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1 Edição número 2076 quinta-feira, 05 de julho de 2012 Fechamento: 08h20 Veículos Pesquisados: Clipping CUT é um trabalho diário de captação de notícias realizado pela equipe da Secretaria Nacional de Comunicação da CUT. Críticas e sugestões com Leonardo Severo Isaías Dalle Paula Brandão Luiz Carvalho William Pedreira Secretária de Comunicação: Rosane Bertotti

2 Estadão.com Câmara aprova MP que reajusta salário de 30 categorias Denise Madueño (Política) O plenário da Câmara aprovou medida provisória (MP 568), reajustando salários de 30 categorias, atingindo um total de quase 700 mil servidores ativos e inativos. Os reajustes vão custar R$ 1,65 bilhão aos cofres públicos neste ano. Os deputados aprovaram o texto do relator da comissão mista especial, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), já sem a polêmica envolvendo a remuneração dos médicos federais. Entidades representativas dos médicos combateram o texto original da MP, afirmando que, para manter o salário atual, teriam de cumprir carga dupla de trabalho. O relator alterou a proposta do governo, criou uma tabela específica de reajuste, mantendo a mesma condição do contrato de 20 horas semanais. Ciro aumenta o tom e critica PT: 'aliança não é para liquidar companheiro' Ex-ministro diz que partido aniquilou a sua vida pública e afirmou que legenda quer fazer o mesmo com o PSB Christiane Samarco (Política) Em meio ao silêncio da direção do PSB sobre o embate com o PT, coube ao exministro Ciro Gomes atacar a gula do aliado, que rompeu a aliança com o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), e lançou Patrus Ananias na disputa. "O PT quer vassalagem. Eles só conhecem o Vem a nós. Querem destruir o PDT, como estão fazendo com o PC do B. Mas, com o PSB, não vão fazer", criticou Ciro, para quem nem o PT nem o PSDB do senador Aécio Neves (MG) pensaram nos interesses de Belo Horizonte ao esticarem a corda até o ponto de os petistas deixarem a coligação. "Ao contrário do que o PT pensa, aliança não é para liquidar o companheiro. O que mais querem de mim além de terem aniquilado minha vida pública?", indagou, ao lembrar que o PSB abriu mão de sua candidatura a presidente para apoiar o PT de Dilma Rousseff. O PT deve se preocupar com o projeto de poder do PSB? Temos muita lucidez. Tanto que eu próprio fui sacrificado. Eu era o quadro mais experiente e o mais qualificado das possibilidades de candidatura na eleição passada. Estava em segundo lugar nas pesquisas e o partido retirou minha candidatura para apoiar a candidata Dilma. Se o PT não entender isso, é porque a goela do PT ficou maior que a cabeça. O ex-ministro José Dirceu disse que o rompimento da aliança PT-PSB em Recife, Fortaleza e Belo Horizonte ameaça a aliança nacional, tendo em vista a reeleição de Dilma. O sr. concorda? Quem quer pegar galinha não diz xô. É preciso falar claro para todo mundo entender. Nós permanecemos aliados e entendemos que o que está em marcha é a eleição municipal. Na eleição presidencial passada o PSB fez um sacrifício e não participou. Ao contrário do que o PT pensa, aliança não é para liquidar o companheiro.

