ATIVIDADE FISÍCA E CRESCIMENTO FÍSICO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA PHYSICAL ACTIVITY AND PHYSICAL GROWTH IN CHILDHOOD AND ADOLESCENCE

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1 ATIVIDADE FISÍCA E CRESCIMENTO FÍSICO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA PHYSICAL ACTIVITY AND PHYSICAL GROWTH IN CHILDHOOD AND ADOLESCENCE Marco Cossio-Bolaños Miguel de Arruda Faculdade de Educação Física UNICAMP ATIVIDADE FÍSICA A atividade física pode ser definida como um movimento corporal produzido pela ação muscular voluntária que aumenta o gasto de energia (ESPANHA, 2006) e utiliza o exercício físico para desenvolver programas de atividade física, esportes e inclusive atividades de ócio e lazer. No entanto, a saúde é instável ao longo da vida e pode variar segundo o funcionamento fisiológico do organismo e o estado de saúde, assim como de fatores endógenos e exógenos. ATIVIDADE FÍSICA APTIDÃO FÍSICA SAÚDE FIGURA 1: Relação entre atividade física, aptidão física e saúde. Na atualidade, existem alguns fatores que contribuem com o estilo de vida menos ativo, como por exemplo, a disponibilidade de tecnologia, 68

2 o aumento da insegurança e a progressiva redução dos espaços livres nos centros urbanos (onde vive a maior parte das crianças brasileiras) reduzem as oportunidades de lazer e de uma vida fisicamente ativa, favorecendo atividades sedentárias, tais como: assistir a televisão, jogar video-games e utilizar computadores (Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, 1998). Nesse sentido, uma das maiores preocupações no mundo é a falta de atividade física na infância e adolescência. Já que o estilo de vida sedentário está associado ao risco de doenças coronarianas, assim como hipertensão, diabetes mellitus, obesidade e outras enfermidades crônicas que acometem os adultos (FAIGENBAUM, 1998), porém, muitas organizações têm enfatizado a importância da adoção de atividade física regular para a melhoria dos níveis de saúde individual e coletiva, especialmente para a prevenção e reabilitação da doença cardiovascular (International Federation of Sports Medicine, 1990, CDC/National Center for Chronic Disease Prevention and Health Promotion, 1996, Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, 1998). Biológico humano Meio Ambiente Intrínsecos Atenção da Saúde Extrínsecos Hábitos de vida FIGURA 2: Componentes da saúde, segundo o Ministério da saúde de Canadá (1982) A atividade física nesse contexto atua como um fator coadjuvante, onde o exercício físico moderado pode estimular o crescimento, muito provavelmente por induzir aumentos significativos no hormônio do crescimento na circulação, tanto de crianças, como de adolescentes e 69

3 adultos (COOPER, 1999; GODFREY et al., 2003), assim como um maior nível de atividade física contribui para melhorar o perfil lipídico e metabólico e reduzir a prevalência de obesidade. Por outro lado, é pertinente enfocar que muitos estudos sugerem que a obesidade infantil está mais associada à inatividade física do que a alimentação, muito embora, filhos de pais obesos apresentam um maior risco de se tornarem obesas quando comparadas às crianças cujos pais apresentam peso normal, assim como as preferências alimentares das crianças, bem como, as atividades físicas praticadas são influenciadas diretamente pelos hábitos dos pais, reforçando a idéia de que os fatores ambientais são determinantes no ganho excessivo de peso (sobrepeso e obesidade), (OLIVEIRA et al., 2003). Portanto, não há dúvida de que a infância é o período mais adequado para o início de atitudes e comportamentos saudáveis, sendo esse um período em que a criança está em processo de aprendizado constante, e, portanto, aberta a novos conceitos (OLIVEIRA, 2006). Para gerar um programa de atividade física e saúde é preciso levar a consideração uma avaliação médica, seguido da prescrição do exercício em função ao diagnostico dos componentes como a composição corporal (dobras cutâneas, índice de massa corporal, índice cintura-quadril), flexibilidade (teste de sentar e alcançar), resistência muscular abdominal (teste de abdominais) e a resistência aeróbia (caminhada ou corrida de 6 minutos). Logo, contemplar o controle de variáveis como a freqüência (no mínimo três vezes por semana), duração (em média de trinta minutos) e a intensidade de 50 a 60% da freqüência cardíaca máxima. Finalmente, o inicio de uma sessão deve iniciar com um aquecimento, seguido de alongamentos e continuar com exercícios de resistência de força isométrica, exercícios aeróbios. Não esquecer que as crianças ainda estão num processo de crescimento físico e os exercícios devem ser 70

