REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DO TRABALHO, EMPREGO E SEGURANÇA SOCIAL

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1 REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DO TRABALHO, EMPREGO E SEGURANÇA SOCIAL INTERVENÇÃO DE SUA EXCELÊNCIA A MINISTRA DO TRABALHO, EMPREGO E SEGURANÇA SOCIAL. SEMINÁRIO SOBRE EMPRESAS EUROPEIAS E AS QUESTÕES LABORAIS EM MOÇAMBIQUE SUA EXCELÊNCIA Dra. Vitória Dias Diogo, MINISTRA DO TRABALHO, EMPREGO E SEGURANÇA SOCIAL Maputo, 19 de Novembro de

2 SUA EXCELÊNCIA EMBAIXADOR DA UNIÃO EUROPEIA EM MOÇAMBIQUE; SENHORES REPRESENTANTES DE EMPRESAS DA UNIÃO EUROPEIA Quero, em nome do Governo e em meu nome pessoal, saudar através de vós Sua Excelência o Senhor Embaixador da União Europeia e todos os participantes deste Seminário sobre EMPRESAS EUROPEIAS E AS QUESTÕES LABORAIS EM MOÇAMBIQUE que tem como objectivo primordial divulgar e sensibilizar os empresários sobre a necessidade desenvolver o seu negócio dentro do quadro jurídico-laboral em vigor, contribuindo para a paz e estabilidade laboral e consequentemente aumentando a produção, productividade e competitividade. O Programa Quinquenal de governação para o período de 2015 a 2019, tem como uma das suas prioridades a promoção do emprego e melhoria da produtividade e competitividade, um exercício que vem sendo feito com o envolvimento de todas as forças vivas da nossa sociedade e em particular do sector empresarial. O nosso país tem vindo a registar uma taxa de crescimento económico sustentável, entre 7 e 8 %, ao ano, decorrente das várias 1

3 medidas de reforma implementadas pelo Governo, propiciando assim um ambiente económico cada vez melhor para a actuação da iniciativa privada e de realização, com garantia e segurança, do investimento directo nacional e estrangeiro, gerador de riqueza e de emprego. Distintos participantes, O Programa Quinquenal do Governo estabelece como meta a criação de cerca de um milhão e quinhentos mil empregos, tendo por base os investimentos do sector público e privado, e tal projecção só se pode materializar com relações laborais sãs e trabalho decente que concorrem para o aumento da produção, produtividade e competitividade. Permitam-me partilhar que até Setembro último cerca de 213 mil empregos, foram gerados maioritariamente no sector privado, o que nos encoraja, como Governo, a prosseguir com a implementação de medidas de reforma e de simplificação de procedimentos que concorram para a melhoria do ambiente de negócios. A par do emprego induzido pelos investimentos, numa perspectiva transversal, o Governo tem previstas e em implementação medidas que encorajam o auto-emprego e o empreendedorismo, dentre as 2

4 quais, a promoção de Estágios Pré-profissionais, tendo mais de jovens sido beneficiados até Setembro deste ano. Congratulamos o sector privado por acolher estes estagiários nas suas empresas, algumas das quais aqui representadas, e reiteramos o nosso apelo para que haja cada vez maior abertura à integração de mais estagiários. Sendo a capacitação do capital humano uma prioridade na nossa governação, e cientes de que não é apenas responsabilidade do Governo, criou-se espaço para o envolvimento do sector privado na provisão de formação profissional. Assim, a conjugação de esforços públicos e privados neste domínio já resultou na formação profissional de moçambicanos, com destaque para jovens. O auto-emprego é uma das faces visíveis do empreendedorismo, assim, tem sido privilegiada a distribuição de kits aos melhores formandos. A qualidade dos formadores dita o produto final que sai dos nossos centros de formação. Acreditamos que juntos podemos explorar outros caminhos, para que os formadores possam estagiar nas vossas empresas e estar assim expostos a um ambiente laboral. Esta parceria poderia estender-se à provisão de Kits de ferramentas aos melhores formandos, como um contributo para que os jovens 3

