Leituras. Consertar para Oferecer. Pequenos Gestos, Grandes Causas. Março 2012 #41

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1 Março 2012 #41 Leituras E S C O L A P R O F I S S I O N A L C I O R Consertar para Oferecer Pequenos Gestos, Grandes Causas

2 SUMÁRIO Leituras E S C O L A P R O F I S S I O N A L C I O R Março 2012 #41 FICHA TÉCNICA Parceria Solidária e Amiga do Ambiente P. 05 Estágios no Estrangeiro 04 Linhas Mestras 05 Em Foco TÍTULO Leituras CIOR PROPRIEDADE Arte Africana Semana Cultural CIOR Recebe D. Manuel Linda P. 09 P. 16 P. 20 P. 14 P. 19 P. 06 Organização das Emergências Mini-PAP s de Energias Renováveis Tendências da Energia Fotovoltaica P Livre-Trânsito 34 Saberes Descobertos 36 Daily English 40 InternaCIORizando 41 Entretanto Sabias Que 41 Bem Escrever 41 Máquina do Tempo 42 Raiz Quadrada 42 Cartoons 42 Cooperativa de Ensino de Vila Nova de Famalicão, C.R.L. (Escola Profissional CIOR) DIRECTORA Carla Oliveira RECOLHA DE INFORMAÇÃO / IMAGEM / FOTOGRAFIA Arcélio Sampaio Cristina Ferreira REVISÃO DE PROVAS Andreia Araújo Carla Susana Azevedo Joaquim Meneses DESIGN GRÁFICO E PAGINAÇÃO Pedro Veloso DATA DE PUBLICAÇÃO Março de 2012 NÚMERO 41 Testemunhos de Ex-Alunos Curiosidades P. 33 P. 28 Corrida Amigável de Kartcross P. 31 Anedotas Check-List Entre Capas 44 Banda Larga 44 Última Fila 45 PERIODICIDADE Quadrimestral TIRAGEM 1300 Exemplares INÍCIO DE PUBLICAÇÃO 1998 DISTRIBUIÇÃO Gratuita E o Óscar Vai Para... P. 45 Novas Oportunidades Que Futuro? P. 35 Hot Point Em Alta/Em Baixa 50 ADN MORADA Rua Amélia Rey Colaço, 106 Apartado V. N. de Famalicão GPS: lat: lon: Tel: Fax: (In)Confidências 50 DEPÓSITO LEGAL /09 Bilhete de Identidade 51 [ 2 ]

3 Editorial Ensinaram-nos a falar, a andar, a atravessar a rua. Sabemos ler, escrever, contar. Inventaram a televisão, o frigorífico, o motor, o fogo, a internet Hoje, a medicina, a cirurgia, a ciência fazem milagres e melhoram a nossa qualidade de vida. A esperança de vida é maior do que há cinquenta anos. O ser humano foi, paulatinamente, contornando os obstáculos, arranjando soluções para os problemas, foi criando, inventado, descobrindo, dominando. Aprendemos os nomes das ferramentas, a diagnosticar problemas, a propor soluções, a reparar o mal. Cada escola, cada oficina, cada fábrica, cada laboratório ensina, constrói, inventa, cria. E assim nos vamos perpetuando, recebendo, acrescentando, transmitindo, empurrando conhecimento, arte, ciência, técnica, a compreensão e domínio da realidade. E assim se faz (e tantas vezes se desfaz, se destrói!) a humanidade. Esta passagem de testemunhos dá-se em diferentes contextos, com diferentes atores. Primeiro a família, depois a escola, os amigos, os professores, os técnicos, os chefes, os mestres. Nesta escola, também investimos na formação de cidadãos solidários. Para isso, atualmente, estamos a receber e a consertar eletrodomésticos, graciosamente, para depois serem entregues a famílias carenciados do nosso concelho. Na capa deste Leituras, destacamos esta atividade à qual nos entregamos com o nosso saber fazer e com o nosso ser solidário. Pequenos gestos, grandes causas. Quer em Portugal quer no estrangeiro, este ano em Itália, Alemanha, Espanha e Áustria, a CIOR tem encontrado excelentes parcerias (oficinas, associações, creches, Jardins, escolas, fábricas ) que permitem aos jovens terem formação em contexto de trabalho, e assim adquirirem novas competências. Deparam-se-lhes novos desafios: contacto com outra realidade, com o mundo empresarial, relacionamento com os outros colaboradores, a interiorização de novas regras específicas de cada organização. E se aplaudimos o acolhimento por parte das empresas, felicitamos também a dedicação e profissionalismo