RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA, CIVIL E PENAL NA SUPERVISÃO DOS FUNDOS DE PENSÃO. Rio de Janeiro, 11 de agosto de 2015

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1 RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA, CIVIL E PENAL NA SUPERVISÃO DOS FUNDOS DE PENSÃO Rio de Janeiro, 11 de agosto de

2 RESPONSABILIDADES TRIPARTITES RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA RESPONSABILIDADE CIVIL RESPONSABILIDADE PENAL 2

3 A responsabilidade nasce de um ilícito que poderá ser um ilícito civil, um ilícito administrativo ou um ilícito penal. Coexistem pacificamente responsabilidade civil, criminal e administrativa no direito sancionador. A responsabilidade objetivamente se realiza através da sanção. Esta pode ter natureza cível (obrigação de fazer, obrigação de pagar, obrigação de dar alguma coisa, anulação, perdas e danos, lucros cessantes), de natureza criminal (pena privativa de liberdade, pena restritiva de direito etc.) ou uma sanção de natureza administrativa. 3

4 As responsabilidades do gestor de fundo de pensão por um determinado ilícito cometido são tripartites. Pode ele por um mesmo ato ou omissão responder civil, penal e administrativamente.essas responsabilidades são independentes umas das outras. Daí a imperiosidade de cabal acompanhamento de adequação de sua conduta à Lei, Resoluções e Instruções da Previc e aos Estatutos da Entidade A única exceção se dá quando no foro criminal o Juiz declara a inexistência do fato ou nega a autoria do sujeito passivo do poder sancionador da Previc. 4

5 Responsabilidade Civil na LC 109 O fundamento da Responsabilidade Civil dos gestores de Entidades Fechadas de Previdência Complementar se encontra na Lei Complementar nº 109/2001: Art. 35 (...) 5º Será informado ao órgão regulador e fiscalizador o responsável pelas aplicações dos recursos da entidade, escolhido entre os membros da diretoria-executiva. 6º Os demais membros da diretoria-executiva responderão solidariamente com o dirigente indicado na forma do parágrafo anterior pelos danos e prejuízos causados à entidade para os quais tenham concorrido. 5

6 Responsabilidade Civil na LC 109 Art. 63. Os administradores de entidade, os procuradores com poderes de gestão, os membros de conselhos estatutários, o interventor e o liquidante responderão civilmente pelos danos ou prejuízos que causarem, por ação ou omissão, às entidades de previdência complementar. Parágrafo único. São também responsáveis, na forma do caput, os administradores dos patrocinadores ou instituidores, os atuários, os auditores independentes, os avaliadores de gestão e outros profissionais que prestem serviços técnicos à entidade, diretamente ou por intermédio de pessoa jurídica contratada. 6

7 Responsabilidade Civil no CC Art. 186 Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Por isso, deve se portar os responsáveis com a conduta do homem prudente, cumprindo o dever fiduciário e todas as normas estatutárias da EFPC. 7

8 RESPONSABILIDADE PENAL A LEI COMPLEMENTAR 109 TRATA DA RES- PONSABILIDADE CRIMINAL NO ART. 64: Art. 64. O órgão fiscalizador competente, o Banco Central do Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários ou a Secretaria da Receita Federal, constatando a existência de práticas irregulares ou indícios de crimes em entidades de previdência complementar, noticiará ao Ministério Público, enviando-lhe os documentos comprobatórios. Parágrafo único. O sigilo de operações não poderá ser invocado como óbice à troca de informações entre os órgãos mencionados no caput, nem ao fornecimento de informações requisitadas pelo Ministério Público. 8

9 RESPONSABILIDADE PENAL Esses indícios, que aparecem normalmente por violação do descumprimento da Resolução CMN 3792/2009, podem ser enquadrados em diversas leis penais, tais como: 1 Crimes contra o Sistema Financeiro 2 Crimes contra a Ordem Tributária 3 Crime de Lavagem de Dinheiro 4 Participação em organização criminosa etc 9

10 RESPONSABILIDADE PENAL HAVENDO INDÍCIOS DE ILÍCITO PENAL DEVE SER O FATO INFORMADO AO MINISTÉRIO PÚBLICO Art. 64. O órgão fiscalizador competente, o Banco Central do Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários ou a Secretaria da Receita Federal, constatando a existência de práticas irregulares ou indícios de crimes em entidades de previdência complementar, noticiará ao Ministério Público, enviando-lhe os documentos comprobatórios. Parágrafo único. O sigilo de operações não poderá ser invocado como óbice à troca de informações entre os órgãos mencionados no caput, nem ao fornecimento de informações requisitadas pelo Ministério Público. 10

11 RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA Fundamento legal : art. 65 da LC nº 109/2001: A infração de qualquer disposição desta Lei Complementar ou de seu regulamento, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeita a pessoa física ou jurídica responsável, conforme o caso e a gravidade da infração, às seguintes penalidades administrativas, observado o disposto em regulamento: I - advertência; II - suspensão do exercício de atividades em entidades de previdência complementar pelo prazo de até cento e oitenta dias; III - inabilitação, pelo prazo de dois a dez anos, para o exercício de cargo ou função em entidades de previdência complementar, sociedades seguradoras, instituições financeiras e no serviço público; e IV - multa de dois mil reais a um milhão de reais, devendo esses valores, a partir da publicação desta Lei Complementar, ser reajustados de forma a preservar, em caráter permanente, seus valores reais. 11

12 RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA O art. 65 da Lei Complementar nº 109/2001 delegou ao regulamento (Decreto) a tipificação das condutas. O Decreto, em que pese cumpra o princípio da legalidade, posto que a Lei Complementar lhe autoriza prever preceitos e proibições, não pode ir de encontro qualquer disposição da Lei Complementar nº 109/

13 RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA Decreto nº 4.942/2003 Marco Disciplinar vigente - O art 22 do Decreto nº 4.942/2003 repete o texto do art. 65 LC 109/2001, prevendo para as infrações à legislação as penalidades de advertência, suspensão, inabilitação e multa. - O art 25 estabelece a responsabilidade pessoal: A penalidade de multa será imputada ao agente responsável pela infração. 13

14 Princípios Legalidade Motivação Oficialidade Presunção de inocência Ampla defesa e contraditório Direito à prova lícita Individualização de condutas Formalismo moderado 14

15 Deveres Prevenção SBR e GBR Eficiência Economicidade Indisponibilidade prestação de contas Dever Fiduciário Informação Segurança 15

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