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1 02 a 05 setembro 2013 Faculdade de Letras UFRJ Rio de Janeiro - Brasil SIMPÓSIO - Interfaces das análises linguística e histórico-cultural

2 INDÍCE DE TRABALHOS (em ordem alfabética) Análise a Respeito das Crenças e Atitudes dos Falantes de Londrina e Curitiba Dayse de Souza Lourenço Página 03 Construções Discursivas no Universo da Imprensa Brasileira Glauce Amanda Pagan Página 04 Ensinando e aprendendo com as TIC: um estudo de caso em palmas Mônica Rocha Página 05 Identidade cultural e variação linguística nos dicionários populares do Brasil Josete Marinho de Lucena Página 06 O discurso de legitimação da conquista do México Vanessa de Oliveira Gomes Laga Página 07 O impacto da oficialização da LIBRAS na cultura ouvinte. Edneia de Oliveira Alves Os nomes de lugares de origem indígena nos livros didáticos de geografia do 6º ao 9º do ensino fundamental: uma proposta de estudo toponímico aplicada ao ensino Verônica Ramalho Nunes e Karylleila dos Santos Andrade Página 08 Página 09

3 Análise a Respeito das Crenças e Atitudes dos Falantes de Londrina e Curitiba Dayse de Souza Lourenço Um ramo da Sociolinguística, o das Crenças e Atitudes Linguísticas, tem buscado entender o fenômeno da variação a partir da consciência que o usuário da língua tem diante do seu idioma ou da sua variante. Esse viés originou-se no final da década de 60 de uma subdivisão da Psicologia Social, cujos precursores foram os canadenses Wallace e William Lambert. Os estudos de Crenças e Atitudes Linguísticas têm se tornado férteis no cenário dos estudos linguísticos, sobretudo no âmbito paranaense. Contudo, não foi explorada a dualidade existente entre as maiores cidades do estado do Paraná: Curitiba e Londrina. Elas apresentam um cenário linguístico bastante diverso, uma vez que Londrina, cidade interiorana, é mais influenciada pelo sul do estado de São Paulo do que por sua própria capital, Curitiba. Dessa forma, a presente proposta visa compreender as atitudes valorativas no que tange às crenças e atitudes linguísticas nos falantes segundo a Psicologia Social (Lambert, 1966); qual a percepção dos falantes de uma dessas cidades em relação à outra; a presença de estereótipos, além de desmistificar a influência da percepção linguística na atribuição de características físicas e pessoais. Esta pesquisa foi baseada na técnica Matched-Guises, ou falsos pares, desenvolvida por Wallace Lambert (1966), dessa forma, parte-se da seleção das cidades (Curitiba e Londrina); a escolha de um texto que deve ser de cunho neutro para que seu conteúdo não influencie na atribuição de valores; a gravação da leitura desse texto por dois falantes (um natural de Londrina e outro de Curitiba), submissão dessa gravação a 12 informantes de cada localidade segundo um perfil pré-estabelecido; preenchimento da ficha avaliativa sobre os falantes a partir das vozes e, por fim, a análise das fichas que irá expor os resultados. Com este trabalho, pretende-se mapear e/ou registrar a existência ou não de estigmas referentes à fala do outro e, consequentemente, ao outro. Este trabalho se encaixa no simpósio justamente por tratar das relações sócio-linguísticas permeadas pelas crenças e atitudes veiculadas pelos falantes em diferentes contextos situacionais. 3

