TERMOS DE REFERÊNCIA PARA O POSTO DE CONSELHEIRO EM GESTÃO DE FINANÇAS PUBLICAS

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1 I. Introdução TERMOS DE REFERÊNCIA PARA O POSTO DE CONSELHEIRO EM GESTÃO DE FINANÇAS PUBLICAS O melhoramento da prestação de serviços públicos constitui uma das principais prioridades do Governo da Província do Niassa. Na materialização desta prioridade, o Governo tem tido a contribuição dos parceiros de cooperação, mais especificamente a Irlanda e a Suécia, que têm alocado fundos ao sector público através do Orçamento do Estado (OE), com base no Plano Económico e Social (PES) Provincial. Estes fundos são canalizados aos sectores prioritários da Província para aplicação em programas e projectos de investimento de impacto sócio-económico para os distritos e comunidades. Estes fundos dos parceiros de cooperação representam uma contribuição significativa para o OE na Província, aumentando substancialmente a capacidade de intervenção da Província no desenvolvimento de infraestruturas e serviços para os cidadãos, os empresários e investidores. O apoio da Suécia e Irlanda é canalizado à Província via apoio ao Plano Económico e Social, cuja programação financeira realiza-se através do Orçamento da Província. Os mecanismos de gestão financeira aplicados são principalmente, os sistemas nacionais 1. A existência de sistemas de gestão financeira fiáveis e que conduzam ao uso eficiente e transparente dos fundos públicos é um pré-requisito fundamental para a cooperação entre as partes. 2 Desde o ano 2003, tanto o Tribunal Administrativo (TA) como a Inspecção Geral de Finanças (IGF) têm vindo a realizar auditorias integradas na Província do Niassa. Os relatórios resultantes identificam fraquezas no sistema de gestão financeira da Província. Apesar dos esforços por parte do Governo Provincial de dar seguimento às recomendações das auditorias, continuam a existir problemas estruturais. Para mitigar estas fraquezas e garantir o uso apropriado dos fundos públicos (tanto dos parceiros de cooperação como do Orçamento do Estado), o Governo Provincial e os parceiros de cooperação concordaram que é necessário desenvolver e implementar um plano de acção do Governo Provincial com o intuito de fortalecer o sistema de gestão financeira. O plano será elaborado conjuntamente com a IGF e incluirá acções concretas com o objectivo de: (i) fortalecer os procedimentos de controlo interno; (ii) fortalecer a capacidade e o mandato da auditoria interna da Direcção Provincial do Plano e Finanças (DPPF); (iii) melhorar os sistemas de informação, contabilidade e 1 A Suécia vem já canalizando os seus fundos através da Conta Única do Tesouro (CUT). A Irlanda vai canalizar os seus fundos via CUT a partir do O manual de gestão dos fundos irlandeses está baseado nos procedimentos nacionais. Ambos os parceiros de cooperação mantêm a possibilidade de realizar auditorias externas, além das realizadas pelo TA e pela IGF. 2 O termo sistemas de gestão financeira refere-se às instituições e procedimentos para a planificação e elaboração do orçamento, execução financeira, controlo interno e externo, assim como contabilidade e relatórios. 1

2 registo; e (iv) capacitar os gestores e outros quadros a nível provincial em relação aos procedimentos de controlo interno. Para a materialização deste entendimento entre o Governo e os parceiros de cooperação são, através deste documento, estabelecidos os termos de referência para o posto de Conselheiro Financeiro do Governo Provincial. II. Objectivos Com a consultoria, pretende-se atingir como objectivo geral contribuir para o melhoramento da gestão financeira no Governo Provincial, assegurando-se que esta gestão seja mais eficaz, eficiente, de qualidade e transparente. Com a consultoria, dever-se-á também contribuir para o melhoramento do fluxo de informação entre o Governo Provincial e os parceiros de cooperação, mais especificamente a Irlanda e a Suécia. O objectivo específico é conseguir que o Governo da Província do Niassa estabeleça e implemente um plano realista e credível para fortalecer o sistema de gestão financeira. Para este fim, o Conselheiro Financeiro exercerá essencialmente um papel de assessoria, aconselhamento e assistência ao Governo Provincial. III. Funções e Tarefas Específicas O Conselheiro Financeiro deverá especificamente realizar as seguintes funções e tarefas: 1. Apoiar na elaboração e implementação de um plano de aperfeiçoamento de sistemas e procedimentos de gestão financeira, especialmente no âmbito das recomendações da IGF e do TA e outras auditorias externas, tarefa que inclui: o apoio na identificação de necessidades quanto aos seguintes aspectos da gestão financeira: (i) sistemas e procedimentos; (ii) organização institucional do sistema de controlo e auditoria interna; e (iii) formação de gestores e outros quadros; a assessoria técnica para determinação das acções prioritárias, resultados esperados, prazos e indicadores; a participação na elaboração e operacionalização de um sistema para dar seguimento à implementação das recomendações das auditorias da IGF e do TA assim como de outras auditorias externas; o apoio no desenho de mecanismos que assegurem o aperfeiçoamento do controlo financeiro dos fundos públicos; 2