de todos os tutores que diariamente acompanham os nossos alunos. A estes, estudantes e aprendizes, exige-se disponibilidade, curiosidade, humildade e muita vontade de saber, de aprender. O contacto com novas organizações de trabalho, novas culturas, nova língua, novos padrões culturais, devem constituir momentos de uma aprendizagem variada e, ao mesmo tempo, momentos de gratidão, não só para quem se disponibilizou a receber, como também deitou pés ao caminho na procura de diferentes locais de estágio. É aqui que cabe a palavra gratidão, palavra pouco usada e bastante banida do dia a dia. E os alunos devem exatamente estar agradecidos: à direção e ao corpo docente que procuraram e lhes proporcionaram estas oportunidades; às entidades acolhedoras que disponibilizam as suas instalações, equipamentos, recursos humanos; aos tutores pela abnegação e competência; e finalmente, aos professores acompanhantes pela proximidade na sua formação. Perante estas condições, a responsabilidade dos alunos aumenta e falhar é menos tolerado. Aproveitem! CR SIdIC Foi implementado um novo sistema de identificação na nossa escola, o Sistema de Identificação Interno da CIOR. Pretende-se proporcionar algum controlo de acesso à nossa escola. Agora, quem não tiver TAG, não entra A segurança é um bem essencial! Continua a renovação da CIOR Mais e mais paredes pintadas, mais e mais apelativa fica a nossa escola. De trincha em punho, o Sr. Carneiro está imparável. Para além das pinturas, vão sendo feitas pequenas obras de melhoria e manutenção da escola, de forma a termos mais e melhores condições. Estamos consigo! Parlamento dos Jovens À semelhança dos anos anteriores, a nossa escola inscreveuse no programa do Parlamento dos Jovens, uma iniciativa da Assembleia da República. Força deputados da CIOR! Antecâmara Estágios Alemanha e Áustria Neste momento, e até ao dia 23 de março, dez alunos realizam a sua formação em contexto real de trabalho em Liepzig, Alemanha, e cinco alunos em Viena, Áustria. A avaliar pelas fotos, filmes e comentários no facebook, bem como pelas notícias que vamos recebendo por e telefone, estão a viver uma das melhores etapas das suas vidas. Ficamos felizes com a vossa felicidade CNO da CIOR de pedra e cal A rede de Centros Novas Oportunidades da região ficou reduzida a quatro centros, uma vez que duas candidaturas não obtiveram aprovação: a ADRAVE e a Escola Secundária Camilo Castelo Branco. Por seu turno O CITEVE decidiu não apresentar candidatura. Vamos manter o nosso excelente trabalho! Vida Nova para os monstros No âmbito do projeto Energia com Vida, a nossa escola associou-se à Câmara Municipal de Famalicão, no sentido de dar nova vida a eletrodomésticos avariados. De uma forma geral, estes monstros são recolhidos, a CIOR conserta-os para serem doados a famílias desfavorecidas. O projeto visa dar a oportunidade de agir com sentido, em função de valores, objetivos e metas humanitárias. Foi-nos lançado o desafio e nós agimos! estagiar na CIOR Muitas são as caras A que recebemos nas nossas instalações. A Elisabete Mesquita é uma delas. Na qualidade de estagiária irá, certamente, ser uma maisvalia para os serviços administrativos da nossa escola. Também ela adquirirá competência connosco, uma parceria que beneficia todos! Bem-vinda CR [ 3 ]

