TÉCNICAS DE PROMOÇÃO E PREVENÇÃO DA CÁRIE DENTÁRIA EM CRIANÇAS

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1 TÉCNICAS DE PROMOÇÃO E PREVENÇÃO DA CÁRIE DENTÁRIA EM CRIANÇAS Kelin Angélica Zonin* Róger Reche* Leodinei Lodi** *Acadêmicos do curso de Odontologia da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI - Erechim). **Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). Especialista em Saúde Coletiva pela Escola de Aperfeiçoamento Profissional da A B O. Professor titular da disciplina de Saúde Coletiva, Programa da Saúde da Família, e Coordenador do Curso de Graduação em Odontologia da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI - Erechim). O sucesso das medidas preventivas depende muito do empenho do cirurgião dentista em motivar seus pacientes explicando aos pais e as crianças a importância dos dentes, como se desenvolvem as doenças da cavidade bucal, as técnicas de escovação, tipos de escova e creme dental e a importâncias dos métodos preventivos, tudo de maneira simples podendo-se utilizar de meios como slides, aparelhos multimídias, cartazes, ilustrações, etc (GUEDES PINTO, 2012) A cárie dentária e a doença periodontal são os males que mais acometem a cavidade bucal, sendo a cárie o mais comum em crianças (THYSLSTRUP E FEJERSKOV, 1995). A higiene bucal é fruto de hábitos que devem ser introduzidos e estimulados o mais precocemente possível (GONÇALVES, R.G., SILVA, R.H, 1992). Os pais ou responsáveis também devem ser orientados e esclarecidos para incentivarem as crianças a manterem uma higiene bucal satisfatória (SABA-CHUJFI, E., SILVA, E.C.Q., SABA, M.E.C, 1992). A saúde bucal, implícita na saúde integral, está relacionada às condições socioeconômicas e culturais da população. Ela está diretamente relacionada às condições de alimentação, moradia, trabalho, renda, meio ambiente, transporte, lazer, liberdade, acesso a serviços de saúde e informação (PORTO, 2002). Também aspectos étnicos/raciais, psicológicos e comportamentais influenciam no desencadeamento dos problemas de saúde e nos fatores de risco populacional (BARATA, 2005).

2 No Brasil os programas sociais têm aumentado buscando uma política de atenção direcionada para a atenção primária, neste sentido caminha a política do Brasil Sorridente que tem os eixos da atenção à saúde bucal a partir do incremento da atenção básica por meio da Estratégia Saúde da Família (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002). Logo a educação e a informação sobre os cuidados com a saúde bucal têm sido advertidas por diversos pesquisadores. O desconhecimento sobre cuidados necessários de higiene bucal representa um fator a ser considerado, uma vez que a informação, embora disponível nas grandes mídias, não chega a todas as camadas da população da mesma forma. A importância de novas ideias de cunho educativo e voltada para a odontologia, ganha impacto quando trabalhada com as crianças e as mesmas precisam ser valorizadas (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002). GOMES et al. (1993) observaram a necessidade de utilizar práticas educativas conscientizadoras. Já os pesquisadores GARCIA et al. (1998) desenvolveram um programa de prevenção e educação em saúde bucal valendo-se de material audiovisual, o qual promove orientação direta. A educação em saúde bucal (ESB) é uma ação importante do processo de promoção da saúde, exigindo características específicas que envolvem as práticas e o conhecimento (PINTO 2000). Já nos primeiros levantamentos das condições de saúde bucal da população brasileira os achados foram relevantes e nos remetem à grande necessidade de atenção e tratamento, assim como a organização da atenção à saúde bucal por meio do ciclo de vida dos indivíduos. Em especial a um dos grupos populacionais que carecem de maior atenção: as crianças. No Brasil, com relação à saúde bucal, já estávamos abaixo da média preconizada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) em Eram apenas 40% das crianças de 5 anos de idade que apresentavam-se livres de cárie dentária, sendo que a meta para o ano de 2000 foi estupulada para ser no mínimo de 50%. Isso pode ser traduzido no entendimento de que a severidade da doença cárie é grande, acima das médias estabelecidas e para o enfrentamento deste problema é necessário avançar em políticas e programas de saúde que contemplem este grupo de risco.

