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1 NEWSLETTER nº3 Conteúdos: Pág. 1 Justiça Social Avaliar a compreensão dos jovens Pág. 2 Actividade para Professores À descoberta da Justiça Social Pág. 3 Porque me envolvi no Escola Mundo Uma perspectiva da Bulgária Pág. 7 Pode a aldeia global ser socialmente justa? Sistema educativo e Justiça Social Global Pág. 8 Estudo de Caso A Justiça Social nas notícias Escola Mundo Editorial Bem-vindo à terceira edição do Escola Mundo. Esta edição reúne um artigo de reflexão sobre educação, um testemunho de um professor sobre educação para a justiça social, uma actividade prática que pode ser usada nas escolas para promover o debate e avaliação do conhecimento e da compreensão dos jovens sobre os temas da justiça social e o estudo de caso sobre a Costa do Marfim. Justiça Social - Avaliar a compreensão dos jovens por Trish Sandbach, Leeds Development Education Centre Educar para a Justiça Social representa por si só um desafio, mas como sabemos que impacto estamos a ter junto dos nossos alunos? Para ajudar as escolas a identificar os conhecimentos básicos dos alunos sobre as questões da Justiça Social e da Cidadania Global e para criar um plano de progressão, a equipa do Escola Mundo desenvolveu uma matriz de auto-avaliação orientada para estas questões. De facto, a matriz de auto-avaliação constitui-se numa ferramenta de monitoria, pois baseia-se num conjunto de conceitos de dimensão global como justiça social, direitos humanos, cidadania global, sustentabilidade, interdependência, diversidade, resolução de conflitos, entre outros.

2 2 Analisando a estrutura da matriz, a lista de conceitos à esquerda abrange os conceitos de dimensão global mencionados acima, na perspectiva da justiça social global. Do Ponto de Partida, progredindo para os níveis 1, 2 e 3, cada novo nível marca um conhecimento e entendimento mais profundo do conceito ou da questão identificada na coluna da esquerda. Esta matriz foi desenvolvida com a colaboração de equipas de diferentes escolas do projecto e criada para ajudar os professores a decidir que áreas da Justiça Social e da Cidadania Global os jovens compreendem melhor e quais as que precisam de ser mais reforçadas, em termos de conteúdos, métodos e abordagens. Este processo evidenciou debates interessantes sobre que sequência seguir na matriz desde o Ponto de Partida até ao Nível 3 e sobre os desafios que se colocam aos educadores quanto ao planeamento do progresso dos alunos. A actual matriz é de trabalho progressivo ao invés de ser considerada uma versão final. Será revista e desenvolvida ao longo do projecto, em resposta aos comentários e sugestões dos professores. Pode fazer o download da matriz de forma gratuita em na página de Portugal, em Outros Materiais. Se tiver dúvidas ou sugestões, não hesite em contactar-nos através do Actividade para Professores À descoberta da Justiça Social Pode utilizar esta actividade com os seus colegas de modo a partilhar conhecimento acerca da justiça social e para estimular a discussão sobre como é e como deve ser pensada a justiça social nas escolas. 1- Imprima uma cópia a cores da matriz da Justiça Social. Cada linha da matriz deve ter uma cor diferente, para que cada conceito (ex: Diferentes modelos de justiça social) tenha uma cor de fundo diferente. Imprima a versão colorida da matriz num cartão, laminado se possível. Note que agora, cada conceito é uma tira com uma cor. 2- Corte o cartão em tiras e depois cada tira em quadrados: no fim terá 40 cartões. 3- A tarefa: Os professores trabalharão em grupos de dois ou três com um conjunto completo de demonstrações. Primeiro, devem classificá-los em conjuntos de cores, depois discutir e classificá-los para que o conceito esteja à esquerda, e os outros cartões da mesma cor sejam organizados segundo a evolução em termos de conhecimento e da aprendizagem dos alunos.

