PREVALÊNCIA DE MULHERES QUE REALIZARAM MAMOGRAFIA EM TRÊS UNIDADES DE SAÚDE DECRUZ ALTA - RS

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1 PREVALÊNCIA DE MULHERES QUE REALIZARAM MAMOGRAFIA EM TRÊS UNIDADES DE SAÚDE DECRUZ ALTA - RS CERBARO, Kamila 1 ; ROSA, Jéssica 2 ; CARVALHO, Lidiane 3 ; HANSEN, Dinara 4 ; COSER, Janaina 5 Palavras-Chave: Mulheres. Câncer de mama. Mamografia. Introdução O câncer de mama é o tipo de câncer que mais acomete as mulheres em todo o mundo, tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos. Para o Brasil, em 2014, são esperados casos novos de câncer de mama, com um risco estimado de 56,09 casos a cada 100 mil mulheres (BRASIL, 2014). A etiologia do câncer de mama envolve uma interação de diversos fatores de risco, o que dificulta um estudo mais adequado, por não ser possível isolar um único fator e avaliar a sua contribuição no desenvolvimento da doença. Além dos fatores endógenos como da idade, história familiar, fatores reprodutivos e doença benigna prévia, muitos fatores exógenos, como radiação, estão sendo caracterizados como de risco (PAIVA et. al, 2002). Em razão disso, o câncer de mama é hoje uma doença de extrema importância para saúde pública em nível mundial, motivando ampla discussão em torno de medidas que promovam o seu diagnóstico precoce. Nesta perspectiva, a mamografia é apontada como o principal método diagnóstico do câncer de mama em estágio inicial, capaz de detectar alterações ainda não palpáveis e favorecendo, assim, um tratamento precoce mais efetivo (SCLOWITZ et. al, 2005). 1 Acadêmica do Curso de Biomedicina, Bolsista PET/Saúde Redes de Atenção, Universidade de Cruz Alta. 2 Acadêmica do Curso de Enfermagem, Bolsista PET/Saúde Redes de Atenção, Universidade de Cruz Alta. 3 Enfermeira do Centro de Saúde da Mulher e da Criança, Preceptora do PET/Saúde Redes de Atenção, Secretaria Municipal de Saúde de Cruz Alta.Aluna do PPG em Atenção Integral à Saúde mestrado associação ampla Unicruz/Unijuí. 4 Profª Doutoranda do Centro de Ciências da Saúde e Agrárias, Tutora Acadêmica e Coordenadora do PET/Saúde Redes de Atenção, Universidade de Cruz Alta. 5 Profª Doutoranda do Centro de Ciências da Saúde e Agrárias, Tutora Acadêmica do PET/Saúde Redes de Atenção, Universidade de Cruz Alta.

2 No Brasil, a mamografia bienal para mulheres entre 50 a 69 anos e o exame clínico das mamas anualmente a partir dos 40 anos é a estratégia recomendada para a detecção precoce do câncer de mama em mulheres com risco padrão. Para as mulheres de grupos populacionais considerados de risco elevado para câncer de mama (com história familiar de câncer de mama em parentes de primeiro grau), recomenda-se o exame clínico da mama e a mamografia, anualmente, a partir de 35 anos (BRASIL, 2014). Desta forma, este trabalho teve por objetivo investigar em três unidades de saúde do município de Cruz Alta RS, a prevalência de mulheres pertencentes a faixa etária preconizada, que realizam a mamografia. Metodologia O presente estudo integra o subprojeto de Rede de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas, com ênfase em Câncer de Mama e Colo do Útero, do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde Redes de Atenção - PET/Saúde, que está sendo desenvolvido pela Universidade de Cruz Alta em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Cruz Alta e apoio da 9ª Coordenadoria Regional de Saúde. As ações do PET/Saúde são pautadas na metodologia de diagnóstico e intervenção, por meio de um processo de ação/reflexão/ação. Para tanto, as estratégias adotadas envolvem a problematização da realidade, o planejamento estratégico situacional, rodas de conversa, momentos de dispersão oficinas, projetos e ações comunitárias, salas de espera e realização de projetos de pesquisa. Este estudo é resultante de uma pesquisa observacional transversal descritiva, desenvolvida no período de novembro de 2013 a agosto de 2014, com mulheres atendidas em três Unidades de Saúde de Cruz Alta, RS, sendo uma localizada no centro da cidade e outras duas na periferia, todas cenários de prática do PET/Saúde. Por meio de um questionário foram obtidas informações clínicas e epidemiológicas como: idade, realização de mamografia, exame clínico das mamas, retorno ao médico. Todas as participantes concordaram em participar do estudo e assinaram termo de consentimento livre e esclarecido. Os dados obtidos foram tabulados em planilhas do Excel e analisados de forma descritiva através da média, desvio padrão e frequência.

