É precisamente nestas alturas que temos de equacionar todos os meios possíveis para tornar viáveis, nomeadamente, os museus.

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1 Museus Novos produtos para novos públicos António Ponte Paço dos Duques de Bragança PORTO, Ao iniciar esta apresentação quero agradecer o convite que nos foi endereçado para apresentar a situação do Paço dos Duques enquanto instituição cultural que presta um determinado conjunto de serviços. As épocas de crise fazem-nos pensar de forma muito clara na sustentabilidade das instituições culturais. Pensar de que forma poderão sobreviver face aos cortes que se impõem em momentos de maior aperto financeiro. É precisamente nestas alturas que temos de equacionar todos os meios possíveis para tornar viáveis, nomeadamente, os museus. Desta forma, as instituições museológicas deixam de ser meros espaços de contemplação e passam a ser encarados por responsáveis e por públicos como instituições próativas que prestam serviços à comunidade retirando daí os respetivos proveitos. Estes momentos fazem-nos também pensar na própria definição de museu quando se refere que devem ser instituições sem fins lucrativos. Isto não implica que não desenvolvam atividades que permitam um reinvestimento na instituição, tanto no equipamento como na sua coleção e nos serviços de difusão cultural. Eventualmente estes momentos de maior dificuldade económica deveriam também fazer-nos refletir na própria definição de museu e deixar os lirismos fundamentalistas em prol de instituições dinamizadas e qualificadas, algo que só é possível com a existência de recursos financeiros. A primeira questão que se poderá colocar é se os museus devem ser ou não gratuitos. Independentemente do enquadramento legal desta situação, nomeadamente para os museus e palácios nacionais, gostaria de expressar a minha opinião pessoal sobre este assunto. Desempenhando funções há cerca de 20 anos em instituições culturais e depois de analisar muitas situações e comportamentos, entendo que os serviços

2 culturais devem ser pagos. Este pagamento, por simbólico que seja, qualifica o serviço prestado e dá outra perspectiva do mesmo a quem adquire um bilhete para assistir a um espetáculo ou para visitar um museu. Quando analisamos a Lei quadro Lei 47 / 2004 dos museus, esta refere no seu Artigo 55º - Custo de ingresso 1 A gratuitidade ou onerosidade do ingresso no museu é estabelecida por este ou pela entidade de que dependa. 2 O custo de ingresso no museu é fixado anualmente pelo museu ou pela entidade de que dependa. 3 Devem ser estabelecidos custos de ingresso diferenciados e mais favoráveis em relação, nomeadamente, a jovens, idosos, famílias e estudantes. 4 Os museus que dependam de pessoas colectivas públicas devem facultar o ingresso gratuito durante tempo a estabelecer pelas respectivas tutelas. Nestes diferentes pressupostos podemos verificar que a questão da acessibilidade não se coloca pois a lei esclarece a diversidade do tipo de ingressos que deverá existir, bem como pressupõe a existência de um determinado período em que o acesso aos museus deverá ser gratuito. Por seu lado, o Decreto-Lei n.º 97/2007, de 29 de Março, no seu Artigo 8º, ao referirse às competências dos directores dos museus nacionais estabelece que cabe aos mesmos: Serviços dependentes 4 Para além das competências atribuídas por lei aos dirigentes intermédios de 1.o e 2.o grau, e de outras que lhes venham a ser delegadas ou subdelegadas, compete aos directores dos serviços dependentes do IMC,I. P.: [ ] f) Autorizar o acesso gratuito ao respectivo museu, em casos excepcionais e devidamente justificados;

3 g) Decidir sobre a cedência temporária de espaços, paga ou gratuita, no respectivo museu; Assim, certo que o bom senso dos diretores dos museus prevalece, certamente muitas são as pessoas e instituições que em ocasiões e por motivos especiais têm acesso gratuito aos museus. Não podemos esquecer que estas receitas são determinantes para o funcionamento das instituições. Não são segredo para ninguém os cortes aos financiamentos nem os reduzidos orçamentos para funcionamento. Não fossem as receitas de bilheteira certamente muitos museus teriam de estar encerrados. Podem os defensores da gratuitidade de acesso aos museus dizer que existem muitos países em que o mesmo é gratuito. Certamente. Mas também existem muitos outros em que o acesso é muito bem pago. Exemplos disto são por exemplo os museus de Barcelona ou de Berlim e mesmo Paris. Londres continua a aparecer-nos como um caso especial e exemplar, onde os visitantes deixam donativos e pagam o acesso a exposições temporárias. Penso que esta cultura não está ainda suficientemente implantada no nosso país. Depois ouvimos muitos outros defender a gratuitidade dos museus como acontece em alguns casos de museus portugueses. Muitos museus municipais são gratuitos, dependem exclusivamente dos meios municipais e funcionam em condições muito limitadas. Outros museus têm entradas gratuitas mas as fundações e outras entidades tutelares recebem financiamentos que lhes permitem essa politica. Tem sido ultimamente colocada a questão do fim da gratuitidade dos museus aos domingo de manhã, ou pelo menos de repensar esse modelo de gratuitidade. Tendo em conta as palavras do Senhor Secretário de Estado da Cultura a questão da acessibilidade e a questão social não se colocarão. Será definido um novo momento em que o acesso gratuito será possível. Ao analisar a situação do Paço dos Duques podemos observar os seguintes dados. No ano de 2010 o Paço dos Duques recebeu mais de visitantes, número já ultrapassado este ano. Deste valor global cerca de 45% são visitantes estrangeiros das mais diversas proveniências. Dos cerca de 55% visitantes portugueses uma parte

