Palavras chave: FINANCIAMENTOS, DIFICULDADE FINANCEIRA, ORÇAMENTO FINANCEIRO

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1 1 A UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO FINANCEIRO NA TOMADA DE DECISÃO PARA UTILIZAÇÃO DE FINANCIAMENTO ATRAVÉS DE RECURSOS DE TERCEIROS - FINANCIAMENTO BANCARIO Aluno: Gisele Gonçalves Almeida Orientador: Prof. João Bevonesi II Resumo O objetivo das empresas privadas é realizar atividades que proporcionem retorno positivo aos sócios que investiram capital para possibilitar a sua execução. O capital próprio nem sempre é suficiente para arcar com todos os custos dessas atividades por isso as empresas buscam capital de terceiros, como o financiamento bancário. Existem técnicas que possibilitam aos gestores identificar qual a necessidade de capital e qual a potencialidade da empresa em pagar os recursos conseguidos, são os orçamentos empresariais. Os orçamentos empresariais podem auxiliar a empresa na tomada de decisão sobre financiamentos de maneira a evitar que ela passe por dificuldades financeiras no momento de efetuar o pagamento dos recursos. As dificuldades financeiras impactam todas as áreas da empresa, dificultam sua administração e podem levar, inclusive, ao encerramento de suas atividades. O objetivo deste trabalho é identificar se as empresas utilizam essas técnicas de orçamento na tomada de decisão sobre os financiamentos que contratam bem como pretende concluir estabelecendo uma relação de causalidade entre a não utilização do orçamento e a incorrência em dificuldade financeira no momento de quitação dos recursos tomados. O trabalho tangencia também os critérios de avaliação de crédito adotados pelos bancos mostrando-os como inadequados em se tratando de oferecer as empresas volume de financiamentos compatíveis com sua real capacidade de pagamento. Palavras chave: FINANCIAMENTOS, DIFICULDADE FINANCEIRA, ORÇAMENTO FINANCEIRO

2 2 III Introdução O objetivo das empresas privadas é realizar atividades que proporcionem retorno positivo aos sócios que investiram capital para possibilitar sua execução. Muitas vezes, o capital próprio não é suficiente para financiar todas as atividades que a empresa precisa realizar para gerar lucro, por isso, buscam-se as linhas de financiamento externas. Geralmente, as linhas de financiamento buscadas são as dividas bancarias. Os bancos, que geram seu resultado captando e fornecendo capital remunerado, oferecem linhas de credito às empresas com facilidades e volume muitas vezes não condizentes com a real capacidade de quitação das empresas. As empresas, por sua vez, têm a sua disposição o Orçamento Empresarial, este entre outras informações que proporciona, possibilita mensurar qual a necessidade real da empresa de buscar financiamento e qual sua efetiva capacidade realizar o pagamento desses recursos. Dentro da composição do Orçamento Empresarial temos as seguintes ramificações: Orçamento Operacional e Orçamento Financeiro. O Orçamento Financeiro é constituído pelo Balanço Patrimonial e DRE Orçados e pelo Orçamento de Capital. A utilização de linhas de crédito sem o devido planejamento pode gerar dificuldades financeiras advindas da impossibilidade de as empresas adimplirem os compromissos assumidos. De acordo com o que já foi citado, o problema apresentado nesse trabalho é: As empresas têm utilizado praticas de Orçamento para identificar sua necessidade de financiamento e sua real capacidade de pagamento desses recursos? O objetivo geral é identificar se empresas que utilizam fontes de financiamento bancarias realizam um planejamento para identificar antecipadamente sua necessidade de investimento e capacidade de pagamento dos recursos tomados, para isso, são delimitados alguns objetivos específicos. São eles: as empresas se utilizam de técnicas para definir a quantidade de recursos tomados e sua forma de pagamento? As empresas conseguem quitar os compromissos assumidos sem prejudicar o fluxo de caixa da empresa? A relevância desse estudo está em salientar a importância do planejamento financeiro e dos orçamentos citados nesse trabalho no momento da decisão de financiamento visto que, de acordo com a pesquisa realizada, a não utilização do orçamento aumenta a possibilidade da empresa não conseguir arcar com os compromissos assumidos podendo resultar em dificuldades financeiras, inclusive, incorrer em falência e encerramento das atividades.

