A Mineração Industrial em Goiás

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1 A Mineração Industrial em Goiás Luciano Ferreira da Silva 1 Resumo: A extração mineral constitui atividade de relevante importância para a economia do estado de Goiás, ocupando posição de destaque no cenário nacional. Quase toda produção dos minerais é destinada ao comércio internacional, e obedece às relações de formação dos preços, pela oferta e demanda nos pregões, fato que limita o poder de influência dos mercados locais, desfavorecendo a ação dos municípios. Palavras - chave: Goiás, extração mineral, comércio internacional, oferta e demanda. Introdução Atualmente, a economia mineral no estado de Goiás é sem dúvida um setor que vem ganhando destaque. A existência de grandes empresas no estado é resultado da enorme quantidade de riquezas contidas nesse solo. Há o predomínio do uso intensivo de tecnologia na pesquisa, prospecção, lavra e beneficiamento, eficiamento, e o domínio de grandes grupos empresariais, muitos transnacionais. Esses grupos se instalaram em depósitos minerais, observando a melhor relação entre capital investido e retorno esperado, além dos incentivos governamentais, tais como: benefícios fiscais, subsídios, infraestrutura e outros necessários para minimizar o risco. Apesar da crise internacional desencadeada em 2008, houve relativa valorização dos preços dos bens minerais. Isso ocorreu devido ao crescimento dos países asiáticos, que demandaram grande volume de commodities minerais. Evidencia-se assim, a existência de uma relação diretamente proporcional entre crescimento econômico e demanda por bens minerais. A economia mineral contemporânea é atividade que requer grande volume de recursos financeiros, visto que, para confirmar a viabilidade ilidade de um empreendimento é necessário empenhar grande volume de investimento em pesquisa. Após a confirmação disso, é preciso um volume ainda maior de capital para a instalação e manutenção devido ao elevado custo dos equipamentos. Grandes empresas nacionais como a Companhia Vale do Rio Doce e a Petrobras só conseguiram se instalar devido à ajuda que receberam do governo, além do esforço na captação de capital estrangeiro. Inicialmente, este artigo faz um breve panorama sobre a mineração em Goiás na atualidade, em seguida utiliza o exemplo de três municípios goianos onde essa atividade é mais representativa: Alto Horizonte, município em que o setor mineral surgiu recentemente; Catalão, onde existe a mineração em escala industrial e os outros setores não ficaram à margem do processo de crescimento; e Minaçu, que lidera a produção nacional de amianto. Encerrando com uma análise dos resultados, quando ocorre uma comparação entre os municípios objeto de análise. 1 Panorama Segundo a Constituição Federal de 1988, é assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, participação no resultado da exploração de recursos minerais ou compensação financeira por essa 1 Economista, servidor público estadual atuando na Gerência de Contas Regionais e Indicadores da SEPIN/SEGPLAN GO ( 30

2 exploração. Essa atividade é regulamentada pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), existindo o recolhimento da Compensação Financeira por Exploração Mineral (CFEM), tendo a seguinte distribuição: 23% para o Estado e Distrito Federal; 65% aos municípios; 2% ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico; e 10% ao DNPM, e destes, 2% devem ser destinados para a proteção ambiental. Em Goiás, o setor é bastante representativo, sendo o maior produtor nacional de amianto e níquel, e também o segundo maior em produção de vermiculita e ouro. A extração é feita por grandes grupos empresariais, que geram empregos e receita pública por meio do recolhimento de tributos, movimentando assim, a economia dos municípios em que se encontram instaladas. Segundo dados do DNPM, a produção mineral é concentrada, sendo 89,73% do valor comercializado decorrente da produção de sete municípios goianos, e o restante, 10,27%, provenientes dos 123 municípios do estado de Goiás e Distrito Federal. Figura 1 - GOIÁS E DISTRITO FEDERAL: Participação no Produto Mineral, por município (%) Fonte: RAL/Superintendência do DNPM-GO/DF (considerando o Distrito Federal como uma unidade de Goiás para fins deste estudo) 31

