IDENTIFICAÇÃO E MAPEAMENTO DE PROCESSOS PARA A CERTIFICAÇÃO FSC EM GRÁFICA OFFSET NO RIO DE JANEIRO ESTUDO DE CASO: HOLOGRÁFICA EDITORA LTDA.

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1 ISSN IDENTIFICAÇÃO E MAPEAMENTO DE PROCESSOS PARA A CERTIFICAÇÃO FSC EM GRÁFICA OFFSET NO RIO DE JANEIRO ESTUDO DE CASO: HOLOGRÁFICA EDITORA LTDA. Carla Moreira Geraldo (LATEC/UFF) Resumo Este artigo tem por objetivo apresentar as etapas de identificação e mapeamento de processos para a Certificação FSC (Forest Stewardship Council ou Conselho de manejo Florestal), com foco na Cadeia de Custódia, em uma empresa do setor gráfico carioca. A metodologia BPM (Business Process Management) foi utilizada a fim de orientar a gestão dos processos, possibilitando, assim, detectar seus aspectos críticos. Os principais aspectos críticos encontrados nas etapas de identificação e mapeamento constam neste trabalho como referência para que outras empresas interessadas na certificação FSC possam realizar comparações com os seus processos benchmarking. A certificação FSC atesta que a utilização de produtos da floresta, por parte de um determinado empreendimento ou comunidade, foi feita de forma responsável. Sempre visando a geração de benefícios sociais à população local, garantindo a segurança e a saúde dos trabalhadores e fazendo com que a biodiversidade seja conservada. A Cadeia de Custódia contempla sistemas e procedimentos que permitem a rastreabilidade de um produto florestal, desde a floresta até o consumidor final. Este estudo mostra que o resultado obtido a certificação confirma a viabilidade prática da identificação e do mapeamento de processos. A conclusão reitera a necessidade destas etapas iniciais de abordagem por processos e a importância de ter atenção aos aspectos críticos mencionados para obter o sucesso esperado. As etapas executadas também serviram para preparar a empresa para futuras certificações, tais como: ISO 9001, ISO e OHSAS Palavras-chaves: Identificação, Mapeamento, Processos, Certificação FSC.

2 FORMULAÇÃO DA SITUAÇÃO PROBLEMA A Certificação de Cadeia de Custódia FSC fez parte do planejamento da empresa para o ano de Para isso, foi necessário adequar a empresa a processos otimizados e controlados para cumprir os requisitos determinados pela norma da certificação. A decisão da alta direção pela certificação foi por conta, principalmente, do compromisso que a empresa sempre prezou ter pelo meio ambiente, com diversas ações voltadas para a sua preservação, e de complementar suas ações para manter-se como uma das empresas líderes do setor gráfico carioca. Tendo em vista as diretrizes mencionadas no parágrafo acima, apresenta-se como situação problema deste trabalho mostrar os principais aspectos críticos encontrados nas etapas de identificação e mapeamento de processos para a Certificação de Cadeia de Custódia FSC. OBJETIVO Mostrar como foram realizadas, de forma abrangente, as etapas de identificação e de mapeamento de processos da empresa, tendo como objetivo a Certificação de Cadeia de Custódia FSC, e apresentar os principais aspectos críticos encontrados nestas etapas para que as empresas interessadas na Certificação de Cadeia de Custódia FSC possam praticar benchmarking. REVISÃO DA LITERATURA Sistema e Processo Offset O sistema de impressão utilizado na empresa estudada é o offset, o qual é um sistema de impressão indireta. Existe um elemento intermediário entre a matriz de impressão (forma) e o substrato. Esse elemento é chamado de blanqueta (borracha). 2

