Leonardo de Medeiros Garcia. Coordenador da Coleção

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1 Leonardo de Medeiros Garcia Coordenador da Coleção Marcelo André de Azevedo Promotor de Justiça no Estado de Goiás. Assessor Jurídico do Procurador-Geral de Justiça e Coordenador da Procuradoria de Justiça Especializada em Crimes Praticados por Prefeitos. Mestre em Direito pela PUC-GO. Pós-graduado em Direito Penal pela UFG. Professor de Direito Penal na Escola da Magistratura do Estado de Goiás, na Fundação Escola Superior do Ministério Público de Minas Gerais e no Damásio Educacional. Alexandre Salim Promotor de Justiça no Rio Grande do Sul. Doutor em Direito pela Universidade de Roma Tre. Especialista em Teoria Geral do Processo pela Universidade de Caxias do Sul. Professor de Direito Penal na Escola da Defensoria Pública do Rio Grande do Sul, na Fundação Escola Superior do Ministério Público de Minas Gerais, na Pós-Graduação da Rede LFG e nos cursos Verbo Jurídico, IOB e Praetorium. COLEÇÃO SINOPSES PARA CONCURSOS DIREITO PENAL PARTE ESPECIAL Dos crimes contra a pessoa aos crimes contra a família 3ª edição Revista, ampliada e atualizada 2014

2 Capítulo III Dos crimes contra a propriedade imaterial Sumário 1. INTRODUÇÃO; 2. VIOLAÇÃO DE DIREITO AUTORAL:.1. Elementos do tipo (art. 184, caput); 2. Formas qualificadas; 3. Atipicidade; 4. Ação penal (art. 186). 1. INTRODUÇÃO O Título III da Parte Especial dispõe sobre os crimes contra a propriedade imaterial. A Lei n.º 9.279/96 revogou as disposições do CP referentes aos crimes contra o privilégio de invenção, crimes contra as marcas de indústria e comércio e crimes de concorrência desleal. Entretanto, a Lei n.º 9.279/96 dispôs sobre os crimes contra a propriedade industrial: crimes contra as patentes; crimes contra os desenhos industriais; crimes contra as marcas; crimes cometidos por meio de marca, título de estabelecimento e sinal de propaganda; crimes contra indicações geográficas e demais indicações; crimes de concorrência desleal. Por sua vez, a Lei n.º /03 alterou a redação dos artigos 184 (violação de direitos autorais) e 186, e revogou o art. 185, todos do Código Penal, bem como incluiu no Código de Processo Penal os arts. 530-A/I. Assim, o Código Penal trata apenas de um crime contra a propriedade intelectual (art. 184), que é o delito de violação de direito autoral e os que lhe são conexos. A Lei n.º 9.609/98 dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual de programa de computador e define o crime de violação de direitos de autor de programa de computador (art. 12). 377

3 Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim 2. VIOLAÇÃO DE DIREITO AUTORAL 1. ELEMENTOS DO TIPO (art. 184, caput) Art Violar direitos de autor e os que lhe são conexos: Pena detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa. Forma qualificada 1º Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de lucro direto ou indireto, por qualquer meio ou processo, de obra intelectual, interpretação, execução ou fonograma, sem autorização expressa do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os represente: Pena reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. Violação de direito autoral Forma qualificada 2º Na mesma pena do 1º incorre quem, com o intuito de lucro direto ou indireto, distribui, vende, expõe à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta, tem em depósito, original ou cópia de obra intelectual ou fonograma reproduzido com violação do direito de autor, do direito de artista intérprete ou executante ou do direito do produtor de fonograma, ou, ainda, aluga original ou cópia de obra intelectual ou fonograma, sem a expressa autorização dos titulares dos direitos ou de quem os represente. Forma qualificada 3º Se a violação consistir no oferecimento ao público, mediante cabo, fibra ótica, satélite, ondas ou qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar a seleção da obra ou produção para recebê-la em um tempo e lugar previamente determinados por quem formula a demanda, com intuito de lucro, direto ou indireto, sem autorização expressa, conforme o caso, do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor de fonograma, ou de quem os represente: Pena reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. 378

4 Dos crimes contra a propriedade imaterial Violação de direito autoral Exceção ou limitação ao direito de autor 4º O disposto nos 1º, 2º e 3º não se aplica quando se tratar de exceção ou limitação ao direito de autor ou os que lhe são conexos, em conformidade com o previsto na Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, nem a cópia de obra intelectual ou fonograma, em um só exemplar, para uso privado do copista, sem intuito de lucro direto ou indireto. O objeto material é uma obra, que pode ter natureza literária, artística ou científica. A Lei nº 9.610/98 dispõe sobre os direitos autorais e que lhe são conexos. A violação pode ocorrer de várias formas. Ex.: contrafação (reprodução não autorizada) de filmes em DVDs. IMPORTANTE: Se o CD ou DVD falsificado contém um programa de computador, o tipo penal é o do art. 12 da Lei n.º 9.609/98 (em regra, de ação penal privada) e não o art. 184 do CP. Ademais, jogos de computador ou de videogames são programas de computador. Na prática se tem sustentado a atipicidade da conduta em razão do princípio da adequação social, tese que vem sendo afastada pelo Superior Tribunal de Justiça: 1. Não se aplica o princípio da adequação social, bem como o princípio da insignificância, ao crime de violação de direito autoral. 2. Em que pese a aceitação popular à pirataria de CDs e DVDs, com certa tolerância das autoridades públicas em relação à tal prática, a conduta, que causa sérios prejuízos à indústria fonográfica brasileira, aos comerciantes legalmente instituídos e ao Fisco, não escapa à sanção penal, mostrando-se formal e materialmente típica (STJ, 6ª T., AgRg no REsp /RS, j. 27/08/2013). Sobre o tema merece destaque a Súmula 502 do STJ: Presentes a materialidade e a autoria, afigura-se típica, em relação ao crime previsto no art. 184, 2º, do CP, a conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas. 379