3 a prestação de apoio na capacitação de gestores e outros quadros, incluindo a organização e/ou realização de eventos de formação; apoio no desenho, actualização e harmonização de modelos e formatos de relatórios de interesse financeiro que respondam aos interesses específicos do Governo e dos parceiros de cooperação; a recomendação ao Governo Provincial e, em particular, à DPPF de medidas que concorram para o melhoramento da gestão financeira, tendo sempre presente a legislação moçambicana aplicável sobre a matéria. a concepção e garantia da operacionalização de um sistema de monitoria financeira a nível provincial e distrital; e a exploração de fóruns, como o Observatório de Desenvolvimento, e outros mecanismos para a prestação de contas dos fundos públicos e a avaliação da gestão dos mesmos.; 2. Assegurar a monitoria do progresso na implementação do plano de acção. O consultor fornecerá tanto o Governo Provincial, TA e IGF como aos parceiros de cooperação relatórios sobre o estado dos sistemas de gestão financeira e o processo de implementação do plano de acção. Estes relatórios serão a base para o diálogo entre o Governo Provincial, a IGF e os parceiros de cooperação sobre os avanços, constrangimentos e prioridades. Estes informes de progresso complementarão, e não substituirão, os mecanismos já estabelecidos a traves dos quais o Governo Provincial informa sobre a implementação de recomendações de auditorias. IV. Metodologias e Duração A responsabilidade pela elaboração e implementação do plano de acção é inteiramente do Governo Provincial, através da DPPF. A função do consultor é de apoiar o Governo nestas tarefas assim como fornecer relatórios independentes sobre o progresso deste trabalho. O consultor estará baseado na DPPF durante aproximadamente duas semanas por mês. No início da consultoria, o consultor elaborará um plano de trabalho que abranja todo o período de contratação. O plano de trabalho será aprovado tanto pelo Governo Provincial e IGF como pelos parceiros de cooperação. Durante o período de contratação, o consultor trabalhará sob orientação do Director Provincial do Plano e Finanças. 3

4 A consultoria terá duas fases: 1. Primeira Fase: A partir da data de contratação até ao dia 31 de Julho de 2011, centrada essencialmente na assistência técnica na elaboração do Plano de Acção; 2. Segunda Fase: De 1 de Agosto 2011 a 1 de Março de 2012, centrada essencialmente na assistência técnica na implementação do Plano de Acção e monitoria do progresso. V. Relatórios O consultor fornecerá tanto ao Governo Provincial e IGF como aos parceiros de cooperação os seguintes relatórios: Relatórios de progresso, de 60 em 60 dias, a partir da data de contratação. Durante a primeira fase, os relatórios, entre outros, detalharão as principais actividades realizadas pelo consultor. Durante a segunda fase, os relatórios, entre outros, avaliarão o progresso de implementação do Plano de Acção. Relatório final. Será entregue no dia 31 de Março de O mesmo avaliará o estado dos sistemas de gestão financeira em relação aos objectivos do Plano de Acção e sugerirá medidas a serem tomadas durante 12 meses seguintes de implementação do plano. Todos os relatórios serão em Português. VI. Qualificações e Requisitos Profissionais Requeridos O consultor deveria reunir as qualificações e requisitos abaixo: Grau de Licenciatura ou Superior na área de Economia, Contabilidade Financeira, Gestão Financeira/Administrativa ou outras áreas similares; Mínimo de dez anos de experiência profissional relevante para o posto em referência; Habilidades nas seguintes áreas: o planificação,sobretudo planificação financeira o monitoria e avaliação o gestão de informação o aconselhamento, moderação e facilitação o formação e capacitação institucional o técnicas de procurement 4

5 o procedimentos da função pública o modus operandi dos doadores/financiadores o capacidade de diálogo e negociação o análise de sistemas o aspectos básicos de auditoria Experiência em controlo interno e externo do sector público em Moçambique; Sólida compreensão de processos e regulamentos financeiros do Governo de Moçambique, incluindo a Lei 9/2000 Sistema de Administração Financeira do Estado (SISTAFE), as regras de procurement e a gestão descentralizada; Experiência em sistemas integrados de administração financeira (e-sistafe ou outros); Capacidade de trabalhar sem necessidade de supervisão frequente e com orientação para resultados; Ser uma pessoa com integridade e espírito de equipe; Fluência na língua portuguesa; e Disponibilidade imediata. 5

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