3 3 IV Fundamentação Teórica Para uma empresa ser bem sucedida em seu negócio, seja ele qual for, é importante que ela realize um planejamento financeiro, pois ele mapeia as atividades da empresa possibilitando coordenar e controlar as ações dela a fim de atingir os objetivos estabelecidos aumentando a probabilidade de alcançá-los. (GITMAN, pag ) O processo de planejamento financeiro se estrutura a partir de planos financeiros de longo prazo e estes guiam a formulação de planos e orçamentos em curto prazo. Os planos financeiros de longo prazo planejam e antecipam o impacto das atividades da empresa num período de dois a dez anos, e os de curto prazo, especificam o impacto das ações da empresa num período que geralmente compreende um a dois anos. (GITMAN, ) Uma ramificação importante do Planejamento Financeiro é o Orçamento Empresarial, este é um conjunto de previsões quantitativas, apresentadas de forma estruturada, uma materialização em valores dos projetos e planos. (BOISVERT,1999 apud LUNKES, pag ) O Orçamento Empresaria subdivide-se em duas partes: o Orçamento Operacional, que compreende o orçamento de vendas, estoques, custos, despesas, matérias primas, etc. e o Orçamento Financeiro, que é composto pelo orçamento de capital, balanço patrimonial e demonstrativo de resultados do exercício (DRE) projetados e orçamento de caixa. (LUNKES, pag ). Na figura abaixo está um esquema que demonstra a composição do Orçamento Empresarial Figura do autor

4 4 Um Orçamento Empresarial geralmente é elaborado a partir de previsões de demanda e estas a partir de previsões de possíveis cenários onde a empresa atua. (COPELAND. Pag ) Criar esses cenários consiste em prever possibilidades de desdobramentos plausíveis do mercado e como esses desdobramentos vão interferir no resultado da empresa. (COPELAND. Pag ) A elaboração de um orçamento empresarial exige uma fusão de complexas técnicas para levar em consideração todas as informações referentes à previsão de vendas, custos, despesas, etc.(gitman. Pag ) Parte inicial de um orçamento financeiro consiste em definir quais serão as fontes de recursos em longo prazo e como será a estrutura de financiamento da empresa (capital próprio e de terceiros), este é o Orçamento de Capital. (MARTINS. Pag ) Também compõem o Orçamento Financeiro o Balanço Patrimonial e DRE Orçados, estes ajudam a identificar a necessidade de capital necessário para executar as atividades previstas pela empresa para o período do balanço, geralmente um ano, e a necessidade de financiamento para essas atividades. (COOPELAND. Pag ) O Orçamento de Caixa é o terceiro componente do Orçamento financeiro, este é a projeção de prováveis entradas e saídas do caixa da empresa. Ele permite avaliar a futura situação financeira da empresa, o excesso de capital e a necessidade de financiamento para cumprir com as obrigações financeiras do período. Seu principal objetivo é assegurar recursos monetários para atender as operações da empresa estabelecidas no orçamento, (LUNKES. Pag ) É através do orçamento de caixa que se pode mensurar qual a potencialidade da empresa na hora de buscar financiamentos visto que é através desses dados que se sabe qual é o potencial efetivo da empresa de pagar os financiamentos contratados, portanto, considera que o dimensionamento de fluxo de caixa é o aspecto mais relevante na tomada de decisão de financiamentos. (ASSAF. Pag ) Dentro da analise do Orçamento de Caixa, pode-se analisar o ciclo de caixa, este é a diferença entre o ciclo operacional (compra da mercadoria até o recebimento da venda da mesma) e o período médio de contas a pagar (realização da compra até pagamento da compra). (ROSS Pag ) quanto mais longo o ciclo de caixa mais financiamento é necessário.