3 O PT não é bom parceiro? O PT quer vassalagem. Eles só conhecem o Vem a nós. Querem destruir o PDT, como estão fazendo com o PC do B. Mas, com o PSB, não vão fazer. O que mais querem de mim além de terem aniquilado minha vida pública? Na semana passada o sr. e o prefeito Marcio Lacerda tiveram um encontro reservado em Brasília, na casa do senador Aécio Neves (PSDB-MG), para tratar da eleição em Belo Horizonte. Como foi a conversa? O prefeito me pediu para acompanhá-lo nesta conversa, da qual saí muito mal impressionado com o Aécio. Ele não pode brigar por coligação de vereador em Belo Horizonte. Grande parte da opinião brasileira dá a ele a possibilidade de ser um quadro nacional. Se ele tem essa missão histórica no futuro, não pode ficar cuidando de aliança de vereador e botando a faca no pescoço de aliados como eu, que sempre fui aliado incondicional dele. Mas Lacerda também não queria reeleger petistas que fazem oposição a ele na Câmara, e os vereadores do PSB ameaçaram renunciar se houvesse coligação. Poderíamos sacrificar alguns companheiros porque temos o candidato majoritário e uma administração extremamente bem avaliada e apoiada, em sua origem, por PT e PSDB. Quem rompeu foi o PT, mas os dois esticaram a corda e Aécio também apequenou-se nesse processo. Nem o PT de BH nem o Aécio pensaram nos interesses de Belo Horizonte. Só pensaram nessa queda de braço mesquinha e extemporânea. Mas falo por mim. Ele (Lacerda) com certeza não concorda com o que estou dizendo. Delta vai ser tirada do São Francisco, maior contrato federal da empresa (Política) Impedida de fechar novos negócios com a União, a Delta Construções perderá o maior dos contratos que ainda mantém com órgãos públicos. O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, antecipou ao Estado a decisão de romper o contrato de obras de um dos lotes da transposição do Rio São Francisco, em Mauriti (CE), pelo qual a Delta ainda tinha mais de R$ 100 milhões de obras a executar. As obras no lote 6 da transposição estão paradas. Segundo adiantou o ministro, o que falta ser construído passará por nova licitação, provavelmente em setembro. Só com uma nova empreiteira no negócio as obras seriam retomadas, prevê Bezerra Coelho. "Eles pararam a obra sem ter causa justificável para parar, estamos caminhando mesmo para rescindir o contrato", disse o ministro por telefone, do Japão. Bezerra Coelho descartou a possibilidade de continuar a obra com as demais empreiteiras que integram o Consórcio Nordestino - EIT e Getel. "Para não incorrer em novos atrasos na transposição, o melhor é relicitar." A decisão de romper o contrato será formalizada até o fim do mês, quando o ministério concluir a auditoria no contrato de R$ 265,4 milhões, assinado em O termo ganhou um aditivo no ano passado, antes de as investigações da Polícia Federal envolvendo a Delta se tornarem públicas. Trata-se do maior dos contratos que a empreiteira suspeita de integrar os negócios do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, tem com a União.

4 A empreiteira mantém pouco mais de cem contratos com órgãos do governo federal. Na maioria deles, a Delta presta serviços ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), vinculado ao Ministério dos Transportes. Mas o maior contrato prevê a construção de 39 dos cerca de 600 quilômetros de canais de concreto da transposição do São Francisco. No mês passado, a Delta foi declarada inidônea e, com isso, ficou impedida de celebrar novos contratos com a União. O destino dos acordos em curso - que somam R$ 1,2 bilhão ainda não pagos, conforme revelou o Estado em maio - ficou dependendo da conclusão de auditorias nos ministérios e nos órgãos de controle, como a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU). 