3 Resultados e Discussão Foram entrevistadas81 mulheres, com idade entre 40 e 80 anos, com média de 52,45 anos. Segundo o INCA, o exame clínico das mamas deve ser realizado uma vez por ano em mulheres com idade acima de 40 anos e a mamografia é indicada a realização para mulheres entre 50 e 69 anos (BRASIL, 2014).Estudos têm mostrado que o exame clínico de mama e a mamografia são importantes métodos para a detecção precoce do câncer de mama (DIAS DA COSTA. 2007). Segundos dados mostrados na tabela 1, 38 (47%) mulheres realizam o exame clínico das mamas anualmente, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde. Enquanto isso, 16 (20%) mulheres relataram ter realizado o exame há mais de dois anos e 27 (33%) nunca o realizaram. Estes dados são preocupantes, já que este exame pode diagnosticar até 70% dos casos de câncer de mama (MOLINA, 2003). Tabela 1: Frequência de mulheres acima de 40 anos que realizaram o exame clínico das mamas, e de mulheres acima de 50 anos que realizam a mamografia em três Unidades de Saúde da cidade de Cruz Alta RS. Exames n % Exame clínico das mamas Menos de um ano 38 46,91 2 anos ou mais 16 19,75 Nunca fez 27 33,33 Total ,0 Mamografia Último ano 14 35,0 1 a 2 anos 06 15,0 Mais de 2 anos 07 17,5 Nunca fez Total ,0 No que diz respeito à mamografia, diversos estudos científicos recomendam este exame como rastreio preferencial para o câncer de mama. Trata-se de um exame por imagem, que tem como finalidade estudar o tecido mamário, visando o diagnóstico precoce deste câncer (PEREIRA et. al, 2014). Segundo dados apresentados na tabela 2, das 40 mulheres com idade entre 50 e 69 anos, faixa etária preconizada pelo Ministério da Saúde, 14 (35%)

4 haviam realizado a mamografia no último ano, e praticamente a mesma proporção, 13 mulheres (32,5%), nunca foram submetidas à mamografia. Estes dados nos mostram a falta de interesse ou até mesmo de conhecimento por parte das mulheres que nunca haviam realizado o exame, uma vez que a mamografia é de fácil acesso e existem mamógrafos suficientes para atender a demanda da cidade. Os motivos para a não realização da mamografia são diversos, podendo variar de falta de recurso financeiro, medo, ausência de equipamento próximo ao local de moradia, dificuldade na marcação do exame por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), não ter tido acesso à consulta, achar o exame desnecessário, ou até mesmo esquecimento (RENCK et. al, 2014). Considerações Finais Os índices reduzidos de realização, tanto do exame clínico quanto da mamografia na população avaliada, chamam reforçam a necessidade de implementação de estratégias para fortalecer o acesso dessas mulheres às orientações e condutas de prevenção e rastreamento do câncer de mama. Os achados indicam ainda, a importância de ações de busca ativa destas pacientes para o rastreamento do câncer mamário, atendendo aos objetivos do projeto PET/Saúde. Referências BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer (INCA). Estimativa 2014: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: Inca; p. BRASIL. Instituto Nacional do Câncer (INCA). Detecção precose. Rio de Janeiro: Inca; p. DIAS-DA-COSTA J.S.et al. Desigualdades na realização do exame clínico de mama em São Leopoldo, Rio Grande do Sul, Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 23(7): , jul, LIMA-COSTA MF, MATOS D.Prevalência e fatores associados à realização da mamografia a na faixa etária de anos: um estudo baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (2003). Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 23(7): , jul, 200 MOLINA L. Análise das oportunidades de diagnóstico precoce para as neoplasias malignas de mama. Rev. Assoc. Med. Bras. vol.49 no.2 São Paulo Apr./June PAIVA C. E. et. al. Fatores de Risco para Câncer de Mama em Juiz de For a (MG): um estudo caso-controle. Revista Brasileira de Cancerologia, v.48(2),p , PEREIRA M. B. et. al. Grupo etário e periodicidade recomendados para a mamografia de rastreio: uma revisão sistemática. Ciência & Saúde Coletiva, v.19(4), p , 2014.

5 RENCK D. V. et. al. Equidade no acesso ao rastreamento mamográfico do câncer de mama com intervenção de mamógrafo móvel no sul do Rio Grande do Sul, Brasil. Caderno de Saúde Pública, v.30(1), p.88-96, SCLOWITZ M. L. et. al. Condutas na Prevenção Secundária do Câncer de Mama e Fatores Associados. Revista de Saúde Pública, v.39(3), p.340-9, 2005.

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