Grupo Temático: Questão Social, Políticas Sociais e Serviço Social

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1 Grupo Temático: Questão Social, Políticas Sociais e Serviço Social A EDUCAÇÃO PERMANENTE NO PROCESSO DE QUALIFICAÇÃO DOS SERVIÇOS DA CONSULTORIA/ASSESSORIA SOCIAL Chrislayne Caroline dos Santos Nascimento Aluna de Pós Graduação em Serviço Social na UFRN, Natal RN Av. Sen. Salgado Filho, Lagoa Nova Natal/RN. Brasil. Carla Montefusco Professora do Departamento de Serviço Social da UFRN, Natal RN Av. Sen. Salgado Filho, Lagoa Nova Natal/RN. Brasil. Este artigo se configura como produto de atividades, estudos e pesquisa desenvolvida no projeto de monitoria intitulado Planejamento, Gestão e Assessoria em Projetos Sociais, vinculado a disciplina complementar Oficina de Assessoria e Consultoria e à disciplina obrigatória Administração e planejamento em Serviço Social, ofertadas pelo Departamento de Serviço Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Propõe-se um debate acerca da educação permanente no processo de qualificação dos serviços de assessoria/consultoria social prestados pelo assistente social. Assim, a partir de pesquisa bibliográfica de autores que discutem a temática, este artigo traz alguns apontamentos de como as transformações no mundo do trabalho modificaram: as requisições do mercado de trabalho contemporâneo, a dinâmica social, as relações sociais, e o modelo de gestão nas organizações, e nessa conjuntura de mudanças como se configuram a assessoria/consultoria social na prestação de serviços às organizações públicas, privadas, e não governamentais, mediante as novas expressões da questão social, demandas e necessidades sociais processadas neste âmbito. Ressalta também o perfil do assessor/consultor social, e a relevância da qualificação continuada para o desenvolvimento de novos saberes teóricos e práticos, e construção de novas técnicas profissionais que correspondam com as necessidades e objetivos dos demandatários dos serviços. E por fim, destaca a educação permanente como possibilidade de contínua qualificação desse profissional na perspectiva de aprimorar suas competências profissionais e a qualidade dos seus serviços prestados aos os usuários, ressaltando o compromisso ético político da profissão na perspectiva da promoção social. Palavras Chave: Serviço Social, Assessoria/Consultoria, Educação Permanente.

2 .A EDUCAÇÃO PERMANENTE NO PROCESSO DE QUALIFICAÇÃO DOS SERVIÇOS DA CONSULTORIA/ASSESSORIA SOCIAL INTRODUÇÃO A Educação Permanente é imprescindível para a qualidade dos serviços prestado em qualquer área de atuação profissional. O processo contínuo de qualificação possibilita aos profissionais uma permanente articulação com a dinâmica social e técnica nos processos de trabalho contemporâneo, e as especificidades de atuação de suas respectivas áreas. Nota-se a relevância da educação permanente na atuação profissional, sobretudo, pela dinamicidade do cotidiano, as novas manifestações da questão social, as demandas, a própria conjuntura em que se desdobrarão os serviços demandados pelas organizações e seus contratantes. A assessoria/consultoria social é uma área de serviço especializado solicitado por diversas organizações quando os demandatários identificam a necessidade de mudanças em determinadas realidades, vale ressaltar que embora exista algumas pequenas diferenças entre os dois termos, neste artigo a assessoria e a consultoria estão sendo tratadas como processos indistintos. O profissional assessor/consultor é requisitado á propor mudanças, portanto, para que o serviço prestado alcance sua finalidade, o assessor precisa ser propositivo e qualificado na área que lhe compete, assim é indispensável uma qualificação continuada, nas proposições e estratégias ofertadas por este profissional, visto que, tais elementos podem implicar na efetividade dos seus serviços, atrelado ao comprometimento com seus usuários. A assessoria/consultoria social constitui-se como uma das atribuições profissionais do assistente social, e como trabalho especializado faz-se relevante a continua qualificação teórica-técnica, e o compromisso ético-político desse profissional, sobretudo, na qualidade dos serviços prestados aos usuários nos diversos espaços sociocupacionais. Logo, este artigo traz alguns apontamentos, a partir de pesquisa bibliográfica acerca de como se configura assessoria/consultoria social, o perfil do