'Plena capacidade'. Procurada ontem, a Delta alegou que "teria plena capacidade de entregar a obra contratada". Em nota, a empreiteira disse que a rescisão do contrato não vai impor demissões extras na empresa. Mais de 300 já teriam sido demitidos no canteiro da Delta na transposição. A empresa alega ter paralisado as obras do lote 6 a pedido do Ministério da Integração. A pasta nega a versão da Delta e informa que vinha cobrando a retomada imediata das obras. O trecho da transposição em Mauriti (CE) será o último a ser concluído, de acordo com a mais recente versão do cronograma de obras. A previsão é que fique pronto no segundo semestre de Iniciada em 2007 como a mais cara obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a transposição do São Francisco já deveria ter ficado pronta. Por falhas no projeto, os contratos iniciais ganharam aditivos e novas licitações de saldos remanescentes de obras elevaram o custo do projeto para R$ 8,2 bilhões. Contra a crise, Mantega evoca espírito animal dos empresários Ministro da Fazenda não poupa empresários e cobra investimentos mais agressivos do setor produtivo; Mantega também voltou a criticar os bancos Francisco Carlos de Assis e Gustavo Porto (Economia) O ministro da Fazenda, Guido Mantega, adotou novamente a postura de colocar contra a parede os banqueiros, cobrando o aumento do crédito e a redução dos spreads bancários (diferença entre as taxas de juros pagas pelas instituições financeiras na captação de recursos e a cobrada dos clientes nas operações de empréstimos). Mantega também não poupou os empresários do setor produtivo de cobranças. "É preciso que o setor empresarial desperte seu espírito animal e faça os investimentos, pois quem sai na frente tem vantagens", disse. "É preciso que haja mais crédito dos bancos, com o spread caindo", completou, durante o Seminário Econômico Fiesp-Lide, em São Paulo. No evento, Mantega rebateu críticas diretas feitas pelo presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setúbal, que representava os banqueiros, e do presidente da Nestlé, Ivan Zurita, um dos porta-vozes do setor produtivo. Setúbal atribuiu a redução do crédito ao aumento da inadimplência e à falta de um mecanismo de recuperação de perdas. Ele disse que só o Itaú Unibanco terá que arcar com uma perda de R$ 18 bilhões por conta de calotes neste ano. O ministro, por sua vez, disse reconhecer o aumento da inadimplência, mas lembrou que é da natureza dos bancos serem prócíclicos quando deveriam ser anticíclicos. "Não é sair dando crédito adoidado, mas

5 se reduzir o spread a inadimplência vai cair. Quero dizer, doutor Setúbal, que o spread bancário no Brasil é muito alto", cutucou Mantega. Após o presidente da Nestlé criticar a alta carga tributária e citar que 50% do preço de uma garrafa de água é resultante de tributos, Mantega disse que o setor de alimentos é o mais desonerado de todos, e que o governo se preocupa com o impacto da área na inflação. Em seguida, alfinetou Zutita: "A Nestlé tem no Brasil o segundo maior mercado mundial e significa que deve ter crescido lucrado bastante". Logo na abertura do evento, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, cobrou de Mantega, que o governo amplie, "em mais 60 dias", o prazo de recolhimento de impostos para "dar fôlego", no curto prazo, ao setor produtivo no momento de crise internacional e de recuo no crédito. Para Mantega, uma coisa é propor uma agenda estratégica num cenário sem crise e a outra é propô-la em momentos de crise. O ministro lembrou que a crise europeia começou diferente da crise de 2008 nos Estados Unidos, mas que seus efeitos deletérios sobre a economia estão se assemelhando. "Temos de ter ousadia para superá-la e não pode ser só do governo. O setor privado também tem de ser ousado e tem de acreditar que vamos reverter o quadro", cobrou Mantega, acrescentando que o governo está fazendo a parte dele e garantiu que a Petrobras, por exemplo, vai investir R$ 83 bilhões neste ano. "Eu posso dizer isso porque sou o presidente do Conselho da Petrobras", assegurou Mantega. Para Mantega, os europeus apenas afastaram a crise bancária da financeira com a reunião da Cúpula da União Européia no final de semana, mas que a recessão no bloco continuará e afetará as economias emergentes como China e Brasil. "Os europeus são lentos e só resolvem problemas na beira do precipício", disse o ministro, desfiando o setor produtivo a ser mais ousado e a creditar que o País pode crescer 4%. Dólar Ao comentar a entrevista do diretor de política