O ESTÁGIO SUPERVISIONADO COMO BUSCA DE UMA POSTURA METODOLÓGICA REFLEXIVA E INVESTIGADORA E A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE PROFISSIONAL DO FUTURO DOCENTE

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1 O ESTÁGIO SUPERVISIONADO COMO BUSCA DE UMA POSTURA METODOLÓGICA REFLEXIVA E INVESTIGADORA E A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE PROFISSIONAL DO FUTURO DOCENTE FIGUEIREDO, Katherine Medeiros¹; OLIVEIRA, Claudimary Moreira Silva² Universidade Estadual de Goiás Unidade Universitária de Iporá RESUMO Este artigo trata de um assunto bastante discutido entre acadêmicos de licenciatura, o Estágio Supervisionado que exige muito do licenciando e é também de fato indispensável na formação de futuros professores. Por tanto, fazer desse estágio, um momento de investigação e conviver em meio essa realidade é a oportunidade que poderá proporcionar ao futuro profissional uma postura mais crítica e reflexiva em relação à profissão docente, profissão essa, que ele está se propondo a exercer. Assim, através de pesquisas bibliográficas referentes a estágio como forma de pesquisa e formação teórica durante o Curso e experiência própria e vivências do estágio na terceira série, esses assuntos serão discutidos no decorrer desse trabalho, considerando que, estágio representa a primeira aproximação que o futuro professor do seu campo de atuação profissional e é nesta oportunidade que deve haver a articulação entre a formação teórica da Universidade e formação prática no estágio e a pesquisa é o meio para que esta articulação entre a teoria e a prática aconteça. E considerando também, a reflexão e o debate sobre a atuação na escola campo e durante esta atuação através da prática docente que serve como espaço de pesquisa e dá suporte para a construção da identidade profissional quando levado em consideração que o estágio influencia e muito na forma em que o acadêmico começa a se olhar como professor e a valorizar a sua futura profissão. Palavras Chaves: Formação de professor; Prática de investigação; Reflexão; Profissão docente; INTRODUÇÃO O estágio é um processo muito importante para quem está em um curso de formação docente, pois é nesse período em que acontece a reflexão sobre as teorias estudadas até o momento no Curso, em função da prática, ou seja, aproximam-se as teorias às realidades 34

2 existentes na escola. E também não deve ser considerado como o momento dos acadêmicos irem para as unidades escolares, cumprir a obrigatoriedade do estágio. Ele deve significar muito mais que apenas um cumprimento curricular. Através do estágio o licenciando pode acrescer em sua formação, um aspecto crítico reflexivo, o qual se dará a partir da vivencia com a realidade e também será o momento de se construir uma identidade docente. De acordo com o Projeto Político Pedagógico do curso de Matemática e com o Projeto de Estágio da UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS, Unidade de Iporá, o Estágio Supervisionado I do curso de Matemática tem como meta, oportunizar ao licenciando a formação através da ação reflexiva que desenvolva a autonomia para se posicionar como profissional a partir de seus conhecimentos teóricos e de sua prática. E esta reflexão o acadêmico terá ao construir seu próprio caminho, e se fazer inserir num processo de pesquisa, formando assim suas próprias concepções. É desta forma que o professor do século XXI precisa buscar sua orientação para transformar o aluno a ser agente do conhecimento. Tendo ainda que O Estágio Supervisionado deve ser considerado enquanto atividade que permita ao aluno um contato com a realidade do campo profissional, objetivando apreender e refletir sobre tal realidade; propor e participar de todo processo relacionado ao exercício profissional; articular a perspectiva do currículo com a realidade, utilizando-se das teorias existentes como possibilitadoras da reflexão e da ação no campo profissional e da formação humana. (PROJETO PEDAGÓGICO DO CURSO DE LICENCIATURA EM MATEMÁTICA, 2008, p.79) O estágio, considerado como a parte prática dos cursos de formação, principalmente no de formação de professores, sempre esteve em contraposição à teoria. De acordo com Parecer CNE/CP 9/2001, os cursos de licenciatura em geral são segmentados em dois polos, um se caracteriza na sala de aula e outro, nas atividades de estágio. O primeiro pólo supervaloriza os conhecimentos teóricos, acadêmicos, desprezando as práticas como importante fonte de conteúdos da formação. Existe uma visão aplicacionista das teorias. O segundo pólo, supervaloriza o fazer pedagógico, desprezando a dimensão teórica dos conhecimentos como instrumento de seleção e análise contextual das práticas. Neste caso, há uma visão ativista da prática. (PARECER CNE/CP 9/2001, p. 22) 35

