Conferência sobre a Nova Lei das Finanças Locais

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1 Conferência sobre a Nova Lei das Finanças Locais Exmo. Sr. Bastonário da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, Dr. Domingues de Azevedo, Exmos. Senhores Presidentes de Câmaras Municipais, Demais Entidades, Minhas Senhoras e meus Senhores, Antes de mais gostaria de aproveitar esta oportunidade para agradecer a todos os que participaram nestes trabalhos, pelo tributo e esforço no alcance de uma mais nítida identificação dos problemas e das suas prioridades e, de igual modo, na busca das melhores e mais céleres soluções. O debate que hoje aqui se realizou incidiu sobre uma lei de importância basilar, não só para quem gere os recursos das autarquias, mas também para os cidadãos, que estão sempre na linha da frente das preocupações de quem governa e face a quem a nossa responsabilidade se torna mais premente. Qualquer política só é acertada quando coloca a população e o seu bem-estar no centro da sua finalidade, mas não há estratégia nem esforços que dêem resultados sem a mobilização de todos, de forma a potenciar as melhores soluções. Hoje, estou certo que assistimos aqui a um conjunto de apresentações de grande qualidade e com uma visão muito ampla e contundente sobre o tema em debate. Num momento em que se nos apresentam novos desafios que requerem novas exigências, as contribuições aqui deixadas pelos ilustres convidados geram conclusões que nos permitem consolidar estratégias apropriadas para um futuro mais promissor, pelo que muito nos honraria se a organização deste importante e proveitoso Encontro as partilhasse, oportunamente, com o Governo Regional. 1

2 Minhas Senhoras e meus Senhores, Num período de fortes constrangimentos e limitações orçamentais, é indispensável sabermos responder aos novos desafios com projetos adequados e eficazes, capazes de servir cada vez mais e melhor. Assim, é fundamental pensar mais na economia, principalmente porque é urgente devolver a esperança na construção de um futuro melhor. Mas necessitamos de políticas europeias e nacionais úteis e profícuas, para que as nossas políticas sejam também bem sucedidas. Já vimos que a austeridade em excesso não resulta, já que a consequência tem sido menos receita fiscal e, em resultado, mais desemprego e mais pobreza, sem que o objetivo de consolidação seja alcançado. E é neste sentido que consideramos a nova Lei das Finanças Locais injusta, porque volta a retirar verbas à Região, às nossas autarquias e freguesias, e, consequentemente, retira a capacidade de intervenção e os mecanismos que possibilitam que estes órgãos autárquicos actuem como agentes de desenvolvimento local. Não podemos aceitar, por exemplo, que esta Lei impossibilite que as autarquias aufiram de apoios do Orçamento Regional destinados a financiar projetos de investimento, ou que se continue a delegar nas autarquias competências sem assegurar os meios necessários para o seu financiamento. O Governo Regional da Madeira defende ser urgente trilhar outro caminho, enquanto é tempo. Defende ser essencial prosseguir com a estimulação de uma cultura empreendedora e com a consolidação do clima de confiança, que permita captar investimento e fixar capital, indispensável ao desenvolvimento da nossa terra e, ao mesmo tempo, gerador de emprego e de progresso social. 2

3 Igualmente empenhado como até aqui, o Governo Regional da Madeira dará continuidade à consolidação das contas públicas, já que a estabilidade financeira constitui um dos pilares do Programa de Assistência Económica e Financeira. O outro pilar é o crescimento económico e a consequente criação de riqueza e de emprego. Desta forma, continuaremos a intensificar as medidas governativas de desenvolvimento económico, sobretudo vocacionadas para a iniciativa privada. Continuaremos, na medida do possível, a apoiar as câmaras e juntas de freguesia da Região, aliviando a pressão financeira resultante de reduções nas transferências do Estado, através da consolidação de projectos comuns, quer na perspectivada concretização de investimentos estruturantes, quer em políticas de coesão e solidariedade. Continuaremos a trabalhar, a desenvolver e a implementar o Programa que propusemos e que foi sufragado pela população, tomando também medidas que induzem a reanimação e lançando investimentos que serão certamente geradores de empregos. Aliás, o Governo Regional tem vindo a preparar medidas de índole fiscal, que visem permitir incentivos aos investidores, na ótica da implementação de novos investimentos ou incremento dos existentes, tornando a opção pela nossa Região mais atrativa, com evidentes reflexos no crescimento económico, na modernização da economia e na criação e manutenção de postos de trabalho. Neste sentido, o Centro Internacional de Negócios da Madeira constitui também uma prioridade para o Governo Regional. A este propósito, e aproveitando a presença de ilustres membros da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, gostaria de lembrar que em resultado do empenho da Região e do atual Governo da República, a Comissão Europeia decidiu prorrogar o prazo para a admissão de novas empresas no Centro Internacional de Negócios da Madeira até 30 de Junho de 2014, confirmando igualmente a preparação do processo de negociações para o IV Regime do CINM, cujos benefícios se estenderão para além de 2020, sendo agora necessário capitalizar este importante instrumento. 3