3 1.1 O município de Alto Horizonte Alto Horizonte figura entre os grandes produtores de commodites minerais do estado. No município está instalada uma indústria de extração de ouro e extração e beneficiamento de sulfeto de cobre. Está localizado na região Norte Goiano, a 317 km da capital Goiânia. A área total do município é de km². Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população censitária do município no ano de 2010 foi de habitantes, havendo um crescimento de 80,2% em relação ao ano de O município apresentou densidade demográfica de 5,70 habitantes por km² em 2006, e em 2010 essa taxa se elevou para 8,94 habitantes por km². Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), os empregos formais totalizaram com rendimento médio de R$ 2.112,81, sendo 752 postos vinculados ao setor mineral. Em Alto Horizonte, no ano de 2010, os investimentos em pesquisa de ouro somaram R$ ,00 e em áreas de títulos de lavra da ordem de R$ ,81. A produção mineral do município foi de R$ ,46, resultante da extração e comercialização de toneladas de cobre e kg de ouro, e a Compensação Financeira por Exploração Mineral (CFEM) arrecadada sobre esse volume de minerais foi de R$ ,72. Tabela 1 Alto Horizonte - GO: Produção Mineral em 2010 Produto Produção Venda Produção Quantidade Valor ( R$) Cobre (t) ,69 Ouro (kg) ,77 Valor total da comercialização (R$) ,46 Fonte: Departamento Nacional de Produção mineral - 6º DS - GO: Publicação: Desempenho do setor mineral O Produto Interno Bruto (PIB) municipal, em 2002, foi de R$ mil; em 2007, houve um aumento de 2.933,44% desse agregado, justificado pelo início da extração mineral em escala industrial. Já em 2009, o somatório do valor adicionado na economia líquido de impostos foi de R$ mil. Tabela 2 Alto Horizonte - GO: Produto Interno Bruto (R$ mil) Variável PIB Preços Correntes PIB per Capita Fonte: Segplan / Sepin - NOTA: A partir de 2002 nova metodologia e revisão dos dados. 32

4 1.2 A produção em Catalão Em Goiás, a produção de nióbio está concentrada no município de Catalão que surgiu na era colonial por meio da bandeira do Anhanguera. Está localizado na região Sudeste de Goiás, a 259 km² da capital Goiânia. A área total do município é de 3.777,652 km². Segundo dados do IBGE, a população censitária do município no ano de 2010 foi de habitantes, havendo um crescimento de 29,25% em relação ao ano de O município apresentou densidade demográfica de 18,97 habitantes por km² em 2006, e em 2010 essa taxa se elevou para 22,67 habitantes por km². É importante destacar que esse município apresenta bons indicadores econômicos, de qualidade de vida e possui um bom percentual de domicílios com água tratada e rede de esgoto, além de possuir três instituições de ensino superior. Segundo dados da RAIS, em 2010, o número de empregos formais nesse município totalizou sendo que apenas 224 estavam vinculados diretamente ao setor mineral. De acordo com os dados, a produção de nióbio em Catalão no ano de 2009 em relação ao ano de 2006 retraiu 37% devido à crise internacional, apesar disso, toda a produção foi destinada ao mercado externo. No município de Catalão, no ano de 2010, os investimentos em pesquisa de areia, argila refratária e barita somaram R$ mil, e em áreas de títulos de lavra da ordem de R$ ,08. Em 2010, o total da receita do setor mineral do município foi de R$ ,34, rendendo em termos de CFEM um montante de R$ ,00. Tabela 3 Catalão - GO: Produção Mineral em 2010 Produto Produção Venda Quantidade Valor (R$) Areia (m²) ,76 Argila p/ Cerâmica vermelha (t) ,00 Barita (t) ,10 Cascalho (m²) ,00 Fosfato (t) ,74 Nióbio (t) ,74 Valor total da comercialização (R$) ,34 Fonte: Departamento Nacional de Produção mineral - 6º DS - GO: Publicação: Desempenho do setor mineral Tabela 4 Catalão GO: Produto Interno Bruto (R$ mil) Variável PIB preços Correntes PIB per Capita Fonte: Seplan-GO / Sepin NOTA: A partir de 2002 nova metodologia e revisão dos dados. 33

