverá ainda mais alguns milhões gastos em infraestrutura básica para deixar o país pronto para sediar o evento, o que poderá ocasionar mais desempregos ainda. Quando informado sobre a decisão de sediar o torneio, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, disse: "Nós somos uma nação civilizada, uma nação que está passando por uma fase excelente e temos tudo preparado para receber adequadamente a honra de organizar uma excelente Copa do Mundo." Teixeira estava na sede da FIFA, em Zurique, quando fez o anúncio. Nos próximos anos teremos um fluxo consistente de investimentos. A Copa de 2014 permitirá ao Brasil ter uma infraestrutura moderna, disse Teixeira. Em termos sociais será muito benéfico. Nosso objetivo é tornar o Brasil mais visível nas arenas globais, acrescentou. A Copa do Mundo vai muito além de um mero evento esportivo. Vai ser uma ferramenta interessante para promover uma transformação social. Em setembro de 2008, o Ministro de Transportes do Brasil anunciou o um trem de alta velocidade no Brasil, um projeto para a Copa do Mundo que faria a ligação entre as cidades de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. O projeto custaria R$ 11 bilhões, a tecnologia para a construção provavelmente será fornecida por empresas da França, Japão, Coreia do Sul ou Alemanha, que irá formar consórcios com empresas de engenharia brasileiras. No entanto, em 2 de julho de 2010, foi anunciado que a linha não é esperada para ser inaugurada antes do final de 2011 Em 31 de agosto de 2009, a agência estadual de gestão dos aeroportos da Infraero divulgou um plano de investimentos de R$ 5,3 bilhões para atualizar os aeroportos de dez cidades sede, aumentando a sua capacidade e o conforto para os centenas de milhares de turistas 29

30 esperados para a Copa. Uma parcela significativa (55,3%) do dinheiro será gasto reformulando os aeroportos de São Paulo e Rio de Janeiro. O valor de investimento abrange obras a serem realizadas até 2014, poderá gerar empregos temporários, o que por sinal não é muito satisfatório. O anúncio feito pela Infraero veio em resposta às críticas feitas pela Associação Brasileira de Aviação Geral, um grupo de proprietários de aviões particulares, de que os aeroportos do Brasil atualmente não poderiam lidar com o afluxo causado pela Copa do Mundo. O vice-presidente da associação, Adalberto Febeliano, disse a jornalistas que mais de fãs de futebol eram esperados, com cada uma tendo entre seis e quatorze voos durante o torneio para chegar aos jogos nas diversas cidades sede. A maioria dos aeroportos do Brasil foi construída antes do fim da Segunda Guerra Mundial e vários estão em ponto de saturação em termos de passageiros, de acordo com a associação. Acrescentou que deve ser possível reformar as instalações no prazo de três ou quatro anos, se existir vontade política. A Infraero afirmou em um comunicado: Na corrida contra o tempo, a Infraero garantirá que os sessenta e sete aeroportos na sua rede estejam em perfeitas condições para receberem com conforto e segurança os passageiros do Brasil e do exterior. Em maio de 2010, o governo brasileiro alterou a legislação de licitação para permitir maior flexibilidade para a Infraero. O Governo Federal informou em 17 de maio de 2010, que fará uma concessão de incentivos fiscais para a construção e remodelação de estádios para a Copa de Em nota, o Ministério da Fazenda disse que a concessão será de isenção fiscal para os estádios da Copa do Mundo, que não terão de pagar Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto de Importação (II) ou contribuições sociais (PIS/COFINS). Além disso, as 12 cidades que serão sede dos jogos da Copa do Mundo devem ser capazes de conceder a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre todas as operações envolvendo mercadorias e outros bens para a construção ou remodelação dos estádios. Condicionais sobre a concessão cumulativa dos benefícios envolvendo Imposto de Importação, IPI e PIS/COFINS, a isenção de ICMS sobre as importações só serão aplicáveis se a mercadoria não tiver um produto similar de produção nacional, informou em nota, acrescentando que esta decisão deve ser viabilizada através de uma Lei ou Medida Provisória. Em setembro passado, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu uma linha de crédito de R$ 4,8 bilhões para os estádios da Copa do Mundo. Cada cidade anfitriã será capaz de financiar até R$ 400 milhões, ou 75% do projeto, com recursos do Banco. 30

31 Daqui três anos o Brasil irá sediar a Copa do Mundo e muita obra ainda precisa ser feita. O país vai precisar criar mais de 700 mil vagas de emprego, pois faltam profissionais em várias áreas. Quase 30 bilhões serão gastos para preparar o Brasil para o mundial. Estima-se que o evento vai gerar 332 mil empregos permanentes e 381 mil temporários. Cuiabá A construção civil é o setor que mais causa desempregos. Em Cuiabá, mil pessoas já foram selecionadas para trabalhar na construção da nova Arena Pantanal, ou seja, só irá trabalhar quem tem especialização, mas isso ainda é pouco. Para qualificar toda mão de obra, cursos de capacitação estão sendo oferecidos pelo Governo do Estado e até por empresas que precisam de trabalhadores. Contudo, sobram vagas nos cursos, não têm gente interessada e as vagas precisam ser preenchidas. Belo Horizonte Uma situação bastante parecida acontece em Belo Horizonte, onde serão criadas 22 mil vagas. No Mineirão, estádio que irá receber jogos da Copa, o projeto está na segunda etapa. No momento, 300 operários estão no canteiro. O pico de contratações será no início do ano que vem, com dois mil operários. A demanda atual é por eletricistas, armadores, serventes, carpinteiros, pedreiros, operadores de máquina, motorista para veículos pesados e bombeiros. Fortaleza Esta é uma área onde requer especialização em turismo, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba são as capitais mais preparadas. Fora desse circuito, o nordeste está precisando de gente. Em todo Ceará, mais de 10 mil pessoas estão fazendo cursos para receber os As camareiras recebem por 30 dias informações sobre postura profissional, como se comunicar com os visitantes e até cultura sobre o estado. Elas também têm aulas práticas e aprendem como deixar tudo pronto e receber hóspedes. Além do curso de camareira, são oferecidas aulas para gerentes, recepcionistas, garçons e cozinheiras. A remuneração do setor varia de um salário mínimo a R$ Florianópolis 31

32 Em Santa Catarina, a área que mais cresce impulsionada pela Copa do Mundo, é a tecnologia da informação. Uma empresa do estado dobrou a taxa de crescimento depois que decidiu focar no mundial. Entretanto, o setor enfrenta um grande desafio: falta mão de obra especializada. Em todo o estado existe mais de duas mil vagas de emprego na área de TI. Em uma empresa visitada pela equipe do Jornal Hoje, são 79 empregos. Para engenheiros desenvolvedores de softwares e gestores de projeto o salário varia de R$ 2 mil a R$ 4 mil. Há vagas também para quem fez curso técnico e estudantes universitários, ou seja, mais uma seletiva eliminatória de emprego. Manaus A perspectiva do Governo do Amazonas é de que a Copa do Mundo possa gerar cerca de 50 mil empregos diretos e 120 mil indiretos no estado, sendo as principais: Infraestrutura e Construção Civil - Arena da Amazônia: diretos e indiretos - Mobilidade Urbana (Monotrilho): diretos e indiretos - Mobilidade Urbana (BRT): e indiretos - Aeroporto: diretos e indiretos - Porto: diretos e indiretos - Saneamento (Prosamim): diretos e indiretos - Centro de Convenções: 450 diretos e indiretos - Rede Hotelaria: diretos e indiretos * Outros Serviços: - Segurança: cinco mil policiais militares - Saúde: diretos e indiretos - Energia: diretos e indiretos - Telecomunicações: diretos e indiretos - Turismo: diretos e indiretos Todas essas oportunidades só serão possíveis para quem tem alguma especialização, o grande ponto fraco disso é a falta de oportunidade para quem não tem o conhecimento devido, eles deveriam oferecer mais cursos preparatórios, gerar 32

33 mais oportunidades também para aqueles que são despreparados e isso tudo também irá gerar um grande impacto no setor público, pois serão retirados dos cofres públicos muitas verbas para todo esse financiamento. De cada dez empregos que devem ser gerados em função da Copa do Mundo de 2014, seis estarão em micro e pequenos negócios, segundo estimativa apresentada pelo presidente do Sebrae Nacional, Luiz Barretto, durante o Encontro Sebrae de Negócios-Oportunidades para 2014, realizado em Brasília. Considerando uma estimativa de 700 mil empregos diretos e indiretos em todo o país até 2014, 420 mil estariam no quadro de funcionários de pequenos negócios. Mas, para que essa previsão se concretize, é preciso investir na preparação dos empresários. Esse é o objetivo de uma série de encontros que serão realizados até o dia 30 de agosto. O circuito de 12 seminários integra mais uma etapa do Programa Sebrae 2014, que pretende discutir as oportunidades de negócios geradas por ocasião da Copa do Mundo, identificar os requisitos e estratégias necessários para alcançá-las, além de promover a capacitação dos pequenos empresários. O primeiro encontro foi realizado no Rio de Janeiro e o último será em Manaus. Durante o seminário, que será realizado até o fim do dia, será apresentado o Mapa de Oportunidades para as Micro e Pequenas Empresas do Distrito Federal, que identificou 539 oportunidades de negócios na capital federal. A expectativa, segundo o estudo, é que sejam criados no Distrito Federal novas empresas e gerados empregos. "O crescimento de oportunidades e negócios será irreversível. É uma exposição muito grande para a capital federal do ponto de vista do turismo, que trará muitos benefícios", afirma o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. Como exemplo de legado, o governador citou as obras do estádio Mané Garrincha, que, segundo ele, transformarão o local em um centro para eventos de negócios ou em uma arena artística. O governador citou ainda que serão realizados investimentos em obras de infraestrutura de mobilidade, no aeroporto e no setor de hotelaria. Como podemos observar a copa do mundo vai criar muitas oportunidades de empregos e vai produzir um efeito multiplicador nos investimentos no País e injetará R$ 142,39 bilhões na economia. O resultado será a criação de 3,63 milhões de empregos e R$ 63,48 bilhões de renda para a população até a realização do evento. Os dados fazem parte do estudo Brasil Sustentável - Impactos socioeconômicos da Copa do Mundo2014 divulgado ontem e desenvolvido pela Ernst & Young em parceria com Fundação Getúlio Vargas (FGV). São Paulo é a terceira cidade que deverá realizar mais investimentos (R$ 1,45 bilhão), atrás do Rio de Janeiro (R$ 1,97 bilhão) e Natal (R$ 1,49 bilhão). A atividade econômica mais beneficiada pela Copa do Mundo será a construção civil, com R$ 8,14 bilhões adicionais. Os serviços prestados às empresas e 33

34 serviços imobiliários e de aluguel também terão vantagens com o evento. Os dois setores terão R$ 6,5 bilhões e R$ 4,4 bilhões adicionais, respectivamente. O estudo mostra que a Copa gerará reflexos e benefícios em diversos setores da economia e da sociedade, mas por outro lado apresenta vários riscos e necessita de processos de gestão eficientes no setor público e privado para proporcionar esses benefícios. O estudo fez uma análise do impacto da Copa para cada setor da economia. O setor têxtil, por exemplo, terá o maior crescimento, com impacto previsto em R$ 580, 47 milhões. Em segundo lugar está o setor de peças e acessórios automotivos, com lucro previsto de R$ 469,23 milhões. Eletrodomésticos e máquinas vêm em seguida, com previsão de lucro de R$ 429,40 milhões, seguido pelo setor de aparelhos e materiais elétricos, com crescimento de R$ 384,20 milhões. Os setores primários é claro que será o da construção civil e turismo mais como vamos ver no gráfico abaixo todas as áreas vão ter uma grande contribuição com a copa de Os dados foram organizados em uma tabela contendo os ganhos previstos para cada setor ao pensarmos em ganhos também pensamos em mão de obra e mais empregos sendo gerados em nossa economia como podemos observar o crescimento do PIB em cada setor. Impacto nos setores SETOR Têxtil Peças e acessórios para veículos Eletrodomésticos Aparelhos e materiais elétricos Máquinas e equipamentos Produtos de madeira Artefatos de couro e calçados Aparelhos médico-hospitalares Equipamentos de transporte Caminhões e ônibus Máquinas para escritório e equipamentos de informática PIB do setor (R$ milhões) , , , , , , , , , ,29 Crescimento do PIB em função da Copa 3,12% 2% 10,24% 2,41% 0,84% 2,32% 2,61% 1,36% 0,86% 1,43% Impacto (R$ milhões) 580,47 469,23 429,40 384,20 267,64 259,97 242,70 131,44 81,92 47, ,72 0,12% 3,95 Hoje as áreas com uma maior movimentação têm sido mais fortes em duas áreas: construção civil e marketing. No primeiro caso, os motivos são óbvios, já que o Brasil não quer fazer feio durante o evento, apresentando estádios em condições precárias. Há um grande movimento em construção civil, em infraestrutura, que tem de estar pronta o quanto antes. O movimento não é só de contratação de mão-de-obra menos qualificada, mas de executivos, como gestores de obra, que são cargos mais estratégicos, explicou Mayra. 34

