Abstract Coffee Cafeicultura; Ferrovias; CMEF; Produção de alimentos; São Paulo.

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1 ferrovias, exportação e Domínios café: Rogério mercado Pedro Naques Geraldo interno Faleiros Tosi em 2 São 3 Paulo ( ) 1 Resumo Não ferrovias então, e obstante o peso decisivo das receitas geradas pelo café para os balanços financeiros das desenvolvimento, paulistas entre 1888 e 1917, e a centralidade da atividade cafeeira na economia paulista produção discute-se neste artigo a especialização relativa ao nível produção verificada em São Paulo nexos a questão dos fretes das ferrovias neste cenário. Parte-se ideia de que a cafeicultura, em seu relações demandava a diversificação de culturas agrícolas, pois as unidades básicas de fazendeiros as fazendas café não se caracterizavam unicamente pela monocultura, sendo que estudado entre uma produção voltada à exportação e outra voltada ao mercado interno davam-se nas transacionadas trabalho estabelecidas entre contratantes e contratados, e nas formas pelas quais os dependência expropriavam aqueles que se subordinavam aos seus interesses. Verifica-se no caso absoluta o aumento simultâneo das quantidades de e de alimentos transportadas e econômico. pela Cia. Mogiana nos marcos periodização proposta; porém, percebe-se estreita Palavras-chave: ao em nível relação do crédito à receita e gerada circulação pelo transporte (transportes) de café. que Aponta-se, caracterizavam ainda, a este especialização complexo Abstract Coffee Cafeicultura; Ferrovias; CMEF; Produção de alimentos; São Paulo. Notwithstanding São we economy: railroads, export the internal market in São Paulo ( ) Paulo s the decisive weight of values generated by coffee for the financial statements of the Paulo s railroads between , and to the importance of the coffee in this economy, the argues in this article about the relative specialization in agriculturist production verified in São coffee, lands and the question of the freights of the railroads in this conditions. Our idea is that back basic to activity, being the units internal that of production the its market nexuses development, were between the given coffee demanded a in production farms the relations the were diversification come not of back work characterized to established of the agricultural exportation solely between by cultures, and the employers another cultivation therefore come and of relation employees, increase business to for of the and the values amounts Cia. the Mogiana generated forms of coffee by in for which landmarks the is verified coffee the farmers of transport the in the period expropriated studied is proposal; perceived. case its however, and subordinate. It is of pointed, foods narrow The carried still, dependence simultaneous the and absolute done in Franca, Universidade SP, (1) (2) (3) Brasil. Trabalho Professor Federal do recebido Adjunto da Espírito Faculdade em 19 de agosto História, de 2009 Direito e aprovado e Serviço em Social 4 de março da Universidade de Estadual Paulista, Economia do Santo, Departamento Vitória, e Sociedade, ES, de Economia Brasil. Campinas, Centro v. 20, de n. Ciências 2 (42), Jurídicas p , e Econômicas ago da

2 Pedro specialization economic Geraldo Tosi / Rogério Naques Faleiros Keywords: JEL N56, complex. N96. Coffee to the economy; level of Railroads; the credit CMEF; and the Food circulation production; (transports) São Paulo. that characterized this atenção Introdução mercado O para paradigma a importância, interpretativo senão desenvolvido predominância, nos anos das noventa atividades tem voltadas chamado ao a evidências empreendidos interno para a formação da econômica nacional. Os trabalhos noções por João Luiz Fragoso e Manolo Florentino4, estribados em predominância empíricas, questionaram a partir do caso do Rio de Janeiro, entre fins estrutura século XVIII e início do século XIX, os modelos interpretativos baseados nas horizonte de Exclusivo Metropolitano e Antigo Regime, que destacavam a latifúndio, na realidade colonial (e posteriormente nacional) toda uma social voltada deste à paradigma produção especializada está a crítica destinada às análises unicamente pautadas à exportação. no trinômio No sobre escravidão e monocultura, desvelando uma realidade econômica e distancia-se mais complexa do que supunha a noção capital residente5. âmbito Paulatinamente, direta ou indiretamente, esta visão tem inspirado estudos economia o complexo econômico paulista; aliás, a predominância tal visão um cada vez mais da noção de complexo cafeeiro, desenvolvido no Assim, município, da contribui-se cafeeira Escola uma têm de região cada Campinas 6. sido vez ou a mesmo tônica mais Os para de uma estudos novos o estrada entendimento trabalhos de realidades de ferro sobre como destas específicas o objeto café, particularidades elegendo-se de dentro análise. da métodos revelando industrialização, Com avanços a descoberta as companhias no que se de refere ferroviárias novas a temas fontes7 a urbanização, como e o desenvolvimento as relações por exemplo. trabalho, de novos a interno de pesquisa temos avançado rapidamente no entendimento e na tentativa Vejam-se de (4) (5) (6) os abastecimento Neste Síntese Referimo-nos trabalhos sentido, destes Zemella já aqui, considerar trabalhos tema evidentemente, (1951); encontra-se consagrado também Linhares os ao em trabalhos pela e texto Fragoso Silva, historiografia Francisco Wilson e Schwartz Florentino Cano mesmo C. (1988) T. Raízes (1998). da antes (1980); e de Cabe das Alencastro concentração Lenharo abordagens salientar (2000). (1993). que acima industrial o comércio citadas. em número São Paulo (1998). Em suas palavras: Quando se tenta compreender o processo dinâmico de crescimento de econômico (p. surgimento economia, delas nesse torna-se processo absolutamente de crescimento, necessário e que analisar graus e que tipo partes inter-relacionamentos principais a compõem, entre como elas possibilitam cada uma o 418 ferroviárias, (7) de Vide relatos variáveis um 29). a utilização conjunto de viajantes independentes econômico e fontes livros ou até cartoriais. integrado. não ao conjunto A esse conjunto creio de que atividades se lhe pode sobre chamar o qual atua complexo um certo Economia então pouco e Sociedade, exploradas como Campinas, os inventários, v. 20, n. relatórios 2 (42), de p , companhias ago