3 assessor/consultor, e destaca a educação permanente como possibilidade de contínua qualificação desse profissional na perspectiva de aprimorar também a qualidade dos seus serviços. Este artigo também se configura como produto de atividades, estudos e pesquisa desenvolvida no projeto de monitoria intitulado Planejamento, Gestão e Assessoria em Projetos Sociais, vinculado a disciplina complementar Oficina de Assessoria Consultoria, e à obrigatória Administração e Planejamento em Serviço Social, ofertadas pelo Departamento de Serviço Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 1. ASSESSORIA/CONSULTORIA SOCIAL: PERFIL PROFISSIONAL E TRANSFORMAÇÕES CONTEMPORÂNEAS As mudanças macrossocietárias, repercutiram transformações no mundo do trabalho processadas a nível global, reproduzindo novas formas de gestão da força de trabalho, e requisições para inserção profissional no mercado de trabalho. (Antunes, 1999). De um lado, entre outros aspectos, as transformações apontam para a inserção de profissionais altamente qualificados nas mais diversificadas área de trabalho. De outro lado essas transformações imprimem novas necessidades sociais e novas formas e/ou intensificação e aprimoramento de serviços já existentes para o atendimento dessas necessidades. Conforme explicita Fonseca (2005, p. 25) À medida que as necessidades sociais se modificam, transformam-se os modos de atendê-las. As necessidades sociais se desvelam na sociedade como um todo, em aspectos econômicos, políticos e sociais, na esfera dos direitos sociais, no planejamento e gestão de políticas públicas e sociais, e também nas próprias organizações públicas, privadas e não governamentais, onde se concretiza o trabalho individual e coletivo. Tais necessidades também desvelam das novas expressões da questão social processadas na sociabilidade contemporânea, e isto, requisita dos

4 profissionais que atuam nesta conjuntura uma apropriação teórica tanto das características sócio-histórica da questão social, como também seus aspectos atuais, a fim de construir novos mecanismos de enfrentamento. Conforme afirma Santos (2012, p. 235): Penso que é somente apreendendo os determinantes sóciohistóricos da questão social que são dadas as condições para formular, na condição de categoria profissional, estratégias para o seu enfrentamento que evitem as armadilhas, hoje visivelmente imperantes tanto na esfera pública quanto na esfera privada [...]. Estas armadilhas, entre outras, se podem destacar a desqualificação dos serviços prestados, ou respostas incoerentes às novas demandas, ou necessidades sociais, que requisitam novas formas de atendê-las, nesse sentido, há a própria necessidade de qualificação dos profissionais que atuantes nestes âmbitos organizacionais ou em outros espaços. As organizações são espaços onde também se processam as demandas, entre outras, da relação capital trabalho, de clima organizacional, relações interpessoais, gestão e organização do trabalho, qualidade de vida no trabalho, qualificação profissional, relação entre as organizações e a sociedade, os projetos sociais e políticas desenvolvidos pelas organizações, enfim, as mudanças e necessidades sociais que perpassam o cotidiano de trabalho neste âmbito. (MATOS, 2006). Portanto, estas necessidades traduzem a requisição de serviços capazes de atendê-las, propondo soluções e mudanças de determinadas realidades nas organizações e nos espaços onde se processam a assessoria e consultoria social. Nesse sentido, de acordo com Matos (2009, p. 10) a assessoria pode ser entendida como um processo que gera mudança, mas a partir de uma relação em que assessores e assessorados possuem distintas contribuições a serem dadas. A assessoria pode ser configurada como um acompanhamento e monitoramento de determinadas demandas, junto a um grupo ou diversos que a executam. (GOERK; VICCARI 2004). É um serviço requisitado por diferentes tipos de organizações. De acordo com Goerk e Viccari (2004, p. 4) As assessorias são consideradas formas indiretas de prestações de serviços a órgãos governamentais, não governamentais e empresas privadas.

