A PRÁTICA PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL NO PROCESSO DE ADOÇÃO NO SERVIÇO AUXILIAR DA INFÂNCIA E JUVENTUDE DE PONTA GROSSA-PR

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1 A PRÁTICA PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL NO PROCESSO DE ADOÇÃO NO SERVIÇO AUXILIAR DA INFÂNCIA E JUVENTUDE DE PONTA GROSSA-PR BARROS, Fabiéli Barbosa Figueira de (supervisora), DIAS, Jessica Eloise Volski (estágio II) MARTINS, Jéssica Ferreira (estágio I), PINTO, Roseni Inês Marconato, (orientadora pedagógica), Palavras-chave: Adoção, prática profissional, assistente social Resumo: O campo sócio jurídico se caracteriza enquanto um dos espaços de atuação do Assistente Social, o qual possibilita que o profissional do Serviço Social atue no processo de adoção. Sendo assim, o presente trabalho objetiva apresentar a prática profissional do Assistente Social no processo de adoção. Para isso utilizaremos como subsídio a experiência obtida por estagiários e profissionais no desenvolvimento da prática do Serviço Social no Serviço Auxiliar da Infância e Juventude (SAI) - Comarca de Ponta Grossa. Primeiramente serão expostas as etapas em que o Assistente Social é chamado a intervir no que se refere ao procedimento da adoção, entre elas: o consentimento à adoção, a destituição do poder familiar, habilitação dos pretendentes à adoção, o encaminhamento das crianças e adolescentes aptos à adoção e o estágio de convivência. Em um segundo momento serão abordadas as principais discussões em torno da temática, a exemplo da questão da desmistificação da filiação adotiva, do perfil da criança adotada definido pelos pretendentes, bem como os desafios em torno do processo de habilitação realizada com os mesmos. Essas discussões tem ocorrido tanto no universo acadêmico, quanto entre os profissionais do SAI, com o objetivo de buscar estratégias que contribuam para que se alcance o êxito da adoção. Introdução A prática profissional que o presente artigo se propõe a explanar ocorre no Fórum Estadual Desembargador Joaquim Ferreira Guimarães da Comarca de Ponta Grossa, mais precisamente no Serviço Auxiliar da Infância e da Juventude (SAI), o qual surgiu a partir do Decreto Judiciário nº 1057, de 09 de dezembro de 1991, estando diretamente subordinado à Corregedoria de Justiça. De acordo com a Portaria n 102/92, que dispõe sobre o Regulamento do SAI, este deve ser constituído por uma equipe interdisciplinar, constituída por assistentes sociais, psicólogos, pedagogos, psiquiatras, entre outros, cabendo-lhe assessorar a Justiça da Vara da Infância e Juventude. Atualmente, o SAI, da Comarca de Ponta Grossa, conta com o seguinte quadro de funcionários: seis assistentes sociais, dois psicólogos, duas comissárias da Infância e Juventude e sete estagiárias de Serviço Social. Entre as competências

2 2 do Serviço Social, destaca-se o acompanhamento das crianças acolhidas institucionalmente, cumprimento das medidas protetivas de orientação, apoio e acompanhamento temporários, habilitação dos pretendentes à adoção, encaminhamento das crianças e adolescentes aptos à adoção, entre outros. O desenvolvimento de tais competências objetivam prevenir situações de riscos sociais e/ou pessoais que envolvem crianças e adolescentes, através do fortalecimento dos vínculos afetivos familiares e comunitários, e da garantia de direitos fundamentais, estando em consonância com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Neste ensaio, pretende-se explanar sobre a prática profissional do Serviço Social no processo de adoção no SAI da Comarca de Ponta Grossa e os principais desafios e discussões em torno da prática. Relato da Prática Profissional Ao discorrer sobre prática profissional do Serviço Social, principalmente no que se refere àquela desenvolvida no processo de adoção, faz-se necessário nos reportarmos para o debate contemporâneo em torno da família. De acordo com Brandão et al. (2012, p. 02) uma das características principais em relação ao novo conceito de família nada mais é do que a superação da família patriarcal, fundada apenas nos laços consanguíneos, funções procriativas, econômicas, religiosas e políticas, para a família que tem como base os laços de afeto. É possível afirmar que a adoção se configura enquanto uma dessas novas formatações de famílias, fundadas em laços afetivos, uma vez que [...] ser pai e ser mãe não significa apenas conceber o filho. O desejo de ter um filho é algo imaginário, derivado da intersecção de um casal. Para isso, deve haver uma disponibilidade interna no casal para tornar-se mãe ou pai (BARANOSKI, 2011, p. 11). De acordo com Levinzon (2006, p. 25): A adoção pode ser definida como o estabelecimento de relações parentais entre pessoas que não estão ligadas por vínculos biológicos diretos. É uma forma de proporcionar uma família às crianças que não puderam ser criadas pelos pais que a geraram. No que se refere ao processo de adoção, em linhas gerais, o assistente social se faz presente nos seguintes momentos:

3 3 Consentimento à adoção: é comum ocorrerem situações onde, após o parto, as genitoras, espontaneamente, manifestam desejo em entregar os filhos à adoção. É importante que o assistente social leve em consideração as condições físicas e emocionais da mãe, o que servirá como base para que o juiz visualize as reais condições da mesma, no momento em que teve essa decisão. Suspensão e destituição do poder familiar: aqui serão estudados aspectos referentes às condições socioeconômicas, o vínculo afetivo e as possibilidades de haver a permanência, ou não, da criança na sua família de origem. Não havendo possibilidade de retorno aos familiares biológicos ou familiares extensos, opta-se pela destituição do poder familiar. Para isso, o assistente social poderá utilizar como instrumental subsidiador a observação, entrevistas, visitas domiciliares, etc., os quais possibilitarão a elaboração do estudo social, onde constará as informações relevantes para o magistrado, no que diz respeito à situação do infante. Habilitação dos pretendentes à adoção: o assistente social fornece suporte à família pretendente à adoção, no que se refere à orientação quanto aos trâmites do processo judicial, às documentações necessárias para dar início ao processo, encaminhamento para o Grupo de Apoio à Adoção (GAAN) e Grupo de Preparação à Adoção do Serviço Auxiliar da Infância (SAI). Outrossim, após a entrega das documentações, é realizada visita domiciliar na residência da família para que, posteriormente, seja realizada entrevista com a mesma. Ambos instrumentais são utilizados pelo assistente social e possibilitarão identificar, por exemplo, a aceitação dos demais membros da família em relação à adoção, as condições habitacionais e financeiras, bem como quais são os reais interesses dos pretendentes à adoção. Encaminhamento das crianças e adolescentes aptos à adoção: no momento em que uma criança ou adolescente está apto à adoção, o assistente social também tem a função de estabelecer contato com o pretendente, devidamente habilitado, considerando a ordem cronológica estabelecida na lista de pretendentes à adoção. O assistente social orienta quanto à documentação necessária e, variando de acordo com a idade da criança adotada, participará do processo de aproximação entre adotante e adotado. Estágio de convivência: De acordo com Ferreira (2013, s/p):

4 4 [...] a intervenção prévia da equipe técnica, não representa uma adoção de sucesso. Não raras vezes, os encaminhamentos preliminares da adoção não surtem os efeitos desejados, aparecendo problemas posteriores decorrente na nova relação estabelecida. Dessa forma, é imprescindível que haja o acompanhamento do assistente social nos primeiros meses de convivência entre adotante e adotado, a fim de identificar se o ciclo adotivo está sendo encarado positivamente por ambos. Além disso, é nesse momento que começam a aparecer aspectos que anteriormente eram desconhecidos, pelo fato de que não havia convivência. Nesse momento o assistente social se utiliza de vários instrumentais, a exemplo da observação, entrevista e visita domiciliar, utilizando-se do estudo social para emitir as informações necessárias ao juiz. Resultados e Discussão Em se tratando da atuação do Assistente Social no processo de adoção, existem discussões com vistas a desmistificar a questão da filiação adotiva, principalmente a diferenciação reproduzida entre filiação biológica e adotiva. A importância dessa discussão se dá posto que se trata de apenas mais uma forma de constituir família atualmente. Para que se atinja esse objetivo, se faz necessário repensar alguns conceitos conhecidos e considerados antiquados a respeito da adoção frente às modificações, tanto legislativas, quanto práticas dentro do processo. Tendo em vista que adoção visa proporcionar a garantia do direito à convivência familiar e comunitária à criança e adolescentes privados, por alguma razão, dessa possibilidade, discute-se ainda a necessidade de escolha das características da criança que se pretende adotar, pois predomina a busca por crianças com até dois anos e de cor branca, entretanto, sabe-se que esse não é o perfil da maioria das crianças que encontram-se acolhidas e preparadas para adoção nas instituições. Dessa forma, questiona-se de que maneira se prioriza o maior interesse da criança ou adolescente, se grande parte dos mesmos não correspondem ao perfil procurado pelos pretendentes. Por fim, verifica-se a necessidade de discutir a habilitação dos pretendentes, uma vez que, apesar de toda a preparação psicossocial e jurídica, são presenciadas

5 5 dificuldades em identificar se os pretendentes encontram-se realmente preparados, haja vista a possibilidade de não obter sucesso na adoção. Considerações/Notas Conclusivas Este ensaio buscou sistematizar de forma breve a prática do Assistente Social inserido no processo de adoção, permitindo reflexões em torno dessa práxis, as quais possibilitaram que houvesse o envolvimento entre profissional e estagiários, bem como a compreensão da importância da atuação do profissional de Serviço Social, que se faz presente em todas as etapas da adoção. Outrossim, acreditamos que as reflexões reportadas no presente trabalho não se esgotam aqui, uma vez que considerando a dinamicidade das relações, fazse necessário repensar e discutir a prática cotidianamente, utilizando como aporte o método dialético de compreensão da realidade social apresentada, de maneira a ultrapassar o desenvolvimento de ações mecanicistas, realizando um trabalho em consonância com o Código de ética profissional e que tenha por base o melhor interesse da criança e do adolescente. Referências BARANOSKI, M. C. R. A adoção em relações homoafetivas. 1ª ed. Ponta Grossa: Editora UEPG: BRANDÃO, R. F. P. et al. Colocação em família substituta: guarda como regra nos casos atendidos no projeto de extensão NEDIJ Ponta Grossa 2011/2012. In: CONVERSANDO SOBRE EXTENSÃO, 10., 2012, Ponta Grossa. Anais eletrônicos... Ponta Grossa: UEPG, Disponível em: < ex/anais/> Acesso em: 27 set EITERER, C. SILVA, C. S. R. da. MARQUES, W. U. Preconceito contra filiação adotiva. São Paulo: Cortez, FERREIRA, L. A. M. Aspectos jurídicos na intervenção social e psicológica no processo der adoção. Disponível em: < c_v5n1_ferreira.htm> Acesso em: 27 set LEVINZON, G. K. A adoção na clínica psicanalítica: o trabalho com os pais adotivos. In Mudanças Psicologia da Saúde. São Paulo, v. 14, n. 1, p , jan./jul. 2006)

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