3 de Hoje, reconstituição contudo, qual das Domínios é várias a nossa do condições café: capacidade ferrovias, vividas exportação de empreendermos dentro e mercado da interno cafeicultura em São um Paulo esforço ( ) paulista. de pecuária síntese? Em que ponto da interpretação é possível articular as novas informações Será desveladas pelos estudos atuais com a produção bibliográfica dita tradicional? diversificação Vale dizer, em que ponto a produção voltada ao mercado interno, notadamente a citemos e a produção de gêneros alimentícios, se articula com a cafeicultura? alimentos que não se da articulam? produção Qual paulista? a importância Antes da arriscarmos ferrovia na algumas viabilização respostas, e na 1 alguns e da cafeicultura estudos recentemente paulista em suas desenvolvidos múltiplas perspectivas. acerca da produção de mercado Messias O mosaico paulista Araraquara Vários e interno Lélio e São estudos Oliveira. no Carlos, interior ressaltam destaca Messias, paulista8. que a em esta Exemplo existência estudo região que disso (os de versa Campos uma são sobre produção de trabalhos Araraquara) municípios voltada de Rosane ao de população diferentemente do que se imaginava, não eram apenas paragens e freguesias criação fragilmente agrários. erguidas longe dos mais antigos e prósperos nucleamentos urbanos ou consolidando de Destinadas instável gado, uma economia elas e itinerante, inicialmente foram própria, se dedicada transformando a como atender ao uma cultivo viajantes economia ao de longo roças e diversificada, tropeiros, do de século subsistência com próspera, XIX uma e cafeicultura com uma dinâmica integrada às necessidades mercado interno (Messias, 2003, agrícola p. Embora 48, grifos o nossos). trabalho autora se estenda até 1888, não abarcando o auge Hermínia coexistiram de Ferraz nesta com 1915 Borba, a região podemos atividade é assim do imaginar estado, cafeeira. descrita a no que partir A Álbum fazenda estas descrição para atividades Atalaia, o ano de de de 1915: uma propriedade subsistência 9 propriedade de temerária Têm a área de 600 alqueires, na quase totalidade de terras roxas, dos quais 240 destaca plantados com pés café; 100 em pasto com 100 cabeças de gado bovino, milho Piratininga. a (8) existência a Não utilização necessariamente de do hábitos termo e mercado costumes destacando que em uma envolviam época produção tão a remota, de plantação alimentos o trabalho e o destinada fabrico Sérgio da ao farinha mercado Buarque de interno, mandioca, de Holanda pois do é cultivadas primeira e do trigo, como também de outras culturas agrícolas, que remontam aos primórdios da colonização de pois Ver Caminhos e fronteiras (1994), especialmente os capítulos da segunda parte, Técnicas Rurais. A Economia um edição foi publicada em subsistência (9) Não concordamos o termo lavouras de subsistência, pois nos dá a falsa ideia de que eram o equívoco. caráter com o unicamente desenvolvimento e preponderantemente Sociedade, referindo-se para tal finalidade. O termo produção mercantil alimentos nos parece mais adequado, Campinas, às demais do complexo mercantil. culturas econômico paulista (e mesmo antes) estas atividades foram adquirindo v. 20, agrícolas n. Caio 2 (42), Prado que p. não , Jr. aquelas se utiliza ago. destinadas abertamente à exportação. do termo Talvez lavouras daí derive 419

4 Pedro Geraldo Tosi / Rogério Naques Faleiros consumo 45 muares, 30 éguas, 06 cavalos e 01 jumento, 60 alqueires para plantação de entravam cereais e 200 para extração de madeiras (Araraquara, 1915, p. 167, grifos nossos). estações Evidentemente uma parcela produção de cereais destinava-se ao O ferroviárias. no dos próprio giro colonos, mercantil, município porém, muitas de veremos São das Carlos, quais adiante embarcadas eminente que estas centro e produções desembarcadas produtor também que nas Carlos apresentava uma das maiores médias de cafeeiros por propriedade do interior seguintes paulista (cerca de oitenta mil cafeeiros em 1920)10, apresentava destacada alqueires produção do de Pinhal, alimentos. organizada Segundo pelo a Clube Estatística da Lavoura Agrícola em do 1899, município colheram-se São as produção inglesa, quantidades: um milhão e duzentas mil arrobas de café, trigo, (50 litros) de milho, de arroz, de feijão, além de batata batata doce, fumo mandioca11. A estatística alerta que mesmo com esta ocupava aguardente, 9.252,5 uma alimentos área alqueires açúcar, de o município carne e o feijão alqueires seca ainda 4.061,25 e bacalhau. em importava , alqueires, Em enquanto arroz, São revelando Carlos toucinho, a cultura a certo cafeicultura farinha do grau milho de de diversificação em quase café. Dificilmente Nas todo da interior fazendas agricultura. se paulista13, encontraria de maior fazendas dimensão na região unicamente de uma Araraquara parte especializadas e terras São Carlos, na sempre produção como era para destinada à produção de cereais. Lá também, ao lado dos terreiros, das tulhas chácaras das casas máquinas, avistavam-se monjolos para pilar o milho, moinhos para a destinavam-se produção de fubá, pilão para socar o arroz, pastos para criações e carroças mais transportar claramente algumas ao toda plantio partes à esta policultura, das produção de outros terras, resguardando-se, para gêneros, como as também vendas, tendendo cidades evidentemente, próprias esta e faixa estações. fileiras de a propriedades Nos do dominante cafezal, sítios e extremo posição mutuamente. Lélio da cafeicultura. Oliveira, em O café estudo e as que outras versa culturas sobre a conviveram região de Franca, e se viabilizaram situada no 1899 (10) (11) nordeste Camargo Estatística (1981, do agrícola estado, p. 92) município destaca São que Carlos a produção Pinhal, de organizada alimentos pelo Clube e a da criação Lavoura em de Benincasa entre (Truzzi(2004, p. 50). 420 construções dois (12) (13) países, (2003) próprias Termo Trabalhos mas para comumente de também outras a como região atividades ao os utilizado de fluxo Araraquara André de agrícolas no entrada interior de produtos paulista à oriundos época, não de outros se refere municípios. especificamente ao comércio Economia Argolo indicam e criatórias. Ferrão e Sociedade, esta (2004) fusão para Campinas, entre a região a arquitetura v. de 20, Campinas, n. do 2 (42), café e p. e o elementos de , Vladimir e ago

5 Domínios do café: ferrovias, exportação e mercado interno em São Paulo ( ) CMEF aproximação negociação animais, atividades pretéritas à cafeicultura, foram dinamizadas em função da região. dos trilhos da Companhia Mogiana Estradas de Ferro (doravante rurais ali O ou sediadas, autor destes Mogiana), ressalta gêneros voltadas ampliando-se também e tanto das rezes o para caráter criadas a consideravelmente produção híbrido ou simplesmente dirigida muitas à exportação possibilidades engordadas 14 das propriedades quanto na de à monjolo produção dirigida ao mercado interno. No inventário de Joaquim Garcia Lopes café Silva, destacado produtor local, lista-se uma estrutura assim discriminada: três Na paióis, sendo um chiqueiro, um rancho para porcos, dois monjolos, um setenta fubá, uma cocheira com dependências, uma máquina de beneficiar (5:500$000), descrição e arroz, carros tulha quatro dos de bens, para milho café encontrava-se arrobas (1:920$000), e rancho de café para também quinhentos (20:000$000) carros cem boi sacos e (Oliveira, mais de feijão doze arroz 2006, mil (200$000), em arrobas p. casca 94). de Assim unitário deste mesmo como produto nos casos (60:000$000) acima citados, pendentes as sacas da safra de café passada atingiam (Ibidem, maior p. valor 94). Jaú, e absoluto; porém, o que buscamos salientar neste momento é a existência citadas: uma destaca produção O estudo a recorrência, de alimentos Flávia nesta Arlanch em região, regiões de de Oliveira, de características cafeicultura15. que versa muito sobre próximas o município às acima de dependendo produção cafeicultura, a voltada ausência e a região). manutenção ao mercado de Segundo uma das interno maior atividades a autora, que especialização precede criatórias verifica-se e posteriormente (em das com maior unidades a aproximação ou convive menor produtoras, com grau, dos a que trilhos cana-de-açúcar entre da Paulista (1887) diminuição área destinada ao plantio de fumo e de circulavam destaque-se as ruas prioritariamente dos (provavelmente também cafeeiros) a que manutenção nos paulatinamente por mercados conta e ampliação da inviabilidade locais foram substituídas e produção extraordinariamente do plantio pelo de gêneros café, conjugado ainda que em agricultura mercados do mais distantes, tais como arroz, milho e feijão. Oliveira nota que pastos: Ministério capim (14) dos Os gordura da 173 campos Agricultura, municípios roxo e pastos e Jaraguá; Indústria do desta estado há região e campos de Comércio São são ervados; Paulo, assim de 1913: descritos realizado é célebre nos pelos o campos: capim Serviço Questionários gordura mácega, de Inspeção de capim Franca, sobre e lanceta, as defesa cuja condições semente agrícolas etc.; nos da é no tão espalhada pelo Brasil, com tantas vantagens para agricultores, que muito o procuram. Agradecemos presença podemos gentileza (15) de observar Henry Aparentemente, neste Marcelo trecho Martins tais extraído Silva características de que Mônica nos proporcionou são Ribeiro perceptíveis de Oliveira: o contato nas A com demais existência esta áreas documentação. de de lavouras cafeicultura, alimentos como Economia (1983). mercado municípios interior destas para e da fazendas Sociedade, a zona lavouras satisfação mata cafeeiras implementava deve ser a capacidade considerada reprodutiva um traço das estrutural fazendas do que sistema precisavam agrário recorrer cafeicultor menos (...) ao a Campinas, das mineira. necessidades v. Ver 20, Oliveira, n. 2 subsistência (42), M. p. R , (2000). da unidade. Ver ago. também O estudo o estudo da autora de João trata Luís de Fragoso alguns 421