5 Entretanto, a prestação de assessoria e consultoria social não se restringe apenas aos órgãos da administração pública, empresas privadas, e ONGs, mas também, aos próprios movimentos sociais em matéria relacionada às políticas sociais e à garantia dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade. O contexto de constantes modificações nos variados setores da sociedade, como o econômico, político, social, implicam também em alterações nas relações sociais e de trabalho, e contemporaneamente e a todo tempo surgem novas expressões da questão social, e demandas sociais, sobretudo, nas diversas organizações, e neste sentido, ampliam-se os espaços de atuação do assessor/consultor social. Assim sendo, a assessoria social como atribuição profissional do assistente social nessa conjuntura de modificações no mundo do trabalho, reafirma a necessidade de uma qualificação especializada teórica-técnica e política. De acordo com Fonseca (2005, p. 12): Pensar a assessoria como atribuição do assistente social leva-nos a refletir sobre uma área de atuação do profissional que requer preparo técnico, embasamento teórico e comprometimento ético-político. O profissional deve mobilizar-se no sentido de ocupar esse novo campo que se configura nos novos formatos do mundo do trabalho. Este serviço especializado é prestado por esses profissionais devidamente qualificados na área, como define Matos (2006, p ): Definimos assessoria/consultoria como aquela ação que é desenvolvida por um profissional com conhecimento na área, que toma a realidade como objeto de estudo e detém uma intenção de alteração da realidade. Os demandatários das organizações requisitam a prestação de serviços dos assessores/consultores a fim de propor as mudanças necessárias, entre outros, no âmbito da organização e do trabalho coletivo desempenhado pelos profissionais que a compõem. Desta forma a assessoria/consultoria consiste em ações planejadas, organizadas, projetadas com a finalidade e perspectiva de mudanças em determinados contextos e realidades.

6 Assim faz-se imprescindível a qualificação do assessor/consultor social para investigar, propor idéias e mudanças efetivas, construir estratégias de participação social entre os sujeitos envolvidos no processo da assessoria. Consonante a isto Matos (2009, p. 12) aponta que: [...] o processo de assessoria é cotidianamente construído com os sujeitos fundamentais os assessorados e estes têm autonomia em acatar ou não as proposições da assessoria. Esse processo deve ser franco e aberto, por ambos os lados. O assessor é um sujeito propositivo, mas que só terá êxito nessa atividade se tiver interlocução com quem assessora. Para tanto, é fundamental a adoção de estratégias de trabalho participativas. Todavia as mudanças não ocorrem instantaneamente, uma vez que, estas envolvem a vida em sociedade, o trabalho coletivo, a subjetividade dos indivíduos, a cultura organizacional, e, portanto, aspectos internos e externos desses profissionais e da própria organização. Segundo, esclarece Leite ( 2003, p. 34) [...] a mudança no âmbito individual seguirá seu ritmo próprio, seus limites e possibilidades de amadurecimento, assim como as mudanças no domínio dos grupos e das coletividades encontrará especificidades próprias. Assim, o assessor deve ter clareza dos objetivos propostos pelos demandatários, como profissional facilitador de mudanças, no sentido também de propor idéias, o assessor não se configura como executor das ações, nem como único idealizador ou inacessível, mas, um profissional com habilidades de ouvir os usuários demandatários do serviço, de todos os sujeitos sociais envolvidos, investigar, apontar proposições, e respostas técnicas qualificadas ás demandas em questão, de forma interativa, com o público assessorado. Nessa perspectiva Fonseca (2005, p. 14) esclarece: É importante estarmos atento para que a atividade de assessoria não seja reduzida a um momento em que o assessor dita as estratégias e o assessorado executa as ações. A assessoria deve ser desenvolvida segundo a ação profissional de ambas as partes revelando a competência profissional distinta de cada um. Logo, a assessoria deve ocorrer de forma dinâmica e participativa a fim de promover a socialização dos resultados, e objetivos alcançados no processo da assessoria, desde o planejamento a execução das ações e estratégias elaboradas