5 5 Ao se calcular o ciclo operacional e perceber o volume de capital necessário para atender as necessidades financeiras desse ciclo, encontramos a definição de capital de giro. (ASSAF Pag ). A importância da administração do capital de giro tem crescido e se acentuado devido às altas taxas de juros exercidas pelo mercado (ASSAF Pag ) visto que se o financiamento for buscado com antecedência, pode ser obtido com taxas de juros mais baratas (LUNKES Pag ). A necessidade de investimento em capital de giro consiste na quantidade de recursos financeiros demandados pelo ciclo operacional. (ASSAF Pag ) Existem varias fontes de recursos disponíveis para as empresas. As principais são: empréstimos e financiamentos, emissão de ações ordinárias e preferenciais, retenção de lucros e emissão de outros títulos. (MARTINS Pag ) Essas fontes de financiamento são oriundas de duas origens: capital próprio e capital de terceiros. (BODIE, pag ) O capital próprio consiste em reivindicar o valor residual do faturamento após todas as contas da empresa terem sido pagas, são as retenções de lucro. Existe também o capital de terceiros, este consiste em uma obrigação contratual de efetuar pagamentos futuros em troca de recursos fornecidos. (BODIE, pag ) Historicamente, a fonte de financiamento mais comum e mais buscada pelas empresas são os bancos comerciais, estes oferecem financiamentos de curto e longo prazo, alem de linhas de credito fixas e rotativas cobrando taxas de juros referentes ao risco que interpretam do tomador. (DEMODARAN Pag ). Uma empresa cuja maior parte dos ativos é tangível, podendo ser vendido sem maior perda de valor, terá maior incentivo para endividar-se. No caso de empresas em que os ativos são em grande parte intangíveis, como por exemplo, o talento de empregados e oportunidades de crescimento, o endividamento deve ser menos atraente, uma vez que os ativos não podem ser efetivamente vendidos. (ROSS Pag. 356) A dívida bancaria oferece uma série de vantagens às empresas tomadoras, tais como fornecer quantias grandes e, relativamente pequenas, curtos e longos prazos de pagamento e sigilo nas informações prestadas na hora da analise de crédito. (DEMODARAN Pag ). Uma espécie de financiamento freqüentemente oferecida às empresas pelos bancos é a linha de crédito, onde a empresa tem a sua disposição recursos de saque imediato sendo que só pagara juros por eles caso vier a utilizá-los. (DEMODARAN Pag ).

6 6 Existem dois tipos de empréstimos oferecidos pelos bancos: Os empréstimos com e sem garantias. Como exemplos de empréstimos sem garantia, temos as linhas de credito e os créditos rotativos (cheque especial), onde a empresa pode sacar até um determinado limite sem nenhuma espécie de emissão de contrato toda vez que a empresar precisar utilizar. Em empréstimos com garantia essas podem ser duplicatas a receber (antecipação de cartão e desconto de duplicatas) e estoques (bens, como no caso do leasing - alienação fiduciária- guarda em armazém e estoques em geral). (ROSS Pag ) Um exemplo de empréstimo com garantias é a antecipação de títulos de crédito. O título de crédito é o documento necessário para o exercício do direito literal e autônomo nele mencionado. (REQUIÃO apud VIVANTE pag ). A utilização do cheque como título de crédito é discutida no campo jurídico mas sumidades na área do Direto Comercial como Rubens Requião, Amador Paes de Almeida e Fabio Ulhoa o consideram como sendo um título de crédito e esta linha de discussão que é adotada pelos bancos quando efetuam a troca popularmente conhecida como Desconto de Cheque.(ALMEIDA, pag ) A antecipação de cheques pós datados ocorre quando o credor transfere seu direito de cobrança ao banco por meio de endosso em troca de parte do valor do cheque, quando este vence, o banco o cobra e fica com a diferença como lucro. (REQUIÃO pag ) Uma das vantagens do financiamento por meio de divida esta descrita na pesquisa realizada nos anos 80 em Harvard pelo pesquisador Michael Jensen, ele afirma que a condição de ter que realizar pagamentos de um empréstimo obriga os administradores a apresentarem bons resultados de sua gestão e se empenharem em selecionar e realizar projetos que tenham resultado positivo referente aos recursos utilizados em sua implementação. (DEMODARAN Pag ) Quando as empresas possuem alto valor de fluxo de caixa livre, este ajuda a esconder a ineficiência da administração vigente, por isso existe o incentivo a endividar-se e tomar a capacidade de quitação da divida como parâmetro de eficácia das atividades desenvolvidas na empresa. Quando uma empresa tem problemas para honrar seus compromissos de divida dizemos que ela esta com dificuldades financeiras. Uma conseqüência da dificuldade financeira é o risco de falência, procedimento legal para liquidar uma empresa e pagar seus credores. Diz-se que uma empresa esta falida quando o valor de sua divida se iguala ao valor de seus ativos. (ROSS Pag )