4 LINHAS MESTRAS [ 4 ] Reformas Educativas Sempre que ouvimos anunciar novos modelos, novos programas, novos estatutos dos alunos; novos modelos de avaliação, de gestão; reformas, contenção e otimização de recursos, enfim de novas políticas, ficamos timoratos e receosos. Nos últimos anos, o discurso de quem pode e manda, ao leme dos assuntos da formação e da educação, e não obstante algumas medidas meritórias e uma ou outra ação benfazeja, soa a incerteza e perturba aprioristicamente o êxito de novas políticas educativas. Sempre que ouvimos anunciar novos modelos, novos programas, novos estatutos dos alunos; novos modelos de avaliação, de gestão; reformas, contenção e otimização de recursos, enfim de novas políticas, ficamos timoratos e receosos. Como se pode pedir a um pasteleiro que faça melhor, com menos? Subtraindo 100 gramas à farinha, e, em vez de seis ovos de galinha gorda e farta, coloque, na massa, três amostras de ovo de delgado e famélico galináceo? Seguidamente, num passo mágico de retórica, e invocando-se a criatividade, o empreendedorismo, a proficiência, a eficácia, a ideia gerada na incubadora, o marketing arrojado, transformamos um simpático pudim flan, num apetecível abade de priscos! Nos últimos onze anos, e a contar já com este, tivemos oito ministros da educação e não sabemos quantos secretários de estado, não imaginamos quantos diretores regionais e técnicos, e fazedores de programas, e de modalidades de formação, e de desenhos curriculares, e de elaboração de estudo; políticas educativas entusiastas e massificadas, criação e expansão de centros de formação, incremento da formação inicial, contínua, profissional Dos últimos anos, fomos recentemente informados, pelo estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), Equidade e Qualidade em Educação, de que mais de metade dos portugueses com idades entre os AD. & J.P 25 e os 34 anos não completaram o ensino secundário; e no universo das pessoas entre os 25 os 64 anos, somos líderes, pela negativa, visto que 70 % da população não completou o 12º ano. Portugal está no grupo de países com maiores desigualdades, em termos de rendimento disponível das famílias; a taxa de desemprego atingiu recentemente novos máximos; os nossos licenciados têm que emigrar; há cada vez mais alunos a desistirem, sobretudo por dificuldades económicas: não têm dinheiro para o passe, para a refeição, para a visita de estudo Entretanto, lê-se na imprensa que a revisão curricular proposta pelo governo não foi feita a olhar para o orçamento mas para conseguir um melhor ensino, reduzindo-se a carga horária em vários anos; que fecharam (ão) centros novas oportunidades, que vão ser otimizados os Neste período de transição, importa que o governo adote políticas assertivas, estruturantes que permitam o desenvolvimento de um ensino sério, exigente e credível, de que todos nos orgulhemos agora e para sempre. recursos humanos e físicos, que vêm aí os mega- -agrupamentos, que vão fechar cursos profissionais, que são reduzidos os subsídios e o financiamento, por curso, nos cursos profissionais, como resultado da desistência de alunos Sabemos que a formação inicial e ao longo da vida são fundamentais para o desenvolvimento económico, social e cultural de um povo, para o progresso de um país. O ensino profissional tem sido um modelo de sucesso (replicado no ensino público, ainda pouco consistente), que, entre muitos outros pressupostos, corresponde às expetativas dos alunos que privilegiam um plano curricular equilibrado, incidindo na componente prática, e assente num sistema modular. Um ensino que responde às necessidades do tecido económico e social local e regional, com parceiros nacionais e estrangeiros, e em que os alunos desenvolvem a formação em contexto real de trabalho e se preparam para o mundo do trabalho, nas próprias empresas. Neste período de transição, importa que o governo adote políticas assertivas, estruturantes que permitam o desenvolvimento de um ensino sério, exigente e credível, de que todos nos orgulhemos agora e para sempre. Sabemos, da nossa experiência, que a melhor forma de ensinar é pelo exemplo, e que este, o exemplo, vem de cima!