7 conjuntamente pelos demais profissionais, nos diversos espaços onde se processa a assessoria/consultoria social. Ressalta-se como um dos desafios da assessoria social as próprias mudanças sociais na atual conjuntura de transformações, segundo Leite (2003, p. 52), grande é o desafio das mudanças coletivas em nossa sociedade [...] todo desenvolvimento profissional, humano e acadêmico será sempre, portanto, muito bem-vindo. Tal fato remete-nos a pensar sobre a qualificação e o perfil do profissional assessor/consultor. Conforme pontua Matos ( 2006, p. 32): O assessor não é aquele que intervém, deve, sim, propor caminhos e estratégias ao profissional ou a equipe que assessora e estes têm autonomia em acatar ou não as suas proposições. Portanto, o assessor deve ser alguém estudioso, permanentemente atualizado e com capacidade de apresentar claramente as suas proposições. A prestação de serviços em assessoria social requer um profissional com competências e habilidades essenciais, e especialização na área em que se propõe atuar, embora, possua suas características e estilo próprio, o assessor compõe um perfil ético, crítico, propositivo, dinâmico, criativo, investigador, que não se prende a aspectos aparentes, mas que observa, questiona, negocia e interage, construindo desta forma possibilidades de respostas as demandas, e mudanças de realidade em questão. Destarte, o assessor presta serviços na perspectiva de mudanças nos diversos espaços onde se consolida a assessoria, ao mesmo tempo em que, as mudanças no próprio mercado de trabalho requisitam desse profissional uma contínua qualificação. Contudo, essa qualificação continuada não se configura apenas como requisição para inserção no mercado de trabalho na área de assessoria, mas, sobretudo, a fim de permanecer nele e aprimorar a qualidade dos seus serviços, e competências profissionais, e estabelecer um compromisso com seus usuários, ou seja, implica na dimensão política do exercício profissional do assistente social.

8 2. A EDUCAÇÃO PERMANENTE E A CONTÍNUA QUALIFICAÇÃO DOS SERVIÇOS PRESTADOS PELO ASSISTENTE SOCIAL ASSESSOR/CONSULTOR A dinamicidade social e cotidiana em que se concretiza o trabalho de qualquer área profissional requisita uma formação continuada, uma educação permanente, pois a complexidade das transformações macrossocietárias imprime novas expressões da questão social, novas demandas socioinstitucionais que precisam ser analisadas e intervindas. As demandas resultantes desse processo ganham novas características e exige do assistente social assessor/consultor uma constante atualização, com a finalidade de atender com eficiência e eficácia as propostas desse trabalho especializado na contemporaneidade. Assim, refletir e avaliar a qualidade da atuação do assessor/consultor social é considerar também a sua qualificação profissional, em face à atual dinâmica social, dos processos de trabalho, das relações sociais, a reconfiguração do modelo de gestão pública, privada e social, os novos formatos dos programas sociais nas organizações, das políticas públicas e sociais, e ampliação dos espaços de participação social. Ora, se o profissional é demandado a propor mudanças, e possuir clareza dos objetivos especificados por seus demandatários nas organizações e em outros espaços onde é desenvolvida a assessoria, infere-se, que ele dispõe do conhecimento teórico-técnico necessário para uma atuação qualificada. Essa qualificação se adquire no processo formativo e na contínua qualificação desse profissional. De acordo com Leite (2003, p. 51): Os tempos mudam, a sociedade aumenta seus níveis e critérios de exigências e a ciência cresce e prolifera em produção e em complexidade. Logo, a atualização permanente [...] pode fortalecer e aprimorar significativamente a formação do consultor [...]. Desta forma, a qualificação profissional contínua implica na qualidade do trabalho realizado nas diversas áreas inclusive, dos profissionais que atuam na assessoria/consultoria social, nos processos de mudanças sociais e organizacionais em um contexto de constantes transformações.

