REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DO TRABALHO, EMPREGO E SEGURANÇA SOCIAL

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1 REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DO TRABALHO, EMPREGO E SEGURANÇA SOCIAL Discurso de Sua Excelência, Dra Vitória Dias Diogo, Ministra do Trabalho, Emprego e Segurança Social, no 1 Conselho Consultivo da Inspecção Geral do Trabalho Maputo, 17 de Março de 2016

2 Exmo. Senhor Inspector Geral do Trabalho Senhores membros do Conselho Consultivo da Ministra do Trabalho, Emprego e Segurança Social; Senhores Inspectores Chefes Provinciais do Trabalho Distintos convidados; Minhas Senhoras e Meus Senhores É com grande sentido de responsabilidade que dirijo este primeiro Conselho Consultivo da Inspecção Geral do Trabalho, um colectivo que reúne os Inspectores gerais e Inspectores Chefes Provinciais. A todos vós vai a minha saudação. Esta reunião toma um carácter muito especial, pois é o nosso primeiro Conselho Consultivo da Inspecção do 1

3 Trabalho desde que iniciamos o processo de reestruturação e reorganização do sistema de inspecção do trabalho, tendo em vista adequá-la aos objectivos traçados no quadro da Implementação do Programa Quinquenal do Governo no domínio da promoção da legalidade laboral. É nossa pretensão que nesta sessão debatamos e aprofundemos instrumentos importantes que passarão a regular a conduta do inspector nomeadamente, o código de conduta, os procedimentos da acção inspectiva que integram a ética e deontologia profissionais do inspector de trabalho na sua relação com as empresas e os trabalhadores, bem como o regulamento interno da Inspecção do Trabalho, que detalhe mais a nossa organização e as atribuições de cada unidade orgânica. Importa aqui sublinhar que o Governo tem vindo a adoptar do ponto de vista económico e social várias medidas, que incluem a promoção da legalidade, paz e estabilidade laborais. 2

4 Minhas Senhoras e Meus Senhores Um dos objectivos preconizados no Programa Quinquenal, o Governo é a promoção do emprego, aumento da produtividade e a competitividade, tendo estabelecido como meta a criação de cerca de um milhão e quinhentos mil empregos a nível nacional. Permitam-me que sublinhe que no cumprimento deste importante objectivo, no ano transacto foram criados postos de trabalho, dos quais foram preenchidos por mulheres. Assim, tendo em conta a dinâmica do desenvolvimento, como agentes da administração do trabalho, somos chamados a ser céleres na tomada de medidas que contribuam para o reforço do quadro legal das relações laborais. Por isso, continua a merecer prioridade a regulamentação da Lei do Trabalho para que tanto o empregador como o trabalhador tenham clareza das regras e das condições em que devem laborar. 3

5 Neste sentido, no quadro da verificação do grau de aplicação e cumprimento das normas jurídico laborais, foram inspeccionados ao longo de 2015 um total de estabelecimentos, abrangendo um total de trabalhadores, dos quais de nacionalidade estrangeira, tendo sido um dos resultados na suspensão de expatriados por exercerem as suas actividades ilegalmente e sem a devida permissão para o trabalho no país. É importante sublinhar que das acções inspectivas acima mencionadas, foram constatadas infracções às diversas normas laborais, das quais correspondentes a 23% do total das infracções detectadas, foram aplicadas penas de multas, através de levantamento dos autos de notícia, sendo que correspondentes a 77% deram lugar a autos de advertência no âmbito da acção educativa e orientadora da Inspecção Geral do Trabalho. Por outro lado, ainda no quadro da sensibilização e interacção com os parceiros sociais no âmbito da 4

6 observância da legislação laboral no país e promoção do respeito aos princípios e direitos fundamentais e ordinários no trabalho, o Governo, durante o ano de 2015, lançou uma campanha nacional sobre o perdão de multas em dívida a micro, pequenas e médias empresas para que voluntariamente repusessem os direitos dos trabalhadores violados, ou que regularizassem as infracções detectadas. Assim, do total de 825 empresas com dívidas, 492 empresas aderiram a estas medidas, tendo sido perdoadas 408 empresas, no valor total de Cento e Cinco Milhões, cento e vinte e nove mil, seiscentos e vinte e um meticais e quarenta e seis centavos, o que possibilitou que estas micro, pequenas e médias empresas pudessem reinvestir na melhoria do seu negócio. É neste quadro da dinamização da Economia Nacional e abertura do Governo para com o sector Privado que, a Inspecção Geral do Trabalho é, mais uma vez, chamada a desenvolver esforços na divulgação das normas 5

7 tendentes a reduzir o número de empresas que praticam irregularidades diversas. É, portanto, digno de menção o facto de no ano transacto a Inspecção do Trabalho ter realizado cerca de palestras, abrangendo acima de trabalhadores. Queremos, ilustres inspectores, que esta reunião produza resultados tangíveis na formatação da nossa acção inspectiva de modo que, na nossa actuação como inspectores, sejam escrupulosamente observados os princípios da legalidade, ética, honestidade e deontologia profissional, mas também temos esta oportunidade singular para sairmos daqui munidos de ferramentas importantes para impor disciplina às nossas equipas de trabalho, tanto no órgão central como na província. Gostaria de recordar que devemos ter a consciência de que: O Inspector do Trabalho, na sua actuação, deve assumir postura de verticalidade e imparcialidade 6