5 EM FOCO Parceria Solidária e Amiga do Ambiente Entre a nossa Escola e o Município de V.N. de Famalicão está a ser ultimado um protocolo, no sentido da promoção e cooperação operacional, educacional e de solidariedade. Em linhas gerais através deste protocolo, será promovida e executada uma Campanha de Recolha de Monstros Hospital de Monstros traduzida na reparação de aparelhos elétricos e eletrónicos passiveis de serem reparados, numa lógica de custo/benefício. Após a recuperação dos aparelhos, feita pelos alunos dos cursos específicos da CIOR, num contexto de aprendizagem prática e oficinal, os aparelhos reparados serão entregues a famílias carenciadas do município. Este protocolo tem a duração de um ano e demonstra, para além de uma parceria institucional amiga do ambiente, o aproveitamento dos recursos técnicos e humanos de uma escola, aliados à causa da solidariedade. A turma EL18 está com as mangas arregaçadas neste projeto. Em simultâneo, este ano, pela primeira vez, a CIOR concorreu ao projeto Energia com Vida, cujos objetivos e linhas de ação são semelhantes. Estes projetos são muito vantajosos, porque os alunos aprendem praticando; cuidamos do ambiente e melhoramos a qualidade de vida das famílias a quem são entregues os eletrodomésticos recuperados, e assim também se educa para a cidadania. A CIOR recebe eletrodomésticos para reparar, por isso, caso tenha algum avariado e esquecido, lá por casa, traga-o. Ele irá servir para alguém. Pequenos gestos, grandes causas. Tiago Sousa, EL18 [ 5 ]

6 Em Foco Berufspraktikum in Österreich (Estágio na Áustria) Cinco alunos do curso Técnico de Eletrónica Automação e Comando, EL17, estão em Viena, na Áustria, a realizar a sua formação em contexto real de trabalho. Viena, capital da Áustria, é grande e linda! Em cada esquina da cidade, encontramos monumentos grandiosos cheios de história. Esta cidade é muito bem organizada. Nós utilizamos os transportes públicos todos os dias e pudemos confirmar essa organização: há elétricos e metro praticamente de minuto a minuto e, por vezes, com diferença de segundos. As pessoas aqui são um pouco mais frias e distantes. Em Portugal estamos habituados a pessoas calorosas e simpáticas, sempre prontas a ajudar. Notamos esta diferença todos os dias no atendimento ao balcão, por exemplo, nos cafés, supermercados e outros. No trânsito, quando alguém falha um pisca ouve-se logo buzinadelas. Podemos afirmar com certeza que o povo Português é um povo que, por defeito, fala alto (e nós confirmamos isso) porque já não é a primeira vez que estamos no McDonald s e só se ouviam os portugueses, grupos assim como nós. Sobre o trabalho que realizamos nos locais de estágio, deixamos aqui os nossos testemunhos: Pedro Osório: O meu estágio é sobre processamento de imagens no Photoshop. Basicamente reconstruo livros antigos. Apesar de este estágio ser uma vertente diferente daquela que eu estava à espera, está a ser uma experiência inovadora e interessante. Armando e Rúben Gil: O nosso estágio engloba vários tipos de trabalhos, desde produção, a testes e a programação. Nós trabalhamos mais com a parte de programação e está a ser uma experiência excitante para nós, tanto a nível cultural como a nível de trabalho. Luís Meireles e Fábio Fonseca: No nosso estágio, fundamentalmente, fazemos edição de fotografias e outros trabalhos, em particular no Microsoft Excel. Trabalhamos a partir de casa, mas também nos esforçamos como os outros nossos colegas, que têm que se deslocar para as empresas. Armando, Fábio, Luís Meireles, Pedro Osório e Rúben Gil, EL17 [ 6 ]

