Seminário FMI e Sindicatos Aprofundando nosso diálogo e afinando nossas políticas

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1 Seminário FMI e Sindicatos Aprofundando nosso diálogo e afinando nossas políticas Victor Lledó Representante Residente do FMI Hotel Avenida, Maputo, 17 de Novembro de 2010

2 Estrutura da apresentação O papel do FMI na África subsariana O diálogo do FMI com sindicatos e associações laborais O papel do FMI no contexto das manifestações de Setembro de

3 O papel do FMI na África Subsariana O papel do FMI na África Subsaariana é de ajudar governos a alcançar e sustentar a estabilidade macroeconómica e financeira necessária para promover o crescimento económico e reduzir a pobreza. Estes objectivos são cumpridos através de três actividades principais: Aconselhamento na selecção e implementação de políticas macroeconómicas. Apoio financeiro, o qual foi recentemente incrementado e flexibilizado. Formação e capacitação. 3

4 O papel do FMI - Aconselhamento O aconselhamento macroeconómico é dado de forma periódica a todos os países membros através das nossas consultas anuais/bianuais : consultas do Artigo IV: O FMI também realiza consultas específicas na área financeira através do FSAP (Financial Sector Assessment Program), normalmente conduzidos com o Banco Mundial, e de análises dos sistemas contabilísticos e fiscais (ROSCs). O aconselhamento macroeconómico também é dado de forma mais frequente a países com programas que podem ou não envolver apoio financeiro: Um mecanismo que tem se tornado bastante comum entre vários países africanos é o Instrumento de Apoio a Políticas (PSI); Países com PSI não recebem apoio financeiro; As análises do FMI servem para sinalizar a sociedade civil, sector privado e parceiros do desenvolvimento acerca da qualidade das acções do governo no âmbito da implementação do programa. 4

5 O papel do FMI Apoio Financeiro O apoio financeiro é concedido através de um conjunto variado de programas: Facilidade Extendida de Crédito (ECF):para países com problemas que precisam de ser resolvidos a mais longo prazo temos o, que substituiu o antigo PRGF. São Tomé e Príncipe está com um ECF que termina em Facilidade de Credito Stand-by (SCF): para países com problemas de curto prazo na balança de pagamentos. Este é o caso de Angola. Facilidade de Credito Rápido (RCF): para países com uma necessidade mais urgente em função de calamidades naturais, de emergências para países pós-conflitos, choques macroeconómicos. Moçambique também se beneficiou de uma versão antiga do RCF (o ESF) durante em função da alta global dos preços do petróleo e de alimentos. 5

6 O papel do FMI Formação e Capacitação O FMI também promove acções de formação e de capacitação técnica em diversas áreas: Programação macroeconómica financeira, políticas monetárias e fiscais; Capacitação técnica Bancos Centrais : programação monetária, supervisão bancária Ministérios das Finanças : administração tributária, política tributária, sistemas de administração financeira estatais, Institutos de Estatística, na área de Contas Nacionais. A África Subsariana recebe a maior parcela de recursos para formação e capacitação técnica: Cerca de 1/3 dos serviços de campo destinam-se ao continente africano. Parte crescente destes recursos é agora alocada via centros regionais de formação (AFRITACs): AFRITAC Leste (Quénia, Ruanda, Tanzania, Uganda), cuja sede fica em Dar-es-Salaam. AFRITAC Oeste, (WAEMU : Benin, Burkina Faso, Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Mali, Níger, Senegal e Togo bem como Guiné e Mauritânia). A sede é em Bamako (Mali. AFRITAC Centro (CEMAC Camarões, Chad, República Centro Africana, Guiné Equatorial, Gabão e República do Congo bem como Burundi e RD Congo. São Tomé e Príncipe deverá iniciar sua participação no AFRITAC Centro. Dois AFRITACs estão em vias de ser abertos. Um em Gana, que beneficiará Cabo Verde, e outro nas Maurícias, que servirá a Moçambique. O nosso escritório local em Maputo desempenha também um papel focal na coordenação da assistência técnica prestada pelo Fundo aqui em Moçambique, nomeadamente nas áreas de administração tributária e de finanças públicas. 6