8 com vista a assegurar o cumprimento da legalidade laboral tanto por parte do empregador como por parte do trabalhador e estar atento às formas camufladas que por ventura algumas entidades empregadoras podem adoptar para contornar a lei e, nestes casos, não devemos ser complacentes. Devemos, sim, agir com firmeza, rigor mas sempre dentro da lei, adoptando uma postura didácticopedagógica e consoante a gravidade da infracção a abordagem punitiva; O Inspector do Trabalho, digno desse nome, deve preocupar-se em actualizar permanentemente os seus conhecimentos. Deve ser uma autoridade em termos de competência, domínio técnico e profissionalismo. Deve granjear respeito, não só no exercício das suas funções mas também como cidadão na comunidade e na sociedade. Os instrumentos que vão ser apreciados nestes dois dias, deverão complementar as políticas públicas em vigor e reforçar as diversas intervenções no aparelho 7

9 de Estado, todas focalizadas, no saber ser, estar, pensar, fazer e na perspectiva de podermos cumprir com a nobre missão para que fomos investidos. O nosso relacionamento, como agentes de inspecção, com as empresas deve merecer especial atenção como forma de garantir a necessária confiança dos empregadores e trabalhadores no processo de verificação e controlo da legalidade laboral, pois, de nós se exige imparcialidade, por isso, sóis chamados a pautar por uma conduta e cultura de integridade, transparência e defesa dos interesses superiores do Estado. Para que a integridade e rectidão imperem no nosso seio, o inspector do trabalho deve ter clareza das suas incompatibilidades, não devendo ter um vínculo laboral ou de assessoria remunerada com qualquer empresa. O inspector do trabalho não pode ser simultaneamente trabalhador camuflado de uma empresa. Há um conflito de interesse!! Pois, em tais circunstâncias, a transparência, a isenção e a integridade são deixados de lado, vendendo-se a 8

10 mente e consciência, o que não é compatível com a maneira de estar e de ser, ou seja, com a postura que queremos de um inspector de trabalho. Lembrem-se sempre que temos apelado aos cidadãos, em geral, e aos empresários e trabalhadores, em particular, para que continuem a denunciar situações que considerem anómalas na actuação dos inspectores do trabalho. A nossa determinação é de construirmos juntos, uma inspecção do trabalho virada para o desenvolvimento; Uma inspecção do trabalho que prime pela educação e orientação dos empregadores e trabalhadores e que esteja forjada de uma conduta irrepreensível de ponto de vista ético e deontológico. Presados inspectores chefes Como Inspecção do Trabalho temos que ter presente que com uma actuação imparcial e isenta, que trate com igualdade as duas partes na relação do trabalho, 9

11 estaremos a promover a legalidade e paz laboral, factores essenciais para o aumento da produção e produtividade, o que concorre para o aumento da renda nas empresas e consequentemente das condições de trabalho, abrindo espaço para novos investimentos e com estes mais oportunidades para os moçambicanos poderem trabalhar. No que se refere à integridade, o inspector do trabalho, na família da administração de trabalho, deve ser o funcionário público mais íntegro, da primeira linha, sob pena de colocar em causa toda a instituição, fragilizando o Estado e contribuindo em sentido contrário para a almejada estabilidade das relações jurídico laborais nas empresas e da paz laboral. Ao inspector não basta ser íntegro! Ele deve também transmitir integridade ao cidadão. Deveis ser depositários da confiança, tanto dos empregadores como dos trabalhadores. Uma confiança e credibilidade que se conquistam a partir da nossa actuação que deve também se demonstrar pelo domínio que temos dos instrumentos legais e das 10

12 normas laborais em vigor. Portanto, é com pesar que temos vindo a registar situações de corrupção e violação de ética. Situações que mancham a toda a família da administração do trabalho, emprego e segurança social. Situações que nos envergonham. Sabemos que é uma minoria envolvida em actos ilícitos por isso, seremos chamados cada um a não pactuar com tais atitudes e a exigir rigor, pois os cidadãos a quem juramos servir pela melhoria da nossa actuação. Reitero que agiremos com firmeza nos casos de corrupção ou nos casos em que se encobrirem desmandos e crimes laborais. Desafiamos a Inspecção do Trabalho, que continue firme na sua nobre missão e tudo faça de forma a prevenir e reprimir a onda de graves acidentes de trabalho com consequências sociais e económicas incalculáveis, cujas causas advêm do incumprimento das regras de higiene e segurança 11

13 no Trabalho, da busca pelo lucro fácil e da fragilidade do sistema de controlo no seu todo. Igualmente, a inspecção deve ser firme no controlo da imigração ilegal para o trabalho, a precarização das relações de trabalho, incluindo a falta de redução a escrito dos contratos de trabalho, a falta de inscrição e pagamento de contribuições no sistema de segurança social, bem como longas jornadas laborais entre outros problemas laborais. Minhas senhoras, meus senhores. Termino desejando ao corpo directivo da Inspecção Geral do Trabalho o seu compromisso na operação de reformas para que a sua actuação vá de encontro às expectativas do cidadão e que concorramos efectivamente para a promoção da legalidade laboral. Com estas palavras declaro aberto o 1 Conselho Consultivo da Inspecção Geral do Trabalho. NA TENDA 12

14 ASSANTE SANA NIBONGUILE KHANIMAMBO MUITO OBRIGADA 13

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