7 Berufspraktikum in Deutschland (Estágio na Alemanha) Estamos em Leipzig, Alemanha, no âmbito do projeto de mobilidade europeia/estágios intitulado Go For IT - Get Opportunities for Initial Training in Europe. Chegamos no dia 1 de fevereiro e só regressaremos a 23 de março. Temos vivido uma experiência fantástica! O acolhimento foi bastante agradável (alojamento, ambiente, setores de trabalho, etc). Estão a ser, até agora, muito produtivos os estágios e temos passeado muito ao fim de semana. Surgiu a oportunidade, proporcionada pela Vitalis GmbH (entidade intermediária e que nos dá apoio aqui na Alemanha) de visitarmos Berlim, durante o fim de semana. Berlim, capital da Alemanha, fica a aproximadamente 200 km de Leipzig, cidade onde estamos alojados. Foi extraordinário, aproveitámos ao máximo e tivemos momentos muito marcantes. Visitámos monumentos em honra dos judeus, partes do muro de Berlim, construções modernas (posteriores ao ano 2000), outras mais antigas (do tempo da 2ª guerra mundial) onde ainda eram visíveis as marcas das balas, fomos à Mercedes Benz (visita que todos gostamos muito), enfim, percorremos os locais fundamentais de Berlim, em 2 dias, e com direito a guia. Em casa tem corrido tudo bem: temo-nos organizado quer na preparação das refeições quer nas limpezas das diferentes partes da casa. De salientar que todos sentimos mais responsabilidades em cumprir com as nossas obrigações e em tomar conta dos nossos colegas. Vamos às compras ao supermercado, pomos a nossa roupa a lavar, depois a secar e até passamos a ferro, confecionamos as refeições e, claro, redigimos sempre os relatórios do nosso estágio. O trabalho realizado nos locais de estágio superou as nossas espectativas. Não podia ser melhor, temos o privilégio de partilhar conhecimentos com o nosso tutor de estágio, isto é, as atividades não são do tipo eu mando e tu fazes, há mesmo partilha de igual para igual. Temos oportunidade de demonstrar o que sabemos fazer na prática. O nosso horário é bastante folgado comparado com o dos nossos colegas do curso de Mecatrónica Automóvel MA1, trabalhamos menos 2h, tivemos sorte! O nosso tutor de estágio procura sempre explicar-nos, da melhor maneira, os trabalhos a efetuar e isso é de louvar, porque é preciso ter alguma paciência. Tudo é explicado em inglês e nem sempre entendemos à primeira! Tem sido uma experiência inesquecível e que vai contribuir, em muito, para o nosso sucesso profissional e pessoal! Gostaríamos de agradecer à Escola Profissional CIOR e à Vitalis GmbH por esta oportunidade que premeia os alunos que mais se esforçam, desde o início do curso. Também agradecemos a todos os professores da CIOR que nos prepararam muito bem para esta aventura. Por fim, agradecemos aos nossos encarregados de educação por todo o esforço que fizeram para estarmos aqui. Até breve! Eduardo, Hélder, José Américo, Luís Moreira e Samuel, IE12 [ 7 ]

8 Em Foco Tirocino in Italia (Estágio em Itália) Arrivederci Italia, Ciao Portogallo Uma importante etapa das nossas vidas chegou ao fim. Agradecemos à escola a oportunidade única que nos proporcionou. Além da possibilidade de conhecer uma cidade histórica, pudemos também assimilar uma nova cultura, aprendendo diferentes costumes e adquirindo novos conhecimentos. Aliado a isto, está a fantástica gastronomia: uma enorme variedade de massas, a tão conceituada pizza e outras iguarias, tudo nos surpreendeu de forma positiva. Falando agora do principal objetivo da viagem a Itália, a Formação em Contexto de Trabalho, (porque isto não foi uma vida boémia, fomos também para trabalhar!) a opinião de todos foi a melhor possível. Correu tudo pelo melhor e adorámos o trabalho que fizemos. De certa forma, é impossível transmitir por palavras todo o nosso agrado e satisfação, após a passagem por esta experiência. Neste sentido, gostávamos de agradecer, mais uma vez, a todas as entidades envolvidas neste processo, em especial a esta instituição de ensino que nos recompensou pelo esforço exercido, durante estes quase três anos. Esta é a prova de que realmente A CIOR ALIADA AO TRABALHO COMPENSA! Grazie mille per tutto. Adriana, Helena Pontes, Rita, Rui, Sara e Tiago, ASC 8 [ 8 ]