5 Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim Como esse assunto foi cobrado em concurso? (CESPE 2012 TRE-RJ Analista Judiciário) Foi considerada incorreta a seguinte alternativa: A venda de cópias não autorizadas de CDs e DVDs cópias piratas por vendedores ambulantes que não possuam outra renda além da advinda dessa atividade, apesar de ser conduta tipificada, não possui, segundo a jurisprudência do STJ, tipicidade material, aplicando-se ao caso o princípio da adequação social. (CESPE 2011 DPE-MA Defensor Público) Foi considerada incorreta a seguinte alternativa: A jurisprudência do STJ considera, para fins penais, socialmente adequada a venda de CDs e DVDs piratas, devendo a punição contra o agente limitar-se à esfera cível. (CESPE 2011 TRF5 Juiz) Foi considerada incorreta a seguinte alternativa: O comércio de cópias grosseiras de CDs e DVDs em centros urbanos, para o sustento próprio do agente e de sua família, impõe a aplicação dos princípios da insignificância e da adequação social e conduz à atipicidade da conduta, em tese violadora de tipo penal protetivo da propriedade imaterial. 2. FORMAS QUALIFICADAS Qualifica o delito se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de lucro direto ou indireto, por qualquer meio ou processo, de obra intelectual, interpretação, execução ou fonograma, sem autorização expressa do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os represente ( 1º). Também pratica crime quem, com o intuito de lucro direto ou indireto, distribui, vende, expõe à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta, tem em depósito, original ou cópia de obra intelectual ou fonograma reproduzido com violação do direito de autor, do direito de artista intérprete ou executante ou do direito do produtor de fonograma, ou, ainda, aluga original ou cópia de obra intelectual ou fonograma, sem a expressa autorização dos titulares dos direitos ou de quem os represente ( 2º). Nos termos do 3º, o agente será punido com a pena de reclusão, de 2 a 4 anos, e multa, se a violação consistir no oferecimento ao público, mediante cabo, fibra ótica, satélite, ondas ou qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar a seleção da obra ou produção para recebê-la em um tempo e lugar previamente 380

6 Dos crimes contra a propriedade imaterial determinados por quem formula a demanda, com intuito de lucro, direto ou indireto, sem autorização expressa, conforme o caso, do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor de fonograma, ou de quem os represente. Como esse assunto foi cobrado em concurso? (CESPE 2013 PC-BA Delegado de Polícia) Foi considerada correta a seguinte alternativa: O dolo direto ou eventual é elemento subjetivo do delito de violação de direito autoral, não havendo previsão para a modalidade culposa desse crime. (CESPE 2011 DPE-MA Defensor Público) Foi considerada incorreta a seguinte alternativa: O sujeito passivo do delito de violação de direito autoral não é apenas o autor da obra literária, artística ou científica, mas também toda a coletividade de forma direta. 3. ATIPICIDADE Segundo o 4º, o disposto nos 1º, 2º e 3º não se aplica quando se tratar de exceção ou limitação ao direito de autor ou os que lhe são conexos, em conformidade com o previsto na Lei n.º 9.610/98, nem a cópia de obra intelectual ou fonograma, em um só exemplar, para uso privado do copista, sem intuito de lucro direto ou indireto. 4. AÇÃO PENAL (ART. 186) Ação penal privada: nos crimes previstos no caput do art Ação penal pública incondicionada: nos crimes previstos nos 1º e 2º do art. 184; e nos crimes cometidos em desfavor de entidades de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou fundação instituída pelo Poder Público. Ação penal pública condicionada à representação: nos crimes previstos no 3º do art Como esse assunto foi cobrado em concurso? (CESPE 2011 DPE-MA Defensor Público) Foi considerada correta a seguinte alternativa: Os crimes contra a propriedade intelectual podem ser apurados mediante ação penal privada, pública condicionada à representação ou pública incondicionada. 381

7 Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim (FGV 2010 PC-AP Delegado de Polícia) Foi considerada correta a seguinte alternativa: Nos crimes contra a propriedade intelectual previstos no Código Penal, procede-se mediante ação penal pública incondicionada quando os crimes tiverem sido cometidos em desfavor de entidades de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou fundação instituída pelo Poder Público. 382

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