4 Construções Discursivas no Universo da Imprensa Brasileira Glauce Amanda Pagan Diante das inúmeras possibilidades de construções linguísticas, isto é, as diversas maneiras de construir significados para o que se pretende dizer, além das diversas possibilidades de interpretação, tendo em vista a ideologia de cada locutor/interlocutor, esboça-se um quadro teórico com a finalidade de estudar as relações entre locutor texto interlocutor. Um texto pode apresentar inúmeros significados, o leitor pode concordar, discordar, basear-se nele como objeto de sua opinião. Os mecanismos utilizados em uma construção textual têm uma importância relevante para a composição das mais diversas opiniões que se formam a partir das leituras, desta forma, propomos algumas reflexões a partir de questionamentos que envolvem o estudo de textos veiculados na imprensa nacional: como os mecanismos de produção de sentido interferem nas leituras? Quais relações são desencadeadas entre locutor texto interlocutor? De que maneira a língua possibilita exprimir ideologia? Qual o sentido de a língua ser política? Portanto a justificativa para este estudo consiste na obtenção de resultados que desmistifiquem a relação entre o leitor e o texto. Para que tais indagações sejam respondidas este estudo se voltará para a compreensão dos termos político e ideologia enquanto norteadores do processo de construção e leitura textual. Além disso, buscaremos direcionar as análises tendo em vista uma abordagem semântica, já que se trata da produção de sentidos. Espera-se contribuir com os estudos acerca das relações entre leitor e texto e, com os resultados, abordar novas possibilidades de pesquisa. Os textos selecionados para este estudo são veiculados pela imprensa nacional, escolhemos artigos publicados pela revista Veja. Este trabalho se encaixa no simpósio uma vez que aborda uma temática que trata de estratégias discursivas e relações situacionais existentes durante a interação: um leitor que constrói determinado conhecimento a partir de algum texto, possivelmente construirá seu discurso baseando-se naquilo que o levou a sua opinião, por exemplo. Deste modo há a possibilidade de enquadrar diversas discussões sobre a temática. 4

5 Ensinando e Aprendendo com as TIC: Um estudo de caso em Palmas Mônica Rocha Diante das novas tecnologias muito presente no cotidiano em nossa sociedade. PRENSKY (2001) apresenta um distinção interessante para compreendermos melhor esta nova era de comunicação. Classifica como Nativos Digitais as pessoas que nasceram na era digital e chama de Imigrantes Digitais os adultos que não nasceram na geração digital e que estão sendo inseridos nas tecnologias por força das necessidades na sociedade, no trabalho, nas escolas enfim, em todas os lugares. Estamos diante da Geração de crianças e jovens que cresceram com estas novas tecnologias utilizando computadores, vídeo games, tocadores de música digitais, câmeras de vídeo, telefones celulares, e todos os outros brinquedos e ferramentas digitais, impulsionando-nos a cada vez mais utilizarmos as tecnologias pedagogicamente. Desta forma, nós educadores, não podemos negar esta realidade e a necessidade em inserir nossos professores na era digital e prepara-los para trabalharem com seus alunos Nativos Digitais. Neste sentido, a Secretaria da Educação em Parceria com o Ministério da Educação MEC, proporcionou aos professores cursos à distância com momentos presenciais, visando contribuir na formação destes professores, inseridos e não inseridos em sala de aula como: coordenadores, gestores, técnicos da Secretaria da Educação e das Diretorias Regionais de Ensino. O curso: Tecnologias na Educação: ensinando e aprendendo com as TIC, proporciona aos professores conhecimento e manuseio com diferentes recursos das Tecnologias, Informação e Comunicação TIC, através de diferentes ferramentas para que possam utilizá-las como práticas inovadoras em sala de aula. O referido curso é o objeto de estudo deste trabalho. Esta pesquisa tem como objetivo analisar a relação entre o curso de formação continuada Tecnologia na educação: ensinando e aprendendo com as TIC e as práticas desenvolvidas pelos professores em sala de aula com computador. Neste trabalho apresento a relevância do curso através de pesquisa realizada com os professores das 3 turmas de Palmas -TO, que concluíram o curso em setembro. Na oportunidade os professores cursistas responderam um questionário avaliando o referido curso. O resultado desta avaliação demonstrou a relevância do curso nesta formação para o uso das tecnologias como meio para a aprendizagem dos alunos. A pesquisa apontou resultados positivos e ainda revelou que muitos professores quebraram barreiras e resistências quanto ao uso das tecnologias. Apesar dos avanços apresentados, ainda não vemos alterações nas práticas pedagógicas dos professores, concluo então esta pesquisa propondo alguns pontos a serem analisados e alterados para as próximas turmas deste curso. 5