9 José Flores Henrique Arte Africana A Minha História José flores é o meu nome, sou oriundo de África mais concretamente da terra das lindas praias em Moçambique, estou cá a estudar graças às relações bilaterais entre Portugal e África. Em África, frequentei o nível básico de instalações elétricas e cá estou a frequentar o curso profissional de Energias Renováveis (nível IV). Estar longe da família está a ser uma experiência nova. Não foi difícil de me adaptar aos novos colegas da escola, uma vez que em África tive uma disciplina cujo nome era Área Integral. Nela aprendi a adaptar-me a novas pessoas e como comportar- -me com elas portanto, as dinâmicas com os colegas estão a correr bem. Gosto de estar em Portugal, mas também tenho saudade de África! Durante os meus tempos livres ocupo-me em diversas atividades extra escolares: faço voluntariado na comunidade, participo em formações para jovens no meu concelho, participo em concursos relacionados com o meu curso, representando a minha escola, participo em concursos de artes plásticas e pinto telas nos tempos livres. Gosto tanto de pintar! Quando não pinto não me sinto bem. Participei no concurso FAMARTE 2012 onde expus três obras, pintadas nos tempos livres, e consegui conquistar o quarto lugar neste concurso. Em fevereiro, fiz a minha primeira exposição individual, no Museu Soledade Malvar, composta por 10 obras. O gosto de desenhar e de pintar surgiu muito cedo, aos 7 anos. Na primária, já fazia desenhos e até fabricava as minhas tintas com as flores das acácias e com folhas de diferentes plantas. Com essas tintas pintava os desenhos feitos em papel. Depois comecei a pintar t-shirts, em seguida fiz pinturas em muralhas e mais tarde em telas. Tenho de salientar o gosto que tenho pela CIOR, é uma boa Escola! Não podemos ver a CIOR de fora, só quem a conhece por dentro consegue saber como é verdadeiramente a CIOR! A arte africana tem vários cheiros, várias cores dispersas e unidas A cor fala, canta, os traços transmitem factos do quotidiano da sociedade, é ela que unifica os planos. Na pintura que faço a forma humana é, muitas vezes, representada com distorções, com corpos alongados ou proporções exageradas. Esta aparência deliberada é refletida como um todo, belo e adorado, para criar uma nova ordem de Sobre a Pintura expressão artística e sentimento do que deve ser o mundo da arte. Quem gosta da natureza gosta da arte, porque arte é a cópia da natureza. O pincel, as tintas, a paleta e a natureza são os alimentos que enchem o estado de espírito do artista, deixando-o satisfeito. Para ele, nada mais que transmitir as vivências da sociedade. José Flores, ER5 [ 9 ]

10 Em Foco Ainda Ecos do Natal A CIOR espalhou Natal - dia de ser bom. Na última semana de aulas, crianças, jovens e idosos, de diferentes instituições do concelho, assistiram a espetáculos levados à cena pela turma de Animação Sociocultural, ASC9, com o apoio da turma ASC10. O ginásio da escola foi o palco e, por ele, foram desfilando músicas, dramatizações, acrobacias, humor, muito humor. Momentos alegres, felizes que tornaram a vida dos presentes mais risonha, mais leve. E se uns vieram até à escola, outros foram presenteados com a visita de uma vasta equipa de alunos da turma ASC 10 que levaram mensagens de Boas Festas a diferentes instituições: escolas, associações, empresas, câmara municipal, jornais... E para a onda natalícia ficar completa, professores e funcionários trocaram entre si sentimentos de Natal, com um convívio/jantar, criando uma teia de solidariedade, de fraternidade, de paz... CR [ 10 ]

11 Fevereiro Fevereiro - mês dos namorados e do carnaval. Assinalámos as datas com elaboração de máscaras de carnaval e muitos corações, do tamanho do mundo. Alunos e professores, com o espírito amoroso e divertido, entregaram-se a estas datas. Máscaras e Corações decoraram a biblioteca para que todos pudessem partilhar os sentimentos. O Correio do Amor visitou a escola e diz-se que houve corações partidos Mas por pouco tempo, já que logo de seguida, no carnaval reanimaram. CR No âmbito da disciplina de POF, procedemos à montagem de quadros elétricos. Foi um projeto que consideramos muito proveitoso porque nos permitiu aplicar de forma direta as competências adquiridas ao longo do módulo seis. Os objetivos foram, sem dúvida, superados e acreditamos que são estas atividades que nos motivam a fazer mais e melhor e nos preparam para o ingresso no mundo do trabalho. Competências Adquiridas ER5 [ 11 ]