5 2.3 O amianto de Minaçu O estado de Goiás figura como um dos grandes produtores de amianto, que é extraído no município de Minaçu, que teve sua origem marcada pela criação SAMA S/A em Segundo dados disponíveis no sítio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município tem uma área total de km²; em 2008, sua densidade demográfica era de 11,06 habitantes por km²; em 2010, caiu para 10,89 habitantes por km², evidenciando assim decréscimo populacional. De acordo com os dados da RAIS, em 2010, existiam no município empregos formais com rendimento médio mensal Em 2010, os investimentos em pesquisa mineral para as substâncias de cobre, níquel, terras raras e zinco totalizaram o equivalente a R$ ,05, e os investimentos realizados somaram o montante de R$ ,00. A Produção de Amianto, em 2010, foi de toneladas, sendo comercializadas toneladas destinadas a vários países da América Latina, África e Oriente Médio, gerando uma receita de R$ ,19. O total arrecadado no município com a CFEM foi de R$ ,09. de R$ 1.454,31, estando 794 ligados diretamente ao setor mineral. Tabela 5 Minaçu - GO: Produção Mineral em 2010 Produto Produção Venda Quantidade Valor (R$) Amianto (t) ,19 Areia (m²) ,00 Argila p/ Cer. Vermelha (t) ,30 Valor total da comercialização (R$) ,49 Fonte: Departamento Nacional de Produção mineral - 6º DS - GO: Publicação: Desempenho do setor mineral Em 2002, o Produto Interno Bruto (PIB) do município foi de R$ mil, sendo o PIB per capita de R$ mil. Já em 2009, o PIB per capita foi de R$ ,00 e o PIB a preços correntes foi de R$ mil. Comprovase assim, um incremento da atividade produtiva nessa região na ordem de 74,39%, em termos nominais (Tabela 6). Tabela 6 Minaçu GO: PRODUTO INTERNO BRUTO (R$ mil) Variável PIB a Preços Correntes PIB per Capita Fonte: SEGPLAN -GO/ SEPIN NOTA: A partir de 2002 nova metodologia e revisão dos dados. 34