3 No processo offset, a imagem da arte é gravada na matriz de impressão que recebe tinta fazendo com que a imagem contida nela seja transferida para a blanqueta e, em sequência, para o substrato (papel). (GERALDO, 2008) O processo gráfico utilizando o sistema offset pode ser dividido em três etapas Pré-Impressão, Impressão e Acabamento: Pré-Impressão: é basicamente a preparação da arte a ser impressa para a gravação na matriz de impressão. No sistema de impressão offset fazem parte deste processo as etapas de criação, arte-final, produção de fotolito (que atualmente está sendo pouco utilizado) e gravação da matriz de impressão. (GERALDO, 2008) Impressão: é a impressão propriamente dita. Acabamento: é a última etapa do processo gráfico. Os requisitos definidos pelo cliente serão finalizados nesta etapa e o material impresso receberá a sua forma definitiva, estando disponível para entrega. Identificação e Mapeamento de Processos Definição de processo, segundo a NBR ISO 9000 (2005, p.2): Qualquer atividade, ou conjunto de atividades, que usa recursos para transformar insumos (entradas) em produtos (saídas) pode ser considerado como um processo. Definição da unidade de negócio Pode-se definir unidade de negócios como unidade organizacional, com definição de autoridade sobre processos afins e responsabilidades sobre resultados operacionais, que contribui para a realização da missão da empresa. (MELLO, et al., 2009, p.20) MISSÃO Unidade de negócio INDICADORES Figura 01 Forma SIPOC (Supplier-Input-Process-Output-Customer) de definição da unidade de negócio. Fonte: MELLO, et al. (2009, p.20) 3

4 MELLO, et al. (2009) descrevem a Figura 01 da seguinte forma: Missão: é o dever da unidade de negócio para com a empresa. Fornecedores: podendo ser internos ou externos, são aqueles que fornecem os insumos necessários. Insumos: na execução de um processo, é o que é transformado, modificado ou tratado. Processo: apresentação sucinta do trabalho feito pelo setor; normalmente, representado por um diagrama de caixas, sem entrar em detalhes. Produtos: bens ou serviços que satisfazem às necessidades e aos desejos dos clientes. Cliente: podendo ser interno ou externo, é todo aquele que recebe um produto ou serviço (resultado de um processo). Abrangência dos processos Maranhão e Macieira (2010, p.18-19) consideram que podemos utilizar dois critérios para mostrar a abrangência dos processos. São eles: o tradicional e o da metodologia BPM (Business Process Management). Critério tradicional: 1 o nível: macroprocessos (processos mais abrangentes da organização). 2 o nível: processos (subdivisões dos macroprocessos). 3 o e demais níveis: subprocessos (subdivisões dos processos e de outros subprocessos). MACROPROCESSO PROCESSOS SUBPROCESSOS Figura 02 Desdobramento dos processos segundo o critério tradicional. Fonte: Maranhão e Macieira (2010) adaptado. 4

5 Critério utilizando metodologia BPM (Business Process Management): A representação gráfica deste critério será mostrada na Figura 04, no tópico Resultados. 1 o nível: processos (processos mais abrangentes da organização). 2 o nível: subprocessos (subdivisões dos processos). 3 o e demais níveis: tarefas (atividades elementares executadas durante a realização de processos ou subprocessos). As soluções BPM são voltadas para orientar a gestão dos processos de negócios. Por serem flexíveis e adaptáveis, atualmente, há uma forte tendência das empresas buscarem esta metodologia como padrão. (SORDI, 2008) Para um melhor fluxo e controle de informações, utilizando a metodologia BPM, a sugestão é que seja implantado um sistema ERP (Enterprise Resources Planning ou Sistema Integrado de Gestão). Segundo Lustosa et al. (2008, p.289), o ERP é um sistema único e integrado, que permite que a maioria, se não a totalidade dos processos de negócios das áreas funcionais de uma empresa, sejam tratados e gerenciados por seu intermédio. Identificação de processos As organizações, independentemente do seu porte, têm suas atividades fazendo parte de uma rede de processos. Estes processos certamente influenciam a outros processos de alguma forma, isto porque estão interconectados e com a possibilidade de ocorrerem sequencialmente ou serem concorrentes. Oliveira (2006, p.153) comenta que os principais processos de uma organização são identificados ao responderem à seguinte pergunta: O que fazemos como empresa?. Em seguida, verificando quais são as atividades-chaves necessárias para administrar e/ou operar uma organização. Com o objetivo de facilitar a identificação dos processos, vale identificar também quais são os seus produtos. Desta forma, é possível evitar a criação de processos desnecessários e/ou perceber a necessidade de um processo importante, o qual não esteja sendo percebido pela equipe. É importante também que os processos sejam claros e objetivos focando um resultado específico. (JUNIOR, 2006) 5