35 E erra quem pensa que a infraestrutura se resume aos estádios: "é preciso pensar fora da caixa", ressalta a consultora. O que ela quer dizer é que existe toda uma gama de serviços que está por trás dos holofotes e dos gramados, como hotéis e restaurantes. Uma grande rede de hotéis exemplifica, já está contratando mão-de-obra para construir unidades novas em cidades-sede. Além da construção civil, outra área que já está agitada para a Copa é a de marketing focada em esportes. Essa era uma área que já estava aquecida, mas que teve um agito fora do comum por conta do campeonato mundial. E esses profissionais, dependendo do desempenho mostrado durante o campeonato, podem sim conquistar uma vaga no mercado de trabalho. Alguns serão absorvidos, mas outros não, ponderou a consultora. Depois de montada toda a infraestrutura e de iniciado o campeonato, entram em campo os profissionais que lidarão com a organização do evento: seguranças, guias turísticos, garçons, camareiras e demais profissionais de menor qualificação serão bastante demandados. De acordo com Mayra, muitas pessoas falam que a Copa gerará empregos pontuais e temporários, o que está errado quando se estende a afirmação para todos os tipos de emprego. Isso é verdade quando se fala em empregos de menor qualificação, que têm relação direta com o funcionamento do evento. E esses profissionais, dependendo do desempenho mostrado durante o campeonato, podem sim conquistar uma vaga no mercado de trabalho. Alguns serão absorvidos, mas outros não, ponderou a consultora. Depois da copa dependendo de como a imagem do Brasil ficar depois da Copa do Mundo de 2014, pode-se ter certeza de que dois mercados sairão mais aquecidos: o de comércio exterior e turismo; É fácil de notar isso: se uma empresa percebe que um evento organizado mundialmente por um país foi brilhante, passa a confiar mais nele. Com isso, as companhias desse país ganham mais visibilidade e o número de negócios com o exterior cresce, o que é bom para os profissionais que atuam nessa área. Desta forma, surge a resposta para o motivo de que a Copa não gera só empregos temporários: você acha que uma empresa demitiria um profissional estratégico que a ajudou a passar uma boa imagem durante a Copa e que, por isso, movimentou o número de negócios. Considerações A Copa do Mundo de 2014, na área de empregos, vão gerar um grande crescimento no Brasil, tanto na área de infraestrutura como em todas as outras áreas de serviços. Teremos também, de imediato, empregos em cursos de capacitação de funcionários e também na área informal nesses próximos anos, e principalmente, as 35

36 cidades sedes terá um grande desafio nas áreas de infraestrutura como construção de novos estádios, construções e ampliações de Hotéis, melhoras no transporte público e tentativas e resoluções de diversos problemas sociais, porque só assim poderemos chegar a um bom desempenho, pois trazer turistas para assistir a Copa no Brasil será fácil, o desafio será fazer esses turistas acharem o Brasil interessante como pólo de turismo e voltarem ao Brasil depois da Copa, para que possamos continuar crescendo e aumentado a nossa taxa de emprego Parcerias entre o setor público e o setor privado Identificar eventuais modalidades de parceria público-privada (PPP, concessões, etc) na gestão dos equipamentos esportivos e equipamentos urbanos construídos para os eventos esportivos. Introdução Atualmente está em evidência, no âmbito da Administração Pública, a análise das parcerias entre o setor público e a iniciativa privada. Estas parcerias visam, em relação ao Poder Público, a suprir a insuficiência de investimentos em infraestrutura por recursos próprios. Tendo em vista a impossibilidade de maior arrecadação de capital do setor privado por meio de recursos tributários e a ausência de fundos por parte do Estado para investimento em infraestrutura, se torna fundamental o estudo e o emprego das parcerias público-privadas (PPP) como forma de captação de recursos das esferas privadas na forma de investimentos. Definição A definição legal do instituto da parceria público-privada consta no art. 2º da Lei Federal /2004: é o contrato administrativo de concessão na modalidade patrocinada ou administrativa. No mesmo dispositivo ainda constam os conceitos de concessões patrocinadas e administrativas. Nas palavras de Marçal Justen Filho, parceria público-privada é um contrato organizacional, de longo prazo de duração, por meio do qual se atribui a um sujeito privado o dever de executar obra pública e (ou) prestar serviço público, com ou sem direito à remuneração, por meio da exploração da infra-estrutura, mas mediante uma garantia especial e reforçada prestada pelo Poder Público, utilizável para a obtenção de recursos no mercado financeiro. 36

37 As parcerias público-privadas são contratos que estabelecem vínculo obrigacional entre a Administração Pública e a iniciativa privada visando à implementação ou gestão, total ou parcial, de obras, serviços ou atividades de interesse público, em que o parceiro privado assume a responsabilidade pelo financiamento, investimento e exploração do serviço, observando, além dos princípios administrativos gerais, os princípios específicos desse tipo de parceria. Modalidades Lei Federal nº /04, art. 2º. Concessão patrocinada 1º. Concessão patrocinada é a concessão de serviços públicos ou de obras públicas de que trata a Lei n 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, quando envolve adicionalmente à tarifa cobrada dos usuários contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro privado. Na parceria público-privada patrocinada o serviço é prestado diretamente ao público, com cobrança tarifária que, complementada por contraprestação pecuniária do ente público, compõe a receita do parceiro privado. Estando presentes a cobrança de tarifas aos usuários e a contraprestação pecuniária do concedente, estar-se-á diante de uma concessão patrocinada, ainda que o concessionário também receba contraprestação não pecuniária da Administração e outras receitas alternativas. Concessão administrativa: 2º. Concessão administrativa é o contrato de prestação de serviços de que a Administração Pública seja a usuária direta ou indireta, ainda que envolva execução de obra ou fornecimento e instalação de bens. Contrato de concessão cujo objeto é a prestação de serviços (público ou não) diretamente à Administração Pública, podendo o particular assumir a execução da obra, fornecimento de bens ou outras prestações. Portanto, há dois tipos de concessões administrativas: A concessão administrativa de serviços públicos, em que a Administração Pública é usuária indireta, tem por objeto os serviços públicos a que se refere o art. 175 da Constituição Federal. A concessão administrativa de serviços ao Estado visa a prestar serviços ou fornecer utilidades diretamente à Administração. Em ambas modalidades de concessão administrativa, o Poder Público assume o ônus relativo ao pagamento do serviço prestado. Distinção de concessão comum : 37

38 3º Não constitui parceria público-privada a concessão comum, assim entendida a concessão de serviços públicos ou de obras públicas de que trata a Lei n 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, quando não envolver contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro privado. As parcerias público-privadas admitem somente as modalidades de concessão patrocinada e de administrativa; isso significa que a concessão comum, a qual tem por objeto os serviços públicos tratados na Lei nº 8.987/95, não é regida pela Lei Federal /04, mas pela Lei das Concessões e legislação correlata. Se ausentes os demais requisitos elencados na Lei específica das parcerias e a remuneração por parte da Administração Pública limitar-se à contraprestação nãopecuniária ou alternativa, caracterizar-se-á a concessão comum. Tipicidade Em 30 de dezembro de 2004, foi sancionada a Lei Federal nº que disciplinou normas gerais para licitação e contratação de parceria público-privada no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (art. 1º da Lei). No entanto, antes da edição desta Lei, diversos Estados, amparados pelo texto do art. 24, 3º, da Constituição Federal, já haviam determinado normas próprias para esse tipo de contratação. Os Estados de Minas Gerais, com a Lei /03, de Santa Catarina, com a Lei /04, e de São Paulo, com a Lei /04, são exemplos de estados que possuem lei estadual com regras específicas sobre o tema. A legislação brasileira já autorizava, há muito, o negócio jurídico entre setores público e privado em cooperação e parceria na prestação de atividades públicas. A novidade é que a Lei Federal nº /04, além de suprir a ausência de um conceito de parcerias público-privadas, delineou um sentido restrito paro o termo, limitando as parcerias às modalidades patrocinada e administrativa. Importante ressaltar que a Lei Federal fornece normas gerais sobre matéria de contratação, licitação e orçamento, aspectos que são regulados por outras normas federais, tais como a Lei nº 8.666/93 de contratações públicas e licitação, a Lei nº 8.987/95 das concessões e, ainda, a Lei de Responsabilidade Fiscal que estabelece diversos limites à assunção de encargos pelo Poder Público. Assim, as normas que regulam as parcerias público-privadas integram um plexo normativo amplo, sem derrogar regras específicas, e, por isso, não podem ser analisadas de forma isolada. 38

39 Características A tutela dos riscos na PPP brasileira: Uma característica inovadora dos contratos de parceria público-privada é a previsão legal da repartição objetiva dos riscos entre as partes (art. 5º, III), observando a capacidade do contratado. A transferência de riscos é fundamental para que o contrato alcance o objetivo principal de sua constituição, a eficiência econômica na prestação de serviços públicos. Ademais, se a repartição dos riscos é prevista pela Lei vigente e claramente explicitada no edital, e, ainda, respeitada as condições objetivas do particular de se responsabilizar por tais riscos, não há de se falar em quebra do equilíbrio econômicofinanceiro, muito menos em desvirtuamento das condições efetivas da proposta. Regime jurídico: art. 3º da Lei Federal /04 É importante salientar que o contrato de parceria público-privada não é um contrato privado da Administração Pública. O regime jurídico das concessões patrocinadas e administrativas não difere substancialmente do regime contratual da concessão comum, exceto por algumas peculiaridades previstas na Lei Federal que determina, no art. 3º, a qual regime jurídico estão submetidas as respectivas modalidades de concessão. A necessidade da estipulação em contrato do prazo máximo do vínculo obrigacional, inciso I, art. 5º da Lei /04, e a previsão relativa à inadimplência pecuniária do concedente, inciso VI do mesmo artigo, são exemplos de exigências contratuais que se aplicam à concessão patrocinada mas não às comuns. Outros traços contratuais, como a previsão de garantias de adimplemento das obrigações pecuniárias do concedente (art. 6º) e a exigência de constituição de sociedade de propósito específico (art. 9º), são, também, aspectos exclusivos das concessões patrocinadas e administrativas, as quais são submetidas ao mesmo regimento, diferenciando-se apenas na matéria tributária, inexistente na concessão administrativa. Distinção de privatização Ao contrário do que ocorre nas privatizações, as parcerias público-privadas não importam em alienação definitiva do controle da política pública. Ademais, os contratos de parceria possuem maior abrangência em relação aos objetos cuja delegação é permitida. Portanto, privatização e parceria público-privada são contratos administrativos distintos e não se confundem. 39

40 Requisitos 4º É vedada a celebração de contrato de parceria público-privada: I cujo valor do contrato seja inferior a R$ ,00 (vinte milhões de reais); II cujo período de prestação do serviço seja inferior a 5 (cinco) anos; ou III que tenha como objeto único o fornecimento de mão-de-obra, o fornecimento e instalação de equipamentos ou a execução de obra pública. (Lei /04, art. 2º) A Lei Federal /04 fixou alguns requisitos para a contratação da parceria público-privada, diferenciando, portanto, no plano jurídico, as respectivas modalidades de concessão, afastando eventual confusão entre as concessões comum e patrocinada que possuem objetos similares. A contratação das parcerias tem como finalidade arrecadar investimento privado para setores de infraestrutura pública, o que envolve custos elevados. Portanto, não se justifica a contratação do particular por meio de parceria públicoprivada cujo valor do objeto seja inferior a R$20 milhões. A prestação dos serviços deve perdurar no mínimo por 5 anos. Ainda em relação a prazo, o art. 5º da Lei das parcerias público-privadas exige a previsão nas cláusulas contratuais do termo final do vínculo obrigacional, assim a vigência do contrato de parceria público-privada não pode ter prazo inferior a 5 anos nem superior a 35. A previsão do prazo mínimo legal visa tanto a permitir à Administração Pública amortizar o investimento, como a expor o responsável pela obra ou serviço (particular contratado) ao risco do prejuízo econômico da má execução da infraestrutura. Não obstante, os demais elementos essenciais do contrato devem restar caracterizados. Portanto, em instituto distinto das parcerias público-privadas resulta o contrato que não estipular a repartição dos riscos entre as partes, nem delegar a responsabilidade e a gerência pela execução da obra. Impossibilidade de mera execução de obra pública como objeto das PPP: É necessário reconhecer a possibilidade ou não da contratação da parceria público-privada que tenha por objeto único a execução de obra pública. Essa dúvida resulta da interpretação extraída do confuso conceito legal de concessão patrocinada (...a concessão de serviços públicos ou de obras públicas de que trata a Lei n ), em face da limitação prevista no inciso III, 4º, art. 2º da Lei /04. Este dispositivo legal veda a celebração do contrato de parceria público-privada que tenha por objeto único a execução de obra pública. De consequência, visando a resolver o conflito, entende-se que a concessão patrocinada resta caracterizada na 40

41 prestação de serviços públicos, precedida ou não do fornecimento de mão-de-obra, equipamentos ou da execução de obra pública. Dessa mesma ideia compartilham Maria Sylvia di Pietro, para quem as obras públicas seriam admitidas como preliminares da contratação de serviços públicos por meio da parceria público-privada, e Celso Antônio Bandeira de Mello, que considera nulo o contrato de parceria que estipule como objeto principal prestação de atividade que não seja serviço público. Justificativa diversa apresenta Marcos Barbosa Pinto, que ressalta a eficiência econômica dos contratos de parceria público-privada. Em decorrência, considera uma forma disfarçada de contrair dívidas, portanto, um meio de burlar a Lei de Responsabilidade Fiscal, a celebração do contrato que tenha por objeto único a prestação de obra pública. Para Carlos Ari Sundfeld, a vedação da mera execução de obra pública por meio de parceria público-privada tem como finalidade prevenir o desinteresse econômico do particular pela boa execução do contrato, pois a contraprestação por parte da Administração Pública será obrigatoriamente precedida da disponibilização do serviço contrato (art. 7º), e, ainda, variável de acordo com o desempenho do parceiro privado, conforme metas e padrões de qualidade e disponibilidade fixadas (art. 6º, parágrafo único). Em resumo, é vedada a celebração de contrato de parceria público-privada que tenha como objeto único a execução de obra pública. Da interpretação do confuso texto legal do 1º, art. 2º da Lei /04, extrai-se que as obras públicas podem preceder ou não a prestação de serviços públicos, no entanto, na ausência da contratação destes estar-se-á diante de contrato diverso ao de parceria públicoprivada. Princípios específicos As diretrizes a serem observadas na contratação das parcerias públicoprivadas estão dispostas no art. 4º da Lei das Parcerias Público-Privadas. Além dos princípios gerais consagrados no ordenamento jurídico, a celebração do contrato deve observar alguns preceitos específicos. O diploma legal das parcerias público-privada não somente reforçou determinados princípios como o da eficiência, da responsabilidade fiscal e da transparência dos procedimentos e decisões, presentes em diversos textos legais vigentes, como inovou ao determinar a repartição dos riscos de acordo com a capacidade dos parceiros em gerenciá-los. 41

