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1 . Edição número 1896 terça-feira, 30 de agosto de 2011 Fechamento: 09h10 Veículos Pesquisados: Clipping CUT é um trabalho diário de captação de notícias realizado pela equipe da Secretaria Nacional de Comunicação da CUT. Críticas e sugestões com Leonardo Severo Isaías Dalle Paula Brandão Luiz Carvalho William Pedreira Secretária de Comunicação: Rosane Bertotti

2 Estadão Dilma vincula aprovação de emenda da saúde a nova fonte de financiamento Em reunião do Conselho Político, presidente diz que a Emenda 29, que fixa porcentuais mínimos para investimento no setor, só pode ser aprovada se houver novos recursos Denise Madueño e Vera Rosa (Política) Em reunião do Conselho Político, convocada para anunciar novo ajuste fiscal e pedir a aliados que barrem projetos com potencial para aumentar gastos, a presidente Dilma Rousseff condicionou a votação da Emenda 29 - que define gastos da União, Estados e municípios com a saúde - a uma fonte de receitas. A votação da proposta foi marcada para 28 de setembro pelo presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), em acordo com líderes partidários, sem apoio do governo. Apesar dos apelos do Planalto, há uma crescente pressão dos deputados para a votação do projeto no dia marcado por Maia. Nesta terça-feira, 30, os líderes reúnem-se para tentar encontrar uma fonte de financiamento. Levantamento feito pelo Estado mostra que 14 dos 17 governadores consultados são favoráveis à regulamentação da emenda. Embora Dilma não tenha falado em ressuscitar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), todos os participantes da reunião do Conselho Político entenderam que recursos para o setor só serão possíveis com um novo tributo. O governo não quer ser o autor de uma proposta de aumento de impostos e, por isso, transfere o debate ao Congresso e aos governadores. Durante a campanha eleitoral, Dilma defendeu a regulamentação da Emenda 29. Governadores que já pregaram a volta da CPMF, como o mineiro Antonio Anastasia, foram criticados por seus correligionários. Agora, o Planalto repassou ao presidente da Câmara a missão de reunir governadores e prefeitos, na tentativa de encontrar uma solução para o problema. "Temos um mês para encontrar uma alternativa", disse o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN). Ele assumiu com a bancada o compromisso de votar a Emenda 29 no dia marcado por Maia. "Essa é uma bandeira do PMDB", insistiu. Alves propõe uma solução compartilhada. Quer envolver na discussão os governadores, os senadores e os ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Guido Mantega (Fazenda). "Vamos levar uma resposta responsável ao governo. A presidente será tranquilizada de que não vai ser cobrada pelo que não pode dar", argumentou o líder do PMDB. Foto. Para a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, é preciso agir rápido. "Se não tratar de onde vem a fonte, é como votar para sair na foto, e não resolve o problema", disse Ideli. Ela admitiu que o debate será aberto com governadores e congressistas. "O pessoal vai abrir uma discussão sobre isso (nova fonte de financiamento), inclusive com os governadores. É inevitável, algo que tem de ser debatido", afirmou a ministra.

3 O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), endossou o recado: "Esse é um problema que precisa ser equacionado e teremos a discussão no Congresso. Sem fonte de financiamento, a Emenda 29 não resolve o problema da saúde." O líder do PDT na Câmara, Giovanni Queiroz (PA), notou que Dilma tem um calendário em mente. "Ela disse que quer fazer o enfrentamento sobre essa questão no momento certo, a partir de outubro", afirmou Queiroz. "Para votar emenda 29, tem de encontrar alternativa. A presidente colocou a situação clara. Temos reserva, mas essa reserva, agora, é que segura a economia do Brasil. Se acabar, teremos um problemaço aí", emendou o líder do PTB, Jovair Arantes (GO). Ele disse ter certeza de que a base vai colaborar com a presidente. "Temos de achar um ponto de equilíbrio", afirmou. "Traduzindo em miúdos, não se pode aumentar despesa. Se quiser colaborar com o governo, tem de segurar (votação de projetos que aumentam gastos)." Salários de policiais. Além da Emenda 29, o governo está preocupado com a Proposta de Emenda Constitucional 300 (PEC 300), que tramita na Câmara e cria um piso nacional de salários para policiais e bombeiros. Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reajustes e criação de pisos salariais para categorias, neste momento, provocariam "efeito cascata", inviabilizando o equilíbrio das contas públicas. Foi então que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) saiu em socorro de Dilma na reunião de segunda-feira, 29: "Compreendo as dificuldades dos líderes em convencer suas bases, por causa das pressões, mas o momento é de termos compreensão", disse Temer, segundo relatos de integrantes do Conselho Político. Governo deve lançar medidas para nova classe média Gustavo Uribe (Política) O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, Moreira Franco, disse ontem que o governo federal deve lançar até o final deste ano um conjunto de medidas que impeça com que a chamada nova classe média retorne à situação de pobreza. A preocupação do Palácio do Planalto, segundo o ministro, é de que o atual cenário de crise econômica global afete a renda desse estrato da população, cujo crescimento na pirâmide social foi um dos carros-chefe da campanha da presidente Dilma Rousseff no ano passado. "A preocupação é preventiva, os números ainda não indicam alteração, mas como a situação econômica é muito delicada, nós estamos formulando políticas para enfrentar esse problema", afirmou o ministro, após participar de assinatura de acordo, com o Instituto Unibanco, de cooperação técnica na área da educação. "O objetivo é ter uma espécie de ''trava'' para impedir que esses brasileiros voltem à situação de pobreza anterior", disse. O ministro informou que as novas medidas estão sendo formuladas em conjunto com os Ministérios da Fazenda, Trabalho e Previdência Social. Ele frisou que a iniciativa tem ainda como meta garantir a manutenção da mobilidade social no atual cenário econômico. O ministro informou que uma das medidas que deve fazer parte desse esforço é a criação de uma espécie de "bolsa do trabalhador", que deve