6 Segundo Valle e Oliveira (2011), existem três classes de processos: primários ou de negócios (que têm relação e impactam diretamente nos clientes externos), de apoio (que auxiliam a execução dos processos primários) e os gerenciais (que facilitam a execução dos processos primários e de apoio). Os processos primários se subdividem em processos chave que geram alto custo para a organização e alto impacto para os clientes externos. Estes processos chave se subdividem em processos críticos que têm relação direta com a estratégia do negócio. Maranhão e Macieira (2010) consideram que o principal produto da etapa de identificação de processos é a Árvore de Processos de Trabalho e a destacam como o instrumento que consolida, sob uma vinculação hierarquizada, todos os processos a serem analisados, considerando os seus respectivos desdobramentos. A Árvore de Processos de Trabalho apresenta como benefícios decorrentes da sua elaboração: inventariar e ter ciência de todos os desdobramentos dos processos; identificar processos novos, em duplicidade, desnecessários e estrategicamente relevantes; agrupar processos afins; balizar o desenho da estrutura organizacional. As principais técnicas utilizadas para identificação de processos são: entrevista, questionário, workshop e observação. O objetivo é coletar dados para o levantamento da situação atual. (VALLE; OLIVEIRA, 2011) Mapeamento de processos O mapeamento mostra como estão relacionadas as entradas, saídas e tarefas, ou seja, os principais passos dos processos; a sequência de processos inerentes às unidades de negócios. Normalmente é apresentado por diagrama de caixas no qual detalha o trabalho feito pela unidade de negócio, fornecendo, assim, uma visão sistêmica que possibilita identificar, documentar, analisar e desenvolver melhorias. (CERQUEIRA, 2010) Segundo Maranhão e Macieira (2010, p.67) o objeto do mapeamento pode compreender desde a organização como um todo, até determinada unidade organizacional, ou mesmo um processo específico. É de extrema importância que o processo a ser analisado seja visto do topo da organização para o processo, esta forma de visualização é chamada de visão top down. 6

7 Assim, para mapear um processo deve-se, sempre, iniciar por uma visão macro para depois desdobrar em partes menores. O ponto inicial é conhecer a missão da organização e saber a delimitação do processo a ser mapeamento. De posse dessas informações já é possível identificar os processos de diferentes níveis, que devem ser desmembrados até o ponto em que todas as atividades, necessárias para o mapeamento, sejam identificadas. Na etapa de mapeamento, é criado o diagrama de contexto. Este diagrama enfatiza a visão top down e mostra graficamente a relação dos processos (do primeiro ou até do segundo nível) com as entidades internas ou externas, considerando principalmente os fornecedores e clientes. (MARANHÃO; MACIEIRA, 2010) Valle e Oliveira (2011) consideram que para auxiliar e complementar a execução do mapeamento de processos é fundamental que os executores participem das etapas de coleta de dados e forneçam os documentos envolvidos no processo. Com os dados coletados e de posse dos documentos pertinentes ao processo, Maranhão e Macieira (2010) afirmam que a próxima tarefa é a de construir os fluxogramas (ou diagramas de fluxo) para cada um dos processos. Em seguida, deve-se elaborar preliminarmente a documentação analítica, ou seja, a descrição de como o processo é realizado, considerando os fatores críticos de sucesso (condições para que o processo de trabalho tenha êxito) identificando as classificações de processos chave e críticos (conforme exemplo mostrado na Figura 05, no tópico Resultados). Por fim, faz-se necessária a validação das informações e, com referência no trabalho de identificação e mapeamento de processos, devem ser sugeridas propostas de melhorias que servirão de base para a próxima etapa de abordagem por processos: a Modelagem. Segue uma sugestão de checklist definido por Maranhão e Macieira (2010, p.71,74) para a conclusão do mapeamento de processos: Nome do processo e do processo de nível imediatamente mais elevado Nome da principal área a que pertence o processo e o respectivo responsável Finalidade/objetivo principal do processo Identificação inequívoca dos limites do processo (início e fim) Relação das entradas (recursos que são transformados e origens) Relação de saídas (resultados parciais relevantes e finais) e dos destinatários Relação dos controles (legislação, normas e demais restrições que regulam o processo) 7