3 A Escola A (privada) tem um público de alunos que pode-se considerar diferenciado, uma vez que possuem menos dificuldade no acesso de serviços de saúde e melhor acesso aos bens de consumo. Porém esta situação não deveria ser motivo de exclusão dos programas, uma vez que se preconiza no SUS o atendimento universal e igualitário. E se pensando em equidade (preceito também do SUS), as demandas em saúde bucal neste grupo em especial são mais preventivas e de monitoramento. Já a Escola B (pública) não possui serviços de saúde de fácil acesso e também não apresentam cobertura do Programa de Saúde da Família. Neste último, as atividades precisam ser de rastreamento de lesões de cárie e identificação de problemas bucais para encaminhamento ao serviço de referência. A proposta deste trabalho é demonstrar vários métodos preventivos utilizados nas duas instituições vinculadas ao projeto. Estas escolas onde as comunidades que frequentam estes espaços sociais configuram públicos diferentes e diferenciados quanto ao nível socioeconômico, cultural e necessidades em saúde, contemplando crianças de alto, médio e baixo risco de desenvolver a doença carie. As crianças de alto risco não escovam os dentes com regularidade, ingerem açúcares com frequência, fazem uso da mamadeira noturna e não utilizam flúor. Crianças de médio risco, são as que higienizam sem regularidade, ingerem açucares com frequência mas não dormem mamando e utilizam flúor de modo eventual. E crianças de baixo risco para a cárie dentária são as que escovam os dentes todos os dias, têm baixo consumo de açúcares, não dormem mamando e são adequadamente expostos ao flúor, se via água de abastecimento, aplicações tópicas ou por métodos alternativos (PINTO, 2000). Os métodos de educação preventiva empregados foram: vídeos, escovação demonstrativa em manequim e orientada nas crianças, músicas educativas relacionadas a saúde bucal, contos e histórias, pinturas e colagens relacionados a dieta e a boa alimentação, maquiagem em rosto, teatro de fantoches e criação de painéis (portaescova).

4 Dessa forma, podemos concluir que, o entendimento da doença cárie possibilita ao cirurgião dentista criar métodos preventivos a fim de se obter êxito no seu controle. As medidas de prevenção podem ser empregadas em qualquer idade, mas é na criança onde o beneficio é maior e mais eficaz. Quanto antes implementadas estas práticas, e voltadas para a saúde bucal, maior será o sucesso alcançado no que diz respeito as mudanças de atitude dos pacientes e principalmente seus responsáveis, pois hábitos adquiridos e fortalecidos precocemente, em geral, são incorporados e permanecem por toda a vida. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. Brasília:Unesco-Ministério da Saúde, pag.33 BARATA RB. Epidemiologia social. Rev bras epidemiol 2005; 8(1):7-17. GARCIA PPNS, CORONA SAM & VALSECKI JÚNIOR A educação e motivação: segunda avaliação da efetividade de métodos educativos-preventivos relativos à cárie dental e à doença periodontal. Revista de Odontologia da Unesp 27(2): GOMES AS, GIANLUP EM & ABREU CB A importância da conscientização e da prática preventiva em odontologia. Revista Odontologia e Ciência 8(16): GONÇALVES, R.G., SILVA, R.H. Experiência de um programa educativopreventivo: instituído na Fundação Catarinense de Bem-Estar do Menor (FUCABEM). R.G.O., Porto Alegre, v. 40, n. 2, p , mar/abr GUEDES-PINTO A. C. Manual de Odontopediatria. Editora Santos. São Paulo. 12 Ed 2012, pag.131. PINTO VG, et al Saúde Bucal Coletiva. Editora Santos. São Paulo, p.

5 PORTO VMC Saúde bucal e condições de vida: uma contribuição do estudo epidemiológico para a inserção de atenção à saúde bucal no SUS. Dissertação de mestrado. Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Faculdade de Medicina de Botucatu. Programa Sorria Bauru Secretaria Municipal de Saúde. (Mimeo). SABA-CHUJFI, E., SILVA, E.C.Q., SABA, M.E.C. Avaliação dos métodos de motivação/educação em higiene bucal: aplicados em adolescentes de 12 a 16 anos de idade. R.G.O., Porto Alegre, v. 40, n. 2, p , mar/abr THYLSTRUP A. & FEJERSKOV O Cariologia clínica: Desigualdades na distribuição da cárie dentária no Brasil: uma abordagem bioética. Santos, São Paulo.

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