6 diversidade Pedro região Geraldo Tosi / Rogério Naques Faleiros predominância a autora, de Jaú a de apresentava racionalidade tipos terra de roxa uma solos estabeleceram-se da expressiva organização que ali heterogeneidade se as encontravam. maiores espaço fazendas, fundiária produtivo Nas onde, porções em em função segundo termos com da o capitalistas jauenses fazendas, com estava solos mais de presente pior qualidade (Oliveira, predominavam F. A p. as 153). pequenas Já nas e paragens médias que mais diretamente propensas à policultura, mas onde também se cultivava semelhante café. indiretamente A partir de estudos que não versam diretamente sobre a cafeicultura, mas que tratam de outras regiões paulistas, podemos imaginar um caráter econômico interno, aos acima citados. É o caso, por exemplo, das regiões que se ligavam quadrilátero às feiras de muares Sorocaba, tais como Botucatu e Itapetininga, desvio foram aos poucos se destacando na produção de alimentos voltada ao mercado que vinham dos prioritariamente impostos do do açúcar sul cobrados para ao como Rio abastecimento nas Claro também barreiras e Franca, se das constituindo comerciais, tropas entrepostos contrabandeando mas como também situados interessante destinada a norte as rota mulas (Di ao de também por predominância Creddo, 2003, p. 59). A recorrência de pequenos plantéis escravos, destacada e César Múcio Silva, corrobora a hipótese de uma formação econômica com no nas regiões de pequenas ao sul do estado propriedades (Silva, 2004), com definindo baixo grau um tipo especialização de sociedade a de atividade econômica com a qual a cafeicultura iria se defrontar futuramente, Companhia final do século XIX e início século XX. Guaçu, O estudo de Hilário Domingues Neto evidencia outra região paulista onde Ferreira, produção voltada Paulista ao de mercado Estradas interno de Ferro teve e destaque. Navegação Trata-se que operava do trecho no rio fluvial Mogi- da desenvolvia proximidades num percurso de duzentos quilômetros, cortando as regiões de Porto economia Santa Rita Passa Quatro e estendendo-se ao norte do estado, nas vez que pelos de no abastecimento seguidos de vale Barretos. do anos Mogi-Guaçu Domingues interno de operação com direcionava-se Neto base do trecho destaca agricultura fluvial mais que diretamente ( ) a e economia na pecuária, para que tráfego uma se cafeicultura de outras mercadorias (inclusive o sal) fora mais substancial que o café circuitos (Domingues Neto, 2001). diversidade. O que em se grandes verifica escalas na Província é a convivência de São Paulo inter-relação em período precedente diferentes à 422 (16) Ver e produções, Santos Casa (1980). Branca16, formando por exemplo, um mosaico fora destacada e um cenário praça marcado comercial pela de Economia e Sociedade, Campinas, v. 20, n. 2 (42), p , ago

7 Domínios do café: ferrovias, exportação e mercado interno em São Paulo ( ) Sorocaba17, escravos de parcela vindos de Minas Gerais, alocados prioritariamente nas regiões produtoras sal açúcar de Campinas, Piracicaba, Porto Feliz e Itu, que por sua vez demandavam parte no do centro-oeste gado utilizados comércio em pé brasileiro para vindo de transporte muares e, Goiás em provenientes sentido e tração. de Uberaba contrário, Franca18 do com sul recebia polarizava destino e transacionados e ao despachava o Rio comércio Janeiro boa mineiro, (capital), à cidade de São Paulo e a Campinas, pela antiga estrada dos goiazes. regiões polarizando Barretos, posteriormente cortando ao norte o comércio do também estado, cortadas os destacava-se gado Campos pelas proveniente estradas de Araraquara. atividades do de Taboado ferro criatórias No da e extremo do Sorocabana e atual de invernadas oeste, triângulo e nas da especialização Noroeste tocada pelos negociantes, Brasil, verificava-se que valiam uma vida do apresamento econômica menos de indígenas intensa, utilizando porém já o uma caminho cultivado espécie das com Monções. mão-de-obra na polo produção centrípeto No cativa, Vale de café, de do e toda a Paraíba capitaneada capital esta paulista do formação estado pelo já capital aos econômica se verificava poucos fluminense ia função uma tornando e maior ainda que CMEF, ocupará definitivamente com o advento das ferrovias e da industrialização. traçaram É este o cenário econômico com o qual os empreendimentos ferroviários estabelecidos irão se deparar no final do século XIX. Evidentemente, companhias como a certo a Paulista e a Sorocabana tinham ciência todo este volume comercial mais planos para, de alguma forma, trazer para si circuitos comerciais já acionistas rentável) que as potencialidades e destas tinham que certamente companhias forte peso de seriam tal na desconheciam ou decisão qual dinamizados região dos traçados; para pelos circuitos, a porém, cafeicultura trilhos rotas, vale e pelo produtos perguntar: (atividade café. É empresa, Navegação, caminhos Em lavrados já artigo estabelecidos? Perinelli que entre Neto versa 1869 Cremos evidencia, sobre e 1909, que a Companhia alguns a não. partir Vejamos dos dos Paulista motivos relatórios algumas de que Estradas evidências. levaram Diretoria de os Ferro trilhos desta e das direção ao norte do estado, especialmente à região de Barretos. O autor parcela demonstra gado referências existente considerável que entre a aos Cia. relatórios, Goiás, das Paulista rotas Minas objetivava salineiras, ressalta Gerais, o capturar interesse viabilizando Mato Grosso da parte Paulista a navegação e do São comércio Paulo, em drenar fluvial pois, de sal para do numa e rio de si (2003). Economia (18) (17) e Sociedade, Cf. As Tosi feiras (2003, de Campinas, Sorocaba cap. 1). também v. 20, n. abasteciam 2 (42), p. o , mercado mineiro, ago baiano e fluminense. Cf. Chiovitti 423