8 Relação dos mecanismos recursos utilizados (tais como: equipe, sistemas, máquinas, computadores etc.) Identificação de clientes Relação de fornecedores Relação de documentos utilizados (formulários e outros) Fluxogramas Descrição analítica de como o processo é realizado Relação de indicadores de desempenho, se existentes Relação de registros Metas e objetivos de processo e produtos, se existentes Fatores críticos de sucesso Relação das oportunidades de melhorias propostas Quadro 01 Checklist para conclusão do mapeamento de processos. Fonte: Maranhão e Macieira (2010, p.71,74) Vale ressaltar que, a utilização de softwares auxilia muito no mapeamento de processos. Entre as inúmeras vantagens tem-se: visualização gráfica estruturada, documentação consistente, arquivamento em repositório de dados, com a possibilidade de recuperação, verificação da consistência, utilização de recursos gráficos, controle de documentos. FSC (Forest Stewardship Council ou Conselho de Manejo Florestal) Segundo a Norma Internacional do FSC (2010, p.2), o FSC (Forest Stewardship Council ou Conselho de Manejo Florestal) é uma organização independente, sem fins lucrativos, não governamental estabelecida para apoiar o manejo ambientalmente correto, socialmente benéfico e economicamente viável das florestas do mundo. A certificação FSC fornece uma relação confiável entre produção e consumo responsáveis de produtos florestais, permitindo que consumidores e empresas tomem decisões de compra que beneficiem às pessoas e ao meio ambiente, bem como agrega valor à negociação. (FSC, 2012) O FSC é uma certificação voluntária e pode ser obtida para o Manejo Florestal ou para a Cadeia de Custódia, ou CoC (Chain of Custody). O Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola) referência na avaliação de empreendimentos para 8

9 certificação florestal e agrícola no Brasil descreve em seu website (acesso em: janeiro de 2012) esses dois tipos de certificação da seguinte forma: Certificação do Manejo Florestal: reconhece empreendimentos que extraem recursos florestais corretamente, respeitando padrões sociais, ambientais e econômicos. Certificação de Cadeia de Custódia: avalia se o produto comercializado por seus fabricantes, processadores, compradores e vendedores foi produzido com matéria-prima de florestas certificadas FSC. A visão do FSC está aonde as florestas do mundo vão de encontro aos direitos sociais, ecológicos e econômicos, bem como as necessidades da geração atual sem comprometer os das gerações futuras. (FSC, 2010, p.2) Cadeia de Custódia (Chain of Custody CoC) A certificação é um conjunto de atividades desenvolvidas por um organismo independente, sem relação comercial, com o objetivo de atestar publicamente, por escrito, que determinado produto ou processo está em conformidade com os requisitos especificados, comenta Junior (2006, p.65). No mercado gráfico brasileiro uma das certificações mais requisitadas pelos clientes de serviços de impressão é a FSC. Nesse tipo de certificação há controle da procedência, do manuseio e o rastreamento da matéria-prima utilizada em todas as etapas de produção, desde a floresta até o produto final. (IMAFLORA, acesso em: janeiro de 2012). O FSC (acesso em: janeiro de 2012) afirma que a Certificação de Cadeia de Custódia fornece permissão de uso do selo FSC no produto final que chega ao consumidor. Isto é, garante que este produto seja feito de acordo com as exigências da norma da certificação. ESTUDO DE CASO Este artigo trata-se de um estudo de caso descritivo que visa apresentar as etapas de identificação e mapeamento de processos para Certificação de Cadeia de Custódia FSC, com foco nos aspectos críticos encontrados nessas etapas. O tipo de pesquisa utilizado para coleta 9