7 7 Estar passível de falência incorre em diversos custos, os diretos, que são os custos próprios do processo de falência e os indiretos, aqueles que são gerados por a empresa estar nessa situação. (DEMODARAN Pag ) Custo direto de falência é o custo no qual ela incorre em termos de fluxos de saída de caixa no momento da falência. Esses custos incluem custos legais e administrativos. Os custos que mais afetam as operações da empresa em dificuldade financeira são os indiretos. Estes se dividem em três categorias: (DEMODARAN Pag ) A Perda de receita bruta, que pode ocorrer devido a percepção dos clientes de que a empresa esta passando por problemas financeiros. Termos mais rígidos que os fornecedores passam a exigir para se proteger quanto a possibilidade de inadimplência Dificuldade que a empresa pode ter ao tentar levantar capital novo para seus projetos. Os custos indiretos citados acima advindos da dificuldade financeira torna ainda mais difícil a possibilidade de recuperação da empresa, pois os administradores, ao invés de se preocuparem em administrar o negócio e procurar estratégias para melhorar o desempenho da empresa, concentram seus esforços em tentar não falir. (ROSS Pag ) Falindo ou não, o resultado é uma perda de valor da empresa devido às dificuldades de administrar causadas pelos custos indiretos de falência ou dificuldade financeira. (ROSS Pag ) V Procedimentos Metodológicos Para elaboração deste trabalho, foi realizada uma pesquisa exploratória onde foi estudado o comportamento das empresas frente à necessidade de utilização de linhas de crédito oferecidas pelos bancos, as formas pelas quais os bancos disponibilizam essas linhas e, finalizando, foram traçadas algumas relações entre as duas situações. Para a realização do estudo, foram selecionadas cinco empresas com sede em Porto Alegre que atendessem a dois critérios: Faturamento acima de 1,5 milhões de reais por ano. Este critério foi adotado, pois empresas com faturamento menor tem menor fluxo de entradas e saídas de caixa, portanto, mais facilidade em calcular suas necessidades de capital de giro.

8 8 Empresas que utilizam linhas de crédito oferecidas pelos bancos. Este critério foi adotado, pois um dos objetivos do estudo é observar os critérios das empresas na hora de definir valores e formas de pagamento das linhas de credito contratadas. As empresas selecionadas são as definidas na tabela abaixo. Segmento Tipo Faturamento Linhas de Crédito que Utiliza Tempo de Empresa Empresa 1 Comércio de Franquia 1,2 Cheque Especial 7 anos Colchões milhões/ano Desconto de Cheques Capital de Giro Empresa 2 Comércio de Gás Franquia 2,5 Capital de Giro 10 anos GLP milhões/ano Cheque Especial Empresa 3 Comércio de Próprio 1,7 Antecipação de Cartões 4 anos Móveis Milhões/ano Cheque Especial Empresa 4 Comércio de Franquia 2,3 Antecipação de Cartões 3 anos Móveis Milhões/ano Desconto de Cheques Cheque Especial Capital de Giro Empresa 5 Comércio de Próprio 4,5 Desconto de Cheques 15 anos Pedras Preciosas, Milhões/ano Ouro e prata Tabela Do Autor

9 9 Para as considerações feitas a respeito do comportamento dos bancos, foram selecionados dois grandes bancos de varejo privado e um banco de varejo público que atendem a empresas da mesma faixa de faturamento estudada no trabalho e que disponibilizam todos os serviços citados na fundamentação teórica. Os dados analisados nesse estudo foram coletados em três etapas. Primeiramente, foram realizadas entrevistas com os gestores das empresas, orientadas pelo questionário abaixo: 1) Em quais situações a empresa busca financiamento junto ao banco? 2) Quando a empresa busca financiamento, a necessidade deste foi identificada antecipadamente ou no momento em que ocorreu? 3) O recurso é captado para um projeto/fim específico? 4) A empresa identifica antecipadamente com quais recursos ira pagar o financiamento contratado? 5) A empresa já passou por dificuldade para quitar os financiamentos contratados? 6) A empresa já foi negativada (CCF, Refin, Protesto, etc.) por não poder quitar algum financiamento? 7) A empresa utiliza alguma ferramenta de previsão de demanda e faturamento? 8) A empresa utiliza alguma ferramenta de orçamento financeiro para auxiliar a tomada de decisão sobre linhas de crédito? 9) A empresa sabe exatamente quanto lucra por período? 10) A empresa utiliza ferramentas para calcular margem de lucro, custo e preço de venda? Posteriormente, foram analisadas as informações referentes às linhas de credito contratadas, as movimentações bancarias e o cadastro das empresas junto ao banco em que possuem conta. Um aspecto que ficou muito evidente no momento da coleta de dados através da entrevista com os gestores, na maioria dos casos também donos das empresas, é que ouvir questionamentos sobre os procedimentos executados na empresa, em especial os de controle financeiro, geram duas reações muito acentuadas: o sentimento de orgulho fica muito aflorado de maneira que o gestor sente que está sendo criticado ao ser questionado, gerando para ele uma situação ofensiva e com sua capacidade para executar sua função posta em dúvida. A segunda reação percebida foi uma retração ao tratar sobre assuntos financeiros da empresa. Foi necessária muita argumentação salientando que não havia interesse em números da empresa, mas sim, foco nos procedimentos e critérios que a empresa praticava.