42 Não obstante, na contratação deve ser observada a sustentabilidade financeira e vantagens socioeconômicas do projeto de parceria (inciso VII, art. 4º). Isto quer dizer, o contrato celebrado entre o Poder Público e o particular deve tanto observar a viabilidade econômica e o retorno financeiro como atender ao interesse público. É necessário, ainda, identificar a abrangência do contrato de parceria públicoprivada, ou seja, quais as funções que podem ser delegadas ao ente da iniciativa privada. Da leitura do inciso III, art. 4º, da Lei /04, extrai-se que a margem para atuação da iniciativa privada dependerá dos termos de cada contrato, o que expressamente permite delegar todas as funções, à exceção das funções de regulação, jurisdicional e do exercício de poder de polícia e de outras atividades exclusivas do Estado. Experiência brasileira nas Parcerias Público-Privadas O contrato administrativo de parcerias público-privadas é considerado um meio eficaz na obtenção de recursos da iniciativa privada destinados a serviços públicos e setores de pouca viabilidade econômica quando prestados exclusivamente pelo Poder Público. Países como Inglaterra no qual as parcerias público-privadas são denominadas Private Finance Initiative, Portugal, Chile, além de outros países, já comprovaram a eficiência econômica da parceria e cooperação entre o particular e o ente da Administração Pública na prestação de serviços. No Brasil, há muito já ocorria a associação entre Estado e particular visando à satisfação de interesses públicos; isso significa que, em relação à experiência jurídica brasileira, o instituto da parceria público-privada não importou substancial alteração. De consequência, as inovações apresentadas pela Lei Federal /04 limitam-se à formação do conceito legal de contrato de parceria público-privada, à definição das respectivas modalidades e à previsão de características peculiares do instituto. A concessão de rodovias é uma das principais experiências brasileiras na efetivação de contratos de parceria público-privada. Aproximadamente quilômetros da malha rodoviária brasileira são gerenciados por concessionárias privadas, todas constituídas em Sociedades de Propósito Específico. Considerações Experiências internacionais comprovam a eficácia da atuação da iniciativa privada nas políticas públicas, com vantagens não somente econômicas como também práticas, em que o particular contratado detém condições de prestar um serviço público mais qualificado. Assim, interessa cada vez mais à sociedade a 42

43 aproximação do Estado da iniciativa privada, direcionada à arrecadação de capital privado para investimento e financiamento de obras e serviços públicos. Portanto, dentre os contratos administrativos que possibilitam essa relação entre os setores públicos e privados, a parceria público-privada se destaca pelo compartilhamento dos riscos e pela arrecadação de valores elevados, assumindo fundamental importância nos investimentos em infraestrutura, e, de consequência, no crescimento econômico brasileiro Setor Informal Identificar os impactos sobre o setor informal (camelos e trabalhadores do sexo) Introdução Brasília é credenciada para sediar a abertura oficial da Copa do Mundo de 2014, e consta no ranking das cidades favoritas a receber o espetáculo inicial. O avançado do estado das obras do Estádio Nacional antigo Mané Garrincha, que já tem 33% da reforma concluída, datado do dia 05 de julho de 2011, impressionou o ministro do Esporte, Orlando Silva. Em uma entrevista coletiva do dia 04 do mesmo mês, durante uma simulação de vistoria anti-bombas, na futura arena, ele anunciou que a capital se credencia fortemente para ser palco do primeiro jogo do Mundial do Brasil. Orlando Silva ao assistir o estágio processual de construção do estádio e visualizando o andamento acelerado da obra, se comparado aos demais estados brasileiros credenciados a sediar a copa e já sabendo que mais de um terço do programado, fora executado, diz que a sua credibilidade e confiança em relação a Brasília torna-se aumenta, na medida em que continue a cumprir seu cronograma, credencia-se fortemente para poder receber a abertura do Mundial. Para ele, a escolha da capital federal para abrir as inspeções preventivas foi uma homenagem ao Governo do Distrito Federal e ao adiantado desenvolvimento das obras. Todas as 12 arenas das cidades-sede da Copa vão passar por procedimentos semelhantes. As etapas de escavações e fundações da reforma do Estádio Nacional de Brasília estão em fase de conclusão. Os 1,9 mil funcionários do consórcio deram início às construções de estruturas da arquibancada da arena, que terá capacidade para 71 mil espectadores. Até o momento, já foram edificados 10% de estrutura. A previsão é que o estádio fique pronto até dezembro de 2012, estando apto a ser utilizado na Copa das Confederações, em junho de 2013, considerado um evento-teste para o Mundial. 43

44 Uma abordagem do ponto positivo de manutenção do Estádio de Brasília, para consecução de credibilidade e suporte a crescente demanda social, em vários dos aspectos relativos ao consumo de inúmeros produtos, é do viés de desenvolvimento de um estádio verde, em que o Estádio Nacional de Brasília pode ser o primeiro do mundo a receber o mais conceituado certificado internacional de construção sustentável, o Leadership in Energy and Environmental Design Platinum. O selo verde é concedido pela United States Green Building Council, conselho que envolve 115 países. Com ideias de mitigação da produtividade e maximização de recursos naturais, como o reaproveitamento de água da chuva e captação de energia solar, que fazem com que as chances de se receber o prêmio de certificação aumentem. A ecoarena já conta com 87 pontos de um total de 100 a serem avaliados para garantir a titulação. Um prêmio como esse, demonstra a saliência de padrões construtivos em Brasília se comparados aos demais projetos de estádios em outros países, tais quais como os Estádios norte-americanos que detêm os certificados Gold ou Silver, mas o selo Platinum nunca foi concedido. A iniciar-se por esse histórico de projeção de fomento ao suporte e a demanda de indivíduos, esse texto aborda o levantamento de aspectos concernentes a indústria do sexo e da atividade de camelôs, tentando no mínimo fazer uma prospecção do comportamento, tanto por parte dos comerciantes, quanto por parte dos agentes reguladores e fiscalizadores. Objetivo Tenta-se tratar perspectivas de ações tanto estatais quanto pertinentes a civis e a análises comportamentais de ambos, almejando um enquadramento da maneira como se vê as principais temáticas de abordagem desse presente trabalho indústria do sexo e ações de camelôs- e de como será tratada, essas questões tanto por parte da população quanto por parte da Fiscalização de Brasília. O camelô é entendido como ou/vendedor ambulante, nome comum dado aos vendedores de rua do comércio informal ou clandestino, com banca improvisada, em especial nas grandes cidades. Os camelôs são combatidos pelas autoridades governamentais, entrando frequentemente em conflito aberto com elas, uma vez que, segundo estas autoridades eles: 1. Vendem produtos muitas vezes contrabandeados e de qualidade duvidosa (normalmente importados da Ásia), ou então produtos piratas/falsificados, copiando marcas e cd s em mídias e em muitos casos vendem até mesmo produtos roubados. 44

45 2. Fazem mau uso do espaço público (ocupando as calçadas e atravancando a livre passagem dos transeuntes); 3. Não pagam impostos, ao contrário dos lojistas licenciados (crimes de Sonegação de Impostos e Concorrência Desleal). No Brasil, em 2011, estimava-se que há uma sonegação de R$ 30 milhões de impostos por ano somente com a venda de camisas e tênis pirateados. Dois milhões de empregos formais deixam de ser gerados com o mercado de produtos piratas 4. Em alguns casos, roubam água e luz da rede pública para iluminação da sua banca ou para a produção de alimentos; 5. Atentam contra a saúde pública, quando vendem alimentos sem procedência comprovada, com prazo de validade e condições de conservação desconhecidas, ou quando vendem produtos para uso corporal falsificados que podem causar danos físicos ao consumidor. Iniciativas coercitivas governamentais são vistas, tais como algumas citadas nos tópicos, mas longe de darem conta da limpeza das atividades irregulares e da quantidade de comerciantes irregulares. Os camelôs são considerados um reflexo do crescimento alarmante do desemprego, embora seu modo de vida não seja considerado desemprego e sim subemprego, podem ser visualizados dispersados por todas as Regiões administrativas de Brasília, em que constitui uma forte influência para o grande evento, nos arredores da Rodoviária do Plano Piloto e no sentido translado para o estádio. Devido ao fato da não apropriação de arcabouçoes voltados a essa temática, focalizando a copa do mundo e a partir da pesquisa de campo, em meio a entrevistas, contatou-se que o que fica mais evidente é a coadunação de grande parte dos camelôes de todas as RA s de Brasília, circuncrvendo o então reformado estádio com diversos produtos, cabe saber então como se dará a fiscalização de atividades não lícitas, o que se tornará explanatório e esclarecedor a partir do parecer de um auditor fiscal, da Agência de Fiscalização do DF, que será visto nas considerações finais. Já quanto a indútria do sexo, essa que é considerada como um termo utilizado para exprimir o significado referente às empresas que fornecem produtos ou serviços considerados eróticos com algum nível de relação com a prática do ato sexual, não restringe-se somente a prostíbulos, mas também a lacoadoras de filmes eróticos e a lojas destinadas a venda de produtos eróticos. Entretanto, o foco aqui destinado se dará à profissionais do sexo distribuídos de maneira disfusa ao longo de toda a W3, tanto norte, quanto Sul. A prostituição se dará em pequenos apartamentos e ou pensões. 45

46 Resultados Esperados 1- Para a Indústria do Sexo: Não fora gerado, tanto foco a estes destinatórios - a todos relativos à indústria do sexo - devido a necessidade de ser parcimonioso e buscar o lado em que esse tipo de pauta será mais preponderantemente afeto. Enxarga-se uma demanda crescente por parte tanto de Brasileiros quanto de estrangeiros, em busca dos serviços de prostíbulos, subestimados pelos segundos de acordo com o viés da disparidade do valor da moeda e da desvalorização do preço por serviços prestados, bem como do aumento de profissionais da área em busca de aquisições monetárias. Contudo, de acordo com a Patrícia, profissional consultada: Não a nada a se fazer por parte do gorverno, ou algum meio fiscalizador, uma vez que será impossível impedir funcionamento desses serviços. 2-Para os Camelôs Com o Advento da copa do mundo no DF, estima-se um contingente de pessoas interessadas em assitir o evento, locais onde a indústria da pirataria, se fará presente em meio a um grande afluxo de pessoas, rodoviária, shows, eventos no estádio, áreas ou centros comerciais com grande afluxo de indivíduos, áreas essas atingidas por esse tipo de comércio. O governo do DF, entendendo como esses os prontos críticos, já vem intensificando os seus serviços de fiscalização, para identificar os pontos de produção, distribuição, efetivando as necessárias apreensões de materiais e condução dos indivíduos pegos em flagrante para a delegacia de polícia. Fato interessante a se ressaltar é que alguns antigos camelôs, hoje são pequenos empresários, localizados, por exemplo, na Feira do Paraguái, estes pequenos comércios serão como canhões de distribuição de difusos tipos de mercadoria, falsificadas, tais como: todos os tipos de vestuário, suplementos alimentares e alimentos em si, equipamentos de informática etc. A máquina estatal já vem dando sinais de sua fraqueza na luta contra esta situação, haja vista que o quantitativo de auditores fiscais por milhares de habitantes, segundo levantamentos, é muito inferior ao quantitativo necessário, para atuação do estado com o uso do seu poder de polícia administrativa, para fazer frente atual, como a espectativa de vinda de todo esse aparato, chamado de copa do mundo para o DF, 46

47 não se pode esperar que algo melhor seja feito, o descontrole da fiscalização já é flagrante hodiernamente, sendo assim futuramente ele mostrará ainda mais sua fagilidade, o que ainda aos olhos do mundo poderá se tornar um vexame. Não se tem notícia de nehum planejamento estratégico ou de aquisição de melhores equipamentos, para servir aos órgãos de fiscalização no combate a pirataria, ou seja, sem melhores estruturas e equipamentos, aqueles que burlam a fiscalização terão mais chance de vencê-la, caso factível a pirataria (venda do falso como verdadeiro). O descontrole do estado sobre esssa situação, levanta a fragilidade do estado em relação a fatos criminosos. Por menos que se possa parecer, os camelôs são indivíduos organizados, conhecem e defendem seus espaços para comerciar e negociar mutuamente, eles fazem com que suas informações trafeguem com rapidez, agem em conjunto. A fiscalização, conta com uma lesgislação frágil um camelô quando é preso vendendo mercadoria pirateada, tem apenas sua mercadoria apreendida, porém o indivíduo continua livre. A característica do comércio de camelô é de ir ao cliente, diferentemente do comércio regularizado séssil, de maneira que para o consumidor é melhor, pois suas demanadas são atendidas imediatamente. Existiu uma dificuldade enorme de tentar traçar, nem que pudesse ser das menores possíveis, visões de perspectivas das maneiras como iriam se dar essas duas temáticas. O cerne do estudo aponta para obtenção da efetividade da fiscalização, somente se os problemas atuais forem resolvidos de maneira prévia, para depois se traçar medidas de planejamento Setor turístico Identificar os equipamentos turísticos previstos e o desempenho do setor antes e durante os eventos. Introdução Entre junho e julho de 2014, o Brasil será sede da XX edição da Copa do Mundo de Futebol da FIFA, evento muito importante no cenário esportivo mundial. As dimensões desta competição, o grande número de visitantes que virão ao País e as 47