8 Pedro Geraldo Tosi / Rogério Naques Faleiros governo polarizado Mogi-Guaçu Paulista também por (o que Barretos, planejava ocorreu haja garantir entre vista 1890 sua a e exitosa atuação 1903, conforme influência no histórico vimos que comércio exerceu acima)19. de sobre A gado Cia. o os de paulista para a efetuação de melhoramentos na estrada que ligava o Porto beneficiar Taboado a Jaboticabal. O objetivo desta nova rota interromper o comércio Cia. gado existente entre o atual Mato Grosso Sul e Uberaba, uma vez que de lá pelos animais de eram circuitos embarcados comerciais nas já estabelecidos estações e CMEF20. cada vez Assim, mais promissores, além de se a da Paulista visava também restringir as potencialidades de sua concorrente direta visando mercados do sertão, a Cia. Mogiana. viessem A Cia. Mogiana, por sua vez, também tinha seus projetos de extensão no malha ferroviária em direção a importantes centros comerciais do sertão, jornal atuar no comércio de sal, de gado e demais produções porventura linha passado, férrea, O a Nono atingir a considerava partir Districto, um maior alguns pudemos grau polos trechos de dos perceber desenvolvimento. circuitos relatórios que comerciais a CMEF, desta Em companhia ao estudo já definir estabelecidos que publicados o realizamos traçado como no da obstáculos pontos estipulados obrigatórios nos contratos de passagem, garantias obedecendo, juros. Não é evidentemente, aqui necessário salientar destinos que modo as novas zonas promissoras para a cafeicultura, as disputas políticas locais, tronco Nacional que extremamente em a geográficos CMEF, distantes ao sinuosa e fim paragens os e nexos ao e repleta cabo, (tributação) que por envolviam de ramais todos também estes e a sub-ramais própria motivos, pesavam legitimação entre possuía neste Campinas-SP cálculo, uma do Estado linha- de fluvial: produto portanto, planejamento tenciona-se em (19) que Uberaba O o recolhem ano estabelecer seja de 1877 junto menor deixa um aos do serviço trilhos um que pouco aquele da de Mogiana. transporte mais que claro é carreado Visando de o sal motivo no pelos levar rio de carros Mogi-Guaçu, esse estender intento de os boi trilhos até cujo vindos o fim até custo de é o Casa que referido final ocorre Branca, desse vale o exportado vinte quilômetros de de estender excelente os caminho, trilhos até até Pirassununga, Porto Ferreira. pois Cf. assim Perinelli ficará Neto o sal (2008, a distância p. 4). apenas de dezoito a para essa vasta (20) região, productos Trecho que tem de uma sua por Ata indústria, centro lavrada a que em povoação 1895 consiste revela de principalmente Sant Anna esta intenção do Paranahyba, da criação Cia. Paulista: do em gado falta Até vaccum, de o presente outra pela sahida cidade momento tem 424 antes Uberaba, onde são encaminhados para São Paulo, ou para o de Minas. Basta, porém, lançar um olhar a a carta geographica da República para ver a imensa volta que é preciso fazer para vir de Geral Paranahyba então São do comprehender José porto 02 do [atual Rio do abril Taboado Paranaíba-MS] Preto. de o considerável (sic.) junto Arquivo Cf: a a confluência encurtamento Uberaba, Relatório Público com de destino distância aos que centros haverá povoados com a ligação de Minas directa e São de Paulo, Sant Anna e desde ou Economia do da Estado Directoria rio e Grande Sociedade, São com Companhia Paulo o Campinas, Paranahyba, (Perinelli Paulista Neto, v. á 20, Villa para 2008, n. de a 2 sessão Jaboticabal, (42), p. 7-8). p. de , Assembléia passando ago

9 e Mapa Araguari-MG, seu ponto Domínios final, do café: situada ferrovias, na exportação divisa e mercado deste estado interno em com São Paulo Goiás21 ( ) triângulo no Anexo). (ver Leopoldina, era Na verdade, as aspirações Companhia Mogiana iam muito além do fluvial mineiro. Um projeto seriamente considerado pelos dirigentes e acionistas esta a forma extensão que seria todo ponto dos organizada o no sul trilhos qual do alcançaria Império até pelo General margens a também Couto Amazonas do almejada rio de Magalhães, Araguaia, (Tosi; companhia no conectando-se Faleiros, Porto de navegação de 2000, Santa por p. vez 114). Há que considerar que com o advento da República planos diminuiu integração estados que menos a em capacidade nacional função desenvolvidos e da a reforma própria oferecer (como capacidade tributária22. benefícios Goiás) política Isso e foram garantias talvez e seriamente econômica ajude juros a explicar restringidos, aos dirigentes investidores o fato uma de de a vicissitudes Cia. Mogiana nunca ter cumprido o seu desiderato (Tosi; Faleiros, 2000, p. com 126). foi São Paulo Paulo da Roberto integração (via CMEF), de Oliveira, fluvial destaca em Goiás que estudo o com fluxo que o de Pará versa cargas e sobre da no integração as ramal possibilidades de ferroviária Catalão23 e empolgar ( exportação ) ( importação ) considerado os acionistas no representava satisfatório trecho a singrar mineiro no 42% início o representava do rio do total. Paranaíba século Isso, 24% XX, rumo porém, pois do a total Goiás, não o transporte da fora e linha, o suficiente ramal de e o animais Catalão de para sal nas pela Sacramento, passam (21) Exemplo disso são os apontamentos sobre a rota comercial do Barreirinho, que seria capturada consome Cia. Mogiana caso se dirigisse ao município de Sacramento-MG, como realmente aconteceu: O commerciaes, que fica ao norte de Franca, e muito à direita de Uberaba, e é servido pelo porto do Barreirinho, gêneros, proximidades Jaguara, é hoje um dos mais importantes centros do commercio sertão. Por aquella cidade Suja, actualmente mais de saccos de sal anno, o mesmo que dizer duas terças partes do sal que Goyaz o centro, sem contar outras mercadorias. Existem no Sacramento diversos estabelecimentos Jaraguá, Carmo 18 do sendo a Paranahyba, 20 mil um saccos dos mais Bagagem, de sal. importantes Toda Sant Anna, a parte o de de Brejo, Simão Minas Dores Caleiro que comprehende que Santa vende Juliana, Araxá, para Paracatu, o Patrocínio, centro, Formosa, além Patos, de outros etc. Água e passo cidade desde a capital, Santa Luzia, Bonfim, Meia-Ponte, Villa Bella, Santa Cruz, Pouso Alto, Caldas, Rio Verde, entre Catalão, Vaivém, Corubá e outros, fazem quase todo o seu abastecimento no Sacramento ou n esta demais. que pela (22) os via Segundo impostos Barreirinho. a advindos Constituição (sic.). das exportações Cf. de 1891 Jornal O pertenceriam impostos Nono Districto, advindos aos 15 Estados. das jul. importações 1883 Isto (Tosi; criou Faleiros, pertenceriam uma marcada 2000, à p. assimetria União, 122). ao Jaguará, o poder econômico de governos estaduais mais diretamente ligados à exportação de algum produto os Economia Engenheiro Haja vista, por exemplo, os recursos destinados pelo de São Paulo para a atração de mão-de-obra Sucupira, estrangeira, experiência que fora muito mais tímida nos demais estados da federação. cereais foi (23) até Uberabinha sempre e Lisboa, Este Araguari-MG, Sociedade, pouco ramal Paineiras, (atual significativo. se estendia sendo composto da divisa pelas entre o estações estado de São Jaguará, Paulo Sacramento, com Minas Gerais, Conquista, na estação Guaxima, Campinas, Uberlândia), Gamma, v. Cf. 20, Sobradinho Oliveira, Rodolpho n. 2 (42), P. e Paixão, R.. Araguari. p. (2007, , Uberaba, p. Neste 59-63). ago. trecho Mangabeira, da linha, Palestina, o comércio Burity, de café Irára, e de 425