10 10 Para finalizar as pesquisas e complementar as informações já coletadas, foram entrevistadas três gerentes de carteiras Pessoa Jurídica, de diferentes bancos sendo dois privados e um público, a partir das questões transcritas abaixo. Classifique os critérios de analise de crédito quanto ao grau de importância sinalizando-os como irrelevante, pouco relevante, relevante e indispensável. Faturamento Informado Valores movimentados na c/c Número de funcionários Bens da Empresa Tempo de Atividade Tempo de abertura da c/c Ausência de Restrições Fatores Mercadológicos Consulta a cadastro de operações do Banco Central Os dados coletados foram analisados isoladamente e correlacionados entre si para gerar informações que servem de comprovação para as afirmações feitas na fundamentação teórica e gerar respostas para os questionamentos levantados nos objetivos gerais e específicos do estudo. VI Resultados Os Resultados obtidos através das pesquisas se subdividem em dois aspectos: os resultados advindos da pesquisa realizada nas empresas através das entrevistas e analise dos documentos bancários e os resultados obtidos por meio da entrevista realizada com os gerentes Pessoa Jurídica dos bancos selecionados. Por meio dos dados coletados na pesquisa efetuada nas empresas ficaram evidenciados alguns aspectos demonstrados a seguir: Quanto ao questionamento feito a respeito da elaboração de planejamento financeiro, cada empresa apresentou suas formas de controle e registro de movimentação de valores como sendo esse planejamento.

11 11 Cada empresa possui sua espécie de planejamento de forma particularizada, todavia, os planejamentos que foram expostos mais se referiam a movimentações passadas do que à uma tentativa de mensurar as movimentações futuras, portanto, não são elaborados orçamentos formais que forneçam as informações necessárias para uma decisão de financiamento planejada. Outro aspecto que chama a atenção é a diferenciação entre empresas franqueadas e de administração própria. As empresas que fornecem as franquias atuam de maneira mais profissionalizada fornecendo aos franqueados cálculos de preço de venda, margem de lucro e custos, diferentemente das empresas de administração própria que não demonstraram preocupação em aplicar procedimentos para obter essas informações, aplicando seu preço de venda em acompanhamento ao mercado e calculando sua margem lucro desconsiderando os custos fixos e despesas. Outra particularidade das empresas franqueadas é que estas recebem do fornecedor previsões de demanda a fim de manter o estoque adequado porem se igualam as demais empresas, pois seus gestores não utilizam essa informação para projetar faturamento, despesas, custos e lucro. Quando as empresas foram questionadas se sabiam exatamente quanto lucravam por mês, afirmaram que não se utilizavam da identificação dos custos fixos e despesas resultando num desconhecimento do lucro efetivo. Duas empresas afirmaram que buscam financiamento somente com fins específicos, porem, confrontando essa informação com os registros bancários percebeu-se que o limite de cheque especial é utilizado para cobrir custos fixos e despesas correntes visto que os sócios não o consideram como financiamento. O cheque especial é uma das linhas de crédito mais caras oferecidas pelos bancos, portanto, utilizá-lo sem planejamento implica em financiar um custo ou despesa por meio da opção de financiamento mais onerosa disponível e incorre em cobrança de juros que, na maioria dos casos como foi constatado na entrevista, não são previstos e posteriormente podem afetar a saúde financeira da empresa. As empresas costumam contratar financiamento com taxas mais altas em comparação com as linhas de crédito planejadas porque não realizam o planejamento financeiro e não percebem com antecedência a necessidade de recursos. Todas as empresas alegaram que já precisaram renegociar alguma divida por terem dificuldade em termos de liquides para saldar com os compromissos assumidos. Essas renegociações são de alto risco, pois, segundo afirmação dos bancos, quando uma empresa