3 Diante disso, deve ser um dos objetivos do Estágio Supervisionado desfragmentar essa concepção entre teoria e prática e procurar dar ao futuro professor, a oportunidade dos primeiros passos para uma formação de pesquisador de fato, numa formação crítica reflexiva. O ESTÁGIO NA FORMAÇÃO DO FUTURO PROFESSOR Para que seja possível uma prática que dê ao futuro professor uma formação de pesquisador deve ser propiciado a associação teoria e prática. Para desenvolver essa perspectiva, é necessário explicitar os conceitos de prática e teoria e como compreendemos a superação da fragmentação entre elas a partir do conceito de práxis, o que aponta para o desenvolvimento do estágio como uma atitude investigativa, que envolve a reflexão e a intervenção na vida da escola, dos professores, dos alunos e da sociedade. (PIMENTA e LIMA, 2008, p.34) Com toda uma formação baseada em uma prática crítica, reflexiva e investigadora, é dado condições para que o futuro professor construa sua identidade profissional, Buriollla (1999, APUD PIMENTA E LIMA, 2008, p.62) deixa claro essa percepção ao dizer que o estágio é o locus onde a identidade profissional é gerada, construída e referida; volta-se para o desenvolvimento de uma ação vivenciada, reflexiva e crítica e, por isso, deve ser planejado gradativa e sistematicamente com essa finalidade. Essa identidade vai se formando durante a graduação, a partir da convivência dos colegas, dos atuantes da área (professores) e com o estágio torna-se mais intenso ainda, com um contato real com o seu futuro lugar de atuação. O estágio representa a primeira aproximação que o futuro professor do seu campo de atuação profissional e é nesta oportunidade que deve haver a articulação entre a formação teórica da Universidade e formação prática no estágio e a pesquisa é o meio para que esta articulação entre a teoria e a prática aconteça. Ainda ao se tratar de construção de identidade, Pimenta (1999 apud PIMENTA E LIMA, 2008, p.67) traz que Uma identidade profissional se constrói, pois, a partir da significação social da profissão, da revisão constante dos significados sociais da profissão, da revisão das tradições. Mas também da reafirmação de práticas consagradas culturalmente e que permanecem significativas. Práticas que resistem a inovações porque prenhes de saberes válidos 36

4 às necessidades da realidade. Do confronto entre as teorias e as práticas, da análise sistemática das práticas à luz das teorias existentes, da construção de novas teorias. Constrói-se, também, pelo significado que cada professor, enquanto ator e autor, confere à atividade docente em seu cotidiano a partir de seus valores, de seu modo de situar-se no mundo, de sua história de vida, de suas representações, de seus saberes, de suas angústias e anseios, do sentido que tem em sua vida o ser professor. Assim como a partir de sua rede de relações com outros professores, nas escolas, nos sindicatos e em outros agrupamentos. A reflexão e o debate sobre a atuação na escola campo e durante esta atuação através da prática docente que serve como espaço de pesquisa e dá suporte para a construção da identidade profissional. Sendo assim, o estágio influencia e muito na forma em que o acadêmico começa a se olhar como professor e a valorizar a sua futura profissão. É a partir daí que o licenciando estagiário tem oportunidade para refletir sobre sua formação, alguns que no inicio tinham a certeza de que essa era a profissão certa, talvez desistam do curso após se colocarem frente a frente com a realidade enfrentada pelos docentes, outros que não tinham intenção nenhuma de lecionar, de repente se veem apaixonados pela profissão. al), Pode-se completar ainda, com Severino (2002, p.42 apud OLIVEIRA, E.S.G. et Hoje é preciso recriar a educação, para que desperte não apenas a inteligência, mas também a sensibilidade. De interpretar linhas e entrelinhas, os sentidos lógicos e polissêmicos. Religar, contextualizar. Conviver com múltiplas fontes de informação simultaneamente. Aprender a buscar informações necessárias. Discernir e escolher. Abandonar o irrelevante. Esquecer o inócuo. Problematizar criadoramente, sem recusar o fardo da complexidade dos questionamentos. Assim, tendo o ponto de vista de que, A profissão de professor também é prática. E o modo de aprender a profissão, conforme a perspectiva da imitação será a partir da observação, imitação, reprodução e, às vezes, da reelaboração dos modelos existentes na prática, consagrados como bons. Muitas vezes nossos alunos aprendem conosco, observando-nos, imitando, mas também elaborando seu próprio modo de ser a partir da análise crítica do nosso modo de ser. Nesse processo escolhem, separam aquilo que consideram adequado, acrescentam novos modos, adaptando-se aos contextos nos quais se encontram. Para isso, lançam mão de suas experiências e dos saberes que adquiriram. (PIMENTA e LIMA apud REVISTA POÍESIS, 2005/2006, p.07). 37

