PADRÕES DE PARCELAMENTO DA CIDADE LESTE DE SANTA MARIA: APLICAÇÃO DA METODOLOGIA 1

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1 PADRÕES DE PARCELAMENTO DA CIDADE LESTE DE SANTA MARIA: APLICAÇÃO DA METODOLOGIA 1 CERVO, Fernanda 2, CHAGAS, Vinícius Westphalen 2, FALKOWSKI, Liz Carlize 2, VESCIA, Jenifer 2, POZZOBON, Bruna 2, SILVA, Carolina Nunes 2, FALCÃO, Adriano da Silva 3, QUERUZ, Francisco 3. 1 Artigo obtido através de resultado parcial do Projeto de Pesquisa _UNIFRA Estudo Analítico dos Padrões de Parcelamento da Cidade Leste de Santa Maria 2 Alunos bolsistas e voluntários do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS, Brasil 3 Orientadores do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS, Brasil RESUMO Este artigo foi elaborado com o objetivo de discorrer a respeito da metodologia aplicada aos levantamentos dos parcelamentos de glebas urbanas de uma área específica, intitulada neste artigo como entre-faixas, na zona conhecida como Cidade Leste de Santa Os parcelamentos desenvolvidos nos bairros São José e Camobi, área escolhida para intervenção, possuem características semelhantes e decorrentes de premissas embasadas em princípios de contextualização, também, coincidentes, como organização e acessos às áreas não parceladas, dados que permitiram elaborar uma metodologia própria de compreensão e levantamento do local. As etapas desenvolvidas na metodologia incluíram estudos prévios das fontes bibliográficas, cartográficas e fundiárias disponíveis, e a partir daí, deu-se o reconhecimento e a confirmação das informações in loco, para então realizar-se a digitalização e interpretação dos dados. Os resultados obtidos indicam inicialmente que a metodologia adotada é valida e aplicável, permitindo comparações entre as fontes cartográficas originais e os dados atuais, obtidos através de fotos aéreas e terrestres. Apesar do trabalho ainda estar em andamento, também pode-se identificar que há alterações consideráveis entre as organizações inicialmente propostas pelos loteamentos e os resultados que chegam aos dias de hoje. Pode-se perceber, também, que as bordas dos parcelamentos avaliados possuem interfaces negativas entre si, e ainda que os padrões fundiários inicialmente previstos para os parcelamentos em várias situações acabaram por não se confirmar nos assentamentos que se consolidam na região. Palavras-chave: percepção ambiental, metodologia, padrões de parcelamentos. 1. INTRODUÇÃO O tema central do projeto de pesquisa é a análise dos padrões de parcelamento da cidade oeste de Santa Maria, entretanto, nesta temática complexa, é possível se aprofundar em uma gama de conhecimentos sobre as muitas comunidades residenciais inseridas no tecido urbano pré-existente, ou até mesmo formadores dessa malha, ocasionando uma