3 3 Da nossa experiência: Isto levará à discussão sobre o significado de justiça social Tornará o problema das desigualdades sociais mais actual, uma vez que é solicitado aos participantes para falarem sobre o que significa para eles estas questões É criada a oportunidade de dialogar, aprender com os outros e reflectir sobre assuntos importantes. Porque me envolvi no Escola Mundo Uma perspectiva da Bulgária O projecto Escola Mundo pretende envolver professores para que olhem para os seus valores enquanto professores e para que envolvam as questões da Justiça Social nos curricula. No artigo abaixo, Marineta Ivanova, professora da English Language School Geo Milev Bourgas da Bulgária partilha as razões por que se juntou ao projecto. Porque me envolvi no Escola Mundo Uma perspectiva da Bulgária por Marineta Ivanova, Teacher, Bourgas Num mundo interdependente e em rápida e constante mudança, os educadores podem e devem ajudar os estudantes a encarar os desafios que enfrentarão no futuro. A vida dos jovens é cada vez mais influenciada pelo que se passa no resto do mundo. O objectivo do projecto Escola Mundo é dotar os jovens estudantes de conhecimento e compreensão, e aptidão e valores que necessitam para participarem activamente na garantia do seu bem-estar e de outros, e para dar um contributo positivo, quer a nível local quer a nível global. No contexto do projecto, espero falar sobre a justiça social e, sempre que possível, provocar a discussão durante as minhas aulas. Felizmente, a disciplina Geografia do Mundo é propícia à abordagem do problema. Os temas base da justiça social que decidi tratar são: pobreza e desigualdade, sustentabilidade, desenvolvimento e globalização. Eu lecciono Geografia em Inglês, uma vez que a nossa escola é uma escola de línguas. Dando a oportunidade tanto a professores como a estudantes de pesquisar informação e boas práticas de aprendizagem relativamente ás questões da justiça social. O

4 4 que compreendi das diferentes fontes literárias foi que a idade dos nossos estudantes é propícia a desenvolver competências como: pensamento crítico, literacia emocional, empatia, etc. A percepção de diferentes modelos de justiça social é vital para futuras actividades. Irá realçar a sua auto-estima, apoiar os seus processos de tomada de decisão e torná-los-á activos para lutar pelos seus direitos contra um mundo injusto. Escola Mundo é um bom projecto de educação porque envolve plenamente os jovens na sua própria aprendizagem, através do uso de uma ampla gama de activos e métodos de aprendizagem participativa. Este envolverá o aluno enquanto desenvolve confiança, auto-estima e aptidões de pensamento crítico, comunicação, cooperação e resolução de conflitos. Estes são todos ingredientes vitais para melhorar a motivação, o comportamento e o desempenho transversal à escola. É por isso que eu aceitei a ideia básica do projecto: que as escolas que participam devem incluir no currículo das diversas disciplinas diferentes aspectos da justiça social. A actual utilização dos recursos do planeta é injusta e insustentável. À medida que a lacuna entre os ricos e os pobres aumenta, a pobreza continua a negar a milhões de pessoas em todo o mundo os seus direitos básicos. A educação é uma ferramenta poderosa para mudar o mundo, porque os jovens que hoje educamos são os adultos de amanhã. Educar para a justiça social incentiva os jovens a terem preocupações sobre o planeta e a desenvolverem empatia, e uma preocupação activa para com os outros. Os educadores para a justiça social utilizam, sempre que possível, métodos de aprendizagem activa e participativa. É uma forma de reunir a realidade actual e o contexto do mundo onde os jovens se desenvolvem para a vida adulta, e a desenvolver as suas competências para serem agentes de mudança. Pode a aldeia global ser socialmente justa? Sistema educativo e Justiça Social Global por Eyachew Tefera, Insitute of African Studies, Eslovénia A aldeia global Em pleno século XXI vivemos numa era, vulgarmente entendida como a era da globalização e de um mundo cada vez mais homogéneo. As mudanças históricas que ocorreram no Leste e no Oeste da Europa e noutras fronteiras geopolíticas, e os pressupostos económicos subjacentes