9 Uma vez que, o profissional que não investiga que não tem clareza dos saberes e habilidades de sua área, nem o devido conhecimento de suas competências e atribuições, corre o risco de comprometer a qualidade dos serviços prestados aos usuários demandatários. A qualidade dos serviços compõem as habilidades do profissional assessor/ consultor, as autoras Goerck e Viccari ( 2004, p. 4), explicitam que: Para a realização da assessoria, os profissionais devem ter como habilidades: negociação, atualização e aprimoramento teóricos constantes, habilidade com apropriação e manejo da informática, iniciativa, espírito de liderança, criatividade, bom relacionamento interpessoal da equipe e interdisciplinar em permanente desenvolvimento. O aprimoramento dessas habilidades profissionais faz-se imprescindível para uma atuação coerente, e a busca contínua pelo conhecimento estimula o desenvolvimento de novas habilidades, e novas possibilidades de ação. A educação permanente é a reflexão na/e sobre a prática profissional que possibilita tanto a ampliação quanto a construção de novos conhecimentos, para o atendimento de necessidades e demandas emergentes, a partir de novas estratégias de ação profissional. Como é apontado pelas autoras, Maia e Barbiane, (2003, p. 3): Há ainda outra dimensão importante na qual a educação contínua contribui significativamente. A reflexão na ação pode assumir contornos de pesquisa na prática, onde os profissionais procuram respostas e sentidos a situações complexas, ainda emergentes (não capturadas pela teorização), criando e recriando novas estratégias de ação. Portanto, um trabalho qualificado requisita um aprimoramento contínuo, visto que, a produção do conhecimento não se encerra na academia, o profissional comprometido com a qualidade dos seus serviços é permanentemente atualizado teórico e tecnicamente. Desta forma, a educação permanente é uma necessidade em todas as profissões e áreas do conhecimento. Pois no contexto atual, a dinâmica e complexa realidade em transformação produz aceleradamente questões que precisam ser desveladas e analisadas (CFESS-CRESS, 2013).

10 A qualificação profissional contínua na área da assessoria social, não desconsidera as limitações profissionais determinada, entre outros fatores, pelas condições objetivas e subjetivas de trabalho. Não obstante, a educação permanente nesse processo, se configura como possibilidade de qualificação e aprimoramento dos serviços prestados aos usuários. Na área do Serviço Social, tais questões demandam uma atuação embasada nas diretrizes que norteiam a profissão, as quais apontam, para um exercício profissional qualificado, estratégico, crítico e propositivo nos diversos espaços ocupacionais. Tais qualificações subsidiam a assessoria/consultoria social na perspectiva de (re) produzir respostas, e práticas profissionais coerentes e permanentemente qualificadas, face às novas expressões da questão social, as demandas socioinstitucionais, e seus atuais desafios. CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir da revisão bibliográfica, e dos apontamentos acerca da assessoria/consultoria social como atribuição do assistente social, o perfil do assessor/consultor, e a qualificação continuada, pretende-se evidenciar neste artigo alguns possíveis fatores resultantes da educação permanente no processo de qualificação dos serviços da assessoria/consultoria social, tais como: O acesso ao debate contemporâneo suscitado pelos autores da área possibilita a ampliação do arcabouço teórico sobre as temáticas de assessoria/consultoria social, o Serviço Social e áreas afins, maior apropriação e articulação entre a dimensão teórica/prática e política, análises crítica do contexto socioinstitucional onde se concretiza a prática profissional, a (re) produção do conhecimento, e o aprimoramento das competências profissionais. A apropriação do debate teórico contemporâneo descortina novas formas de se pensar a assessoria/consultoria social, a produção desses novos conhecimentos apontam para a possibilidade de construção de novas técnicas, uma vez que, as mudanças hodiernas revelam a necessidade de técnicas profissionais que atendam