12 12 renegocia uma divida e não a paga, gera uma espécie de restritivo em seu CNPJ que prejudica permanentemente ou por longa data a concessão de crédito em qualquer outro tipo de instituição que forneça financiamento, sendo ele em dinheiro ou para aquisição de bens. Duas empresas já foram incluídas em cartórios de protestos, Cadastro de Emitentes de Cheques sem fundo e no cadastro de restrições bancarias por não poderem quitar com seus compromissos. Essa informação, de maneira indireta, demonstra que se este compromisso não foi cumprido, os outros muito provavelmente também não foram visto que, segundo informação dos bancos, a cobrança de financiamentos tem prioridade nos valores creditados na conta corrente das empresas. Quanto aos bancos, foi possível constatar que os critérios mais importantes na analise de crédito e concessão de linhas de financiamento são: *Consulta ao Cadastro de Informações de Crédito do Banco Central. Esse cadastro consiste em uma reunião de dados sobre as operações que qualquer pessoa, física ou jurídica, faça em qualquer instituição financeira. Tem caráter positivo pois constam as informações de cliente tanto com dívidas em atraso como com os dados dos bons pagadores de suas obrigações. Foi constituído pelo Banco Central do Brasil em Junho de 1997 para dar mais segurança aos tomadores e credores de recursos financeiros. (site BACEN, acesso em 20 de junho de 2010). Nesse momento o banco pode saber se a empresa esta endividada com outras instituições financeiras pois este cadastro contem as informações referentes a utilização de financiamentos em todas as instituições. Esse critério é facilmente driblado pelas empresas que, freqüentemente, utilizam mais de um CNPJ para suas operações. *Faturamento Informado: O faturamento informado pela empresa ao banco não necessita ser o mesmo registrado na contabilidade, mas serve de suporte importante a concessão de crédito. As empresas podem apresentar faturamentos maiores que os praticados, contanto que não sejam valores absurdamente maiores, e obter financiamentos com valores acima do que o real faturamento permitiria. *Tempo de Empresa: Empresas com menos de dois anos de atividade tem menos chance de conseguir crédito no mercado visto que a estatística brasileira afirma que 22% das empresas que abrem no país encerram suas atividades antes desse período. (SEBRAE, Pesquisa Vox Populi, 2005)

13 13 O critério Restrições é uma informação complementar na analise de crédito, não determinante. Uma empresa, mesmo que já apresentado alguns sinais de dificuldades financeiras por meio de restrições leves (protestos), ainda pode conseguir crédito. Fatores como bens (exceto se forem utilizados como garantias), número de funcionários, valor movimentado na c/c são irrelevantes na analise de crédito. Os fatores mercadológicos só são relevantes em períodos de grandes crises econômicas, como a do setor coureiro calçadista em VII Conclusão A pesquisa bibliográfica realizada evidencia um critério importante para a administração bem sucedida de uma empresa: O Orçamento Financeiro. A importância desse orçamento fica ainda mais destacada quando se fala em tê-lo como referencial para tomada de decisão na busca e contratação de financiamentos de terceiros. Os orçamentos financeiros realizam analises de balanços e DREs orçados, ciclo operacional e de caixa, quando alimentados com previsões de demandas plausíveis que são advindas de analises de períodos passador e formação de cenários futuros. Através dos orçamentos financeiros, em suas diversas formas de analise, pode-se obter dados que facilitam a gestão de capital da empresa, pois indicam com certa antecedência a necessidade, volume e capacidade de quitação de capital possibilitando que a empresa busque um capital com custo mais baixo e melhor planejado. A não utilização do orçamento financeiro aumenta a chance da empresa passar por dificuldades financeiras por não ter liquides suficiente para arcar com os compromissos assumidos. As conseqüências de se estar em dificuldade financeira afetam diretamente a gestão da empresa, visto que esta passa a ser concentrada em captar recursos e quitar dividas, ao invés de estar focada em bem administrar o negócio. De posse dessas afirmações, foram estudados os comportamentos de algumas empresas em Porto Alegre quanto a utilização de financiamento bancário, a elaboração de planejamentos e os critérios dos bancos para a concessão de crédito Das empresas entrevistada nenhuma elabora orçamento, porem todas afirmaram que já tiveram dificuldades para quitar os financiamentos contratados, inclusive, precisando, ao menos uma vez, renegociar sua divida. Isso sugere uma relação causal entre a não utilização do orçamento empresarial e a dificuldade financeira que estas empresas enfrentaram ou