5 5 estão a ser substituídos por novas realidades. Esta mudança testemunha que ninguém vive isolado, mas sim interligado em quase todos os aspectos da vida. Por outro lado, esta aldeia global tem desigualdades económicas, sociais, raciais e ambientais. Hoje em dia, o fluxo de ideias, informação e serviços está ligado globalmente atingindo cada casa e cada pessoa. Estas e outras circunstâncias convidam à apresentação de um sistema educativo eficaz, um sistema que pode gerar pessoas globalmente competitivas com diversidade global e valores. Até mesmo do ponto de vista da criação de uma força de trabalho a nível global, os países desenvolvidos e em desenvolvimento (EUA, União Europeia, Japão, China e Índia) irão enfrentar falhas críticas de 32 milhões de profissionais tecnicamente especializados. Em todo o mundo, a procura de educadores profissionais está a crescer mais rapidamente do que a população de pessoas habilitadas. Infelizmente, o sistema de ensino actual normalmente insuficiente e sob pressão para fazer mais com menos está mal equipado para colmatar a lacuna das competências. Apesar dos biliões de dólares gastos, a tecnologia tem produzido resultados inconsistentes (M. King, IBM). Para alcançar estes objectivos, a indústria da educação deve empenhar-se em tornar-se mais aberta: mais oportunidades de acesso à educação para mais estudantes, dados e processos mais abertos dentro e entre instituições e uma cultura mais aberta de colaboração e partilha. Um sistema educativo deve abordar temas como o conhecimento dos oito princípios da dimensão global. Isto inclui: cidadania activa, justiça e direitos, deveres e responsabilidades, e responsabilidade. Mas, também, deve sensibilizar sobre a importância que as nossas acções devem ser baseadas no conhecimento sobre a inter-relação destes. Deve surgir da consciencialização que estes desafios, que o mundo enfrenta hoje em dia são um fardo partilhado que afecta a todos e que todos são responsáveis por agir para a sua mudança. Estas acções devem ser tanto baseadas no problema como orientadas para a solução acções que comecem em comunidades locais, cidades, escolas e regiões, acções que se tornem acções globais através da advocacia, transferência de conhecimento e sensibilização. Valor na educação vs rigidez do sistema de ensino Educação é um trunfo em qualquer nação e em qualquer sociedade. Para formar cidadãos para o século XXI, o sistema educativo deve se esforçar continuamente para oferecer um ensino que ajude os alunos a aprender a ver através dos olhos, mentes e corações dos outros. Isto irá permitir-lhes compreender, explicar e maximizar a complexidade e dependência acerca de si

6 6 mesmo, dos outros e dos valores comuns e destino do nosso futuro colectivo, assim como, a nível lato, a razão de ser da humanidade. A educação, deve por isso, contribuir para libertar as mentes que estão reféns do passado e, em alguns casos, enfrentar os desafios da ciência e a falácia dos cientistas. A educação é orientar o futuro; é sobre desenvolvimento e crescimento até quando estamos a estudar o passado. Segundo Julius Nyerere (primeiro presidente da Tanzânia); o objectivo da educação é a libertação dos seres humanos das restrições e limitações da ignorância e da dependência. Educar não é apenas encher o cérebro! A educação leva-nos à consciencialização do mundo. Envolve actividades que visam estimular o pensamento, para promover a aprendizagem, ou ajudar outras pessoas a aprender, ou para nos próprios aprendermos alguma coisa deve ser vista como um processo de auto educação. Educação deve ter: intenção de promover a aprendizagem, uma preocupação com o meio ambiente. Parafraseando J. Dewey, nunca educamos directamente, mas indirectamente por meio do ambiente e de certos valores. Os educadores não podem agir livres de valores, nem devem usar a educação como uma forma de doutrinação. O papel do educador é educar para promover valores como: respeito pelos outros, promover o bem-estar, a verdade, a democracia, a justiça e a igualdade. Estes valores devem abranger tanto o conteúdo das nossas conversas, bem como o nosso comportamento e as relações como educadores. Ensinar o que induz um sentido de impotência não é ensinar de todo. É sim um ataque às mentes dos indivíduos. O objectivo da educação deve ser ensinar como pensar em vez de ensinar o que pensar para melhorar as nossas mentes permitindo-nos pensar por nós mesmos em vez de carregar a nossa memória com o pensamento de outros homens Bill Beattie. O conhecimento por si só não tem valor. É como um dicionário cheio de palavras. Palavras que por si só não têm valor: é o processo de as juntar que lhes dá valor.