10 Pedro Geraldo Tosi / Rogério Naques Faleiros internacionais diminuição da CMEF nunca tocou o município goiano que lhe batizara. O autor explica que esgotamento crise econômica da década de 1890 e o peso crescente dos empréstimos que obstaram qualquer possibilidade de prolongamento frente à expansão o trecho dos da dos mineiro trilhos receita solos da ocupados rumo desta CMEF a companhia Goiás, pela fora cafeicultura. sempre região ferroviária deficitário, economicamente Há que em o se função que considerar desencorajava semelhante do paulatino também ao a prolongamentos triângulo Aventamos seriam mineiro, ou seja, com predominância das atividades criatórias. menores subscritos do também que em em direção eventuais a Londres possibilidade a promissoras (principal incursões de rumo praça que zonas os ao creditícia) cafeeiras, empréstimos Brasil Central, se pois a CMEF internacionais os revelando riscos anunciasse seriam certa só por discricionariedade ferroviárias. estender Preterindo seus Goiás do trilhos capital e os pela planos financeiro zona iniciais cafeeira internacional de do prolongamento, sul de sobre Minas as a (Muzambinho, CMEF companhias optou Cabe Guaxupé, São Sebastião do Paraíso e demais municípios região) em face da acesso decadência (Ribeirão dos principais centros produtores de café tributários de sua linha Estrada Preto, São Simão, Cravinhos e Amparo) verificada a partir de de lembrar que a Cia. Mogiana, em função do privilégio de zona, não tinha como às zonas Ferro cafeeiras Sorocabana, do oeste da Estrada paulista, região Ferro Noroeste tributária do Brasil Cia. Paulista24, e da Estrada se Ferro Araraquarense, como também estradas de ferro de menor dimensão trecho a Douradense e a Estrada de Ferro de Morro Agudo25. operacionais? Em que medida esta discussão a respeito dos prolongamentos ferroviários por relaciona com nosso objeto de estudo? Ora, será mera coincidência o fato de o despeito não cafeeiro Cremos da que CMEF, não. Por no qual triângulo motivo mineiro, esta companhia registrar seguidos ferroviária déficits optou criatórias. desbravar do prolongamento as zonas mais rumo propícias a Goiás? à cafeicultura A resposta, no como sul veremos, de Minas liga-se Gerais às a 2 especificidades Especialização da relação entre a cafeicultura e as demais atividades agrícolas e Neste ponto relativa da análise ao nível somos da tributários produção da noção de complexo cafeeiro cafeeiras desenvolvida no âmbito da Escola de Campinas. Tal como transcrevemos em nota Alta dos projetos 426 Paulista. (25) (24) além iniciais Ver Interessante de Pereira Jaú, de tais seus (2005) notar como acionistas, que e Presidente Nunes a Cia. também (2005). Paulista, dirigiu a despeito seus esforços da pujante para pecuária estender de seus Barretos, tentáculos do para Mato-Grosso as regiões e Economia Alves, Lençóis e Sociedade, Paulista, Campinas, Garça e Marília, v. 20, em n. trecho 2 (42), conhecido p , como ago

11 na de introdução uma formação deste econômica, texto, Domínios a perspectiva do lançando café: ferrovias, de luz exportação Cano sobre (1998) e os mercado mecanismos visa interno apreender em São e inter-relações Paulo a totalidade ( ) econômicas economia produção, estabelecidas no processo de acumulação de capitais. Parte da ideia de que a interior da paulista América aspecto pretéritas, operava, Portuguesa. qualitativamente tais como a partir Ainda a cana-de-açúcar diferenciado 1886, segundo Cano base em nordeste (1998), relação relações esta e a às capitalistas mineração característica formações no de como conjunto, possibilitou o adensamento do mercado e uma pujante produção de alimentos, no inicialmente subsidiária produção cafeeira, pois ambas eram praticadas em 689, aspecto típico das relações de colonato. Segundo o autor, tomando-se do índice 100 a produção média de , os principais produtos evoluíram, cidades, estado período algodão demandas , 509 São e Paulo café cada da 192 seguinte duplicou, vez (Cano, maiores forma: aumentando 1998, à açúcar produção p. 75). e 338, impondo, No de feijão mesmo alimentos, sobretudo 331, período milho que a nas 215, população apesar grandes arroz a crescente, ainda não atingira a autossuficiência. requisitos Os dados acima expostos denotam a existência de um intenso fluxo de pensamos mercadorias formação para ser de agrícolas necessária uma a industrialização oferta (exclusive uma contínua melhor café) paulista. e crescente qualificação espaço Concordamos fora, interno de segundo como com funcionava estado o tal autor, assertiva, de São um a produção dos Paulo, porém, pré- e trabalhadores econômico, mercantil de alimentos nas regiões ocupadas pela cafeicultura. O ponto partida formação deve ser a isto análise é, as das relações relações de trabalho de produção travadas mais imediatas campo entre deste fazendeiros complexo e demais e trato (genericamente de cafeeiros chamados definiam-se colonos)26. exatamente Ao quantos lavrarem cafeeiros escrituras seriam de (cafeicultura) formados fronteira e/ou tratados como também espaços disponíveis ao plantio das sendo culturas, fazendas agrícola corresponde em fazendo-se café expansão. um um espaço necessário, crescimento Nestes de recorrência termos, evidentemente, considerável à expansão da policultura, a dos da existência atividade demais tendência plantios, de nuclear mais uma a que nítida livre possuíam nas A comercialização despeito unidades menos de produtoras de literatura dos cafeeiros). alimentos que de pequeno aponta produzidos27, a e ascensão médio porte social Faleiros (referimo-nos de colonos desenvolve mediante aqui às o invariavelmente os argumento mamonas termos e batatas que parcela foram concentradas significativa pelos destas fazendeiros, produções pois de arroz, estes, milho, ao definirem feijão, Economia (26) de contrato, estabeleciam cláusulas preferência de venda (27) e Sociedade, Cf. Em Faleiros especial abaixo (2010). Campinas, o trabalho dos de preços de mercado e taxavam sobremaneira estas v. Holloway 20, n. 2 (1984). (42), p , ago