monetária do Banco Central, Aldo Mendes, que disse que defendeu ontem em entrevista à Agência Estado, um dólar acima de R$ 2 como um piso para a indústria, o ministro reiterou que o governo já tomou medidas para desvalorizar o real em 20%. "Fazemos a política correta, estamos com o câmbio com uma posição que valorize a economia brasileira", disse Mantega. O ministro da Fazenda se mostrou otimista com o desempenho da economia brasileira ao longo do segundo semestre. Ele diz achar possível um crescimento de 3,5% a 4% do PIB anualizado na segunda metade de "Estou olhando para o segundo semestre, o primeiro foi fraco e no segundo semestre podemos crescer 3,5% a 4%. É claro que depende da atitude de todos", disse Mantega. Indagado sobre uma projeção para o ano, no único momento em que Mantega desconversou, ele disse que "continuaremos lutando para ter o maior PIB possível para este ano". Skaf pede a Mantega ampliação no prazo para recolhimento de impostos Para o presidente da Fiesp, medida daria fôlego no curto prazo ao setor produtivo Francisco Carlos de Assis (Economia)

6 O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, cobrou ao ministro Guido Mantega, que o governo amplie, "em mais 60 dias", o prazo de recolhimento de impostos como forma de "dar fôlego" no curto prazo ao setor produtivo no momento de crise internacional e recuo na questão creditícia. "Hoje o setor produtivo financia em 49 dias, ou seja, as empresas pagam impostos e, em média, recebem do cliente depois desse tempo. Isso é um absurdo e seria até a oportunidade para medida do governo federal, estadual, de alongar o prazo", pediu Skaf, dirigindo-se também ao secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, Andrea Calabi, na abertura do seminário Fiesp Lide. "Ampliar em uma semana não vai resolver. Se fosse 60 dias a mais para recolhimento, isso irrigaria de forma linear a todos e daria fôlego para recuperar a economia no ano de 2012", completou. Segundo Skaf, há 30 anos as empresas tinham até 180 dias para recolher impostos e "compravam, produziam, e recebiam, para depois pagar impostos". Com o recuo da inflação, as empresas passaram a dar mais prazo aos clientes "e o prazo para o recolhimento do imposto foi alongado só um pouquinho". Para o médio prazo, Skaf defendeu o barateamento do preço da energia elétrica que, segundo ele, no Brasil é um dos mais caros no mundo. "Temos condições de gerar a energia elétrica de forma mais barata do mundo. Temos 74% da nossa energia em hidrelétricas, que emitem menos CO2 e é mais barata", afirmou. No longo prazo, o presidente da Fiesp pediu investimentos em infraestrutura e educação. "Os problemas da Grécia e da Espanha dizem respeito a eles. A nossa parte temos que fazer." Os sindicatos fantasmas SÉRGIO AMAD, COSTA, PROFESSOR DE RECURSOS HUMANOS, RELAÇÕES TRABALHISTAS DA FGV-SP, SÉRGIO AMAD, COSTA, PROFESSOR DE RECURSOS HUMANOS, RELAÇÕES TRABALHISTAS DA FGV-SP (Mercado-Opinião) O Ministério do Trabalho, agora com novos dirigentes, quer acabar com a farra da criação de sindicatos no Brasil. Sabe-se que, nesses últimos três anos, surgiram mais de 700 novos sindicatos no País, e a maioria não tem representatividade sobre os trabalhadores. São os chamados sindicatos fantasmas que, desde a época do ditador Vargas, sempre existiram no sistema de representação profissional. Mas a proliferação do reconhecimento oficial de sindicatos sem nenhuma representação se dá em dois momentos marcantes e bem distintos, embora ambos com intuitos semelhantes: dar apoio às teses governistas. O primeiro momento foi durante os governos populistas que antecederam os acontecimentos de Naquela época, a oficialização de muitos dos sindicatos fantasmas pelo Ministério do Trabalho ocorria por razões preponderantemente político-ideológicas. Nossa estrutura sindical oficial é vertical, formada por sindicatos, federações, estas quase sempre estaduais, e confederações nacionais. A forma de eleição dos dirigentes das federações e das confederações era o meio utilizado pelo Estado para conseguir manter, na direção dessas entidades máximas do sindicalismo, lideranças favoráveis ao governo.