10 de dados e informações foi a pesquisa descritiva, tendo como principais técnicas: os questionários, as entrevistas e as observações. Como fontes primárias dos canais de informação, o projeto contou com a minha vivência na empresa como gerente de projetos, com a aplicação de questionários e entrevistas com os gerentes e executores das áreas envolvidas nos processos, e também, com a análise dos documentos pertinentes a esses processos; e, como levantamento de material secundário, pesquisas bibliográficas e em sites, citados no tópico Referências deste trabalho. A empresa escolhida para este estudo de caso foi a Holográfica Editora Ltda., que é uma gráfica de impressão offset, de médio porte, situada no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Possui área produtiva de 5.000m 2 e realiza os processos de Pré-impressão, Impressão e Acabamento. Seus principais produtos são voltados para o mercado publicitário e promocional, são eles: pôsteres / cartazes, calendários, displays, folhetos / catálogos, encartes / suplementos, papéis timbrados / impressos padronizados, cadernos, agendas e impressos com dados variáveis (ABIGRAF, 2011). Utiliza materiais ecologicamente corretos, dentre eles: tinta ecológica Innov, que é totalmente formulada à base de óleos vegetais e insumos selecionados, e, verniz à base de água. O processo gráfico identificado na Holográfica Editora Ltda. é mostrado na Figura 03: Figura 03 Diagrama do processo gráfico. Fonte: Autora. 10

11 As fases apresentadas com numeração no diagrama da Figura 03 (1) Liberar papel; (2) Cortar papel; (3) Imprimir material; (4) Acondicionar material mostram o caminho percorrido pelo papel, desde o setor de estoque até o setor de expedição. A seguir, nas Imagens 01, 02, 03 e 04 é possível visualizar este caminho percorrido por papéis certificados FSC. Vale ressaltar algumas regras determinadas pela norma da Certificação da Cadeia de Custódia FSC : áreas marcadas na cor verde e documentos de controle de rastreabilidade. Imagem 01 Setor de Estoque papel liberado para impressão. Imagem 02 Setor de Acabamento papel cortado disponível para impressão. Imagem 03 Setor de Impressão material impresso. Imagem 04 Setor de Expedição material disponível para entrega. Observações sobre as Imagens 01, 02, 03 e 04: Setor de Estoque papel liberado para impressão: papel em área reservada FSC (no qual o chão é pintado de verde e existe uma placa no alto, não visualizada nesta imagem, com a informação Área FSC ). 11

12 Setor de Acabamento papel cortado disponível para impressão: papel disponível para entrar em máquina com a devida etiqueta de identificação FSC a parte impressa desta etiqueta é na cor verde. Setor de Impressão material impresso: material impresso, aguardando o corte final (fase de acabamento) com a devida etiqueta de identificação FSC. Setor de Expedição material disponível para entrega: material posicionado na área de expedição com marcação verde no chão destinada para materiais FSC finalizados e disponíveis para entrega. A Holográfica Editora Ltda. já possui as certificações Licença Municipal de Operação, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente que autoriza a operação da atividade, desde que respeitadas as condições determinadas para a operação (SMAC, acesso em: fevereiro de 2012) e o Selo Verde (DRUCK CHEMIE, acesso em: fevereiro de 2012) que ratifica o compromisso com o meio ambiente em relação à destinação dos resíduos gráficos gerados. RESULTADOS O projeto inicial para atender à necessidade da Holográfica Editora Ltda. foi de planejar, executar e concluir as duas primeiras etapas de abordagem por processos para a Certificação de Cadeia de Custódia FSC que são: identificação e mapeamento de processos. A primeira etapa planejada para a execução do projeto foi a de identificar os objetivos informados pela alta direção da empresa. Em seguida, foi realizada a documentação destes objetivos que serviu de ferramenta de apoio para a gerente do projeto e, na conclusão do trabalho, para atender às expectativas do cliente. Com posse dos objetivos documentados, definiu-se o critério de abrangência dos processos que seria utilizado metodologia BPM e o software Microsoft Visio 2003 foi a ferramenta de modelagem escolhida. Foi neste momento, também, que todos os padrões referentes à nomenclatura, objetos de desenho e grau de detalhamento dos processos foram definidos. O próximo passo foi fazer um plano do trabalho que consistia em montar um cronograma detalhado do projeto, definir quais documentações seriam utilizadas e ler a norma 12