4 beneficiar aqueles que têm carteira profissional assinada e cuja renda mensal é baixa. A expectativa é de que haja uma ampliação dos benefícios já existentes, como qualificação profissional, salário família e abono salarial do PIS/PASEP. "Nós temos de começar a criar mecanismos para apoiar aquele que trabalha, estimulando a sua qualificação", defendeu. "E há a vantagem complementar de melhorar também a produtividade, por meio do investimento na qualificação do trabalhador", ressaltou. A chamada "nova classe média", que atingiu o patamar social nos últimos dez anos, está no foco eleitoral tanto do PT como do PSDB, que reconhecem que o apoio desse estrato social será decisivo para a disputa à sucessão presidencial em Esse grupo representa um universo de vinte e nove milhões de pessoas, que fez da classe média o maior grupo social do País, com um total de 94 milhões de pessoas, ou seja, 51% da população brasileira. PMDB teme perda de espaço para o PT nas eleições de 2012 Com 5 ministérios, contra 17 dos petistas, partido ainda prevê avanço do aliado sobre suas prefeituras pelo País Christiane Samarco (Política) Oito meses de administração Dilma Rousseff depois, o PMDB concluiu que o sonho da Vice-Presidência - um passaporte para ingressar no futuro governo maior do que saíra da Era Lula e disputar de igual para igual com o PT - virou pesadelo. Além de perder espaço no ministério, o partido luta para não ser subjugado por petistas no Congresso e nas urnas de 2012, assombrado com a perspectiva de encolher nas eleições municipais. Os peemedebistas comandam hoje apenas cinco ministérios, enquanto o PT acumulou mais poder com 17 ministros e pastas de alta relevância política, como Saúde e Comunicações - antes na cota do PMDB. "Mas não adianta chorar o leite derramado. O partido virou esta página", conformase o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), argumentando que o relacionamento com a presidente Dilma Rousseff tem melhorado. O que preocupa peemedebistas não é a interlocução com o Planalto, mas a disputa eleitoral do ano que vem. "Vamos ser aniquilados nas prefeituras", prevê o deputado Eduardo Cunha (RJ), escancarando o temor que a cúpula do partido só manifesta nos bastidores. "Esta preocupação existe na bancada e já foi inclusive levada ao líder e ao vicepresidente Michel Temer", confirma o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA). Em vez de fazer previsões, contudo, ele diz que prefere "confiar na sensibilidade" da presidente Dilma, que tem prestigiado o PMDB e insistido na importância da legenda para a governabilidade. A experiência da última eleição foi traumática para a regional baiana, que reclama ter sido tratada como adversária pelo então presidente Lula, que só pediu votos para o PT. Não por acaso, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), costuma dizer que as feridas nacionais levam um dia para cicatrizar, as estaduais precisam de uma semana e as locais não saram nunca. No caso baiano, a ferida local e irremediável é com o PMDB dos irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima.

5 Troféu. O líder Henrique Alves destaca que a marca mais forte do PMDB é o número recorde de prefeituras. É por conta dos prefeitos em todo o País que os peemedebistas se gabam da "capilaridade" da legenda. Mas o deputado Eduardo Cunha acusa o PT de estar usando a máquina federal para tomar prefeituras do PMDB nos grotões. "Eles vão nos ultrapassar e nos roubar o troféu de partido que sempre teve o maior número de prefeitos no Brasil." Segundo o senador Walter Pinheiro (PT-BA), no entanto, não há razão para nervosismo, até por que o PT da Bahia, por exemplo, se relaciona "muito bem" com os demais partidos da base. "Estão colocando o PT maior do que ele é. Não temos tamanho para estar engolindo todo mundo", diz Pinheiro, insistindo que "não dá para achar que a gente vai sair atropelando todo mundo". "O PMDB deve se concentrar na grande força que tem, que são as lideranças regionais e estaduais. Temos de motivar os líderes locais a irem às ruas e ganhar o apoio popular", propõe Henrique Alves. Sindicalistas querem que Dilma revise os valores da tabela até 2014 Marcelo Rehder (Economia) As duas maiores centrais sindicais do Brasil, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical, vão tentar recuperar as perdas provocadas pelo descompasso entre a correção da tabela do Imposto de Renda e a alta dos preços este ano. O presidente da Força, deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, quer discutir com a presidente Dilma Rousseff a revisão dos valores que foram fixados para correção da tabela até 2014, "para diminuir as perdas dos trabalhadores". Um acordo entre governo e as centrais em março deste ano definiu que, durante o mandato de Dilma, a tabela será reajustada pelo centro da meta de inflação (4,5%). Segundo Paulinho, as centrais imaginavam que a inflação cairia e que seria possível recuperar a perda atual nos próximos anos. "Como tudo indica que isso não vai acontecer, nós ficamos numa situação meio difícil." Para Artur Henrique, presidente da CUT, mesmo que a tabela seja reajustada no centro da meta, em algum momento será preciso fazer a conta para zerar a inflação. "Não dá para ficar eternamente em 4,5%." O presidente da CUT diz que a central vai repetir o que fez no final do segundo mandato do presidente Lula. "Fizemos as contas mostrando que se deveria contar a diferença da inflação passada", lembra. "Vamos fazer a mesma coisa e exigir zerar o período da inflação dos quatro anos." Governo elevará superávit primário, dizem centrais Eduardo Rodrigues - Agencia Estado (Economia)

6 Após reunião nesta manhã com a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, líderes das centrais sindicais relataram que o governo está bastante preocupado com a crise financeira e pretende aumentar neste ano o superávit primário (economia do governo para o pagamento dos juros da dívida pública). Segundo eles, Dilma afirmou que a crise pode se agravar também no Brasil, por isso, a medida será necessária. Segundo o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva, Paulinho (PDT-SP), essa medida só funcionará se os juros "caírem imediatamente". Segundo o parlamentar, a presidente teria citado um valor adicional de corte de gastos aproximado de R$ 14 bilhões, equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Mas o próprio deputado afirmou que o número não é oficial. "O governo vai tomar exatamente medida oposta da que tomou em 2008, quando diminuiu o superávit para alimentar a economia. Na nossa visão, aumentar o superávit agora é um gesto para o mercado", disse o deputado. Os líderes sindicais afirmaram que manterão suas reivindicações, entre elas, o fim do fator previdenciário. "Vamos fazer manifestações na frente do Banco Central", afirmou. Além de representantes da Força Sindical, o encontro contou também com a participação de membros da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB). O ministro Mantega continuou reunido com a presidente Dilma e com parlamentares. Empresários elogiam decisão do governo de elevar controle fiscal As medidas, segundo eles, são condizentes com um momento de incertezas na economia mundial e devem contribuir para a redução das taxas de juros Wellington Bahnemann e André Magnabosco (Economia) A decisão anunciada nesta segunda-feira pelo governo federal, de aumentar o controle fiscal e mirar um superávit primário de R$ 90,8 bilhões para o governo central em 2011, foi bem recebida por executivos de grandes companhias do País. As medidas, segundo eles, são condizentes com um momento de incertezas na economia mundial e devem contribuir para a redução das taxas de juros. A aposta é de que medidas como essa garantam a continuidade do crescimento da economia, situação que permitirá às companhias manter inalterados os planos de investimentos e projeções de crescimento para O vice-presidente de Relações Corporativas da Ambev, Milton Silegman, avaliou como positiva a medida do governo federal, lembrando que a redução dos custos é uma prática comum no mundo corporativo em momentos de crise. "Todas as empresas em um ano como esse, no qual se vive uma quebra de expectativa em relação ao crescimento, estão adaptando os custos. Ao elevar o superávit primário, o governo está segurando os custos governamentais", disse o executivo, afirmando que esse cenário não altera as perspectivas da empresa no País. Para o diretor-presidente da Renner, José Gallo, o plano anunciado nesta segundafeira tem outro efeito importante: a concordância entre os diferentes níveis do governo federal. "Observamos o ministro da Fazenda dando autoridade para o