7 FMI e Sindicatos : Ampliando o Diálogo Ao longo da ultima década o FMI se comprometeu a alargar a sua interacção com um gama ampliada de instituições, para além dos governos centrais, com quem normalmente tem tido relações de trabalho: Este conjunto de novos actores inclui parlamentares, académicos, ONGs e o movimento sindical. Isto faz parte de uma iniciativa para ganhar novas perspectivas com relação ao desenvolvimento económico de modo a que as mesmas se reflictam nas políticas do FMI. O diálogo tem sido nos dois sentidos: Nós explicamos as nossas políticas e aprendemos a ouvir dos nossos interlocutores. 7

8 FMI e Sindicatos : Ampliando o Diálogo O movimento sindicalista tem constituintes e funções claras e apresenta-se como um veículo legítimo para canalizar as preocupações da suas bases: O FMI reconhece os sindicatos como interlocutores legítimos. A nossa interacção com o movimento sindicalista foi formalizada no final da década passada com o estabelecimento de um mecanismo formal de diálogo com as organizações que antecederam a ITUC: Juntamente com o Banco Mundial, demos início a um processo de diálogo durante as nossas Assembleias Anuais, nas quais de 2 em 2 anos ocorre um encontro entre as lideranças do movimento sindical internacional, o Director-Gerente do FMI e o Presidente do Banco Mundial. 8

9 FMI e Sindicatos : Afinando as Políticas Ao mesmo tempo, intensificamos igualmente os nossos contactos com organizações sindicalistas a nível nacional. Nosso trabalho é baseado não só em visitas periódicas (denominadas missões) mas também em equipas continuamente dedicadas a países (como é o meu caso), que trabalham a tempo inteiro com o governo. Nosso diálogo se intensificou ainda mais desde 2007 e, em particular, na esteira da crise global financeira de 2008/09. Finalmente, o alargamento do nosso trabalho conjunto com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a instituição multilateral que trabalha extensivamente com assuntos relacionados com mercados de trabalho e emprego. 9

10 O papel do FMI no contexto das manifestações de Setembro de 2010 Os protestos de Setembro do corrente ano foram despoletados pela alta simultânea de vários preços administrados antecedidas por um aumento já elevado do custo de vida em função da inflação crescente observada ao longo do ano. Tendências nos preços de combustíveis líquidos, Mar '10 to Out '10 Mar-10 Out-10 Variação (em %) Gasolina % Diesel % Petróleo de Iluminação % Fonte: Ministério da Energia Taxas de inflação de Maputo, Jan '10 to Out '10 (em %, 12 meses) Protestos similares também ocorreram em 2008 igualmente como resultado de aumentos significativos de preços, neste caso de alimentos e combustíveis Jan-10 Mar-10 May-10 Jul-10 Sep-10 Total Alimentos Não Alimentos Fonte: Instituto Nacional de Estatística (INE). 10

11 O papel do FMI no contexto das manifestações de Setembro de 2010 Ambos as manifestações trazem importantes lições que temos feito referência no nosso aconselhamento ao governo e que também reflectem a nossa visão estratégica: A estabilidade macroeconómica é uma condição essencial para manter o rendimento dos trabalhadores e a coesão social; As medidas de curto prazo para aliviar o impacto do custo vida devem ser: focalizadas nas camadas mais vulneráveis, temporárias e de fácil reversão; A médio prazo, políticas que garantam a estabilidade económica devem ser complementadas pela implementação de reformas que promovam um crescimento económico alto, sustentado e socialmente inclusivo. O melhoramento do sistemas de protecção social é um importante elemento destas reformas. 11

12 12 Muito obrigado!

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