7 Para eleger uma diretoria de uma federação ou de uma confederação, por exemplo, um sindicato que representasse uma categoria profissional de 10 mil trabalhadores e possuísse 300 associados teria o mesmo peso nos votos para eleger diretores das federações e, consequentemente, por meio destas, das confederações que um sindicato de uma categoria profissional de 50 mil trabalhadores e 5 mil associados. Dessa forma, como o reconhecimento dos sindicatos dependia exclusivamente do Ministério do Trabalho, os governantes não só facilitavam a criação de pequenos sindicatos situacionistas, como também controlavam com facilidade estes sindicatos, devido, principalmente, à sua pouca combatividade. Tal quadro facilitava a vitória dos dirigentes sindicais favoráveis ao governo nos pleitos para as entidades máximas dos órgãos de representação profissional. Esse modelo com o qual o Estado dirigia o funcionamento da organização sindical nos seus três planos - sindicatos, federações e confederações sindicais - foi utilizado, com veemência, tanto pelos adeptos de ideologias de direita quanto pelos de esquerda. O segundo momento marcante de proliferação do reconhecimento oficial de sindicatos sem nenhuma representação ocorreu nesses anos recentes. Parece que estamos revivendo, nesse aspecto, o contexto sindical dos anos pré Só que agora, o reconhecimento oficial dos sindicatos sem nenhuma representatividade acontece por interesses preponderantemente financeiros de pseudolíderes, em busca do seu quinhão do bolo dos famigerados tributos sindicais. Mas cumpre assinalar que quem concede a oficialização dos sindicatos é ainda o Ministério do Trabalho. Portanto, o reconhecimento de sindicatos fantasmas não é uma via de mão única. Há, por um lado, o interesse financeiro desses dirigentes sem representatividade, mas, por outro, há o interesse de quem oficializa o sindicato. Ou seja, quem recebe a oficialização geralmente tenderá a ser um aliado do governo, tanto nos pleitos para eleger as diretorias das federações e das confederações sindicais quanto para fortalecer, em termos de número de sindicatos filiados, essa ou aquela central sindical. Assim, a boa intenção de acabar com a criação de sindicatos fantasmas, mediante a definição de regras mais objetivas e comissões com representantes de empregados, empregadores e governo, seria válida se tivéssemos um outro tipo de estrutura sindical. Tentar pôr fim a isso, mantendo a unicidade sindical e as suas contribuições financeiras, é uma luta em vão. Os sindicatos fantasmas são inerentes ao arcaico modelo de representação profissional existente no País. Embora "fantasmas", existem nessa trama sindical e fazem parte dela de verdade. Folha de S.Paulo Painel Vera Magalhães (Poder) Dilma 2014 O empenho total de Dilma Rousseff em arregimentar apoios para Patrus Ananias (PT) pouco tem a ver com a eleição em Belo Horizonte. A presidente viu na cizânia entre PT e PSB em várias capitais o sinal de que Eduardo Campos é um adversário em potencial para sua reeleição. Da mesma forma, a vitória de Marcio Lacerda em

8 BH consagrará outro potencial oponente, Aécio Neves (PSDB). Ao atuar pesado em sua terra natal, Dilma faz o primeiro lance explícito no tabuleiro de A postos Dilma atua pessoalmente desde segunda-feira na novela mineira. No Planalto, recebeu o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento), o presidente nacional do PT, Rui Falcão, e o vice-presidente da República, Michel Temer, só para tratar do tema. Ontem, articulou o apoio do PSD de Gilberto Kassab a Patrus. A prazo O PMDB pediu o Ministério dos Transportes na negociação para apoiar o PT em BH. Não deve levar agora, mas a expectativa é que, após o pleito, Dilma faça nova reforma ministerial para incluir a seção mineira do partido e o PSD de Kassab. Dia D Também de olho em 2014, Aécio programa chegada triunfal a BH, hoje, com caravana de partidos para prestigiar Lacerda. "Será o desembarque da Normandia", exagera um tucano. O senador dará entrevista acusando o PT de trair o prefeito. Mãozinha Senadores do PMDB agiram para adiar para agosto a votação da cassação de Demóstenes Torres (sem partido-go), marcada para o dia 11. Lobão Filho (MA), que votou contra o fim do voto secreto, argumentou