48 exigências que um evento de repercussão mundial requer, os anos que se seguem apresentarão grandiosos processos de preparação e investimentos por parte dos setores público e privado. Para tanto, deve-se considerar sobremaneira a exposição do Brasil na mídia, além dos legados que serão deixados nas dimensões de infraestrutura, tecnologia e capital humano. Desenvolvimento Foram definidos pelo Ministério do Turismo quatro eixos de ação para a Copa do Mundo de Futebol, em São eles: 1. Estruturar e preparar as cidades-sede de forma a executar o aprimoramento de infraestrutura básica para o exercício do turismo, como dar vida novamente às áreas que tenham alto potencial turístico, aperfeiçoar canais turísticos, viabilizar o aproveitamento turístico do entorno; 2. Atrair e satisfazer o turista por intermédio da qualificação profissional de serviços como recepções de aeroportos, estações, hotéis, funcionários de restaurantes, motoristas de táxi entre outros serviços; 3. Promover o País por intermédio do planejamento de marketing, suscitando o aumento da exposição internacional e nacional do Brasil como destino turístico; 4. Crescer sustentavelmente com os novos investimentos em diversas áreas como a da atividade hoteleira, por intermédio do oferecimento de mecanismos de promoção. As ações acima descritas visam melhorar a acolhida dos turistas, bem como a competitividade dos destinos turísticos do País, sobretudo visam promover o desenvolvimento econômico e social. Estes eixos foram definidos por consequência da elaboração de um Mapa Estratégico (Figura 1) (Kaplan e Norton, 2010 apud Caderno das Cidades). 48

49 Figura - Mapa estratégico Serviços e equipamentos Turísticos Os serviços e equipamentos turísticos devem estar presentes nos destinos turísticos a serem atendidos pela Copa, pois se trata de uma diretriz de grande importância estratégica, sendo o principal canal da relação do local com o turista, proporcionando melhorias na acolhida e recepção. Logo, estes serviços devem ter dimensões adequadas, bem como sua manutenção e promoção, para proporcionar a melhor sensação para o usuário dos serviços. Fazem parte da diretriz de serviços e equipamentos turísticos, como fator crítico de sucesso: 1. Serviços de hospedagem; 2. Serviços de alimentação; 3. Atrativos turísticos; 4. Centro de Atendimento ao turista (CAT); 5. Sinalização turística. Serviços de Hospedagem As cidades-sede recebem visitas, anos antes, de parceiros comerciais da Copa do Mundo para analisar a capacidade e qualidade do parque hoteleiro, credenciando a rede hoteleira instalada de forma a ter garantia dos critérios de qualidade. 49

50 Deve-se salientar que o parque hoteleiro das cidades-sede satisfaz em número de unidades habitacionais e apresenta um uma taxa de crescimento constante, devido a investimentos e mecanismos de financiamento. Entretanto, quanto à qualidade do setor deve-se observar criticamente que existe uma dispersão na oferta, devido à categoria dos hotéis e idade dos mesmos, pois influenciam na atratividade de turistas. Serviços de Alimentação Bem como a rede hoteleira, os ambientes comerciais de alimentação, bebidas e semelhantes apresentam papel basilar na cadeia produtiva do turismo. Estes locais não se limitam ao fornecimento do serviço, pois também são responsáveis por promover experiências para os turistas, permitindo a interação entre os visitantes e a cultura local. Além da quantidade, os estabelecimentos devem ter uma boa conduta de higiene, apresentação e formas de pagamento, os quais auxiliam na motivação de escolha do destino. As cidades sede apresentam boa quantidade e variedade de restaurantes e estão em franca preparação para o acolhimento do fluxo internacional de turistas, entretanto deve-se investir em acessibilidade dos turistas aos estabelecimentos, além de ter atendimento em outros idiomas. Atrativos Turísticos Os atrativos turísticos das cidades-sede possuem grande importância devido ao seu papel estratégico, pois pode influenciar a permanência dos espectadores dos jogos dando motivos para que permaneçam mais tempo na cidade. Considera-se a Copa da Alemanha como a Copa do Torcedor, devido ao perfil individual e curta duração das viagens que envolviam o evento, já o Brasil pretende que a Copa de 2014 seja a Copa da Família, como viagens que durem mais e em grupos familiares. Para isso, espera-se que os turistas de outros países procurem atrativos de programação para com período entre 10 e 15 dias, evidenciando o papel dos atrativos. Logo, a oferta e variedade de atrações estruturadas pode elevar ao máximo os resultados do evento na cidade-sede. Desta forma é necessário ter atenção para que os atrativos adéquem-se aos quesitos de: Estado de conservação e do entorno natural (meio ambiente); Estado de conservação local e do entorno natural Existência de infraestrutura apropriada a turistas brasileiros e estrangeiros; 50

51 Acesso facilitado; Acessibilidade aos portadores de necessidades especiais. Recomenda-se como postura criar e desenvolver novas atrações, tendo em vista o enriquecimento e diversidade da oferta atual. O Brasil apresenta uma boa oferta de atrativos, especialmente para os segmentos turísticos de sol e praia, cultural e ambiental. Geralmente, possuem uso compartilhado de turistas e moradores e devem lidar com mudanças de infraestrutura que vislumbram aumentar a frequência e adaptação dos visitantes. As áreas verdes tem a potencialidade de composição de atrativos e espaços multiuso para eventos ao ar livre e lazer de forma geral. O turismo ambiental possui grande apelo e atratividade em âmbito internacional, mas não tem sido empreendido de forma estratégica. Os atrativos culturais apresentam singular apelo turístico, mas necessitam adequar-se para a visita de visitantes realizarem marketing para que os moradores locais possam utilizá-los. A utilização de guias de áudio em museus ainda é pouco utilizada e pode abordar diversas nacionalidades de turistas com potencial para visitar os pontos turísticos, parques e monumentos. Centro de Atendimento ao Turista (CAT) O Centro de Atendimento ao Turista (CAT) possui papel importante na promoção da cidade-sede. Com o aumento do turismo individualizado, no País e no mundo, torna-se mais relevante a importância de um local que concentre informações que abordem a localidade, os destinos regionais, disponibilize folhetos, mapas e guias interpretativos no exterior, torna-se condição relevante a existência, atendimento em idioma estrangeiro, quando possível fazer reservas em atrações, hotéis e restaurantes. Verifica-se no Brasil que a estrutura dos CATs ainda é pequena, mas supre a demanda atual, também existe carência de Postos de Informação Turística (PIT). Sinalização Turística O fluxo de turistas no perímetro de visitação depende da viabilidade de transportes próprios ou públicos, para deslocamento entre os atrativos, com apoio de sinalização eficiente, fato que proporciona maior satisfação do turista no destino. Através de informações claras e dotadas de precisão o visitante pode ampliar o período de permanência no local, conhecendo-o melhor. 51

52 Outro ponto a ser salientado é a sinalização adequada nas proximidades dos estádios que realizarão os jogos, para permitir o fluxo tranqüilo dos espectadores, favorecendo-os bem como os moradores. Grande parte das cidades já possui sinalização, mas possuem carência de melhorias principalmente para atender turistas estrangeiros de forma padronizada. Metodologia Para depreender mais informações sobre o estado da arte dos preparativos da Copa de 2014 elencou-se instituições públicas com potencialidade para suprir dúvidas acerca do setor turístico e seus equipamentos. Os locais visitados foram o Ministério do Turismo (MTUR), percorrendo o Departamento de Qualificação e Certificação e de Produção Associada ao Turismo DCPAT e Coordenação Geral de Marketing e Publicidade CGMP, além de estabelecer contato com a Diretoria de Estudos e Pesquisas da Secretaria de Turismo do Distrito Federal. Resultados De acordo com a coleta de informações em campo, percebeu-se que o principal programa em ação no MTUR é o Bem Receber Copa, que é um programa de qualificação profissional, em parceria com entes do setor, que primam pela capacitação setorial para atingir padrões internacionais de qualidade, dando foco a Pessoas, Empresas e Destinos. Sob o slogan O Sucesso do Brasil na Copa está em Nossas Mãos. Este programa pretende capacitar 306 mil profissionais do turismo até 2013, por intermédio de cursos presenciais e à distância. Desta forma incluem-se os profissionais que estabelecerão contato direto com os visitantes na Copa, tais como motoristas, camareiros, garçons, recepcionistas, pessoal de aeroportos e outros. Este programa pretende capacitar 471 profissionais do DF em De acordo com os funcionários entrevistados levantou-se a questão do atraso nas ações devido à desatualização do Plano Nacional de Turismo (PNT), válido de 2007 a 2010, que já foi revisto e revisado e deve ser lançado entre o segundo semestre de 2011 e o início de 2012 contendo informações basilares para o desenvolvimento do turismo nacional abordando a Copa de 2014 e as Olimpíadas de Além do PNT há também a necessidade de publicação do Plano Plurianual PPA, que é fundamental para o delineamento de ações de desenvolvimento para o país e deve apresentar contribuições de diretrizes a seguir nos megaeventos que o País sediará brevemente. 52

53 Essa infraestrutura que deve ser aprimorada inclui a ampliação da atual estrutura de energia, transportes, telecomunicações e construção de novas arenas esportivas, além da expansão da rede hoteleira. Os benefícios se darão também nos municípios onde irão funcionar como subsedes para hospedar mais de 30 seleções de futebol. Ao mesmo tempo, 65 destinos turísticos indutores do desenvolvimento estão sendo preparados para receber os turistas estrangeiros, com padrão de qualidade internacional. Os investimentos contribuirão para o Ministério do Turismo fortalecer suas políticas de desenvolvimento em infraestrutura, compostas por um leque de ações que vão desde a construção de aeroportos regionais, balneários, centro de convenções, pavimentação e recuperação de rodovias, até a revitalização de parques nacionais. Para revigorar especificamente os parques nacionais, foi lançado em setembro de 2008 o programa Turismo no Parque, a qual tem o compromisso de otimizar esforços e recursos para a estruturação e proteção das unidades de conservação ambiental brasileiras, com o objetivo de transforma-las em grandes atrações dos roteiros de ecoturismo. O Ministério do Meio Ambiente (MMA) está investindo R$ 28 milhões nessa iniciativa que está diretamente ligada ao setor de ecoturismo. Embora existam 64 parques nacionais que formam um patrimônio natural de elevada beleza cênica em todas as regiões brasileiras, praticamente todos precisam de investimentos para receber com qualidade os visitantes. Com condições físicas bem planejadas, vão se transformar em atrativos para visitação, ajudando no desenvolvimento da cadeia de serviços de turismo regional e local. 53

54 Diagnóstico de Investimentos Figura Diagnostico dos serviços e equipamentos Figura Diagnostico da infraestrutura turística 54

55 Figura Diagnostico do marketing Figura Diagnostico do acesso e integração regional 55

56 Figura Diagnostico da qualificação. Figura Gestão e Governança Pública 56

57 Figura Investimentos projetados em milhões. Considerações Visto que um megaevento tal qual a Copa do Mundo de Futebol, traz consigo oportunidades de promoção do Brasil como destino turístico, que campanhas publicitárias não conseguiriam trazer com muitos anos de veiculação, apresentou dados pertinentes às ferramentas turísticas utilizadas para permitir o fluxo de turistas durante o evento e fidelizá-los a visitar o País. Percebeu-se que mesmo com algumas medidas de planejamento e apoio a publicações, o setor turístico ainda está carente de estruturas de ação, tal como as obras dos estádios, fato preocupante dado à iminência da Copa do Mundo de Futebol. Desta forma evidencia-se que ainda há muito trabalho a ser feito para o bom funcionamento dos equipamentos turísticos durante a Copa. 2. Equipamentos e Serviços Urbanos e Sociais Acessos ao esporte e ao lazer Identificar os impactos sobre o acesso aos equipamentos esportivos e de lazer que forem construídos para receber os eventos (atenção especial aos estádios de futebol), identificando a população beneficiada. Introdução 57

58 O Brasil é um país conhecido no mundo por suas diversidades naturais, culturais e pela sua tradição no futebol, este último é uma paixão nacional. O futebol no Brasil tem o poder de reunir as pessoas sem distinções de classes sociais, políticas, religiões, entre outras barreiras que impedem a união dessa nação. Em outubro de 2007, O Brasil foi anunciado como o país que será anfitrião da copa do mundo de futebol em Os brasileiros receberam a noticia com muita alegria, porém junto a esse sentimento de patriotismo surgem as grandes preocupações com segurança, transporte e infraestrutura. Em relação à infraestrutura, para receber a copa do mundo de 2014, Brasília está reformando o Mané Garrincha, aumentará o número de hotéis, e em relação ao transporte ainda é uma dúvida. A atual gestão do Distrito Federal, Sr. governador Agnelo Queiroz, o secretário de obras, Márcio Machado e o secretário de esportes, Sr. Célio René Trindade, estão participando de reuniões onde discutem a respeito da reforma do estádio e os custos gerados. Na verdade, o que será feito no Distrito Federal para abrigar os jogos da Copa do Mundo de 2014? Quais as principais obras na área esportiva? Quem será beneficiado com essas obras? Todos terão acesso? E depois da copa, o que acontecerá? Essas são perguntas que vamos responder ao longo desse trabalho. Desenvolvimento Brasília, no fim de 2008, foi eleita uma das cidades-sede da Copa do Mundo No total, foram escolhidas 12 cidades para ser a sede do mundial de futebol. Brasília está na disputa para receber a abertura do mundial. A cidade responsável por abrigar a Copa receberá também o Congresso Anual da Fifa, uma semana antes do Mundial. Com isso, a cidade terá a visita de mais de 200 dirigentes de todo o mundo, o que deve gerar muito dinheiro para o município. A cidade também será palco do principal centro de imprensa internacional (REVISTA VEJA, 2009). O governador Agnelo participou de uma reunião, no dia 23 de março de 2011, com o Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon-DF) e com a Associação Brasiliense de Construtores (Asbraco), onde estes apresentaram um estudo intitulado Distrito Federal Ações Estruturantes, com propostas de obras de infraestrutura para a capital. As obras estão relacionadas às necessidades referentes à realização dos jogos da Copa do Mundo de 2014 e que ficarão como legado da competição para a população do DF e Entorno (AGECOPA, 2011). 58