13 da Certificação de Cadeia de Custódia FSC. A partir deste momento, iniciou-se a etapa de identificação e mapeamento de todos os processos. Segue, como exemplo, a definição do processo do setor de impressão da empresa para produção dos materiais certificados FSC, utilizando a forma SIPOC (Supplier-Input- Process-Output-Customer): Missão: imprimir material com qualidade seguindo à norma da Certificação de Cadeia de Custódia FSC. Fornecedores: setor de PCP, setor de estoque e setor de acabamento. Insumos: papel, tinta, verniz, matriz de impressão, produtos de limpeza e peças da máquina impressora. Processo: o setor recebe os insumos dos respectivos fornecedores, prepara a máquina de acordo com o planejamento da produção e com a ordem de serviço, executa a impressão, avalia a qualidade do serviço e libera o material impresso para o setor de acabamento. Cliente: setor de acabamento. Para identificar a abrangência dos processos (primeiro, segundo e terceiro nível), foi construído o seguinte desdobramento, utilizando a metodologia BPM, fazendo referência ao setor de impressão: Figura 04 Desdobramento dos processos segundo a metodologia BPM. Fonte: Maranhão e Macieira (2010, p.19) adaptado. Ainda na etapa de identificação, a Árvore de Processos a seguir foi elaborada, de forma abrangente, para o processo de requisição de produção de material impresso: 13

14 Processo de 1º nível Processo de 2º nível Processo de 3º nível Gerar ordem de produção Solicitação de produção Solicitar insumos Requisição de produção de material impresso Planejamento da produção Planejar corte do papel Determinar prioridade de impressão Avaliar tipo de acabamento Controle de entrega do material Definir prioridade de acabamento Informar liberação do material para faturamento Controlar prazo de entrega Quadro 02 Árvore de processos: requisição de produção de material impresso. Fonte: Maranhão e Macieira (2010, p.16) adaptado. Na etapa de mapeamento, foi elaborado e validado um diagrama de contexto contemplando as seguintes entidades: Origem: empresas privadas, órgãos públicos, empresas de acabamento gráfico especializado, entidade certificadora FSC. Objeto que trafega: solicitação de serviços, aceitação de contrato, material com acabamento gráfico especializado, permissão do uso do selo FSC. Transformação inicial: gerar orçamento, processar propostas e contratos. Fluxo no contexto: planejar serviços (informações para permissão de uso do selo FSC, gerar Ordem de Produção e Boletim de Produção, informações para faturamento, estoque e expedição); executar e controlar pedidos (solicitação de pedidos, soluções técnicas validadas, resultados e atendimento) relatórios de progresso (pedido de materiais, programação de produção); executar serviços especializados (serviços executados pré-impressão, impressão, acabamento); validar e aprovar provas digitais e bonecas (aprovação); realizar controle financeiro (faturas); entrega do material (material impresso), gerir informações (pesquisa de satisfação de cliente). Produto final: informações para FSC, material para acabamento gráfico especializado, material impresso finalizado. Destino: entidade certificadora FSC, empresas de acabamento gráfico especializado, cliente contratante. 14

15 Todos os processos envolvidos na produção do material certificado impresso foram contemplados nas etapas de identificação e mapeamento. Para cada unidade de negócio foi criado um fluxograma e as unidades classificadas como processos primários tiveram identificadas as suas respectivas classificações de processos chave e críticos. Segue exemplo do fluxograma do setor de expedição para materiais certificados FSC : Figura 05 Fluxograma do setor de expedição para materiais certificados FSC. Fonte: Autora Com base no fluxograma mostrado na Figura 05, é possível visualizar quais são os processos primários, chave e críticos do material impresso identificados no setor de expedição. Nos processos primários, que tem relação e impactam em cada cliente, foram identificados os seguintes processos: (1) receber o material finalizado, (2) acondicionar em caixas, (5) comunicar motorista / transportadora e (6) entregar material finalizado. Dentre os processos primários foram identificados os processos chave, que tem alto custo para a organização e alto impacto para o cliente, são eles: (1) receber o material finalizado, (5) comunicar motorista / transportadora e (6) entregar material finalizado. Os processos críticos, identificados entre os processos chave, foram os seguintes: (1) receber o material finalizado e (6) entregar material finalizado. 15