2 busca por várias vertentes de pesquisa. Neste sentido um dos objetivos perseguidos pelo grupo é o de formatar uma metodologia passível de aplicação continuada, que traga resultados efetivos e de fácil constatação, para que se conheça com clareza a complexidade e as particularidades dos espaços e concentrações urbanas nos quais se vive. Esse conhecimento pode clarear as perspectivas de crescimento e, ainda, evidenciar tendências de planejamento urbano. Muitos dos conhecimentos aqui utilizados tiveram como base o trabalho realizado por Castello (2008) para a cidade de Porto Alegre considerando os vários aspectos levantados pela autora, muito embora o grupo acrescente ao conjunto da metodologia adaptações referentes à realidade encontrada no centro urbano de Santa Maria e, também, conforme interesses inerentes aos objetivos pretendidos por seus autores. 2. APLICABILIDADE DA METODOLOGIA UTILIZADA NO PROJETO DE PESQUISA A abordagem dos padrões de parcelamento do solo necessitou de estudo prévio para identificação do método mais apropriado, permitindo assim aferir suas características, isoladas ou agrupadamente. Inicialmente, avaliou-se adequado a delimitação da área a analisar no decorrer da pesquisa, definida pelo balizamento de duas vias estruturais que cortam o tecido urbano de Santa Maria, a BR 287 e a RS 509, em um trecho denominado no decorrer do desenvolvimento do projeto de entre faixas 1. A escolha dessa área para análise e posterior estudo deu-se pelo fato da região apresentar diversos problemas de conexão urbana e mobilidade entre a cidade leste e o restante do município, identificado pelos sucessivos congestionamentos verificados em horários de grande movimento. Após a delimitação da área, de uma forma genérica, foram identificados os loteamentos que compõem a região de interesse (entre-faixas), a partir do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (PDDUA). Através de visitas à Prefeitura Municipal de Santa Maria, no setor de arquivos, foram selecionados os parcelamentos previamente identificados no PDDUA (PMSM, 2005) para posterior análise. As bases cartográficas aprovadas obtidas foram então fotocópiadas, tendo como resultado parcial uma listagem completa dos parcelamentos que compõem a área de estudo (figura 1). 1 Entre-faixas: nomenclatura definida e utilizada no projeto como área encerrada pelo balizamento de duas vias estruturais que cortam o tecido urbano de Santa Maria, notadamente a BR 287 e a RS 509, com características próprias e aparentemente separada por estes limites urbanos, conforme preconiza Lynch (1997).

3 Figura 1: Mapa geral da área de estudo Com as fotocópias dos mapas obtidos, somadas ao auxílio das fotografias aéreas tomadas com o software Google Earth, foram identificadas as áreas de cada parcelamento. Posteriormente, foi realizado um comparativo entre as fotos aéreas e os mapas dos parcelamentos para uma delimitação precisa das bordas dos mesmos. Baseado nesse comparativo, foram obtidas conclusões iniciais que relacionam as informações contidas nos mapas aprovados na Prefeitura Municipal e as fotos aéreas capturadas. O próximo passo realizado foi a transposição dos dados de meio xerografado para digital, com o uso do software AutoCAD. Os desenhos em meio digital dos mapas foram realizados em conjunto com a padronização da forma de representação gráfica utilizada para todos os parcelamentos com fins de uniformização das amostras. Nessa etapa, houve também a identificação e distinção das áreas privadas (lotes) e áreas públicas (áreas verdes, institucionais e o sistema viário) propostas em cada parcelamento, segundo fontes consultadas e já citadas (CASTELLO, 2008; MASCARO, 2005). Tendo em mãos os mapas e as fotos aéreas de cada parcelamento, foram realizadas as visitas a campo, ao decorrer de diversos dias, para a conferência de dados em planta com a realidade local. Buscou-se identificar também os padrões existentes em cada área, principalmente com relação aos seguintes aspectos: padrões de via, calçada e de arborização e padrões sociais. Estes estudos foram acompanhados de levantamento fotográfico das áreas visitadas. Após as visitas aos parcelamentos, o material de estudo se encontrava pronto para análise. Em posse das informações coletadas e reorganizadas, tornou-se possível a realização do comparativo entre os mapas obtidos, as fotos aéreas e as visitas ao local. As