11 as necessidades sociais e os objetivos dos demandatários dos serviços do assessor/consultor, e técnicas também compatíveis com a conjuntura onde se processa a assessoria social e a realidade dos sujeitos sociais envolvidos. O conjunto dos saberes teóricos e técnicos acumulados pelo assessor/consultor tanto na formação quanto na experiência profissional contribuem para a formação de um perfil profissional que corresponde às requisições do mercado de trabalho, entretanto, mais que isso, a educação permanente desse profissional reafirma substancialmente um perfil profissional qualificado, não apenas para inserção no mercado, mas a permanência nele com o compromisso de prestar um serviço altamente qualificado aos seus demandatários. O reconhecimento social do assistente social assessor/consultor estar associado com a qualidade dos serviços prestados no processo da assessoria, com a relação estabelecida entre o profissional e os usuários demandatários dos serviços, isto é, os sujeitos sociais envolvidos, o compromisso ético político da profissão com esses usuários, e com a formação profissional e a qualificação continuada desse assessor/consultor, entre outros, estes elementos repercutem na visibilidade e valorização social desse profissional nos diversos espaços de atuação e prestação de serviços. A reflexão acerca desses fatores nos permite atentar para a concatenação e inter-relação existentes entre eles, e como ambas ressaltam a relevância da educação permanente para o assistente social atuante nos processos de assessoria/consultoria social na perspectiva de garantir a qualidade dos seus serviços, ao mesmo tempo em que denota o compromisso com os usuários, e defesa da socialização dos direitos, participação social, as mudanças de determinadas realidades e a promoção social. Longe de esgotar o debate e as analises dos possíveis fatores resultantes da educação permanente nos processos de assessoria/consultoria social, o presente artigo teve a pretensão de contribuir para reflexão acerca do tema e a produção intelectual.

12 REFERÊNCIAS ANTUNES, Ricardo. Os Sentidos do Trabalho, ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. Editorial: Boitempo, CFESS-CRESS. Política de Educação Permanente do Conjunto CFESS-CRESS. Brasília [DF], FONSECA, Tatiana Maria Araújo da. Reflexões acerca da assessoria como atribuição e competência do assistente social. In: Revista Ágora: Políticas Públicas e Serviço Social, Ano 2, n 3, dezembro de GOERCK, Caroline; e VICCARI, Eunice Maria. Assessoria: processo de trabalho do Serviço Social. In: Revista Virtual Textos & Contextos. Nº 3, ano III, dez LEITE, Luiz Augusto Mattana da Costa et al. O Consultor: papel, perfil e relação com o cliente. In: Consultoria em Gestão de Pessoas. Rio de Janeiro: Editora FGV, MAIA, Marilene; BARBIANE, Rosangela. A Formação Continuada em Serviço Social: uma experiência em construção. Revista Virtual Textos & Contextos. Porto Alegre, Nº 2, ano II, dez MATOS, Maurílio Castro. Assessoria e Consultoria: reflexões para o Serviço Social. In: BRAVO, Maria Inês Souza e MATOS, Maurílio Castro. Assessoria, Consultoria e Serviço Social. Rio de Janeiro: 7 Letras; FAPERJ, MATOS, Maurílio Castro de "Assessoria, consultoria, auditoria e supervisão técnica". In: CFESS/ABEPSS (Organizadores) Serviço Social: Direitos Sociais e Competências Profissionais. Brasília: CFESS/ABEPSS, SANTOS, Josiane Soares. Questão Social: particularidades no Brasil. São Paulo: Cortez, 2012.

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