Disciplina: Gerenciamento em Saúde Animal e Saúde Pública VPS 425. A Importância da Diarréia Epidêmica Suína. Grupo: Novembro, 2014

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1 Disciplina: Gerenciamento em Saúde Animal e Saúde Pública VPS 425 A Importância da Diarréia Epidêmica Suína Novembro, 2014 Grupo: Alexandre Nunes Mendes Bruno Bracco Donatelli Carlos Eduardo Cardoso Consentini José Abel Ferraz Ferrarini Pedro Henrique Mota Renan Elias Mesquita

2 Introdução A diarréia epidêmica suína (PED) foi primeiramente reportada no Reino Unido em 1971 e vem se espalhando pela Europa e Ásia desde então. O primeiro caso reportado foi nos EUA em 2013 no estado de Iowa, hoje já foram confirmados a presença do vírus em 27 estados americanos, atingindo 80% da suinocultura americana. Para o Brasil o risco aumentou quando confirmaram animais contaminados na Colômbia e Peru, apesar desses países não apresentarem tanto risco para nós, pois a barreira verde (floresta Amazônica) e a distância dos centros de produção de suínos garantirem um baixo risco de transmissão. Caso a doença chegue no Paraguai ou Bolívia nosso risco aumenta consideravelmente pela proximidade das produções do Mato grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná e por nesta região existir um fronteira seca com esses países. A doença O agente O vírus da PED é um coronavírus, um vírus de RNA cadeia única, envelopado, semelhante ao vírus da gastroenterite transmissível (TGE), que é um importante diagnóstico diferencial. Patogenia e sinais clínicos O PEDv causa lesões severas nas vilosidades intestinais, causando anorexia, diarreia severa, aquosa e amarelada em leitões, vômito e desidratação chegando a uma mortalidade de 80% na maternidade, já em animais adultos raramente a doença leva a morte. Epidemiologia A transmissão do PEDv é principalmente oral-fecal, podendo também se transmitir através de fômites contaminados contaminados. O período de incubação é de 4-5 dias e não foi descrito nenhum vetor ou reservatório importante. O vírus é espécie-específico, não tendo importância para outros animais ou seres humanos. As maiores perdas econômicas se dão diretamente da morte dos suínos (principalmente leitões na fase de maternidade) e indiretamente através de vacinação e biosseguridade, até hoje não se encontrou nenhum tratamento eficaz além de controlar as infecções secundárias. O diagnóstico se da através do histórico, ou seja, de um aparecimento súbito de diarréia associado a uma alta mortalidade, e confirmado por PCR, no campo tem-se a possibilidade de realizar um teste sorológico rápido por ELISA.

3 A situação nos EUA Primeiramente o APHIS (Animal and Plant Health Inspection Service) montou uma força tarefa junto com o FDA (food and drug administration) e outras importantes associações como AASV (American Association of Swine Veterinarians), NPPC (National Pork Producers Council), NPB (National Pork Board), VDLs (Veterinary Diagnosyic Laboratories) e SAHOs (State Animal Health Officials), com o intuito de investigar o vírus, identificar e traçar os fatores de risco da transmissão da doença e manter os produtores informados. O grupo vem coletando informações epidemiológicas sobre o PEDv a fim de determinar como a doença chegou no país e como ela se dissemina, avaliar estratégias para o controle e eliminação do vírus e avaliar opções para um plano de vigilância Até agora o grupo conseguiu: Estabelecer o protocolo de teste de diagnóstico ( PCR ) Sequenciar o vírus e depositar a informação no GenBank Armazenar espécimes do vírus para futuros desenvolvimentos de testes diagnósticos Criou uma rede de laboratórios de saúde animal, que publica semanalmente os resultados positivos no site da AASV Produziu diversos meios de divulgação sobre a doença, incluindo notas técnicas, documentos etiológicos e ecológicos e outros pontos importantes. O que ainda se busca: Avaliar teste de diagnósticos comerciais ( ELISA, até agora nenhum atendeu os requerimentos) Validar um anti-anticorpo de fluorescência indireta, para detecção de anticorpo Desenvolver um teste de soroneutralização/vírus neutralização (SN/VN test) A doença agora é de notificação obrigatória associada com um numero de PIN, requerendo junto um rastreamento dos movimentos do animal, veículos e outros equipamentos que sairem das instalações infectadas. Para identificar uma potencial movimentação do vírus, os protocolos de movimentação segura,