12 Pedro atividades, pulverizada Geraldo Tosi / Rogério Naques Faleiros em difundido notadamente transporte e beneficiamento, de modo que a comerciais) produção dos colonos do café, ao final do ano agrícola, encontrava-se produção substanciais quantidades nas mãos dos fazendeiros. Outro mecanismo bastante Os e que agia no mesmo sentido eram as Vendas (estabelecimentos também localizadas nas fazendas e nas quais, mediante a entrega de parte trabalhadores adiantamentos de alimentos, colonos adquiriam os bens necessários para a sua vida. É agiam certo eram no que mesmo livres e estas empréstimos para sentido, culturas negociar de liquidados tinham modo seu produto. autonomia que com seria alqueires incorreto muito relativa, de pensar arroz conforme que e milho estes dimensão. industrialização assinalou Wilson Cano28, mas também eram capazes de garantir certo retorno aos consideramos fazendeiros, principalmente se considerarmos um cenário de rápida e intensa estratégia e correlata urbanização, criando-se um mercado de maior Não negamos a centralidade do café no processo acumulação, porém das que, para o fazendeiro, atuar no mercado de alimentos era uma Faleiros interessante, e, por isso, operacionalizaram uma série de estreitamentos capitaneada mercado escrituras (2010)). aos pelo de seus formação café, O subordinados ponto sobretudo e trato é que de pelo cafeeiros existia fazenda, fato uma (como sendo que hierarquia gerava ficou o nexo dito, divisas, perceptível de pesquisadas rentabilidades o que a partir não por rendimentos significa dizer que as demais atividades não tinham importância. Assim, a arroz dualidade dos negócios. mercado Talvez interno/externo não fizesse parece tanta diferença se desfazer ao sucumbindo fazendeiro à o própria fato de lógica seus Paulista, estarem vinculados ao consumo café na França ou ao consumo de tentáculos na metrópole paulistana, conquanto que se realizasse o valor. mais Este argumento talvez explique porque as Companhias Mogiana e expandiram-se distantes num às áreas determinado para com Goiás o sul potencialidade de e momento Mato Minas Grosso. Gerais de para suas e a Estas trajetórias, para produção o companhias, oeste de optaram paulista café, e por respectivamente, não (ramal estender às paragens da Alta seus amplo moldes Paulista), em detrimento dos planos de expansão citados anteriormente. A questão investimentos é: sem de uma de diversificação uma atividade de economia grande de escala, e alta agroexportadora, dinamização lucratividade tal como que as em não ferrovias. seria termos se atrativo verifica Talvez de preços (pré-condição) um por processo internos, isso o Brasil mais para nos 428 vinculado (...) relativa. Essa (28) agricultura Cf. ao Cano processo O desenvolvimento (1998, era totalmente desenvolvimento p ). e dependente a diversificação agricultura paulista (exclusive café) está intimamente Economia da cafeicultura, da atividade e Sociedade, que nuclear, se expandiu Campinas, o café, ao e, consolidar v. portanto, 20, n. 2 tinha o (42), sistema autonomia p. de , colonato. muito ago

13 tenha, consequentemente, até os dias atuais, Domínios problemas do café: ferrovias, com exportação a integração e mercado do interno mercado em São Paulo nacional29 ( ) e, disparidades regionais crescentes30. circuitos. Do destacar Nos ponto Questionários a de importância vista do mercado da sobre cidade interno as de condições São para Paulo a produção da para agricultura a de efetivação alimentos, dos 173 dos há primeira municípios agrícolas quesito do estado de São Paulo, realizados pelo Serviço de Inspeção e defesa produtos exportação/importação31 do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio de 1913, a capital, no questionários é assim descrita: Importa cereais, gêneros produzidos necessidade, matéria-prima para as construções, fábricas, etc. Exporta Itapecerica manufaturados, tecidos, etc. 32. Ainda sobre importações, divisão revelam que os cereais consumidos em São Paulo eram quase todos mercado no interior e em parte nos municípios vizinhos de Cotia, Guarulhos, especializou e Santo Amaro. Nestes termos, tal circuito comercial denota uma construção, do interno, trabalho na onde produção os municípios de alimentos, do interior cereais se especializaram, por suposto, e no a âmbito capital do se deterioração na produção bens de consumo industrializados e materiais do tais como as cerâmicas produzidas nas argilosas margens dos rios especialização Tietê trabalho e Pinheiros. dos uma termos Evidentemente, concentração troca, verifica-se, de trouxermos renda a na partir à capital, baila deste o circuito construída conceito desta cepalino sobre divisão uma de economias-mundo33. Fernand relativa Braudel Segundo ao nível ilumina o da autor, produção. esta as questão economias-mundo ao definir têm os um espaços limite, das um capitalismo lhe economia-mundo centro um e sentido, são já hierarquizadas. dominante, tal implica como as em seja Elas margens um qual têm centro for explicam limites a em sua e benefício forma; a o linha mar e que (Braudel, são uma hierarquizadas, contorna cidade 1996, conferem- p. e de 16). sendo um A do entre (29) (30) Neste Quanto ponto, à questão ver Paula dos limites (2002, da v. acumulação 1, p. 7-39). cafeeira e a expansão da ferrovia para além dos limites Santana, estado de São Paulo, ver Tosi e Faleiros (2000). e (31) Cabe lembrar termos exportação e importação não se referiam exclusivamente ao comércio habitantes diferentes países, mas designavam quaisquer tipos entradas e saídas ao nível municipal. São Vila Americana. (32) Tremembé, da metrópole. Verificava-se Estas Carandiru, Cf. produções, Questionários capital Perdizes, segundo paulista Água sobre Branca, desenvolvida os as questionários, condições Cambuci, cultura da Ipiranga, agricultura eram de destinadas hortaliças Mooca, dos 173 Cantareira, e ao verduras municípios consumo Avenida nas dos regiões estado próprios Paulista de Economia conferem Paulo (1913, p. 448). Destacavam-se as produções de abóbora italiana, alface, tomate, chicória, pepino, considerar economicamente cebola, couve, (33) certa que A repolho, e Sociedade, se unidade autônomo, ligam economia-mundo pimentão, a orgânica. conjuntos alcachofra envolve e nabo. apenas um fragmento do universo, um pedaço do planeta Campinas, capaz, Cf. maiores no v. Braudel essencial, 20, via n. (1996, comércio 2 de (42), bastar p. p. 12). e , crédito. a si No próprio caso ago. de e economias ao qual suas agroexportadoras, ligações e trocas há internas que se 429

14 Pedro Geraldo Tosi / Rogério Naques Faleiros diferenças conjunto. esse sendo espaço a única a voltagem, soma relativamente de economias através rica das no particulares, quais seu fica centro. assegurado umas Daí pobres, resultam o funcionamento outras desigualdades, modestas, do Araguari-MG estavam verificando-se, Podemos pensar, a partir destas definições, que as regiões além de atraso. (no caso Mogiana) e além Barretos (no caso Paulista) conjunto fora dos limites das trocas, ou eram superficialmente tocadas por elas, estão a partir daí, baixo grau de integração com o centro e o recorrente acumulação A capital paulista, como vimos, exercia papel central, constituindo um concentração de múltiplas coerências, pois as diversas zonas de uma economia-mundo não sempre voltadas para um mesmo ponto, o centro, lugar de eleição da especialização se e onde se verifica mais claramente um processo centralização e Cidades-etapa da riqueza. Isso não implica dizer, ainda com Braudel (1996), que ou verifique em algumas cidades do interior paulista um processo de papel restrito à esfera da produção agrícola. redor, rodeiam polo a maior ou menor distância mais respeitosamente que menos ela secundário. remetem lhes, confia, associadas para Sua agarram-se ela atividade o ou fluxo cúmplices, ao dos ajusta-se crédito negócios, mais ou à da submetem-se frequentemente redistribuem metrópole: a ou montam ele. ainda encaminham (...) sujeitas As guarda metrópoles ao bens seu Piracicaba, apresentam-se expressão dá a com imagem um (Braudel, séquito, uma 1996, comitiva p. 20). (...) um arquipélago de cidades, e a arquipélago Campinas, de Marília, cidades-etapa, Ribeirão Franca, Preto, especializando-se Presidente São Carlos, Prudente São em algumas José e do Bauru atividades Rio Preto, compõem produtivas Sorocaba, este comanda. necessárias para o funcionamento desde complexo econômico (bens de consumo), café como também, em âmbito regional, na atividade creditícia, comercial e de disponíveis investimentos nas fronteiras de expansão cafeicultura34. Porém, o centro especializam E o faz porque exerce a liderança sobre as atividades de exportação do diversificação no setor financeiro e atinge alto grau de especialização para as técnicas especialização (industrialização). As demais regiões deste complexo econômico se patamares mais claramente na agrícola voltada à exportação e explica no que se refere à mercantil de alimentos (ou (transportes). pela do centro. especialização relativa Tal ao diferenciação, nível absoluta da produção), que ao engendra nível sem, do contudo, o reforço crédito atingir das e hierarquias, da circulação mesmos se 430 (34) Cf. Faleiros (2007, p ). Economia e Sociedade, Campinas, v. 20, n. 2 (42), p , ago