16 Para cada processo mapeado, foi utilizado o checklist descrito por Maranhão e Macieira no tópico Mapeamento de processos Quadro 01. Conforme a situação problema formulada para este trabalho, seguem os principais aspectos críticos detectados nas etapas iniciais executadas para o processo de certificação. A intenção é que estes aspectos sirvam como referência para que outras empresas interessadas na certificação FSC possam realizar comparações com os seus processos benchmarking. Um dos aspectos críticos identificados foi a necessidade de reforçar a utilização de fatores de conversão padronizados (peso x quantidade de folhas) no resumo de volume de produção, que é um documento exigido pela norma de certificação. Neste documento as entradas de produção, fatores de conversão e saídas são registradas, porém é importantíssimo ter atenção aos fatores de conversão. A padronização faz-se necessária visto que a ausência dela acaba sendo um empecilho à comparação de entradas e saídas, dificultando a compreensão do resumo do volume de produção. Outro aspecto identificado foi referente a alguns documentos de controle da cadeia de custódia, neste caso, documentação de vendas e de transporte, os quais devem constar a identificação relativa à certificação FSC, como também, o código de certificação da organização. Segundo a norma, todos os produtos certificados comercializados devem conter informações referentes à certificação como declaração FSC. Vale ressaltar, que é comum dar-se atenção às exigências da norma, em constar tais informações, nos documentos de controle que tramitam na área de produção, fazendo esquecer-se dos documentos dos processos de apoio (neste caso, setor de faturamento). Para isso, uma sugestão é fazer com que nos documentos mencionados já constem essas informações em seu gabarito. O último aspecto escolhido para ser mostrado neste trabalho é referente ao contrato de outsourcing para processamento de materiais certificados FSC. A Holográfica Editora Ltda. realiza atividades de acabamento gráfico especializado em uma empresa subcontratada e para isso um contrato foi firmado. E importante constar cláusulas referentes à auditoria reservando o direito de a certificadora poder auditar a operação terceirizada ou a subcontratada e à garantia da não autorização da terceirização do serviço por parte da subcontratada, para isso é importante ter procedimentos adequados para tal. No período de identificação e mapeamento de processos toda documentação dos setores envolvidos na produção do material sofreram ajustes e outros foram criados no intuito de atender às necessidades de cada processo. Em seguida, foi executada a validação das 16

17 informações que em conjunto com o trabalho de identificação e mapeamento serviram de base para sugestões de melhorias dos processos. Durante este período, percebeu-se também a necessidade da atualização de toda estrutura tecnológica. Foram comprados novos servidores e atualizadas as estações de trabalho de todos os funcionários. Outro item identificado ausente na empresa foi um sistema de ERP (Enterprise Resources Planning ou Sistema Integrado de Gestão), não que fosse um pré-requisito para a certificação, mas no intuito de, principalmente, otimizar os processos e ter uma base de dados única. O sistema implantado para a gestão integrada do processo foi o GPrint, da Calcgraf. Os módulos escolhidos inicialmente foram: Orçamento, Estoque, PCP - Planejamento e Controle da Produção e Faturamento. Após a conclusão de todas as etapas de abordagem por processos, foi agendada uma auditoria que analisou toda a cadeia de produção, verificando se o produto comercializado foi fabricado com matéria-prima de florestas certificadas. Para avaliar a adequação da empresa conforme os critérios do FSC, a Holográfica Editora Ltda. escolheu o Imaflora, o qual a certificadora é a Rainforest Alliance que certifica as organizações por meio de seu programa de certificação florestal SmartWood. A confirmação do sucesso do projeto deu-se com a certificação concedida à organização baseando-se na conformidade do empreendimento em relação aos requisitos da norma de Certificação de Cadeia de Custódia FSC. CONCLUSÃO A Holográfica Editora Ltda. sempre atuou no mercado gráfico carioca com diversas ações voltadas para a preservação do meio ambiente, e, com o objetivo de complementar suas ações para manter-se como uma das empresas líderes deste setor, investe em certificações. Para o ano de 2010, a empresa planejou a Certificação de Cadeia de Custódia FSC, assim necessitou adequar-se a processos otimizados e controlados para cumprir os requisitos determinados pela norma da certificação. Com este trabalho foi possível mostrar que as etapas de identificação e mapeamento de processos, utilizando um sistema de gestão integrado, foram essenciais para a Certificação de Cadeia de Custódia FSC (Forest Stewardship Council ou Conselho de Manejo Florestal). E também, foram vistos os principais aspectos críticos existentes nos processos, que poderiam 17

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