5 Nas experiências vividas durante o estágio, na tomada de consciência sobre sua própria trajetória é que o acadêmico pode perceber a essencialidade seus saberes, fazeres, aprendizagens e experiências. E é por todas essas percepções que se pode afirmar que o estágio, é de grande importância ao licenciando, visto que esse contato direto com uma Unidade Escolar, permite evidências dos pontos positivos desta profissão e também as deficiências que nela existe. Segundo Pimenta e Lima (2008, p.103) um dos primeiros impactos é o susto diante da real condição das escolas e as contradições entre o escrito e o vivido, o dito pelos discursos oficiais e o que realmente acontece. E ainda, O estagiário vai se deparar com muitos professores insatisfeitos, desgastados pela vida que levam, pelo trabalho que desenvolvem e pela perda dos direitos historicamente conquistados, além dos problemas do contexto econômico-social que os afeta. (PIMENTA e LIMA, 2008, p. 104) Então o estagiário pode sentir o que é realmente ser um educador, as dificuldades por eles enfrentadas e até mesmo o que leva um professor a desanimar da prática docente e é com todo esse processo que o futuro professor pode analisar a deficiência educacional, refletir como contribuir, como melhorar, como fazer a diferença para aquela comunidade escolar e para a sociedade. Aí reside de fato a importância do estágio para o acadêmico, o qual, ao fazer a reflexão sobre todas as atividades até então realizadas, a realidade vivenciada e o comportamento dos alunos referente ao processo de aprendizagem, poderá ter iniciativas próprias para buscar alternativas, solucionar os problemas encontrados, bem como aproveitar as experiências bem sucedidas (PROJETO ESTÁGIO SUPERVISIONADO, 2011, p.13). Contudo, vê-se o quão grande é o crescimento intelectual e profissional, que o estágio pode proporcionar a um futuro atuante da área, o professor educador. CONSIDERAÇÕES FINAIS O estágio supervisionado deve acontecer de forma a quebrar barreiras, passar de um processo técnico, para um processo de pesquisa, onde o estagiário possa usar desse processo para conhecer seu futuro ambiente de trabalho e se reconhecer como profissional, aprimorando-se dia-a-dia com um olhar crítico e reflexivo. Mas enquanto estiver ali, naquela Unidade Escolar, além de cumprir com o currículo, se sentirá motivado a encontrar soluções 38

6 para sanar deficiências existentes, construindo assim sua identidade no que se diz respeito à arte da docência. Assim temos que A pesquisa é componente essencial das práticas de estágio, apontado novas possibilidades de ensinar e aprender a profissão docente, inclusiva para os professores formadores, que são convocados, a rever suas certezas, suas concepções do ensinar e do aprender e seus modos de compreender, de analisar, de interpretar os fenômenos percebidos nas atividades de estágio. Assim o estágio torna-se possibilidade de formação continua para os professores formadores. (PIMENTA E LIMA, 2008, p.114) Deve acontecer, como um momento de troca, entre os futuros professores e os professores já atuantes na educação, o primeiro ganha em aprendizagem de prática e experiências vivenciadas pelo segundo, o qual tem sua parcela de ganhos a partir das novas concepções de educação trazidas pelos estagiários. Contudo é certo dizer que, o estágio do curso de formação de professores, compete possibilitar que os futuros professores se apropriem da compreensão dessa complexidade das praticas institucionais e das ações aí praticadas por seus profissionais, como possibilidade de se prepararem para sua inserção profissional. (PIMENTA E LIMA apud REVISTA POÍES, pag. 12). Assim é possível afirmar que, o futuro professor através da investigação durante o estágio, pode adquirir uma postura de criticidade e reflexão e dessa forma estará dando inicio a construção de sua identidade de professor, se preparando para exercer sua profissão em meio à sociedade. Pois de acordo com Guimarães (2004 apud PIMENTA E LIMA, 2008, p.64) os cursos de formações são de extrema importância para a construção ou fortalecimento da identidade a partir da reflexão e criticidade em cima das representações construídas e praticadas na profissão. Contudo complementa dizendo que será através do confronto de tais representações que a identidade construída será reconhecida, tratando-se assim, de nos estágios se trabalhar a identidade em formação, em relação aos saberes e não pelas atividades docentes. 39

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Parecer CNE/CP 9/ p. BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática. Brasília, DF. COLÉGIO ESTADUAL ARISTON GOMES DA SILVA. Projeto Político Pedagógico. Iporá- GO, ESCOLA MUNICIPAL VALDIVINO SILVA FERREIRA. Projeto Político Pedagógico. Iporá- GO, PIMENTA, Selma Garrido; LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e Docência. 3. ed. revisão técnica José CerchiFusari. São Paulo-SP: Cortez, (Coleção docência em formação. Séries saberes pedagógicos). 296 p. PIMENTA, Selma Garrrido; LIMA Maria Socorro Lucena. Estágio e docência: diferentes concepções In:Revista Poíesis. Volume 3, Números 3 e 4, pag.5-24, 2005/2006.Disponivel em<http://www.revistas.ufg.br/index.php/poiesis/article/view/10542/7012 >Acesso em 24 set UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS. Projeto Estágio Supervisionado. Iporá-GO, p. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS. Projeto Pedagógico do Curso de Licenciatura em Matemática. Iporá-GO, p. 40

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