59 O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, participou no dia 31 de maio, de reunião com a presidente da República, Dilma Rousseff, para tratar das ações que serão realizadas na preparação das cidades-sede para a Copa do Mundo de 2014, principalmente no que se refere à estrutura de aeroportos, estádios e hotéis (MAIS BRASÍLIA, 2011). Segundo o site MAIS BRASÍLIA, o Governo Federal colocou o aeroporto de Brasília como uma das prioridades para o país, o que foi comemorado pelo governador Agnelo Queiroz após a reunião. O aeroporto JK receberá um investimento de mais de 700 milhões de reais, aumentando o número de passageiros, de 14 milhões para 24 milhões até o fim de O modelo definido para as concessões prevê Sociedades de Propósitos Específicos (SPE), que serão feitas com empresas privadas, com participação de até 49% da Infraero. As SPE, formadas por empresas privadas, ficarão responsáveis pela construção e gestão dos novos aeroportos. Construção do Estádio Nacional O estádio escolhido para ser reformado é conhecido como Mané Garrincha, mas passará a se chamar Estádio Nacional de Brasília. Atualmente tem capacidade para receber mais de torcedores. Mané Garrincha Depois de reformado, a capacidade será de mais de lugares. Durante a Copa, serão reservados a torcedores; o restante será para a imprensa, personalidades, staff e outros convidados (SKYSCRAPERCITY, 2007). Todas as arquibancadas devem ser cobertas, de acordo com Fifa. A arquibancada superior será reproduzida por todo o estádio, de maneira a fechar o anel da arena na parte de cima. A pista de atletismo será eliminada e o nível do campo será rebaixado em 4m. Essas medidas possibilitarão às arquibancadas superior e intermediária perfeita visibilidade do campo de 105m x 68m. O local conhecido como geral também será demolido, para dar lugar à nova arquibancada inferior, bem mais 59

60 próxima ao campo de jogo e com o dobro da capacidade da existente. As arquibancadas provisórias também serão demolidas, para permitir o fechamento do anel com as novas arquibancadas superiores. A arquibancada do atual nível intermediário cederá a vez para a construção da nova tribuna de honra e camarotes vips, além da área de mídia com as cabines de transmissão de áudio e TV, estúdios, salas de trabalho e lounge. Tudo no nível térreo (AGECOM, 2007). Serão construídos três subsolos para estacionamentos privativos de autoridades, equipes de segurança e mídia. Também abrigarão quatro vestiários para os jogadores, dois para árbitros, dois para gandulas, a central médica, a sala de exames antidoping e as áreas de apoio exigidas pela Fifa. Para o acesso de público, 12 rampas que chegarão às arquibancadas, inferior e superior, com largura de 6m e declividade de 8%, adequadas à circulação do público com segurança e conforto. As bilheterias estarão concentradas no nível térreo, no anel de circulação em torno do estádio, sendo uma no lado norte e outro no lado sul, com fácil acesso do público aos estacionamentos e terminais de transportes coletivos (SKYSCRAPERCITY, 2007). 60

61 Estádio Nacional, por dentro/fora. Números do Estádio Nacional Bilheterias Lado norte: Lado sul: Portões de entrada e saída de público Arquibancada inferior Portões: Catracas: Arquibancada intermediária Portões: Catracas: Arquibancada superior Portões: Catracas: 2 conjuntos 23 guichês 23 guichês Sanitários do público Arquibancada inferior Feminino: lavatórios: Masculino mictórios: Lavatórios: Arquibancada intermediária Feminino: Lavatórios: Masculino: Masculino: Lavatórios: Arquibancada superior Feminino: lavatórios: Masculino mictórios lavatórios Bares para o público Arquibancada inferior: Arquibancada intermediária: Arquibancada superior: Rampas de acesso De público para as arquibancadas superior e inferior De veículos para os subsolos:

62 Vestiários Jogadores Árbitros Gandulas: Atendimento médico Jogadores / árbitros / autoridades: Público: 1 1 central e 9 postos Locais especiais para cadeirantes Arquibancada intermediária pavimento térreo 213 Fonte: Skyscrapercity.news.com A reforma do Mané Garrincha vai custar, em média, R$ 740 milhões aos cofres públicos. A entrega, segundo Agnelo, vai ser feita até o fim de 2012, vislumbrando receber a Copa das Confederações em 2013, que serve de preparação para a Copa do Mundo de Após o mundial, Brasília também pretende abrigar a Copa América de 2015 e receber modalidades olímpicas em O governador Agnelo também afirma que a construção do Estádio Nacional está com 31% da obra concluída, mais que o dobro do que está em segundo lugar. O Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou um relatório onde o ministro Valmir Campelo relator para projetos da Copa- diz que o Estádio Nacional corre grande risco e não conseguir cobrir seus custos de manutenção com a renda gerada (SENADO, 2011). De acordo com o site do Senado, no fim de 2010, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) recomendou que o estádio de Brasília tivesse a capacidade reduzida de 70 para 40 mil. O governador recém-eleito, Agnelo Queiroz, ventilou a possibilidade, no entanto, com o adiamento constante do projeto do estádio em São Paulo, a Capital Federal passou a crer que ter o jogo de abertura é possível. O Governo do Distrito Federal exigiu e recebeu a garantia do Consórcio Brasília responsável pelas obras do Estádio Nacional de Brasília- de que o cronograma e o orçamento serão mantidos, e o GDF já está em negociação com empresas interessadas em explorar o futuro estádio, que também será uma arena multiuso. Nosso projeto é desenvolver economicamente a capital a longo prazo. Não são investimentos exclusivos para o mundial de futebol, disse o governador do DF, Agnelo Queiroz. Segundo Sérgio Graça -coordenador do projeto da capital federal para a Copa-, O Estádio Nacional será utilizado para os jogos da olimpíada de 2016, uma vez que Brasília vai ser uma das sub-sedes dos jogos. 62

63 A idéia é transferir o estádio para a iniciativa privada depois da Copa do Mundo. A administração do estádio cabe à empresa vencedora do processo de licitação. O Mané Garrincha vai ser uma Arena multiuso, que poderá receber shows. Brasília está sendo preparada para o pós-copa, segundo Agnelo Queiroz. Vamos investir no transporte público e na mobilidade urbana para a Copa e para a sobrevivência da capital federal. Em 2020 teremos 4 milhões de habitantes em Brasília, sem contar o Entorno. E hoje a indústria do entretenimento é a que mais cresce. Se Brasília fizer 50 eventos, um por semana, já mantém a cidade cheia, os hotéis e restaurantes, desenvolvendo economicamente a capital. Hoje os grandes eventos são realizados no estacionamento, uma vergonha para Brasília. O planejamento de transferência de gestão do estádio para uma empresa especializada em entretenimento começa agora, finaliza o atual governador do Distrito Federal no seu discurso em uma reunião com a Presidente Dilma Roussef e outros membros do Governo Federal. Resultados De acordo com os dados coletados pela nossa equipe, Brasília tem o projeto de reforma do estádio Mané Garrincha, que, de acordo com o TCU, não ficará pronto a tempo da data-limite (31 de dezembro de 2012), mas o governador do DF, Agnelo Queiroz retruca e confirma que será entregue no prazo estabelecido, pois as obras já estão avançadas. O projeto deste Estádio é um dos mais caros dentre os 12 das cidades-sede. Segundo a FIFA, os estádios precisam ter pelo menos lugares. O estádio da abertura deverá ter pelo menos assentos; o de encerramento, mais de O Ministério Público do Distrito Federal alertou o ex-governador Rogério Rosso na época, governador-, que a Fifa, não exige estádios para 70 mil pessoas. Bastaria um estádio com capacidade para 60 mil lugares. Segundo a Fifa, se Brasília não receber as partidas de abertura, semifinal ou final, um estádio menor ainda, com 30 mil lugares, seria suficiente. De acordo com o relatório do TCU, um estádio de 70 mil lugares em Brasília pode se transformar em um elefante-branco (SENADO, 2011). Com Brasília sendo uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, a economia local será beneficiada. A Copa do Mundo serve para instalar os alicerces e as bases para o crescimento econômico. O investimento que faremos em Brasília vai valer à pena, por isso estamos trabalhando a partir de agora, relatou Agnelo Queiroz (BRASÍLIA EM TEMPO REAL, 2011). 63

64 Considerações Apesar da Copa do mundo trazer muitos benefícios, principalmente para a economia local, nem todas as pessoas do Distrito Federal poderão usufruir e terão acesso ao lazer. Baseado em pesquisas sobre as outras Copas do Mundo, vimos que o custo do ingresso é muito elevado. Como o custo de vida em Brasília é alto, provavelmente os ingressos dos jogos serão proporcionais. Grande parte da população do entorno são trabalhadores que prepararão Brasília para receber a Copa, por meio da mão de obra, e muitos não terão condições de assistir aos jogos do estádio, por exemplo, e provavelmente não terão condições de participar dos eventos previstos depois da copa. O governo do DF deveria aproveitar esse momento de renovação de Brasília para também pensar em investir mais no entorno, envolvendo educação, segurança, transporte e saúde, para que estes, futuramente, possam desfrutar dos benefícios gerados por eles mesmos, trabalhadores, ou por seus filhos Acessos à saúde e educação Identificar os impactos sobre a saúde e a educação, em termos dos equipamentos construídos e da ampliação do acesso aos mesmos pela população (identificando a população beneficiada). Introdução A Copa do Mundo de 2014, que ocorrerá no Brasil é a oportunidade para o país avançar na modernização e apresentar capacidade de organização, bem como força econômica para captar investimentos. A Copa tem grande apelo midiático e capacidade de gerar recursos para os setores direta e indiretamente envolvidos em sua realização. Problemas de saneamento, transportes, educação, saúde e entre outros, podem ser abordados de forma nova, com o apoio da ampla mobilização para a Copa. Dessa forma, para que o evento seja positivo, muitos desafios devem ser superados e os estados e as cidades que irão sediar o evento precisam se preparar. O eixo desse trabalho é justamente falar a respeito do acesso a saúde e educação, no Distrito Federal Brasília é capital-sede da Copa - através dos planejamentos e investimentos destinados a estes provenientes da Copa do Mundo. Para o desenvolvimento e crescimento de qualquer nação são fundamentais esses 64

65 dois setores, pois fazem parte da base de um país e que estão presentes em cada cidade. Para melhor nortear o trabalho o professor da disciplina, fez as seguintes orientações, identificar os impactos sobre a saúde e a educação, em termos dos equipamentos construídos e da ampliação do acesso aos mesmos pela população, e também identificar a população beneficiada. Desenvolvimento Saúde Segundo a matéria, da Agência Brasil, no dia 11/05/2011, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a Copa do Mundo de 2014 é uma oportunidade para que o país organize os serviços oferecidos na área de saúde pública. Segundo ele, as prioridades serão o atendimento de urgência e emergência tanto hospitalar, como nas unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e a vigilância epidemiológica. Também afirmou que o objetivo é concentrar um conjunto de ações nas cidades-sede da Copa. O ministro também ressaltou que muitas pessoas observam a Copa como infraestrutura, como aeroportos, estádios, transportes, mas não se percebe que há também temas operacionais, ligados a serviços. A instalação da ferramenta no âmbito específico da saúde representa o início de uma nova fase no ciclo de planejamento dos trabalhos, já que a primeira fase tratou de infraestrutura. Em Brasília, o governador Agnelo Queiroz lembrou que, somente para a área da saúde, foram contratados mais novos servidores. Além disso, nos próximos dias começa a convocação de concursados aprovados em mais um concurso público. Agnelo Queiroz destacou ainda que vários investimentos nas estruturas dos hospitais públicos de todo o DF que estão em andamento. O governador Agnelo Queiroz e o Secretario de Saúde, Rafael Barbosa, reafirmaram como prioridade, aumentar a quantidade de leitos em UTIs. Será aberta licitação emergencial para contratar mais leitos na rede particular. Ofereceram pelo menos mais 50 vagas e na rede publica serão 44 vagas até setembro. Até julho do ano que vem, pretendem que venham mais 340 leitos. Desde o começo do ano, foram criados ou reativados 42 leitos de UTI em Brasília, que chega a 260 vagas, considerando a rede pública e os hospitais particulares conveniados. 65