4 desenvolvidos com a indústria, como lavagem dos veículos, desinfecção e outras normas de biossegurança, servem para diminuir a transmissão do vírus, As consequências para os EUA A alta mortalidade causada na maternidade e creche causada pela PED representa a maior perda econômica na produção acometida pela doença, mas não podemos esquecer os custos com vacinação, biossegurança e outros aumentos nos custos de produção. Surtos da doença se tornarão menos frequentes com o tempo, mas o custo da produção aumenta quando a doença se dissemina pelo país. Em 2011 os EUA produziu milhões de porcos, contabilizando 10.4 bilhões de quilos de carne suína (The American Meat Institute), sendo o segundo maior segmento de produção de carne dos EUA, as consequências econômicas negativas que se sucederam apos a descoberta da PED nos EUA, estão muito cedo para serem estimadas, porém não se pode descartar sua importância. Qual a importância para o Brasil Em 2013, o Brasil exportou 600 milhões de toneladas de carne suína e produtos relacionados (USDA/ABIPECS), com a entrada da PED no Brasil, aumentaria a perda com mortalidade e queda de desenvolvimento, além do aumento dos gastos com vacinação, biosseguridade, controle, entre outros Mais importante ainda, seria uma possível proibição na exportação por parte de países livres da doença como a Rússia, um dos maiores importadores de carne suína do Brasil. O que o Brasil faz para se proteger Com a identificação da PED em países ligados à nossa produção, o MAPA, juntamente com a Embrapa, a indústria, produtores e laboratórios, formou um comitê para elaborar um plano de ação e sugestões de medidas de biossegurança para a produção brasileira. A pesquisadora Janice Zanella é uma das responsáveis pelo comitê e explica que a intenção é a de elaborar um documento com informações sobre as principais medidas de biossegurança para produtores e técnicos. O MAPA está em estado de alerta para a doença, buscando informações atualizadas sobre a doença e atuando em conjunto com o setor privado para discutir e implementar as melhores ações para prevenir a entrada da PED. Já foram adotadas medidas para reforçar a prevenção da introdução da enfermidade no país, dentre as quais estão:

5 Todas as importações de suínos vivos, das quais nossa indústria é dependente para melhoramento genético, somente serão autorizadas pelo DSA/SDA/MAPA, que analisará caso a caso; os animais devem ser originados de estabelecimentos certificados pelo serviço veterinário do país exportador da ausência da doença nos últimos 12 meses e deverão cumprir quarentena na origem e também no Brasil por no mínimo 30 dias nas novas instalações da estação quarentenária de Cananéia sob permanente supervisão do serviço veterinário oficial, antes de serem transportados para fazendas no Brasil. Em relação à importação de sêmen suíno, somente serão emitidas autorizações de importação pelo DSA/SDA/MAPA, que analisará caso a caso. Os sêmens deverão ser oriundos de centros de coleta credenciados pelo serviço veterinário oficial do país exportador e que não registraram ocorrências da doença nos últimos 12 meses. Com relação ao plasma suíno para ração animal, somente serão autorizadas importações pela SDA/MAPA e que sejam oriundas de estabelecimentos registrados pelo serviço veterinário oficial do país de origem; com certificação sanitária oficial quanto aos rigorosos requisitos estabelecidos pelas autoridades brasileiras para importação. Também serão realizadas missões de fiscais federais agropecuários aos estabelecimentos exportadores do insumo para averiguar "in loco" o cumprimento dos requisitos sanitários. Bibliografia ABIPECS. Mercado Interno da Carne Suína. Disponível em: Acesso em: 29/10/2014. MAPA.Brasil atua na prevenção da Diarréia Epidêmica de Suínos. Disponível em: Acesso em: 29/10/2014. USDA. Porcine Epidemic Diarrhea Virus. Disponível em: Acesso em: 25/10/2014. USDA. Porcine Epidemic Diarrhea(PED). Disponível em: Acesso em: 25/10/2014.

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