que poderia faltar quórum, graças à proximidade do recesso. Tudo certo Diante da ameaça, um grupo de senadores procurou o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que garantiu a votação na data marcada. Agora vai? O presidente da CPI do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), garantiu a membros da comissão que hoje serão aprovadas as convocações do presidente licenciado da Delta Fernando Cavendish e do ex-diretor do Dnit Luiz Antonio Pagot. O temor geral é que se repita a fórmula do habeas corpus para que possam ficar calados. Semântica... "Avança São Paulo" é o nome escolhido para a coligação de José Serra (PSDB) à prefeitura. Fernando Haddad (PT) optou pelo lema "Para mudar e renovar São Paulo", na mesma linha do slogan abraçado por Celso Russomanno (PRB) -"Por uma nova São Paulo"....do voto Gabriel Chalita (PMDB) registrou o mote "São Paulo em primeiro lugar", e Soninha Francine (PPS) registrará "Um sinal verde para São Paulo". Pedalada Depois de afirmar, em entrevista, que a construção de ciclovias na capital seria "incentivo à morte", Paulinho da Força, candidato do PDT, virou alvo de cicloativistas. Em protesto, eles lançaram boicote ao pedetista nas redes sociais. Sem mágoas Mesmo com o PR aderindo à coalizão de Serra, a direção nacional do PT interveio em duas cidades da Grande São Paulo para favorecer Valdemar da Costa Neto. Réu no mensalão, ele deve ter o apoio dos petistas em Itaquaquecetuba e Guararema, seu reduto. Eu vou Lula pediu ao PT em Campinas que adie ato político inaugural da campanha de Márcio Pochmann. O ex-presidente quer se recuperar da inflamação na garganta para discursar no evento. Nada feito O PSDB intervirá em Presidente Prudente, única cidade paulista em que tucanos pretendiam apoiar chapa com petista como vice. Dilma atuou contra Aécio na disputa em BH

9 Planalto deu aval à candidatura de Patrus Ananias (PT) e costurou apoio do PMDB e do PSD de Gilberto Kassab Ação visa se contrapor à tentativa de reeleição do prefeito Márcio Lacerda (PSB), que é apoiado pelo tucano Catia Seabra e Natuza Nery (Poder) A presidente Dilma Rousseff agiu na segunda para se contrapor a articulação do senador Aécio Neves (PSDB-MG), seu virtual rival na eleição de 2014, na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte. A ação ocorre após a quebra de um acordo de coexistência entre tucanos e petistas na cidade, sob comando de Márcio Lacerda (PSB), candidato à reeleição. Até a semana passada, tudo caminhava para uma reedição do acordo. Mas, segundo membros do governo, Aécio manobrou para rompê-lo. Ele teria atuado para afastar o PT do PSB porque deseja ver Lacerda como candidato ao governo de Minas em 2014, parte de seu plano de se tornar presidente. Como o lançamento de Lacerda colocaria um petista à frente da prefeitura, preferiu dinamitar a dobradinha. O PT enxergou na ação do senador tucano uma nacionalização da disputa. Dilma então deu o aval para concretizar o rompimento e o lançamento de candidatura própria petista: o ex-ministro Patrus Ananias. Após isso, o Planalto costurou os apoios de PMDB, PDT e PC do B para viabilizar Patrus. Ontem, o PSD, do prefeito Gilberto Kassab, também confirmou que engordará a chapa, que terá como vice o peemedebista mineiro Aloísio Vasconcelos. O roteiro de ações que resultou na candidatura Patrus foi desenhado no Palácio do Alvorada, na segunda, durante uma reunião de Dilma com o vice-presidente Michel Temer (PMDB), o presidente do PT, Rui Falcão, e Fernando Pimentel (Desenvolvimento), ex-prefeito de BH. A operação contou com a ajuda do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral). Ontem, Lacerda disse que a eleição deve discutir "questões da cidade" e não se transformar "em uma disputa nacional, de 2014". "Não vamos permitir que pessoas de fora venham interferir nas nossas questões e dizer o que devemos fazer." Amigo de Aécio, o ex-ministro Ciro Gomes foi também apontado como um dos mentores da ruptura. Ontem, Ciro, que participou de encontro da Executiva Nacional do partido, acusou o PT e o ex-ministro José Dirceu de superestimar a disputa entre os dois partidos. Segundo ele, o objetivo é incentivar a entrada de Lula na campanha, em socorro aos candidatos do PT.