4 análises descritivas dos padrões de pavimentação da infraestrutura foram realizadas principalmente baseadas nas visitas in loco, considerando a precariedade de alguns mapas levantados. Com as visitas também foi possível uma analise pós-ocupação, que gerou uma avaliação do uso e ocupação do solo atualmente em cada parcelamento. A percepção das conexões entre os parcelamentos igualmente só foi possível com a observação no local, bem como o cumprimento ou não da legislação vigente, considerando que a data de aprovação do projeto está diretamente vinculada à legislação da época em questão, determinando a existência ou não de áreas públicas. 3. METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa qualitativa de caráter exploratório, em um primeiro momento, e, por vezes, quantitativa de caráter explicativo, no concernente aos resultados esperados ao final dos estudos. A exploração da realidade centraliza os objetivos do primeiro ano de investigação com o intuito de familiarizar o grupo com a problemática encontrada possibilitando a construção de hipóteses que irão apoiar os diagnósticos pretendidos na continuidade do objeto de estudo. Esta possibilidade intenciona um aprofundamento das idéias lançadas, tornando, em um segundo momento, a pesquisa de caráter explicativo, pois, o diagnóstico pretendido, ao mesmo tempo em que questiona tenta explicar a atual conformação da Cidade Leste de Santa 4. DEMONSTRAÇÃO DE EXEMPLOS DA METODOLOGIA UTILIZADA A aplicação da metodologia foi realizada em 20 exemplos de parcelamentos, identificados anteriormente na figura 1. Os parcelamentos obtidos respeitaram a borda norte (RS 509), e em grande parte a borda Sul. A razão envolvida nesta extrapolação pelo lado Sul está relacionada a época recente em que a via estruturadora BR 287 foi executada, posterior a alguns dos parcelamentos, o que implicou em desapropriações e desarticulação das lógicas previstas para tais espaços (SALAMONI, 2008). Para o início das análises, foram obtidos dois tipos de dados inicias: imagens aéreas e mapas aprovados junto a PMSM. Os problemas encontrados nesta etapa estavam relacionados, em um primeiro momento, com o estado do acervo disponibilizado pelo poder público municipal, já que alguns materiais estavam em mau estado de conservação, e outros inclusive inexistem ou não foram encontrados. A seguir, exibe-se nas figuras 2 e 3 imagens de exemplos de plantas de parcelamentos do arquivo da PMSM.

5 Figura 2: Mapa original do parcelamento Jardim Lindóia. Fonte: Mapa digitalizado a partir de dados da Prefeitura Municipal de Santa Maria, Figura 3: Mapa original do parcelamento Santa Lúcia II Fonte: Mapa digitalizado a partir de dados da Prefeitura Municipal de Santa Maria, A outra fonte de pesquisas inicialmente buscada, as imagens aéreas obtidas através do software Google Earth, permitiu uma visualização atualizada dos parcelamentos em questão, com ocupações e densidades mais claras. Contudo, por vezes os parcelamentos não possuíam bordas nítidas, fundidas às ocupações lindeiras. Portanto, as fotografias capturadas e impressas neste momento eram mais gerais, e consideravam uma tolerância em seus perímetros (Figuras 4 e 5). Figura 4: Fotografia aérea do parcelamento Jardim Lindóia, sem delimitação exata do perímetro. Fonte: Imagem alterada a partir de dados do Google Earth, 2012.

6 Figura 5: Fotografia aérea do parcelamento Vila Amaral, sem delimitação exata do perímetro. Fonte: Imagem alterada a partir de dados do Google Earth, 2012 A próxima etapa seguida foi de transferência dos dados impressos para o meio digital, de forma bidimensional. Para tanto, optou-se por padronizar a forma de graficação e apresentação dos dados (Figuras 6 e 7). As dificuldades encontradas nesta etapa relacionam-se com a inconsistência entre os dados cotados e medidos nas cópias xerografadas e seu fechamento em meio digital. Varios foram os casos em que as discrepâncias de informações foram consideráveis. Outro fator relevante foi a inadequação dos mapas dos loteamentos, em projeto, com as angulações de vias encontradas no tecido pré-existente dos mapas-base da PMSM, conforme figura 1, já apresentada. Figura 6: Mapa base do parcelamento Jardim Lindóia. Figura 7: Mapa base do parcelamento Vila Amaral. As visitas a campo serviram para confirmar hipoteses anteriormente lançadas e discutidas com o grupo. Concomitantemente também lançaram novas perspectivas sobre as apropriações sofridas pelos parcelamentos após sua implantação na gleba. Pode-se aferir