14 14 enfrentam para arcar com seus compromissos. Outra questão que sobressalta é o fato de duas empresas afirmarem que não possuem noção exata de quanto lucram por período, isso mostra que não existe a preocupação tambem com a formação do preço de venda e margem de lucro, informação simples mas indispensável para uma boa gestão. Quanto aos bancos, estes são comprometidos com a captação e distribuição de recursos, tem como um dos critérios base para o fornecimento de crédito o faturamento informado, mas em nenhum momento leva em consideração os custos e despesas da empresa, portanto, não possuem real percepção da capacidade de quitação das empresas e, por muitas vezes, acabam fornecendo linhas de crédito superiores ao que a empresa pode assumir. Para amenizar essa situação, foi constituído um cadastro único no Banco Central do Brasil com todas as informações das operações de crédito que as empresas tem em andamento, através desse cadastro os bancos podem consultar quais as dividas que uma empresa possui com outras instituições financeiras antes de conceder crédito. O que acontece é que na maioria das vezes, as empresas trabalham com mais de um CNPJ como modelo de planejamento tributário e isso acaba prejudicando essa consulta e trazendo dados que não refletem a realidade e remetem ao mesmo ponto inicial: permitem que bancos ofereçam linhas de crédito superiores ao que as empresas podem assumir. Através da pesquisa ficou evidenciada a relação entre a não utilização do orçamento financeiro e a dificuldade de quitar as linhas de crédito contratadas como sendo causa uma da outra, tendo ainda como agravante o fato dos bancos oferecerem linhas superiores ao que as empresas efetivamente têm liquides para pagar. Buscar linhas de crédito é uma inevitável realidade das empresas para poderem executar suas atividades, no orçamento financeiro, podemos concluir que se encontra uma estratégia de gestão que protege a empresa contra os riscos que a contratação de financiamentos gera, por isso, sua utilização é incentivada afim de que os recursos que possuem possam ser geridos com mais eficiência, utilizando as linhas de credito de maneira a colaborar com suas atividades ao invés de ser um fator de risco futuro para a existência da empresa. As linhas de credito oferecidas pelos bancos não são prejudiciais a saúde financeira da empresa, se forem utilizadas adequadamente e com o devido planejamento, podem potencializar a atividade da empresa bem como seus lucros e retorno para os sócios alcançando seu principal objetivo de existência.

15 15 VIII - Referencia Bibliografia ALMEIDA, Amador Paes. Teoria e Prática dos Títulos de Crédito Editora Saraiva, SP ASSAF, Alexandre Neto. Finanças Corporativas e Valor. Editora Atlas, SP BODIE, Zvi; MERTON, Robert C. Finanças Editora Bookman, POA CERVO, Amado; BERVIAN, Pedro A; SILVA, Roberto. Metodologia Cientifica Editora Pearson Prentice Hall, SP COELHO, Fabio Ulhoa. Curso de Direito Comercial Editora Saraiva, SP COPELAND, Tom; KOLLER, Tim e MURRIN, Jack. Avaliação de Empresas Valuation Editora Pearson Makron Books, SP DEMO, Pedro. Introdução à Metodologia da Ciência Editora Atlas, SP DEMODARAN, Aswath. Finanças Corporativas Teoria e Pratica Editora Bookman, SP GIL, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. Editora Atlas, SP GITMAN, Lawrence J. Princípios da Administração Financeira Editora Bookman, POA LUNKES, Rogério J. Manual de Orçamento. Editora Atlas, SP 2008 MARTINS, Eliseu Avaliação de Empresas Da Mensuração Contábil à Econômica Editora Atlas SP 2001 Pesquisa FATORES CONDICIONANTES E TAXA DE MORTALIIDADE DAS MPE. Vox Populi comprada pelo SEBRAE REQUIÃO, Rubens Curso de Direito Comercial Editora Saraiva, SP

16 16 ROSS, Stephen A.; Westerfield, Randolph W. ; Jordan, Bradford D. Principios da Administração Financeira Editora Atlas, SP Site Banco Central do Brasil: acesso em 20 de junho de 2010 as 16:13

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