10 Deputado abandona PT e adere à chapa do PSB em Pernambuco (Poder) Maurício Rands critica a cúpula petista por impor candidato em Recife 'a partir de SP' O deputado federal Maurício Rands (PT-PE) anunciou ontem a sua desfiliação do partido, a devolução do seu mandato ao PT e a entrega de seu cargo de secretário de Governo de Pernambuco. Em "carta ao povo pernambucano", Rands criticou a Direção Nacional do PT e afirmou que apoiará o candidato do PSB à Prefeitura de Recife, Geraldo Júlio. Rands deixou o PT em razão da crise gerada pelo processo de sucessão em Recife, cidade administrada pelo PT há 12 anos. Escolhido para disputar uma prévia contra o atual prefeito da cidade, João da Costa (PT), o deputado foi derrotado e travou duras discussões com o adversário. A prévia foi anulada pela Executiva Nacional do PT, mas Rands e João da Costa foram afastados da disputa. O senador Humberto Costa, aliado do deputado, foi indicado candidato em Recife. A crise levou o PSB a romper a aliança com o PT e a lançar candidato próprio, com o aval do governador de Pernanmbuco e presidente do PSB, Eduardo Campos. "Cometeram o grave equívoco de ter a pretensão de impor, a partir de São Paulo, um candidato à Frente Popular e ao povo de Recife", afirmou. "Diante da minha discordância com essa ruptura provocada pela Direção Nacional do partido, concluí que cheguei ao fim de um ciclo na minha vida de militante partidário", declarou. Advogado filiado ao PT há mais de 20 anos, Rands está em seu terceiro mandato como deputado federal. Foi líder do partido na Câmara em Grupo de Serra sinaliza apoio ao PSB para derrotar Dilma em 2014 Aliados do ex-prefeito de SP também querem enfraquecer Aécio Catia Seabra (Poder) Dispostos a alimentar a guerra PT versus PSB e abater o desafeto Aécio Neves (PSDB-MG), aliados de José Serra já acenam com a possibilidade de apoiar a candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), à Presidência em 2014, contra Dilma Rousseff (PT). O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) -um dos articuladores da candidatura de Serra à Prefeitura de SP- admite o apoio ao PSB sob o argumento de que, sozinha, a oposição não terá condições de enfrentar o PT. O elo entre serristas e Eduardo Campos é o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, cujo recém-criado PSD faz dobradinha com o PSB. "PSB e PSD, dois planetas viajando pelo espaço público em órbitas independentes do PT, que se arvora em centro do sistema polar: esse poderá ser um dos reflexos

11 mais importantes das eleições municipais sobre o quadro nacional", diz Nunes Ferreira. Atrás dessa justificativa esconde-se também o desejo de enterrar as pretensões eleitorais de Aécio. Em conversas com seus colaboradores, Serra debita a derrota de 2010 na conta do senador, que fragilizou sua campanha ao recusar a oferta de vice da chapa. Ontem mesmo Kassab desferiu um golpe contra Aécio ao negociar a aliança do PSD com o PT, contra o candidato do PSDB em Belo Horizonte. Aliados de Serra sonham com a união de Campos, Kassab e Serra em Se fosse eleito, Serra embaralharia o jogo de Aécio no PSDB. Mas a operação dependeria da disposição de Campos de duelar contra Dilma. Amigo e ex-vice de Serra, Alberto Goldman diz que, conforme o cenário político e econômico, Campos poderá concorrer. Hoje, diz ele, Campos tem mais visibilidade que Aécio. "É o fato novo. O Aécio não é nenhum fato novo. É velho", disse o tucano. CCJ envia processo de cassação de Demóstenes ao plenário do Senado (Poder) Destino do parlamentar será decidido por meio de votação secreta A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado aprovou ontem, por unanimidade, a legalidade do processo de cassação de Demóstenes Torres (ex- DEM-GO) pela suspeita de que o senador usou o mandato para defender os interesses do empresário Carlinhos Cachoeira. Com a decisão, o processo segue para votação secreta no plenário do Senado, marcada para quarta-feira. Pelo