15 Domínios do café: ferrovias, exportação e mercado interno em São Paulo ( ) se refere 3 Especialização absoluta ao nível do crédito e circulação (transportes) produtiva Sobre uma produção e comércio marcadamente diversificados construiu- paulista toda uma estrutura caracterizada por uma especialização absoluta no que se pessoal às formas crédito agrícola e aos transportes. Nestes pontos da cadeia emulador se percebe nitidamente papel central da cafeicultura na economia instalação de então. Desde primórdios da produção de café, passando pelo crédito como (hipotecário), a figura do Comissário ganha destaque como o principal paulista. dos investimentos. Sem o crédito dificilmente poderíamos imaginar a de desta atividade econômica no Vale do Paraíba fluminense e paulista, verifica-se grosso também Quando calibre que não a se maior quanto poderíamos observa parte diferentes de financistas explicar seus faixas recursos a locais expansão de prestamistas, era (designados destinada desta atividade tanto como à cafeicultura de para capitalistas), comissários o oeste e às ainda atividades produtos aos adiantamentos mais citadinos, correlatas, central neste necessários de não insumos complexo apenas para ao e econômico de a financiamento efetivação maquinário35. se das pensarmos dos colheitas, A plantios, importância que para mas o cafeeiro a sazonalmente do aquisição crédito produz de é de frutos uma baixa somente Exemplo produtividade. a partir desta modalidade do quarto ano, de crédito e, ainda são assim, escrituras registra-se de nos compra anos e iniciais venda ao café, pesquisadas por Faleiros (2010), aonde se tinha, de fato, uma escritura empréstimo. se comprometiam Mediante a entregar aos adiantamentos sua produção, feitos como pelos a empenhassem prestamistas, os como fazendeiros garantia tendência dinheiro sacado, apresentando aos representantes dos credores (ou aos próprios) presença os conhecimentos embarques fornecidos pelas ferrovias. Assim, nestes termos, considerar homens crédito iam envolvendo e dominando toda a produção cafeeira, que recrudesce a partir de 1906, momento no qual se verifica uma maior embarcados das Casas Comerciais internacionais cadeia do crédito. Há que se favorável também que a classificação dos grãos era feita em Santos, de modo que capital produtores não tinham nenhum poder para determinar a qualidade dos grãos locais no interior, abrindo espaço para uma negociação amplamente processo aos prestamistas-comerciantes, em geral, representantes do grande pequenas e cafeeiro36. do de garantias crédito exploração Em hipotecárias direcionado escalas ainda mais ofertadas à pequena intenso, modestas, por cafeicultura, pois este tratando os perfil prestamistas, de agora o proprietários, que dos em verifica capitalistas função praticam é das um Economia (35) (36) e Sociedade, Ver Teodoro Perissinotto Campinas, (2006). (1994). v. 20, n. 2 (42), p , ago

16 Pedro taxas econômica Geraldo Tosi / Rogério Naques Faleiros por de juros ainda mais altas, principalmente em momentos de política para contracionista37. cafeicultura, sua a Os valorização vez, capitalistas tornavam-se de seu locais, também capital. comissários reféns Em quais das e estreitas Casas atividades Comerciais possibilidades investiriam internacionais, existentes senão na criado atividade, também nas ferrovias (cujas receitas estavam diretamente ligadas a esta uma como veremos), na dívida pública (atrelada à saúde financeira do país, quase diretamente ligada ao café) ou na indústria (como mercado, no limite, era é difícil especialização totalidade, pela imaginar atividade notadamente um cafeeira)? absoluta fluxo no Assim, do interior, crescente ponto nestes era de e drenado termos, contínuo vista para o do que a crédito cafeicultura. se crédito percebe que, disponível à Por época na isso sua é quase justamente formação especificamente neste à ponto produção que se de manifesta cereais, à de pecuária forma e mais à própria evidente indústria a mazela nascente. de uma É ferroviários totalidade Neste econômica se quadro, organizassem invertido de seria perfil na atividade de também agroexportador: outra forma que difícil gera senão imaginar divisas. o em crédito função que da os da sociedade empreendimentos atividade é nuclear sua existiam deste complexo econômico e a partir um amplo leque de garantias oferecidas café pelo Estado. Analisemos agora mais detidamente o caso da Companhia Mogiana para Estradas ascende diferenças de a mais Ferro, tarifárias do iniciando que para dobro pela as do composição diversas que das mercadorias, outras frete. mercadorias Flávio sendo Saes que importantes aponta a tarifa que do 100 estradas de ferro. no Por exemplo, em 1874, o café paga 206 réis por tonelada-quilômetro de transporte, 290 ao passo que os gêneros alimentícios (não destinados à exportação) pagam apenas conforme máximo réis. Este Assim, prevalecesse 480 diferencial réis portanto, um tonelada-quilômetro se o ou mantém retorno outro tipo por no de tempo, serviços mercadoria e uma semelhantes gêneros vez (Saes, que alimentícios 1940, em se modificava 1936 p. 121)38. o no café máximo muito paga (1874=100,00): este tema (37) (38) ver Tosi; Não O Tarifas é aqui a ocasião de uma maior discussão a respeito crédito à pequena cafeicultura. Sobre Café Faleiros e Teodoro, 2007, p. 1-22). Gêneros autor, para Alimentícios à página o transporte 124, apresenta-nos 1874 o seguinte quadro 139, ,00 a respeito 140,00 223, da evolução tarifária suficiente Animais 152,72 254, transporte Madeiras 140,00 291,66 do café era Embora para de de animais 392 ultrapassar Variação os t/k. itens era Dados de de o animais Taxa custo 140 da CMEF. réis de de câmbio por frete e madeiras tonelada-quilômetro, 100,00 apresentem uma 272,04 maior evolução 627,95 tarifária, esta não fora Economia do café em e Sociedade, termos de e o toneladas de Campinas, madeiras por era quilômetro. v. 20, de 151. n. 2 O (42), Em custo 1936 p. de , o transporte custo de ago