4 Com efeito, depois da recente alteração do regime de plafonds aplicado às empresas licenciadas para operar no CINM, esta decisão constitui uma mensagem de confiança aos mercados e determina mais um passo importante na consolidação do Centro Internacional como mecanismo de atração de investimento externo, de diversificação e modernização da economia regional, a vários níveis, entre os quais a criação de emprego e a captação de importantes receitas fiscais, que nos permitirão melhorar o padrão de qualidade de vida e garantir a solidariedade necessárias às classes mais desfavorecidas. Da mesma forma, continuamos a defender uma reforma integral do nosso sistema fiscal e a necessidade de o transformar num sistema mais justo, mais integral, mais coerente e mais simples. Defendemos uma reforma que tenha por base a preocupação estratégica de dotar o país de condições de competitividade fiscal, mas que para ser séria e bem-sucedida, não pode ser feita de forma segmentada. A reforma tem de ser a reforma do sistema fiscal no seu conjunto e não apenas a reforma do IRC ou do IRS. E este é um tema, consideramos nós, que deve ser transversal e que necessita do consenso das maiores forças partidárias. Para tal, considero fundamental o papel e o empenho dos Técnicos Oficiais de Contas, sem os quais não será possível fazer qualquer reforma fiscal digna desse nome. Minhas Senhoras e meus Senhores, Ao concluir os trabalhos desta Conferência, gostaria de manifestar os meus agradecimentos, em nome da Região e do Governo Regional, à Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas e à TSF, cujas ações concertadas garantiram os objetivos desta Conferência. 4

5 Saúdo e agradeço os esforços de todos e de cada um, que permitiram a construção do consenso que se pretende na melhoria de uma lei ao serviço das populações. Cabe agora a todos nós governos, organizações e sociedade civil dar consequência e materialização ao que aqui ficou determinado. Agora é, portanto, hora de ultrapassar os discursos bem-intencionados e de começar a agir. Apesar de algumas autarquias locais serem governadas por partidos diferentes do partido que suporta o Governo Regional, é essencial manter um bom relacionamento entre o poder local e regional, pois é preciso colocar os interesses coletivos acima dos interesses partidários ou agendas individuais. O que nos move é melhoria do serviço público e a garantia de um futuro melhor para as populações. É nessa linha que temos atuado e continuaremos a atuar, fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance para defender os interesses da Região no seu todo. Fizemos isso, por exemplo, no âmbito do processo de revisão da Lei das Finanças Locais. Propusemos que os Governos Regionais pudessem celebrar contratos-programa com os municípios nos termos em que eram feitos até 2013, que as transferências para os municípios das Regiões Autónomas fossem majoradas devido à ultraperiferia, mas também que o IRS variável fosse suportado pelo Orçamento do Estado, já que foi esse o compromisso que o Governo do PS assumiu connosco em 2006 e que todos os sucessivos Governos da República têm desrespeitado. Assim, quando os municípios dizem, e bem, que têm a receber 7,6 milhões de euros do IRS variável, eu digo que a Região Autónoma da Madeira, no seu todo, tem a receber 38,8 milhões de euros, que foi o valor que foi subtraído aos municípios e ao Orçamento da Região até ao final de Mas não é de agora que defendemos o poder local, já que estivemos sempre na linha da frente na defesa dos interesses das autarquias locais, como pode ser testemunhado pelo acompanhamento que a Secretaria Regional do Plano e Finanças sempre fez dos dossiês que envolvem as autarquias. 5

6 Prova disso é que entre 2000 e 2013 o Orçamento Regional canalizou para os municípios da Região Autónoma da Madeira268 milhões de euros no âmbito de contratos-programa, não estando aqui incluídos os apoios concedidos no âmbito da Intempérie de 20 de Fevereiro de 2010, que já ascendem a 4,6 milhões de euros. Da nossa parte, posso garantir que podem continuar a contar com o Governo Regional da Madeira. Muito obrigado. O Secretário Regional do Plano e Finanças, 17 de Janeiro de

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