12 Em Foco Estágio na CIOR Eu sou a Isabel Maria Gomes Mesquita, natural de V.N. de Famalicão, residente no mesmo concelho e encontro-me a realizar um estágio de 210 horas, na Escola Profissional CIOR, no âmbito da minha formação em contexto de trabalho. Este estágio refere-se à finalização do meu curso Técnico de Apoio à Gestão, nível IV, administrado pelo IEFP de Braga, em V.N. de Famalicão. O curso teve início em 15 de março de 2011 e termina em 30 de março de 2012, com um total de 1450 horas e destina-se a pessoas desempregadas, com o 12º ano de escolaridade, com experiência profissional em gestão e administração. Uma vez que a CIOR é uma entidade que facilita e integra estágios deste carácter, entendi ser um local adequado ao meu estágio, uma vez que certamente me iria permitir adquirir conhecimentos numa dinâmica diferente ao que estava habituada, dado que toda a minha atividade profissional, ao longo de 18 anos, se centrou na indústria. Como considero que todas as experiências profissionais são válidas e quanto mais diversificadas forem melhor, penso que fiz uma escolha acertada. O estágio está a desenvolver-se nos departamentos da Qualidade e Formação ao lado da Dra. Nilza Jardim e centra-se na organização de processos técnicos pedagógicos de formações e revisão de procedimentos da qualidade, passando ainda pela biblioteca e recursos humanos. Considero a CIOR uma Escola organizada, dotada de meios técnicos e humanos excelentes, com pessoas muito simpáticas, que me acolheram de uma forma muito humana e profissional. Penso que de uma forma geral, estes conhecimentos práticos que a CIOR me está a proporcionar, servirão essencialmente para melhorar e atualizar as minhas competências profissionais, que certamente ser-me- -ão muito úteis no futuro a nível profissional. Isabel Mesquita, formanda estagiária FCT À semelhança dos anos anteriores, a nossa escola inscreveu-se no programa do Parlamento dos Jovens, uma iniciativa da Assembleia da República. Assim, no dia 18 de janeiro, em Assembleia Escolar, os alunos debateram e refletiram sobre um conjunto de medidas relativas ao tema proposto: Redes Sociais: Participação e Cidadania. Foi determinado o Projeto de Recomendação que representou a Escola na Sessão Distrital, realizada a 13 de março, e foram eleitos os seguintes deputados: Carlos Rodrigues (MA2) Tiago Sousa (EL18) Foi eleito como deputado suplente o aluno: Álvaro Silva (MA2) Segue-se o Projeto de Recomendação da CIOR: As competências de informação e comunicação constituem-se como ferramentas ao longo da vida, como tal, a literacia informática deve estar presentes de uma forma transversal e ligada a necessidades e resolução de problemas da vida real. Consideramos que se forem implementadas ações de formação sobre as redes sociais junto das populações mais desfavorecidas, bem como integrar no currículo formativo dos jovens alunos, poderemos contribuir, de forma gradual, para a utilização desta preciosa ferramenta no exercício da cidadania. Medida 1: Que seja criado um projeto com ações de sensibilização sobre as redes sociais, a ser implementado pelas autarquias, destinado a pessoas com baixa literacia informática. Medida 2: Que seja incluído o tema das redes sociais no currículo da disciplina de TIC. Carla Saldanha, professora Carlos Tiago Álvaro [ 12 ]