7 Banco Central e a presidente dizendo que não podemos ignorar a crise. É o comando econômico falando a mesma linguagem, o que é muito bom", ressaltou. Na visão do presidente da Suzano Papel e Celulose, Antonio Maciel Neto, o pronunciamento feito pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, é um importante sinal de que o governo manterá a taxa de juros em um patamar no qual seja efetivo o controle sobre o processo inflacionário, mas que essa política será acompanhada de uma queda nos juros. "Acredito que nesse momento, com sinais de desaquecimento da economia e um cenário externo muito desfavorável, seria um exagero manter as taxas de juros elevadas", afirmou. A redução dos juros ainda ajudará a enfrentar o movimento de valorização do real, apontado por Maciel como a grande ameaça à indústria brasileira. Desaceleração A despeito dos sinais de desaceleração da economia brasileira, as perspectivas continuam favoráveis, apontam os executivos. "Falarmos em 3,5% não significa falarmos de um crescimento pequeno", ponderou o diretor presidente da Vivo, Antonio Carlos Valente. Amparado por indicadores de aumento da renda do trabalhador, o executivo afirmou que os planos da companhia para o ano permanecem inalterados. "Para o nosso setor, além do crescimento da economia, é muito importante que esse movimento se dê com o crescimento da renda. E nesse caso não vemos nenhum sinal de mudanças no processo de condução da política econômica", ressalvou. Por conta disso, a companhia manteve sua estratégia de compra de equipamentos voltada às vendas de final de ano. Na mesma linha, o presidente da ALL, Paulo Basílio, ressaltou que não há qualquer indicação de desaceleração no setor logístico. "Nas conversas que temos tido, não sentimos nenhuma mudança nos planos de investimentos de nenhum de nossos clientes", afirmou. Por conta disso, a companhia mantém a previsão de ampliar o volume movimentado em suas linhas em no mínimo 10% ao ano, crescimento médio previsto para um horizonte de cinco anos. Os planos de investimentos também permanecem inalterados. "Vemos um cenário favorável entre os exportadores de grãos e no transportes no mercado interno. Além disso, vemos os produtores capitalizados, por isso temos expectativa de outra grande safra em 2012", afirmou Basilio, referindo-se ao segmento agrícola, grande cliente da área de logística ferroviária. Quem também mantém os planos de investimentos inalterados apesar da crise é a Ambev. Seligman destacou que, em 2011, a companhia está realizando o maior investimento de sua história, de R$ 2,5 bilhões, dos quais pouco mais de 50% já foram realizados. O executivo lembrou que os aportes acontecem um momento de forte queda na demanda do segmento de bebidas, como pode ser verificado nos resultados da empresa no primeiro semestre de "Estamos vindo de dois anos de forte crescimento no consumo, mas vimos no primeiro semestre de 2011 que não houve crescimento. Essa é uma mudança muito forte", argumentou Seligman que esteve, juntamente com os demais executivos, na cerimônia do prêmio Valor 1000, realizada em São Paulo na noite desta segunda-feira. Apesar disso, o executivo disse que a companhia mantém as suas apostas para o mercado brasileiro, tendo em vista o aumento de renda da população e o baixo consumo per capita de cerveja do Brasil em relação a outros países. A aposta no

8 crescimento é tanta que a empresa está lançando no meio da crise a marca Budweiser, que, no Brasil, será posicionada como uma cerveja Premium. "Desde a compra da Anheuser-Busch, sempre foi um sonho nosso lançar a marca Budweiser", afirmou o executivo, apostando no crescimento da linha Premium no País. Embora reconheça que a desaceleração da economia não tem grandes impactos sobre o setor de saneamento, a presidente da Sabesp, Dilma Pena, manifestou temor sobre os possíveis efeitos da crise nos EUA e na Europa sobre a oferta de crédito. "Como dependemos do crédito interno e externo, temos uma preocupação. O nosso temor é que isso a restrição de crédito e o aumento do custo afeta a renegociação das nossas dívidas e a nossa capacidade de financiamento", argumentou a executiva, que ponderou que a companhia ainda não sentiu nenhum problema nesse sentido. Falta de motivação no trabalho atinge 31% Realizada por consultoria, pesquisa abrange 261 mil funcionários de 85 empresas do País Regina Abrão (Economia) Levantamento da consultoria de gestão de negócios Hay Group concluído neste mês revela que 31% dos funcionários estão acomodados no emprego. O estudo, que define esses profissionais como "inefetivos", foi feito com 261 mil trabalhadores de 85 empresas de todos os setores - indústrias de base e de transformação, serviços, setor público e terceiro setor. No levamento de agosto de 2010, o porcentual de "inefetivos" era de 33% num universo de 154 mil colaboradores de 41 empresas. Lilian Graziano, professora de gestão de pessoas da Trevisan Escola de Negócios, identifica esses colaboradores como aqueles que vão à empresa e fazem apenas o suficiente para continuar empregados. Não ousam, não inovam. No estudo da Hay Group são apontados como trabalhadores que entregam menos do que podem, não se sentem engajados com a empresa e acham que não dispõem de suporte necessário para desenvolver suas atividades. Esse tipo de trabalhador costuma permanecer na organização porque acha o salário adequado e gosta dos colegas. O especialista em desenvolvimento humano Eduardo Shinyashiki adota uma definição curiosa para o comportamento. Para ele, esses profissionais vivem uma "aposentadoria mental", pois, mesmo com responsabilidades, não têm sonho de crescimento nem investem na formação ou qualificação. Ele elaborou um teste para quem deseja verificar se está passando por esse processo. Frustrados. Antes da acomodação, no entanto, esses profissionais enfrentam a frustração. O levantamento mostra que 14% dos funcionários se sentem frustrados, ou seja, consideram-se altamente engajados com a empresa, mas entendem que não têm suporte para ser mais produtivos. "Normalmente, esse estágio antecede a acomodação", diz Caroline Marcon, gerente da área de pesquisas corporativas da Hay Group. O engajamento na organização passa pelo comprometimento do colaborador com a empresa e esforços direcionados ao trabalho. Quanto ao suporte, esses trabalhadores acreditam que a empresa não oferece meios adequados, que vão desde instrumentais a treinamento, para a realização das atividades. A desmotivação é apontada por especialistas como o gatilho que empurra o profissional para a acomodação, detectada em todas as áreas, níveis hierárquicos e