4 significativa são visitantes em contexto escolar, por isso com entrada gratuita, pagando, todavia, os serviços educativos prestados no âmbito da visita; outra percentagem relevante são idosos beneficiando do desconto de 50%. Todavia, as receitas são essenciais para o funcionamento do IMC. Considero que a gratuitidade universal não é garantia de prestar um bom serviço, nem vantajosa. Devemos antes procurar prestar um bom serviço aos nossos visitantes, com desdobráveis, com exposições temporárias explicativas das temáticas abordadas pelos museus. É assim que nos tentamos posicionar. Mas nem só das receitas de entradas vivem os museus. No seu Artigo 11º o Decreto- Lei n.º 97/2007, de 29 de Março estabelece aquilo que são receitas próprias dos serviços dependentes: 4 Constituem receita dos serviços dependentes: a) As dotações e transferências do orçamento do Estado; b) As decorrentes da cedência temporária dos respectivos espaços para a realização de actividades culturais ou outras previamente autorizadas pelo director do IMC, I. P., de acordo com regulamento de utilização e tabela aprovada pelo Director do IMC, I. P., após parecer do Conselho Administrativo; c) Os subsídios e comparticipações que lhes sejam directamente atribuídos por quaisquer entidades públicas ou privadas, nacionais ou estrangeiras, incluindo as obtidas ao abrigo da lei do mecenato cultural; d) As provenientes das actividades de serviço educativo ou decorrente de acções de formação; e) As decorrentes da emissão de quaisquer pareceres ou de serviços prestados no âmbito da sua actividade. Assim, hoje os museus procuram disponibilizar um conjunto de serviços que lhes permitam alguma folga financeira para poderem levar a cabo alguns projetos.

5 O Paço dos Duques, beneficiando do seu carater altamente simbólico, tem vindo a conseguir um bom resultado ao nível da obtenção das receitas próprias. Onde: - Nos Serviços Educativos Os serviços educativos do Paço dos Duques são uma das suas bandeiras. Disponibilizamos uma larga oferta de atividades que vão desde visitas guiadas a teatros, recriações ou visitas encenadas, roteiros ou outras que podem ser consultadas no nosso site. Cada atividade tem um custo por pessoa que é aplicado na generalidade das situações. Ora, as verbas que são geradas por este serviço voltam a ser reinvestidas no mesmo. Em guarda roupas de melhor qualidade, no equipamento para o serviço, em brochuras educativas, entre outros. Claro que os lucros permitem ainda melhorias no monumento. Porém, estamos cientes da nossa responsabilidade social e sempre que somos confrontados com dificuldades de pagamento ponderamos as situações. Também integramos projetos sociais que nos são propostos, nomeadamente pela Câmara Municipal de Guimarães. - Cedências de espaços Sem complexo, temos vindo a desenvolver um significativo conjunto de cedências de espaços para atividades sociais e culturais, de instituições e/ou particulares, sujeitas a uma taxa de cedência que já permitiu grandes investimentos no conjunto monumental que dirigimos. Estas cedências são ponderadas cautelosamente, elementos da nossa equipa ficam responsáveis pelo espaço no decorrer dos eventos, a custos dos responsáveis pelas cedências, toda a área de coleção permanente e exposições temporárias é selada, não colocando em risco o monumento ou a sua coleção. Para alem do beneficio financeiro, este tipo de atividade permite a divulgação do museu, muitas vezes os jantares ou demais eventos são precedidos de visitas guiadas pagas ao museu. Muitas pessoas que nunca tinham visitado o Paço dos Duques, voltam mais tarde para visitas mais detalhas aos espaços de exposição. Esta é uma dinâmica muito utilizada internacionalmente, que desenvolvida com critério, não vulgarizando os monumentos, permite uma maior divulgação e rentabilização do património..

6 - Estabelecimento de protocolos de parceira O Paço dos Duques estabelece parcerias com outros museus e/ou instituições garantindo fundos documentais que podem ser utilizados em projetos dessas instituições e pelo próprio Paço. Ao assegurar estes conteúdos recebe dos parceiros a componente financeira que lhe permite produzir exposições. - Organização de Ações de Formação O Paço dos Duques tem vindo a promover um conjunto de ações de formação que visam o enriquecimento técnico dos nossos colaboradores e de instituições terceiras, permitindo ainda a intervenção em algum acervo e simultanemanete criar algumas receitas. -Festas de aniversario A equipa dos serviços educativos é ainda responsável pela organização e acompanhamento de festas de aniversário. Este é um espaço mágico. Qual é a criança que não gosta de ser princesa ou cavalheiro por um dia?! Mas na nossa atividade também existem muitos serviços e momentos gratuitos. - Sempre que socialmente isso se manifesta determinante; - Sempre que sentimos que devemos garantir uma acessibilidade integral ao Museu; - Em dias celebratórios e em atividades especiais tais como as 5ªs à noite nos Museus, na Noite dos Museus, Dia Internacional dos Museus, entre outros. Procuramos no Paço dos Duques garantir meios que nos permitem fazer aquilo que programamos. Para isso também recorremos a financiamentos da UE, bem como ao mecenato cultural, figura que hoje não é muito fácil de garantir devido ao contexto económico em que nos encontramos. Espero ter sido claro na exposição e estou disponível para responder às vossas questões. Muito obrigado. António Ponte Novembro, 2011

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