6 Identidade cultural e variação linguística nos dicionários populares do Brasil Josete Marinho de Lucena O fazer lexicográfico tem se popularizado por meio de dicionários e glossários que não se configuram na forma canônica inicial, quando o acesso à escrita se restringia a um pequeno grupo social. Tem sido cada vez mais recorrente a presença de dicionários e glossários regionais em feiras artesanais de cidades brasileiras e em mensagens enviadas pela internet. Fato que possibilita um fazer lexicográfico popular, porém não mais no formato de livros ou compêndios, ou seja, o texto do dicionário encontrase popularizado em estampas de camisetas, em bolsas artesanais em textos da internet entre outros. Nesse sentido a popularização desse material escrito em tais objetos permite a divulgação dos diversos falares e variantes espalhadas pelo Brasil e consequentemente o reconhecimento da identidade cultural do povo que fala o Português Brasileiro (PB) nos mais diversos recantos deste país. Vemos, portanto, que a língua permite ao usuário apoderar-se de diferentes modos de falar, sobretudo, no que tange às escolhas lexicais. Porém estas escolhas não acontecem aleatoriamente, muito pelo contrário, há uma certa dependência ou, como costumamos falar, há uma relação entre língua, cultura e sociedade que faz com que o vocabulário do falante da língua se forme a partir de suas relações sociais e culturais. É neste sentido que pretendemos fazer um breve estudo de suportes de textos que não são os dicionários convencionais nas feiras de artesanato de Belém do Pará e da Paraíba e de mensagens por nós recebidas pelas redes sociais que trazem conceitos e definições com marcas da variação linguística nas regiões Nordeste e Norte do país. Destarte, o trabalho pauta-se em estudos teóricos sobre Variação Linguística, Lexicologia - Lexicografia e Dialetologia, além da abordagem cultural, que imprime costumes e hábitos de fala e de uso. Palavras-chave: Variação linguística- dicionários- Lexicologia- cultura 6

7 O discurso de legitimação da Conquista do México Vanessa de Oliveira Gomes Laga O presente trabalho objetiva analisar criticamente as 5 cartas escritas por HernanCotès ( ), no momento em que se fez a conquista do México e a Narrativa que Jules Verne ( ) produziu sobre a conquista. HernanCortès tornou-se, entre os conquistadores espanhóis um dos mais consagrados e odiados da Conquista das Américas. Em suas cartas enviadas ao imperador Carlos V, da Alemanha e da Espanha, Cortès narrou em detalhes como foi a chegada e a conquista destes povos. Assim, pretendemos estudar a questão da credibilidade e legitimação diante da coroa e diante dos outros conquistadores e a questão da fé que também foi utilizada pelos conquistadores como forma delegitimação. Aqui analisaremos o que aconteceu para que este se legitimasse desde a chegada ao Yucatánaté a conquista e a queda de Tecochtitlán (1521), a capital asteca. Porém, deve-se ressaltar que das Cartas contidas hoje em um códice da Biblioteca Imperial de Viena, a primeira escrita por Cortès em 1519nunca foi encontrada e foi substituída pelo relato enviado ao imperador pela Justiça e Regimento da Vila Rica de Vera Cruz de 10 de julho de Dessa maneira, para que se faça uma análise crítica destes documentos abordaremos também o autor Patrick Charaudeau como fonte principal de pesquisa a sua obra sobre o discurso político, para melhor entendermos o discurso utilizado por Cortès para se legitimar. O autor organizou uma pesquisa cujo objetivo foi analisar criticamente estes tipos de discursoe os vários tipos de jogos que nele encontramos. Estudaremos quais são os propósitos de Cortès implícitos no seu discurso e como foi o processo de aceitação do mesmo. 7