9 idades. Em muitos casos, a organização não oferece possibilidades de crescimento. E o retorno, inclusive financeiro, não é o esperado pelo funcionário, que começa a ficar desestimulado. Esse estágio pode ser atingido quando o trabalhador tem de quatro a cinco anos de empresa. "O funcionário que se acomoda na empresa tende também a se acomodar na carreira", alerta Lilian. Ela diz que esse profissional não "olha para fora", não se qualifica e, se é demitido, fica inseguro. Ao identificar um profissional acomodado, o gestor tem como reverter a situação. "Deve, por exemplo, propor mudança de área", diz Caroline. A empresa também pode contribuir por meio de algumas ações, como comunicar com transparência os rumos do negócio, passar visão otimista à equipe e oferecer autonomia aos funcionários. A solução, porém, está nas mãos do profissional. Jogar a culpa e a responsabilidade na empresa não é a melhor saída. Lilian ressalta que o trabalhador precisa primeiro se perguntar o que pode fazer para mudar o quadro. Ele deve verificar se está defasado ou se precisa de capacitação. Elaine Smith, de 37 anos, é um exemplo de profissional que está longe da acomodação. Formada em administração pela Universidade Mackenzie, fez MBA em finanças pela FEA-USP e trabalhou por 19 anos no mercado financeiro, onde construiu carreira sólida. Começou como estagiária e chegou a diretora executiva. "Toda minha carreira foi planejada", diz Elaine, que morou e trabalhou em Nova York de 2000 a Ela conta que, na volta ao País, as diferenças sociais chamaram sua atenção. A partir daí, nasceu seu interesse pelo terceiro setor. Ao mesmo tempo, começou a notar que sua motivação no trabalho diminuia. Resolveu, então, fazer cursos e no início deste ano trocou o mercado financeiro por uma ONG, que tem seis anos e atua na conscientização de jovens da elite sobre as questões sociais. "Quero crescer com a ONG." Trabalhadores da GM já falam em greve João Carlos de Faria (Economia) Em São José dos Campos, a 120 quilômetros de São Paulo, a direção do Sindicato dos Metalúrgicos convocou os trabalhadores da General Motors para uma reunião na tarde de ontem para discutir estratégias e se contrapor à proposta da empresa, de zero de aumento nos salários e quebra de algumas cláusulas sociais acordadas em anos anteriores. Os trabalhadores decidiram intensificar a mobilização e podem atrasar a produção nesta semana, com a realização de assembleias mais longas. Eles também apontam para a possibilidade de greve na primeira quinzena de setembro, database da categoria, caso persista o impasse. "A proposta da GM é uma provocação à categoria. Não vamos nem colocá-la à apreciação dos trabalhadores", disse Luiz Carlos Prates, o Mancha, secretário executivo da CCS/Conlutas, central à qual está filiado o sindicato. Contraria à proposta das demais montadoras, aprovada na manhã de domingo em Taubaté, no ABC e em São Carlos, que prevê aumento real de 2,25%, mais reposição da inflação de 7,26%, com piso de R$ 1,5 mil, e aumento da licença

10 maternidade de 120 para 180 dias, a GM alega problemas com a crise e a necessidade de manter a competitividade para negar o aumento real aos trabalhadores. Na semana passada, a direção da General Motors enviou ao Sindicato um documento que chamou de Pauta Empresarial para a Campanha Salarial, com 25 itens. Entre eles, oferta de aumento real zero para os salários, congelamento do piso e o fim da garantia de estabilidade para portadores de doenças profissionais. O acordo feito pelos sindicatos filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) foi criticado por Mancha. "Eles se precipitaram e fizeram um acordo pior que no ano passado." Novas negociações estão marcadas para esta semana. Folha de S.Paulo Governo aumenta economia para pagar dívida em R$ 10 bi Estratégia é usar arrecadação extra obtida neste ano para arrumar contas do governo e evitar novas despesas Equipe econômica espera que contenção de gastos crie condições para Banco Central reduzir taxa de juros Lorenna Rodrigues e Sheila D Amorim (Poder) O governo decidiu economizar uma parcela maior de suas receitas para pagar os juros da dívida pública, aproveitando o expressivo aumento de arrecadação que obteve nos últimos meses para arrumar suas contas em vez de criar novas despesas. A aposta do governo é que isso ajudará o país a se preparar melhor para a possibilidade de uma nova recessão nos EUA e na Europa, e abrirá espaço para o Banco Central reduzir em breve a taxa básica de juros da economia. O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC se reúne hoje e amanhã para analisar o cenário econômico e decidir o que fazer com os juros. A maioria dos analistas do mercado acredita que ele irá interromper a série de sucessivos aumentos dos juros iniciada em janeiro para conter a inflação, que neste ano deverá ultrapassar a meta fixada pelo governo. A taxa básica de juros definida pelo BC está em 12,50% ao ano. Alguns economistas acreditam que o BC terá condições de reduzir os juros na próxima reunião do Copom, marcada para outubro. Ao expor a estratégia do governo ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que os gastos programados para este ano serão mantidos, mas o governo irá segurar novas despesas. A meta oficial para o superávit primário deste ano previa uma economia de R$ 81 bilhões e foi elevada para R$ 91 bilhões. A meta do setor público como um todo, incluindo Estados, municípios e empresas estatais, foi elevada para R$ 127,9 bilhões.