regimento da Casa, a CCJ precisa analisar se houve vícios legais que impeçam a tramitação do processo no Senado. Relator da matéria na comissão, o senador Pedro Taques (PDT-MT) disse que o Conselho de Ética do Senado respeitou os princípios de ampla defesa para Demóstenes, enquadrou corretamente as denúncias como configurando quebra de decoro parlamentar e respeitou a separação de Poderes, uma vez que tramita inquérito contra Demóstenes no STF (Supremo Tribunal Federal). Senadores favoráveis à cassação fizeram críticas ao ex-líder do DEM. As mais duras foram de Marta Suplicy (PT-SP), para quem o senador faz um "teatro" e tem "dupla personalidade", com a capacidade de "mentir, enganar e manipular" os seus pares. Único a sair em defesa de Demóstenes na comissão, o senador Magno Malta (PR- ES) disse que os parlamentares não deveriam "tripudiar em cima" do colega. Antigos aliados de Demóstenes, como o presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), e sua suplente direta, Lúcia Vânia (PSDB-GO), não foram à sessão. Coube ao segundo suplente, senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), votar pela aprovação do relatório. Mesmo fazendo discursos de defesa diários no plenário do Senado, Demóstenes não foi à comissão. Pediu a seu advogado, Antônio Carlos de Almeida Castro, fazer sua defesa. Castro fez um apelo pela absolvição do senador.

12 Governo já fala em PIB de 2% e adia recuperação para 2013 Baixo desempenho da economia abre espaço para juros de 7% ainda neste ano Tombo da indústria faz Planalto trabalhar para 'salvar 2013'; ontem Dilma afirmou que irá 'virar o jogo' Valdo Cruz (Poder) O governo Dilma adiou mais uma vez a previsão de recuperação da economia brasileira e já trabalha com um crescimento neste ano de apenas 2%, menos do que a última projeção oficial do Banco Central, de 2,5%. Na avaliação de assessores presidenciais, o tombo da indústria em maio mostra que a retomada da economia está demorando mais do que o previsto por conta de endividamento, comprometimento da renda familiar e baixa competitividade da indústria. Segundo a Folha apurou, o governo espera agora que apenas em junho ou julho a economia comece a dar sinais mais significativos de aquecimento, o que antes era previsto pela equipe econômica para maio. Isso aponta para um crescimento de 2% nas avaliações técnicas. O mercado já trabalha com esse dado. "Os números da indústria mostram que o crescimento está mais para 2% do que 2,5%", disse à Folha um assessor presidencial que pediu para não ser identificado, já que publicamente o governo não quer jogar a toalha. Questionada sobre os dados ruins da produção industrial -que recuou 4,3% em maio, na comparação com 2011-, a presidente Dilma disse: "Vamos virar esse jogo". Antes, durante discurso de lançamento do Plano de Safra da Agricultura Familiar, afirmou que o governo continuará adotando uma política "extremamente agressiva" de compras governamentais para enfrentar a crise. A ala mais otimista da equipe presidencial ainda nutre a esperança de o crescimento chegar a 2,5%. Depois de abandonar a meta de crescimento acima de 4%, o governo chegou a acreditar que era possível crescer em 2012 na casa de 2,7%, mesma taxa do ano passado. Assessores da presidente destacam, por outro lado, que o fraco desempenho da economia abre espaço para o Banco Central testar níveis mais baixos para a taxa de juros, hoje em 8,5% ao ano. Há um mês, o Planalto avaliava que o BC poderia reduzir os juros para algo entre 7,75% ou 7,5% no final de A nova aposta é que o banco poderá encerrar o ano com juros de 7% ao ano. Na próxima semana, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC se reúne novamente e deve reduzir os juros para 8%. Até o final do ano ainda serão realizadas mais três reuniões e técnicos acreditam ser possível mais dois cortes de 0,5 ponto percentual, sem criar pressão inflacionária.

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