8 O impacto da oficialização da Libras na cultura ouvinte Edneia de Oliveira Alves Em 2002 a Libras (Língua Brasileira de Sinais) foi oficializada através da lei como forma de garantir ao surdo o direito de comunicar-se através da sua língua natural. Essa iniciativa foi resultado de muitas lutas dos surdos ao longo de um século que começou com a resistência à proibição ao uso dos sinais, passou por movimentos organizados pelos surdos através de suas associações e ouvintes que aderiram à causa e continua até os dias atuais através de busca da valorização e difusão dessa língua. Já no século vinte, muitos ouvintes foram atraídos para e pela comunicação em sinais, porém, o reconhecimento dessa língua em lei, juntamente com sua regulamentação no decreto 5.626/05 elevou consideravelmente o interesse da comunidade ouvinte em aprender essa língua. Exigências desse decreto, tais como: formação de recursos humanos que sejam capazes de atender às necessidades desse grupo comunicando-se em Libras e a exigência do ensino bilíngue para surdos são alguns fatores que têm provocado essa mudança de valores acerca da Libras e a busca pela sua aprendizagem. Uma reflexão mais acurada sobre esse impacto leva a compreender que a Libras não afeta apenas a comunidade surda, mas, toda a cultura linguística dos ouvintes. Com a presença da Libras em todos os locais do território brasileiro, a valorização da cultura surda e a garantia da inclusão social desse grupo minoritário, percebe-se que há uma tendência a desenvolvermos uma cultura bilíngue em que a Libras será a segunda língua do ouvinte. Essa mudança cultural linguística é benéfica para toda a sociedade brasileira, especialmente se estimulada desde a infância, porque as crianças que aprendem duas línguas conseguem desenvolverse melhor cognitiva e linguisticamente, segundo Bialystok (2011). Em contrapartida, será elevada, consideravelmente, as possibilidades de interação de forma natural entre surdos e ouvintes através da Libras. Quando a sociedade brasileira chegar nesse ponto o surdo se sentirá verdadeiramente incluído 8

9 Os Nomes de Lugares de Origem Indígena nos Livros Didáticos de Geografia do 6º ao 9º do Ensino Fundamental: Uma Proposta de Estudo Toponímico Aplicada ao Ensino Verônica Ramalho Nunes e Karylleila dos Santos Andrade O presente estudo se adéqua a temática do Simpósio, Interfaces das análises linguística e históricocultural tendo em vista que é um estudo voltado para a toponímia, e está relacionada a análise linguística, seu objeto de estudo, constitui um caminho possível para o conhecimento do modus vivendi das comunidades linguísticas, que ocupam ou ocuparam um determinado espaço. Quando um indivíduo ou comunidade linguística atribui um nome a um acidente humano ou físico, revelamse aí tendências sociais, políticas, religiosas, culturais. Toponímia vem do grego topos lugar e onoma nome. Estuda o nome dos lugares e designativos geográficos: física, humano, antrópico ou cultural. As particularidades da toponímia são a busca pela etimologia, o caráter semântico da palavra e suas transformações linguísticas, principalmente as fonético-fonológicas e as morfológicas. É uma disciplina que se dedica ao estudo dos nomes dos lugares (municípios, cidades, vilas, estados), norteada pela função onomástica. Em sua formação, um topônimo recebe influências internas e externas que podem ser únicas ou combinadas (simples, composto, híbrido). Essas influências podem vir das condições geográficas, históricas, culturais, sociais, etimológicas, semânticas, linguísticas ou taxionômicas. A Toponímia constitui-se de conhecimentos oriundos da História, da Geografia, dos estudos culturais, linguísticos e até dialetológicos, ocupa-se de um recorte específico do léxico de uma língua, a saber, os nomes próprios dados a lugares chamados topônimos.a proposta deste estudo vincula-se ao estudo da Toponímia aplicada ao ensino, cujo objetivo é realizar um estudo dos nomes de lugares de origem indígena nos livros didáticos de geografia do 6º ao 9º ano do ensino fundamental. Neste estudo, propõe-se uma inter-relação entre os conhecimentos, articulando-os e interagindo as informações que circulam pelas diferentes áreas do saber. Entende-se que o saber toponímico articula saberes geográficos, históricos, biológicos, antropológicos, além, dos saberes linguísticos. Em particular, para este estudo, a Geografia se apropria do estudo da toponímia na tentativa de compreender a nomeação do lugar a partir de uma dimensão ontológica, tendo em vista os aspectos de dominação territorial, o contexto etimológico, o surgimento e a cristalização da identidade e a significação atribuída ao lugar. 9

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