11 "À medida que você deixa de aumentar o gasto público, abre espaço para que haja uma queda nos juros, quando o BC entender que isso é possível", afirmou Mantega. Com o tempo, a redução da taxa básica de juros pelo BC também contribuirá para reduzir os encargos financeiros que incidem sobre a dívida pública, reduzindo as despesas do governo com juros. A estratégia descrita ontem é diferente da adotada para combater os efeitos da crise de 2008 e 2009, quando o governo aumentou suas despesas para estimular investimentos e a oferta de crédito nos bancos públicos. A iniciativa ajudou o país a superar rapidamente os efeitos mais agudos da crise e voltar a crescer, mas desarrumou as contas do governo e ampliou seu endividamento. Para garantir o aperto de cintos agora, a equipe econômica conta com o extraordinário aumento de receitas dos últimos meses. A Receita Federal prevê que a arrecadação de impostos federais será 11,5% maior neste ano. Eventos inesperados, como a decisão da mineradora Vale de pagar recentemente R$ 5,8 bilhões em tributos que discutia com o governo na Justiça, ajudaram a reforçar os cofres do governo. Mas o desempenho deste ano não é suficiente para derrubar os juros, dizem analistas. "É preciso mais tempo para ganhar credibilidade", diz o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola. "A medida anunciada é produtiva, mas não é suficiente." De janeiro a julho, o governo economizou o equivalente a 73% da nova meta de superavit primário estabelecida para a União neste ano. Tradicionalmente, o fim do ano concentra grande parte dos gastos do setor público. A presidente Dilma Rousseff está preocupada com pressões que sofre de aliados no Congresso para aumentar gastos no próximo ano. Sua proposta para o Orçamento- Geral da União de 2012 será apresentada até amanhã. Insatisfeita, base no Congresso pode colocar rigor fiscal em risco (Poder) A desunião dos partidos governistas ameaça o apelo da presidente Dilma Rousseff por controle nos gastos públicos. Ela tenta convencer aliados a ter cautela em votações "caras" ao Tesouro. Ontem, o Ministério da Fazenda anunciou um superavit maior em R$ 10 bilhões - uma boa notícia para o mercado, mas difícil de digerir no mundo parlamentar. Motivo: os recados de aperto orçamentário atingem em cheio a agenda da micropolítica -liberação de emendas e nomeação para cargos. O calendário eleitoral acentua esse cenário, já que muitos congressistas serão candidatos a prefeito em "O que prejudica mesmo Dilma na política é se a economia brasileira desacelerar", argumentou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

12 O Ministério das Relações Institucionais sabe que, dependendo do humor, os insatisfeitos do Congresso podem acionar uma bomba fiscal que afete a aposta na redução prolongada dos juros. Dilma pode desativar a bomba por meio de vetos, mas arcaria com o ônus de decisões impopulares. Ao menos três partidos, PMDB, PP e o "neo-independente" PR, protagonizam disputas internas e ainda guardam desacertos com o estilo Dilma de administrar. Reclamam das nomeações represadas para cargos; das emendas raramente pagas e da "faxina" que expurgou dois importantes representantes da Esplanada: Wagner Rossi (ex-agricultura, do PMDB) e Alfredo Nascimento (ex-transportes, do PR). No governo, ninguém é capaz de garantir blindagem total. Nem mesmo se pode descartar o risco de uma CPI para investigar o PT às vésperas da eleição. Mas governistas ponderam que os aliados votaram unidos até agora. "O anúncio que o ministro Guido Mantega fez ontem terá um amplo apoio da base. Podemos enfrentar problemas em algumas coisas, mas não no essencial", disse o líder do governo, Candido Vaccarezza (PT-SP), sem explicar os "problemas". Para a Fazenda, os "problemas" são três propostas delicadas: a PEC 300, que cria um piso salarial para policiais e bombeiros; a Emenda 29, que regulamenta os recursos para a saúde; e o fim da DRU (Desvinculação das Receitas da União), que permite ao governo gastar livremente 20% de seus recursos. Previdência do setor público terá prejuízo de R$ 57 bi (Poder) O rombo nas contas da Previdência Social do setor público federal para este ano deve ficar em torno de R$ 57 bilhões, valor 11,76% maior do que o verificado em Segundo o secretário da pasta, Jaime Mariz, em cinco anos esse deficit poderá ter uma elevação ainda maior. "Atualmente, a União tem 1,11 milhão de servidores públicos. Em cinco anos, 40% já terão tempo para se aposentar. Se hoje o deficit cresce a 10%, nesse período nós teremos o deficit aumentado ainda mais", afirmou. Os servidores públicos e os militares são enquadrados no Regime Próprio da União. O regime geral, formado por 24 milhões de funcionários da iniciativa privada, fechou 2010 com um deficit de R$ 43 bilhões. Segundo Mariz, a aprovação do projeto de lei que cria um fundo de previdência complementar para os servidores públicos irá fazer com que o deficit da Previdência dos servidores diminua. Isso, no entanto, só deve começar a ocorrer em 15 anos. Suspensa propaganda que liga greve a aumento de impostos Entidades empresariais contestam decisão da Justiça do Trabalho Rodrigo Vargas (Poder)

13 A Justiça do Trabalho em Mato Grosso mandou suspender a veiculação de uma propaganda de TV que relacionava greves a aumentos de tarifas públicas e impostos. A decisão é liminar. A campanha, financiada por entidades empresariais (entre elas, a Câmara de Dirigentes Lojistas e as federações da indústria e da agricultura), defendia que "greve custa caro" e que a população é quem "paga a diferença" após as paralisações. A peça de 30 segundos mostrava imagens de uma greve de motoristas e cobradores de ônibus ocorrida em maio de 2009 e afirmava que, dois meses depois, ocorreu aumento na tarifa. Os anúncios começaram a ser veiculados há dez dias. Entidades sindicais assinaram ofício conjunto à Procuradoria pedindo a suspensão. Em nota, o órgão disse ver na campanha "um ato antissindical e abuso de direito por parte dos anunciantes". "A campanha ataca diretamente o direito constitucional de greve assegurado aos trabalhadores brasileiros." A ação civil pública pede também que as entidades financiadoras sejam condenadas a pagar R$ 10 milhões em danos morais coletivos. OUTRO LADO Jandir Milan, presidente da Fiemt (federação estadual das indústrias), e Jonas Alves, presidente da Facmat (federação das associações comerciais), disseram não ver ilegalidade. "Só quisemos esclarecer a população", disse Milan. Sobre a decisão judicial, Milan disse considerar "sem fundamento". "Nós vamos contestar", afirmou. Metalúrgicos da Renault têm reajuste histórico (Poder) Trabalhadores acertam ganhos acima da inflação para este e os próximos dois anos Segundo cálculo do Dieese, considerando bônus e participação nos lucros, incremento na renda chegará a 60% A inflação alta e a piora do cenário externo não impediram os metalúrgicos de conquistarem reajustes salariais históricos neste mês. Os funcionários da Renault em São José dos Pinhais (PR) fecharam um "pacotão" salarial para 2011, 2012 e 2013, com ganhos totais de até 20% acima da inflação do período. Considerando ainda o que será pago de bônus e participação nos lucros, o incremento na renda anual (sem descontar a inflação) do trabalhador será de até 60%, calcula o Dieese. Segundo o instituto, esse é o maior acordo salarial da história já fechado no Brasil. O acordo veio após um semestre de relações conturbadas entre montadoras e metalúrgicos no Paraná, com greve na Volkswagen e paralisações na Volvo na negociação de participação no lucro. Para a Renault, o resultado da negociação "é a garantia de uma produção sem interrupções", com vantagens para ambos os lados.