13 CIOR Inventiva Projetos em Curso em Energias Renováveis Prémio FIP A nossa escola teve a ousadia de se candidatar ao prémio FIP, promovido pela Fundação Ilídio Pinho, com dois projetos: Primeiro projeto: O Sol como fonte de energia para a rega de campos agrícolas Face à atual situação de Portugal e às contingências resultantes da crise financeira global, importa otimizar os nossos recursos numa perspetiva de redução dos custos de produção dos bens de consumo prioritários. A mudança de política, com o convite ao regresso à agricultura, reforça a convicção de que a utilização do Sol como fonte de energia primária será uma aposta ganha. O atual projeto envolve o estudo e a conceção de um sistema de rega, gota a gota, através de uma bomba elétrica alimentada por painéis fotovoltaicos. O funcionamento da bomba ocorrerá nos períodos de maior insolação e a água proveniente da bombagem será armazenada num tanque a uma cota superior. A rega deverá ser feita, por gravidade, durante os períodos mais convenientes. Numa primeira fase o sistema será ajustado para a rega de produtos hortícolas. O sistema terá claras vantagens nos casos em que o ramal para o fornecimento de energia elétrica fique dispendioso, sem esquecer que os custos imputados à rega dependerão unicamente dos custos de investimento do sistema que, pela sua simplicidade, será rapidamente amortizado. O projeto envolve a construção de um modelo funcional a escala reduzida que servirá para efetuar testes de funcionamento e posterior extrapolação dos dados para um modelo real. Dada a imediata aplicação do sistema a casos reais, serão estabelecidas parcerias com empresas interessadas na sua comercialização. Todas as peças e acessórios necessários à construção do modelo serão elaborados na escola, utilizando materiais convencionais, salvo os equipamentos/materiais elétricos e de comando que serão adquiridos no mercado. O projeto envolverá alunos do 11º e do 12º anos e funcionará como extensão aos programas curriculares com um cariz eminentemente prático, permitindo que os alunos sejam envolvidos num trabalho propiciador de novas experiências que demonstrem a aplicabilidade a situações reais dos conceitos e ferramentas ministrados em sala de aula. Deste modo pretende-se que os alunos apreciem e valorizem o conhecimento e o método científico nas suas actividades futuras. O modelo funcional envolverá a construção mecânica das peças essenciais ao seu funcionamento e incorporará equipamentos de fácil aquisição, no mercado, como a bomba elétrica e o seu controlador de nível de água, bem como o painel fotovoltaico. O dimensionamento ocorrerá em contexto de sala de aula teórica e os ensaios experimentais em laboratório de eletricidade. A montagem deverá ser seguida e monitorizada de molde a permitir tirar conclusões sobre a viabilidade do projeto. Entre outros prevê-se elaborar diagramas de irradiação solar do local, registo das horas de insolação e da disponibilidade energética diária com recurso a equipamento de registo específico. A partir destes dados será possível estimar a capacidade de bombagem média diária. Segundo projeto: Navegar ao Sol Consiste num estudo e conceção de um barco amigo do ambiente movido a energia fotovoltaica, com motor elétrico, e portanto silencioso, adequado ao transporte de passageiros em viagens de lazer que gostem de usufruir do contacto com a natureza, em lagoas ou albufeiras pertencentes a áreas protegidas. Pretende-se captar o interesse de autarquias na vizinhança dessas zonas e de operadores turísticos por forma a que os passeios náuticos interfiram o menos possível com o ambiente das referidas áreas e em total compatibilidade com a vida animal que as carateriza. O projeto envolve a construção de um modelo funcional a escala reduzida que servirá para efetuar testes de funcionamento e posterior extrapolação dos dados para um modelo real. Poderão ainda vir a ser estabelecidas parcerias com empresas interessadas na sua comercialização. O projeto envolverá alunos dos 10º, 11º e do 12º anos e funcionará como extensão aos programas curriculares, com um cariz eminentemente prático, permitindo que os alunos sejam envolvidos num trabalho propiciador de novas experiências que demonstrem a aplicabilidade a situações reais dos conceitos e ferramentas ministrados em sala de aula. Deste modo, pretende-se, também, que os alunos apreciem e valorizem o conhecimento e o método científico nas suas atividades futuras. O modelo funcional envolverá a construção mecânica das peças essenciais ao seu [ 13 ]

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