66 Recursos destinados à Saúde O valor de R$ ,50, foram destinados a educação no exercício de Educação Projeto Um Gol de Educação na Copa de 2014 Em outra reportagem da Agência Brasília, fala a respeito da iniciativa do Centro Interescolar de Línguas (CIL) que pretende formar, ao longo dos próximos quatro anos, um grupo de 2014 estudantes para atuar como voluntários na recepção a visitantes estrangeiros que vierem a Brasília. O projeto chama-se Um Gol de Educação na Copa de 2014, os voluntários devem estar matriculados nos níveis básicos dos cursos de Inglês, Francês ou Espanhol. Para a secretária de Educação do DF, Eunice Santos, o projeto tem duas grandes vantagens: motiva os alunos a dominarem um idioma estrangeiro e prepara a cidade para ser uma das sedes da Copa de A idealizadora do projeto e professora de inglês do Centro Interescolar de Línguas (CIL) há 17 anos, Ana Cristina da Silveira Chaves, lembra que, desde 2007, a Secretaria de Educação incentiva ações de voluntariado na prática escolar. Programa Olá Brasil Olá Brasil é um programa desenvolvido pelo Ministério do Turismo e a Fundação Roberto Marinho e que oferece 80 mil vagas gratuitas para cursos on-line de inglês e espanhol, com o objetivo de capacitar os profissionais e a sociedade como todo para receber os turistas na Copa do Mundo de Podem participar do projeto: camareiras, mensageiros, recepcionistas de hotel, pousada e restaurante, garçons, taxistas, vendedores de lojas, ambulantes, agentes de viagens, de casas de câmbio, de segurança, de saúde, guias de turismo, atendentes em teatro, museus, aeroportos e atrativos turísticos, estudantes universitários e técnicos de turismo, hotelaria, gastronomia, entre outros profissionais. Projetos e Parcerias O GDF como o governo de Agnelo Queiroz e o Ministério da Educação (MEC) com o ministro de educação Fernando Haddad fecharam um acordo que permite 66

67 construção e a reforma de escolas técnicas e creches, obras de acessibilidade e ações de inclusão digital. O objetivo é melhorar indicadores da rede distrital de educação. Como foi dito por Agnelo Queiroz, o atual governador do Distrito Federal, Vamos melhorar a qualificação e atingir o índice de 100% de professores com formação superior, investir em construção e reformas de escolas técnicas e creches, e investir também em préescolas para crianças de quatro e cinco anos, explicou o governador. E vamos ter pelo menos três escolas em tempo integral e outras três que vão formar no ensino médio e no ensino técnico. O ministro Fernando Haddad disse que o governo federal e o GDF também confirmaram a parceria pela melhoria do ensino público na região do entorno. A secretaria de Educação do DF, Regina Vinhaes, afirma que Nossa parceria é baseada em três eixos educacionais: infraestrutura, formação e gestão. Estamos nos aproximando do governo federal e, certamente, daqui a um ano já veremos florescidos resultados desse momento que estamos presenciando, comemorou. A Secretaria de Educação do Distrito Federal lança na sexta-feira (08/07), o programa DF Alfabetizado. O objetivo é alfabetizar 10 mil pessoas a partir da criação de 500 turmas, ainda neste ano. A pasta da Educação pretende alfabetizar 65 mil brasilienses por meio da criação de turmas nos períodos de 2011/2014. Recursos destinados à Educação O valor de R$ ,03, foram destinados a educação no exercício de Resultados No Distrito Federal, projetos na área de educação e na saúde estão sendo desenvolvidos por parte do governo do DF, para a Copa do Mundo de 2014, porém foram poucos os encontrados. Visto que a educação pode ser muito importante profissionalmente com a chegada dos turistas, o incentivo é grande para estudar línguas. A busca por cursos de idiomas aumentou bastante e essas pessoas têm o objetivo de se capacitarem, pois haverá uma necessidade por profissionais que falem este idioma e com isso serão valorizados no mercado. No caso dos esportes, bolsas estão sendo cedidas para atletas que estudam na rede pública. O interessante é que as pessoas de menos favorecidas estão sendo beneficiadas, porém não sabemos a quantidade. Na área de saúde as ações estão começando, visto que é necessário compreender e organizar o que estava sendo feito no governo passado. Para a Copa 67

68 as prioridades serão o atendimento de urgência e emergência, nos hospitais, nas unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e a vigilância epidemiológica. São medidas a curto prazo, que para os que moradores do DF, que utilizam a rede pública de saúde, não são tão eficientes, pois precisa de maior atenção aos pacientes que precisam de tratamento a longo prazo. Considerações Houve dificuldade em encontrar dados dos investimentos que o governo do Distrito Federal está fazendo nos setores da saúde e educação. É perceptível que para o governo é complicado investir em longo prazo, mais ou menos quatro anos, onde acaba seu mandato, então por quais motivos o governo gastaria o dinheiro público na saúde, se existem os hospitais particulares que atendem por convênios. E na educação é mais fácil não investir, pois as pessoas não adquirem conhecimento e assim não criticam o governo. Nessas duas áreas fica muito difícil de investir, já que é um processo de longo prazo e que exige um gasto muito grande. O governo prefere gastar o dinheiro da copa nos setores hoteleiros, mobilidade ou transporte, reformar estádios e turismo. E o sofrimento só aumenta com professores mal remunerados, escolas precárias, pessoas morrendo a todo instante e sem leito de UTI e muitos esperam na fila para serem atendidas ou a espera de um transplante há anos. Seria ótimo se o governo investisse na saúde e educação como investem na no futebol. Porém o que vai acontecer é que certas regiões serão privilegiadas por sediarem a Copa e só alguns setores serão beneficiados. Os empreendedores estão pensando na pós-copa 2014 e nos impactos que o empreendimento vai causar? A resposta é não, e as pessoas também não estão muito interessadas em saber. O trabalho foi todo feito por investimentos que o atual governo faz na sua política. Muitos atendentes que trabalham nas secretarias do governo têm dificuldade em dizer quais os projetos que estão sendo feitos para a Copa de 2014 e às vezes falam para telefonar para outras secretarias, dizendo que irão responder suas perguntas. Na verdade os atendentes não são objetivos e coerentes Acesso à segurança Identificar os impactos sobre a segurança pública, em termos dos investimentos realizados, dos equipamentos construídos e da população beneficiada (Destaca a evolução dos índices de criminalidade e de violência policial). 68

69 Introdução Este é um quesito em relação ao qual não só Brasília como também o Brasil tem grande dificuldade em evoluir, não somente no que se refere à segurança da população em geral, como também à violência dentro dos estádios. A questão da segurança pública é de difícil solução, não somente por ser particularmente sujeita a problemas de coordenação, como também por requerer, mais do que investimentos em capital físico, políticas públicas consistentes, inteligentes, de longo prazo e coordenadas com outras áreas do poder público. Atualmente a situação de segurança pública no Distrito Federal encontra-se em defasem, Sandro Avelar, secretário de segurança pública, informou que o número de policiais militares na capital do país está inferior ao ideal. Podemos observar em várias cidades do DF principalmente as que apresentam baixo IDH a falta de policiamento nas ruas é visível, aumentando a sensação de insegurança que o povo brasiliense sente. Outra questão a ser abordada refere-se ao combate ao tráfico de drogas principalmente quanto ao uso de crack no DF. Homicídios, furtos, roubos, latrocínios, todos estão vinculados ao uso e ao tráfico de drogas. O policiamento deve ser aumentado não apenas nas ruas más também nas escolas do DF. A copa de 2014 pode trazer para o Brasil um aumento de 80% no fluxo turístico, com isso a quantidade de pessoas circulando em nosso território irá aumentar em quantidade bastante significativa, trazendo inúmeros benefícios para o país principalmente econômicos. Brasília irá investir na instalação de 900 câmeras de segurança funcionando 24 horas por dia durante a copa. Irá também ser intensificado o policiamento no estádio de futebol, previsto para ser entregue em Dezembro de 2012, aumento de efetivo na luta contra o combate ao tráfico de drogas e, aplicação de investimentos em todo sistema de segurança do aeroporto Juscelino Kubitschek. Esse projeto de segurança pública contará com os trabalhos de inteligência dos órgãos da secretaria, além de ações integradas com outros entes do governo. O governo do distrito federal conseguiu captar R$ 230 milhões junto ao Banco Mundial para investimento, primordialmente, em Segurança Pública e Transporte urbano. O Governo Federal pretende gastar R$ 1,6 bilhão com equipamento e treinamento dos policiais para a segurança do evento. De acordo com o governador Agnelo Queiroz os investimentos já começaram no DF, com a entrega de 100 novas viaturas da Polícia Militar e seis ônibus de comando móvel, que vão atuar no policiamento preventivo, em situações de crise e eventos de grande porte, como a Copa das Confederações (2013). Além de sediar a 69

70 Copa do Mundo em 2014, Brasília irá também sediar a Copa América em 2015 e os jogos de futebol das Olimpíadas em O esquema de segurança para a Copa do Mundo de 2014 contará com um Centro de Comando e Controle em Brasília, integrado a centros idênticos nas 12 capitais que sediarão o evento no Brasil. Essa estrutura é baseada na experiência da Copa de 2010 na África do Sul. De acordo com o secretário nacional de Segurança Pública substituto Alexandre Aragon Esses centros de comando vão permitir que as polícias se falem e tenham o mesmo nível de informação em todos os estados. Importante frisar que a unidade central será em Brasília, terá condições de remanejar efetivos, se tivermos uma crise em algum estado ou até mesmo empregar efetivos reservas, sediados em Brasília, quando necessário. Uma observação a ser levantada é que essas unidades não cuidarão da violência urbana, que continuará sendo tarefa dos sistemas de segurança já existentes, os centros de comando da Copa estarão ligados aos serviços policiais de rotinas pelo serviço 190. Já aconteceram em Brasília reuniões com a presença de agentes de outros estados para debater o tema segurança pública para Copa de Um dos objetivos dessas reuniões era ouvir os técnicos dos estados para saber as necessidades de cada um e, a partir daí, elaborar o projeto de centros de comando e controle de acordo com a situação apresentada. Para o secretário nacional de segurança pública, substituto, Alexandre Aragon, o Brasil leva vantagem sobre a África do Sul ao ter experiência na organização de grandes eventos, como o carnaval do Rio e de Salvador, que são controlados pelas polícias locais. Sem falar nos grandes eventos de futebol, em que toda quarta, sábado e domingo temos públicos de até 80 mil pessoas em determinados estádios, Alexandre Aragon. Entretanto, os sistemas de controle do ingresso de pessoas nesses eventos ainda estão muito inferiores ao de uma Copa do Mundo. Brasília foi neste mês de Julho exemplo de demonstração de segurança na questão antibomba para a Copa de 2014, no Estádio Nacional de Brasília (antigo Mané Garrincha), foi realizada uma ação conjunta do Ministério da Justiça (MJ), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública; da Polícia Federal e do Instituto Nacional de Identificação; e da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF), com as Polícias Civil e Militar, o Corpo de Bombeiros e o Instituto de Identificação da Polícia Civil. Orlando Silva, ministro do Esporte elogiou o GDF pelo compromisso com o cronograma e andamento das obras, para ele essa demonstração foi uma homenagem ao governo do Estado. Houve três momentos de durante essa demonstração realizada. O primeiro foi a identificação dos 1,9 mil operários que atuam na obra, a partir de dados biométricos 70

71 (como impressão digital) e biográficos (dados de pessoais). A segunda parte diz respeito à segurança da infraestrutura, com uso de cães treinados para farejar explosivos. Na terceira fase, um robô detonou uma caixa de explosivos e foram apresentados outros equipamentos como tenda para conter a explosão, braço mecânico para manipular artefatos à distância, roupas antidesfragmentação e um aparelho de raios-x. Todos esses procedimentos seguem o padrão estabelecido pelo FIFA. O delegado José Ricardo Botelho, da Polícia Federal informou que será utilizado o máximo de tecnologia e o mínimo de intervenção humana possível. Considerações Percebemos que as cidades sedes da Copa 2014, estão se preocupando mais com a construção dos estádios do que com os investimentos realizados na questão da segurança pública. A Copa trará grande impacto social principalmente para as capitais e litorais brasileiro. No caso do distrito federal, onde tem um planejamento de implementação de 900 câmeras de segurança ligadas 24 horas durante o evento, será que essas câmeras irão também funcionar pós Copa do mundo? Deve-se ter uma preocupação não apenas em prol dos turistas, mas também em favor da comunidade local Acesso aos Jogos da Copa do Mundo e das Olimpíadas Identificar se as intervenções previstas ampliam o acesso dos torcedores aos estádios e ginásios onde serão realizados os jogos da Copa do Mundo e das Olimpíadas (destacar a questão do preço dos ingressos). Introdução No dia 31 de maio de 2009, o Brasil foi anunciado como o país sede da Copa do Mundo de Um evento deste porte, bem como as Olimpíadas a serem realizadas na cidade do Rio de Janeiro em 2016, exige melhoria na infraestrutura das cidades anfitriãs, desde modernização de instalações até a garantia de acessibilidade. A Copa do Mundo voltará a ser realizada na América do Sul após 36 anos. O prazo final para a entrega de todos os estádios em plenas condições de uso é dia 31 de dezembro de Em 2013, o país deverá receber a Copa das Confederações, que serve como uma espécie de ensaio geral para o Mundial. Nas últimas décadas, promover a adequação dos espaços para criar condições de acessibilidade para todas as pessoas tem sido preocupação e um dos grandes 71