14 Em São Paulo, 49 mil metalúrgicos da região do ABC e de São Carlos (SP) conquistaram no domingo reajuste real de 5% que será parcelado em 2011 e Outros 185 mil trabalhadores da categoria estão em negociação. "As empresas perceberam que não vale a pena dificultar as negociações, mas é preciso torná-las mais objetivas, para não perder competitividade", diz o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka, sobre a greve da Volks, que durou 37 dias. Além do reajuste salarial, o "pacotão" da Renault inclui bônus de até R$ 6.000, PLR de R$ 18 mil em 2013 e reajuste de até 10% no piso dos funcionários. Sindicato e empresa, agora, só devem voltar a negociar em Plano terá de pagar ao SUS por tratamentos mais caros Governo vai exigir ressarcimento de procedimentos como quimioterapia Outra medida prevê reduzir tempo para plano ressarcir o SUS por atendimentos a pacientes com convênio Cláudia Collucci (Cotidiano) O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse ontem que a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) passará a cobrar dos planos de saúde os procedimentos de alta complexidade (como quiomioterapia) que seus usuários façam no SUS. Hoje, só a internação é passível de ressarcimento. Ainda não há uma estimativa do montante de recursos que essa mudança representará ao SUS. Atualmente, 46 milhões de brasileiros possuem planos de saúde. O governo não sabe, porém, quantos deles fazem procedimentos no SUS. Em hospitais públicos de São Paulo, 20% dos pacientes atendidos têm convênios. Ontem, foi publicada no "Diário Oficial" da União uma nova lei para repassar diretamente ao FNS (Fundo Nacional de Saúde) o dinheiro cobrado dos planos. Hoje o dinheiro ressarcido deveria voltar para as secretarias estaduais e municipais, mas isso não ocorre, segundo Padilha. Em entrevista à Folha, o ministro afirmou que, antes, esses recursos ficavam com a ANS e, agora, com a nova lei, será possível uma distribuição mais equânime entre Estados e municípios, além de acelerar o repasse. ATENDIMENTO A ideia é que, a partir de 2012, seja zerado o tempo de espera entre o atendimento de um conveniado no SUS e a cobrança às operadoras de saúde. Hoje esse tempo está em dois anos. Indo para o FNS, o dinheiro não necessariamente voltará à unidade de saúde que prestou atendimento. "Isso pode fazer com que os Estados criem leis que estimulem a 'dupla porta', como fez o governo de São Paulo", diz Mario Scheffer, especialista em saúde pública pela USP. Padilha discorda: "A legislação anterior não garantia o recurso para o SUS, dava

15 mais argumento para quem quisesse garantir uma forma paralela de ressarcimento". Segundo o ministro, o ressarcimento pelos procedimentos de alta complexidade será fundamental porque há muitos pacientes de planos de saúde fazendo quimioterapia e outros procedimentos no SUS, e os planos não pagam nada por isso. A Federação Nacional de Saúde Suplementar, que representa 15 grupos de operadoras privadas, e a Abramge, que representa os planos de saúde, informaram que vão aguardar mais detalhes das medidas para se manifestar. Conselho critica modelo adotado em SP (Cotidiano) Ministro diz temer que decisão gere um privilégio no SUS para quem tem plano de saúde A destinação de até 25% dos leitos de hospitais gerenciados por OSs (organizações sociais) a planos de saúde, política instituída pelo governo de São Paulo no último ano, foi alvo de críticas do Conselho Nacional de Saúde. Uma resolução do colegiado sobre o assunto foi chancelada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e publicada na edição de ontem do "Diário Oficial" da União. Após fazer uma série de considerações, o conselho decidiu se posicionar contrariamente ao projeto de lei complementar do Executivo paulista sobre o tema, aprovado pela Assembleia Legislativa em dezembro passado. Um decreto e uma resolução do governo de São Paulo deste ano, que regulamentam a lei aprovada em 2010, também foram rejeitadas pelo colegiado. A lei é citada na norma como "retrocesso". O pacote de medidas, diz o conselho, fere princípios da Constituição Federal e do Estado, além de atentar contra a Lei Orgânica da Saúde. Além disso, favorece a prática da "dupla porta de entrada", selecionando beneficiários dos planos de saúde privados para atendimento nos hospitais públicos geridos por organizações sociais, promovendo, assim, a institucionalização da atenção diferenciada com preferência na marcação e no agendamento de consultas, exames, internação e melhor conforto. ACESSO DESIGUAL Em entrevista à Folha, Padilha disse que a preocupação é que medidas como a de São Paulo não gerem, dentro do SUS, um privilégio para quem tem plano. "Nós já temos hoje uma acesso desigual. Não podemos tomar medidas que aumentem essa desigualdade." Na semana passada, o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) também condenou a lei estadual e pediu que o governo a revogue. "É notória a insuficiência da rede estadual de saúde para atender a demanda do SUS, situação agravada pela ausência de um plano de carreira, cargos e vencimentos para os médicos do Estado", afirmou Renato Azevedo, presidente do Cremesp. O Ministério Público ingressou com ação civil pública, com pedido de liminar, pela anulação da lei. Ainda não há decisão judicial a respeito dela.

16 Valor Econômico Governo adia definição da política fiscal para 2012 Claudia Safatle A política fiscal para 2012 será definida mais à frente. A proposta de Orçamento para o próximo ano será enviada amanhã para o Congresso e o governo terá até o fim deste ano, ou início do próximo, para marcar qual será o efetivo compromisso que assumirá com as contas públicas. Até lá, estará mais claro também o caminho que as economias dos países avançados vão tomar. O governo avalia que poderá haver uma recessão global pelo menos até o fim de 2012 e o Brasil tem que estar com mais musculatura para o enfrentamento da situação. Para isso Mantega anunciou ontem um reforço de R$ 10 bilhões na meta de superávit primário deste ano. E espera, com essa ajuda, viabilizar a redução dos juros básicos num futuro breve. Segundo disse o ministro, encorpar o superávit com o excesso de receita deste ano poderá ser útil até para aumentar o gasto público no ano que vem, se for necessário, caso a crise externa adquira proporções mais dramáticas. No momento, explicou Mantega, o governo tem como meta um superávit de R$ 139 bilhões para equivalente a cerca de 3% do PIB - e sua missão será a de produzir esse saldo sem descontar os recursos do orçamento do PAC, que somam R$ 40,6 bilhões. Há grande preocupação em evitar a 'dèbâcle' que ocorreu no segundo semestre de 2008 na economia brasileira. Ao contrário daquele período, quando a crise detonada pela quebra do Lehman Brothers encontrou a atividade bem aquecida, dessa vez o que se avalia na área econômica é que o setor privado já está em processo de desaceleração. A elevação da Selic este ano, para controlar a inflação, foi de 1,75 ponto percentual, o que levou a taxa a 12,50% ao ano. O aumento já é, por si só, um patamar que representa a taxa média de juros anual em muitas economias, assinalou uma fonte oficial. Se o tamanho da Selic sempre foi visto como imensa distorção da economia brasileira, hoje ele está sendo considerado "uma benção" pelo governo, pois poucos são os países no mundo que têm na política monetária uma capacidade de reação como no Brasil. As maiores economias do mundo estão praticando, desde 2008, juros muito baixos e, não raro, negativos. Outro temor que assombra as autoridades econômicas é que possa haver "um evento" ou, como disse um economista do governo, que a crise internacional gere "um cadáver", nos moldes do Lehman Brothers nos Estados Unidos em Os três principais bancos centrais do mundo - o Federal Reserve, nos Estados Unidos, o Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu - estão com enorme dificuldade de dar respostas ao enfraquecimento das economias americana e europeia. O desfecho da reunião do Fed em Jackson Hole, na semana passada, foi