6 3 Análise dos resultados Essa atividade é predominantemente exercida por organizações transnacionais que possuem capitais suficientes para investir em tais empreendimentos. Além disso, são atraídas pelos benefícios de ordem fiscal, tributária, doações e outros incentivos governamentais. Apesar da representatividade do setor mineral no estado, não ocorre agregação de valor nas etapas posteriores a extração. Como as etapas de agregação de valor são realizadas pelos países importadores, os resultados sociais e econômicos das demais etapas do processo produtivo não ficam no local da extração dos minérios. Segundo o DNPM, a receita total gerada com a comercialização mineral em Goiás, foi de ,71 (R$ mil) em 2010, sobre esse valor a CFEM arrecadada foi de (R$ mil), o que representa 1,07%, do total auferido 23% é destinado ao Estado. O ICMS auferido pelo Estado nesse período, proveniente das vendas internas (Estaduais e Interestaduais) do setor extrator mineral ou fóssil foi de (R$ mil), representando 1,16% da comercialização. Os dados apresentados mostram que em Alto Horizonte, a CFEM representou 1,37% da produção mineral comercializada; em Catalão, 1,15%; e em Minaçu, 1,61%. Cabe ressaltar que, conforme legislação, ao município é devido 65% dessa compensação. Desse modo, sob a ótica da compensação pelo esgotamento dos recursos minerais, a tributação é inexpressiva frente ao volume financeiro demasiadamente elevado envolvido no comércio destas substancias. Tendo em vista que é um dos meios mais eficientes que a sociedade dispõe para se apropriar de parcela das riquezas, a tributação sobre essa atividade deveria ser repensada, buscando uma forma de implantar e dinamizar outros setores, diversificando a economia fazendo com que os efeitos de encadeamento ocorram nestas localidades. No município de Alto Horizonte, a mineração em escala industrial iniciou-se recentemente, em meados de No ano de 2010, obteve a maior participação em nível estadual, em termos de valor da comercialização. Do total de empregos formais existentes na região, quase a metade está vinculada ao setor mineral que é sem dúvida muito importante para a economia local. Existem dois exemplos que podem ser seguidos pelo município de Alto Horizonte: Minaçu, que surgiu pela descoberta de um minério e até hoje depende quase exclusivamente da extração desse único produto; e Catalão, que apesar de não poder se afirmar que o estágio atual de desenvolvimento alcançado está ligado diretamente ao processo de mineração, devido a sua localização próxima a outros centros de desenvolvimento no Sudeste do Estado ser fator determinante, é o melhor caminho a ser seguido, aproveitando a geração de riquezas para criar um centro econômico dinâmico. 4 Considerações Finais A mineração em Goiás é atividade extremamente importante para a economia, por isso, deve ser dedicada maior atenção ao setor no sentido de dinamizar outras atividades, antes que ocorra a exaustão das minas. Os municípios que possuem riquezas minerais em seu solo dispõem de uma vantagem estratégica em relação aos demais. Alto Horizonte, por exemplo, era economicamente inexpressivo até meados de 2006, porém, no ano seguinte, com o início das operações de uma grande mineradora, passou a figurar entre os maiores do estado. Minaçu é líder nacional na produção de amianto, e, após mais de 40 anos de atividade, não apresenta nenhum outro dado econômico relevante. Catalão é um dos maiores municípios do estado, tem a mineração como atividade importante, porém não apresenta dependência exclusiva dessa atividade. 35

7 No tocante a tributação para o setor, deve ser considerado que existem outros tributos que podem recair sobre operações específicas, como Imposto de Renda Retido na Fonte, PIS, COFINS, encargos trabalhistas e outros, porém, uma visão mais detalhada mostra que o gasto dessa arrecadação ocorre sem haver, necessariamente, a obrigação de retorno ao município, e a compensação CFEM que é vinculada acaba se mostrando insuficiente. Deste modo, deve ser reafirmada a importância do setor mineral em todos os estágios do processo de desenvolvimento, sendo esse setor uma atividade econômica essencial para a manutenção da vida do homem nos padrões atuais, pois está na base da pirâmide produtiva, e, sendo assim, cabe ao Estado a execução a contento do seu papel de regulação e fiscalização, cobrando uma maior responsabilidade social das empresas, aumentado a arrecadação dos tributos e investindo na localidade para que haja aumento da infraestrutura de outros setores estratégicos para a economia, para que, após o esgotamento das minas tal localidade não caia em decadência. Referências bibliográficas: DNPM. Desempenho do Setor Mineral 2010: ano-base Disponível em: https://sistemas.dnpm.gov.br/publicacao/mostra_imagem. asp?idbancoarquivoarquivo=4288. Acesso em 08/09/2011. SEPLAN. Secretaria de Planejamento de Goiás. Goiás em Dados. Goiânia, ESTEVAM, Luís. O Tempo da Transformação: estrutura e dinâmica da formação econômica de Goiás. 2. ed. Goiânia: Editora da UCG, DNPM. Fluxo da comercialização: ano de Disponível em: br/go/conteudo.asp?idsecao=522. Acesso em: 15/05/2011. SEGPLAN. Perfil Socioeconômico dos Municípios Goianos. Disponível em: seplan.go.gov.br/sepin. Acesso em: 16/01/ Acesso em: 10/01/

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