72 desafios para arquitetos, urbanistas, profissionais de todas as áreas e segmentos comprometidos com a inclusão social e o direito à cidade. Com o advento da Copa de 2014, obras e serviços de adequação do espaço urbano e dos edifícios às necessidades de inclusão de toda população surgem por todo País, pois a acessibilidade é condição prevista em lei para que o Brasil possa sediar a Copa. Bilhões de dólares serão investidos para atender as exigências estabelecidas pela FIFA, e um dos requisitos é a Acessibilidade; Estádios, Terminais Aeroportuários, Portuários, Rodoviários e Ferroviários e os Pólos de Hospitalidade devem ser acessíveis a todas as pessoas, inclusive as Pessoas com Deficiência ou com Mobilidade Reduzida. Os estádios que serão construídos ou reformados para a Copa 2014 devem cumprir uma extensa lista de exigências da Federação Internacional de Futebol (FIFA) para ganharem o privilégio de sediar de três a cinco partidas do Mundial. As construções devem seguir um manual de recomendações disponibilizado pela Federação, bem como a legislação local, como a Norma NBR 9050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas. Para começar, os estádios precisam ter pelo menos lugares. O estádio da abertura deverá ter pelo menos assentos; o de encerramento, mais de A FIFA recomenda ainda que todos os espectadores tenham cadeiras individuais numeradas, com encosto de pelo menos 30 centímetros de altura. Banheiros limpos e em número suficiente, corredores de entrada e saída largos e tribunas de imprensa bem equipadas - raridades nos campos brasileiros - são outras exigências. Também é preciso haver hospitais e estacionamentos nas imediações das arenas. As 12 sedes do Mundial já foram confirmadas: Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Manaus (AM), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP). Diversas outras cidades receberão milhares de turistas motivados pela realização das Funfests que são eventos promovidos pela FIFA transmitindo os jogos da Copa durante o dia e eventos culturais, como shows, no período noturno. Porém existe um atraso no cronograma da implantação dos projetos para a Copa 2014 e algumas sedes poderão ser eliminadas pelos Executivos da FIFA e do COL (Comitê Organizador Local) caso fique evidente que todos os requisitos não serão cumpridos. Sabemos que a acessibilidade ainda é precária em diversas cidades e o Estado e a Sociedade Civil Organizada tem agora, uma grande oportunidade de analisar e implementar as devidas adequações de acessibilidade, pois além de promover a hospitalidade aos torcedores, poderemos deixar um legado de melhorias a 53 milhões de brasileiros, Pessoas com Deficiência ou com Mobilidade Reduzida. 72

73 O Decreto nº /2004 prevê em seu art. 23, caput, que: Teatros, cinemas, auditórios, estádios, ginásios de esporte, casas de espetáculos, salas de conferências e similares reservarão, pelo menos, dois por cento da lotação do estabelecimento para pessoas em cadeira de rodas, distribuídos pelo recinto em locais diversos, de boa visibilidade, próximos aos corredores, devidamente sinalizados, evitando-se áreas segregadas de público e a obstrução das saídas, em conformidade com as normas técnicas de acessibilidade da ABNT. Além disso, o parágrafo primeiro do mesmo artigo dispõe que é obrigatória, ainda, a destinação de dois por cento dos assentos para acomodação de pessoas portadoras de deficiência visual e de pessoas com mobilidade reduzida, incluindo obesos, em locais de boa recepção de mensagens sonoras. Notamos que a questão da acessibilidade mesmo estando bem difundida nos meios de comunicação, encontra ainda algumas barreiras para sua eficaz implantação. Entretanto, como a questão já encontra respaldo legal, com um leque de normas jurídicas, como as Leis /2000 e /2000, para implementar a acessibilidade a locais públicos, as obras que, diga-se de passagem estão bem atrasadas, já se iniciaram preveem pontos específicos de acesso aos cidadãos com algum tipo de necessidade especial. O Decreto 5.296/2004 regulamenta as leis supracitadas que priorizam o atendimento e que estabelecem normas e critérios básicos para a inclusão das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida - nos projetos dos estádios a serem construídos para a Copa do Mundo de Com isso, nota-se que as novas construções devem atender aos padrões de acessibilidade, ponto chave para um país receber bem todos os ingressantes e espectadores que virão ao país sede da Copa de Outra questão de grande importância está relacionada aos custos dos ingressos nos jogos. Não adianta se construir belíssimas e milionárias estruturas se o seu acesso for limitado a um público de alto poder aquisitivo, o que no Brasil é minoria. Conforme verificado na Copa da África em 2010, os valores dos ingressos foram distribuídos em três categorias: os ingressos mais caros são de US$ 450 (R$ 1.072,00) para a partida de abertura, US$ 160 (R$ 381,00) para as da fase de grupos, US$ 200 (R$ 476,00) para as oitavas, US$ 300 (R$ 714,00) para as quartas, US$ 600 (R$ 1.429,00) para as semifinais, US$ 300 (R$ 714,00) na decisão do terceiro lugar e US$ 900 (R$ 2.148,00) para a final. 73

74 Já as entradas mais baratas saem por US$ 200, na abertura, US$ 80 (R$ 191) na fase de grupos, US$ 100 (R$ 238) nas oitavas, US$ 150 (R$ 258) nas quartas, US$ 250 (R$ 596) nas semifinais, US$ 150 para a decisão do terceiro lugar e US$ 400 (R$ 955) à decisão. A FIFA e o comitê organizador criaram uma quarta categoria de preços, apenas para pessoas residentes na África do Sul, com a moeda local, o rand. Já os carnês, que podem ser para três, quatro, cinco, seis e sete jogos, têm preço de US$ 528 (R$ 1.260,00) para três partidas e de US$ (R$ 6.513,00) para sete. Na terceira categoria, estes valores são de US$ 264 (R$ 630,00) e US$ (R$ 2.994,00), respectivamente. Para os padrões do Brasil, esses valores acima citados extrapolam a média do poder aquisitivo da maioria dos espectadores brasileiros, fazendo com que grande parte da população não consiga ver sequer um jogo de futebol no seu país. Entretanto, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, garantiu que o preço dos ingressos para a Copa do Mundo de 2014, não serão altos. Segundo o correspondente da Rádio Gaúcha na Suíça, Pedro Ernesto Denardin, os valores serão populares e acessíveis aos torcedores brasileiros, que terão a oportunidade de assistir à Copa. Além disso, os estádios não estarão vazios, fazendo com que se consiga um alto retorno com a maior quantidade de ingressos vendidos e não com altos preços. Podemos citar alguns itens que devem ter uma atenção redobrada dos engenheiros, arquitetos e projetistas: Estacionamentos Torcida: estádios para 60 mil torcedores devem ter ao menos 10 mil vagas para carros e 500 para ônibus. O ideal é que o estacionamento seja adjacente ao estádio, mas a Fifa aceita vagas até um perímetro de 1,5 Km. Público VIP: o estacionamento deve ser privativo e, preferencialmente, dentro do estádio. Delegações: às delegações devem ser reservadas ao menos duas vagas de ônibus e oito de carro, dentro do estádio, próximas aos vestiários e isoladas do público. Mídia: deve haver uma entrada exclusiva para os profissionais de comunicação, com sala de imprensa de 30 m2, no máximo. Recomenda-se tratamento diferenciado aos fotógrafos por portarem equipamentos pesados. Caminhões de transmissão TV (TV Compound): para a final da Copa, esta área deve ter entre três e cinco mil m2. O estacionamento deve ser adjacente ao estádio, ter segurança reforçada e sistema independente de geração de energia. 74

75 Veículos de transmissão via satélite: devem ter área de estacionamento reservada, a céu aberto, adjacente à TV Compound e com o mesmo sistema de geração de energia. Veículos de emergência e segurança: devem estacionar em área adjacente ou no interior do estádio, em posição que permita um rápido escoamento. Heliporto: a Fifa recomenda que haja um heliporto próximo ao estádio. Vestiários e acesso Jogadores e árbitros devem ter uma área de entrada exclusiva e segura, com espaço suficiente para a circulação de carros, ônibus e ambulâncias. Os vestiários de visitantes e anfitriões devem ter ao menos 150 m2 e itens idênticos de conforto. Para estádios multiuso, a FIFA recomenda a construção de quatro unidades. Os escritórios dos técnicos devem ser adjacentes aos vestiários, com área mínima de 24 m2. O vestiário dos árbitros deve ser privativo, mas próximo aos vestiários dos jogadores. O tamanho mínimo é de 24 m2. O túnel de acesso deve ter um mínimo de 4m de largura e 2,2m de altura. Em partidas internacionais, o ideal é uma largura de 6m. Os árbitros e os jogadores de cada time devem ter acessos individuais ao campo. Próximo aos vestiários deve haver duas áreas para o aquecimento dos jogadores, com 100 m2 cada. Conforto do Público Entre os itens de conforto, a cobertura é o que levantou as maiores dúvidas quanto à necessidade de ser realmente instalada nos estádios da Copa. Segundo o caderno de encargos da FIFA, a cobertura é desejável em locais com alta incidência de sol e de climas frio ou úmido. O estádio deve ter assentos individuais e afixados à estrutura da arquibancada. A largura mínima sugerida é de 47 cm, com encosto de pelo menos 30 cm de altura. Para facilitar a circulação dos torcedores é recomendada uma distância mínima de 85 cm de encosto a encosto. Os assentos VIP devem ter localização central e separada das cadeiras do público geral. Todos os torcedores devem ter uma visibilidade perfeita do campo, o que significa que os pontos-cegos não são aceitáveis. Para isso, a FIFA recomenda um cálculo cuidadoso da inclinação das arquibancadas e que as placas de publicidade tenham altura máxima de 100 cm. Os estádios modernos devem ter ao menos cinco pontos de venda para cada mil espectadores, equipados com aparelhos de televisão para que o público não perca os lances da partida. A posição das vendas deve ser projetada de modo que a aglomeração do público nas filas não obstrua a circulação do estádio. 75

76 O caderno de encargos recomenda que os estádios adotem normas de acessibilidade para portadores de deficiência. Todos os setores devem ter rampas para cadeirantes, sanitários adaptados e serviços de apoio. Portadores de deficiência devem ter um portão de entrada exclusivo, que dê acesso direto à área adaptada. Em cada vaga de cadeirante deve haver um assento para acompanhante e tomadas de energia para a conexão de aparelhos eletrônicos. Considerações Sabemos que a acessibilidade ainda é precária em diversas cidades e o Estado e a Sociedade Civil organizada tem agora, uma grande oportunidade de analisar e implementar as devidas adequações, pois além de promover a hospitalidade aos torcedores, poderemos deixar um legado de melhorias a milhões de brasileiros com deficiência ou mobilidade reduzida. Assim, considerando que a Copa do Mundo de futebol é o evento que reúne milhares de pessoas, onde as diferenças somem e colocam o rico e o pobre, o empregado e o patrão, o branco e o negro numa só torcida, é passada a hora de uma inclusão efetiva para todos os tipos de torcedores. 3. Moradia e Dinâmica Urbana e Ambiental 3.1 Moradia Identificar os impactos das intervenções sobre à moradia, em termos da ampliação do acesso a mesma pela população (identificando a população beneficiada). Introdução O acesso à moradia no Distrito Federal tem apresentado grandes avanços. Antes a forma com que o processo de transferência de propriedade era feito tornava fácil a grilagem de terras, tendo como resultados o inchaço das cidades e o crescimento das periferias, além das várias residências que se encontram na ilegalidade. Atualmente o GDF utiliza-se do programa Minha Casa Minha Vida MCMV, do governo federal que foi lançado em abril de Em se tratando de grandes eventos, como a Copa do mundo de futebol, grandes impactos ocorre em função das mudanças que são necessárias. Esses impactos incidem sobre a população e as cidades, estes podem ser bons ou ruins, além dos problemas de prostituição, criminalização dos sem 76

77 tetos. Um problema referente à moradia são as expulsões de pessoas de seus lares para a criação de pousadas e construção de vias de acesso, entre outros problemas. Desenvolvimento Segundo FONSECA, o cenário dos impactos provocados pela Copa não resulta de fatores isolados, mas de um conjunto interligado de fatores que como um efeito dominó as ações geram desdobramentos econômicos, sociais e culturais que podem, dependendo da forma que forem implantadas, servir à população depois do evento. Segundo o secretário especial de articulação para a Copa da Prefeitura de São Paulo, Gilmar Tadeu Ribeiro Alves, a Copa representa "a oportunidade de colocar (os projetos) em execução e evitar o risco que fiquem na gaveta". Pensando por este lado, é de bom grado que aconteça. No entanto, os impactos gerados vão desde o impacto primário até terciário ou quaternário, dependendo do contexto em que estiver inserido econômico, social e/ou cultural. Impacto primário seria provocado pelas empresas que estão ligadas diretamente ao evento e os derivados - secundário, terciário, quaternário, viriam dos desdobramentos destas empresas na realização de suas atividades, por exemplo, a geração de empregos, alterações de vias de acesso, entre outros. Dentre estes impactos está o impacto à moradia, ou melhor, o impacto que incide diretamente sobre a população localizada próximo ao local de realização do evento. Como citado no parágrafo anterior, alterações de vias pode resultar impacto sobre a moradia, isto dependendo de onde seriam realizadas estas alterações. FONSECA ainda cita que: de todas as cidades-sede, somente Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba estão mais bem preparadas para atender a demanda turística durante o evento. Nas demais cidades, o número de turistas esperado supera a capacidade atual para hospedá-los, ocasionando deficit total projetado de unidades. Brasília está dentro desta situação problema, o setor hoteleiro de Brasília nas condições atuais não será capaz de atender a esta demanda podendo afetar de certa forma a população que reside próximo ao Estádio Nacional. Pode ocorrer algo parecido com o que está ocorrendo no Rio de Janeiro, moradores de favelas que estão pacificadas estão oferecendo suas residências para servir de pousada para os turistas. Na falta de opção, em Brasília, o turista que vier assistir ao jogo da copa poderá recorrer a este tipo de pousada. Um exemplo que já 77