17 frustrante. O presidente da instituição, Ben Bernanke, não anunciou medidas para reanimar a economia americana nem deu indicações claras sobre o que fará nos próximos meses. O cenário externo é de difícil previsão. "Nas três últimas semanas a situação piorou muito", citou uma fonte do governo. Para esse assessor, o aumento do superávit primário este ano é, em parte, fruto da mudança do mix da política econômica nesta crise - com menos ênfase no gasto público e maior foco na redução dos juros. "Mas há uma questão estratégica na decisão de elevar o superávit, que é termos uma sobra de recursos para aumentar o gasto público no caso de a coisa lá fora ficar mais séria." O governo de Dilma Rousseff está, portanto, determinado a "aumentar a munição" do país para evitar que a recessão externa derrube a economia doméstica. Dilma age para evitar que centrais aglutinem resistência Fernando Exman A presidente Dilma Rousseff aproveitou ontem o anúncio de mais uma medida do governo para combater os efeitos da crise financeira global para reforçar a articulação de sua administração com a base aliada e as centrais sindicais. Nos dois encontros mantidos pela presidente, o recado do Palácio do Planalto foi claro: o governo mantém a disposição de evitar maiores gastos com o custeio da máquina pública, apesar do aumento da arrecadação. A sinalização teve como finalidade rechaçar as expectativas de que o governo aliviaria o ajuste fiscal. O Executivo detectou que circulava no meio político conversas no sentido de que, diante do crescimento da arrecadação, o governo poderia relativizar ordem anterior de aumentar a economia do setor público. Em algumas dessas conversas, nas quais deputados e senadores apontavam um maior espaço para o governo liberar as emendas ao Orçamento, o corte de R$ 50 bilhões anunciado pelo Executivo começou inclusive a ser chamado de "contingenciamento". Ou seja, no meio político, tentava-se criar ambiente propício à flexibilização do ajuste fiscal. No primeiro encontro, no início da manhã, Dilma anunciou em primeira mão às centrais sindicais o que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tornaria público em seguida: a elevação de R$ 10 bilhões na meta de superávit primário deste ano, para R$ 91,76 bilhões. Com o gesto, Dilma tentou melhorar suas relações com os sindicalistas, que reclamavam da falta de diálogo. No início do mês, as centrais chegaram a boicotar o lançamento da nova política industrial do governo por não terem sido convidadas a participar dos debates sobre as medidas anunciadas, como a desoneração da folha de pagamento de segmentos da indústria. Desta vez, Dilma fez questão de lembrar aos sindicalistas de que cumprira sua parte no acordo de incorporar os representantes dos trabalhadores nos debates em curso no Planalto. As centrais também têm criticado os planos de conceder à iniciativa privada os aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília. Ciente do descontentamento do setor e da capacidade de mobilização política das centrais, a oposição vem tentando estreitar laços com os sindicatos.

18 Ontem, Dilma tratou ainda de dar continuidade ao esforço de aproximar-se dos líderes e presidentes dos partidos aliados, os quais também lamentam a falta de interlocução. Em mais uma reunião do Conselho Político, a segunda em 20 dias, Dilma reforçou o pedido já feito no dia 10 para que o Congresso não aprove projetos que aumentem despesas. Na mira do Executivo estão, por exemplo, a proposta de emenda constitucional que garante reajustes salariais a policiais militares (PEC 300) e a Emenda 29, que aumenta os gastos da saúde pública. Ao reiterar que é para valer o controle fiscal, Dilma também quis subsidiar seus líderes com argumentos. O Palácio do Planalto sustenta que, em meio à crise financeira global, a medida possibilitará a redução da taxa básica de juros e ajudará o governo na guerra cambial. Cenário passa a ser benigno para queda de juros, diz Mantega João Villaverde O ministro da Fazenda, Guido Mantega, aproveitou o anúncio da expansão do superávit primário de 2011, ontem, para passar três mensagens. Ao Banco Central (BC), Mantega afirmou que a melhora do quadro fiscal brasileiro decorrente da ampliação do primário "vem para abrir espaço para a redução da taxa de juros, o que, por sua vez, reduziria os gastos do governo com juros". Aos parlamentares, o ministro da Fazenda afirmou que o aperto promovido pelo governo "caminha no sentido de impedir que haja elevação de gastos correntes que eventualmente poderiam ser aprovados no Congresso". Finalmente, aos sindicalistas, Mantega afirmou que a medida não representa corte de gastos. "Trata-se de um ajuste para garantir a geração de empregos, não estamos cortando investimentos ou programas sociais", disse. O governo está se preparando para uma recessão mundial que durará de dois a três anos, afirmou Mantega. "Os países ricos, infelizmente, vão crescer pouco. É para neutralizar os problemas que eles vão nos remeter que estamos adotando essas medidas cautelares", afirmou o ministro, para quem o BC tem, a partir de hoje, um cenário mais benigno para cobrar juros inferiores à atual taxa de 12,5% ao ano. Segundo Mantega, a meta "atualizada" do superávit primário deste ano, de R$ 127,9 bilhões, deve ajudar o BC a reduzir as taxas de juros, "ainda muito altas" no Brasil. "Mas o BC vai reduzir os juros no médio prazo, quando ele achar que for oportuno, tendo a inflação controlada", disse. Cauteloso, não quis dimensionar o que considera médio prazo - " o que considero médio prazo é o que o BC considera médio prazo" - disse o ministro, numa demonstração de sintonia com o BC. A ampliação em R$ 10 bilhões da meta de superávit primário do governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência) foi definida entre o ministro da Fazenda e a presidente Dilma Rousseff na noite do domingo, em conversa por telefone. Ficou acertado que a medida, que circulara na Fazenda na semana passada, seria apresentada aos dirigentes das seis maiores centrais sindicais e aos parlamentares da base aliada, em duas reuniões no Palácio do Planalto. Sindicalistas e parlamentares reuniram-se ontem pela manhã com Dilma, Mantega, e os ministros da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e Secretaria- Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. De acordo com um dirigente sindical, Dilma abriu a reunião com a previsão de que a crise internacional se estenderá por mais dois anos. Assim, a resposta do governo