4 moderados e os conteúdos devem envolver aspectos lúdicos, evitando treinamentos intensivos de atletas adultos. CRESCIMENTO FÍSICO O crescimento é um processo dinâmico que ocorre durante toda a vida desde a concepção até a morte (SILVA, 1989), sendo definido este fenômeno como um aumento no número e tamanho das células que compõem os diversos tecidos do organismo (TANI et al., 1988) e mais especificamente Malina e Bouchard (1991) manifestam que este fenômeno é fruto da hiperplasia que se refere ao aumento no numero de células, a hipertrofia que é o aumento do tamanho das células e a agregação refere-se ao aumento na capacidade dos substratos intercelulares em agregar às células. Nesse sentido, podemos manifestar que durante as primeiras 16 semanas de gestação o crescimento fetal é caracterizado pela hiperplasia celular, seguida pela combinação desta com a hipertrofia da célula durante as 16 a 32 semanas de gestação, onde a partir desse momento ocorre o aumento adicional de gordura e proteína, (OLIVEIRA, 2001), ou seja, o fenômeno da agregação. Após do nascimento ocorre quatro principais tipos de crescimento nos diferentes órgãos e tecidos, sendo o primeiro o crescimento geral somático que se refere ao todo (dimensões externas), o segundo é o crescimento neural que implica os órgãos internos da cabeça como cérebro, cerebelo, aparelho ocular; o terceiro é o crescimento genital (testículos, ovários, vesículas seminais, próstata, útero, e anexos) e o quarto, refere-se ao crescimento linfóide, como o timo, gânglios linfáticos, amídalas, entre outros (MARCONDES, 1994). Desde essa perspectiva podemos considerar o crescimento como uma atividade biológica dominante durante as duas primeiras décadas da 71

5 vida humana, incluindo os nove meses de vida pré-natal (MALINA; BOUCHARD, 1991), assim mesmo, corresponde às alterações físicas nas dimensões do corpo como um todo ou das partes específicas em relação ao fator tempo (GUEDES; GUEDES, 1997). Por conseguinte, o crescimento constitui um encadeamento de fenômenos de ordem celular, fisiológicos e morfológicos predeterminados geneticamente e modificáveis pelos fenômenos que traduzem o médio ambiente (SILVA NETO, 1999). No entanto, é influenciado por fatores intrínsecos e extrínsecos, os quais tem sido objeto de pesquisas, analisando os fatores ambientais, bagagem genético, nutricionais, socioeconômicos, tendência secular, efeito da altitude, doenças, assim como o uso de drogas. Este último fator atribui-se a causa congênita, isto é, uma mãe durante a gestação, que faz uso de drogas poderá prejudicar o feto, criando uma pré-disposição física ao uso dessas drogas ao nascer. Por outro lado, também, considera-se que a dependência química é Hereditária, onde todo dependente possui na família um portador da doença, herdando assim geneticamente a pré-disposição física. Finalmente, podemos manifestar que o crescimento físico é o incremento do tamanho de todo o corpo num sentido quantitativo, e pode ser influenciado por fatores intrínsecos e extrínsecos, especialmente pelos efeitos da dependência química, porem, crianças e adolescentes se mostram prejudicadas no momento de desenvolver seu potencial genético (não sendo atingido). REFERÊNCIAS COOPER, D. M. Exercise, growth, and the GH-IGF-I axis in children and adolescents. Curr Opin Endocrinol Diab, n. 6, p ,

6 ESPANHA. Ministerio de Educación y Cultura. Actividad física y salud en la infancia y la adolescencia: guía para todas las personas que participan en su educación. Espana, FAIGENBAUM, A. Fundamental fitness in children. Health Fitn J, n. 2, p , GODFREY, R. J.; MADGWICK, Z.; WHYTE, G. P. The exercise-induced growth hormone response in athletes. Sports Med, n. 33, p , GUEDES, D. P.; GUEDES, J. E. R. P. Crescimento, composição corporal e desempenho motor de crianças e adolescentes. São Paulo: CLR Balieiro, INTERNATIONAL FEDERATION OF SPORTS MEDICINE. Physical exercise: an important factor for health. Phys Spts Med, v. 18, p , KANN, L. et al. Youth risk behavior surveillance. J Sch Health, v. 66, n. 10, p , LAZZOLI, J. K. et al. Atividade física e saúde na infância e adolescência. Rev Bras Med Esporte, v. 4, n. 4, p. 1-3, jul./ago MALINA, R. M.; BOUCHARD, C. Growth maduration and physical activity: Champaign: Human Kinetics, MARCONDES, E. Desenvolvimento da criança: desenvolvimento biológico: crescimento. Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Pediatria, OLIVEIRA, A. M. A. et al. Sobrepeso e obesidade infantil: influência de fatores biológicos e ambientais em Feira de Santana, BA. Arq Bras Endocr Metab, v. 47, n. 2, p , abr OLIVEIRA, J. F. Reflexões sobre crescimento e desenvolvimento em crianças e adolescentes. Mov Perc, Espírito Santo de Pinhal, v.6, n.8, jan./jun OLIVEIRA, M. M. C. et al. Aspectos genéticos da atividade física: um estudo multimodal em gêmeos monozigóticos e dizigóticos. Rev Paul Educ Fis, v.17, n. 2, p , jul./dez OLIVEIRA, R. B. de. Antropometria de crianças e adolescentes do ambulatório multidisciplinar de doenças metabólicas 73

7 hereditárias Dissertação (Mestrado) - Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo, A RECOMMENDATION from de Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Physical activity and health. JAMA, v. 273, n. 5, p , TANI, G. et al. Educação Física escolar: fundamentos de uma abordagem desenvolvimentista. São Paulo: EPU,

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