5 possam iniciar com o seu pequeno negócio, abraçando assim o autoemprego. A criação de mais empregos implica que o trabalho seja feito em condições decentes e de dignidade. A criação de mais postos de trabalho, não deve significar precariedade, sinistralidade, doenças profissionais, mutilação ou perda de vidas devido a falta de observância das regras de segurança, higiene e protecção no trabalho. Por isso, gostaríamos de exortar a todos os presentes para que olhem para o equipamento de protecção e higiene no trabalho como um investimento tão essencial como a formação ou modernização do processo produtivo. Distintos empresários Reconhecendo a escassez de técnicos qualificados e especializados em algumas áreas, o Governo abriu espaço para que as empresas, no quadro da legislação em vigor, recrutem mão-de-obra estrangeira especializada, visando o preenchimento de vagas disponíveis em certas áreas de actividade onde o país denota fortes carências; Até Setembro do corrente ano expatriados haviam sido recrutados legalmente pelas empresas no âmbito da admissão automática e regime de autorização, agindo também como uma 4

6 plataforma para a transmissão e transferência de conhecimento tecnológico e experiência aos seus colegas trabalhadores moçambicanos. Contudo, algumas situações anómalas têm sido detectadas pelos nossos serviços de inspecção e fiscalização, quais sejam a contratação irregular de expatriados, que, em alguns casos, assume formas disfarçadas e fraudulentas, uma grave infracção à legislação laboral em vigor, sendo exemplo disso o facto de se ter identificado e suspenso, até Setembro deste ano, trabalhadores estrangeiros, em situação ilegal em diversas empresas. Por isso, apelamos ao sector privado, em geral, e as empresas dos países da União Europeia, em particular, para que operem respeitando escrupulosamente a legislação laboral, priorizando a contratação de mão-de-obra nacional como regra e, excepcionalmente, a contratação de mão-de-obra estrangeira, em caso de não haver técnicos nacionais qualificados e obedecendo rigorosamente a lei em vigor. O investimento directo estrangeiro é bem visto dentro das regras estabelecidas no país. Lembremo-nos sempre que estamos num Estado de direito. 5

7 Minhas Senhoras e Meus Senhores A promoção da paz e estabilidade nas relações laborais é também um dos grandes objectivos do Governo, por isso, temos vindo a implantar os órgãos de resolução extra-judicial de conflitos laborais que já se encontram em funcionamento em todas as capitais provinciais, num modelo tripartido que conta com o envolvimento dos empregadores e dos trabalhadores. Temos vindo a registar progressos marcantes no âmbito desta plataforma, pois até Setembro último, atingimos 80.1% de mediações laborais com sucesso, portanto, acima da média regional que é de 61%. A experiência mostra-nos que o envolvimento dos parceiros sociais no processo de resolução dos conflitos laborais é vital para o sucesso da negociação. Por isso, a prevenção de conflitos laborais deve iniciar no posto de trabalho e na empresa, pelo que gostaria de apelar a promoverem a negociação colectiva, como forma de se ir melhorando as condições de trabalho e de emprego, abrindo espaço para a actuação dos sindicatos, para uma relação sã entre o capital e o trabalho. Termino a minha intervenção reiterando a nossa abertura como Governo em continuar a divulgar e esclarecer os nossos parceiros do sector privado para juntos prosseguirmos na promoção da legalidade, estabilidade e paz laborais. 6

8 Acompanham-me neste encontro quadros das diversas áreas da administração do Trabalho, Emprego e Segurança Social, pelo que, desde já, estão disponíveis para interagir. Com estas palavras, declaro aberto o Seminário sobre o EMPRESAS EUROPEIAS E AS QUESTÕES LABORAIS EM MOÇAMBIQUE. Muito obrigada pela vossa atenção. 7

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