19 deve se concentrar, agora, na política monetária, e não na expansão fiscal. "Tratase de uma crise totalmente diferente daquela que vivemos e enfrentamos em 2008, por isso temos de atuar de maneira distinta, alterando os paradigmas de nossa política econômica", afirmou. Os sindicalistas receberam as medidas com ceticismo. "O governo está tentando encontrar uma alternativa ao grande câncer da economia, que é a elevada taxa de juros", afirmou Antônio Neto, presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB). Outro dirigente sindical criticou a opção pelo aperto fiscal. "Se para enfrentar a crise de 2008 e 2009 o governo expandiu os gastos e fez desonerações, o que produziu o forte crescimento de 2010, porque agora o expediente mudou?", disse. Na reunião com Dilma, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, afirmou que o governo "pode manter uma política fiscal ativa [não rigorosa] e ao mesmo tempo reduzir os juros". Hoje, as centrais realizarão atos em frente a sede do Banco Central em Brasília pela redução dos juros. A CUT fará uma manifestação ao meio-dia. As demais, capitaneadas pela Força Sindical, presidida pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), farão uma "sardinhada" às 15h. Acordo de metalúrgicos do ABC é criticado por centrais Arícia Martins Os acordos salariais fechados nesta semana pelos metalúrgicos das montadoras do ABC, Taubaté e São Paulo, e na Renault do Paraná reintroduziram no país uma modalidade que foi testada no começo do novo século e não vingou - os reajustes salariais por períodos longos de tempo. Estimulados pela estabilidade de preços, em 2001, no ABC, montadoras e sindicato celebraram um acordo por dois anos, mas depois voltaram à prática da negociação anual. Longe do ABC, o acordo salarial fechado no domingo pelos metalúrgicos divide a opinião de outros sindicatos da categoria. O acerto que valerá até 2012 garante 5% de aumento real (metade este ano, metade no próximo), além de abono de R$ 2,5 mil. Para sindicalistas não filiados à CUT, a validade de dois anos não é vantajosa para o trabalhador, já que a conjuntura econômica pode mudar muito no longo prazo. Já o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) avalia o acordo prolongado como positivo em um cenário permeado de incertezas com a deterioração das economias internacionais. A divergência está principalmente no aumento real alcançado. Os sindicatos de metalúrgicos de São José dos Campos e Campinas não ficaram satisfeitos com os 5% e afirmam que vão exigir reajustes maiores em suas campanhas salariais. Já a Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo, da Força Sindical, vê com bons olhos o acordo, que poderia trazer perspectivas de um reajuste igual aos cerca de 800 mil metalúrgicos representados pela entidade, que têm data-base em novembro. "Estamos falando de uma negociação que está no topo da cadeia. Usaremos esse acordo como exemplo", diz Marcos Mota, assessor político da federação. Ontem, o acordo do ABC foi superado pelo dos metalúrgicos da Renault, no Paraná, que concedeu aumentos reais de 2,5% este ano, mais 3% em 2012, e 3,5% em 2013, além da reposição da inflação e uma correção da estrutura de salários da

20 empresa que pode conceder até mais 10% reais para os trabalhadores da primeira faixa salarial da montadora. Além desses percentuais reais, o acordo também prevê abonos salariais de R$ 5 mil todos os anos. Sobre a validade de dois anos do acordo fechado pelo ABC, Mota acredita que um acordo anual é mais interessante para o trabalhador em função de mudanças na conjuntura econômica, que, mesmo improváveis, podem acabar ocorrendo. Na opinião dos presidentes dos sindicatos da categoria em Campinas e em São José, o aumento atingido pelo ABC foi insuficiente. "É um acordo rebaixado. Com a inflação alta do jeito que está, eles teriam que lutar por coisa maior", afirma o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região, Vivaldo Moreira Araújo. A campanha salarial do sindicato filiado ao Conlutas pede neste ano reajuste real robusto, de 9,8%, mais a previsão de INPC. Em 2010, o aumento acima da inflação para os 40 mil metalúrgicos da região foi de 4,5%. O sindicato da categoria em Campinas, integrante do Intersindical, exige aumento real de 8,25% aos 60 mil trabalhadores em sua base. Analistas consideraram o aumento conseguido pelos metalúrgicos do ABC, São Carlos e Taubaté robusto (o acordo da Renault foi divulgado posteriormente), o que pode ser tomado como base na negociação de outros setores importantes com data-base próxima. Para Fábio Romão, da LCA Consultores, o percentual é "importante" e sinaliza que a renda dos trabalhadores continuará em alta. Na avaliação do Dieese, o acordo foi positivo, o que não marca necessariamente um paradigma em todas as negociações que ainda vão ocorrer no ano, diz o coordenador de Relações Sindicais da entidade, José Silvestre Prado de Oliveira. "Mas é óbvio que ele terá efeito de sedução em outras categorias", diz. Com nova regras, SP quer elevar em R$ 25 bi os investimentos em PPPs Marta Watanabe O governador Geraldo Alckmin (PSDB) deve assinar hoje um decreto que regulamenta a apresentação de propostas e estudos para projetos de Parcerias Público-Privadas (PPP). O texto do decreto é considerado inovador por especialistas, porque permite ao setor privado apresentar propostas antes que o governo estadual manifeste quais são seus projetos prioritários. A ideia do governo é conseguir ampliar, até o fim do mandato de Alckmin, os investimentos em R$ 25 bilhões por meio de recursos captados via PPP. O vicegovernador Guilherme Afif Domingos (PSD) diz que a regulamentação permitirá ao Estado utilizar melhor o limite ainda disponível para captação via PPP. Atualmente, diz, São Paulo usa apenas 5,8% desse limite. Afif elenca uma série de áreas, consideradas prioritárias pelo governo estadual, como transporte metropolitano, obras de infraestrutura logística e interligação, recursos hídricos e administração penitenciária, além de hospitais e escolas. O governo estadual, diz Afif, espera receber, dentro da nova regulamentação, propostas de forma "ampla, geral e irrestrita". O novo decreto permite que empresas ou pessoas físicas apresentem propostas e estudos de interesse público e que possam dar origem a PPPs. Hoje, as propostas do setor privado são

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