78 existe em Brasília é o caso das residências da W3 Sul que são utilizadas como pousadas para turistas sendo, porém irregulares por se tratar de área residencial. O governo do DF tem utilizado os recursos do programa Minha Casa Minha Vida para que a população que vive em lugares irregulares possa ter sua casa própria legalizada. Consultando os sítios do GDF não é possível encontrar relação entre estes programas habitacionais e a Copa de 2014, mas é sabido que na falta de lugares para acomodar os turistas pode haver uma pressão por parte do governo, imobiliárias e até donos de hotéis em cima da população que vive em residências que não são suas, mas alugadas, cedidas ou irregulares. O GDF pode vir a fazer uso de mecanismos, os conhecidos instrumentos do Estatuto das Cidades, para desapropriar tais propriedades ou induzir a saída do morador de sua residência. Alguns instrumentos que podem ser utilizados: Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) Parcelamento, Edificação e Utilização Compulsórios PEUC IPTU Progressivo no Tempo Desapropriação com Títulos da Dívida Pública Consórcio Imobiliário Casas alugadas, casas irregulares, prédios abandonados são exemplos de propriedades que podem sofrer intervenção por parte do governo e/ou terceiros. A apropriação por parte do governo pode ser vantajosa para a população, quando prédios que outrora eram inúteis, passarem a cumprir função social servindo como residência popular após o evento. É uma utopia pensar assim, porém não deixa de ser uma possibilidade. A associação daquela atitude com a realização do programa MCMV pode ser viável, porém um estudo aprofundado se faz necessário. Já a intervenção de terceiros, imobiliárias, pode tirar o teto de pessoas que não têm casa própria e vive a pagar aluguel ou de forma irregular. No Art. 5º da CF de 1988 diz que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito [...] à propriedade e ainda seus incisos XXII e XXIII diz que é garantido o direito de propriedade e esta atenderá a sua função social. Dentro do contexto do parágrafo anterior qualquer propriedade que não esteja atendendo esta função corre o risco de ser tomada pelo poder público. O artigo 39 da Lei n de julho de 2001, denominada Estatuto da Cidade, afirma que a 78

79 propriedade urbana só cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor, assegurando o atendimento das necessidades dos cidadãos quanto à qualidade de vida, à justiça social e ao desenvolvimento das atividades econômicas. No sítio oficial que disponibiliza notícias sobre a copa de 2014 tem-se uma notícia a respeito de remoção ilegal de moradores que residem em áreas de interesse das obras. Também cita que as remoções e despejos já ocorridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Natal e Fortaleza configuram, segundo a relatora da ONU para o Direito à Moradia Adequada, Raquel Rolnik, violações aos direitos humanos. E, também, na maioria dos casos, as indenizações pagas são insuficientes e podem acarretar a formação de novas favelas e o crescimento do número de famílias sem teto. Resultados Diante do que foi exposto depreende-se que o governo tem trabalhado para a entrega de moradias financiadas a moradores. No entanto, estas ações são insuficientes para garantir que todos os moradores do Distrito Federal terão preservado o direito à moradia e se houver intervenção do governo, que haja a contrapartida para o morador desapropriado. Considerações Considerando os pontos positivos dos impactos de megaeventos seria até interessante tê-los, mas olhando pela perspectiva do social pode significar ônus para a população. O acesso da população mais pobre à moradia pode ser estendido com o advento de um grande evento como a Copa do Mundo em detrimento da qualidade e perspectiva de futuro da cidade, pois estas moradias em sua maioria serão implantadas em zonas periféricas à cidade Meio Ambiente Identificar os impactos das intervenções sobre o meio ambiente, verificando eventuais casos de injustiça ambiental (danos ambientais afetando desigualmente as classes populares). 79

80 Introdução Este trabalho compreende o sub-eixo de Meio Ambiente dentro da temática Megaeventos Copa do Mundo e Olimpíadas no DF, baseando-se na questão orientadora de Identificar os impactos das intervenções sobre o meio ambiente, verificando eventuais casos de injustiça ambiental (danos ambientais afetando desigualmente as classes populares). Espera-se levantar todos os possíveis impactos ambientais negativos e positivos decorrentes do planejamento, preparação, execução e pós-execução das Olimpíadas e Copa do Mundo no Distrito Federal, podendo-se apontar recomendações e intervenções a fim de evitar ou mitigar os possíveis impactos negativos. Desenvolvimento A chegada das da Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil não representa apenas abertura do país para foliões desportistas internacionais, mas representa o olhar de milhões de pessoas ao redor do mundo focado no Brasil, representa a entrada de milhares de estrangeiros ao mesmo tempo em algumas poucas cidades, representa a entrada e investimento de bilhões de dólares e reais em infraestrutura para recepcionar satisfatoriamente a todos, representa também atender a demanda de cada município e estado que irá participar do circuito das competições, portanto atender também aos interesses dos residentes locais sem se esquecer do meio ambiente que nos cerca e nos mantém. Sendo assim o Brasil não pode se descuidar com cada preparativo, correndo o risco de pagar mico internacionalmente. Todas estas obras, públicas ou privadas, têm algo em comum: a exigência constitucional de elaboração pelo empreendedor do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), documento essencial a instruir o imprescindível licenciamento ambiental, instrumento de controle prévio e concomitante pelo Poder Público quanto às normas ambientais aplicáveis. Sabendo-se das grandezas desses dois megaeventos torna-se de suma importância conhecer as fases de cada megaevento, lembrando que cada um possui etapas bem definidas, são elas: o planejamento, a preparação, execução e pósexecução. Cada fase possui seus instrumentos de controles, tempo e gastos definidos ou ao menos esperados. Bem como se podem prever os impactos ambientais possíveis de acontecer como consequências de cada etapa. O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) está previsto pelo art. 225, 1º, IV, da Constituição Brasileira de 1988 como um requerimento prévio e obrigatório para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação 80

81 do meio ambiente. Portanto, os entes governamentais não possuem discricionariedade para decidir acerca da elaboração ou não de um EIA; se o projeto apresentado for potencialmente causador de algum impacto ambiental significativo, como, em regra, são aqueles relacionados à estrutura da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016, um EIA deverá necessariamente ser exigido, previamente, pelo ente regional ambiental competente, sob pena de nulidade da licença ambiental. O EIA para obras de mobilidade urbana, tais como os serviços públicos de transporte terrestre e de ampliação dos estádios, deverá necessariamente identificar e avaliar os impactos no ambiente ocasionados pela poluição sonora, atmosférica, do solo e dos recursos hídricos, assim como apresentar, dentre as medidas de mitigação, aquelas voltadas expressamente para a conservação e uso racional dos combustíveis. Estima-se que a pegada de carbono da Copa do Mundo 2010 seja de toneladas de carbono, com o adicional de toneladas como parte da contribuição do transporte aéreo. A pegada de carbono mede quanto dióxido de carbono é produzido em todas as atividades (transporte, eletricidade, etc.) de uma pessoa, uma empresa, um evento atividades essas que normalmente utilizam combustíveis fósseis, como petróleo, gás e carvão Segundo os critérios adotados pela United Nations Environment Programme (Unep), as dimensões econômicas, sociais e ambientais devem ser integradas para vencer os desafios em seis áreas prioritárias: mudanças climáticas, desastres e conflitos, manejo de ecossistema, governança do meio ambiente, substâncias perigosas e eficiência do uso de recursos naturais. Desde 2006, com a Copa na Alemanha, a FIFA desenvolve o programa "Green Goal", com o objetivo de reduzir as emissões de carbono e fazer uma melhor gestão de água, da energia, dos resíduos e do transporte. O Brasil tem longa tradição de planejamento verticalizado, no qual as decisões são tomadas por governos centrais e irradiadas para os pontos locais de organização. Frequentemente existe pouca autonomia local, pouco feedback sobre a eficiência das decisões tomadas e pouco controle sobre o alinhamento dos agentes responsáveis pelas políticas estipuladas. Tais características podem ser identificadas não somente na relação entre o governo federal e os demais entes da federação da sociedade civil local. Diante disso qualquer necessidade de política ou intervenção pública de cima para baixo introduz um risco institucional, na medida em que, devido às falhas no processo decisório, tais intervenções podem ser realizadas de forma equivocada, desnecessariamente dispendiosa, ou simplesmente não se concretizar. Matheson (2002) aponta que diversos estudos geralmente superestimam o benefício econômico sobre a economia local, pois a metodologia não é capaz de 81

82 perceber certos vazamentos durante o evento esportivo (os ganhos obtidos podem não permanecer no país sede, mas ir para os acionistas estrangeiros). As 12 cidades-sede precisam reformar e fazer mudanças estruturais e em alguns casos construir do zero seus estádios. Em todas as capitais, as arenas passarão por reformas para atender às exigências da FIFA e poder sediar de três a cinco partidas do Mundial. No DF a principal mudança ocorrerá na capacidade do estádio. O Estádio Nacional de Brasília está sendo construído no local do antigo Estádio Mané Garrincha. A previsão é de que comportará 40 mil pessoas, mas, caso seja escolhido para receber a abertura da Copa 2014, terá 70 mil lugares. De acordo com o edital aprovado pelo Tribunal de Contas do DF, a vencedora da licitação fará os trabalhos de desenvolvimento de projeto executivo dos sistemas especiais de tecnologia, execução das obras civis de recuperação estrutural da atual estrutura de arquibancadas, obras civis para adaptação e ampliação das novas arquibancadas, rebaixamento do nível do gramado, construção dos demais ambientes contidos no projeto executivo de engenharia, assim como a execução das instalações e dos sistemas elétricos, hidráulicos, de ar-condicionado e de segurança. Além de ser gigantesco para os padrões de Brasília, os custos para os cofres públicos não foram devidamente explicitados. De acordo com o Ministério Público do Distrito Federal, o projeto básico assinado com o consórcio vencedor da licitação, formado pelas construtoras Andrade Gutierrez e Via Engenharia, não inclui na conta uma série de despesas. Entre elas estão o sistema de cobertura fixa e retrátil, iluminação do campo e arquibancadas, aparelhos de sonorização, câmeras de segurança, placares eletrônicos e telões. Há especulações que os valores até a conclusão da obra poderão alcançar a marca de mais de R$ 1 bilhão. Fora da lista Itens que não foram incluídos na licitação de construção do estádio e que podem empurrar os custos para R$ 1 bilhão: Túnel que liga o estádio e o Centro de Convenções cujo projeto ainda está em execução Áreas externas ao estádio, como estacionamentos e heliportos Fornecimento e instalação do sistema de Broadcasting Fonte: Ministério Público do Distrito Federal 82

83 Resultados Estádios: dada a complexidade das obras envolvidas, há um grande desafio para que todos os estádios possam ser entregues a tempo da Copa das Confederações, em junho de 2013, quanto menos um ano antes, conforme compromisso firmado pelo Brasil. Além disso, uma vez que a responsabilidade pela construção e reforma dos estádios está distribuída entre diversos clubes e/ou entidades públicas, pode não haver padronização ou análise de conformidade dos projetos às exigências da FIFA (riscos de coordenação). Segundo dados do Governo Federal (2011), dos doze estádios da Copa, 10 têm suas obras iniciadas e destes apenas 7 apresentam cronograma de execução adequado, vide figura 1 para detalhes de cada cidade. Sabe-se que a etapa mais passível de causar impactos ao seu redor é de construção, ou seja, execução do planejado em relação às infraestruturas requeridas pelos megaeventos, entre elas o estádio. A partir do caderno de recomendações técnicas e requisitos para estádios de futebol da FIFA extraiu-se os principais impactos que a construção de um estádio causa no ambiente em que é construído. São esses impactos negativos: Iluminação local: o estádio dependendo de sua posição e momento projeta sua sombra em propriedades adjacentes, além de eventos ou jogos noturnos demandarem muita luz e que podem irradiar por centenas de metros afora o estádio, podendo até atrapalhar o fluxo aéreo; Energia: o estádio consome muita energia elétrica, o que pode caso mal planejado, interferir na distribuição local da energia; Transporte: com certeza um ponto sensível é o transtorno que a construção e uso do estádio trazem no tráfego rodoviário local, pois se mal planejado pode congestionar toda malha rodoviária em volta sempre que houver um evento ou competição, dificultando o transporte daqueles que nada tem haver com o acontecimento; Poluição sonora: os sons emitidos pelo público ou evento podem ecoar ao redor do estádio caso não haja nenhuma barreira que impeça isso, prejudicando pessoas que estão até 5km de distância do estádio, algo parecido é visto em Brasília com o estádio Mané Garrincha; Brigas e tumultos: é freqüente que torcidas ou pessoas mal intencionadas causem danos ao patrimônio público ou mortes; 83

84 Atividades comerciais: é comum que o estádio traga muito movimento de pessoas aos comércios próximos na situação de eventos ou competições, mas quando não há o comércio normalmente se enfraquece. Figura 01 Situação das Obras dos Estádios Além disso, transtornos já estão ocorrendo em Brasília devido às precárias condições em que estão sendo feitas as melhorias no transporte local. Como exemplo pode-se citar a construção do Veiculo Leve sobre Trilhos (VLT) que esta sendo feito a passos curtos e com longas pausas devido a impasses entre órgão ambiental e governo e falta de repasses públicos, assim pontos da obra ficam paralisados causando uma poluição visual e congestionamentos rotineiros. Obras como: pontos do VLT, obras na DF 047 (acesso ao aeroporto), expansão e adequação do Mané garrincha e que estão sendo diretamente ligadas aos megaeventos, todas estão fora do prazo correto de execução e seus valores já foram acrescidos de milhões de reais. Vale ressaltar que as melhorias econômicas e de infraestrutura se concentram na região central do DF, parte em que a maioria absoluta da população ganha mais que 12 salários mínimos, ou seja, tais obras não beneficiarão a população que realmente move Brasília: residentes das satélites. Considerações Em vista da diversidade de agentes envolvidos (União, estados, municípios e empresas) o planejamento e a execução das ações precisam ser muito bem orquestrados. Existe o risco de que a despesa total venha a ser muito superior à inicialmente prevista, principalmente em função de deficiências no planejamento e do consequente atraso na execução das obras. No caso da realização dos grandes 84

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