7 que áreas anteriormente definidas como de uso público e comunitário localizam-se em regiões pouco favoráveis e, ainda, inexistentes. Considerou-se que em parcelamentos prévios a Lei 6766/79, de parcelamento do solo urbano, este parâmetro não era exigido ocasionando as realidades encontradas. Neste mesmo sentido, as visitas também constataram o péssimo estado de conservação de alguns calçamentos e passeios públicos, seja esse pela falta de manutenção ou pela ocupação não integral dos parcelamentos (Figuras 8,9,10 e 11). Figura 08: Fotografia do parcelamento Jardim Lindóia. Fonte: Arquivo fotográfico do Projeto de pesquisa Estudo Analítico dos Padrões de Parcelamento da Cidade Leste de Santa Maria, UNIFRA, 2012 Figura 09: Fotografia do parcelamento Jardim Lindóia. Fonte: Arquivo fotográfico do Projeto de pesquisa Estudo Analítico dos Padrões de Parcelamento da Cidade Leste de Santa Maria, UNIFRA, 2012

8 Figura 10: Fotografia do parcelamento Vila Amaral. Fonte: Arquivo fotográfico do Projeto de pesquisa Estudo Analítico dos Padrões de Parcelamento da Cidade Leste de Santa Maria, UNIFRA, 2012 Por outro lado, apesar dos tantos reveses verificados, algumas situações mostraramse positivas como é o caso encontrado na figura 11, onde o parcelamento mostrava uma área verde bem localizada e com excelente estado de conservação, entretanto com uso pouco definido. Figura 11: Fotografia do parcelamento Vila Amaral. Fonte: Arquivo fotográfico do Projeto de pesquisa Estudo Analítico dos Padrões de Parcelamento da Cidade Leste de Santa Maria, UNIFRA, 2012 Os mapas temáticos realizados após análises e visitas geraram um panorama bastante significativo do sistema de áreas públicas existente na região, assim como um análise bastante ampla dos padrões dos parcelamentos no concernente ao tipo de pavimentação, dos passeios públicos e vias, do adensamento populacional e usos predominantes, assim como um estudo criterioso dos tamanhos de grão característicos e proporções usuais dos lotes previstos. Alguns mapeamentos confeccionados no projeto podem ser visualizados nas figuras 12, 13 e 14. Considera-se que estas construções gráficas não necessariamente deveriam primar pela exatidão do desenho técnico e de normativas, mas demonstrar claramente a situação levantada e analisada.

9 Figura 12: Mapa Viário do parcelamento Jardim Lindóia. Figura 13: Mapa que identifica áreas verdes e institucionais e o grão do parcelamento Jardim Lindóia. Figura 14: Mapa de proporção e dimensões de lote do parcelamento Vila Amaral. 5. CONCLUSÃO Ao findar deste artigo, observa-se que a metodologia que foi escolhida e aplicada gerou resultados positivos, e é plenamente aplicável. A busca por fontes bibliográficas e cartográficas diversas, aliadas ao estudo evolutivo do sítio, permitiu que as nuances

10 projetuais e suas divergências em relação ao estado do sítio ficassem claras, que há alterações entre as propostas e a dinâmica atual do sítio. Pode-se perceber, também, que as bordas dos parcelamentos avaliados possuem interfaces negativas entre si, e ainda que os padrões fundiários inicialmente previstos para os parcelamentos em várias situações acabaram por não se confirmar nos assentamentos que se consolidam na região. Contudo, observa-se que este artigo, que é resultado de um projeto de pesquisa em andamento, ainda deverá permitir avaliações mais precisas, tanto em relação a metodologia adotada quanto em relação a forma como ocorre a evolução do sítio, fragmentado e desconexo. REFERÊNCIAS CASTELLO, I.R. Bairros, loteamentos e condomínios: elementos para o projeto de novos territórios habitacionais. Porto Alegre: Editora da UFRGS, LYNCH, K. A imagem da cidade. São Paulo: Martins Fontes, MASCARÒ, J. Infra-estrutura urbana. Porto Alegre: L. Mascaro, J. Mascaró, PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTA MARIA (PMSM). Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental. Santa Maria: PMSM, 2005 SALAMONI, G. F. O Crescimento Urbano por Extensão e suas Repercussões Morfológicas em Estruturas Urbanas - Estudo de Caso: Santa Maria-RS. Santa Maria: UFSM, 2008, 365p. Dissertação (Mestrado em Planejamento Urbano e Regional -PROPUR). Universidade Federal de Santa Maria, 2008.

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