7 7 O sistema educativo: Um sistema educativo criado apenas por uma elite da educação não consegue preparar a nova geração para enfrentar os desafios deste século. Muitos especialistas argumentam que os empreendedores usam a inspiração e a motivação para ultrapassar barreiras. Ensinar para alcançar resultados académicos por si só não inspira nem motiva ninguém, decorar não induz o interesse pela aprendizagem. O objectivo da educação deve ser desenvolver o gosto pela aprendizagem, de modo a que permaneça com os alunos durante toda a vida. Educar sem valores produz intelectuais desumanos, segundo Wiesel um sistema educativo, que enfatize teorias em vez de valores, conceitos em vez de direitos humanos, abstracção em vez de consciencialização, respostas em vez de perguntas, ideologia e eficiência em vez de consciência está condenado ao fracasso (lembrem-se que os nazis tinham as pessoas mais bem educadas). É isto que inspirou a iniciativa de Educação para a Justiça Social. A Europa e a sua competitividade através da estratégia do Tratado de Lisboa a busca por um sistema de educação baseado em valores. Na estratégia do Tratado de Lisboa, a União Europeia define uma visão da Europa como um continente competitivo e um actor global. O sistema educativo desempenhará, sem dúvida, um papel vital destes objectivos e moldar o futuro das comunidades da União Europeia. Contudo, se não agirmos, somos confrontados com a possibilidade de aumentar a geração de Actores Globais que põem o lucro à frente do respeito humano, e de termos uma união economicamente competitiva, mas que não aproveita o talento dos seus cidadãos. O recente caso de despejo de resíduos tóxicos na Costa do Marfim (ver caso de estudo abaixo) é um desses exemplos. É altura de nos focarmos na educação olhar para além do currículo, do planeamento das aulas e dos exames e questionar pressupostos fundamentais sobre a definição de educação detida pelos nossos educadores e políticos/legisladores. Nota do Editor: Se tiver algum comentário às opiniões expressas neste artigo, pode enviar um para

8 8 Estudo de Caso - A Justiça Social nas Notícias Guy Oulla, 42 anos, professor de ciências comenta o veredicto relativo à empresa angolanaholandesa Trafigura, que foi recentemente considerada culpada de lançar lixo tóxico na Costa do Marfim. Trafigura foi recentemente multada em 1 milhão de euros por um tribunal na Holanda por transporte ilegal de resíduos tóxicos da Holanda e dissimular a natureza da carga. A empresa chegou a um acordo extrajudicial com os residentes de Free Town. Em 2007, libras foram pagas para compensar os residentes locais e libras ao governo da Costa do Marfim como compensação. O tribunal holandês multou um empregado da Trafigura e deu ao capitão do barco uma pena de prisão suspensa de 5 anos. É bom eles terem sido condenados. Mas seria melhor se eles tivessem sido presos. De volta a 2006, a 19 de Agosto, cheirou-me a um forte odor, como a borracha queimada. Pensei que alguma coisa estava a arder numa das casas do meu bairro, mas quando saí à rua era por volta das da noite não conseguia ver fogo, mas o cheiro continuava lá. Em todo o lado. No dia seguinte pensamos que se calhar era algum químico para matar os mosquitos, mas dois dias depois comecei a sentir-me doente. Estava fraco. O meu estômago estava a doer e comecei a vomitar. Estava a vomitar muito, e depois tive febre, por isso fui para a cama. Não conseguia comer. Exactamente que preço pode ser colocado a uma boa saúde? Eu estava fraco. Não conseguia trabalhar. Primeiro fui ao hospital Cocody; onde me deram analgésicos, que não ajudaram e então, fui ao hospital militar. Foi quando recebi vários tratamentos. Foi muito dinheiro que tive que pagar por todos os tratamentos. Recebi algum dinheiro da indemnização (paga pela Trafigura, que não admitiu a responsabilidade). Foi-me dado 909 libras (aprox ,00 ). Não foi suficiente porque gastei muito. Não só nas visitas ao hospital e para os tratamentos, mas também porque não pude trabalhar. Perdi

9 9 salários. O dinheiro que nos foi dado não foi suficiente. Qual o preço que se pode colocar a uma boa saúde? Tivemos que viver perto do lixo por muito tempo porque estava a 500mts do meu bairro, Akouedo. Não dava para sair dali porque não havia outro sítio para ir. Todas as pessoas do meu bairro ficaram doentes pelo menos 300 pessoas. As citações deste artigo foram retiradas do site da BBC News. Para mais informações consulte: Acontece no Moodle: Estão disponíveis 10 novas actividades que pode utilizar para explorar os diversos temas da Cidadania Global [Pobreza, Direitos Humanos, Cidadania, Sustentabilidade, Interdependência e Globalização, Diversidade, Conflito, Paz]. Não se esqueça de encorajar os seus alunos a analisar e debater sobre as questões abordadas. Para descobrir os materiais vá a Links úteis: Coordenação em PT Rua de São Nicolau nº Lisboa Tel: /

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