17 ferrovias, A uma partir vez deste que Domínios na ponto diversificação do o café: autor ferrovias, explica da exportação produção o e mercado declínio paulista interno da e em de rentabilidade São seu Paulo impacto ( ) das na incorporar composição dos fretes percebe-se a prática de tarifas reduzidas, implicando em desgaste menor o receita quando o café tem menor participação no total tendência clara As passar dos anos, sobretudo quando as estradas de ferro deixam de especialização novas zonas à produção cafeeira, verificando-se, assim, em função do menor das mercadorias percentual zonas produtoras, for que de menor) vêm café substituir (mesmo queda com receita da que o participação café se menor levam mantenha do à que mesma ou café a eleve do ou na café. maior receita o valor Desse despesa total39. absoluto modo, (se de o a transporte café transportado), provoca o aumento do coeficiente de tráfego (Saes, 1981, p. estradas 147)40. Tal aspecto denuncia uma especialização absoluta no que se refere ao entre ferroviário e da principal forma de circulação de mercadorias: as companhia 1888 Vejamos de ferro. ferroviária, agora A como especificamente partir esta da característica consulta ao que aos se manifestou refere Relatórios ao volume na da receita Diretoria tráfego da CMEF desta período passageiros e cargas, sistematizamos algumas informações e desenvolvemos os dinamização gráficos No e em tabelas que e tela o se crescimento que uma refere se quantidade seguem. às toneladas do complexo crescente, transportadas cafeeiro, o que pela se indica, Mogiana, traduz evidentemente, notadamente percebe-se nas no a pela quantidades de café, de cereais, de materiais de construção e animais entre embarcados nas estações CMEF. e consequentemente CMEF, 1888 A seguir e da temos quantidade Estas dos as curvas curvas fretes. de revelam café da Observem quantidade e uma diversificação quantidade que total em de 1892 de toneladas crescente cereais transportadas embarcadas produção mil ao consideravelmente, transporte toneladas total das sendo café da quais CMEF, acompanha o duzentas transporte ao passo mil total muito referem-se que de mercadorias proximamente em 1914 às sacas as estimado linhas de a café curva em se embarcadas. novecentas distanciam referente operações parcela acompanhou (39) O autor considera também o peso crescente do endividamento internacional, que comprometia Economia quinquênio significativa (40) de e a Sociedade, Coeficiente transporte. desvalorização o da coeficiente Assim, receita cambial. das companhias ferroviárias, como também o reajuste das tarifas, que não Campinas, tráfego a de um tráfego se v. maior refere 20, da n. coeficiente à CMEF 2 razão (42), era entre p. de , 55,488, tráfego, despesas e corresponde ago. entre e a receita derivadas uma era menor 79,826. exclusivamente rentabilidade. das No 433

18 Pedro Geraldo Tosi / Rogério Naques Faleiros ,00 Toneladas transportadas Gráfico CMEF , , , , , , , , ,00 toneladas toneladas ano Como Fonte: Relatórios da CMEF entre CaféTotal CMEFCereais transportadas embarcado, plantio tendência, a curva das toneladas de cereais (arroz, milho e feijão) prioritariamente acompanha, até 1895, muito proximamente curva de café década mas, posteriormente, se distancia. Isso se explica justamente pelo espaço conjugado nas zonas que de apontamos fronteira, justamente posteriormente, aquelas cortadas que era pela CMEF praticado na embarcadas. crescimento de Na medida em que os cafeeiros vão atingindo a adulta e o produções intercafeeiro vai se tornando mais exíguo, o que se verifica é um de Minas Gerais de do As zonas embarque duas e das recém curvas zonas de abertas paulistas voltam sacas para de a não café se o café aproximar exploradas em na relação década quando anteriormente, às de quantidades 1910, a CMEF tais como captura de cereais Morro o sul as verifica-se Agudo, Orlândia, Ituverava e São Joaquim Barra, região que constitui uma participação espécie de fronteira interna à zona da Mogiana41. seguir. Como um relativa tendência claro processo do café. geral, de Tal no diversificação tendência tocante às pode toneladas e, consequentemente, ser verificada embarcadas na Tabela declínio na CMEF, 1, da a 434 Ferro Morro (41) Agudo. Principalmente Ver o trabalho com a de expansão Pereira Economia (2005). dos trilhos e Sociedade, rumo a Igarapava Campinas, e com v. 20, a construção n. 2 (42), p. da , Estrada de ago

19 Domínios do café: ferrovias, Tabela exportação 1 e mercado interno em São Paulo ( ) Ano Café Toneladas Cereais embarcadas Toneladas nas estações da CMEF (cabeças) Animais CMEF Total Total Café/ 100 x Cereais/ 1888 Total x Arroz Feijão Milho Cereais , , ,1441,81 3, , , ,5344,47 3, , , , , ,7551,50 12, , , ,6052,79 16, , , , , , , , , , , , ,1243,42 48,42 39,63 44,27 19,14 22,25 17,15 17, , , ,2540,92 14, , , ,8239,61 19, , , ,4844,69 18, , , ,5547,48 16, , , ,6055,43 14, , , ,0649,26 17, , , ,2651,07 17, , , ,8748,09 16, , , ,9743,16 15, , , ,1650,47 8, , , ,0646,16 12, ,96 37, , , ,5847,51 12, , , , , , ,7534,96 8, , , , , , , , , , , , , , , , , , ,9834,48 30,97 27,11 29,43 12,22 14,79 7,49 8,87 Fonte: , , ,1034,89 13,34 transportadas, Relatórios , ,40 englobando da CMEF materiais entre de construção, A coluna sal, , ,37 toucinho, Total CMEF tecidos, se cervejas, refere , ,12 à soma vinho, total aguardente, 28,19 28,52 das mercadorias açúcar, 18,43 17,86 cereais borracha, fumo, produtos diversos, couros e algodão. Economia embarcadas café Observe nas duas últimas colunas participação percentual do café e dos nas estações é decrescente relação e Sociedade, são é tendencialmente também ao entre total Corroborando a tendência já exposta, a participação Campinas, crescente, e 1917, ainda que note que as quantidades v. 20, n. crescentes. 2 (42), porém, p , Já a não quantidade ago. conseguimos de cereais perceber embarcada uma 435

20 Pedro tendência em Geraldo Tosi / Rogério Naques Faleiros ,37, expressa decrescente termos de participação relativa. Interessante notar que também 1888 foram embarcadas 3.421,10 toneladas de cereais, e, em 1917, pouco corroborando a tese especialização ao nível produção embarcadas anteriormente. A quantidade animais embarcados, notadamente gado, de é crescente; porém, como veremos adiante, termos de receita, foram anteriormente significantes. Há que se frisar a considerável redução número de cabeças estações entre , um reflexo direto da atuação da Cia. Paulista além tendência Barretos com vistas à captura de rebanhos do Mato Grosso e de Goiás (que comércio eram tocados Uberaba), porém a CMEF, ao inaugurar as embarcados de decrescente São Pedro de e traz Uberabinha para si, (atual definitivamente, Uberlândia) parcela e Araguari, significativa reverte esta do quesito gado Goiás. Daí o aumento crescente no número de animais transporte na CMEF, principalmente nos anos Primeira Guerra Mundial. podemos Passemos observar de relatórios cereais, agora no gráfico alocando-os não à análise discriminam abaixo dos em dados conjunto separadamente referentes com os à receita demais a receita da produtos, CMEF. oriunda Neste como do Receita CMEF, posicionado: Gráfico , , , ,000 milṟéis ,000 - Fonte: Relatórios da CMEF entre CaféDemaisAnimaisTotal ano CMEF para totais 436 tendo os transportadas, uma Embora anos participação nos se quais registre o que dispomos decisiva se uma verifica, tendência decrescente em relação às quantidades Economia com de dados, em o termos receita, é que o café continuou e Sociedade, passar dos curvas Campinas, anos. da É receita v. possível 20, n. total 2 (42), perceber e p. da , receita que, ago

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